Indiferente às notícias, ignorando que eram os seus últimos dias, cumpria o programa habitual
Faltam 429 dias para o Fim do Mundo
…e continua a divulgação da manifestação Pela Liberdade. Enquanto isso, a imprensa não se cala com o processo Face Oculta, com ambos os lados da barricada a esgrimir argumentos. Agora, comparar o nosso primeiro com Berlusconi e Chávez não lembra a ninguém. Excepto ao Sarmento (hei, malta, olhem para mim, eu estou aqui, allô directas) que teve o descaramento de insultar estas grandes figuras internacionais e exemplos de defesa intransigente da Liberdade de Imprensa. Que maldade!
Por falar em maldade: a ERC está a pensar chamar o PM!!!
Por último, hoje é dia de bola na segunda circular e se uns se calam outros falam pelos cotovelos.
Vergonha, precisa-se
As revelações feitas acerca das escutas no processo “Face oculta”, na esteira do que vem acontecendo há anos acerca de condutas impróprias do Primeiro-Ministro, demonstram o pântano de que falava Guterres.
Para mim não está em causa a ilegalidade de certas escutas, nem a obrigação de as destruir. O que está em causa é que, uma vez publicadas, as mesmas não foram postas em causa por nenhum dos envolvidos, não houve nenhuma acusação de adulteração, de falsificação ou do que fosse. Nada. Apenas a crítica e a indignação em se revelar o que deveria, em parte, estar destruído.
Juridicamente não concordo com a divulgação de escutas declaradas nulas (e atente-se que parte das escutas transcritas não se reportam ao Primeiro-Ministro).
Como cidadão e republicano, entristece-me constatar que esta realidade governativa que as transcrições das escutas revelam, é apenas a deprimente radiografia da minha pátria.
Pelo silêncio nesta sede – ninguém ousar pôr em questão a veracidade das transcrições -, só se pode concluir que aquilo que lá está é verdade, e isso é do mais vergonhoso. E que num qualquer país, verdadeiramente civilizado, levaria à demissão do Chefe de Governo, por iniciativa própria ou por iniciativa presidencial.
Não teremos nenhuma das duas, como é evidente, porque não existe mais uma réstia de vergonha que seja.
Até mesmo porque à Oposição, em geral, não interessa perder um alvo fácil de corrosão política, e o PSD, em particular, não tem qualquer solidez para se confrontar seriamente com o PS.
Já Cavaco Silva, tem uma grande oportunidade para assegurar o segundo mandato: forçar o PS a apresentar um candidato (que não é difícil de sustentar, dadas as diversas reacções alérgicas que a disponibilidade de Manuel Alegre cedo provocou) para, com Manuel Alegre – que teve mais uma inábil estratégia de arranque de candidatura, agora ao aparecer colado ao Bloco de Esquerda –, dividir a Esquerda e ganhar à primeira volta. Depois é só deixar o PSD arrumar a casa e encontrar um líder com um mínimo de substância, e fazer cair o Governo no momento certo – ou seja, a mesma estratégia de Jorge Sampaio que abriu as portas do poder ao PS -, e José Sócrates poderá ainda sair de um pesadelo governativo como pobre vítima.
Tudo será mais um jogo, onde a vergonha é retórica, não é regra.
Face ao teor das transcrições – influências e perversões institucionais e partidárias, carreiras meteóricas, salários principescos, tráficos, manipulações, etc. -, pergunto-me onde está, efectivamente, a moral da sociedade em perseguir e condenar um carteirista?
A República precisa, urgentemente, de vergonha. E só a vamos conseguir quando se conseguir afastar dela quem a não tem.
A Luta Continua!
No dia em que uma grande maioria de blogs em Portugal avança para o primeiro round da batalha por um outro governo (a próxima terá de ser na Praça da Liberdade no Porto!), ficamos a saber que o caso Face Oculta continua a espantar-nos. E que o Mário Crespo continua na crista da onda. Isso e o PSD a preparar-se para preparar o futuro já em Março. O tempo urge.
A Luta Continua!
http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/zq6FUqclYvbtDCYAIZty/mov/1
«O Zeinal já arranjou maneira de, não dizendo que não ao Sócrates, fazer a operação de forma que ele nunca aparece. Vão passar uns fundos para Londres.»
ALGUMAS DAS ESCUTAS DA «FACE OCULTA», REVELADAS PELO «SOL» NA ÚLTIMA EDIÇÃO
– «Esta operação era para tomar conta da TVI e limpar o gajo» (Armando Vara, aquando do primeiro falhanço do negócio de compra da PT)
– [Pede-lhe] «para marcar a reunião para a semana, conforme combinado» (Rui Pedro Soares, administrador executivo da PT, em conversa com Paulo Penedos, pedindo para marcar reunião com Manuel Polanco, da PRISA).
– «Ela, Manuela Moura Guedes, vai ser anunciado já que vai sair – vai para o entertenimento. Ele deve ser muito bom porque os espanhóis querem fazer a transição com tranquilidade. O que ele não sabe é que já não estão a pedir a cabeça dele.» (Paulo Penedos para pessoa não identificada)
– O Zeinal já arranjou maneira de, não dizendo que não ao Sócrates, fazer a operação de forma que ele nunca aparece. (…) Vão passar uns fundos para Londres.» (Paulo Penedos para Américo Thomatti, quadro da PT e presidente executivo do Tagus Park)
«No dia 29 de Maio, Rui Pedro Soares diz que esteve «com o Júdice» [José Miguel Júdice], que pensou outra solução».
«Inventou-se uma solução de antologia: Compram activos em baixo, o que permite que a PT, directamente, possa comprar a internet e a produtora de novelas, e que outras entidades mais inócuas vão comprar 30% da televisão.» (Rui Pedro Soares com Paulo Penedos)
– «Vão comprar 30% por 90 milhões e era importante que o João Carlos [João Carlos Silva, ex-presidente da RTP nomeado por Vara] conseguisse, pelo menos, uma participação de 9 milhões. Em dinheiro seriam 3 milhões no máximo.» (Rui Pedro Spares para Paulo Penedos)
– «Vai haver alterações imprevisíveis na comunicação social, que vai deixar de ser controlada [daí a dois dias] por Moniz e Manuela.» (Paulo Penedos para um tal de Luis, 17 de Junho)
As escutas do «Sol» de que ninguém fala (I)
«O Zeinal já arranjou maneira de, não dizendo que não ao Sócrates, fazer a operação de forma que ele nunca aparece»
Há coisas que me irritam muito no jornalismo português e na sua falta de profissionalismo. Uma delas é quando os jornais desatam a transcrever uma qualquer notícia recebida via Lusa. E de repente, temos todos os jornais exactamente com a mesma notícia. Quer dizer: ninguém se deu ao trabalho de ler a notícia, investigar, acrescentar algo. Pegaram nela, copiaram e colaram.
Com as escutas que o «Sol» começou a publicar na sexta-feira, aconteceu o mesmo. Em todo o lado, apareceu o excerto que o semanário publica na capa: ««Das conversações entre Paulo Penedos e Armando Vara resultaram indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, visando o controlo da estação de televisão TVI e o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes e do seu marido, José Eduardo Moniz, para controlar o teor das notícias.»
E ninguém mais, pelo que vejo, se preocupou com as escutas propriamente ditas, meia dúzia delas que aparece em seis páginas de reportagem do jornal. Aqui vão algumas pérolas que dão uma pequena imagem de tudo o que vem por aí (e que, de certo modo, no editorial desta edição, António José Saraiva dá a entender, quando fala dos últimos dias de Sócrates):
– «Esta operação era para tomar conta da TVI e limpar o gajo» (Armando Vara, aquando do primeiro falhanço do negócio de compra da PT)
– [Pede-lhe] «para marcar a reunião para a semana, conforme combinado» (Rui Pedro Soares, administrador executivo da PT, em conversa com Paulo Penedos, pedindo para marcar reunião com Manuel Polanco, da PRISA).
– «Ela, Manuela Moura Guedes, vai ser anunciado já que vai sair – vai para o entertenimento. Ele deve ser muito bom porque os espanhóis querem fazer a transição com tranquilidade. O que ele não sabe é que já não estão a pedir a cabeça dele.» (Paulo Penedos para pessoa não identificada)
– O Zeinal já arranjou maneira de, não dizendo que não ao Sócrates, fazer a operação de forma que ele nunca aparece. (…) Vão passar uns fundos para Londres.» (Paulo Penedos para Américo Thomatti, quadro da PT e presidente executivo do Tagus Park) [Read more…]
Destra Sinistra, 7.02.10
Uns gostam. Outros não. Mas a verdade verdadinha é que a blogosfera nacional é o último reduto da Liberdade de Expressão em Portugal. Não acreditam? Então façam o favor de ler estes links que vos deixo esta semana:
Logo de entrada, o Rodrigo Moita de Deus coloca o dedo na ferida, no 31 da Armada.
Logo a seguir, com entrada de carrinho e a pés juntos, o Tiago Mota Saraiva deixa o aviso no 5Dias.
E o Miguel não lhe fica atrás na Devida Comédia.
O Diabo está nos detalhes e no Albergue como se pode verificar ao ler a posta do Pedro Múrias.
Já a Helena Matos não é de modas e chega-lhes forte e feio no Blasfémias.
Mas a Ana Craveiro ilustra a situação em verdadeiro Delito de Opinião.
Por fim, o Filipe Abrantes finta tudo e todos e remata ao ângulo superior esquerdo de forma Insurgente.
Faltam 431 dias para o Fim do Mundo:
Organizar uma revista de imprensa ao Domingo não é pêra doce. Boa parte das notícias é como o arroz do dia anterior, requentadas.
O futebol domina e a tragédia de Cardozo poderia servir para um remake do filme: A Angústia do Guarda-redes na Hora do penalti só alterando para a angústia do atacante. E como o futebol é o ópio do Povo, o Euro 2012 marca a agenda com outro tipo de ânsias lusas: será a Dinamarca mais forte? Fica uma pergunta: será que vão gastar o mesmo em estádios que se esbanjou em 2004? O Octávio, esse, não se cala.
Porém, o Mário Crespo e o processo Face Oculta dominam a agenda mediática da política nacional. As escutas, nas suas diferentes nuances, continuam a ser escutadas por todos com a máxima atenção. Um avisa que permite. Outro nem confirma nem desmente. Todos vão rumar à AR.
Enquanto tudo isto se passa mesmo em frente dos nossos olhos, Marco António Costa (e bem) sublinha o óbvio: o actual PSD não está à altura do momento. Na minha terra define-se o actual PSD desta forma lapidar: “Nem f… nem deixa f…er”. Ou em linguagem adaptada ao convento: nem procria nem deixa procriar.
Sócrates, a comunicação social e os sapos
Um comentário de uma leitora ao texto que ontem publiquei leva-me à seguinte reflexão:
Não pretendi, nesse texto, apelar à demissão de José Sócrates porque alguém ( Moniz e Moura Guedes ) o tenha feito. Pretendi, isso sim, afirmar que alguém (quem quer que seja) não disposto a conviver com a liberdade de expressão e de imprensa não pode ser primeiro-ministro. No caso de o ser, resta-lhe deixar de sê-lo. Admito que a redacção do artigo se preste a mal-entendidos, especialmente a última frase.
O Correio da Manhã transcreve hoje os despachos do procurador Marques Vidal e do juíz António Costa Gomes, em que o primeiro afirma:
“do teor das conversações interceptadas aos alvos Paulo Penedos e Armando Vara resultam fortes indícios da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo para interferência no sector da comunicação social visando o afastamento de jornalistas incómodos e o controlo dos meios de comunicação social, nomeadamente o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes, da TVI, o afastamento do marido desta e o controlo da comunicação do grupo TVI, bem como a aquisição do jornal Público com o mesmo objectivo“
e o segundo:
“ ‘Indícios da existência de um plano em que está envolvido o Governo’
Do teor das conversações interceptadas aos alvos Paulo Penedos e Armando Vara resultam indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o senhor primeiro-ministro, visando: [Read more…]
Rapidinhas Aventar #2:
Ok, se estas escutas não são as que foram destinadas a ser destruídas, é só esperar pela próxima edição do Sol para pasmar a ler as ditas…
ETA tanta coisinha da boa…
No dia em que o Aventar faz história com a posta mais hilariante da blogosfera nacional e já que se fala de terrorismo, ficamos a saber que a ETA também gosta de Óbidos, onde tinha aquilo que todos nós desconfiávamos mas as autoridades nunca quiseram assumir: a ETA utiliza Portugal como um dos centros operacionais.
Entretanto, a polémica lei com custos idênticos ao Euromilhões desta noite, acabou aprovada. Só falta saber se o governo vai querer continuar a prolongar este momento silly da season.
Em época de lampreia, nada como o regresso dos robalos como entrada para uma jantarada saudável. Mesmo quem não gosta do abrupto JPP, terá de concordar que o homem não é gago e está carregadinho de razão – nesta matéria.
Faltam 431 dias para o Fim do Mundo
Enquanto lá fora vamos conhecendo a realidade económica nacional, nós por cá continuamos a discutir casos judiciais. Não que estes sejam menos importantes que aqueles mas a situação está a ficar negra, muito negra e a verdade é só uma:
Os nossos dirigentes máximos não são capazes de governar o país. Se isto fosse uma empresa privada e um país civilizado, já estavam todos ou em casa ou na cadeia…
Escutas de Sócrates: O juiz será louco?
«Das conversações entre Paulo Penedos e Armando Vara resultaram indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, visando o controlo da estação de televisão TVI e o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes e do seu marido, José Eduardo Moniz, para controlar o teor das notícias.»
Leiam bem por favor. Leiam bem e respondam: um juiz que não está louco escreveria um despacho destes?:
«Das conversações entre Paulo Penedos e Armando Vara resultaram indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, visando o controlo da estação de televisão TVI e o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes e do seu marido, José Eduardo Moniz, para controlar o teor das notícias.»
Já leram? Se o juiz está louco, internem-no. Se não está, façam alguma coisa. E voltem a ler isto só mais uma vez:
«Das conversações entre Paulo Penedos e Armando Vara resultaram indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, visando o controlo da estação de televisão TVI e o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes e do seu marido, José Eduardo Moniz, para controlar o teor das notícias.»
O SOL …quando nasce é para todos – II
Ora então, vamos lá ver: quantos são, quantos são?
E ainda: tentativa de condicionar o Presidente da República. Assim lido, de relance, assiste razão ao Procurador:
É destruir tudo, rapidamente e em força!
RTP Memória
Uma das grandes vantagem de ser benfiquista é poder apreciar a relevância do serviço público prestado pela RTP Memória nos últimos anos. A piada repetida até à exaustão de que era o único canal onde se podia ver as vitórias do glorioso, nunca causou em mim qualquer rebuço. A memória do passado épico é sempre bem mais confortável que a angústia de um presente penoso. Lembro-me de um sketch da Maria rueff com o taxista Zé manel, que parado na postura se entretinha a ouvir uma gravação do relato dos 3-6 de Alvalade festejando os golos como se de uma transmissão em directo se tratasse. Comigo passa-se rigorosamente o mesmo quando calha a RTP Memória transmitir num diferido de décadas qualquer jogo épico do Benfica. Festejo os golos como se nunca os tivesse visto, com a vantagem de que sei que vamos ganhar. Jogos como o de Leverkusen, o do Londres contra o Arsenal. O mais recente no Dragão, nos dois golos do Nuno Gomes. E é claro, o dos golos do César Brito no velho pardieiro das Antas.
Lídia Sousa – Transcrição das escutas Vara / Sócrates
– É pá, os meus espiões em Belém dizem que a Manela e o Bibinho andam a dormir na mesma cama para estudarem o programa da dita.
– Ó Zé, não acredito, porque o Lima, se assim fosse, já tinha contado ao Fernandes. Tambem lá disseram que ele o bibinho queria deitar fora o Lima para meter lá a Caldense, que é inexperiente mas é boa como o milho e tem experiência da Mossad e até compraram uns aparelhos para me escutarem de dia e de noite.
– Põe-te a pau, Zé, olha que o teu telefone está sob escuta apesar de ser proibido.
– Ó Vara, isso seria demais!
– Mas infelizmente é verdade e por isso eles vão ficar todos baralhados!!
Maria Monteiro: Impossível decifrar escutas
Concurso Aventar: faça a sua transcrição das escutas Vara / Sócrates

Corpo da mensagem:
V
S
V
S
V
S
V
S
Obs da PJ: foi utilizada linguagem gestual (impossível transcrever escutas)
Afinal, Terá Sido Um Bocado Mais Carote
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GODINHO, VARA E COMPANHIA
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Estes tipos são uns pândegos.
Andaram por aí a dizer que o sr Vara se vendeu por uns míseros dez mil euros, quando, até já o saberiam na altura, se adivinhava que o vice-presidente do BCP não se venderia. Pelo menos nunca por verba tão ridiculamente pequena.
Vem agora a notícia um pouco mais credível, muito embora ainda custe a crer a muita gente que se continue a falar unicamente de verbas tão escassas.
Na realidade, pensa o Ministério Público, para além dos primeiros dez mil euros, que poderiam ter servido de entrada, houve mais uma outra entrega, esta de vinte e cinco mil euros, paga durante um jantar em casa de Godinho, no Furadouro, Ovar, onde também esteve um amigo e colega fundador de Vara na Fundação para a Prevenção e Segurança Rodoviária , Lopes Bandeira, que terá recebido de igual modo, idêntica quantia.
O MP, não acredita que os termos ouvidos nas escutas telefónicas, «25 quilómetros» e «50 documentos», sejam unicamente frases de calão utilizados na banca.
Enfim, o sr Vara parece estar numa camisa com mais varas do que as que ele pode aguentar.
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Frases de ontem, muito actuais

A propósito da problemática afirmação de Artur Santos Silva, presidente da Comissão Oficial do Centenário, em que sentenciou a actual Justiça como …”pior que a do Estado Novo”, convém relembrar alguns singelos desabafos da autoria de Ramalho Ortigão:
Caracterizando o período do rotativismo como um período de “decomposição da sociedade”, ia dizendo também que …”nenhum dos dois partidos (o Progressista e o Regenerador) a si mesmo se distinguia do outro, a não ser pelo nome do respectivo chefe, politicamente diferenciado, quando muito, pela ênfase de mandar para a mesa o orçamento ou de pedir o copo de água aos contínuos” (in Dom Carlos, o Martirizado). Mais, Ortigão esclarecia que a sociedade ia sendo “lentamente, surdamente, progressivamente contaminada pela mansa e sinuosa corrupção política (…) a indisciplina geral, o progressivo rebaixamento de caracteres, a desqualificação do mérito, o descomedimento das ambições, o espírito de insubordinação, a decadência mental da imprensa, a pusilanimidade da opinião, o rareamento dos homens modelares, o abastardamento das letras, a anarquia da arte, o desgosto do trabalho, a irreligião, e, finalmente, a pavorosa inconsciência do povo”.
Congele-se a classificação de Laborinho Lúcio, Alexandra Leitão, Carlos Ferreira de Almeida e Rui Patrício!
O Supremo Tribunal de Justiça acaba de repor a legalidade, obrigando o Conselho Superior de Magistratura a atribuir uma classificação ao juiz Rui Teixeira, cuja progressão na carreira estava suspensa por causa do caso Paulo Pedroso.
Considerou o Supremo que foi uma decisão ilegal.
Agora, espero que os autores da decisão, os vogais Laborinho Lúcio (que redigiu o texto) e Alexandra Leitão, Carlos Ferreira de Almeida e Rui Patrício (sim, o advogado de José Penedos no «Face Oculta»), nomeados pelo Partido Socialista e «pais» desta medida, sejam castigados. Visto que cometeram um erro grosseiro, eles sim, devem ter uma classificação negativa no seu desempenho deste ano.
Mário Crespo:
Uns gostam, outros não. Ninguém fica indiferente. É Jornalismo. Hoje no JN (via Blasfémias):
O Chile de Sempre

Bandeira do Chile
Bem sei que sou português, por honra e louvor, apesar de ter pago a nacionalização, pelos serviços prestados a este País. Antes era britânico, antes ainda, Chileno e, por parte dos pais, Espanhol. Com mulher e filhas Britânicas, netos Britânicos e Holandeses, genros Inglês e Neerlandês. Tenho vivido, dos meus sessenta anos, quarenta fora da Pátria. Qual? O Chile, evidentemente. Poucos anos morei lá, mas lá ficaram a minha língua, as minhas memórias, a casa dos pais, grande parte da minha família. Família que hoje vai votar para eleger o próximo Presidente do Chile.
Na minha visita ao Chile de Allende, como sabemos, acabei num campo de concentração. Apenas 35 anos depois, me deixaram entrar.
Quem me dera estar aí, mas esse encarceramento lançou à fogueira da infâmia a minha imensa Biblioteca e as minhas credenciais. Votar não me é possível, ainda que quisesse.
Depois da Ditadura, a minha Pátria tornou a ser o Chile de sempre: muitos candidatos, coligações, esse suar das mãos ao torcer pelos nossos candidatos, os da Concertação Nacional, que agrupa o PS de Allende, Lagos e Bachelet, o dos antigos Presidente Frei, o primeiro a ser envenenado pela ditadura durante uma operação simples; esse Frei Montalva que não queria entregar o poder nos anos setenta do Século passado ao candidato triunfante, o Social-Democrata Materialista Histórico, Salvador Allende, mas foi pressionado pelo seu candidato, Radomiro Tomiç, candidato, que publicamente e em frente do povo, reconheceu a sua derrota e congratulou o candidato vencedor. Frei Montalva, teve de anunciar os resultados, não tinha alternativa. Poucos anos depois falecia nas mãos dos esbirros que ele apoiara. O seu Amigo de sempre, Patrício Aylwin, foi eleito, por unanimidade como Presidente do Chile, em 1990, com o apoio do seu partido, a Democracia Cristã, semelhante à de Portugal, e uma Concertação Democrata, prémio merecido por ter lutado durante 19 anos contra o Ditador, desafiou-o para um plebiscito, o «não ao Ditador» ganhou, foi-se embora de má maneira, com ameaças de outro golpe de estado, como Patrício Aylwin me contou na sua visita a Lisboa. Em poucos meses e a correr, os partidos banidos arrebitaram, embora com nomes diferentes, mas todos votaram pelo sabido triunfador, excepto os apoiantes do ditador, que já não existe – grupo conjuntural – e o mais tarde formado partido Renovação Nacional do candidato, que tudo indica ganhe as eleições de hoje, milionário industrial, por nome Sebastián Piñera, apoiado pela coligação de direita União Democrática Independente. Independente, para se diferenciar dos resquícios do partido do ditador, partido que morre lentamente e não apresenta candidato nestas eleições. O seu rival,
A pseudo transcrição das escutas Vara/Sócrates é mal esgalhada
Anda por aí uma pseudo transcrição das escutas Vara/Sócrates e é para meninos: a oralidade do texto é confrangedora, e ao que parece o que é realmente transcrito pela judiciária é-o na forma de sumário, e não o é ipsis verbis.
É tão parva que ambos os lados lançam suspeitas sobre o outro, acusando-o de ser responsável pela falsificação. Parece-me mais de lado nenhum, do lado do pateta que se masturba no anonimatozinho lá de casa, convencido de que anda a influenciar o mundo. Há orgasmos melhores pá, deixa-te disso.
Quando o telemóvel se troca

José Sócrates trocou de telemóvel no mesmo dia em que Armando Vara e outros arguidos do processo Face Oculta fizeram o mesmo, diz o semanário Sol.
O segredo de justiça quando é lá em casa ou entre amigos não conta?
Segundo o DN nas buscas a Vara foram encontrados "elementos de um processo que corre no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e que, de acordo com fontes contactadas pelo DN, deveria estar em segredo de justiça".
Já sabíamos que também conhecia decisões judiciais antes de serem proferidas.
Chamo a atenção dos legisladores socratistas para terem cuidado com o aumento das penas para o crime de violação do segredo de justiça: não se esqueçam de excluir estes casos, ou ainda tramam os amigos.













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