
A culpa, obviamente, é dos cegos gregos. Pedro Correia dixit!
Supõe-se que, na Irlanda, a culpa seja dos bebedores de Guiness e que em Portugal a culpa seja de quem anda a votar há mais de 30 anos no Bloco Central.
O Barclays e os outros Bancos? Não, esses nada têm a ver com o assunto.
Estão descobertos os culpados da crise da dívida soberana e do Euro
A Crise Económica em Portugal
Milhões de portugueses estão a viver no limite da miséria absoluta, podendo vir a ser declarado o estado de calamidade pública. O governo já pediu apoio à comunidade internacional…
Grécia: referendar a crise, ou como constipar os mercados
O anúncio de um referendo à “ajuda” europeia parece que deixou os mercados em pânico. Pudera: a dita ajuda destinava-se aos bancos credores, perante a óbvia conclusão que austeridade dá recessão, e com recessão ninguém paga dívidas.
Não sendo fácil de entender o que está por detrás deste referendo (já agora, convém lembrar que o PS lá do sítio está no governo depois do rebentar da crise, alternando com o PSD/PP respectivo, numa demonstração óbvia de que antes ou depois os pais das crises e sua continuidade são sempre os mesmos), é sintomático que um bocadinho de democracia assuste os mercados. Os mercados preferem tratar destas coisas com uns telefonemas franco-alemães, gente de confiança, banqueiros amigos no BCE, os mercados dão-se mal com a democracia, sempre foi assim, a democracia provoca correntes de ar e eles, coitados, constipam-se. [Read more…]
Papandreou quer referendar plano
Há poucos minutos a Bloomberg noticiou que George Papandreou, primeiro ministro grego, defende que o novo empréstimo e o default controlado de 50%, terão de ser submetidos a um referendo.
Parece que as horas extraordinárias da última Quarta poderão não ter servido para nada.
Aguardam-se desenvolvimentos.
Porque não criar um novo banco?
Os nossos bancos desde o inicio que recusam aceder ao dinheiro da ajuda externa. O motivo é simples, os senhores da banca não admitem que o estado interfira nos seus negócios e isto até é compreensível, o mestre não pede conselhos ao aprendiz. Neste momento os bancos estão a fazer render o peixe de modo a obterem o dinheiro da forma mais vantajosa possível, mantendo os políticos à distância.
Entretanto temos a economia parada à mingua de crédito:
O abismo
Depois de ver na televisão e ler o artigo acerca da presença de Mário Soares na universidade de Verão do PSD, tirei algumas conclusões bem preocupantes e espero que Portugal não tombe da ponta do penhasco para o abismo.
Já disse que estamos na ponta do penhasco para cairmos de cabeça para o abismo e este sentimento leva-me a pensar que uma nova revolução não vai tardar e desta vez não vai ser com cravos e com os oculta-chamas das espingardas. Desta vez vai ser a doer. Acoitem-se, vem aí o inferno ao vivo.
Os governantes têm que assumir as suas responsabilidades nos erros que cometem. Ninguém os obriga a assumir as funções que desempenham, Não podem continuar a criar situações financeiras irresponsáveis e depois virem a obrigar pela força da Lei a pagarem as suas faltas sem termos culpa nenhuma. [Read more…]
O medo
Servem as crises para o exercício do jogo do medo pisando todos os limites. Com um milhão de desempregados pode a legislação laboral regressar 50 anos atrás que ninguém se espanta, e pode mesmo afirmar-se que o objectivo de facilitar os despedimentos é criar emprego que ninguém se ri.
Mas em contrapartida eles também têm medo. Os pirómanos da economia afligem-se com as potenciais chamas nas ruas que construíram. O discurso de Passos Coelho de hoje mistura uma narrativa desse medo com um hilariante anúncio do fim da crise, que até a Drª. Leite já explicou não ter ponta por onde se lhe pegue.
Nas crises ganha quem tiver menos medo, nos momentos decisivos. Ainda é cedo para contar gasolina e agulhetas, e nem dependemos das nossas ruas, mas das avenidas europeias. É um jogo perigoso, sobretudo quando levado ao extremo, como é o caso. Verdade se diga que vaticinei a este governo uma curta duração, e também armado em tarólogo achei que acabava na rua. Dois meses depois não me parece que seja bem assim: pode acabar mais prosaicamente por via das divisões internas da própria coligação, porque começam a ter medo das ruas: ainda ninguém saiu de casa e já se chamam os bombeiros. Em Outubro conversamos.
Os ricos que paguem a crise
A expressão que dá título a este pequeno texto está muito em voga nos dias de hoje, como sempre acontece em qualquer período de crise financeira.
Tal como a faca de dois gumes, ela dá jeito para cortar em qualquer sentido que seja útil, à Esquerda e à Direita.
Ultimamente tem sido a Direita a capitalizar – algo que lhe é naturalmente intrínseco – com a dita expressão, colocando os ricos e suas fortunas numa espécie de limbo entre o paraíso do virtuoso capital e o inferno da ruína financeira.
Nesse limbo ser rico é bom enquanto não significar que pode pagar mais. Se significar, então passa-se de rico a trabalhador, como tão bem ilustrou Américo Amorim.
Não entendo que devem ser os ricos a pagar a crise, mas, outrossim, que sejam também eles a pagar a crise. Se tem de haver esforço de todos, que ele seja proporcional às capacidades de cada um.
Depois do PREC e da visita de Olof Palm a Portugal, parece-me que se continua mais preocupado em acabar com os ricos do que acabar com os pobres.
Tenho a convicção de que um dia que se elimine a pobreza, não teremos ricos para nos preocuparmos.
Isto dá jeito, dá
Isto do pessoal se manifestar a destruir o que é dos outros é muito giro, sim senhor. E dá jeito, também. O pessoal liberta o stress e os outros pagam a conta.
Tal como aqueles que enriquecem à custa da estupidez de quem pede emprestado com juros de 20% a 30% para comprar carro, ir de férias ou fazer extensões no cabelo. Também lhes dá jeito que haja gente que se proponha a asfixiar-se financeiramente pela vaidade, pela inveja ou pela futilidade.
Como dá jeito a quem se endividou estupidamente assim, chamar nomes aos credores quando estes vêm cobrar o que é deles.
Aos governos também dá jeito aproveitar a crise provocada pelo endividamento com que eles mesmos também foram coniventes ao longo de anos, em governações alternadas – ou melhor dizendo, alternadeiras – para agora fazerem aquilo que em outras ocasiões não havia lata para fazer.
Ou seja: uns têm uma boa desculpa para destruir o que é dos outros – seria bom de ver a reacção deles se fosse gente partir o que é deles a título de protesto; outros podem impor as suas regras aos dependentes do seu produto – tal como um dealer faz a um drogado; outros podem chamar nomes a quem lhes fez as vontades, agora que cobram a factura; e outros, ainda, têm a oportunidade de deitar as garras de fora e mostrarem quais são os seus desígnios.
Apesar dos argumentos expostos pelos nossos Ricardo e JJC, para mim nada justifica que a coberto do direito de protesto se destrua propriedade alheia. Isso não é manifestão, é vandalismo.
Portugal não é uma novidade
Em Portugal, um carro incendiado é caso para espanto geral. Montras partidas por contestatários, são coisa mais própria de altercações entre regateiras que objecto de contendas políticas. Barricadas surgem uma vez por século, assim como as invasões de propriedade alheia, as vinganças físicas sobre opositores políticos e outros ademanes bem típicos de outras paragens. “Isto” não é a França, país velho mas numa eterna puberdade.
Há uns vinte e cinco anos, chegava a Lisboa uma esquadra da NATO. Os seus marujos tinham deixado um rasto de destruição noutros portos do norte da Europa e aqui atracando as suas naves, despreocupadamente desembarcaram com a intenção de realizarem as mesmas façanhas depredadoras. As unidades portugueses da RM Lisboa estavam de prevenção e o meu irmão reuniu os efectivos do quartel do Vale do Forno, encaminhando-os para a zona do Cais Sodré. A lição foi fulminante e magistral. Os hospitais de Lisboa tiveram uma noite de azáfama, pois os militares estrangeiros que pretenderam uma campanha de alegre destruição nas vielas e botequins da zona ribeirinha, não foram muito longe nos intentos. No dia seguinte, um bastante indignado almirante estrangeiro, queixava-se aos seus homólogos portugueses. A resposta deverá ter sido aquela que se esperava e na verdade, não me recordo de outra noite agitada por tropelias da NATO ou de qualquer outro conviva.
Às grandes ameaças, os portugueses normalmente reagem com a calma que a ponderação dita. É esta, a enorme vantagem de um povo já considerado antigo por quase um milénio de vicissitudes e esporádicos sucessos e que tem aquela certeza do há a fazer.
“Isto” não é uma novidade como Espanhas, Itálias e muito menos ainda, Grécias. Não é.
Lixo? é o mercado, estúpidos!
A nossa dívida chegou a lixo. Custou mas foi.
Ora aqui está um belo dia para recordar aos eufóricos absolutistas do neo-liberalismo que tudo começou com os mercados, a liberdade dos mercados, a sacrossanta ditadura dos mercados.
Este artigo da wikipédia, incompleto e fraquinho, serve perfeitamente.
Não, não foi o “socialismo” (palavra que associada ao PS vale tanto como ligar PSD a social-democracia), nem o estado gastador, nem o raio que vos parta. Foi a especulação financeira, a ganância, a ditadura dos mercados sem qualquer controlo por parte dos governos que deveriam representar os povos.
Foram a Moody´s e restantes agências pagas por nós a preço de ouro, que não quiseram chamar lixo ao lixo, e agora inventam lixo onde nem o há com a única e obsessiva ideia de aumentar taxas de juro, logo os lucros do sistema financeiro, em particular dos bancos que tentam recuperar dos seus disparates de 2008-2009.
O resto é conversa, tal como o novo governo a fazer de coitadinho. Conversa de merda, que nem de treta merece o nome.
Como alcançar rapidamente o estado de desgraça
Foi fácil: governar para os bancos, as grandes empresas e os donos da Europa. Verdade se diga que sem subterfúgios e mentiras, como fez o governo anterior.
Privatizar o que dá lucro, colocar as relações laborais ao nível da China (nalguns aspectos para pior), assaltar os ordenados (directa e indirectamente via IVA e IRS) e fazê-lo com o ar mais sério deste mundo, como se realmente se estivesse a combater a crise. Restaurar a caridadezinha,
Conhecendo um pouco do modo de funcionar português, para já isto passa. Depois virá a contestação institucional, sindicalizada, o pessoal fará umas grandes manifes, com piquenique, e voltará para casa animado.
E lá para o Outono / Inverno, nessa altura estarão a renegociar a dívida, é claro, porque até lá cada vez menos impostos serão cobrados; chegará a outra, a revolta espontânea, à revelia dos sindicatos e partidos. É disso que eles têm medo, vários comentadores de direita avisadamente o vão repetindo, e será isso que lhes cairá em cima.
Tenham medo, muito medo.
Uma questão de carga
Entre as intenções de medidas anunciadas pelo Governo, encontra-se a agilização do despejo em sede de arrendamento quando não é paga a renda.
É importante dar garantias a quem investir para arrendar que no caso de não receber a renda, pode pôr o caloteiro no olho da rua em tempo útil e razoável. Bem como promover a requalificação no nosso imobiliário tantas vezes degradado e devoluto, o que importa investimento em obras. Estas duas vias poderão ajudar, e muito, o alívio da profunda crise porque passa o sector da construção civil, segurando-se muitos postos de trabalho cada vez mais preciosos. Principalmente face à crescente dificuldade de crédito para compra de imóvel.
Lamentável é que sempre que se queira dar celeridade aos expedientes, a via seja a de se retirar as matérias da alçada dos tribunais. Ou seja da Justiça. Não se põe os tribunais a operar segundo novos modelos – ou como é moda dizer-se, novos paradigmas – procedimentais mais céleres e eficazes. Antes retira-se dos tribunais as matérias até então aí tratadas, sendo que aquelas que por lá permanecem, continuam no mesmo ritmo brando.
Isto é como transportar coisas de burro: diminui-se o peso das costas do burro, mas continua-se a usar burro.
Mil Milhões para os Bancos
Os bancos já têm garantidos mil milhões até ao fim do mês. Se os políticos que temos estivessem interessados em ter uma campanha eleitoral para informar os cidadãos, então este seria seguramente um dos pontos em discussão – dadas as circunstâncias, talvez o único ponto em discussão. Em vez disso perderam-se em agitar bandeirinhas, pequenos insultos, chicanas políticas e outros jogos de crianças, tratando o cidadão eleitor como débil mental. O PS/D + PP tentou a todo o custo iludir esta questão. Afinal que interessa para umas eleições a política económica e social dos próximos anos? – Para os políticos, absolutamente nada.
Assim, porquê tanta pressa em disponibilizar o dinheiro aos bancos? – que ainda há pouco diziam estar perfeitamente capitalizados. – O motivo é simples, os bancos portugueses estão falidos, e não sou eu quem o diz, é o próprio governo. Se lerem o Memorando de Políticas Económicas e Financeiras, ontem divulgado pelo FMI, mas que já era do conhecimento público há muito tempo, poderão ler:
solidariedade

Bem queria eu aditar música a este ensaio, mas a máquina que uso não o permite. Pelo que experimento.
Experimento para agradecer o grande número de pessoas que me têm apoiado na escrita informática, especialmente a empresa que colabora comigo, que não vou referir por causa de propaganda, de todos eles, não resisto agradecer a quem tem a paciência de aparecer na minha casa para tratar das avarias que vão acontecendo no meu computador, Ricardo Fernandes. Como essa doce senhora que acompanha estes dissabores e ri às gargalhadas com os meus acidentes informáticos, por pura simpatia e solidariedade, como Carlos Loures, escritor e editor das minhas obras e que se ofereceu, enquanto o meu computador é tratado, a ser o meu correio e a publicar os meus textos no nosso Estrolabio e Aventar.
no pasa nada
Dia estranho, o de hoje. Aparentemente não aconteceu nada. Que se estará a preparar?
as felonias dos nossos governantes soberanos

Bem sei que escrevi um ensaio como este, tempos virados. As felonias eram e são as mesmas, pelo que pensei que era bom refrescar a memória. Aliás, nestes tempos, estamps a viver uma quase guerra cívica, pelo debate político que esqueceu a economia do país e, como tenho dito antes, apenas ficamos com a Virgem de Fátima e o Beato Wojtila.
Reconheço ter escrito um texto semelhante, anos virados. Tempos passados de forma cronológica, têm piorado a nossa situação. Temos tornado a ser um povo pobre e sem meios por causa da atitudes da luta política travada que faz esquecer a produção, o lucro, a mais-valia. Enfim, a economia da República.
Não me é fácil escrever estas palavras, menos ainda a palavra felonia, de amplo significado: Rebelião (de vassalo para com o seu senhor), traição, crueldade. Também não me é fácil adjudicar estes adjectivos às pessoas que nos governam, no melhor
No Ultimatum…
Nada perdemos com o Ultimatum. Nada. Todo aquele imenso território reivindicado pela demagogia que já imperava no palácio de S. Bento e no apêndice que era a Sociedade de Geografia de Lisboa, consistia numa reivindicação de vaidades. Nada mais.
O que agora temos sofrido, é bastante mais grave. Um alemão e um dinamarquês saem do seu hotel, passeiam-se Avenida da Liberdade abaixo e chegando ao Ministério das Finanças ou ao Banco de Portugal, querem ver livros de contas,, projecções de dados e contratos. Como se de fiscais das Finanças se tratassem, muito bem esmiuçam a contabilidade de uma empresa de duvidosa reputação. São hoje, os verdadeiros tutores de Portugal, agindo por conta de não se sabe bem de quem e do quê.
Um Presidente checo de apelido alemão, zomba abertamente do Sr. Cavaco Silva e isto, na visita oficial que este último realizou a Praga. Um anafado comissariozinho europeu de oleoso nome, escarnece abertamente do ainda Presidente da ainda República Portuguesa. Um Presidente de uma Comissão que age por iincumbência de um certo governo, rosna e ameaça, sendo ele um dos muitos responsáveis pela situação. Franzindo o sobrolho e bem carrancudo, “aconselha”, porque senão…
Quase nos arriscamos a afirmar que se num ímpeto magnífico, um grupo de militares esta noite hasteasse a Bandeira azul e branca em Belém, S. Bento, C.M.L e Castelo de S. Jorge, amanhã teríamos um feriado de arromba, com milhões de jubilosos desfilando nas ruas. Cientes dos sacrifícios que se avizinham, pelo menos não teriam de suportar as carantonhas dos algozes de longos anos.
a descontinuidade entre a oralidade e a escrita na aprendizagem
CPE Bach. Cello Concerto
A DESCONTINUIDADE ENTRE A ESCRITA E A ORALIDADE NA APRENDIZAGEM *
Raúl Iturra
1. O OBJECTO DO PROCESSO EDUCATIVO
a) O Problema
Dizia já Durkheim (1922) que educar envolvia uma geração de adultos que sabe, outra de jovens que aprende e um processo entre eles. É este processo que é problemático: os conteúdos e as formas em que acontece definem-se conforme conjunturas que dão os limites do que se ensina e como se ensina. As variadas formas de ensinar que acontecem de cultura para cultura., bem corno dentro de uma sociedade em épocas históricas diferentes, são urna prova da proposta anterior. Mas, talvez, o que é variável no processo educativo é o seu próprio objecto e o entendimento dele por parte de geração de adultos e da geração de jovens. Uma sociedade jamais é homogénea, embora o processo educativo tenha por objectivo homogeneizar em algumas delas; as sociedades, pode talvez dizer-se, pensam que numa altura da vida dos seus jovens podem pô-los todos no mesmo nível do saber, enquanto noutras especializam-nos segundo as funções que definem o sistema classificatório das pessoas. [Read more…]
Crise no churrasco
Cena 1. Quatro conhecidos passeim-se à beira Tejo, gozando os raios de um Sol que há muito tardava. Um deles generosamente convida os demais para uma patuscada num rodízio, mas um dos sortudos (1) declara ter imperiosamente de ir a casa antes do jantar.
Cena 2. Enquanto os outros esperavam no carro, o tal foi a casa e uns dois ou três minutos depois, regressou com uma mochila. Ninguém percebeu o porquê do saco, mas não se colocou qualquer questão. [Read more…]
Relectir sobre o país
Um minuto de silêncio para reflectir sobre o que correu mal…
… … … …
… … … …
Já está? Ok, vamos lá fazer essa campanha e ganhar votos. Não se esqueçam de dizer que somos os maiores. Os erros, já sabem, são dos outros. Nós somos os bons.
O pedido de ajuda é já a seguir
As dúvidas eram poucas. Agora estamos no limiar da certeza, dependente apenas da teimosia de certas pessoas. Vocês sabem de quem estou a falar.
Portugal vai mesmo ter de pedir ajuda financeira urgente. O líder parlamentar do PS admite isso mesmo em caso de emergência e este é um caso de emergência há muito tempo. O presidente do BES está alarmado e pede urgência nesse pedido. E ainda sou do tempo em que Ricardo Salgado dizia que não era precisa ajuda. Ah, espera aí, isso foi na semana passada. Tanto tempo…
Afinal, com ou sem ajuda de emergência da União Europeia e do FMI, seremos sempre nós a pagar a conta. E como é uma questão de tempo, quanto mais depressa melhor.
Meu caro amigo, a coisa aqui está preta
Não vale a pena esconder. Estes são tempos difíceis e de trevas, na economia e na sociedade. Portugal passa, provavelmente, pelo mais complicado período da história do pós-25 de Abril. Por falar nisso, façamos um pequeno regresso ao passado. Vamos até 1976.
O artista brasileiro Augusto Boal (1931 – 2009) mora em Lisboa, exilado, em fuga de uma ditadura repressora. Por Lisboa há-de ficar dois anos, antes de rumar a Paris, num percurso que começou em 1971, depois da prisão e tortura, forçando-o a fugir para a Argentina, e que só terminará em 1986.
Na capital portuguesa recebe um dia uma carta em forma de disco. No vinil negro, Chico Buarque tinha ‘escrito’ o momento que o Brasil estava a viver. Dias em que em é preciso “pirueta pra cavar o ganha-pão”, num povo que “vai cavando só de birra, só de sarro”.
Regressemos a 2011. Por estes dias, o inverso. Um qualquer Chico português pode enviar uma carta, um email, um disco, um ficheiro MP3 a um qualquer Augusto no Brasil.
Com muito ligeiras alterações (tanto mais que a Marieta já não é a mulher do Chico), a letra adequa-se na perfeição a estes nossos dias de portugueses às escuras.
Islândia: O país da caixinha para a moeda
Agosto de 2009: duas semanas de férias na Islândia! Foi assim que conheci o país. Ou melhor, que o visitei pois, como todos sabemos, não é em duas semanas que se fica a conhecer um país, por mais pequeno que seja, e muito menos em “contexto férias”.
Ainda assim, esse período bastou para dar uma volta completa à ilha, com o vagar que as pequenas distâncias permitem e a facilidade de orientação geográfica assegurada pelo facto de ter optado por percorrer a única estrada integralmente asfaltada do país. Uma enorme vantagem para quem, como eu, não nasceu com GPS incorporado.
Apesar de tranquilas ou, se calhar, precisamente por isso, foram duas semanas intensas, ricas em sensações fortes.
Desde deslumbramento perante paisagens belíssimas: fiordes, glaciares, quedas de água, montanhas imponentes, enormes extensões de verde, intercaladas por rebanhos de ovelhas, cavalos islandeses, casas de madeira com telhados cobertos de turfa.
O que se poderá presumir de uma nação que não tem exército…?
De uma nação cujas forças policiais não andam armadas…?
Até um enorme respeito pela terra que pisamos, conscientes da poderosa actividade vulcânica e geotérmica que se desenrola debaixo dos nossos pés – em alguns locais, a menos de 100 metros de profundidade! – e cujas manifestações se vêem, sentem e cheiram (aprendi que o enxofre cheira a ovos podres!) por todo o lado, em crateras de vulcões extintos e activos, campos de lava, fontes termais, geisers e fumarolas, que nos recordam constantemente o nosso verdadeiro lugar no planeta.
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Islândia, as crises não são solteiras
Em breve no Aventar, os factos, as opiniões: afinal o que se passa na Islândia?
Sempre a crise
Que me lembre, neste país sempre se viveu com crise.
Fosse crise económica, crise financeira, crise na Justiça, crise na Saúde, crise na Educação, crise na Agricultura, crise nas Pescas, crise de valores, etc.
Não deve ter havido Governo em que não se falasse de algum tipo de crise.
A mais badalada, no entanto, foi sempre a clássica crise política, sempre de olhos postos na preciosa estabilidade política com que tudo se faz e que sem a qual nada se consegue.
Hoje vivemos mais uma dessas crises políticas, bradando-se pela mudança de Governo.
Acontece que mudar por mudar é o que se tem feito há anos e o resultado está à vista: o nosso país chegou ao ponto que chegou por causa de erros que se acumulam e se repetem, de Governo para Governo.
O problema deste país não é tão só este Governo de agora ou José Sócrates. O problema é a sucessiva repetição de erros por Governos diversos, seja por acção seja por omissão. [Read more…]













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