Aí, poderás ter o trabalho de lamber as botas certas e juntarás ao teu currículo os cartazes que colaste. No futuro, também tu poderás aconselhar outros a emigrar. Inscreve-te já, jovem: procura a tua zona de conforto.
Cavaco Silva a olhar pra cenas
Agora que Kim Jong-il já não olha para as coisas, nasceu este fotoblogue.
Não sei se vai incluir cenas com vacas. E espero que Cavaco Silva tão depressa não se meta num comboio.
Era uma vez a confiança
Por Santana Castilho
A solução para os gravíssimos problemas que nos afectam é um empreendimento colectivo. Mas todos os empreendimentos colectivos falham se a sociedade não sentir confiança. As pessoas aceitam os sacrifícios se as convencerem de que eles resolvem os problemas. Confiança e reciprocidade são palavras-chave. Infelizmente, o Governo ignora-as.
Os portugueses estão mergulhados em sofrimento: famílias envergonhadas, lançadas numa pobreza com que nunca sonharam; velhos sem dinheiro para a farmácia; jovens sem horizontes de futuro; crianças com fome; professores sem escola; desemprego galopante; empresas falidas; assaltos violentos todos os dias. Tudo contemplado por um Governo incontinente nas nomeações políticas, imoral na distribuição de benesses, insensível, perito em abater, incapaz de erigir, que não gera confiança.
Ouçam com atenção
Este homem é conhecido por ser um demagogo fala-barato, mas o que aqui diz, faz algum sentido. Algum? Não, muito.
Hoje dá na net: Ilha das Flores
Ilha das Flores é um filme de curta-metragem brasileiro, do gênero documentário, escrito e dirigido pelo cineasta Jorge Furtado em 1989, com produção da Casa de Cinema de Porto Alegre.
Tomates, Homens, Lixo, Dinheiro, Religião. Uma das melhores curtas que já vi.
Inspeção técnica dos edifícios ou o ganha-pão de uns quantos
«Desafio o PSD e o Governo a tornar obrigatória a inspeção técnica dos edifícios, à semelhança do que acontece com os carros, para permitir a sua habitabilidade», disse Helena Roseta, numa conferência sobre a reforma da Lei de Reabilitação Urbana, organizada pelo grupo parlamentar social-democrata. [TSF]
Ouvi com incredulidade esta proposta da inspecção técnica de edificios obrigatória a cada 8 anos. Que até já teve o aval do senhor Ruas.
Se alguma vez isto entrar em vigor, será mais uma investida da máquina burocrática estatal contra o individuo. Com a habitual desculpa de ser para o bem de todos, isto não passa duma proposta para, novamente, o Estado se substituir ao cidadão e uma desculpa esfarrapada para uma infinidade de tachos, de mais técnicos e de rendas e vendas mais caras. Tudo com o alto patrocínio dos habituais parvos – os contribuintes.
Esta gente só não merece o desprezo total porque a loucura deve ser supervisionada. Livrem-nos destes que acham que ter o poder lhes dá legitimidade para todo o devaneio que lhes aprouver.
Boas notícias, porém, para alguns técnicos, que assim poderão ganhar mais trabalho (sintam-se à vontade para me insultarem na caixa de comentários).
A emigração explicada aos ingénuos e outros tristes
Está tudo aí, no poema de Rosalía de Castro adaptado e musicado por José Niza e superiormente cantado pelo Adriano Correia de Oliveira.
Para cabeças mais duras, como as que ainda tentam inventar vantagens económicas, recomendo a leitura de Emigrantes ameaçam cortar remessas, uma grande contribuição de Paulo Portas para o PIB nacional.
Personalidade bipolar – Conselho de Administração da CP

O Conselho de Administração da CP desmente-se a ele próprio com escassos dias de intervalo.
No número 2, 2º quadrimestre de 2011, da revista “Grupo CP em revista” (imagem acima) o presidente do Conselho de Administração da CP, em entrevista cedida a este órgão de informação interna, afirma peremptoriamente que “o pagamento atempado dos salários, o pagamento dos descontos para a Segurança Social e dos impostos ao Estado, bem como os pagamentos a fornecedores, não está nem nunca esteve minimamente em causa“. Mais ainda, José Benoliel diz que “as receitas obtidas na bilheteira são suficientes para liquidar essas responsabilidades”, garantindo inclusivamente que não vislumbra “razões que possam levar os trabalhadores da Empresa a ter preocupações com o pagamento atempado dos seus salários”. O responsável máximo da CP informa-nos também nesta entrevista que no primeiro semestre de 2011 a CP registou em comparação com o período homólogo de 2010 uma melhoria de cerca de 24,4 milhões de euros no Resultado Operacional.
«COMUNICADO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
Caros Colaboradores,
Face a gravidade da situação financeira da empresa e das insuficiências momentâneas [Read more…]
Votação: Blogues do ano – 2011
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ACTUALIZAÇÃO

Blogues do ano – 2011
Regulamento e calendário publicados. Inscrições abertas até 13 de Janeiro.
Emigrar, pois claro
Desde o início que este Governo afirmou que, entre outras coisas, queria reduzir a despesa pública, aumentar as exportações, melhorar a balança de pagamentos e diminuir o desemprego. Sendo assim, a melhor maneira de fazer tudo de uma assentada é promover a emigração.
Com gente a emigrar, temos menos povo a encher hospitais, a pedir subsídios ou a fazer despesa ao Estado. Poupa-se no Serviço Nacional de Saúde, poupa-se na Segurança Social, etc. É só poupar.
Depois, exporta-se aquilo que cada vez há mais: desempregados. Ao exportar, não só diminuímos o desemprego, como ainda se melhora a balança de pagamentos quer pelas próprias exportações quer pela remessa de poupanças dos emigrantes para Portugal. Até mesmo porque fica sempre cá alguém da família. Sim, porque há sempre gente teimosa.
Até se deveria reformular o lema da diáspora, para “Emigrar é preciso. Viver não é preciso”. Os tempos mudam, e os lemas também deviam mudar.
Pela primeira vez há uma verdadeira política de emigração. Aliás, política de incentivo à emigração. E numa altura em que tanta gente fala que há falta de estímulo e de incentivos.Com a emigração não faltam novos horizontes. São horizontes a perder de vista. Não falta mundo.
Antigamente, nos tempos idos de Salazar, que era muito bom gestor e sabia fazer contas, e de Caetano, que até gostava de conversar com as famílias portuguesas, nem um nem outro deu palavras de incentivo a emigrar. As pessoas tinham de ir por iniciativa própria, sem uma palavra de estímulo, nem nada. Ao menos, agora, há um Governo solidário. E as pessoas ainda reclamam. Com franqueza!
Declaração de repúdio pelas declarações de Pedro Passos Coelho
O Grupo de Protesto de Professores contratados e desempregados acaba de lançar a seguinte declaração de repúdio sobre as declarações últimas de Pedro Passos Coelho:
Caro/a amigo/a
“Estamos com uma demografia decrescente, como todos sabem, e portanto nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma: ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado da língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa”.
Pedro Passos Coelho, 18.12.2011
O primeiro-ministro aconselhou os professores desempregados a emigrar. Somos cidadãs e cidadãos portugueses. Entre nós estão professores, alunos, encarregados de educação. E não só. Exigimos respeito.
Ao contrário do que afirma Passos Coelho, o despedimento de professores não é resultado da demografia. É uma opção política. A escola pública tem hoje um corpo docente aquém do necessário e turmas sobrelotadas. Os professores desempregados fazem falta ao sistema de ensino.
As declarações do primeiro-ministro demonstram que dias piores esperam a escola pública. Toda a demagogia vale para mascarar uma política irresponsável. Passos Coelho está disposto a desperdiçar todo o investimento feito, ao longo de anos, pela sociedade portuguesa na formação de professores.
Ridicularizando os tiques do poder autoritário, Bertold Brecht perguntou um dia: “Não seria mais fácil o governo dissolver o povo e eleger um outro?”. Hoje, a retórica da austeridade fala a sério: o governo quer expulsar os que considera a mais.
Os interessados em formalizar o repúdio daquilo que é repulsivo façam o favor de seguir esta ligação. Os que defendem o esvaziamento físico e intelectual do país não se incomodem.
Coelho, o agente de viagens, Relvas, o épico, e Amorim, o guia-intérprete
Vídeo encontrado aqui.
Passos Coelho aconselha os professores desempregados a emigrar. Miguel Relvas chama epicamente “missão universalista” à necessidade de emigrar decorrente da endémica incompetência governativa de cuja história também ele já faz parte. Carlos Abreu Amorim faz de conta que explica as palavras de Passos Coelho, limitando-se a dizer que foram mal percebidas, o que é do mais pedagógico que pode haver, para além de usar o velho truque – o que é sempre bom em políticos novos – de dizer que o importante é o conteúdo da cerimónia em que está a participar. [Read more…]
Vende-se a História

Por MARIA DO CÉU MOTA
Acaba-se com feriados históricos e se se puder, também se vende o património histórico.
A CP tentou vender o comboio histórico estacionado na Régua. Foi a Federação Europeia das Associações de Caminhos-de-Ferro Turísticos que boicotou essa tentativa. O comboio, ainda operacional (!), é composto por uma locomotiva a vapor de 1923, uma composição de 1908 e outra construída no Porto em 1913, só para mencionar algumas das suas componentes. É, segundo o vice-presidente daquela Federação, ” um acervo único em Portugal e raro na Europa que deve ser preservado”.
Não se percebe que se queira fazer determinadas candidaturas à Unesco quando não se tem carinho por tudo o que diz respeito à nossa História.
É lamentável que seja uma entidade estrangeira a boicotar a tentativa de venda de património português!
Este caso fez-me lembrar o caso do nosso comboio real do final séc. XIX que transportou a rainha D. Maria II, D. Carlos e o rei D. Luis e que esteve em exposição na Holanda em Abril de 2010. Um êxito! Não pensem em vendê-lo!!
Deixo este alerta…
Hoje dá na net: O Sonho Americano
Um filme educativo e divertido sobre o império dos banqueiros internacionais. Escrito e dirigido por Tad Lumpkin e Harold Uhl. Veja o esta animação cinematográfica completa clicando aqui. Legendado em português.
Que merda de país é este?
A almofada da desculpa é o ‘memorando da troika’, negociado e firmado pelo governo de Sócrates e ainda ratificado – e zelosamente excedido – pelo duo PSD+CDS, detentores do poder que nos (des)governa.
Almofada, do ponto de vista etimológico, é uma palavra de origem árabe. Nós, portugueses, e fiéis às origens do ‘al-gharb’, conservámos o vocábulo. Usamos a definição linguística e naturalmente do objecto de repouso sobre o qual descansamos e dormimos. Com menor ou menor comodidade. Tudo depende do recheio. Suma-a-uma, espuma ou outros materiais sintéticos que nos amparam ou massacram o atlas, sim o atlas, ligado ao osso hioide – fonte de inspiração, quem sabe, do conhecido “Hirudoid’.
Todavia, passou a haver outro conceito aplicado a almofada; o conceito político-financeiro, ora usado por Seguro – há almofada – ora recusado por Passos e Coelho – não há almofada.
Mais do que a oposição reclama, o importante é que o governo diz:
para acomodar, deduzo eu e milhões de outros cidadãos, a anulação do corte, mesmo parcial, dos subsídios de Natal e de férias nos rendimentos de funcionários e reformados da função pública, bem como de pensionistas privados em 2012 e 2013.
Sodadi bô Cize!
Quem era Cesária Évora? Quem vai ao Google ou ao wikipedia ganha logo uma colectânea de informações básicas sobre a “Diva dos pés descalços” em textinhos com ar de retalho…mas fica definitivamente sem saber quem é Cesária Évora.
Para se saber quem é Cesária Évora teremos de ter ouvido pelo menos uma vez na vida a Morna Mar Azul e sentir aquele arrepio triste na espinha, para se saber quem é Cesária Évora tem-se de ter tido pelo menos uma vez na vida a vontade de abrir um mapa ou o Google e pesquisar duas palavras: “Cabo Verde”. Para se saber quem é Cesária Évora é obrigatório ter-se andado, pelo menos mentalmente, pelas ruas da cidade do Mindelo e sentir-se em casa. Para se conhecer Cesária Évora é fundamental entender a filosofia atrás da palavra simplicidade, a matemática da expressão ALMA, a secreta química cerebral que qualquer cabo-verdiano sente ao cantar/escutar a morna Sodade. Para se gostar de Cesária não é preciso nem se ser cabo-verdiano nem entender crioulo. Cesária resume a palavra tempo e estende até ao limite do infinito a dimensão irónica de dez pequenas ilhas no atlântico. Hoje muitos pedem que o seu nome seja dado ao aeroporto internacional da ilha de S. Vicente. Para mim isso seria o serviço mínimo, pois o nome: “Cabo Verde”, já há muito tempo foi traduzido para: “Cesária Évora”. Há quem nunca tenha vindo a Cabo Verde, mas já esteve na terra da Cesária Évora. O que farão as memórias por nós, o que significam os teus pés descalços? Se calhar que os nossos reinos são imaginários e somos todos meros reizinhos patéticos andando nus pela Disneylândia. Ou nada. Podem não significar absolutamente nada…se calhar apenas que sabias sentir a terra por debaixo dos teus pés.
Cada um sente a dor que mais lhe dói e este país a que eu pertenço, esta geração que não conhece Cabo Verde sem Cesária Évora, hoje sente a dor que mais lhe dói. Seu legado serve-nos ao menos para desmascarar uma mentira: os grandes nunca partem, só morre quem nada partilhou com o mundo.
O estradismo: uma crónica sobre as últimas três décadas de asfalto.
Na foto um dos efeitos do estradismo: a proliferação de lixo. Estrada municipal em Cinfães.
Braga 2012 CEJ:
Em apenas 72 horas, um grupo de jovens foi para as ruas de Braga. Aqui fica o resultado:
Com os meus sentidos pêsames à família enlutada
E falando de Kim Jong-il não esquecer esse eterno memorial onde se registou o homem olhando as coisas.
Sobre aquilo que começou com Vasco da Gama e acabou faz agora 50 anos
Contêm partes eventualmente chocantes e uma das razões porque ao passar na Ponte Vasco da Gama tenho vergonha de ser português.
Então [Vasco da Gama] mandou aos batéis que fossem roubar os pageres que eram dezasseis e as duas naus, em que todos acharam arroz e muitas jarras de manteiga e muitos fardos de roupa. Então tudo isto recolheram aos navios e a gente toda das naus grandes, e mandou que recolhessem o arros que quisessem, que tomaram quatro pageres, que vazaram, que não quiseram mais. Então o capitão-mor mandou a toda a gente cortar as mãos e orelhas e narizes e tudo isto meter em um pager, em o qual mandou meter o frade [o brâmane que, ao chegar a frota a Calecute, entrou a bordo] também sem orelhas, nem nariz, nem mãos, que lhas mandou atar ao pescoço com uma ola para ele-rei, em que lhe dizia que mandasse fazer caril do que lhe levava o seu frade.
E a todos os negros assim justiçados mandou atar os pés, porque não tinham mãos para se desatarem, e porque se não desatassem com os dentes com paus lhes mandou dar neles que nas bocas lhos meteram por dentro, e foram assim carregados uns sobre os outros, embrulhados no sangue que deles corria, e mandou sobre eles deitar esteiras e ola seca e lhes mandou dar as velas para terra com o fogo posto, que eram mais de 800 mouros, e o pager do frade com todas as mãos e orelhas também à vela para terra sem fogo, com que foram logo ter a terra, onde acudiu muita gente a apagar o fogo e tirar os que acharam vivos, com que fizeram seus grandes prantos.
Gaspar Correia, Lendas da Índia
A nossa decadência nestas partes é inteiramente devida ao facto de tratarmos os nativos como se fossem escravos e pior do que se fôssemos mouros
António de Melo e Castro, Vice-Rei da Índia, 1664
Retirado da compilação Ministros da Noite, Livro Negro da Expansão Portuguesa, de Ana Barradas, Antígona, 1991
O Sonho
O sonho
O sonho
acesso do silêncio ao dilatado vento da palavra o direito da sombra na luz de todas as cores.
O sonho
doce caminho dos lábios perfumados de alheias maçãs a voz que há-de voar quando se calarem as asas.
O sonho
canção intemporal que dá razão à loucura a sede de todas as fontes a água de toda a secura.
O sonho
vento leve e sensual tocado de algas e maresia adormecido o pensamento na doce cama da fantasia.
O sonho
uma flor a sorrir no outro lado do rio onde as quebras do silêncio dão voz ao melro vadio.
O sonho
os barcos que chegam tarde carregados de vinho amargo a esperança de todo o tempo sem outro tempo de esperar.
O sonho
mar derramado na areia fina beijando o corpo feito casa a paz da tarde adormecida sem corpo para morar.
O sonho
mão apertada ao escudo da liberdade ameaçada o sonho tempo perdido tempo de sonho e de nada.
O sonho
flor de orvalho colhida no seio efémero da madrugada o silêncio da canção perdida no beijo da noite atraiçoada.
Não conheço a Esotérica de lado nenhum
O que é interessante é que estas autarquias estão todas no mesmo servidor, alojadas pela empresa Esotérica e o site foi criado sempre pela mesma pessoa: Fábio Poli.
Chega a ser mais bizarro que alguns sites se tornam autênticas cópias e até os títulos saem “alterados”, como este exemplo mostra:
Se conhecesse só teria a dizer bem do serviço prestado.
Hoje dá na net: O Poder dos Pesadelos
O Poder dos Pesadelos – a ascensão da política do medo, excelente mini-série da BBC onde se retrata o percurso de dois movimentos que têm muitas similaridades: os neo-conservadores nos Estados Unidos e os fundamentalistas islâmicos. Este é um documentário essencial para compreender a política internacional da primeira década do século que está prestes a terminar. Página IMDB. Depois do corte pode encontrar os links para os três episódios, legendados em português.



















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