Escolas de Primeira e de Segunda

Um texto do Paulo Prudêncio.

Falta de professores ou a vida dos milionários

Esta chamada está na primeira página do Expresso de hoje e é suficiente para se perceber que deixar os mercados à solta serve para encarecer bens de primeira necessidade como a habitação, que a única política educativa do país consiste em poupar dinheiro à custa dos alunos e que os professores contratados vivem, na verdade, com salários tão miseráveis que não podem pagar alojamentos a preços ditados pelos mercados à solta (aproveitamos para lembrar que os professores não recebem subsídios de deslocação ou de alojamento, ao contrário dos deputados, por exemplo).

Com uma Assembleia da República submetida ao Partido alegadamente Socialista, estas situações irão continuar, porque o PSD, o CDS, o FMI e o que resta da União Europeia não querem saber. Os partidos de esquerda pouco fizeram durante quatro anos e estão dispensados por António Costa. De resto, a maioria dos cidadãos portugueses também não quer saber. Por outro lado, os sindicatos não se sentem lá muito bem.

A verdade sobre os salários e a carreira dos professores

O Paulo Guinote explica. Só não sabe quem não quiser saber: O salário dos professores: fact-checking

Uma espécie de balanço: vitórias do Ministério, derrotas da Educação

Agora que estamos a chegar ao fim de mais uma legislatura, fica aqui uma espécie de balanço da actividade desenvolvida pela actual equipa do Ministério da Educação. Vai em forma de lista, tudo muito simples e muito longe de esgotar o assunto.

O Ministério da Educação conseguiu

  • manter o congelamento salarial dos professores devido ao roubo dos anos de serviço;
  • reforçar a impossibilidade de progressão na carreira para a maioria dos professores, devido a uma falsa avaliação do desempenho;

  • não contribuir para a renovação da classe docente, preparando um futuro em que, tal como já aconteceu, o sistema será obrigado a recrutar pessoas sem formação para leccionar;

  • não reavivar a formação contínua, limitada a acções de doutrinamento, ao mesmo tempo que dificulta a actualização científica dos docentes, o que, de resto, é natural, porque o conhecimento científico é uma variável desprezada;

  • inundar as escolas de medidas novas espampanantes e vazias, cheias de nomes inatacáveis como flexibilidade e inclusão;

  • não resolver o problema da oferta de disciplinas de opções, ao manter a obrigatoriedade de inscrição de número mínimo de alunos para abrir disciplina, ajudando ao empobrecimento curricular;

  • fingir que resolveu o problema do número de alunos por turma, limitando-se a uma diminuição diminuta, o que vai contra o paleio da flexibilidade, da inclusão ou do ensino individualizado;

  • não aumentar o crédito de horas para apoios nas escolas, o que vai contra o paleio acima referido;

  • não modificar ou sequer pensar em modificar o sistema acesso ao Ensino Superior,  servindo, desse modo, os interesses dos colégios que preparam os alunos para entrar na Universidade, o que é diferente de preparar os alunos para a Universidade;

  • deixar tudo como estava no que se refere à presença – ou seja, carência –  de psicólogos nas escolas;

  • fingir que ia resolver o problema da falta de funcionários não-docentes nas escolas, mantendo tudo na mesma, graças ao anúncio de um concurso, que é diferente de um concurso;

Em síntese, o trabalho realizado por todos os que estão nas escolas só pode ser extraordinariamente meritório, tendo em conta que a tutela só serve para atrapalhar. Por outro lado, se nada há a esperar do Ministério, seria bom que a sociedade toda reflectisse sobre a verdadeira importância que dá à Educação, com realce para professores e sindicatos, que andam muitas vezes por maus caminhos ou por caminhos demasiado batidos. [Read more…]

No meio é que está a dificuldade

De um lado, estão os descendentes directos e indirectos de uma longa linhagem de gente demasiado preocupada com a sexualidade alheia, escandalizada com a natureza dos outros, desejosos de impor ideias e ideologias, limitados a uma imagem única de família, como se o amor fosse só um. Algumas instituições, como a Igreja Católica, estão deste lado, dispostas a aceitar, por exemplo, a homossexualidade, desde que fique quieta, calada e até heterossexualmente casada, se for necessário.

Durante milénios, todos os que a Natureza afastou de qualquer norma foram, na melhor das hipóteses, criticados. Além disso, havia e há outros costumes como torturar, matar ou curar. Alan Turing foi alvo de um tratamento há menos de um século.

Do outro lado, estão os descendentes dos oprimidos, ainda doridos daquilo que lhes foi ou está a ser feito, ainda revoltados pela violência de que foram alvo. Como acontece tantas vezes com as vítimas, a reacção acaba por ser exagerada. Enquanto os primeiros anseiam pelo silêncio, do lado destes há barulho e exibicionismo, há, por vezes, uma outra religião em que as procissões são substituídas por paradas do orgulho gay ou pela imposição do acto de sair do armário, como se alguém devesse ser obrigado a confessar as suas preferências sexuais, gastronómicas ou outras. [Read more…]

Para os professores, com estima

[Santana Castilho*]

Não vejam nostalgia (embora por vezes vá parecer). Vejam o galope (que a escrita não traduz) a que o meu cérebro põe o meu coração, quando pensa no ano penoso que se inicia para tantos professores.

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O ministro revisteiro

«A direita está tão à rasca que acabou por agarrar-se às casas de banho.» – Tiago Brandão Rodrigues

Motoristas e professores

[Santana Castilho]*
  1. Independentemente de todas as considerações colaterais possíveis, é politicamente desonesto não reconhecer a greve como um instrumento essencial para o equilíbrio de forças entre trabalho e capital. Assim foi no último século. Não sei se assim será no futuro, mas sei que não foi assim nesta legislatura. Não foi só agora que o Governo deixou de ser árbitro para ser parte, no que ao diálogo social se refere: recordo os atropelos que cometeu para anular a greve dos professores, a linguagem lamentável do primeiro-ministro quando se referiu aos enfermeiros e à sua greve, a legislação laboral que aprovou sem prévia negociação com os parceiros sociais ou a chantagem que exerceu para conseguir acordos de concertação, preordenados para favorecer os patrões.
    O papel de um Governo democrático não é impedir que o direito à greve seja exercido, sob pretexto de garantir (como também deve garantir) a satisfação de necessidades fundamentais dos cidadãos. Arbitrar esta dialética é difícil mas exigível a um Governo de esquerda. Mandar tocar a corneta é mais fácil, mas apanágio do autoritarismo estatal que comummente caracteriza a direita.
    Os motoristas que transportam matérias perigosas têm 630 euros de salário-base. Com as horas extraordinárias, este valor pode duplicar. Mas, para tal, sujeitam-se a um horário semanal que ronda as 60 horas, quase o dobro do horário da função pública. O trabalho destes motoristas é crítico na cadeia de valor das petrolíferas, de lucros altíssimos, e volta a ser crítico para o funcionamento de toda a economia. Se são mal pagos em termos absolutos, quando estabelecemos a proporção entre o valor do seu trabalho e a renda do negócio para que trabalham, são miseravelmente explorados. Apesar disto, ficaram isolados contra o resto do país. [Read more…]

A Educação e os contabilistóides

Segundo parece, em Touguinhó, no concelho de Vila do Conde, os oito alunos inscritos no primeiro ano do Primeiro Ciclo (primeira classe do Ensino Primário, para os menos informados) terão de se juntar aos alunos dos segundo e terceiro anos da mesma escola, o que fará com que, na mesma sala, haja três níveis diferentes.

Para que pudesse haver uma turma de primeiro ano, teria de haver um total de 19 alunos. Os pais estão compreensivelmente preocupados com a situação.

Desde 2005, graças à mentalidade contabilistóide que tomou conta do mundo, a Educação tem sido alvo de um conjunto de medidas que, através da política do facto consumado, serviram para dificultar a vida das escolas, sem que os cidadãos se preocupem verdadeiramente com o assunto. O cidadão, mais propriamente o portuguesinho, fica satisfeito se os professores forem pisados, até porque não passam de inúteis em greve permanente.

Ter na mesma sala de aula alunos de níveis diferentes só cabe na cabeça de gente que não considera a Educação uma área fundamental. Não deveria haver a possibilidade de haver sequer dois níveis, quanto mais três, como estará prestes a acontecer em Touguinhó, o que nem sequer deverá ser caso único. [Read more…]

As promessas e as realidades escondidas

[Santana Castilho*]

Ponto prévio: estamos melhor ou pior do que estávamos em 2015? Genericamente melhor. Mas seria admissível outro cenário, depois de um governo PS ter levado o país à falência e um governo PSD/CDS ter infligido aos cidadãos sacrifícios e perdas nunca vistas?

O meu ponto é que a avaliação certa é a que resulta, não da comparação do que tínhamos com o que temos, mas do que temos com o que poderíamos ter, se as opções tivessem sido outras.

O programa com que o PS se apresentará às eleições legislativas de 6 de Outubro tem 141 páginas e muitas promessas (56% de aumento do investimento público, menos impostos para a classe média, aumentos para os funcionários públicos em 2021, vales para óculos e tratamentos dentários, combate feroz à corrupção, reforma eleitoral e muitos comboios). Na impossibilidade material de analisar o caudal de promessas em detalhe, no espaço limitado desta crónica, cinjo-me a dois comentários, a saber:

  1. O programa glosa os êxitos da governação de Costa e alimenta-se em permanência da chama milagreira de Centeno. Mas importa moderar a euforia, porque há outros ângulos de visão. Por exemplo, Mário Centeno e a imprensa em geral festejaram recentemente os números revelados pelo Instituto Nacional de Estatística: um excedente orçamental de 0,4% no fim do 1º trimestre do ano em curso. O ministro das Finanças invocou então muitos indicadores de sucesso e atribuiu o êxito à dinâmica da economia e do mercado de trabalho. Só que a alegoria do copo meio cheio ou meio vazio convoca os mais atentos para a outra realidade: o celebrado saldo orçamental consolidado das diferentes administrações públicas (cerca de 318 milhões) foi obtido por via do aumento (em cerca de 356 milhões) das dívidas ao sector privado! Por exemplo, no martirizado Serviço Nacional de Saúde, a dívida aumentou no período em apreço cerca de 150 milhões, cifrando-se na bonita soma redonda de mais de 650 milhões.

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Qual é a entidade que mais prejudica a vida das escolas?

Continuo a defender que o Estado deve ter uma presença forte na área da Educação, de maneira a que se possa resistir a perversões que possam advir do capitalismo ou da religião.

Ainda assim, o peso do Estado não tem impedido que as escolas sejam vítimas de outras perversões. O facto de ter havido quarenta reformas nos últimos trinta anos só vem confirmar o que já escrevi há vários anos. Permita-se-me o pecado da autocitação:

Se o Ministério da Educação (MEC) tivesse algum poder sobre as salas de operações, qualquer cirurgião viveria em constante sobressalto, sem nunca ter a certeza se, no dia seguinte, sairia uma ordem de serviço que o obrigaria a operar com um talher de peixe ou se seria obrigado a substituir a anestesia por uma dose de bagaceira (em princípio, para o paciente).

As escolas são vítimas, em primeiro lugar, de uma pulsão de poupança, consequência da desvalorização da Educação. Entre tampões vários na carreira docente, que impedem a maioria de chegar ao topo de carreira, congelamentos e cortes salariais, para nos referirmos apenas aos professores, os últimos vinte anos corresponderam a um desinvestimento brutal na Educação.

Quanto ao resto, desde que não implique aumento de despesa, foram vários os poderes que puderam deixar as suas marcas na Educação, impondo alterações legislativas, curriculares, terminológicas e outras, num delírio que sobrecarrega escolas e profissionais da área.

A resposta ao título é, evidentemente, o Ministério da Educação, o que parece contradizer a minha fé no Estado, tendo como consolo utópico a frase de Churchill sobre a democracia como o pior sistema político à excepção de todos os outros. Por falar em utopias, pode ser que, um dia, os cidadãos se preocupem mais com Educação do que em invejar a nada invejável carreira dos professores e há sempre a possibilidade de que os professores comecem a lutar melhor. Nessa altura, os políticos terão de agradar ao povo, optando pela sensatez e pelo investimento consequentemente responsável. Nessa altura, o Ministério da Educação poderá deixar de ser o principal problema das escolas.

«Ensinam quando não estão em greve»

O título deste texto faz parte das palavras cruzadas do último Expresso. A resposta, segundo parece, é “professores”.

Entre muita opinião pública ou publicada, gratuita ou a pagar, há muita gente a criticar as greves dos professores, criando-se, até, a ideia de que a classe docente passa grande parte do tempo em greve, num cenário de caos, com alunos privados de aulas e professores de papo para o ar ou em manifestações acéfalas comandadas por sindicalistas, comunistas e outros monstros. [Read more…]

Teresa Damásio pode ser ministra da Educação

Graças ao Paulo Guinote tive o duvidoso prazer de assistir a um vídeo em que a ex-deputada Teresa Damásio explicou que os professores portugueses não têm direito a declararem-se cansados, porque, ao contrário de outros de países pobres, têm electricidade, água, dois telemóveis, dois carros (no agregado familiar) e passarão pelo menos um período de férias fora de Portugal. Segundo a mesma senhora, os professores portugueses têm também muita sorte porque Portugal tem fronteiras estáveis há 11 séculos (o que é estranho, tendo em conta que a conquista definitiva do Algarve só ocorreu em 1249, ou seja, há oito séculos).

Exprime-se, portanto, nas palavras desta iluminada, uma teoria geral do cansaço e/ou uma filosofia da reivindicação típica de qualquer caixa de comentários da blogosfera, das redes sociais e das tabernas físicas do país. Em que consistem essa teoria e essa filosofia? No seguinte: enquanto houver alguém que esteja pior do que nós, não temos direito a queixar-nos.

Tendo em conta os pormenores com a que a senhora nos cumula, podemos, aliás, todos, professores ou não, fazer um teste muito simples que nos permite, de uma penada, afugentar o cansaço. O leitor sente-se cansado? Verifique, por favor, se tem electricidade, água, dois telemóveis, dois automóveis e se as fronteiras do seu país são estáveis há alguns séculos. Se estes factores estão reunidos, o leitor pode estar descansado, que não pode estar cansado, desiludido ou insatisfeito. [Read more…]

Sinais acacianos

[Santana Castilho]*

O ardiloso João Costa tem motivos para contentamento. No fim do ano escolar, o absurdo faz o pleno dos sinais acacianos que nos chegam. Mais uma legislatura dedicada ao patético evangelho da flexibilidade e da inclusão e a destruição fica concluída. Faltam três meses para as eleições.

  1. Uma ministra e um ministro (Cultura e Educação), siameses pela irrelevância, apresentaram o Plano Nacional das Artes para os próximos 5 anos. O plano prevê a criação de “residências artísticas” (contratos que podem durar um ano, para pôr artistas a trabalhar nas escolas) e a criação do cargo (mais um) de coordenador cultural das mesmas. O comissário da coisa propõe-se “indisciplinar a escola”, “desarrumá-la”, “introduzir o lúdico e o jogo” e valorizar “a inutilidade que as artes podem trazer”. Chegou tarde nos propósitos. Está tudo feito. Não me espanta que o tenha dito com a bênção de irrelevantes. Preocupa-me que o resto não reaja a tamanha concentração de disparates.
  2. O último relatório da rede Eurydice não contabilizou as horas que Portugal dedica às Ciências Naturais e aos Estudos Sociais, porque a flexibilidade curricular deixou a Comissão Europeia sem modo de fazer contas. Recorde-se que o documento em análise evidencia o tempo de aulas que cada um dos 38 países observados dedica a quatro domínios de ensino: Matemática, Ciências Naturais, Estudos Sociais e Leitura e Escrita. Esta originalidade junta-se a outras, que impedem a continuidade das séries estatísticas que vinham a ser construídas desde o início do século. É o caso das provas de aferição, leviana e propositadamente aplicadas em anos que não são de fim de ciclo e a disciplinas diferentes, para impedir a comparação com resultados anteriores. É evidente que não é caminho recomendável. Mas é a luz que emana do DL 55/2018.
  3. O circunspecto Conselho Nacional de Educação deu-se conta da borrasca que se aproxima. Preocupado com a qualificação e a valorização dos professores, puxou pela cabeça e decidiu recomendar que deixe de ser exigido um exame de Matemática para ingresso nos cursos de formação de professores do 1.º ciclo. Com efeito, segundo a maioria dos sábios conselheiros, a obrigatoriedade do exame de Matemática tem “estrangulado ainda mais o ingresso de alunos em cursos de formação de professores”, que estão a ficar sem interessados. Assim, se estamos a resolver o problema do insucesso dos alunos exigindo menos e menos, até passarem todos, porque não fazer o mesmo com os futuros professores? Os alunos de Matemática não querem? Baixe-se a fasquia e aceitem-se os que sabem pedalar, que ensinar todos a andar de bicicleta até já é desígnio nacional.

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Educação: pão e circo

No campo da Educação, os poderes, políticos e outros, juntam à ignorância a sobranceria e o exibicionismo habilidoso de um marketing vazio, cheio de palavras melífluas que, em si mesmas, não podem, aparentemente, ser contestadas, de tão consensuais (alguém é contra a inclusão, por exemplo?).

Ao terminar o ano, perto do final de outro mandato desastroso, mais uma vez, não se mexeu na forma de acesso à Universidade (o que garante o lucros de alguns colégios), manteve-se a imposição de novas inutilidades (no caso desta equipa, as provas de aferição) e aprofundou-se o ataque aos professores (roubados em tempo e dinheiro).

O Paulo Guinote chama a atenção para duas cerejas em cima do bolo mal cozido: a criação do Plano Nacional das Artes e a proposta de retirar o exame de Matemática do acesso aos cursos para professores do Primeiro Ciclo. No primeiro caso, haverá pão para alguém; no que se refere ao segundo, é o habitual circo do Conselho Nacional de Educação.

Às vezes fico pensando que a burrice é uma ciência

Santana Castilho*

 

As últimas notícias sobre o nosso sistema de ensino ilustram quão certeiro foi o pensamento de António Aleixo, poeta do povo: “Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que às vezes fico pensando que a burrice é uma ciência”.

  1. João Costa veio, em artigo de 30 de Maio passado (Observador), defender-se das críticas às suas teorias sobre flexibilidade e inclusão. Abalroada pela demagogia que a domina, a prosa do secretário de Estado assentou num maniqueísmo primário e populista. Segundo ele, uns querem sucesso e inclusão para todos (ele e prosélitos), outros (os que lhe criticam os métodos), preferem reprovar os alunos. Escapou-lhe considerar que o que separa a turma dele (perita em baixar a fasquia dos pobres em vez de lhes conferir os meios para chegarem onde os ricos chegam) da turma dos outros é a recusa, por parte dos segundos, a certificar a ignorância. E que o grande combate a favor da inclusão começa fora da Escola, sob responsabilidade alheia aos professores, colada, outrossim, à pele dos políticos promotores da mediocridade. E continuará na Escola, quando substituirmos proclamações palavrosas, papéis e burocracia por meios, recursos e dignidade para quem ensina.
  2. Outro Costa, este António, fez-me recordar a eloquência de Américo Tomás (nos anos 60, disse o então Presidente da República numa inauguração: “É a primeira vez que estou cá desde a última vez que cá estive”). [Read more…]

A despropósito de professores e de outros injustiçados

Na Assembleia da República, uma estranha maioria, constituída por PS, CDS, PCP e PEV, aprovou “uma norma do Estatuto dos Magistrados Judiciais que permitirá aos juízes conselheiros um vencimento superior ao do primeiro-ministro.”

Aos professores foi recusada a reposição integral do tempo de serviço, em nome das boas contas. Não tenho informação suficiente para saber se a medida é justa ou não e não defendo a sua reversão em nome de uma inveja profissional, mas não posso deixar de notar que parece que há cidadãos que são juízes e outros que são enteados.

Lateralmente a esta questão, alguns deputados afirmaram que votaram a favor da medida porque lhes tinha sido imposta disciplina de voto, essa perversão da representatividade parlamentar. Os deputados que invocaram esta desculpa não passam de hipócritas, gentinha obediente ao partido.

A propósito ainda desta questão, sabe-se que Fernando Anastácio, deputado do PS que negociou este aumento, é casado com uma juíza. O dito deputado declarou que não vê esse facto como impedimento. De qualquer modo, imagino que deva ser agradável intervir num processo que possa contribuir para o aumento do orçamento familiar. [Read more…]

“A verdade e nada mais que a verdade”

Comentários ao Manifesto – Pela Verdade dos Factos e à vergonhosa decisão do Parlamento no Educare.pt. Num país em que o poder político é inimigo dos professores e da Escola.

L’État c’est Costa!

Santana Castilho*

É deplorável o que acabamos de viver. PSD ofereceu, sem dar. CDS dava um se tirasse quatro. PCP e BE confirmaram o que sabiam desde sempre: o tempo político para fazerem justiça aos professores esgotou-se quando aprovaram o OE 2019, nas condições em que foi votado. No balde dos despejos desta crise política de baixo nível ficou uma classe profissional maltratada por todos os partidos, com mais ou menos responsabilidades, consoante as cambalhotas que foram dando. Tudo aconteceu com Marcelo ausente, certamente à procura do urso pardo para fazer uma selfie, enquanto aqueles que qualificou como os melhores professores do mundo eram sacrificados na fogueira das mentiras.

António Costa não denunciou a mínima intenção de se demitir quando morreram mais de 100 cidadãos nos incêndios de 2017. Resistiu quando um bando de pilha-galinhas protagonizou o escândalo de Tancos. Ficou, quando a incúria sem responsáveis deitou abaixo a estrada de Borba e ceifou mais umas vidas. Não deu sinal de querer partir quando o presidente do seu partido fez do Estado a residência da família e a moda contaminou outros do seu Governo. Tendo acordos firmados com o PCP e BE, nunca se sentiu constrangido a não estabelecer vários pactos com o PSD para fazer vingar políticas a que se opunham os seus parceiros da “geringonça”. Mas rasgou as vestes, qual vestal profanada, quando o parlamento se “coligou negativamente” para lhe contrariar a tendência continuada para instilar na opinião pública ódio social aos professores. O mesmo parlamento que se “coligou positivamente” para lhe oferecer o lugar que perdeu nas urnas. Como se os outros partidos políticos estivessem proibidos de se entenderem sobre os efeitos futuros do descongelamento da carreira dos professores. [Read more…]

Os professores não têm fundações

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Fotografia: Lusa/António Cotrim@Público

Ligas a televisão. Joe Berardo, em prime-time, a gozar com as caras de Mariana Mortágua ou Cecília Meireles, e através delas 10 milhões de caras portuguesas, mais uns milhões no estrangeiro. O senhor ali, na comissão de inquérito, como quem está no café a comentar a bola de palito na boca, a dar tanga ao país. De tal forma que conseguiu pedir ao deputado Duarte Alves que não o ofendesse: “Se é para brincar, vou-me embora”, disse. E continuou a brincadeira: “Como português, como cidadão, tentei ajudar os bancos”.

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Apelo: Ajudem o Presidente a descongelar

O homem que fala a propósito de nada e de tudo, que ligou para programas de televisão para fazer conversa cor-de-rosa e que até do estrangeiro mandou recados para o rectângulo, passou a semana da “crise” inventada por Costa sem dar sinais de vida.

Só pode ter congelado.

Pede-se, com urgência, que o BE, PCP, Verdes, PSD e CDS apresentem um projecto-lei de descongelamento do Marcelo. É possível que leve o voto contra do PS e que o PSD-CDS repitam a pirueta de inversão de voto, mas faça-no mesmo assim. E que não seja o Centeno a fazer a fazer as contas do descongelamento. O Ronaldo das finanças não é, ao que parece, grande coisa em aritmética.

O país precisa de um abraço.

Obrigado.

Dêem a maioria absoluta a António Costa…

A Banca diminuiu balcões e funcionários em todo o país porque toda a gente pagava com Multibanco.
Agora que cobram pelo levantamento ao balcão em dinheiro, também querem passar a cobrar a quem levanta através de Multibanco. Ao mesmo tempo que já cobram aos comerciantes pelas transacções feitas por Multibanco.
Tudo isto enquanto conseguem lucros gigantescos num negócio feito com o dinheiro dos outros. Outros esses que pagam para que o seu dinheiro esteja seguro e que são cobrados por tudo e mais alguma coisa. Outros esses que pagam ainda, através dos seus impostos, quando as coisas correm mal.
O negócio da Banca é um negócio cujo risco é de 0%. É fácil gerir assim um negócio. Os lucros são só seus, os prejuízos são sempre dos outros.
Não há dinheiro para ninguém, mesmo quando são despesas que nem sequer mexem com a actual legislatura. Mas para meter no cu dos banqueiros, 400, 500, 600 milhões por anos – todos os anos – dá sempre para acomodar.
Eram menos 400 milhões para os professores. E quantos milhões são, todos os anos e de forma permanente, para as rendas e subsídios e benefícios fiscais aos grandes grupos económicos?
Com os políticos que temos, vai continuar a ser assim. Mas com a maioria absoluta de um partido corrupto como é o PS, vai ser pior ainda.
Dêem a maioria absoluta a António Costa, dêem…

Manifesto – Pela Verdade dos Factos

[Blogues de Educação]

Como Professores, membros da comunidade educativa e autores de diversos espaços de discussão sobre educação, temos opiniões livres e diversificadas.

Porém, não podemos ficar indiferentes quando está a ser orquestrada uma tão vil e manipuladora campanha de intoxicação da opinião pública, atacando os professores com base em falsidades.

Tais falsidades, proferidas sem o devido contraditório, por membros do Governo e comentadores, deveriam ser desmontadas com factos e não cobertas ou reforçadas pelo silêncio da comunicação social, que deveria estar mais bem preparada para que a opinião pública fosse informada e não sujeita a manobras de propaganda.

Serve este manifesto para repor a verdade dos factos:

  • O Governo, pelo Ministério da Educação, a 18 de novembro de 2017, assinou um acordo com os sindicatos de professores, onde se comprometeu a recuperar todo o tempo de serviço. É, por isso, falso que essa intenção seja uma conspiração da oposição ou resulte de uma ilusão criada pelos sindicatos de professores.
  • A recuperação total do tempo de serviço também foi proposta pelo PS. O PS, em dezembro de 2017, recomendou a total recuperação do tempo de serviço, conforme se pode verificar no diário da república (Resolução da Assembleia da República n.º 1/2018). É, por isso, falso que o PS nunca apoiou a recuperação integral do tempo de serviço congelado.

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Efeito do congelamento das carreiras, usando como exemplo a carreira docente

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Este diagrama ilustra o efeito do congelamento das carreiras profissionais do Estado. Dada a correlação entre a idade e o escalão profissional, os topos das carreiras ficaram com menos profissionais devido à aposentação dos seus profissionais e por causa da ausência de promoções. [Read more…]

O princípio da igualdade como treta

O modo como a luta dos professores é comentada por uma mole de gente muito, pouco ou nada encartada merece algumas notas, mesmo se a distinção entre os vários tipos é difícil, tal é a ignorância, tantos são os preconceitos: no fundo, o que separa os encartados dos outros é o facto de que os primeiros são pagos para serem igualmente ignorantes.

Manuel Carvalho, o director do Público, regozijava-se, há pouco, na pele de comentador televisivo, com os recuos do PSD e do CDS no âmbito da recuperação do tempo de serviço dos professores. E regozijava-se porque a aceitação das reivindicações dos professores criaria desigualdades relativamente a outros trabalhadores, mesmo dentro da Função Pública.

Outros, diplomados em redes sociais, tão licenciados como Sócrates ou Relvas, acusam os professores de só se preocuparem com os problemas da sua própria classe, reclamando aquilo a que outros não têm direito, insensíveis diante dos dramas alheios. Esta reacção (porque não podemos chamar-lhe pensamento) estende-se a qualquer classe profissional que, de algum modo, proteste ou faça greve.

Vou confidenciar-vos algo da minha vida privada: já sofri várias entorses no mesmo pé. Peço antecipadamente perdão pelo meu egoísmo, pela minha insensibilidade, mas, naqueles momentos, estava tão concentrado na minha dor que não conseguia pensar, por exemplo, numa pessoa que tivesse partido as duas pernas. Mais: confesso que não pensava sequer em pensar. [Read more…]

Colocando as coisas em perspectiva (5)

Muitos têm sido os atropelos feitos nas vésperas de eleições ou a nelas pensar. Cavaco duplicou a função pública para dobrar a maioria absoluta. Guterres inventou as SCUT para, acabado o dinheiro da CEE, poder continuar a apresentar obra eleitoral. Barroso e Santana Lopes sofreram de coito interrompido, tendo aberto o caminho para os disparates de Sócrates e da sua Parque Escolar, o parente pobre que arranjou na ausência do TGV e do aeroporto. Passos Coelho tratou criar as condições para uma tal de economia social.

A lista está muito incompleta mas chega para ilustrar o argumento.

Costa ameaça demitir-se, o que deixaria o governo em gestão até às legislativas, em Outubro. Um governo em gestão está limitado quanto ao que pode fazer, reduzindo as possibilidades de disparates eleitorais. Boas notícias, portanto.

Demita-se, então, Sr. Costa.

Colocando as coisas em perspectiva (4)

Costa diz que se demite. Fica-lhe mal a birra, mas está no seu direito. Afinal de contas, ninguém deveria ser obrigado a aplicar legislação com a qual não concorda. E considerando as actuais sondagens, poderá ter que ser um governo PS a implementar este diploma.

Mas a situação é muito simples.

Se Costa e o PS não se querem ver na posição de terem que implementar a reposição total do tempo de serviço dos professores, então que não se candidatem nas próximas eleições legislativas. Não faltarão interessados para os substituir.

A hipocrisia de António Costa

A hipocrisia do Governo neste momento, ao ameaçar com a demissão, não é maior do que a hipocrisia dos últimos anos.
Quando é para meter milhões e milhões não orçamentados nos Bancos, o Governo segue em frente como se nada fosse. O dinheiro aparece sempre e ninguém fala mais nisso.
Ao contrário dos Bancos, neste caso não há efeitos no Orçamento do Governo.
António Costa acaba de jogar uma cartada, última e desesperada, para tentar chegar à inalcançável maioria absoluta.
Mesmo não gostando de História, ele devia lembrar-se que assim perdeu o PS a maioria absoluta em 2009 e que assim poderá perder daqui a uns meses muito mais do que isso.
Embora ele já esteja habituado a perder eleições como se as tivesse ganho.

Inventa outra, ó Costa!

As eleições legislativas estão marcadas para o dia 6 de Outubro.
Se o Governo se demitir, as eleições legislativas serão no dia 6 de Outubro.
Inventa outra, ó Costa, que essa não cola.

A chantagem de António Costa

Não peço apoio aos partidos da geringonça que viabilizam o governo na A.R. com o apoio parlamentar, porque sei que discordam da minha posição. Mas caso os partidos da oposição não concordem comigo, demito-me! É esta a chantagem a que o governo de vendedores de banha da cobra sujeitou hoje o país.