O sobe e desce do rating e os comentários pornográficos

Já me tinham dito para não me irritar. Faz mal ao coração, informam-me. Que sim, vou fazer por isso. Por levar as coisas numa perspectiva positiva, para manter o sentido de humor, para relativizar tudo aquilo que não é a morte. Por só isso não tem remédio. Agora começo a achar que também o país não tem remédio.

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Por isso, admito que não sei porque é que ainda me indigno com coisas de lana caprina. É sempre assim. Analisamos tudo mediante as circuntâncias em que estamos e as conveniências do que queremos. Valorizamos quando nos interessa, desvalorizamos quando não interessa.

Até ontem, o rating da dívida portuguesa era cortado pelas famosas agências financeiras e o governo desvalorizava. O chefe do Governo e os ministros mais influentes fugiam a comentar esses cortes. Quando não havia possibilidade de fuga, juravam que não era assim tão importante.

Hoje, novo corte e o Governo valoriza! Que é fruto da crise política, que a culpa é toda da oposição, esses malvados que não mediram as consequências do chumbo do PEC IV, que levou à queda do Governo, etc e tal.

Sim, eu sei que começou a campanha e que em campanha vale-tudo-menos-tirar-olhos-e-se-calhar-nesta-até-tirar-olhos-vai-valer mas é assim que esta cambada incoerente quer que o povo tenha pachorra para os aturar?

A criança dita incapacitada – Portugal nestes dias com um PM demissionário

Para minha amiga Ana Paula Vieira da Silva, que inspirou a ideia deste texto.

Escultura de Amitaba, da Dinastia Tang, encontrada nas grutas de Longmen, na Índia.

É-me impossível não criar uma metáfora entre a criança dita incapacitada e a nossa Pátria. Todos amamos esse berço, onde nascemos o fomos adoptados. O problema é que nosso venerado país e os seus sucessivos governos, parece uma criança incapacitada. Se entres as crianças há apenas as ditas incapacitadas, porquê Ana Paula e Eu, por intermediação da Magister Elsa Figueiredo e o Doutor José Manuel Cravo Filipe, obtiveram os seus pós graus no que hoje se denomina criança especial; por outras palavras temos observado que as pessoas adultas parecem ser incapacitadas para governar, criar leis convenientes para o desenvolvimento do país e o seu crescimento económico e financeiro.

 
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Chora, chora, PS, chora…

O choradinho aumentou de volume, vem aí a berraria.

A culpa? É dos outros. Responsáveis? Os outros. Quem falhou? Os outros. Maus da fita? Os outros, pois claro, nós até queríamos dialogar, queríamos resolver, queríamos o melhor para o povo, os cidadãos, sei lá, os gajos que pagam e não choram muito alto porque o microfone é nosso, deles será a macrofome, quando muito.

Entretanto, buaáááá, mamã Merckel, aqueles meninos já não querem brincar mais comigo, sou tão coitadinho, tão incompreendido, tão injustiçado…

Esta foi a parte que ouvi. Como não tinha tampões para os ouvidos  aumentei o volume da aparelhagem e ouvi um CD. De quem? Dos Deolinda, era o que tinha à mão.

 

Um país falido e miserável

Vejamos: Recessão já este ano, com a economia a perder quase 1 por cento; aumento de impostos sobre o consumo; privatizações antecipadas e alargadas, que é como quem diz, a preço de saldo; prestações de compra de casa vão ter menor dedução fiscal no IRS; autarquias com mais cortes.

Assim de repente, este é um pedaço do PEC IV.

Já sabíamos que o país estava de rastos. Agora sabemos que está ainda pior. Por este andar, vamos mendigar a Espanha que tome conta de nós.

Lista de medidas de austeridade

O J. Mário Teixeira fez uma série de perguntas inocentes que não vão ter resposta pelos responsáveis desta trapalhada onde o país está metido.

Para que não reste o mais mínimo resquício de dúvida, sobre quem estou a falar, declaro desde já que estou a referir-me ao PS/D – duas faces da mesma moeda.

Como os dirigentes destes partidos não têm formação nem técnica, nem política para lidar com o problema em que estamos metidos vão fazer apenas o que sabem fazer, isto é, roubar cada vez mais o povo português. E até estão com sorte, não necessitam de usar a imaginação, basta copiar o que os Gregos têm feito com tanto sucesso.

A seguir ao corte podem encontrar a lista de medidas aplicadas pelos Gregos. Esta lista foi traduzida a partir de:

 
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A Lua está mais cheia

 

 

 

 

 

 

 

A Lua, hoje, aproximou-se um bocado mais da Terra, ficando a uns meros 356 mil quilómetros. Se olharem lá para fora, poderão ter a impressão de que caíram num filme de terror. Fontes próximas do Primeiro-Ministro já declararam que este facto é consequência das medidas propostas no último PEC, até porque a Lua é a mesma (há estabilidade) e parece maior (houve crescimento).

Tudo o que for necessário

“Quero reafirmar o que disse hoje o ministro das Finanças, que este Governo fará tudo o que for necessário para garantir a meta do défice”, afirmou hoje José Sócrates durante uma conferência sobre a crise da dívida soberana, organizada pela Reuters e pela TSF. [Público]

Tudo mêmo tudo? E se tal incluir uma vinda do FMI?

Já se sabe que os impostos poderão ser aumentados (excepto para a banca), receitas extraordinárias como as da PT no ano passado também se arranjarão e baixar as prestações sociais também não tem sido problema.

Mas FMI já é outra questão, permitisse isso juros mais baixos ou não. Faça-se o que se tiver a fazer mas perder a cara é que não.

A Bélgica e a instabilidade política

Sempre que convém, o fantasma da estabilidade política é usado para assustar os portugueses, em particular, onde mais lhes toca: no bolso, via impostos a pagar caso os “mercados” (quem?!) se assustem com a dita instabilidade.

Foi essa a abordagem recente do PS quanto à possibilidade de haver em breve uma moção de censura; igual justificação para que se aprovasse o orçamento de estado foi usada; e esta mesma linha discurso teve lugar ad nauseam na última campanha eleitoral.

Acontece que os belgas estão há 7 meses sem governo. Serão loucos os belgas? Não terão eles medo dos “mercados”? Estará o país à beira do colapso? Parece que a resposta a estas questões é a mesma, um redondo não.

Portanto, senhores políticos, deixem-se de merdas e façam o que lhes compete. A saber, governar, uns, e outros, fiscalizar a governação. E fazer cair o governo quando este não se mostra capaz de fazer o que lhe compete. O que é mais do que notório há tempo demais.

Ah!, e pelo caminho, já que tanto gostam de fazer leis para tudo e mais alguma coisa, não se esqueçam de mudar as leis eleitorais para que, em caso de queda, se possa voltar a ter governo em apenas algumas semanas e sem períodos de defeso. Não estão sempre a usar os exemplos de outros países quando vos convém? Então, que olhem para os ingleses, que num mês caiu um governo, fizeram-se eleições e entrou em funções novo governo.

O desemprego, afinal, não cresceu

Seria péssimo jornalismo ser um jornalista a evidenciar uma verdade tão absoluta que nunca poderia ser uma notícia. Para isso, existe a Ministra do Patronato do Trabalho. Se a senhora continuar nesta senda de honestidade ainda se arrisca a reconhecer que o governo, afinal, só tem conseguido acentuar a tendência para aumentar o desemprego. Corre, ainda, o risco de ver o Câmara Corporativa realçar o seu duvidoso passado de sindicalista, do mesmo modo que o Governador do Banco de Portugal passa a antigo chefe de gabinete de João de Deus Pinheiro mal emite alguma opinião incómoda para a rósea governação.

Talvez por ser rósea a governação é que Valter Lemos veja cor-de-rosa onde a coisa está preta: o impagável secretário de estado manifesta um quase regozijo ao descobrir que o desemprego cresce muito, sim, mas devagarinho, o que deve servir imenso de consolo para os que se vão desempregando.

Uma vez que a estupidez desperta em mim o mais acentuado espírito competitivo, proponho que se passe a afirmar que não foi o desemprego que cresceu: foi o emprego que encolheu. E mais esta, para ajudar Sócrates, quando for, finalmente, confrontado com a recessão técnica (outro conceito que faz muita diferença aos que vivem com cada vez mais dificuldades): bastará afirmar que, se é certo que o país saiu da crise, a verdade é que a crise não tinha saído do país.

Mais Receitas Fiscais em Janeiro

O governo anda como um cuco. Já só falta aos senhores Ministros e ao ainda nosso Primeiro, darem pulinhos de contentes. Conseguiram arrecadar mais 350 milhões de euros em receitas fiscais em Janeiro, comparativamente com o mesmo mês do ano de 2010.
O senhor Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais apresentou  estes dados como um sinal do bom desempenho do governo, dizendo aos mercados ‘Vêem como somos bons?’, a ver se eles compram a notícia.
Esqueceu-se no entanto de falar da despesa, que ainda não está contabilizada, mas que não deverá descer.
A evolução do défice público, que o governo pretende fazer chegar aos 4,6% este ano, irá ser conseguida, se o for, à custa do aumento de impostos (IRS, IRC e IVA) e não da redução da despesa, e os ‘mercados’ estão atentos, mesmo que o governo faça de conta que estão todos distraídos e não vêm o que se passa cá no País.
Tudo isto não passa de paleio para consumo interno!

Uma crise com nomes

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Comissão diz que reguladores e bancos são culpados de uma crise financeira que era “evitável” *

* Sim, é nos States. Mas tanto gostam de olhar lá para fora para nos comparar, como por exemplo neste recente caso de Espanha, podemos desta vez também fazer comparações, certo?

Cortes, mas só para alguns

cortes salariais

E o urso sou eu?!

No coração da UE

Quem chega ao aeroporto de Bruxelas terá pela sua frente labirínticos corredores em jeito de emaranhado de escadas e passadeiras, como que funcionando de aviso àqueles que se dirigem à Comissão. São instalações funcionais, mesmo assim, e sem exuberância novo-riquista em moda nalguns jardins à beira mar plantados. [Read more…]

Presidenciais: Cavaco, o genial feiticeiro

cavaco_campanha_PRConhecemos há muito o elevado grau de auto-estima em que Cavaco Silva se empoleira.  É o único candidato presidencial – e cidadão português, acrescente-se – com sabedoria e aptidão para “moderador da vida nacional”, garantiu a apoiantes, algures na Beira Alta. No fundo, ao próprio País, dada a cobertura da comunicação social.

Cavaco, no habitual estilo ostensivo, aproveitou também para conjugar a qualidade do ser genial com a arte da feitiçaria:

 “Não podemos excluir a possibilidade de uma grave crise em Portugal, não apenas económica e social, mas também política”

Bradou a advertência com voz assustadora. Os convivas entreolharam-se, boquiabertos e de pálpebras estendidas. Subjugados pelo medo, refugiaram-se, ainda assim, nos caminhos da fé :  “Portugal vai entrar em grave crise e este homem é o nosso salvador”.

Mesmo ausente e a larga distância, também fiquei pensativo: “Portugal vai entrar em grave crise?”, interroguei-me, perplexo, pelo tom convincente e premonitório de Cavaco. Afinal, Portugal, com excessivo endividamento externo, fragilidade económica acentuada, unidades fabris e comerciais a encerrar, o desemprego em alta, as reduções de salários dos funcionários públicos, a eliminação e o congelamento de prestações sociais, aumentos de impostos directos e indirectos, prejuízos da banca socializados, acesas polémicas partidário-políticas sobre o PEC I, o II e o III; afinal Portugal, repito, a despeito desta pesadíssima carga, ainda está em crise limitada. Pensamentos diferentes. Do País,  eu tenho uma visão e ele uma antevisão.

Será apenas uma diferença temporal? Sei que é o suficiente para não lhe dar o meu voto. Além do resto, horroriza-me a ideia de ver o Palácio de Belém convertido na ‘Embaixada de Vilar de Perdizes’. Ou em Palácio de Bruxaria.

Dantes já era mesmo a sério, mas agora é que vai ser mesmo mais a sério

Desde que criou a crise, o governo define a sua atitude mais ou menos assim: “nós sempre fomos muito rigorosos e justos e planeámos tudo muito cuidadosamente, mas agora é que vamos ser ainda mais rigorosos e justos e vamos planear tudo ainda mais muito cuidadosamente.”

Foi graças a uma capacidade de planeamento que atravessa todo o aparelho governativo que a Saúde conseguiu gastar 21 milhões em consultoria, em 2009, para exclusivo benefício de três empresas privadas de consultoria e gestão. Os estudos encomendados a estas três empresas, contratadas sem passar por concurso público, serviram apenas para o habitual: lucros privados e prejuízos públicos. [Read more…]

Ano velho, ano novo

velho ano - novo ano

a crise de Portugal é a da humanidade

crise financeira, homofóbica, dos direitos humanos, não apenas da economia

Não há fim de ano que não acabe com festas e pantomimas, muto comer, entrega de presentes, gastos supérfluos em roupas novas para passar a consoada, dançar para o Ano Novo, festividades que, enquanto acontecem, parecem não ser gastos, mas sim, investimentos em relações familiares, de amigos e vizinhos. Para mal dos meus pecados, calhou passar os meus primeiros vinte e anos de vida en terras nossas, que ofereciam presentes à nossa família: pais, irmãos e até a servidumbre que realizava o trabalho doméstico. Éramos poucos para tanta euforia, que devia ser devolvida. Não era um investimento de capital, era um gasto sem objectivo, excepto esse de manter contente ao patrão e a sua família e assegurar o posto de trabalho. Era um investimento inútil. O trabalho estava assegurado pela lei, pelos sindicatos e pelos compromissos políticos dos que prometiam muito para ser eleitos para os sítios de poder que pretendiam. Essas festas e ofertas eram um desperdício de dinheiro retirado do fundo doméstico do que todos viviam. O desperdício era a loucura das loucuras. Não apenas mo havia investimento nem poupança, era um louvor às festas de fim de ano e ao patronato dos proprietários. Hábito aprendido desde a revolução industrial do Século

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João Salgueiro e o elefante no meio da sala

João Salgueiro é um dos suspeitos do costume. Teve o dom de contruir uma boa carreira profissional de braço dado com a política e a banca, logo os dois principais sectores artíficies da crise mundial – e interna – que enfrentamos.

Numa entrevista sauve que concedeu ao jornal Público deixou conselhos para ultrapssar a crise. Os conselhos do costume.

Com profundos laços que o mantém emaranhado no mundo da política e da alta finança, não se lhe ouviu uma palavra sobre o seus gananciosos confrades do mundo da banca. Nem um simples ‘mea culpa’, nem um reconhecimento de erros, de falhas de avaliação, de caminhos enviesados. Nada. Um imenso nada.

Até na estrondosa queda do comunismo, os dirigentes dos países do leste foram mais humildes.

Natal-imaginário infantil, imaginário adulto ou troca social

Natal costumava ser festa da alegria, mas a crise económica de hoje...

Para o meu próximo descendente, essa criança, filha de uma das nossas filhas

1. Natal

Os leitores devem estar habituados a ler nos meus textos, uma ideia em que sempre teimo: qualquer grupo social tem, pelo menos, duas formas de ser ou duas culturas: a dos adultos e a das crianças. A do adulto, esse imaginário para calcular e decidir; a da criança, essa fantasia à espera. A do adulto, para calcular e decidir, porque vive no meio das finanças, dos orçamentos. Fantasia à espera, por viver no meio dos mimos, recebidos ou esperados. Duas lógicas de ideias que andam, ora entrelaçadas ora paralelas – umas no lar, outras, à distância. É na altura da noite e do frio, que começamos a pensar nesta brincadeira das duas culturas. [Read more…]

IC-19-Tales #34 Ajudar quem precisa

IC-19-Tales #34 Ajudar quem precisa

A notícia: Carlos César acusa Cavaco Silva de “dividir os portugueses

O FMI e o Ritz

Dizem as más-línguas que o FMI já está no Ritz.

É o que dá o António Borges ter gostos sofisticados…

O Diário do Professor Arnaldo – A fome nas escolas

Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos.
Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar.
De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila – oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude. [Read more…]

Uma questão de adjectivos

Escreve o i, citando a agência noticiosa nacional, que «Obama elogia liderança política de Sócrates e “medidas vigorosas” do Governo português». Vigorosas. Note-se que não foi dito correctas.

Não roubaram rosas senhores, roubaram pão.

 

A GNR deteve hoje dois homens, de 26 e 30 anos, após terem alegadamente roubado produtos alimentares de uma viatura estacionada no exterior de uma empresa de Condeixa-a-Nova.
Ao verificarem na última madrugada, cerca das 01H15, que um automóvel “circulava com as luzes apagadas” na estrada nacional 347 próximo da firma Panrico, na povoação de Sebal, uma patrulha da GNR acabou por identificar e deter os dois ocupantes.
Trata-se de um desempregado e um trabalhador da construção civil, de 26 e 30 anos, respetivamente, tendo os agentes apurado então que a viatura “transportava produtos alimentares que eles tinham furtado há pouco tempo”, disse à agência Lusa uma fonte da corporação. in Diário as Beiras

E viva Espanha

A notícia de que para evitar efeitos bola de neve o BCE pode vir a ajudar Portugal e a Irlanda (e bastaria que em vez de emprestar a 1% aos bancos portugueses que depois nos roubam a 7%, o fizesse directamente) pode ser uma boa notícia. Má j+á começa a ser difícil.

É fantástico como com os 3 leitões os alemães brincam, gozam, vendem submarinos e depois acusam o despesismo de quem os compra.

Quando a seguir estão porcos mais anafados, a Espanha e na sombra a Itália, ai jesus que lá vou eu. Fala-se em perda de soberania, mas não percebo como se pode perder o que já há muito não se tem.

É a construção europeia à imagem da suinicultura. Uma pocilga.

Desaumentos salariais

Uma nova moda: depois do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde pegou agora na Câmara de Elvas.

O objectivo é conseguir, a médio prazo, que os trabalhadores paguem para ocupar o seu posto de trabalho, sem fazer nenhum. Se trabalharem serão imediatamente despedidos.

Sondagem Legislativas: PSD a subir, PS a cair, BE a levantar, CDU e CDS a dormir

Se houvesse hoje eleições legislativas os resultados, segundo o Diário de Notícias, dariam vantagem ao PSD – 40%- sobre o PS – 26%. O BE duplicaria o seu número de votos relativamente às sondagens anteriores- 12%-, a CDU e o CDS disputariam a liga dos últimos com 8 e 7% respetivamente.

“Ora agora governo eu, ora depois és tu, a seguir volto eu, descansas e voltas tu, desta vez a crise é minha, a seguir será a tua, eu terei mais uma ou duas e vou intervalá-las com as tuas. Virou”.

Siga a música, que os dançarinos são os mesmos.

Revolta Total

Portugal está à beira do caos. O país pode paralisar com greves e outras formas de protesto. Os portugueses estão revoltados e exigem mudanças.

Antes que seja tarde:

É chegada a hora da verdade, custe o que custar: AQUI.

O Estado-providência segundo TONY JUDT

 

Do legado do historiador e académico Tony Judt, falecido em Agosto passado, julgo oportuno, nesta hora, destacar a obra “O Século XX Esquecido”. A determinado passo da introdução, ‘O Mundo Que Perdemos”, Judt escreve:

…foi o governo do tempo de guerra de Winston Churchill que encomendou e aprovou o Relatório de William Beveridge (ele próprio um liberal), que estabeleceu os princípios de fornecimento da providência pública: princípios – e práticas – reafirmados e garantidos por todos os governos conservadores até 1979.

No parágrafo imediato, prossegue:

O Estado-providência, em suma, nasceu de um consenso transpartidário do século XX. Foi implementado, na maioria dos casos, por liberais ou conservadores que haviam entrado na vida pública muito antes de 1914, e para quem o fornecimento público de serviços médicos universais, pensões de velhice, subsídios de desemprego e doença, educação gratuita, transportes públicos subsidiados, e os outros  pré-requisitos de uma ordem civil estável, representavam não o primeiro estádio do socialismo do século XX mas o culminar do liberalismo reformista do fim do século XIX.

A dissipação do papel social do Estado, histórica e substantivamente definido por Tony Judt, é consabido, tem sido protagonizada pelos governos da Europa Ocidental, nas últimas duas décadas do século XX e primeira do século XXI – protagonismo a que se associa um processo desgovernado de globalização.

O Mundo transformou-se, com a queda natural da União Soviética. Na Europa de hoje, o equilíbrio adequado entre a iniciativa privada e o interesse público define-se ainda sobre uma linha muito ténue e amovível segundo os interesses de poderosos. A ‘economia (desregulada) do mercado’ e o avassalador domínio do ‘sistema financeiro internacional’ geraram a dinâmica da calamidade social denunciada há dias em Oslo pelo director-geral do FMI, Strauss-Khan. [Read more…]