Fechem as universidades

Um quinto dos sem abrigo gregos tem um título académico.

Escolas sem aquecimento contra a Constituição

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Não era a casualidade que me levara a ler o jornal ontem. São-me enviados todos eles por correio eletrónico. O que li, fez-me terrorizar, estudantes agasalhados em sala de aulas de escolas feitas em lata, tijolo ou madeira, sem aquecimento. As escolas fecham não apenas por falta de docentes não colocados, bem como por falta de aquecimento no interior. Visitava uma em Trás-os-Montes, distrito de Alfândega da fé, aldeia de Vale, e a professora, do seu muito curto salário, comprava lenha para aquecer a sala de aula feita em madeira. Os pais, interessados no futuro dos seus filhos e a saber que a docente pagava o aquecimento, começaram a trazer lenha para o pequeno fogão da pequena escola. O frio e a pobreza que hoje recebemos por parte do governo, especificamente do Ministro de Educação Nuno Crato, antigo estudante do Collège de France e da Sorbonne, em Paris, nos tempos em que Pierre Bourdieu, Maurice Godelier e eu ensinávamos ai, é um matemático e faz as contas do orçamento baixo outorgado ao seu ministério, acumula o do Ensino e o da ciência e quem paga a conta é o grupo de docentes, pais e estudantes, ele não larga um tostão a mais para assegurar o que a lei manda.

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Tempo de moderação

Em Novembro, mal o comércio começou a expor decorações de Natal, apareceu na internet um leia-e-passe alertando para a conveniência de as pessoas não desatarem a comprar presentes para a família e amigos porque, dizia o lembrete, tudo isso é fabricado na China. Sugeria-se, de modo empenhado, que se desse a preferência a dias de férias, na neve ou nas Caraíbas, a   tratamentos dentários, dietéticos ou outros, a estadias em spas, a cursos de ioga e ginásios, a bilhetes para espectáculos, a jantares em lugares agradáveis, a entradas em programas de museus, a livros e discos.  Insistia-se no facto de aos familiares e amigos serem mais úteis estes presentes do que  objectos que logo enfastiam e se põem de lado. O objectivo era claro: defender a economia canadiana das sinuosas práticas do capitalismo selvagem, esse que se dá como Deus e os anjos com o comunismo chinês, explorando ambos a mão de obra barata e rebentando com o comércio de qualidade que existe no Canadá e um pouco por toda a parte.  Aviso legítimo mas, ainda assim, próprio de país rico no que se refere às sugestões de presentes.

Depois, outro leia-e-passe apareceu aconselhando à sobriedade, demonstrando que é preciso manter o espírito de Natal, o amor da família e do próximo em geral, a alegria que se alimenta de valores espirituais e não de esbanjamentos que confrangem. Ora isto, em país habitado por imigrantes, só pode vir dos canadianos puros e duros, anglo-saxónicos e frugais, modestos e avessos a ostentação. Não são unhas de fome, são educados a não estragarem e esbanjarem. Eles têm razão. [Read more…]

Confundir a feira de Beja com a zona ocular do ânus…

…é usar o Ferrari como metáfora do Estado Social.

Noites no Observatório – Sessão Apocalíptica

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Imagem roubada daqui, visite o blog do fotógrafo!

No próximo dia 21 de Dezembro de 2012, o Observatório Astronómico de Lisboa realizará a última sessão do ano de 2012 de as “Noites no Observatório”.

Maias 2012: O Fim dos Tempos?
(Palestra proferida pelo Prof. Doutor Rui Agostinho)

Nos últimos anos têm-se propagado notícias de um fim do mundo em 21 de dezembro de 2012, argumentos esses que são baseados em interpretações incorrectas da cultura Maia. O seu impacto é manifestado nas publicações de índole genérica, sentido pelo público mais suscetível e, mais preocupante ainda, nos jovens e diversa população escolar.

No contexto cultural científico da sociedade moderna, a transmissão destas interpretações só se torna eficiente quando associada a fenómenos cientificamente comprovados, de modo a atribuir-lhes alguma credibilidade. Por isso, os advogados do “Fim do Mundo”, argumentam que no final de 2012 ocorrerá uma panóplia de fenómenos astrofísicos e terrestres, todos eles com “ligações óbvias” à cultura Maia. Curiosamente argumenta-se que alguns foram estudados ou previstos pelo povo Maia, apesar de apenas terem sido descobertos no último século.

Nesta palestra serão abordados diversos fenómenos astrofísicos que usualmente são apresentados como prova evidente da “catástrofe eminente de 2012”, mostrando-se que não passam de interpretações infundadas e que estão mesmo erradas.


Aconselha-se o uso de roupa confortável e quente, visto que as observações têm lugar no exterior.

O acesso à actividade é livre mas carece de uma inscrição prévia pois, por motivos logísticos, existe um número máximo de participantes. Mais informações a seguir ao corte.

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Da série ai aguenta, aguenta (5)

Casal com bebé não tem comida

Ontem à noite na TVI24, Mário Soares

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Maria, tu que és uma mulher culta e sensível, que foste a grande actriz que não esqueceremos, que amas a poesia e as belas letras, que tens sido a grande mulher por detrás do maior homem de Estado depois do 25 de Abril (embora se tenha feito e crescido Maria – como pudeste permiti-lo mulher? – à sombra da bananeira armadilhada dos EUA e da UE), tu que apesar de tudo isso és essa grande senhora, faz-nos o favor de amarrar o teu homem ao cadeirão e não o deixes sair à noite para ir à televisão fazer figuras tristes, que envergonham todos os que o respeitaram – e ainda mais os que acreditaram e votaram nele, vendo na sua acção um socialismo justo e no seu carisma amável a marca do génio dos grandes líderes democráticos, malgrado os elitismos e demais burguesismos que nunca o largaram, e fizeram do PS um partido de subidores de vidas, inspirados pelos exemplos e visões de grandeza desse teu homem Maria. Figuras tristes que, como se não bastassem, ainda por cima prejudicam a luta dos muitos que (infinitamente mais esclarecidos do que ele por estes dias) mereciam, com benefício para a informação do povo que está a ser dizimado pelo Governo Passos/Troika, esse espaço de antena Maria.

Da série ai aguenta, aguenta (4)

Desempregados fazem de Pai Natal a 43 cêntimos à hora

 

12.12.12

Quando o fim do mundo chegar avisem, pf, ok?

O que vale é que Passos Coelho não tem netos

Alcunha do neto de Mario Monti no infantário é “spread”

Mira Amaral não emigra

Melhor opção para ‘portugueses competentes’ é emigrar (Mira Amaral)

Bocas:

No Bitri, série #Ouvido no monta-cargas:

Pelos vistos amanhã é o fim do mundo para todos nós. Excepto para os adeptos do Sporting. Para esses, o fim do mundo é uma realidade com meses..

Somos escravos da nossa soberania

Todos en un puño

Hoje é o dia em que o Presidente da República recebe o projeto de lei para o Orçamento de Estado de 2013: quanto Produto Interno Bruto (PIB) vai entrar na Nação, quanto desse PIB podemos gastar, qual é a parte do PIB para pagar as dívidas da República por causa dos empréstimos contraídos pelo indigitado Primeiro-ministro, nomeado por ele. A responsabilidade é ampla e larga: comunista, bloco de esquerda, socialista, neoliberal, tem de fazer contas, pensar, indigitar, transferir. O trabalho é árduo e pesado, com apenas oito dias para resolver se rejeita, promulga ou devolve o projeto com comentários. O daguerreotipo que coloquei como imagem, indica o que é soberania: do povo, pelo povo e para o povo, especialmente os trabalhadores, a grande massa da população de Portugal. O PR vai exercer o seu poder soberano, por outras palavras, o seu poder supremo. Entregue a ele pela massa da população antes mencionada.

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“O ensino em Portugal é uma desgraça”

O próximo que repetir a frase acima importa-se de almoçar este estudo?

Sem comentários

fuga ao fisco

fuga ao fisco

Dedicado aos queridos comentadores que confundem Medina Carreira, o avô deste governo, com uma pessoa de bem.

Teixeira dos Santos alvo de busca

Mais uns notáveis ligados ao anterior governo, diz a TVI. O fim do mundo deve ser mesmo amanhã.

Piromania futebolística

vieiraComeço pela tese: gostar de futebol e apreciar actos de desportivismo ou de grandeza constituem actividades quase incompatíveis.

Na minha qualidade de benfiquista, assisti com a emoção que se impunha ao jogo de ontem, um jogo suficientemente emotivo para que a melhor equipa pudesse ter perdido e a melhor equipa, ontem, foi a do Benfica. O Sporting, enredado numa estranha depressão, não consegue ser um todo, numa prova de que jogar com a cabeça é tão ou mais importante do que usar bem os pés. [Read more…]

Da série ai aguenta, aguenta (3)

Taxa de desemprego em Portugal sobe para os 16,3%

Crueldade

Um dos meus DVD’s preferidos é uma colectânea de dezoito curtas sobre Paris. Chama-se Paris, je t’aime, título nada surpreendente quando se trata da cidade do amor. Lançado em 2006, aborda a cidade de pontos de vista tão diferentes e com estilos tão distintos, que creio que cada um de nós lá encontra a sua história, aquela que nos comove ou mexe connosco, ou nos faz rir à gargalhada, ou simplesmente nos faz parar e pensar.
Tenho tido muitos bons momentos com essas maravilhosas histórias de amor. Embora não seja muito romântica, há coisas que mexem comigo, com a minha sensibilidade. Uma delas é precisamente a curta que se passa na Bastilha. [Read more…]

Mais uma vez se demonstra

que os bancos não são pessoas de bem. – O castigo desta vez foi uma multa de 1400 milhões de euros. E, pergunto eu, foi alguém preso?

Manoel de Oliveira, parabéns!

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Hoje comemora os seus 104 anos cheios de vida. O mais antigo realizador de cinema em actividade e de olhos postos em novos filmes! Parabéns.

É preciso muito fôlego para soprar tantas velas. – Isso não lhe falta!

Parabéns pelo seu amor à vida. P’ro ano quero desejar-lhe mais um «feliz aniversário»!

Cândida Almeida lamenta arrastar do caso BPN na justiça

e apela à denúncia de mais casos de corrupção. Não sei para quê, todos sabem que Portugal não é um país corrupto.

Acordo ortográfico: Viegas, boçalidades e patetices

nao2c4Francisco José Viegas, regressado à blogosfera e aos jornais, defende-se de “ataques boçais e patetas” de que teria sido alvo, por ter defendido que o chamado acordo ortográfico (AO90) necessitava de ser aperfeiçoado, opinião que já tive oportunidade de comentar.

No mesmo texto, Francisco José Viegas repete a ideia de que não houve oposição ao alegado acordo desde 1990. Embora noutro texto já tenha chamado a atenção para a aparente falta de atenção de Viegas, aqui fica, mais uma vez, o conselho para que visite a página do professor António Emiliano. A visita a essa mesma página permite, inclusivamente, a consulta de uma raridade: o único parecer favorável à aplicação do AO90 (da autoria de Malaca Casteleiro, um dos autores do mesmíssimo AO90).

Espero não ter sido demasiado boçal nestas críticas a FJV, mas não posso desperdiçar a oportunidade de qualificar como patetas as suas opiniões acerca do AO90, nomeadamente quando declara acreditar na possibilidade de aperfeiçoar um instrumento que não tem ponta por onde se lhe pegue. Faz tanto sentido como decidir transformar uma faca romba em colher, continuando a chamar-lhe faca e sabendo que nunca será colher.

Triste mundo o nosso. RIP, José Adelino Guerra

Choca-me a morte trágica de qualquer ser humano. Choca-me ainda mais uma morte evitável. Onde estão os responsáveis?

Professores correm para a aposentação

Continuo sem encontrar um único motivo para tal movimento! Esses malandros!

Projecto ManuaisUsados.Com

Carlos Oliveira

manuaisusados

Este projecto tem como objectivo ser um local de fácil acesso para a troca e venda de manuais escolares. Começou como um projecto de um grupo de amigos, que, devido à falta de um local especifico para a troca e venda de manuais escolares, resolveu criar uma plataforma de fácil acesso, sem custos de utilização, em que o utilizador tem o controlo sobre como decorre a totalidade do negócio, desde as condições de venda, preço, formas de pagamento, envio.

Sabes aqueles livros que olhas e dizes “mas que raio vou fazer contigo agora?” Aqui está a solução, e ainda podes ganhar alguns trocos para substituir a tua biblioteca.

Qualquer esclarecimento: geral@manuaisusados.com

Ó Álvaro, põe os óculos, que estás a lamber a alcatifa

“Ambiente não pode prejudicar política industrial europeia” (Álvaro Santos Pereira)

Senhor Presidente da República portuguesa-Carta aberta

orcamento_de_estadoÉ o meu hábito almoçar e jantar no Palácio de Belém, nos tempos em que residem Presidentes da minha ideologia, conheço o protocolo, bem sei que devo endereçar-me a si a primeira vez como a Sua Excelência e a seguir, para que a conversa não seja tão pesada, Senhor Presidente. Os presidentes da minha ideologia são Senhor Mário Soares ou Jorge, conforme a intimidade e o pensamento que representam.

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Barcelos

barcelos

Memórias de Salazar ou o regresso dos pobrezinhos

Luís Manuel Cunha

vinho-salazarEm Santa Comba Dão pretendia-se lançar uma marca de vinhos chamada Memórias de Salazar. O nome não foi autorizado sem que se perceba muito bem porquê. O facto é que, a marca do tintol nunca veio tão a propósito, arrastando consigo uma infinidade de recordações e de reminiscências de tempos que se julgavam para sempre desaparecidos.
Lembro-me ainda muito bem. No mundo da minha infância e por esta altura em que “a estrela de Belém corre pelos céus à procura da manjedoura e das palhinhas”, “não havia conto de Natal, não havia lenda infantil, não havia fábula natalícia que não trouxesse consigo, sempre disponíveis, os pobrezinhos”. A tradução narrativa de um mundo a preto e branco mas bem real, um mundo frio e famélico, tristemente alumiado pela luz da candeia que, no meio do casebre, projectava uma palidez esfomeada de um tempo disperso, “algures entre o apito da fábrica e o chiar da charrua”. Era a “casa portuguesa” salazarenta, documentada nos livros da escola primária e plasmada na imagem de capa do lavrador caseiro desgraçadamente feliz, de sachola ao ombro, regressando a casa, escancarada pela mulher desgrenhadamente feia, rodeada de filhos ranhosos e sujos pendurados nas saias. Depois, a broa embrulhada num caldo de couves e o terço murmurado maquinalmente sob o olhar protector de uma imagem da virgem de Fátima, como agradecimento ao Senhor por tamanha dádiva. Ao Senhor e a Salazar. Era o tempo do “pão e vinho sobre a mesa” e da disponibilidade de abrir a porta a quem a ela batesse, para se “sentar à mesa com a gente”. Só que, à porta dos pobrezinhos, ninguém batia.
Era um mundo de diminutivos e de diminuídos” do catecismo do Estado Novo e da Igreja Católica que, na ficção piedosa da padralhada debochada e rubicunda, entendia que o sofrimento e a miséria eram condições sine qua non se lhes abriria, aos pobres, o reino dos céus. Por esta altura, a beatada em peso, o professor e o padre derretiam-se em homilias da necessidade de ajuda ao pobrezinho. Que vivia “tristemente sentado nos degraus da igreja” ou “pacatamente esfomeado às portas das casas”. Era uma obra de caridade ajudar os pobrezinhos, dizia-se. “Minha senhora, está ali um pobrezinho a pedir esmola”. “Maria, dá qualquer coisa ao pobrezinho”. [Read more…]