A direita mentirosa

É um dogma que diversas personagens de direita repetem ad nauseam: a comunicação social é controlada pela esquerda.

Que os factos não estragarem um belo enredo.

Se antes da criação dos canais de televisão privados, a RTP era a voz do governo, fosse ele de que cor fosse, depois disso, a SIC, TVI e, agora também, a CMTV, fazendo fé no estudo do ISCTE, são a voz da direita.

Quem para a extrema-direita na polícia?

Les perroquets commencèrent à crier, âcres, aigres, puis les perruches ajoutèrent leur pépiement à cette symphonie discordante. Leur charivari montait avec la lumière.
Éric-Emmanuel Schmitt, “Les Perroquets de la place d’Arezzo

***

Aliás,

Quem pára a extrema-direita na polícia?

Exactamente, apesar de ativa e de ativistas:

Como sabemos, existe uma diferença entre afirmar

Escrevo com o AO nos jornais

e escrever com o AO nos jornais.

É como a diferença entre determinar

a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa [..], a partir de 1 de Janeiro de 2012, […] à publicação do Diário da República

e permitir que isto aconteça:

— ou até um bocadinho semelhante a, por um lado, afirmar

No Acordo é limpinho: é muito mais fácil dizer que se é contra. E também parece que algumas pessoas têm de encontrar válvulas de escape para a insatisfação em que vivem. É um pouco como chamar nomes ao árbitro. Acho que às vezes as pessoas precisam de conhecer mais mundo.

e, por outro, escrever

Agora facto é igual a fato (de roupa).

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

“Vinde para cá que estão lá aqueles índios em Trás-os-Montes”

Lá fora, anda o Governo a vendilhar e informar sobre as grandiosas oportunidades de investimento.

Já cá dentro, a política de informação deixa mais do que a desejar, até mesmo para as pessoas directamente afectadas, como mostra a reportagem da jornalista Ana Leal.

Segundo a associação ZERO, nos últimos 16 meses foram publicados no Diário da República 26 pedidos para atribuição de direitos de prospecção e pesquisa de depósitos minerais, dos quais 19 mencionam claramente a prospecção de lítio, abrangendo uma área total de 616 265 hectares.

Desses pedidos de prospecção e pesquisa, mais de 86 mil hectares são em áreas com interesse para conservação da natureza.

É um grande incómodo para a estratégia de venda, mas felizmente há gente a mexer-se, por exemplo em Covas do Barroso, onde as populações e os autarcas se mobilizam contra o projeto de mina de lítio a céu aberto, lembrando que o Barroso é Património Agrícola Mundial e onde criaram o movimento Unidos em Defesa de Covas do Barroso “Não à mina, Sim à Vida”.

E está a decorrer uma petição, que pode assinar aqui: Em Defesa das Serras da Peneda e do Soajo.

Não garanto, mas suspeito que os contratos/investimentos serão protegidos pelo tal privilegiado mecanismo de justiça privada exclusivo para multinacionais, o ISDS, que depois impede que sejam tomadas medidas em favor do ambiente e das populações. Por causa das coisas.

O contato, os contatados e os contatos

En quelques secondes j’avais perdu mon père. Ce que j’avais si souvent craint était arrivé, en ma présence. Je ne suis jamais parti donner des conférences en Australie ou en Inde, au Japon ou aux États-Unis, en Amérique du Sud ou en Afrique noire sans penser au fait qu’il aurait pu mourir pendant mon absence. Je songeais alors avec effroi qu’il m’aurait fallu faire un long retour en avion vers lui en le sachant mort. Or, il mourrait, là, avec moi, dans mes bras, seul à seul. Il profitait de ma présence pour quitter le monde en me le laissant.
Michel Onfray

Tanto adiei esse dia que o deixei fugir.
Carla Romualdo

Nous vénérons beaucoup plus les idées que la réalité.
Michel Onfray

***

Depois do fim-de-semana, se bem se lembram, tivemos segunda-feira e também houve terça-feira. Entretanto, chegámos a quarta-feira

e tudo continua exactamente na mesma.

A ideia “acordo ortográfico” é venerada pelo poder político de Portugal — todavia, a realidade passa completamente ao lado de quem decide, como passaram os pareceres críticos que previam o desastre e ficaram na gaveta a servir de forro. O Diário da República é simultaneamente a realidade e a sua demonstração, ou seja, uma montra que serve de prova visível, pública e notória do desastre actualmente a acontecer em todas as áreas do “portuguez lingua escripta“. No entanto, a reacção dos decisores, de quem se espera lucidez e a quem se exige coragem, resume-se efectivamente a encolher os ombros, assobiar para o ar e tapar o sol com a peneira.

***

Actualização (7/6/2019): ligeira correcção estilística no último parágrafo.

A despropósito de professores e de outros injustiçados

Na Assembleia da República, uma estranha maioria, constituída por PS, CDS, PCP e PEV, aprovou “uma norma do Estatuto dos Magistrados Judiciais que permitirá aos juízes conselheiros um vencimento superior ao do primeiro-ministro.”

Aos professores foi recusada a reposição integral do tempo de serviço, em nome das boas contas. Não tenho informação suficiente para saber se a medida é justa ou não e não defendo a sua reversão em nome de uma inveja profissional, mas não posso deixar de notar que parece que há cidadãos que são juízes e outros que são enteados.

Lateralmente a esta questão, alguns deputados afirmaram que votaram a favor da medida porque lhes tinha sido imposta disciplina de voto, essa perversão da representatividade parlamentar. Os deputados que invocaram esta desculpa não passam de hipócritas, gentinha obediente ao partido.

A propósito ainda desta questão, sabe-se que Fernando Anastácio, deputado do PS que negociou este aumento, é casado com uma juíza. O dito deputado declarou que não vê esse facto como impedimento. De qualquer modo, imagino que deva ser agradável intervir num processo que possa contribuir para o aumento do orçamento familiar. [Read more…]

Autoridade Triturária

Foto: ESTELA SILVA/LUSA

Eu não sou de intrigas, mas quer-me parecer que anda alguém na Autoridade Tributária a querer fazer a folha ao ministro Centeno. Só assim se explica que, no espaço de poucos dias, o fisco tenha desencadeado uma operação terrorista e anunciado outra – ambas rapidamente neutralizadas pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, mas ainda assim deixando um rasto de indignação e de espanto entre o povo em geral e os defensores do Estado de direito em particular. [Read more…]

Sobre o PAN

15 – O PAN defende a criação de um serviço público de saúde eficiente e acessível a todos, que inclua a possibilidade de opção por medicinas e terapias alternativas, de qualidade e eficácia comprovada e exercidas por pessoas habilitadas, como a homeopatia, a acupunctura, a osteopatia, o shiatsu, o yoga, a meditação, etc. Estas opções, bem como os medicamentos naturais e alternativos, devem ser igualmente comparticipados pelo Estado.
(retirado da declaração de princípios do PAN)

Até aqui não liguei pevide ao PAN, partido com 1 deputado eleito na A.R. que vai debitando teorias com as quais genericamente não concordo. Mas 5% de votos nas últimas eleições para o Parlamento Europeu fizeram com que olhasse um pouco mais atentamente para perceber ao que vêm. Nada tenho contra o veganismo, desde que seja opção individual, tal como nada tenho contra homossexuais, alcóolicos, drogados, religiosos ou ateus. Por mim, cada um viva a viva como entender e que no final todos se sintam felizes. Ao PAN repugna a ideia de comermos carne, segundo a declaração de princípios da seita, ainda não estamos preparados para abandonar os hábitos alimentares, mas assumem que irão procurar progressivamente mudar a nossa forma de viver. A mim repugna-me mais proporem no parlamento que os portugueses através do SNS tenham que pagar crenças que cientificamente estão longe de comprovadas. E já que é sábado, aproveito para desejar um bom fim de semana, vou almoçar uma excelente picanha e quero que o PAN se…

Não é enternecedor?

Um site, que é uma fossa de mentiras, mereceu a atenção do Observador para constatar que tinham publicado uma mentira.

Que inesperado!

Na verdade, esta pseudo-verificação de factos, funciona como publicidade ao esgoto chamado Direita Política. E, é factual, há uma maioria que prefere a mentira. Tem uma certa dose de ironia, mas vamos supor que a manobra resultou da indigência editorial do autor.

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À espera de Marcelo

Banco de Portugal faz diferente interpretação sobre lei dos grandes devedores

“Por carta remetida ao gabinete do governador, o gabinete do presidente da Assembleia da República levou ao conhecimento do Banco de Portugal a deliberação da conferência de líderes, a qual, por consenso, entendeu interpelar a instituição para que esta dê cumprimento ao estabelecido na lei e publique no seu sítio da Internet o relatório a que está obrigado por força do disposto no n.º 3 do artigo 4.º da Lei n.º 15/2019, de 12 de fevereiro”

Peça-se um comentário a Marcelo, o falador.

É hora de refazer as análises eleitorais

PS não elege 10.º deputado. CDU garante dois lugares no Parlamento Europeu

Rescaldo eleitoral

Os resultados são o que são e não o que gostaríamos que fossem. A abstenção continua a crescer, mas existiu uma alteração técnica, porque ao inscrever de forma automática os titulares de cartão de cidadão, aumentou exponencialmente o número de eleitores. Faltando ainda contabilizar o voto nos consulados, os números não estão completamente fechados, na prática está em causa saber o número final da abstenção e o destino do último deputado eleito, provavelmente cairá para o PS, mas ainda existe a possibilidade de cair para a CDU.
À esquerda o PS cresceu em número de votos, apesar da abstenção e número de mandatos, muito provavelmente alcançará os dez deputados. Ficou em primeiro lugar, por isso ganhou as eleições, afirmar qualquer outra coisa é falsear os números.
O BE mais que dobra a votação anterior, dobra o número de deputados, passando de um para dois. Tem um resultado muito positivo.
A CDU perde quase metade dos votos, diminui de dois para um deputado, é o grande derrotado deste acto eleitoral.
O PAN quase triplica o número de votos, faz eleger pela primeira vez um deputado, é claramente um vencedor nestas eleições. Não sendo possível extrapolar resultados de europeias para legislativas, a verdade é que em caso de repetição destes números em Outubro, o PAN poderia eleger quatro deputados em Lisboa e dois no Porto. Têm legítimas razões para sonhar.
À direita existe uma dificuldade de comparar resultados, porque PSD e CDS agora concorreram separados, em 2014 foram coligados. Mas é permitido tirar algumas ilações. Considerando a soma dos votos em ambos os partidos, tivemos ontem um crescimento pífio de 25 mil votos. Pior, ambos os partidos estão agora na oposição, quando em 2014 governavam coligados, intervencionados pela troika. O resultado que obtiveram em 2014 foi o mínimo histórico, muito pior do que o obtido nas legislativas em 2015. Por isso reclamar qualquer razoabilidade quando se está perante este cenário, é enterrar a cabeça como a avestruz. Em número de mandatos ficaram iguais, o PSD com seis deputados, o CDS com um, menos que isto é caminhar para a irrelevância.
Uma última palavra para os pequenos partidos, Aliança, Livre e Basta, teriam ontem elegido deputados se estivéssemos em eleições legislativas. Iniciativa liberal e Nós cidadãos ficariam muito perto de o conseguir em Lisboa. Veremos o que conseguem em Outubro, mas boas campanhas em Lisboa e Porto podem aumentar o número de partidos representados no parlamento.

Longa vida ao PAN

PAN

Fotografia: Lusa@Sapo24

É oficial: o PAN elegeu Francisco Guerreiro, o primeiro eurodeputado português a sentar-se no grupo europeu dos Verdes. Um sinal claro de que as mudanças na política não se resumem à ascensão da decrepita extrema-direita, que em Portugal foi eleitoralmente reduzida à sua insignificância, mas também a novas sensibilidades e formas de abordar e fazer política. Longa vida ao PAN!

Algumas notas breves sobre os resultados das Eleições Europeias

Tendo em conta tudo o que aconteceu antes e depois da campanha eleitoral:
– Uma vitória «poucochinha» do PS;
– Uma extraordinária vitória do Bloco de Esquerda e sobretudo do PAN;
– Uma estrondosa derrota do PSD e do CDS;
– Uma pequena derrota da CDU.
No final, temos aqui que a Esquerda venceu estas Eleições Europeias de forma muito clara. É possível que em Outubro haja de novo uma Geringonça, desta vez com novos participantes. Parece que estamos livres de uma perigosa Maioria Absoluta do PS.
Temos também que a Direita sofreu uma derrota enorme, muito para além do que era esperada. Se a do PSD é humilhante, a do CDS é apenas o constatar de uma realidade – é isto que o Partido vale sozinho: Um táxi.
Boas notícias são também aquelas que dão menos de 2% aos dois Partidos fascistas, o Basta de André Ventura e o PNR. Por agora, a extrema-direita em Portugal continua a ser meramente residual.
A abstenção chegou aos 70%. Os políticos fingem-se preocupados. Mas no fundo, para eles, é mais um dia no escritório.

Eleições Europeias 2019: primeiras projecções

RTP

Abstenção:65% a 70%

SIC

Abstenção: 66,5% a 70,5%

TVI

A TVI optou por caprichar pouco na abertura e nem um grafismo de com previsões apresentou. Poderão ter pensado por lá que, dada a previsível abstenção na casa dos 70%, talvez a escolha televisiva dos portugueses não seja a noite eleitoral.

A seguir na noite eleitoral:

  • O desenrolar da fábula da rã que queria ser boi e de quanto vale gritar por Sócrates numa campanha.
  • Marinho e Pinho dizia que os eurodeputados ganhavam demais e que centenas de debates no PE são verdadeiros faz-de-conta. Agora é ver se o destino faz a escolha que ele, nestas circunstâncias, deveria ter feito.

A sexão, a secção e a seção

Also, there is much needed research on the intersection of pronunciation instruction and individual differences.
— Pablo Camus

Factos são factos e fatos são fatos: uns à medida e outros sem ser à medida.
Pinto da Costa

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Uma das vantagens de sexão em relação a secção é a ausência de possibilidade da supressão do cê.

Secção de voto, algures na cidade de Lisboa. Foto: Cristina Carvalho (http://bit.ly/2JGgAo2)

De facto, a adopção de sexão impedirá coisas destas

ou destas

ou ainda destas [Read more…]

A sério, Marcelo?

Acho que os cidadãos têm que perceber que se se abstiverem não têm grande autoridade para criticar os políticos.” [Marcelo Rebelo de Sousa, 26/05/2019]

E os políticos que não respeitem um programa eleitoral têm legitimidade para continuar a exercer o cargo? E se nem discutirem esse programa? E se se calarem quando deviam falar, têm autoridade para criticar quem não lhes liga?

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Os portugueses que vão votar dão uma lição de civismo

Acabo de votar numa das escolas reservadas para o efeito e por verificar, in loco, o civismo de tantos e tantos portugueses no momento do voto.
Ele é estacionamento dos carros em cima do passeio, em cima das passadeiras, nos lugares de deficientes, em segunda fila, enfim, onde calha. Em qualquer sítio que garanta ficar à porta do local de voto.
Ufanos por estarem a cumprir o seu dever, esses portugueses regressam a casa felizes. O seu civismo foi posto à prova e, mais uma vez, a exemplo do seu Querido Líder, ultrapassaram o teste com distinção.

Porque vou votar amanhã

Não me deslocarei amanhã até à escola secundária para votar nas eleições europeias porque ela é um belo exemplo (piu!) das renovações da Parque Escolar inventada por Sócrates. Da mesma forma que não o farei por Sócrates não ter saído das bocas do Melo e do Rangel. Nem sequer porque Costa ajudou a transformar as europeias num referendo ao seu governo, tanto pelas suas declaradas palavras, como pela crise que inventou para recentrar a campanha. E muito menos devido ao apelo do Presidente, que receia a maior abstenção de sempre, quando uma campanha de costas voltada para a “europa” convidou os eleitores a fazerem o mesmo.

Vou votar porque esses seres serão eleitos mesmo que os únicos eleitores a votarem sejam os candidatos. De nada importa a abstenção. E nem o voto em branco, já agora. Por isso, vou votar num dos outros partidos, fazendo com que os primeiros tenham menos uma migalha percentual de votos. E, como se sabe, uma uma multidão é composta por indivíduos, pelo que só depende de cada um mudar a sorte dos oportunistas.

Eleições europeias: Sei em quem não vou votar


No Cântigo Negro, diz José Régio que «não sei por onde vou, sei que não vou por aí». Um poema muito conhecido, até por ser o único que o presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, parece saber recitar.
Estou na mesma relativamente às eleições europeias de amanhã. Não sei ainda em quem vou votar, mas definitivamente sei em quem não vou votar.
Não vou votar na Direita, como é óbvio. À excepção do PS em 1995, nunca votei na Direita. Jurei para nunca mais. Ideologia dos grandes interesses económicos, do capitalismo selvagem, do deixar gente para trás. PS, PSD e CDS são simplesmente Partidos criminosos.
Também não vou votar naqueles em quem voto desde 1989. Fartinho da cegueira ideológica da CDU, que em 2019 continua a não conseguir dizer que a Coreia do Norte é uma Ditadura abjecta ou que a China é tudo menos um regime comunista. Fartinho do Bloco de Esquerda, que mostrou, com o caso Robles, de que massa é feito. Da mesma massa dos outros.
No momento do voto, não me vou esquecer que estes dois Partidos pactuaram com estes 4 anos de governação socialista. Com uma governação que continuou a privilegiar os benefícios fiscais aos grandes grupos económicos. Que continuou a torrar milhões e milhões no sistema bancário ladrão enquanto os negava aos trabalhadores. Que não mexeu uma palha para acabar com os abusos das rendas excessivas de uma EDP que manda no país e que é responsável pelo pagamento da energia mais cara da Europa.
Também não me vou esquecer que o PAN esteve na Assembleia da República nestes últimos 4 anos.
Sendo assim, o que resta? [Read more…]

Declaração de voto

Há vários anos que ninguém me vê por perto de qualquer assembleia de voto em dia de eleições, pura e simplesmente porque me é indiferente saber quem governa, seja autarquia, Assembleia da República, Presidente da República ou eleger deputados para o parlamento europeu, tenho os políticos em muito baixa consideração e ainda menos estima. Antes de me tornar abstencionista, durante anos votei PSD ou CDS, numa lógica de voto útil, mas a verdade é que a utilidade apenas serviu para eles, porque eu não recebi rigorosamente nada. Aliás, constatei ao longo da vida que foi para mim absolutamente igual ter um governo liderado pelo PSD ou PS. No poder local ainda foi pior, porque de perto vi que são mesmo todos iguais no que toca a favorecimento, compadrio, negócios menos claros, nepotismo, práticas que só ultimamente têm sido denunciadas, mas que há muito estão enraizadas.
Nos últimos anos foram legalizados novos partidos, que agora pela primeira vez se apresentam aos eleitores. Decidi votar na Iniciativa Liberal no próximo domingo, porque me agrada a ideia de ter menos Estado no bolso e nos costumes. Não sou dos que defendem a diminuição do Estado na economia, para depois querer decidir, regular a vida dos outros, prática corrente dos conservadores ou liberais beatos. Sei que não será fácil eleger Ricardo Arroja como deputado ao Parlamento Europeu, mas prefiro entregar o meu voto a alguém coerente, que não está dentro do sistema nem dele vive, aos que estão sempre dispostos a trair os eleitores para sobreviverem politicamente. O espaço político à direita do PS não pode ficar confinado às duas opções históricas, precisa ser renovado, por essa razão domingo voltarei a exercer um direito do qual nunca abdiquei, apenas não o exerci, o que também não deixa de ser um direito.

Dizem que teremos eleições europeias

Tenho acompanhado menos a campanha eleitoral para as eleições europeias e os ecos mediáticos dizem-me que não tenho perdido coisa alguma.

Na verdade, o pouco a que acabo exposto recorda-me Chernobyl. As radiações acabam por chegar e causam náusea.

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Marinho e Pinto sabe do que fala

 

Há centenas de debates no Parlamento Europeu que são verdadeiros faz-de-conta“, diz Marinho e Pinto. E ele sabe do que fala, pois foi protagonista em vários deles quando se discutiram temas como a reforma dos direitos de “autor” levada a cabo pelo Parlamento Europeu (PE). Afirmou em certa altura que não viu nenhuma das cartas abertas que tinham sido divulgadas então, as quais explicavam porque eram erradas as medidas que o PE estava a preparar. O Sr. Eurodeputado tinha, certamente, mais que fazer do que informar-se e contribuir para que este debate não fosse um verdadeiro faz-de-conta. Fez-se de conta que se estavam a defender os direitos de autor, quando, na verdade, foram os interesses dos grupos editoriais que saíram reforçados.

A propósito, no domingo este senhor vai a votos.

O capitalismo do calote

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Fotografia: Lusa

Joe Berardo não fez um favor aos bancos. Fez um favor ao país. Demonstrou bondade e compaixão por todos nós, pobres portugueses, ao apresentar-se perante a comissão de inquérito sem máscara, o que lhe permitiu gozar, abertamente e sem rodeios, com a cara dos deputados, do Parlamento e dos portugueses, deixando a nu a verdadeira face de uma certa elite parasitária, famosa por manobrar políticos sem espinha e viver à custa do erário publico. [Read more…]

Ensinar ou preparar para os exames?

João Costa é secretário de Estado da Educação desde 26 de Novembro de 2015. Está, portanto, prestes a perfazer uma legislatura.

A equipa de que faz parte acabou com os exames nacionais de quarto e de sexto ano, inventando umas provas de aferição inúteis no quinto e no oitavo. Os argumentos para acabar com os primeiros foram tão profundos como os de Nuno Crato para os manter ou impor; as razões para justificar a criação das provas de aferição são igualmente inexistentes.

João Costa, aliás, como muitos que passaram pelo Ministério da Educação, tem funções tão decorativas que acaba por se dedicar a inutilidades folclóricas. Sendo o ideólogo de serviço, limitou-se a impor ideias vagas acerca da flexibilidade e da inclusão, o ai-jesus de muitas sessões de formação, a fazer lembrar o entusiasmo dos pregadores e pastores de seitas religiosas.

Recentemente, João Costa declarou que “as escolas devem preocupar-se em ensinar em vez de se inquietarem com a preparação dos alunos para os exames nacionais, argumentando que desta forma os estudantes terão melhores resultados académicos.”

Em primeiro lugar, os exames existem e têm uma importância enorme no percurso que leva os alunos a entrar no Ensino Superior. Se um professor se preocupar com os alunos, deve, portanto, preocupar-se com a preparação para o exame, o que não é incompatível, imagine-se!, com ensinar. [Read more…]

L’État c’est Costa!

Santana Castilho*

É deplorável o que acabamos de viver. PSD ofereceu, sem dar. CDS dava um se tirasse quatro. PCP e BE confirmaram o que sabiam desde sempre: o tempo político para fazerem justiça aos professores esgotou-se quando aprovaram o OE 2019, nas condições em que foi votado. No balde dos despejos desta crise política de baixo nível ficou uma classe profissional maltratada por todos os partidos, com mais ou menos responsabilidades, consoante as cambalhotas que foram dando. Tudo aconteceu com Marcelo ausente, certamente à procura do urso pardo para fazer uma selfie, enquanto aqueles que qualificou como os melhores professores do mundo eram sacrificados na fogueira das mentiras.

António Costa não denunciou a mínima intenção de se demitir quando morreram mais de 100 cidadãos nos incêndios de 2017. Resistiu quando um bando de pilha-galinhas protagonizou o escândalo de Tancos. Ficou, quando a incúria sem responsáveis deitou abaixo a estrada de Borba e ceifou mais umas vidas. Não deu sinal de querer partir quando o presidente do seu partido fez do Estado a residência da família e a moda contaminou outros do seu Governo. Tendo acordos firmados com o PCP e BE, nunca se sentiu constrangido a não estabelecer vários pactos com o PSD para fazer vingar políticas a que se opunham os seus parceiros da “geringonça”. Mas rasgou as vestes, qual vestal profanada, quando o parlamento se “coligou negativamente” para lhe contrariar a tendência continuada para instilar na opinião pública ódio social aos professores. O mesmo parlamento que se “coligou positivamente” para lhe oferecer o lugar que perdeu nas urnas. Como se os outros partidos políticos estivessem proibidos de se entenderem sobre os efeitos futuros do descongelamento da carreira dos professores. [Read more…]

Há que dizê-lo…


Aos indignados com a prestação do comendador Joe Berardo na A.R., relembro que a dívida contraída serviu para ajudar o governo de José Sócrates a travar uma OPA da Sonaecom à PT e fortalecer na disputa de poder pelo controlo do BCP a facção que permitiu a Santos Ferreira e Armando Vara liderarem o Banco. Tudo feito de acordo com os interesses dos donos disto tudo, em conivência com o PS. Vários ministros de então continuam hoje no governo…

Gente que sabe onde está

Golpes de teatro, golpes de rins, golpes baixos. Só faltou mesmo um golpe de estado para compor o ramalhete. Foi uma semana particularmente animada, esta, que culminou numa sexta-feira a fazer lembrar os mais delirantes absurdos dos Monty Python. Mas, ao contrário destes, sem nenhuma piada – a não ser para um muito reduzido número de protagonistas/usufrutuários das manhas da política, dos truques do mercado e dos atalhos da lei.

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Os professores não têm fundações

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Fotografia: Lusa/António Cotrim@Público

Ligas a televisão. Joe Berardo, em prime-time, a gozar com as caras de Mariana Mortágua ou Cecília Meireles, e através delas 10 milhões de caras portuguesas, mais uns milhões no estrangeiro. O senhor ali, na comissão de inquérito, como quem está no café a comentar a bola de palito na boca, a dar tanga ao país. De tal forma que conseguiu pedir ao deputado Duarte Alves que não o ofendesse: “Se é para brincar, vou-me embora”, disse. E continuou a brincadeira: “Como português, como cidadão, tentei ajudar os bancos”.

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Dêem a maioria absoluta a António Costa…

A Banca diminuiu balcões e funcionários em todo o país porque toda a gente pagava com Multibanco.
Agora que cobram pelo levantamento ao balcão em dinheiro, também querem passar a cobrar a quem levanta através de Multibanco. Ao mesmo tempo que já cobram aos comerciantes pelas transacções feitas por Multibanco.
Tudo isto enquanto conseguem lucros gigantescos num negócio feito com o dinheiro dos outros. Outros esses que pagam para que o seu dinheiro esteja seguro e que são cobrados por tudo e mais alguma coisa. Outros esses que pagam ainda, através dos seus impostos, quando as coisas correm mal.
O negócio da Banca é um negócio cujo risco é de 0%. É fácil gerir assim um negócio. Os lucros são só seus, os prejuízos são sempre dos outros.
Não há dinheiro para ninguém, mesmo quando são despesas que nem sequer mexem com a actual legislatura. Mas para meter no cu dos banqueiros, 400, 500, 600 milhões por anos – todos os anos – dá sempre para acomodar.
Eram menos 400 milhões para os professores. E quantos milhões são, todos os anos e de forma permanente, para as rendas e subsídios e benefícios fiscais aos grandes grupos económicos?
Com os políticos que temos, vai continuar a ser assim. Mas com a maioria absoluta de um partido corrupto como é o PS, vai ser pior ainda.
Dêem a maioria absoluta a António Costa, dêem…

A santa aliança entre Banca e políticos…

Esta semana, uma vez mais os principais banqueiros do rectângulo pretenderam cobrar comissões por transações nas ATM, história reciclada que nada tem de novo, a pretensão é antiga, mas que permitirá ao governo de esquerda, todo modernaço, dizer que não, defendendo o povo e fazendo frente aos tubarões da alta finança. O embuste do costume para enganar papalvos, como é timbre da equipa de mestres da ilusão que governa o país. Há favores por pagar e todos os banqueiros sabem quanto e quando têm de pagar a quem os auxilia sempre que estendem a mão. [Read more…]