Está em curso. Afinal Trump não é assim tão mau, diz um ex-primeiro-ministro, jornalistas e, até, um Grande Repórter, meu deus, e correias de transmissão da direita.
Como o Facebook permitiu a vitória de Trump

Um artigo na Wired explica a forma como o Facebook contribuiu para a vitória de Trump. Não foi tanto pelas notícias falsas, isso deve ter sido mais reservado ao Twitter, mas sim pela angariação de fundos e pela observação, em tempo real, do efeito do arranjo das comunicações de campanha (se funcionava melhor um vídeo ou uma imagem estática; se certo destaque devia estar antes ou depois do título; etc.). O grande investimento em propaganda por parte da campanha de Trump foi, precisamente, no Facebook. Leitura obrigatória para os nossos doutores em rotação.
Nada a que os pafiosos estejam desatentos, dada a experiência demonstrada no império do click, montado durante o anterior governo (Observador, perfis falsos no Facebook, equipa de produção de fotomontagens, constante produção de “factos” políticos, etc.).
Ainda não é desta, Belzebu

Nem vale a pena perder tempo com os profetas da desgraça, que, tal como haviam feito quando o alarme das sanções soou pela primeira vez, em resultado do não atingimento das metas do défice que o (des)governo Passos/Portas a todos proporcionou em 2015, voltaram a espetar-se violentamente contra uma parede de betão. Não só não vale a pena, como é muito divertido assistir aos números de circo com que alguns fanáticos da direita radical nos vão presenteando, dia após dia, enquanto as suas organizações partidárias predilectas se vão afundando em sucessivas sondagens. Depois de quatro anos e meio de governação danosa e doses industriais de propaganda, entreter-nos com exercícios de palermice e figuras tristes é o mínimo que podem fazer. [Read more…]
Eu não pago o Imposto sobre o Tabaco!
Por uma razão simples: não fumo.
Por esta razão simples e acessível mesmo ao mais primário analfabeto, será difícil perceber que as pessoas X e Y não pagam o imposto Z pela razão simples de que não possuem o bem tributável?

Parabéns, Correio da Manhã, por ter já ultrapassado a fase da notícia-sensação à sensação da não-notícia.
Parabéns. A sério.
Não, não vou linkar. Os leitores do Aventar merecem respeito.
Breaking news: PSD elogia a Geringonça

É o drama, o horror e a tragédia para os milhares de apoiantes radicalizados do PSD. Pela voz de Luís Montenegro, o maior – apesar de cada vez mais pequeno – partido da oposição reagiu aos números do INE que revelam um crescimento económico de 1,6% no terceiro trimestre de 2016. E a reacção, dado o histórico recente de paranóia e demagogia, era tudo menos expectável:
Claro que, convenhamos, quem perspectivou um crescimento inferior ao agora conhecido foi precisamente o PSD, que em conjunto com o partido liderado pela sua candidata à CM de Lisboa, continua a apostar todas as fichas nas potenciais desgraças disponíveis. Contudo, a retórica catastrofista não só já não colhe frutos como estará, especulo eu, relacionada com os sucessivos trambolhões que todas as sondagens têm proporcionado ao PSD. Vai daí convém trocar a cassete, gasta e sem conteúdo, e substituí-la por uma outra com maior adesão à realidade. Afinal de contas, não é todos os dias que Portugal lidera o que quer que seja na zona euro.
A América que elegeu Trump
Crimes de ódio contra muçulmanos nos Estados Unidos aumentam 67% em 2015 [Expresso]
O estranho caso do elogiador de Trump
Uma história com contornos obscuros, em estreia na página d’Os truques da imprensa portuguesa.
A alergia da direita aos direitos
Deus não está muito bem, graças a si mesmo, Marx sobrevive com dificuldades, a Esquerda vai andando e a direita está catatónica, pelo menos em Portugal.
Catatónica, mas à espreita e nunca silenciosa, que isto aqui, felizmente, é uma democracia. Nos últimos dias, dois representantes dessa amável facção falaram sobre direitos, termo que obriga os seus utilizadores à toma de doses maciças de anti-histamínicos.
Rui Rio, candidato a líder da direita, depois de ter despovoado culturalmente o Porto, vai já prevenindo que os governos deram às pessoas direitos insustentáveis, como se os direitos fossem ofertas governamentais e não consequência da justiça e da evolução da humanidade ou como se os direitos necessários fossem dispensáveis. A desonestidade intelectual da grande maioria que vem do CDS até aos órfãos da direita do PS (que é muito grande) insiste, há anos, na ideia de que o problema de Portugal está nos gastos com o Estado Social e não nos desvios de dinheiro pertencente ao Estado Social, para salvar bancos e para pagar as dívidas públicas insustentáveis e nunca sujeitas a auditorias. Rui Rio, tal como Sócrates e Passos Coelho, é apenas um empregado bancário e presidente pouco clandestino das grandes empresas que gostam de lucros elevados alimentados por salários baixos. Para Rio, o país fica no interior das salas em que se reúnem os conselhos de administração. Lá fora, estão as pessoas, espécie cujo único direito é trabalhar por pouco dinheiro e respirar baixinho, como diria Luís Montenegro. [Read more…]
Contatos? Pára! Pára!
There’s a lover in the story
But the story’s still the same—Leonard Cohen, “You Want It Darker“
***
Hoje, no sítio do costume, há contatos.

Também hoje, no Record (os meus agradecimentos ao nosso excelente leitor), voltamos a mergulhar na grafia Schweinstnegger: por um lado, quer a inadmissível grafia diretor, quer a incompreensível referência gráfica à selecção do Brasil, por outro, a triste notícia acerca da paragem do glorioso André Horta.

Continuação de uma óptima semana.
***
Tenham a coragem de escrever o que insinuam

“Fizeram a lei porque não pagam IMI”, lê-se no que não está escrito neste escarro.
“Mas, curiosamente, a deputada que dá nome ao imposto, assim como a irmã, não pagam renda nem IMI.”
Curiosamente, ainda há quem chame jornal ao pasquim.
Winter is coming – entrevista a Garry Kasparov
Uma entrevista muito interessante sobre o domínio de Putin. Na Antena 1, programa Visão Global.

Rage Against New Balance

Matt LeBretton, responsável de relações públicas da empresa de calçado e vestuário desportivo New Balance, fez as seguintes declarações:
A administração Obama fez-nos ouvidos de mercador e, francamente, com o presidente eleito Trump sentimos que as coisas vão avançar na direção certa
E o boicote começou. Por todo o lado, clientes desiludidos estão a publicar e a partilhar vídeos em que sapatilhas da marca norte-americana são atiradas pela janela, colocadas no balde do lixo ou simplesmente queimadas. De ícone de moda, as sapatilhas da New Balance passaram a alvo a abater. [Read more…]
Educação? Perguntem à M80!
As escolas – e, portanto, todos aqueles que aí trabalham – são rochedos que vão resistindo como podem às muitas intempéries a que estão sujeitos. Políticos, professores universitários de muitas áreas, empresários, teóricos, cronistas, jornalistas, analistas, todos pensam saber mais sobre Educação do que aqueles que trabalham nas escolas. O costume: num convívio de dez pessoas em que uma seja professor, os outros nove têm sempre explicações a dar e medidas infalíveis para propor, ficando o professor desvalorizado por ser parte interessada. Até Cavaco, com o génio que se lhe reconhece, resolveu, há poucos anos, os problemas nos concursos de professores. [Read more…]
O capitão da selecção do Brasil farturou frente à Letónia?
Segundo A Bola (efectivamente: o resistente que se cala), o «capitão da Seleção […] fa[ɾ]tura frente à Letónia». Efectivamente: fartura e *seleção.
Zona de desconforto

Miguel Szymanski
Adoramos Cohen ou Bowie e sabemos onde é a Gulbenkian. Não usamos palitos à mesa, fazemos gala em ir ao casamento de amigos gay e somos contra alimentos geneticamente modificados, porque sim. Passamos férias em cidades interessantes, onde temos amigos e conhecemos cafés e restaurantes óptimos e achamos importante que as nossas filhas e filhos aprendam violino, piano ou pelo menos flauta.
Sorrimos da gramática e ignorância da população tendencialmente obesa que ouve Ágata e se alimenta de frango industrial, bebe vinho de pacote e refrigerantes açucarados e pensa que a Teresa Guilherme e aquele senhor do Preço Certo são vultos da cultura.
Depois, um dia, admiramo-nos que as massas incultas usem a democracia para nos puxar o tapete debaixo dos nossos sapatos elegantes.
O Capitão América ficou obsoleto

No seu tempo, Charles Chaplin esteve na Lista Negra de Hollywood, uma das ferramentas da perseguição de americanos supostamente simpatizantes dos ideais comunistas – bastava serem acusados. Hoje, quando Trump e Putin parecem BFF, a indústria das ilusões não o baniria do negócio. Mas, chegados ao ponto em que não se pode acreditar no que se diz na comunicação social, é possível que o seu cinema continuasse mudo. O Captain America, sendo daltónico, só vê o vermelho e já não serve. Esperemos que a Marvel tenha um novo super-herói, pronto para combater o malvado Doctor Stupidificae. O controlo da mente via bits e feixes hertezianos tem que parar.
God Bless América
Rui Naldinho
O carater vitorioso de uma candidatura é determinado, mais pelo conjunto de interesses que ela consegue aglutinar à sua volta, do que pelas ideias propostas ao eleitorado.

Alguém explica ao deputado Duarte Marques como funciona a democracia representativa?

Este tweet é a prova viva de que, das duas uma: ou Duarte Marques não conhece o funcionamento da democracia portuguesa, o que, apesar de não surpreender, é grave vindo de um deputado, ou então é apenas intelectualmente desonesto. A parte cómica de tudo isto é que Hillary Clinton até teve mais 140 mil votos do que Donald Trump. Alguém explique ao deputado que em Portugal ainda vigora um sistema de democracia representativa e que o que realmente conta é a distribuição de mandatos no Parlamento e não o líder partidário que recebe mais votos. Depois queixem-se que se afundam em todas as sondagens. A paciência dos portugueses para a retórica do ressabiamento tende a esgotar-se.
Imagem via Uma Página Numa Rede Social
A Psicóloga Cristã

“Mas, ao mesmo tempo, como acolher os homossexuais?
A psicóloga acompanha famílias e pais e salienta que para aceitar o filho não é preciso aceitar a homossexualidade.
«Eu aceito o meu filho, amo-o se calhar até mais, porque sei que ele vive de uma forma que eu sei que não é natural e que o faz sofrer.”
É como ter um filho toxicodependente, não vou dizer que é bom.»
in Família Cristã. A sério?
Rui Rio a querer levar a água ao seu moinho

Apontou a segurança social como exemplo de direito não sustentável. Se é um direito, pode ser recusado? E o buraco da banca, foi um direito? Quanta insustentabilidade não se resume a pagar a factura do BPN, do BES e do BANIF?
Se esta sopa requentada, impregnada de discurso sobre viver acima das possibilidades, é a alternativa a Passos Coelho, então muito obrigado, mas já tivemos que chegue para uma congestão.
Rui Rio, supõe-se, não é parvo, pelo que estará consciente das críticas que afirmações destas lhe trazem. Sobra, portanto, a intencionalidade das palavras, uma espécie de declaração dirigida, não aos eleitores, mas sim àqueles que podem mexer os cordões para o fazer chegar ao poder. Esses mesmos que ganharam com a política pafiosa de empobrecimento do país. Uma proclamação simples, na qual se lê nas entrelinhas “o Passos está em queda, mas podem apoiar-me sem risco, que eu continuarei a obra.” O discurso para os eleitores virá depois, devidamente polido, como no lobo vestido de cordeiro.
O eleitor não é inocente

(publicada no diário As Beiras a 10/11/2016)
A propósito das eleições americanas, regressou ao debate uma questão que é um clássico da ciência política. Devemos criticar ou não os eleitores pelos resultados de candidatos com potencial destrutivo para a sociedade, como Marine Le Pen, Donald Trump ou o britânico Nigel Farage? Há quem julgue que não se deve culpar o eleitor. A culpa é remetida exclusivamente para os restantes candidatos e respetivos programas, desculpabiliza-se o eleitor argumentando, por exemplo, que nenhum candidato é bom, logo é aceitável votar num candidato desbocado.
A própria definição de democracia requer que ninguém deve estar à margem da crítica ou do escrutínio, inclusivamente o eleitor. Mas mais do que catalogar negativa e cegamente todos os eleitores deste perfil de candidatos, interessa sim interpelá-los em questões concretas e fundamentais. No caso dos candidatos referidos é especialmente difícil debater diretamente assuntos basilares da sociedade, como a igualdade de género, o respeito pelas minorias, a orientação sexual ou a laicidade. Mas quem não pode fugir a estes debates são as respeitáveis figuras públicas que apoiam personagens deste calibre. Entre os apoiantes de Trump estão veneráveis mecenas, banqueiros e personalidades como Clint Eastwood, Slavoj Žižek ou Rudolph Giuliani. É a estes que deverão ser colocadas as questões que dolorosas que vão do racismo à misoginia de Trump.
O nervosismo de Carlos Carreiras

Carlos Carreiras, um dos mais fiéis súbitos da corte passista, reagiu com incómodo à entrevista de Rui Rio, sugerindo que o ex-autarca do Porto se candidate às Autárquicas. Seria um alívio, para Carreiras, se Rio seguisse esse curso. Afinal de contas, o coordenador autárquico do PSD está a demonstrar uma absoluta falta de competência para encontrar alternativas para os dois grandes centros urbanos, e, desta forma, matava dois coelhos com uma só cajadada: mantinha o ventilador do passismo ligado, adiando a anunciada morte política do chefe, e enviava Rio para o matadouro, onde o outro Rui, o Moreira, com uma alargada base de apoio popular e partidária, o retalharia alegremente, enfraquecendo a posição do mais recente pesadelo de Passos Coelho.
Compreende-se o nervosismo de Carreiras. O fim político de Passos Coelho poderá retirá-lo da ribalta laranja e remetê-lo para o exílio político em Cascais, que não sendo propriamente o inferno na terra, não tem paralelo com o poder de ser um dos homens fortes do líder do maior partido da oposição. Os poleiros, grandes ou pequenos, deixam sempre saudades a quem vive para eles.









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