Na Virgínia, um rapaz de 13 anos não pode comprar uma cerveja mas pode, legalmente, comprar uma arma

Em Junho de 2016, pouco depois de dois tiroteios em escolas públicas e do massacre em Orlando, a CNN acompanhou um rapaz de 13 anos numa sessão de compras. Foi-lhe vedado o acesso a tabaco, bebidas, bilhetes de raspadinha e pornografia. Mas pôde, legalmente, comprar uma arma de fogo.

Eis o país da fachada vitoriana, que mete um apito a cada ass, fuck e shit dito na TV, indo ao detalhe de meterem uma chapa à frente da boca do apresentador (porém, deixando som suficiente para se perceber o que é que foi dito), mas onde se podem comprar armas de fogo livremente. Gente louca, bem representada pelo maluco do Trump, que preconiza armar os professores como solução contra os tiroteios nas escolas.

E não faltam por cá outros estúpidos, a defender o estúpido com unhas e dentes

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E sobre a mais recente estupidez, digna da besta mais retardada de que há memória na política mundial, ide ler o J Manuel Cordeiro, caros leitores. Haja alguém para dar alento às rezas da minoria fascista que temos por cá.

 

Trump, a grande besta

Face aos recentes tiroteios na Florida, EUA, o que anuncia Trump na audiência que concedeu àqueles que queriam colocar as armas de fogo sobre controlo? Em frente aos miúdos que sobreviveram e aos pais dos que perderam os filhos, Trump declarou que deviam ser dadas armas aos professores. Um professor armado  poderia acabar aquilo “muito rapidamente”, disse Trump.

Repare-se, quando se atravessa a fronteira dos EUA para o Canadá, passa-se de um país de lunáticos, que andam aos tiros uns aos outros, para outro onde nada disso acontece. E qual é a solução de Trump? Mais armas. O autêntico far west.

Além da cretinice e falta de tacto, há o outro lado das soluções infantis do actual presidente americano. Um professor com armas acaba aquilo. Depois, claro, de uns quantos terem levado uns tiros e do próprio professor passar a ser o juiz e carrasco. Uma grande besta, é o que é.

(vídeo actualizado)

Quando a OCDE se presta a animar festas

Santana Castilho*

O ciclo das loas à flexibilização curricular e ao perfil do aluno do século XXI, iniciado sob os auspícios de uma apresentadora televisiva e de um treinador de futebol, teve a festa de encerramento no passado dia 9. O animador convidado foi, agora, Andreas Schleicher. Profetizando como convinha aos organizadores, o homem previu, implicitamente, o fim dos exames do 12º ano, tal como hoje são conhecidos. Atrevido, disse que o novo modelo da flexibilidade curricular é a forma como os professores gostariam de dar as suas aulas. Vidente, falou de uma tensão existente nas nossas salas de aula.

Que Tiago Brandão e João Costa lhe tenham dado procuração para dizer o que disse, não duvido. Mas um pouco de recato para não anunciar tensão dentro de salas em que não entrou e não falar por professores que não ouviu, era exigível pela tensão, essa sim bem exposta publicamente, entre a sua condição, permanente, de director para a Educação da OCDE e o seu papel, temporário, de animador de uma romaria de directores aderentes e investigadores recorrentes. [Read more…]

Um “não assunto”, claro

Diz um g. sobre outro: “Nunca dissemos que o senhor Barroso, que ainda é meu amigo, porque tem alguns méritos na Europa, não é um gangster (…)   (nota: o problemazinho de “nunca dissemos” que “não é um gangster” não é da minha responsabilidade, mas é interessante…)

Pronuncia-se assim Juncker, o tal sob cujo olhar benevolente se assistiu ao surgimento de um oásis fiscal em pleno temperado clima do Luxemburgo que levou, segundo estimativa do Partido Verde europeu, à perda por parte dos estados da UE de, pelo menos, 300 milhões de euros.

Jyrki Katainen, vice-presidente da Comissão Europeia com quem Barroso manteve o tête-à-tête em representação da Goldman Sachs (e por isso consta da lista de encontros de lobi de Katainen) diz que “a reunião foi pedida por Durão Barroso e acrescenta que não há documentos sobre a mesma porque não tem o hábito de tomar notas.“

Era o que faltava, tomar notas! Afinal, falou-se num hotel, sem testemunhas, sobre temas totalmente irrelevantes da área do comércio e de política de defesa, e Barroso – que ao saltar de presidente da Comissão para o banco de investimento Goldman Sachs se tinha comprometido a não actuar como lobista do dito banco -, esteve a falar com Katainen apenas e só mesmo a título pessoal, privado. Ah! falaram sobre comércio e Barroso está encarregado de aconselhar o gigante americano sobre o Brexit? E depois, o que tem uma coisa a ver com a outra? Ninguém tem nada a ver e tudo isto não passa de um “não assunto”, na opinião do Sr. Juncker. Pudera.

Um belo dia mandamos-vos todos para hotéis de luxo fazerem os tête-à-tête que vos aprouver sem tomarem notas – mas não em cima das nossas cabeças nem com as mãos nos nossos bolsos. Depois, hão-de chamar-nos populistas.

P.S. Foi graças ao olhar atento do Corporate Europe Observatory que se soube de mais esta manobra de lobi. Obrigada!

A guerra começa aqui

O dia em que Ignacio Robles disse “não” parecia igual aos outros todos. A corporação foi chamada ao porto de Biscaia para uma operação de rotina: verificar as condições de segurança no carregamento de mercadorias perigosas. Os bombeiros não são pagos para fazer perguntas, mas Ignacio, num daqueles momentos que parecem banais, mas que se ampliarão na memória por muitos anos, perguntou o que havia nas caixas que iam ser transportadas para a Arábia Saudita. E responderam-lhe. Eram bombas. As que provavelmente cairiam sobre o Iémen daí a umas semanas.

Ignacio disse que não era capaz. Lembrou que, como bombeiro, a sua missão era proteger a vida e que não podia ser chamado a participar num acto que conduziria à morte de civis. Pediu que o dispensassem do trabalho. Não houve problemas. Um mês depois soube, pelo jornal, que lhe tinha sido instaurado um processo disciplinar que, no limite, poderia levar a uma suspensão de 3 a 6 anos, sem remuneração. E caiu-lhe o mundo aos pés.   [Read more…]

Já puseste o caciquismo a lavar, Rui?

RRSM

Fotografia: Fernando Veludo/Lusa

O congresso do PSD correu dentro do esperado, talvez com a excepção do discurso final de Rui Rio, exótico a ponto de não se resumir a chavões e lavagem de roupa suja, desonrando assim uma longa tradição dos congressos do partido que já foi social-democrata. Valeu a faca longa do rebelde Luís Montenegro, assim como a calorosa recepção de Elina Fraga, após ser anunciada como nova vice-presidente do PSD. Os passistas ficaram radiantes!

Agora que o conclave laranja chegou ao fim, o país está preparado para o banho de ética que Rui Rio lhe prometeu. E como o novo líder do PSD não tem lugar no Parlamento, onde não falta quem não se lave há vários anos, porque não começar por limpar a casa por dentro? Porque não começar, por exemplo, pela eterna questão do caciquismo, que tanto destaque e preponderência teve nas recentes directas do PSD? [Read more…]

Era uma vez um centro de inteligência artificial que afinal era um call center

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A tecnológica portuguesa OutSystems anunciou que se prepara para abrir um centro de inteligência artificial em Linda-a-Velha. O projecto, que implicará a contratação de 30 engenheiros, é na verdade mais uma fachada, criada pela impiedosa máquina de propaganda comuno-socrática, para a instalação de mais um call center, em linha com o recente embuste da Google, confirmado pelo director de Assuntos Internacionais ibérnicos da empresa. Terríveis, estes bloquistas.

A propósito deste embuste, mais um, recordo aqui uma série de tweets de um conhecido activista dos direitos da minoria liberal-conservadora, cujo pensamento é injustamente confundido por alguns como representativo da versão portuguesa da alt-right norte-americana. Ou, como diria o saudoso Passos Coelho, “mas quem é que põe dinheiro num país governado por bloquistas e comunistas”? A menos que seja para mais um call center, claro.

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via Uma Página Numa Rede Social

O crescimento económico e a falta de memória (e de noção) dos restos do passismo

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Tem sido interessante assistir às intervenções dos restos do passismo no congresso do PSD, que está a decorrer este fim-de-semana. Das carpideiras do costume à faca longa de Luís Montenegro, passando por aquele momento mágico em que o auditório gelou quando Rui Rio deu a conhecer a composição da nova comissão permanente do PSD, que inclui Elina Fraga, os discípulos de Passos Coelho não pouparam críticas à actual solução governativa, centrando-se naquele que consideram ser um crescimento económico fraco e muito abaixo daquele que um governo de direita teria condições para atingir.  [Read more…]

Elina Fraga, a faca longa de Rui Rio

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Fotografia: Miguel Manso@Público

Para surpresa de muitos portugueses, onde me incluo, Rui Rio convidou Elina Fraga para sua vice-presidente. Importa recordar que a anterior bastonária da Ordem dos Advogados teceu duras críticas ao governo de Passos Coelho, em particular à ministra Paula Teixeira da Cruz. Sob sua direcção, a Ordem dos Advogados apresentou mesmo uma queixa-crime contra membros do executivo passista, por causa das alterações no mapa judiciário.

Para a antiga ministra da Justiça de Pedro Passos Coelho, a escolha de Elina Fraga representa uma traição de Rui Rio. E Paula Teixeira da Cruz não parece ser a única incomodada, pelo menos a julgar pela reacção dos congressistas do PSD no momento do anúncio. Foi uma facada profunda que deixou os restos do passismo ligados às máquinas. E não é para menos. Rui Rio não terá vida fácil nos corredores da São Caetano mas também não parece muito preocupado com isso. Antes pelo contrário.

Ferraz da Costa: entre a mentira e a defesa da exploração

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Infografia via Jornal Económico

Para lá da recente palhaçada, aqui bem resumida pelo J Manuel Cordeiro, Pedro Ferraz da Costa tem um longo currículo na defesa da destruição dos direitos laborais, que vai de apelos ao aumento da carga laboral até à defesa da eliminação de feriados e dias de férias, passando pelo imposto sobre o património. Há um ano atrás, chegou mesmo a lamentar publicamente a saída da Troika de Portugal.

Em 1981, com apenas 34 anos, Ferraz da Costa sucedeu a António Vasco de Mello como segundo presidente da CIP, criada em 1974. Desde então, tem estado na linha da frente da defesa dos interesses do patronato português, algo que é perfeitamente legítimo. Contudo, para defender os interesses dos patrões portugueses, o que de resto não é uma tarefa particularmente difícil num país como o nosso, não é necessário mentir. Afinal de contas, o homem está do lado do dinheiro e daqueles que têm os políticos e o queijo na mão. [Read more…]

Um grupo de amigos chamado PSD

Lá se vai o banho de ética

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Explique-nos, senhor presidente do PSD, como é que pensa dar um banho de ética na política portuguesa com José Luís Arnaut sentado ao seu lado?

O palhaço

Se ele pode chamar moinantes aos portugueses, podemos retribuir o cumprimento, certo?

Repare-se nos preciosismos:

  • “Ainda por cima, hoje vive-se mais anos e qualquer dia trabalha-se até aos 80 anos.” – então, afinal, os portugueses são trabalhadores.
  • O Fórum Económico quer saber que empresas cresceram acima da média “porque são essas empresas que deveriam ser apoiadas em termos estratégicos e pontualmente deveriam ser ajudadas para comprarem as empresas que dentro do seu sector cresceram menos.” – Portanto, venham daí os subsídios e, ainda para mais, para acabar com a competitividade.
  • “Uma das razões [da falta de crescimento] deve-se à carga fiscal.” – Alguém lhe pode explicar porque é que na Alemanha e na Finlândia, só para dar dois exemplos, há crescimento?
  • Diz ele que “há falta de mão-de-obra”. Que as empresas não conseguem contratar. E que “não crescemos mais porque não encontramos pessoas.” O Sr. Ferraz da Costa que agradeça ao amigo Passos Coelho & c.ia que convidaram as pessoas a emigrar. Mas qual é a explicação dele? “Porque [as pessoas] não querem trabalhar…“. No entanto, qualquer dia trabalha-se até aos 80 anos. O Sr. Costa já pensou sugerir que se passasse a pagar decentemente aos empregados? Dava-lhe muito jeito, imaginamos, que o pessoal tivesse que aceitar cem euritos ao dia e era  se quisesse um caldo quente à noite. Mas temos pena, o tempo dos negreiros, supostamente, já lá vai.

Ferraz da Costa é aquele que é liberal quando se trata de falar do vínculo laboral dos outros, mas é estatizante quando se trata de tentar mamar nos impostos para subsídios nos negócios. Da laia deste há muitos. Chora menos e vai trabalhar, pá. Ou como escreveu Pedro Marques Lopes, “faz lá o recorte do jornal, vai mostrar aos amigos e no caminho vai à merda”.

Obrigado, Pedro.

Hoje é, para mim, um dia singular: o dia em que Pedro Passos Coelho deixa a presidência do PSD. Como singulares são, sempre, os momentos em que se encerram ciclos. Neste caso, e pela proximidade que mantive com os seus mandatos, a singularidade da data é bastante mais emotiva.

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Pedro, o turboprofessor

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Fotomontagem via Uma Página Numa Rede Social

Segundo o Diário de Notícias, cuja peça foi amplamente citada pela concorrência, Pedro Passos Coelho irá agora dedicar-se à vida académica e dar aulas em várias universidades do país. Depois do advento do turbolicenciado, eis que é chegado o tempo do turboprofessor.

Se considerarmos a experiência profissional de líder cessante do PSD, que passou quase duas décadas na universidade para concluir a sua licenciatura, ou era isto ou regressava à JSD para colar cartazes. Ou à Tecnoforma para abrir portas. Decidiu seguir a vida de docente, depois de vários anos a tentar destrui-la. [Read more…]

Brandos costumes

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via Expresso

Um estudo que envolveu cerca de 4600 jovens revela que mais de metade dos inquiridos já foi alvo de comportamentos violentos no namoro e que dois terços vêem esses comportamentos como normais numa relação. A idade média dos participantes neste estudo foi de 15 anos. Isso, Idade Média.

O Expresso divulgou alguns números deste estudo, que se agravaram, ainda que ligeiramente, face ao mesmo estudo do ano passado. Algo parece estar a falhar na educação dos jovens portugueses, para que tantos adolescentes de 15 anos encarem a violência no relacionamento com tamanha normalidade.  [Read more…]

Transformando Zuckerberg

Tem sido acesa a discussão sobre o papel do Facebook na sociedade, especialmente depois das fake news se terem tornado assunto banal e de esta empresa, juntamente com a Google, ter capturado a quase totalidade do mercado publicitário online, se bem que este tópico não seja tão falado.

Desde a eleição de Trump que o Facebook tem estado em introspecção, uns porque querem que este seja uma melhor plataforma, onde o tempo é bem gasto, outros, cinicamente, apontado que é o medo de desaparecer que move a empresa. O receio não é infundado. Veja-se a transformação a que a Microsoft foi obrigada devido à guerra dos browsers quando a União Europeia lhe aplicou medidas de defesa da concorrência. Ou repare-se, ainda, como o próprio Facebook levou ao declínio do MySpace e de outras plataformas concorrentes. Zuckerberg tem telhados de vidro, garantidamente.

A Wired publicou um extenso e interessante artigo sobre estes e outros assuntos, realçando os tumultos que o Facebook sofreu nos últimos dois anos. É um notável artigo de análise, com muita informação interna, que coloca em perspectiva reacções e decisões da empresa. Leitura muito recomendada.

Comunismo, um regime a evitar…

Um dos piores sistemas políticos que a Humanidade já experimentou. Nunca resultou…

«PR quer ouvir partidos sobre OE 2019»

Além de dar sequência a declarações de intenções e de ouvir os partidos sobre o OE2019, Rebelo de Sousa pode ler algo sobre o OE2012, o OE2013, o OE2014, o OE2015, o OE2016, o OE2017 e o OE2018. Até breve.

Ortografia sem filtro

In Britain’s case, I’d suggest that we think of financial services as the industry in question. Such services are subject to both internal and external economies of scale, which tends to concentrate them in a handful of huge financial centers around the world, one of which is, of course, the City of London.
—  Paul Krugman

When there are external economies of scale, a country that has large production in some industry will tend, other things equal, to have low costs of producing that good. This gives rise to an obvious circularity, since a country that can produce a good cheaply will also therefore tend to produce a lot of that good.
—  Krugman & Obstfeld

***

Segundo o Público, o «imposto sobre o tabaco foi o ponto fraco das receitas fiscais», tendo sido a única cobrança a descer em 2017. Pelos vistos, aliás, o Governo contava com esta descida, mas de forma marginal, tendo a diferença ficado muito acima daquilo que se previra no OE, et pour cause, “oficialmente” (eis as aspas, na conhecida versão gráfica do gesto das orelhinhas de coelho).

O Governo tem vindo a contribuir, sistematicamente, desde 2012, para a acentuada descida da qualidade dos Orçamentos do Estado. Curiosamente, tal como a descida das receitas fiscais com o imposto sobre o tabaco, a descida geral na qualidade ortográfica estava prevista e deve-se também a um efeito único. Todavia, o Ministério das Finanças não previu esta descida e não sabe qual o efeito . Para prever e para saber, convém estudar. E querer saber. E o Governo está-se rigorosamente nas tintas.

Sim, nas tintas. Para isto: [Read more…]

Imaginação não falta a António Costa

Quando se trata de inventar ou aumentar impostos

Sutherland Springs, Texas

REUTERS/Rick Wilking, via Público

Obrigações e distracções

Em 2013, Rui Moreira dizia: «No JN, já sou obrigado a escrever de acordo com o acordo ortográfico». Em 2018, continuamos a ler no JN: «o autor escreve segundo a antiga ortografia». Isto anda tudo ligado.

Alexandre Soares dos Santos, um comunista envergonhado?

ASSAC

Fotografia: Ricardo Castelo@Jornal de Negócios

Segundo o Expresso, o patrão do Pingo Doce “considera que a atual solução governativa “não é má” para Portugal“. Analisadas à lupa da nova direita radical portuguesa, tais declarações indiciam a possibilidade de Soares dos Santos ser um perigoso comunista. E a julgar pela foto em cima, deve andar a soldo do Costa. Quem diria que o camarada dos supermercados era adepto do estalinismo?

Como tramar hipócritas, homofóbicos e palermas, por Adolfo Mesquita Nunes

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Fotografia: Orlando Almeida/Global Imagens@JN

À parte do mau estar que a revelação causou entre a ala salazarista e ultraconservadora do CDS-PP, para não falar nos seus aliados naturais como a Igreja Católica ou a Opus Dei, a saída do armário de Adolfo Mesquita Nunes, um dos mais promissores e competentes quadros dos democratas-cristãos, deixou uma série de conhecidos hipócritas, homofóbicos e palermas muito atrapalhados. E isso é sempre bonito de se ver.

Quem se lembra da entrevista da secretária de Estado Graça Fonseca, que em Agosto passado assumiu a sua homossexualidade numa entrevista ao Diário de Notícias? Lembram-se das reacções reaccionárias dos paladinos da moral, dos bons costumes e do conservadorismo labrego? Não? Pesquisem no Google, visitem os blogues e os pseudo-jornais da nossa alt-right ou procurem na sarjeta do neofascismo lusitano e rapidamente encontrarão a resposta. [Read more…]

Sobre rankings, apenas o óbvio…

Enquanto cidadão importa-me e muito que Portugal tenha os melhores quadros superiores. Se tiver um problema de saúde espero ser atendido por um profissional médico altamente especializado e qualificado, da mesma forma que confio nas capacidades do engenheiro ou arquitecto que constroem as pontes que cruzamos ou edifícios onde trabalhamos e habitamos. [Read more…]

A forma ‘correta’,

em português europeu, é uma forma errada. Exactamente.

O Cardeal

cardeal_mr_grey © Alexandre Martins

Quem se mete com a Igreja leva!

A perda da minha fé já tem mais de trinta anos. Saí da Igreja, mas, como é evidente, nem toda a Igreja saiu de mim, como nunca poderá sair de nós, filhos da Bíblia e do catecismo, mesmo que tenhamos saído de casa dos pais. Ou de casa do Pai. Ou mesmo que nunca lá tenhamos entrado, porque a língua, a linguagem e o pensamento, faces da mesma vida, são também muito católicos.

Ao longo destes anos, tenho vivo tranquilamente e tenho tido o privilégio de conhecer muita gente interessante, dentro e fora da Igreja, padres e ateus (só me falta um padre ateu), sportinguistas e portistas, de esquerda e de direita. A Igreja e as suas criações não têm deixado de me deslumbrar, através de actos, palavras e missões, em gestos genuinamente bondosos, textos magníficos ou templos já quase celestes. [Read more…]