chama-se ditadura.
Nem com duas guerras mundiais lá vão!
De uma maneira geral, quando comentamos a actualidade, temos tendência para esquecer que essa mesma actualidade, num aparente paradoxo, não começa hoje. A História, por muito que não se repita, devia ser ouvida e lida, para que pudéssemos entender o presente e prever o futuro. [Read more…]
Diga não à ACTA
(Para ligar as legendas inicie em primeiro lugar o filme, a seguir clique no botão ‘CC’ uma vez e, depois do fundo deste botão ficar vermelho, clique outra vez e escolha o idioma na lista que aparece)
A liberdade que desfrutamos na Internet representa uma ameaça muito sensível aos poderes do nosso mundo. É por isso que assistimos todos os dias a tentativas para cercear esta liberdade, para a limitar e estrangular. O Tratado Comercial anti-Contrafacção – ACTA (Anti-Counterfeiting Trade Agreement) – não é mais do que outra destas tentativas. Informe-se neste site.
RDP e Angola – Relvas silencia vozes corajosas
O João José Cardoso já denunciou, aqui e aqui, a decisão do governo português, através do Torquemada de Tomar, Miguel Relvas, de silenciar vozes incómodas para negócios entre Portugal e Angola – o desassombro de Raquel Freire e Pedro Rosa Mendes custou-lhes o afastamento da RDP.
Conheço Angola. Sem nunca ter sido residente, obrigações profissionais levaram-me àquele país mais de uma dezena de vezes por ano. Durante duas décadas. Tenho longas histórias dos meandros dos negócios locais, grandes e pequenos, assim como de homens do poder.
Estabeleci também relações de amizade com angolanos honestos que, hoje como ontem, não puderam ou quiseram enveredar por negócios espúrios, geradores de fortunas tão céleres quanto ilegítimas. Esses amigos, no fundo, são gente sensível à pobreza extrema de milhares e milhares de compatriotas – crianças, mulheres, idosos e jovens estropiados da guerra. Uma multidão de vítimas ainda submetidas a vidas bem duras em ‘musseques’, lá para os lados de Viana e de outras zonas afastadas da ‘sala de visitas’ que é a renovada baixa luandense.
O jornalista Rafael Marques, citado por Pedro Rosa Mendes, é este homem. Em finais do último ano, teve a coragem de fazer uma queixa-crime contra diversos generais angolanos: o poderoso ‘Kopelika’, Vaal da Silva, Armando Cruz Neto, Adriano Mckenzie e os reservistas João Matos, Luís Faceira e António Faceira. França Ndalu (além do mais, representante da De Beers em Angola) também foi citado. O processo inclui crimes de assassinato e mutilações.
A Guerra contra o Irão já começou

A luta pelo controlo dos recursos energéticos não pode parar. É por isso que a Europa faz a ameaça pueril de cortar as importações de petróleo do Irão (fundamentalmente por pressão do eixo EUA/UK). A ameaça da Europa poderia chegar a ser cómica, não estivessem em jogo a vida de milhões de pessoas.
Um pequeno grande gesto:
O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, cometeu erros durante este seu primeiro mandato? Cometeu.
Obama falhou a algumas das suas promessas? Falhou.
A esperança que tantos milhões de americanos, e centenas de milhões por todo o planeta, nele depositaram ficou um pouco abalada nestes anos de presidência? Certamente.
Barack Obama não veio directamente do Olimpo, é um comum mortal, um homem e, como tal, um ser imperfeito. O seu capital de esperança, a mudança que ele significou pode ter hoje um significado um pouco menor, pode. Admito. Mas, Obama é mesmo especial. Não o digo apenas por aquilo que se pode ver na fotografia que ilustra este post. Mas também.
Obama é mais do que “O Presidente dos EUA”. É muito mais do que isso. É por isso que vai ser reeleito. É por isso, tal como Lula, que vai deixar saudade em todos os Homens de boa vontade.
E isso vê-se, sente-se nestes pequenos gestos. Detalhes, dirão alguns. Pois. O Diabo está nos detalhes? O verdadeiro ser humano, também.
(igualmente publicado AQUI)
A extorsão (1): o novo presidente do “Parlamento” Europeu
O novo presidente do Parlamento Europeu, evoca os acontecimentos de há duzentos anos para caracterizar uma Europa padronizada sob um rolo compressor e ao arrepio da vontade dos seus povos. Este é um caso de uma antiguidade bem recente, recordando-nos todos dos tristes episódios dos referendos “até que sim”, das pressões chantagistas utilizando o eterno argumento monetário e as ameaças cada vez menos veladas, consagradas através de telefonemas exigindo a expulsão de primeiros ministros eleitos democraticamente. Esta é a Europa do Directório Continental de corte bonapartista, sempre lesiva e de uma extrema ameaça aos interesses de Portugal e da sua existência como Estado independente e de pleno Direito internacional. O pior de tudo, consiste no insistir da propaganda mentirosa e abusiva das “inevitabilidades” que cavam ainda mais fundo, se é que isto é possível, o caviloso buraco de extorsão em que nos precipitámos. Sem qualquer menosprezo relativamente a húngaros, checos, letões, romenos, suecos, dinamarqueses, holandeses e quase todos os outros compagnons de route comunautaire, a rápida leitura da nossa história e a presença cultural de facto no mundo, possibilitam-nos a alternativa que todos sabem existir mas alguns teimam em alijar como coisa sem préstimo. Esta teimosia apenas tem um móbil: o interesse pessoal dos membros da oligarquia e do seu nefasto e prescindível Euro.
Pois aqui vos deixamos esta inabalável certeza, velha de séculos: não há outro caminho senão olharmos para Sul e para o Oriente. Nenhum outro.
Pandas
Em 1998 após um referendo , e pela primeira vez desde o inicio do Sec. XVIII , a Escócia voltou a ter um Parlamento . Foram logo estabelecidas as regras para as futuras eleições de maneira a impedir que qualquer partido obtivesse uma maioria absoluta , pensando sobretudo no Scottish National Party (SNP) que , para os defensores da União , vinha aumentando de popularidade de forma preocupante .
Porém em Maio de 2011 , e sob a liderança de Alex Salmond , para muitos o mais brilhante , sagaz e astuto politico do ainda Reino Unido , o SNP obteve uma retumbante vitória e a tal julgada impossível maioria . E fê-lo prometendo ao eleitorado referendar a independência da Escócia , quase certamente em Junho de 2014 . A escolha da data é tudo menos inocente , pois será nessa altura que se comemoram os 700 anos da famosa batalha de Bannockburn e a vitória do pequeno exército Escocês , comandado por Robert the Bruce , Rei da Escócia , sobre uma muito mais poderosa força Inglesa .
É verdade que o First-Minister Salmond propunha que nesse futuro referendo constassem além do Sim ou Não à independência , uma terceira alternativa que seria algo de intermédio , uma “devolução máxima” dos poderes do Parlamento de Westminster ao Parlamento de Holyrood ; tudo suficientemente vago que permitisse negociar e negociando manter a integridade do Reino Unido . [Read more…]
A ancestral e monumental mentira
O ateísmo é uma mundividência filosófica, ética e livre, perfeitamente legítima. Não é uma crença nem coisa que para lá caminhe. O ateísmo é uma forma de vida e de pensamento que decorre do desenvolvimento da razão, da inteligência, do conhecimento e da ciência cada vez mais difícil de contestar. Estas as maiores riquezas do ser humano. O ateísmo não é uma verdade absoluta, não é um radicalismo preso às malhas da incoerência, é uma postura mental desenvolvida na verdade científica, uma verdade como qualquer outra, e, como tal, legítima e respeitável. [Read more…]
A Ditadura de Pinochet
Leio no Público de hoje que o Presidente Piñera quer fazer aprovar um novo regulamento para eliminar a palavra «ditadura» das referências ao período entre 1973 e 1990 ( governo de Pinochet) e substituí-la por «regime militar» nos manuais escolares.
O general com “mão de ferro” , que depôs Salvador Allende (tio da escritora Isabel Allende e pai da senadora com o mesmo nome!), instaurou “um regime de brutal repressão política”. Veio a descobrir-se o desaparecimento de mais de 3 mil pessoas e a prisão ilegal e tortura de 37 mil.
Lembrei-me imediatamente de Luis Sepúlveda, que conta em A Lâmpada de Aladino (2008), as atrocidades levadas a cabo por militares chilenos “a homens de talento” amigos do escritor, durante a ditadura de Pinochet. Vale a pena reler: ” O Siete era um jornalista chileno, desenhador talentoso além de fotógrafo, a quem um militar chileno tentou decepar a mão direita (…). O militar, uma besta (…) odiava, como todos os militares, as mãos dos homens de talento. Por essa mesma razão, antes de assassinar Víctor Jara [16/9/1973], outro (…) lhe cortou as mãos, atirando-lhe depois uma guitarra para que tocasse. Também ao maravilhoso pianista argentino Miguel Ángel Estrella tentaram cortar as mãos numa prisão uruguaia, mas o querido Chango continua a tocar. (…) [O Siete ] Com sete dedos apenas, a sua paixão pelo desenho transformou-se em mais do que uma necessidade, transformou-se num desafio. Aprendeu a segurar o lápis entre o polegar e o mindinho direitos e, entre outras obras de arte, falsificou durante anos os melhores passaportes e vistos de que precisávamos para sobreviver no exílio”.
Histórias que não se podem esquecer, antes contá-las aos mais novos e reavivá-las aos mais velhos.
China: o império “comunista”-financeiro
O António Mexia, à semelhança de outros do género, vive bem e satisfeito. Com origens genético-familiares em figuras do Estado Novo, sempre revelou superiores dotes na arte de aceder, evoluir e dominar instituições e empresas que o Estado e associados lhe confiaram – do ICEP à EDP.
Anteontem com Santana Lopes, ontem com Sócrates, hoje com Passos Coelho, provavelmente amanhã com os chineses, lá vai navegando e bem à bolina nas nossas castigadas costas. Da outra parte, nós, consumidores, lá vamos perdendo e bem com despesas crescentes de gás e eletricidade – A EDP, segundo dados aqui divulgados, registava no 3.º trimestre de 2011 passivos não correntes de 21,974 mil milhões de euros; ou seja, 14% da dívida pública externa. Como se sabe, o valor não é considerado para cálculo da dívida pública. E, portanto, Mexia mexe, e de que maneira!, com os nossos bolsos. A ERSE também ajuda à romaria.
Entretanto, ao arrepio dos interesses estratégicos nacionais, a participação restante do Estado Português na EDP (21,35% do capital) foi adquirida pela gigantesca chinesa ‘Three Gorges’ – na China, sob a oligarquia do PC local tudo é gigante e esmagador. O homem das três gargantas, Cao Guangjing, saberá aproveitar-se de Mexia e, mais grave ainda, das vantagens estratégicas dos planos portugueses para desenvolvimento de energias ‘limpas e renováveis’, na Europa, América e Brasil.
O portuguesinho, o galês e o chinês
Numa sociedade em que valores como a competitividade ou o dinheiro se sobrepõem à solidariedade ou à decência, é sempre bom saber que há pessoas como Christian Bale, enorme actor já em O Império do Sol, para que possamos apreciar melhor figuras como António Mexia.
Bale tentou visitar o dissidente chinês Chen Guangcheng, tendo sido impedido de o fazer, o que só poderia acontecer num país democrático. Podem ver o vídeo mais abaixo.
Ao que parece, não existem vídeos em que possamos ver Mexia com os novos accionistas da EDP, mas, se existissem, não me espantaria vê-lo de joelhos no chão a manifestar disponibilidade para um projecto em que acredite. Entretanto, é possível ouvi-lo a elogiar a ausência de preconceitos de um governo que vende a quem der mais. É claro que ninguém se espanta por saber que a empresa chinesa pretende manter a actual equipa executiva da EDP.
É claro que há muitas afinidades entre Mexia e a China, nomeadamente no que se refere ao desejo de retirar direitos aos trabalhadores e de prescindir, o mais possível, desse incómodo chamado democracia.
Enquanto Chen Guangcheng luta para que os cidadãos do seu país usufruam de liberdade, Mexia luta para manter os seus privilégios e o seu gabinete, sem preconceitos contra as ditaduras. Ambos servem de exemplo para muita coisa, mas só o primeiro é exemplar. [Read more…]
O vanguardismo do costume
“Há 6 milhões de pessoas em risco de morrer de fome e 200 mil em campos de trabalho, diz HRW”
Não foi á toa que o PCP já se adiantou e cedo começou a distribuir condolências.
Com os meus sentidos pêsames à família enlutada
E falando de Kim Jong-il não esquecer esse eterno memorial onde se registou o homem olhando as coisas.
Os tecidos angolanos do Governo e da Justiça


Parcela importante da urdidura do actual governo é composta e tecida por artesãos de afro-tecelagem. Passos Coelho, Miguel Relvas e Paula Teixeira da Cruz – e, por exemplo, o agora menos mediático Pedro Pinto, todavia deputado – são fios de superior meada da juventude angolana de 1974.
O facto seria despiciendo, se fosse natural desfecho da vida colectiva e não reflexivo de actos conscientes ou, demos de barato, subconscientes. Em ambos os casos, nocivos para a vida do povo português. Como é evidente, a acção é protagonizada por uma elite de retornados – palavra horrível – que sobraçou indevidamente uma causa, justa em relação a muitos, mas hipocritamente usada em proveito próprio por uma minoria.
Com efeito, e sobretudo no PSD, filtrados maioritariamente pela Secção do Campo Pequeno – Lisboa, a história, se aprofundada, é em grande parte preenchida pelas investidas vigorosas e ambiciosas dos ‘filhos privilegiados da colonização e da descolonização’. Ao tempo, os ora bem sucedidos, apresentavam-se como ‘teen-agers’ travestidos do ideário social-democrata. Francisco Sá Carneiro era, então, o supremo e admirado apóstolo, sob cujo comando e doutrina se abrigaram e encobriram.
Mais palavras para quê? é o organigrama do mundo actual
No boys for the job
Contaram-me que, há dias, na televisão, um engenheiro comentava que não era possível a alguém com a sua profissão enganar-se a planear e executar uma ponte, ao contrário dos economistas que falham constantemente previsões e execuções. Quem diz economistas, diz, é claro, ministros, chanceleres ou presidentes.
Gostaria de cumprimentar daqui esse engenheiro desconhecido, por pôr em palavras melhores que as minhas aquilo que penso.
Efectivamente, se fizermos a história das previsões económicas feitas por especialistas, sobretudo nos últimos dois a três anos, encontramos uma quantidade assustadora de tiros falhados, como a sucessão de PECs da marca “agora é que vai ser o último” ou as garantias de que não haveria necessidade de cortes posteriormente inevitáveis ou a nomeação de governos europeus que iam acalmar os mercados e ainda causaram mais nervosismo, culminando nesta palhaçada de Bruxelas, em que se reuniu uma multidão de fantoches manipulados por um duende de saltos altos e por uma boneca insuflável com a sensibilidade de um SS.
Voltando à metáfora da construção civil, pergunto: os amáveis leitores mandariam construir uma casa a um empreiteiro célebre pelas derrocadas que já tivesse provocado? Vão pensando nisso, que 2015 chega num instante, com ou sem euro.
E diz ele à sua protegida…
“Vou ali falar com aqueles senhores. Quando eles vierem, tens de ter abertura e flexibilidade, ouviste? E fazes tudo o que te pedirem ou vamos ter problemas, estás a perceber? E se os senhores disserem que tens de lhes pagar, pagas e mais nada, entendeste? Fica aí, que depois falamos melhor!”
Não contem a ninguém, a Eslovénia virou à esquerda
Esse senhor aí na fotografia ganhou as eleições na Eslovénia. Percebo tanto da política interna da Eslovénia como da vida partidária do Burkina Faso, mas ontem o Le Monde anunciava Zoran Jankovic como sendo um esquerdista, hoje já é do centro-esquerda, chegar ao poder é tramado. Para todos os efeitos arrumou com o PS local que estava no poder e com a direita que deveria ter feito o alterne.
Ora bem, falo disto não só por ser uma boa notícia mas aproveitando para lhe perguntar: você sabe que o Partido Comunista do Chipre está no poder desde 2008? e lhe garantir que esta notícia não vai circular por aí. É segredo. A Eslovénia é um país pequenino, tal como o Chipre ou a Islândia, mas não convem contar estas coisas antes que as pessoas descubram que a esquerda pode ganhar eleições, a democracia prosseguir, e as velhinhas não apanharem uma injecção atrás da orelha nem as criancinhas serem papadas ao pequeno-almoço. É como o Pai Natal: se revelarmos que não existe é uma desilusão do caraças, e sabe-se lá o que pode fazer um povo desiludido. Ainda deixam de votar sempre nos mesmos e o fim do mundo é logo a seguir.
Europa: o centralismo germano-francês
O pós-2.ª Guerra e a fundação da CECA
Robert Schuman, em 9 de Maio de 1950, e tendo avisado apenas na véspera o secretário de estado dos EUA, Dean Acheson, publicitou o acordo estabelecido com a Alemanha, de Konrad Adenauer, nos seguintes termos:
O governo francês propõe que toda a produção franco-germânica de carvão e de aço seja colocada sob uma alta autoridade conjunta no quadro de uma organização que estaria também aberta à participação de outros países da Europa.
O acto, dos dois políticos democrata-cristãos, viria a dar lugar à fundação em 1951 da CECA (Comunidade Europeia do Carvão do Aço), integrando a seguir os países do Benelux e a Itália; esta, pela mão do também democrata-cristão, Alcide de Gasperi. Foram considerados os “pais da Europa”, depois transformada em CEE e hoje em União Europeia.
As remotas origens da UE tiveram, pois, motivações de ordem económica do pós-2.ª Guerra. Então, o “sistema económico” prevalecia sobre o “sistema financeiro”.
A União Europeia e a Zona Euro, na actualidade
O protagonismo, na altura, centrou-se no eixo ‘franco-alemão”, o qual, nos dias de hoje, sofreu uma inversão de carácter hierárquico; pois, em boa verdade, deve designar-se como eixo ‘germano-francês’. Temos, assim, dois grandes actores: a líder Angela Merkel, alemã, e o submisso Nicolas Sarkozy, francês.
O ciber-Robin dos Bosques estará a chegar?
Dois grupos de Hackers, Anonymous e TeaMp0isoN, criaram o OpCensorThis, e anunciam a Operação Robin dos Bosques: assaltar os bancos para devolver aos pobres.
#OpRobinHood já começou: a segurança de dois bancos terá sido quebrada.
Faltou ao PSOE a ajuda do grande comunicador
Sem uma ajuda em espanhol técnico, viu-se no que deu. E Paris tão perto…
Já agora, uma nota sobre as eleições espanholas. Ao passar os olhos nos comentários da esquerda, noto que o tom incide com frequência na suposta má escolha que os espanhóis fizeram. Se é boa ou má, não sei, já que nem sou espanhol nem tenho acompanhado a política espanhola. Mas eles lá devem saber e, mesmo que não saibam, o povo ainda é soberano. Ou só o será quando o resultado é o desejado?
Alterne espanhol
Hoje houve alterne no estado vizinho, procedendo-se à rotineira troca de moscas (pese que a mosca que estava teve alguma decência na reabilitação da memória histórica).
Além de registar os bons resultados da esquerda basca, a despeito da repressão do estado central e do facto de por vontade dos neo-falangistas nem concorrerem, e das esquerdas em geral, hoje é um bom dia para anotar a euforia da direita neo-salazarista, entretida como anda na culpabilização dos governos que estavam por uma crise que é internacional (esquecem-se sempre da Grécia, da Irlanda e da Itália, mas a verdade é uma meia que eles lá calçam à sua maneira). Deixem-nos ficar felizes com a vitória de um partido de narcotraficantes, passa-lhes num instante. Com o último dos PIIGS à beira do abismo bem depressa teremos a vizinhança ainda pior do que está e a Goldman Sachs já deve ter um substituto na forja.
O Sonho e a Europa
A Alemanha liderada por A. Merkel anda a brincar com o fogo. O fogo, neste caso, é a União Europeia. É por isso que sou levado a concordar, em boa parte, com o que afirmou Mário Soares:
Nos primórdios da nossa adesão à CEE torci o nariz. Talvez fruto da adolescência e, certamente, de muito desconhecimento da história e enorme falta de experiência de vida, aliada à natural irreverência da idade, navegava em águas de exagerado nacionalismo. O passar dos anos bastou para perceber o equívoco. A Europa “quase” sem fronteiras, a evolução das pátrias para as regiões e um maior conhecimento do passado e da realidade foram essenciais. Sem esquecer algo que considero fundamental: quanto mais “mundo” se conhece menos se gosta de fronteiras. Quem sabe se não será uma utopia mas, para mim, a Europa “continental” vai de Sagres até para lá dos Urais sem esquecer a Turquia. É essa a Europa que defendo. Uma utopia? Talvez. É a minha. E olho para ela como um primeiro passo para o fim global das fronteiras. Se os mercados são globais, podem as velhas pátrias sê-lo plenamente.
Somos a geração das redes sociais sem fronteiras. Somos a civilização que acompanha, a par e passo, a eleição de Obama como se fossem as nossas eleições presidenciais. Somos o planeta que pára para ver a final do campeonato do Mundo de Futebol ou o atentado terrorista nas Torres Gémeas. Somos os filhos do Live Aid, os netos dos jeans e, sobretudo, os herdeiros da Democracia, da Liberdade de Expressão e da Igualdade entre os Povos. Nós somos, todos e em toda a parte, o resultado das aventuras e desventuras do filho de Laertes.
Com Monti no governo italiano, a música será outra?
Dançar com(o) os gregos
Em vez de estarmos preocupados em não sermos como os gregos, deveríamos estar mais preocupados em ser europeus, ou seja, solidários, evoluídos, civilizados, enfim, democratas, aprender a dançar sem pisar os pés do parceiro.















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