Irlanda a crescer 7.8% em 2015

Dublin, Ireland (17592569702)

Dublin, Irlanda

Em 2015 calcula-se que economia irlandesa tenha crescido 7.8%, ultrapassando até mesmo a China. Isto é visto como um caso de sucesso de recuperação da crise de 2008-2009 [sic].

Mas será mesmo?
[Read more…]

O Metro-Mondego é Portugal visto ao espelho

metro_mondego

Ao ler hoje o diário da república deparei-me com uma pequena resolução da Assembleia da República que é a perfeita imagem de Portugal (texto na imagem acima): um país pobre porque há um conjunto de pessoas que se esforça todos os dias para que assim seja. E, infelizmente, essas pessoas nunca recebem o merecido prémio que é serem responsabilizadas pelos seus atos. [Read more…]

O Orçamento do Estado e a mensagem política

Com “invertendo a política dos últimos anos, perspectiva-se“, em vez de “invertendo a política dos últimos anos, perspetiva-se”, ficava tudo resolvido. Efectivamente: tudoTudo resolvido.

Obscenidade, pornografia…

Seria o resultado aplicável ao esforço e rendimento de quem trabalha, caso o PAN conseguisse impor esta estupidez utopia em nome sei lá do quê, mas cuja viabilidade para ser alcançável teria forçosamente que atirar a já asfixiante carga fiscal para níveis estratosféricos… Mas esta gente acredita no Pai Natal ou anda a fumar erva da boa?

A Moody’s que os pariu

Moddy's

As agências de rating, sabemos, assemelham-se a mercenários do mundo financeiro, focadas em servir quem lhes paga salário no final do mês e nem minimamente interessadas na situação real da economia mundial. Vai daí sobem e cortam ratings conforme lhes convém. E nada melhor para ilustrar a bandalheira que impera nestas instituições do que o triplo A com que a Moody’s classificou o Lehman Brothers, poucas horas antes do colapso. Mas, gostemos ou não, enquanto optarmos pelo caminho dos carneiros esta gente continuará a decidir por nós.

Acontece que o regime neoliberal, ao serviço do qual se encontram os partidos com assento parlamentar da direita nacional, tende a ter em elevadíssima consideração tudo o que estas entidades macabras verborreiam. Afinal de contas, elas fazem parte integrante do esquema. Mas os pequenos e médios vassalos acabam por sofrer as consequências, ainda que sempre servis e sem protestar muito. Quando a Moody’s cortou o rating de Portugal em 2011, Pedro Passos Coelho sentiu “um murro no estômago e deixou-se ficar prostrado aos pés dos senhores do dinheiro. Os funcionários do seu ministério das Finanças bem tentaram dizer que a agência teria ignorado o impacto das medidas de austeridade impostas mas de nada lhes valeu. O rating foi cortado e as perspectivas eram de novos cortes no médio prazo. [Read more…]

Os juros da dívida e a direita ressabiada em depressão colectiva

Market Paranóia

Depois de várias sessões em que os juros da dívida portuguesa continuam a cair em todas as maturidades, o ministério da propaganda da direita mantém o silêncio ensurdecedor. Eles bem anseiam pelo regresso do chefe, por entre os escombros resultantes dos bombardeamentos dos terroristas financeiros, mas não há meio. Tampouco os partidos de esquerda, perigosos e radicalíssimos, dão a tão esperada mãozinha na fragmentação do governo, que afinal se revela mais coeso do que eles gostariam e esperariam que fosse. Uma chatice sem paralelo! [Read more…]

Mandou votar contra

Li isto e quase que não acredito:
“O maior partido da oposição vai empenhar-se no debate do OE2016 e, consequentemente, organizou a sua bancada parlamentar para analisar o documento do Governo e fazer propostas nas várias áreas. O maior partido da oposição promete um trabalho duro de oposição, mostrando que uma alternativa é possível e desejável para Portugal. O líder do partido liderará pessoalmente este esforço de trabalho de todos os deputados eleitos, e já fez saber a todos que a posição final do partido na votação do OE depende dos resultados obtidos com este esforço. Está por isso nas mãos do Governo, na sua capacidade de diálogo e compromisso, o sentido de voto do maior partido da oposição relativamente ao OE deste ano”, afirmou hoje em conferência de imprensa o líder do maior partido da oposição. [Read more…]

We call it diplomacy, Minister!

A história do empresário português de sucesso que acredita no OE16

Guimarães,03/11/2011 - Fortunato Frederico empresário e industrial do calçado na fábrica da Kyaia , produtora de marcas de marcas como a Fly London e Foreva .( Pedro Granadeiro / Global Imagens )

Fortunato Frederico não é típico empresário mediático e presunçoso que podemos encontrar em cocktails na capital, rodeado de tráfico de influências, ostentação e tias fúteis de Cascais. Começou por baixo, trabalhou muito, construiu o seu negócio do zero e hoje emprega mais de 600 pessoas em cinco fábricas e mais de 80 pontos de venda espalhados pelo globo, do Porto a Nova Iorque, Londres ou Berlin. A sua marca, Fly London, é mais famosa e reconhecida lá fora do que em Portugal. Um daqueles exemplos que tanto inspiram os fervorosos adeptos do capitalismo sem freio. O self made men que todos poderíamos ser se vivêssemos na ilha da utopia neoliberal.

O sector de actividade de Fortunato Frederico, o calçado, é um dos mais bem-sucedidos e um dos que mais exportações tem dado ao nosso país. O patrão da Kyaia compete directamente com a oleada máquina italiana e com as principais insígnias mundiais e, de acordo com uma notícia publicada no Dinheiro Vivo no final de 2011, a Fly London era já a oitava marca de sapatos mais vendida em todo o mundo. [Read more…]

Portugal tem coisas fantásticas

Capture

Portugal tem coisas fantásticas, e quando quer, isto é, quando se organiza, quando investe nas capacidades técnicas, científicas e humanas que foi capaz de desenvolver, quando olha para o exterior e aceita desafios de competitividade, revela desempenhos muito meritórios. Um desses exemplos é a florescente indústria metalúrgica, metalomecânica, de construção de máquinas e afins. Poucos sabem, mas Portugal é um grande fabricante de máquinas que são muito valorizadas por esse mundo fora. Esse é um reflexo da qualidade da nossa engenharia dando corpo a um setor industrial que, em muito, contribui para imagem de um Portugal moderno, com futuro e capaz de realizações fantásticas.

[Read more…]

Deutsche Bank insolvente? Esquema de Ponzi? Na Alemanha? Naaah!

Capture

Max Keiser, apresentador do Keiser Report, um programa do canal de TV RT, disse no último programa que a Deutsche Bank está tecnicamente falido, insolvente, apesar das garantias do ministro Wolfgang Schaeuble de que não estava nada preocupado com o maior banco do país. O apresentador disse inclusive que o banco estava a praticar um esquema de Ponzi, que agora acaba de ruir.

Mais informação aqui.

E Schaeuble afirma que Portugal é que está a perturbar os mercados financeiros? Os juros da dívida até caíram hoje, afastando o cenário “negro” lançado sobre Portugal por Schaeuble.

Como se dizia no Matrix:

Buckle your seatbelt Dorothy, ‘cause Kansas is going bye-bye!”

 

Poucochinho governo, algumas trapalhadas e muita aldrabice…

António Costa personifica o que de pior existe em política, o apego ao poder. Só assim é possível compreender o repto que lança ao PSD na entrevista ao Expresso, desafiando Passos para consensos políticos. Derrotado eleitoralmente em Outubro, o actual P.M. conseguiu sobreviver politicamente graças a um inédito acordo parlamentar com os partidos à esquerda do PS, cuja legitimidade não estou a contestar, mas colocou o governo de Portugal refém de corporações que parasitam o Estado, tornando-o ineficiente ou inoperante, garantindo assim o apoio do PCP, para além de ceder à agenda despesista, irresponsável e populista do BE.

Haverá quem discorde e não faltarão aí em baixo comentários discordando do que afirmo, é caso para dizer, daqui a uns meses veremos quem tinha razão, nestas matérias os números são como o algodão… [Read more…]

A alternativa à “geringonça” é um “calhambeque desconjuntado”?

Capture_2015

Instalou-se em Portugal um estilo de oposição que diz mal de tudo o que mexe, sem o mínimo de reflexão e sem atenção aos interesses de Portugal. Isso resulta do mau funcionamento dos partidos que, como dizia Viriato Soromenho Marques ontem no DN, nos pode levar de novo ao abismo: “É mesquinho querer ganhos táticos, quando o interesse nacional exige dos partidos seriedade, compromisso e convergência estratégica. O espírito de fação levou-nos à beira do abismo. Se não quisermos mergulhar nele, teremos de pensar e agir de modo diferente“. [Read more…]

A fatura dos assessores

Screen Shot 2016-02-11 at 15.17.12

Leio no Jornal Económico, por sinal um jornal a trabalhar em condições muito difíceis – com vários meses de salários em atraso e numa situação terrível de indefinição porque o proprietário, a famosa Ongoing, não tem dinheiro para uma reestruturação e espera desesperadamente vender o título-, que o Governador do Banco de Portugal contratou mais um assessor financeiro para vender o Novo Banco. Desta vez contratou o alemão Deutsch Bank.

Mas quantos assessores são necessários para o Banco de Portugal, que tem funcionários competentes nos seus quadros, vender o Novo Banco? E quanto vai custar toda essa “assessoria”? Assim por alto identifico: [Read more…]

Não percebe nada daquilo a que se chama “os mercados”?

É natural. Até os especialistas dizem que eles deixaram de fazer sentido.

Os milionários que ganham 2000 euros por mês

A experiência diz-me que terei muito tempo para dizer mal do Governo, do Primeiro-Ministro, do Ministro das Finanças e de muitos outros que se ocupam das funções executivas. A mesma experiência diz-me que já não deve faltar muito, porque os governos começam muito depressa a dizer e a fazer asneiras.

Hoje, vou limitar-me a apontar um dedo preguiçoso a jornais e a jornalistas.

O DN faz a chamada para uma entrevista ao Ministro das Finanças usando uma citação: “Quem tem 2000 euros de rendimento tem uma posição privilegiada.”

Não sendo eu um queixinhas, a verdade é que não me sinto propriamente um privilegiado, pelo menos no que toca a rendimentos, que privilégios há muitos.

Quando estava a preparar-me para soltar um impropério, pensei: “Deixa lá ler a parte da entrevista acerca disto dos rendimentos.” E lá me deixei ir ler.

Deixo-vos a citação completa da resposta, porque  uma pessoa lê as gordas e depois está no quentinho e não lhe apetece ir mais além. Aqui fica. Do título ao texto vai um passo gigante: é assim que se arranjam entorses e é assim que se vendem jornais. [Read more…]

Gestão de carreiras

work4u

Flanava por aí a pensar remotamente se aos portugueses também faltaria uma palavra para entreprender e eis senão quando este cartaz:

“Código Penal

Artigo 160.º
Tráfico de pessoas!

1 – Quem oferecer, entregar, recrutar, aliciar, aceitar, transportar, alojar ou acolher pessoa para fins de exploração, incluindo (…) a exploração do trabalho (…):

c) Com abuso de autoridade resultante de uma relação de dependência hierárquica, económica, de trabalho ou familiar;

é punido com pena de prisão de três a dez anos!”

O anúncio aparecia assim, com pontos de exclamação e tudo, a transpirar desafio, incredulidade, loucura…

Ainda pestanejei, por momentos, “porque não?”, mas logo o tédio, “não vá a coisa desmerecer até os portes de devolução”, me arrastou no seu enjoo paliativo…

O Orçamento de Estado visto por um leigo

AC

Tal como a esmagadora maioria dos portugueses, tenho muitas dificuldades em perceber as linhas com que se cose um orçamento de Estado. Recebo informação através da imprensa, dos actores políticos e dos vários grupos de interesses que gravitam em torno dos cofres do Estado, dos funcionários públicos às clientelas partidárias, e tento juntar as peças. E a primeira conclusão a que chego é que nós, portugueses, nos encontramos numa posição perto da irrelevância no que toca a esta matéria. A nossa soberania está hoje nas mãos de Bruxelas e a tendência, tanto quanto me é dado a entender, é para piorar. Claro que, perante o poder do regime europeu, existem duas abordagens possíveis: a abordagem Pedro Passos Coelho, que consiste em aceitar toda e qualquer imposição sem contestação, e a abordagem que defino como patriótica, que consiste em negociar e defender o interesse nacional, que me parece ter sido aquilo que António Costa fez. Manuela Ferreira Leite defendeu mesmo que o governo saiu vitorioso da negociação. Estes sociais-democratas… [Read more…]

Orçamento do Estado para 2016

OE2016

JOÃO RELVAS/LUSA (http://bit.ly/1PcDInQ)

 

tínhamos visto os “riscos relevantes”, as opções “pouco prudentes” e “a incerteza relativa às consequências de médio prazo”.

E agora? Agora, temos um

AO90

com:

acção social (pp. 52, 110, 118, 127 e 131) e ação social (pp. 86, 88, 128, etc.) [Read more…]

Multibanco fora de serviço

Obviamente que os Bancos irão passar o custo aos comerciantes que não esquecerão os consumidores finais. Esta medida tola faz parte do O.E. do (des)governo Costa, que inclui outras trapalhadas como o IVA da restauração, com uma sandes a pagar 6%, mas uma tosta já paga 23%… Um disparate que provocará o aumento das transacções em dinheiro vivo, facilitando a fuga ao fisco.

Refém das corporações que o sujeitam a um pesado caderno de encargos que afecta a despesa, António Costa para cumprir o sonho de ser primeiro-ministro sujeita os portugueses ao aumento dos impostos indirectos. Ainda bem que se virou a página da austeridade da direita, agora Portugal fica apenas com a austeridade de esquerda…

O feiticeiro português do presidente do Congo

Veiga

O Congo, à semelhança de outros estados africanos, é um regime corrupto e violento onde impera a cleptocracia e o nepotismo. Existe dinheiro e recursos com fartura, uma elite estratosfericamente abastada e a larga maioria do país passa fome e não tem acesso a saúde ou educação minimamente dignas. Como é habitual, e porque estas famílias que governam ex-colónias europeias tendem a ser bastante rentáveis para as sempre muito moralistas democracias ocidentais, a regra é ninguém chatear estes senhores. Não há sanções, não há embargos e muito menos declarações de guerra ou invasões. A elite explora brutalmente a esmagadora maioria da população e nós por cá vivemos bem com isso.  [Read more…]

Como os bancos portugueses destruíram 40 mil milhões de euros

Banksters

e como essa factura chegou, quase na íntegra, ao seu bolso, é o que explica este vídeo apresentado pelo Pedro Santos Guerreiro, no site do Expresso. Resumidamente, a coisa funciona assim: os bancos são gananciosos e querem lucros estratosféricos para distribuir pelos accionistas. Então, permitiram que fossem concedidos empréstimos a torto e a direito, em muitos casos aos próprios accionistas do banco, mas uma boa parte desses empréstimos, por algum motivo, acabaram por não ser pagos na sua totalidade, gerando as tais das imparidades. Essas imparidades foram-se acumulando, resultando em perdas, também elas estratosféricas, que puseram a nu as fragilidades dos bancos, que viram os seus resultados cair a pique. No total, desde 2008, os bancos portugueses registaram cerca de 40 mil milhões de euros em imparidades. Depois da festa de crédito fácil, patrocinada pela avidez dos dividendos e pela irresponsabilidade dos gestores bancários, vieram os aumentos de capital. E quem os patrocinou? Nós, os suspeitos do costume, através do Estado que apoiou os bancos em cerca de 21,25 mil milhões de euros, dos quais apenas 4,48 mil milhões foram devolvidos. Lembre-se disto da próxima vez que lhe disserem que viveu acima das suas possibilidades.

OE2016: estrangulamentos e constrangimentos

cameron

via The Independent (http://ind.pn/209b6Pq)

O Governo reitera que “está tudo a correr bem”. Considerando o passado recente, este “correr bem” é extremamente duvidoso. Ainda por cima, se não correr bem, sabemos que é possível “*contatar o governo”,

contatar

esperar que haja “receção de *contato de qualquer recetor” e manter “contato permanente”.

contato

Estrangulamentos? Constrangimentos? Onde?

Banco Efisa, Miguel Relvas e os “nossos” 90 milhões de euros

MRDL

O JPFigueiredo deu ontem conta do assunto mas o negócio opaco da venda do Banco Efisa já vem de trás. No final de Julho passado, com a campanha para as Legislativas a ocupar todo o espaço mediático, o Diário Económico dava conta da venda do Banco Efisa à Pivot SGPS, mas pouco ou nada se falou sobre o tema. Os momentos pré-eleitorais são sempre ideais para abafar este tipo de esquemas.

Agora as novidades: em primeiro lugar, ficamos a saber que o Estado português injectou cerca de 90 milhões de euros num banco que vendeu por 38 milhões. Dinheiro para aumentar o salário mínimo tem o condão de chocar a nossa moralíssima direita mas quando chega a hora de despejar 90 milhões de euros num descendente do BPN não se passa nada. Em segundo lugar Miguel Relvas, sempre no sítio certo, à hora certa. O ex-ministro e homem forte de Pedro Passos Coelho integra a Pivot SGPS e, coincidência das coincidências, o governo do qual fez parte não só lhe vendeu o Efisa por meia dúzia de tostões como ainda lá injectou mais do dobro daquilo que recebeu por ele. Um caso em que, bem vistas as coisas, acabamos por pagar 52 milhões de euros à Pivot SGPS para ficar com o banco, livre de encargos adicionais. Como é belo o liberalismo privatizador da direita nacional.

Foto: António Cotrim/Lusa@Esquerda.net

Marco António Costa diz que o OE2016 não tem credibilidade técnica

E com toda a razão. Contudo, os OE de Passos Coelho (20122013, 2014, 2015) também estavam «completamente mortos na sua credibilidade técnica». A solução, já sabemos, é extremamente simples.

Novo Banco reestrutura dívida a amigo de Ricardo Salgado

NB

Há reestruturações de dívida e reestruturações de dívida. Se a dívida a reestruturar for, por exemplo, a de uma nação como Portugal, imediatamente se eleva um coro de moralistas liberais e conservadores que protesta com veemência, ora por se tratar de uma irresponsabilidade, ora porque se trata de um mau sinal para os investidores, ora porque as dívidas são para pagar porque os devedores devem ser indivíduos de palavra e os credores não lhes pediram que se endividassem. Mesmo quando o próprio FMI afirma que a dívida de uma nação como Portugal devia ter sido reestruturada por ser insustentável. [Read more…]

Bipolares?

Screen Shot 2016-01-30 at 14.19.57
Aparentemente, e a fazer fé no escândalo nacional que se está a fazer relativamente ao OE2016, Bruxelas pensa que um crescimento de 2,1% do PIB, como previsto nas contas de Mário Centeno do OE2016, é demasiado otimista. Mas os 2% do PIB que estão no Programa de Estabilidade e Crescimento 2015-2019 ainda em vigor (ver documento aprovado na Assembleia da República do qual foi tirada a imagem acima – página 48), da autoria de Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque, foram aprovados sem problemas e não causaram alarme público. Os jornalistas de serviço fazem escândalos públicos com essa enorme diferença de 0,1% do PIB e gritam aqui-del-rei que a Comissão vai vetar o OE2016, inventam cenários de catástrofe e antecipam que Portugal perderá a classificação da única agência de rating que ainda não nos classificou como lixo (a DBRS). Com isso tentam dizer que estará em risco a recompra de dívida pública por parte do BCE, o que só é possível se pelo menos uma agência de rating classificar Portugal acima de lixo, mas também a possibilidade de os bancos apresentarem dívida portuguesa como garantia para receberem empréstimos do BCE. Por ser muito sério este assunto, deveriam ser mais sérios e cautelosos no disparate público que temos vindo a assistir. A famosa carta de Bruxelas é um bom exemplo disso mesmo.

[Read more…]

Não há perspetiva comum

Moscovici

Perspective is lost

— Megadeth, “Foreclosure of a Dream

***

Ontem, Pierre Moscovici desdramatizou o envio da carta de que se fala, sublinhando:

É muito importante que tenhamos conversações estreitas, construtivas e, espero, conclusivas, nos próximos dias, com uma perspetiva comum.

Aparentemente, a Comissão Europeia ainda não foi informada sobre a impossibilidade da adopção de uma “perspetiva comum”. Antes de Janeiro de 2012, efectivamente, havia uma perspectiva que era correcta e comum. Agora, a perspectiva é exclusiva do Brasil e a perspetiva, além de incorrecta, não é comum.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Prepare a carteira senhor contribuinte: o buraco do BPN vai aumentar

BPN

De mansinho e sem se dar muito por ele, o buraco do BPN prepara-se para crescer 1320 milhões de euros, com o alto patrocínio do sempre prestável contribuinte português. Segundo o Diário de Notícias, se o Processo Especial de Revitalização (PER) do grupo Galilei não for aprovado pelos seus credores, onde se destaca a Parvalorem, veículo criado pelo Estado português para gerir os activos resultantes da privatização do BPN que detém 80% da dívida da sucessora da SLN, os cofres públicos encaixarão novas perdas, elevando a factura do banco do cavaquismo para um valor superior a 6300 milhões de euros. Resta saber se os milhões de euros em investimentos variados detidos pela Galilei, que tem Oliveira e Costa como segundo maior accionista e o grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, Fernando Lima, como presidente, serão usados para abater parte da dívida ou se nos caberá a nós continuar a assumir a factura na sua totalidade. Preparem as carteiras, o assalto segue dentro de momentos.

A carta de Bruxelas

Capture1234

A carta enviada pela Comissão Europeia ao ministro das finanças é uma coisa perfeitamente normal – uma carta de trabalho onde se alerta para a necessidade de justificar o facto de o Governo não seguir a recomendação do Conselho Europeu para a redução de 0,6% do défice estrutural – e não permite nenhuma das conclusões que vi na comunicação social. Basta ler a carta. Não é uma questão de regras, e muito menos de não cumprir o acordado. Mas sim de trabalho em cooperação olhando para a realidade de cada país. E esta carta não é mais do que isso: uma carta normal de trabalho. O alarme criado na comunicação social nacional é inaceitável, porque prejudica o país. Quanto ao veto, seria inimaginável e nunca aconteceu. Portugal não está nessa situação. Toda a gente tem de ter juízo e não desejar o pior.

[Read more…]