Av. da República: Lisboa Arruinada


Chegar ao Porto dez minutos mais cedo, eis em resumo o que significa o mega-projecto do TGV. No exacto momento em que as cidades do país proporcionam um ridículo espectáculo de ruas esburacadas, prédios e casas a ameaçar derrocada, jardins ao abandono, transportes públicos deficientes e monumentos a carecer de intervenção urgente, as autoridades parecem querer insistir num erro vetusto de décadas. Se talvez se possa compreender a insistência na construção de uma linha de alta velocidade que nos ligue ao resto da Europa, as suas ramificações dentro do território nacional são por todos consideradas como teimoso desvario.

Sempre que uma autoridade concede uma entrevista, confirma os piores receios, mostrando sempre inamovíveis nas muito discutíveis opções de investimento. Continuamos então na senda das obras de fachada ao estilo aldeia de Potemkin, em vez de recuperarmos o imenso e quase fatalmente perdido património. As obras de pequena e média dimensão, proporcionam o trabalho de que as empresas tanto necessitam, dinamizando vendas, produção de materiais e consequentemente, ajudando a mitigar o problema do desemprego. Simultaneamente, prestar-se-ia um inestimável serviço a um país que pretende apresentar-se ao mundo como um destino turístico de primeira categoria. Para assim ser, não basta desfiar-se um caricato rol de campos de golfe e hotéis de charme, ao mesmo tempo que se esquecem as praias poluídas e sem infraestruturas de acolhimento, ou as muito danificadas estradas secundárias que conduzem os visitantes ao apregoado turismo num interior praticamente desertificado. Investe-se em grandes projectos turísticos no Alqueva, mas esquece-se todo o espaço circundante. É a opção pelos condomínios fechados levada ao extremo.

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Defensores de Chaves: Lisboa Arruinada


A Defensores de Chaves está já há anos, transformada num estaleiro. Obras do metro, feliz remoção da estação rodoviária e, como sempre, as demolições destruidoras do património. Uns atrás de outros, prédios com fachadas entaipadas, portas e janelas cobertas de tijolos. A demolição em nome de um progresso que apenas parece ser o sinónimo dos negócios para alguns. A cidade de Lisboa assemelha-se a uma gigantesca pedreira, transformando-se todo o património oitocentista em entulho. Grandes áreas residências, têm sido transformadas em prédios semi-vazios de escritórios e com aquele tipo de “arquitectura” que tem transformado esta outrora bela capital, no imundo pardieiro a que as autoridades nos habituaram. Até quando?

Av. da Liberdade e "El Cabezudo": Lisboa Arruinada

Este autêntico escândalo citadino existe há muitos anos. Dois prédios – um já demolido e outro que apresenta apenas a fachada arruinada – foram destruídos para o fim que a imagem mostra. É a prova da inépcia das autoridades e de um hipotético negócio especulativo que ainda não vingou. Este buraco situa-se diante da entrada sul do metro da Avenida, ao pé da estátua do “El Cabezudo”, vulgo Simão Bolivar, o grande herói chavista avant la lettre. Lisboa, uma cidade cada vez mais parecida com uma boca parcialmente desdentada e atingida pela cárie.

Stop Eólicas em Sortelha

Sortelha faz parte da lista de aldeias históricas criada em 1991 e que inclui núcleos urbanos com fundação anterior à nação portuguesa.
Sortelha também tem (ou tinha em 2001) 579 habitantes.

E pelos vistos daqui a uns tempos poderá ser a freguesia com maior número de geradores eólicos por habitante se forem instalados os 17 ou 18 geradores… na verdade não faço ideia se será o maior número ou não mas imagino que um gerador por cada 31 habitantes seja um número elevado…

Mas a principal questão segundo o blog Vamos Salvar Sortelha é mesmo o impacto que estes equipamentos poderão ter no, talvez único, recurso endógeno da região… a sua paisagem.

Tenho a certeza que neste processo a empresa que quer efectuar esta instalação prestou todos os esclarecimentos à população.
Também tenho a certeza que todos os representantes da JF de Sortelha foram informados de todos os potenciais impactos positivos e negativos que esta opção poderá ter (incluindo financeiros) e os transmitiram aos seus representados… os tais 579 habitantes.
E tenho a certeza que levaram isso em consideração para a sua decisão final.
Tenho a certeza disso porque é assim que costuma funcionar a nossa democracia.

Costa Vicentina em pé de guerra

A Costa Vicentina, a única jóia digna desse nome que resta na costa portuguesa, está em pé de guerra por causa do Plano de Ordenamento promovido pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV). Confesso que não li o actual plano, pelo que não me pronuncio nem a favor, nem contra o mesmo. Conheço, no entanto, muito bem a região e tenho ouvido várias opiniões de moradores. A guerra aumentou de tom, com todos os municípios abrangidos contra o Plano de Ordenamento, mas o clima de guerrilha é antigo. Algumas injustiças e exageros têm sido cometidos contra a população local, existem limitações, por vezes incompreensíveis, que não promovem a fixação das gerações mais jovens na região e têm levado ao abandono quer das populações, quer das actividades tradicionais que o Parque deveria proteger. Por outro lado, e disso estou seguro, se não fosse a existência do PNSACV estariamos hoje confrontados com um mero prolongamento do pior dos Algarves, aquele que apostou acriticamente no turismo massificado, na betonização indiscriminada e na falta de ordenamento.

A jóia que a Costa Vicentina ainda é tem um elevadíssimo potencial de atracção de riqueza por se ter mantido como é, bela, preservada, quase virgem, com uma linha litoral praticamente impoluta, mas é necessário que os habitantes usufruam também dessa possibilidade de geração de riqueza sem, no entanto, alterarem significativamente a paisagem e a pressão demográfica actuais, não esquecendo que a região é mais do que apenas a beira-mar. [Read more…]

Galandum Galundaina

Já por cá se falou deles, mas sou obrigado a voltar ao palco, também por eles.
São gente de qualidade que faz música fantástica procurando mostrar que ser (n)do interior não é uma fatalidade.

Car@s leitor@s,
os Galandum Galundaina:

O deboche do "Esquema"!


Os órgãos de comunicação social, declaram continuar hasteada a bandeira espanhola na fortaleza de Valença. Monumento nacional, símbolo local da soberania portuguesa, foi profanado por gente que perdeu toda a legitimidade ao optar por este insultuoso tipo de contestação. Trata-se de subversão e de atentado à integridade do Estado. Do que está à espera a GNR? Que explicação dá a PSP? Porque não envia o exército um pelotão que ponha cobro ao dislate? O episódio da taurina coisa nas varandas, não passa de folclore a resolver no próximo embate futebolístico entre as duas “selecções”, quando tudo voltará ao normal. Outra coisa, é o assalto estrangeiro a um edifício público. S. Bento não cora de vergonha?

O que se estranha, é a total passividade das autoridades nacionais que se têm abstido de impor a Lei e a dignidade do Estado. São precisamente estas autoridades – e aqui incluímos o governo que tutela as policias e as Forças Armadas – que são muito lestas na resolução de outros casos que têm acontecido e que vão continuar a acontecer, queiram ou não queiram, gostem ou não gostem. O critério parece simples: se se trata de uma Bandeira Nacional azul e branca, deve ser de imediato apeada e entregue a um nebuloso “Ministério Público” – o que é isso? -, mas se o caso disser respeito a uma bandeira estrangeira, poderá então ficar ao vento durante o tempo que a subversão militante assim o entender.

É o patrioteirismo dos senhores do Centenário da República, com o Palácio de Belém incluído no rol. Enfim, mais um episódio do “Esquema”, porque nada deve ser por acaso. Entretanto, o “agente dorado” Saramago, continua a sua prédica. Só visto!

Valença à nora


Numa atitude pouco pensada e nada inteligente, a comissão de utentes do SAP de Valença, decidiu-se pelo hastear da taurina bandeira do país vizinho. Além de não terem concitado a mínima simpatia ou compreensão por parte dos seus concidadãos, os apressados activistas acabaram por fazer exactamente o que os responsáveis políticos de Lisboa pretendem: estes últimos conseguiram alijar um problema que tinham em ombros e melhor ainda, os gastos com a assistência à população, passam directamente para a responsabilidade do erário vizinho. Pelo menos, durante algum tempo. Neste processo de …”aproximação à Espanha, Espanha e Espanha”, onde surgem Mários Linos, Pinas Mouras, sector bancário e da informação e um ou outro tinte pretensamente avermelhado como o Sr. Saramago, os utentes do SAP participam gulosamente no festim que não durará muito. Decorridos alguns meses de visitas de urgência a Tui – muitas vezes e como é hábito, “por dá cá aquela palha” – e passada a euforia do sucesso mediático além-fronteira, sempre queremos ver até quando as autoridades estrangeiras permitirão o abuso ? Podemos imaginar o que daqui a algum tempo se dirá dos portugueses, enraizando o preconceito que é velho de séculos e ainda tão visível no péssimo ou desigual tratamento ministrado a tantos dos nossos que por lá trabalham ou querem investir.

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Asnices à beira "Duero"

Os opinioneiros de serviço têm destas coisas. Quando nada existe para preencher a agenda própria de alçamento de suas excelsas personalidades, dedicam-se a temas para os quais não possuem a mais insignificante base de sustentação, seja ela histórica ou objecto da reflexão da economia, finanças ou de uma apressada leitura de um textozito de ciência política. Importa é falar de barato e sem tino.

Num amontoado de lugares comuns para comedor de tremoços e fã de cervejola ler antes do início da partida, o sr. Menezes decidiu-se agora e de forma desabrida, pelo iberismo. Esperar-se-ia o desvendar de um aturado estudo da situação nacional e a apresentação das claras e indesmentíveis vantagens de uma união ibérica que embora não seja corajosamente assumida pelo edil-escriba, é implícita no seu texto hoje publicado no oficialista Diário de Notícias. Ninguém quer perspectivar um futuro bastante hipotético, através da reedição de um salto das alturas de uma varanda de edifício público. A coragem não chega para tanto.

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Favas com peixe frito à algarvia

Vi hoje, no mercado, as primeiras favas tenrinhas. Se fizerem o favor de descontar o exagero, confesso-vos que passo o ano à espera da época das favas. Eu, como quase todas as crianças e adolescentes, detestava favas, ou julgava detestar, até ao dia em que, convidado a almoçar em casa de amigos, me foram servidas favas à algarvia. Comi a primeira precocemente enjoado, a segunda e a terceira com enfado, a quarta e a quinta com relutância e o resto do prato com verdadeiro prazer e surpresa: como era possível ter perdido, durante tantos anos, tal maravilha?

Passei a gostar de favas de todas as maneiras, à algarvia, à moda da Estremadura, favas secas fritas, arroz de favas, favas com codornizes… E, se eu já estava convertido, faltava ainda a revelação final, um dos pratos mais estranhos da cozinha tradicional portuguesa, o mais suspeito e inverosímil casamento: favas à algarvia com peixe frito. Passei a admirar – eu que sou pouco dado a admirações – a anónima mente brilhante capaz de tal ousadia inventiva.

É o segundo post que faço sobre o assunto. O primeiro, acompanhado da respetiva receita, foi deixado há uns anos aqui. Provem agora, nos tempos mais próximos, enquanto as favas estão tenras e saborosas, e digam de vossa justiça.

Somos tão parvos…

… todos os “portugueses” que vivem para cá de Almada e Vila Franca de Xira…
Dia 8 de Abril chega aos cinemas de bom gosto Pare, Escute, Olhe de Jorge Pelicano.

Eleições regionais francesas,semelhanças e diferenças portuguesas

Três mulheres francesas , unidas, do Partido Socialista Francês , Europa Ecologia, e Frente de Esquerda, comunista,   ganharam em França as ultimas eleições regionais  deixando a aura do Presidente Sarkozy em crise,e a esfumar-se.Foi a maior derrota eleitoral da direita, desde a ultima guerra mundial,e foi lhe infligida por três mulheres.
Os analistas apontam  inúmeras razões ,mas algumas dos temas  que lá se colocam ,também se põem em Portugal.
Para Martine Aubry ,lider do P.S , vencedora, “os franceses  rejeitaram a politica de Sarkozy,que premeia com  isenções fiscais,os que mais têm, protege bancos e banqueiros,e pôs  em perigo a Escola Pública , e  o generoso Sistema de Saúde nacional francês. [Read more…]

Campanha Para Uma Vida Melhor

Tempos atrás, iniciei uma campanha no “meu” sítio no sentido de, sempre que possível, consumir-mos productos da nossa região. Fui criticado de todas as maneiras e feitios, e apelidado de separatista, independentista e reaccionário.

Voltando ao assunto, podemos mudar o rumo da história que se segue, que no fundo não passa de uma caricatura, começando por, cada Português, passar a consumir mais 200 euros por ano em productos da sua região, do que hoje consome, em vez de comprar productos similares estrangeiros.

“O ZÉ, depois de dormir numa almofada de algodão (Made in Egipt), começou o dia bem cedo, pelas 6h45 da manhã, acordado pelo seu despertador (Made in Japan). [Read more…]

Braga: O autarca, o empreiteiro e o arquitecto

Foi por acaso que o Aventar deu de caras com esta história algo nebulosa. Mais uma das nossas autarquias, que envolve os ingredientes do costume: autarcas, empreiteiros, arquitectos e as empresas públicas e municípios a «entrar pea madeira». Ou seja, nada de novo.

Por hoje,  mais longe não irei, que o Portal Base do Governo, o tal onde podemos ver a quem foram entregues os Ajustes Directos que tanto jeito têm dado a certas franjas da nossa economia, está off-line (será do servidor?)

Tudo começou quando, em Setembro de 2007, a Câmara Municipal de Braga, presidida pelo socialista Mesquita Machado, decidiu seleccionar uma «pessoa colectiva de direito privado para participação numa sociedade comercial de capitais minoritariamente públicos» para um conjunto de obras a realizar no concelho no valor de 58 milhões de euros. Concorreram 13 empresas e a «Arlindo Correia & Filhos» – ACF – foi a seleccionada. Principais critérios: a prossecução do interesse público e a garantia de indemnização em caso de atraso nos trabalhos a efectuar. Chegou a haver uma reclamação por parte de um dos concorrentes, a Way2B, ACE, mas a Câmara indeferiu o protesto.

Em Novembro de 2008, era criada a Sociedade Gestora de Equipamentos de Braga, uma pareceira públlico-privada entre a Câmara Municipal de Braga e a ACF.  Do Conselho de Administração dessa Sociedade, faz parte o Presidente Arlindo Augusto Xavier Correia, também Presidente da ACF, e dois vogais, Domingos Ferreira Correia, filho de Arlindo Correia, e Luís Manuel Viana Machado, arquitecto da Câmara Municipal. Apesar de constar na Sociedade como representante da Autarquia, é o proprietário da «Zumzum Perfeito» , empresa de restauração criada na mesma altura em que foi criada a Sociedade Gestora de Equipamentos de Braga.

Há ainda mais dois elementos sem poderes de Administração: o representante Gaspar Vieira de Castro, ligado ao grupo de construção ABB, membro da Comissão de Honra do PS nas Legislativas/2009 e recentemente nomeado para a Fundação que vai organizar a Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012, da qual Jorge Sampaio é o Presidente; e Fátima Cristina dos Santos Amorim Gonçalves, ligada à ACF e também à Guimarães Capital Europeia da Cultura.

Como é óbvio, a ACF lidera esta Sociedade, poque a assinatura do Presidente e de um dos Administradores (que pode ser o filho do Presidente) são suficientes para a efectivação de qualquer tipo de negócio. Ou seja, numa parceria público-privada em que os poderes deviam ser, pelo menos, iguais, a Câmara está nas mãos de uma empresa privada. É caso para dizer que, se os capitais são públicos, a gestão, essa, é privada. [Read more…]

Red Bull: Eh eh, Lisboa não tem dinheiro?

in i.olhares

Então não ia ser em Lisboa? Então o retorno do investimento já não estava totalmente assegurado?
Então vai ser no Porto a que propósito?
Eh eh, Lisboa não tem dinheiro?
Bem, lá vou ter de levar outra vez com aquele barulho irritante dos aviões…

Não à Barragem de Fridão!

Já tive a oportunidade de chamar a atenção para o escândalo que é a construção da Barragem do Tua, que vai destruir um vale único e uma das mais belas linhas férreas do mundo.
No dia em que a TSF, no seu «Terra a Terra«, dedica mais uma emissão a branquear a acção e a hipocrisia da EDP na destruição do património ambiental português, é hora de dar voz a mais uma luta, neste caso a da população de Amarante contra a Barragem do Fridão. Por toda a cidade, pude confirmá-lo pessoalmente, abundam as referências à Barragem e aos apelos à continuidade da luta.
Com a construção da Barragem de Fridão, projectada para o limite das freguesias de Fridão e Codeçoso, a 6 km de Amarante, é a existência da própria cidade que está em causa. Planeada para atingir 110 metros de altura, irá interceptar o leito do Tâmega, desviar o leito do rio Olo e pôr em causa, de forma irreversível, o caudal ecológico do Tâmega em período de estiagem. Irá pôr em causa, ainda, a integridade e eficiência do sistema de abastecimento público de águas, em consequência da libertação das águas quimicamente alteradas depois de acumuladas na albufeira. Recursos endógenos únicos serão transformados num somatório de albufeiras articuladas entre si em cascata de águas mortas. O vale do rio Tâmega será definitivamente perdido para as albufeiras.
Amarante é o resultado único do percurso do rio Tâmega. Actualmente, já tem a jusante a Barragem do Torrão – Rio de Moinhos(Marco – Penafiel), e agora passará a ter a montante a Barragem de Fridão. Ou seja, ficará completamente à mercê da imprevisibilidade geodinâmica – «uma guilhotina colectiva suspensa sobre Amarante, exposta à imprevisibilidade comportamental da geodinâmica interna geradora de algum fenómeno ocasional de causas naturais, considerado à priori de ocorrência impossível ou de considerada escassa probabilidade estatística.»
Enquanto isso, a EDP evita a discussão pública e monta gigantescas campanhas publicitárias. Como se a cidade de Amarante não existisse e como se tudo fosse apenas radicalismos ambientalistas. Deve ser essa a imagem a transmitir pelo «Terra a Terra» de hoje: só maravilhas!

(elementos técnicos recolhidos aqui)

O Porto é uma nação? Independência da Região Norte de Portugal (Memória descritiva)

Mapa da Gallaecia.

A primeira vez que fui ao Porto, viajei com os meus pais, pois era um miúdo pequeno, com seis ou sete anos. Chegámos num sábado, numa manhã de Primavera, fria, mas luminosa. Saímos do comboio na Estação de São Bento e logo fiquei maravilhado com as diferenças – o empedrado das ruas, os eléctricos acastanhados e (pareceram-me) mais largos do que os de Lisboa, os prédios escuros… Via muito cinema e a Baixa do Porto, pareceu-me um cenário londrino. Tudo era diferente.

O meu pai era o único que conhecia a cidade e, orgulhosamente, servia de cicerone. Mas não a conhecia tão bem como dizia e no dia seguinte, um domingo, andámos muito a pé e quando quisemos regressar à pensão ou pequeno hotel da Avenida dos Aliados tivemos de apanhar um táxi. E foi ao taxista que, quando o meu pai se queixou de que a cidade estava muito grande, usou uma expressão que iria ouvir pelos tempos fora (com registos diferentes): «O Porto é uma nação!».

Quando, dias atrás, falei na necessidade de debater um assunto que me parece mal resolvido – o das queixas que a Norte, particularmente na cidade do Porto, se ouvem relativamente ao poder central – não imaginava que houvesse um movimento propondo clara e abertamente a secessão. Circulam documentos nesse sentido, existem sites e blogues, os comentários (alguns) são arrepiantes de ódio e asco ao Sul. Tinha lido um desabafo separatista de um amigo do Aventar, mas atribuí ao facto de ele estar num mau dia. Não supunha que a questão fosse tão grave. [Read more…]

Porquê reinventar a roda? – A reintegração do Galego no universo da Lusofonia (Memória discursiva)

Numa sessão organizada pela Associação Galega da Língua, realizou-se em Santiago de Compostela, no dia 27 de Janeiro passado, o lançamento do livro “Jaboc”, do escritor brasileiro Otto L. Winck, prémio da Academia de Letras da Baía. A obra, cujo título é um anagrama de Jacob, o autor aborda o processo criativo e a tortuosa relação arte-literatura/literatura-arte, relação inserida num contexto social específico, pois, como o autor reconhece, existe algo de autobiográfico na construção da personagem central do livro. Uma das minhas fontes, foi o Portal Galego da Língua onde se publicou uma reportagem sobre este evento.

Contudo, não é do romance de Winck que me vou ocupar hoje, mas sim do que foi dito nesta animada sessão de lançamento, com vigorosas intervenções do autor e apaixonadas réplicas vindas do público. Presidindo e intervindo estava junto a Winck o intelectual galego Carlos Quiroga. Foi bolseiro de investigação da Fundação Calouste Gulbenkian e do ICALP, actual Instituto Camões. Actualmente é professor titular da cátedra de Literaturas Lusófonas na Universidade de Santiago.

Falou-se sobretudo da cultura galega e da sua inserção no universo lusófono. Diga-se que Otto Winck está a preparar a sua tese de doutoramento com um tema muito interessante – «a construção da identidade nacional galega», estando por isso muito identificado com os problemas culturais da Galiza. O vídeo é uma pequena amostra do que se passou nessa sessão tão vivamente participada:

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Beijos na boca

Uma história rápida mas com piada passada aqui há anos com a ponte da Figueira da Foz, projectada pelo Prof. Edgar Cardoso, teve um deslizamento de terras, muito dinheiro para colocar a coisa no sítio certo. Perante esta denúncia o então secretário de Estado das Obras Públicas respondeu qualquer coisa como:” o meu querido prof. não recebe lições de ninguem e este deslizamento até é bom porque vai dar trabalho a muita gente”. Enfim, trabalhar para aquecer tambem cria postos de trabalho…

Foi do que me lembrei quando vi aquela maravilhosa conferência de imprensa, com Sócrates e Jardim aos beijos na boca, atira-se com a Lei das Finanças Locais para a ribeira ( pode ser para as do Funchal…) acaba em nada, ou melhor, desaparece no mar, quem quer saber da maldita Lei que só travava o desenvolvimento, Deus é grande, manda uma enxurrada e o que estava certo deixou de estar, isto agora torna a ser uma farturinha.

Não está aqui em causa a necessidade imperiosa de socorrer as pessoas e bens, mas em vez desta festa de “alívio”( o dinheiro vem aí outra vez) seria essencial que o trabalho de Planeamento e Urbanismo fosse encarado seriamente de uma vez ; que se transmitisse a ideia que esta tragédia tem responsáveis; que o modelo de desenvolvimento da Madeira fosse revisto e modificado de cima abaixo ; que não se continue o atentado de lesa- Porto Santo ; que o dinheiro deverá ser aplicado responsavelmente a bem das populações e não ao serviço da máquina de betão e dos amigos que vendiam retretes e que agora têm uma dezena de empresas todas a fazerem negócios com o governo regional; que ver o primeiro ministro e o chefe do governo regional com olhos de carneiro mal morto é um péssimo sinal!

Com beijos tão mal amanhados nenhum deles vai perceber que cheira mal da boca !

Os terramotos do Chile. Memórias apagadas

Vulcão Villarica do Chile, sempre em erupção


Primeiro um silêncio profundo. A seguir os cães ladram, antes, tinham cantado os galos, as galinhas gorgolejavam. As pessoas calam sem saber porquê. Um segundo de silêncio. Um segundo apenas, como se estivesse medido por um cronómetro. E a hecatombe aparece com um ruído ensurdecedor. Agarra-se a uma árvore, foge-se de um buraco que abre, não sabemos como, na terra ao pé de nós. Os gritos começam. Das pessoas. Os ateus rezam, as beatas falam em palavrões, todos tentam agarrar-se a todos, todos fogem de todos. Tenta-se andar, e gatinhamos, tenta-se correr e bate-se com a cabeça contra as pedras. Correr, mas para onde? Ai há outro buraco, um fogo aparece do fundo da terra, e foge não sabemos para onde. Prende-se a um prédio. Era a nossa casa, fica em cinzas, as pedras dos prédios abatem-se sobre nós, o céu fica obscuro se for de dia, vermelho se for de noite. Os nossos já não estão, procuramos e não os encontramos. Os carros, pesados, suavemente deslizam pelo asfalto até desaparecerem num buraco aberto na estrada. Há outros atrapalhados debaixo das marquises dos prédios que servem de garagem. Guardados para sempre. Sem utilidade, insubstituíveis.

A terra salta para cima, a terra mexe para a direita, a terra mexe para a esquerda. No meio, nós. Se a terra vai para a direita, tentamos balançar o nosso corpo para a esquerda num equilíbrio impossível. A senhora gorda corre como gazela nos seus sessenta anos, agarramo-nos ao seu traseiro, esbofeteia; o velho recupera a sua agilidade e salta entre passeio e passeio para não se afundar nas fendas da estrada. Os pássaros grasnam no ar em bandos, como se se quisessem esconder dentro das nuvens para não ver o horror de Dante que aparece na terra. Os mais amorosos acodem aos mais desvalidos. Queremos tornar a casa e refugiar-nos debaixo da cama. Casa não há, apenas um buraco que arde e nos engole se não formos resgatados pelos mais calmos que, em quatro patas, sim patas, começam a resgatar os eminentes desaparecidos, esses que nunca mais são encontrados. Centenas de pessoas morrem, as camas do hospital que ruiu, são levadas a correr para os buracos do que era uma rua. Os dos prédios do décimo quinto andar, atiram-se, em desespero ao ar, caída que mata, como mata ficar dentro do andar que cai sobre os seres humanos com outros seres humanos dentro. Pessoas que desistem da vida e se deixam estar no sítio em que não deviam. A gritada é impossível, não tem destino. Apenas um: o silêncio que aparece após os saltos da terra, essa que um minuto depois, tem uma réplica, os sons subterrâneos reaparecem e já não queremos mais. Ficamos deitados. Não falamos, não reagimos, não acudimos. A adrenalina paralisa o corpo. Olhamos par a natureza e geografia conhecidas, nada existe nunca mais. O meu vizinho vai-se embora em sangue, nada há para o ajudar que não seja a o sangue dos outros que o fogo consome e ardem. Como as casas. Como as estradas. Como os parques subterrâneos. Como a minha mãe, como o meu filho. O ânimo come o valor da vida.

Um minuto. Apenas um minuto. Quase um minuto se tanto. E a terra muda de lugar.

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A Lusofonia, espaço ideal para a cultura galega (Memória descritiva)

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Neste vídeo podemos ouvir um breve trecho de uma canção popular açoriana, que Adriano Correia de Oliveira tornou muito conhecida, cantada pela lisboeta Raquel Tavares e pela galega de Mós (Vigo), Uxía Senlle – “Morte que mataste Lira”. Um belo mosaico lusófono. O espectáculo “Cantos na Maré”, onde este vídeo foi gravado, realizou-se em 19 de Dezembro passado, em Pontevedra.

Uxía Senlle é uma cantora galega de que aqui tenho falado por diversas vezes, dada a sua estreita relação com a cultura portuguesa. Numa entrevista recente dada a Margarida Martins, do Portal Galego da Língua, fez diversas afirmações que demonstram a sua convicção na unidade entre as duas vertentes da língua. Não vou transcrever essa entrevista, mas apenas salientar alguns dos seus aspectos mais relevantes.

«É um grave erro estratégico não afirmar que galego e português são a mesma língua», disse Uxía que em dado momento conta como nasceu o projecto “Cantos na Maré”: [Read more…]

Madeira: 32 mortos

Estão confirmados 32 mortos em consequência do mau tempo na Madeira. Uma calamidade sem precedentes, pelo menos que a minha memória alcance.

Como foi possível?

Rapidinha – a crise

“Mais vale uma crise política que viver todos os dias em crise !”

” O governo tem estado a correr à frente da crise. Dá a impressão de que está à espera que alguem lhe dê um golpe de misericórdia”.

“Não é possível num momento em que se está a exigir ao Governo que seja austero na despesa pública, que se venha depois pressionar um aumento de despesa para as regiões autónomas”

” A Madeira é uma das regiões mais desenvolvidas do país e isso não pode deixar nenhum social-democrata indiferente”.

Pedro Passos Coelho em directo! despesa pública, madeira,PSD,

Do que falamos, quando falamos do Norte? (Memória descritiva)

Esta bonita canção interpretada pelo Rui Reininho, Isabel Silvestre e os GNR, peca, quanto a mim, por um defeito – é falaciosa. É que buscando na informação da qual sobre o tema disponho, não existe uma pronúncia do Norte – são várias as formas dialectais que coexistem no espaço que, de forma vaga, podemos considerar o Norte.

Socorrendo-me do saber de Lindley Cintra e Celso Furtado, diria que na área geralmente considerada «Norte» há, além do galego ocidental e do galego oriental, a norte do rio Minho os seguintes dialectos: transmontano, alto-minhoto, baixo-minhoto, duriense e beirão. Em conceitos de «Norte» mais ambiciosos, que incluem as regiões de Aveiro, Viseu, Coimbra e Guarda, a coisa complica-se ainda mais. Pronúncias ou acentos, muito diferentes uns dos outros. Por isso digo que a canção do Reininho é falaciosa – veicula uma ambição expansionista e política em detrimento da verdade científica. Mas não nos importemos com isso, vamos lá tentar analisar no que consiste o Norte. [Read more…]

Mudar: A Regionalização, Parte II:

Ao longo dos últimos dias o Aventar tem esmiuçado o livro Mudar de Pedro Passos Coelho. Da Justiça aos Investimentos Estratégicos, passando pela Regionalização, nada escapa aos Aventadores de serviço. Um político, quando publica um livro onde condensa algumas das suas ideias, sujeita-se a este tipo de escrutínio e Pedro Passos Coelho, a exemplo de outros, não teve medo do risco que correu, honra lhe seja feita. Aquilo que o Aventar tem feito não é caso único, outros blogues o fazem. Vamos, pois, continuar.

No seu livro “Mudar” da Quetzal, Pedro Passos Coelho reconhece “a intensificação das assimetrias regionais que algumas décadas de políticas de desenvolvimento regional trouxeram ao território português de forma paradoxal”, chegando ao ponto de assumir que esse é um dos mais graves problemas nacionais. Contudo, mesmo reconhecendo simpatia pela ideia da Regionalização, está convencido que a mesma não se pode nem deve fazer nos próximos anos. Já no jantar com bloggers afirmara, depois de ser bombardeado pelas nossas perguntas sobre a matéria, que um governo que tome a opção de realizar a regionalização numa legislatura, arrisca-se a não conseguir fazer mais nada. Uma ideia plasmada no seu livro (pág. 245).

Dando de barato o seu cepticismo, não posso concordar com semelhante argumento, embora queira acreditar que o aponta apenas como exemplo limite, de molde a fugir à verdadeira questão. Mas o que prefere Pedro Passos Coelho fazer? Desde logo, uma ideia tão cara aos nossos políticos: mudar a constituição. Uma mudança que permita não a criação mas essa tão nobre forma de trabalhar portuguesa: ir fazendo. Primeiro criando uma região-piloto (mas só na legislatura seguinte!), de molde a aprofundar o estudo dos melhores modelos de competências e financiamento, “bem como da transferência de pessoal técnico” e a seguir, se tudo correr pelo melhor, alargar a experiência a outras regiões – não percebi se de uma forma geral ou através da criação de mais uma ou duas regiões-piloto. Aqui chegados, já nasceram os meus netos!

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O centralismo é mau mas nós não nos queixamos

Costuma-se dizer que à primeira caem todos e à segunda só cai quem quer e cá pelo Norte nem precisamos que nos empurrem para cair vezes sem conta nos mesmos erros.
Vem isto a propósito da linha da Trofa.
A Trofa fica a 25km do Porto (S.Bento)  (a povoa fica a 30 da estação da Trindade) e tem actualmente a passar na linha de comboio que liga porto-braga cerca de 50 (urbanos e regionais) comboios por dia e este ano ainda ficará melhor servida quando o túnel e a nova estação entrarem em funcionamento.

A Trofa já teve também outra ligação ao Porto, através da antiga linha do Porto (Trindade) a Guimarães e Fafe (derivava a partir da Linha da Póvoa na Senhora da Hora), essa linha foi parcialmente fechada (Guimarães-Fafe) em 1990 . Em 2002 (em conjunto com a da Póvoa) foi encerrada totalmente para ser reconvertida em parte para o Metro do Porto com a promessa que seria posteriormente reactivada até à Trofa (actualmente fica no ISMAI-Maia).

Estamos em 2010, conhecemos as criticas que a linha da póvoa tem recebido, no entanto seguimos em frente.
Claro que poderiamos pegar no dinheiro que se vai torrar nessa linha e criar um sistema urbano de transportes que alimentasse ainda mais a infraestrutura já existente, por exemplo com a introdução de autocarros com percursos urbanos na zona da trofa e arredores que ligassem directamente às diferentes estações da linha porto-braga.
Mas não, temos que cumprir as nossas promessas, porque como sabemos todos os politicos cumprem sempre literal e estritamente todas as suas promessas.

Mudar? Claro que sim e já!

A partir de agora e tendo presente que o livro já foi apresentado pelo autor em Lisboa e Porto, o Aventar vai começar, paulatinamente, a esmiuçar (palavra na moda) o livro de Pedro Passos Coelho, “Mudar”. O primeiro post foi de Luís Moreira.

Não se espere um resumo da obra mas antes uma análise crítica da mesma.

Mudar??? É poesia para os meus ouvidos!

O sugestivo título “Pensar Portugal” (páginas 19 a 27) apresenta-nos um breve resumo histórico assente, em meu entender, num ponto fundamental e que não resisto a sublinhar com uma citação:

“Assim sendo, o problema crónico foi o de construirmos uma nação muito polarizada num Estado demasiado centralizado, primeiro com a Monarquia e depois com as formas de governo da República, transferindo do Paço monárquico para o Terreiro do Paço republicano, o essencial da natureza centralista do poder político em Portugal. Esse é, julgo eu, um dos grandes problemas do nosso país”.

Eu nem queria acreditar. A enorme lucidez deste escrito de Pedro Passos Coelho – apenas divirjo num ponto: não é “um dos grandes problemas do nosso país”, é mesmo o problema – demonstra a razão que assiste a todos aqueles que, como eu, defendem uma profunda e urgente reforma administrativa conducente à Regionalização.

Ora, quem afirma algo como aquilo que se pode ler na citação em causa, só pode defender a Regionalização. Aqui não pode nem deve existir um “mas”. Temos de ser consequentes: a asfixia centralizadora em que vivemos é a causa primeira da nossa pobreza e do nosso atraso crónico em relação aos outros países europeus. Quando o Pedro Passos Coelho, qual médico, detecta a doença que atinge o paciente, só lhe pode prescrever os fármacos adequados a debelar, de vez, a maleita. Um Estado demasiado centralizado obriga a uma descentralização real e não meras aspirinas (mudança de ministérios para a parvónia, transferência de competências confusas e difusas para as autarquias locais sem o competente envelope financeiro, etc, etc, etc.) ou seja, obriga a uma Regionalização.

Sem medo nas palavras e nas acções a realizar. Em suma, cumprir o título da obra: MUDAR!

Há coisas giras, não há?

Ora vejam lá o que aqui dizem…

A Câmara Municipal de Lisboa destruiu o Saldanha


O edifício da primeira imagem, foi sede de campanha de Soares em 86 (primeira e derradeira vez que votei em alguém para esse encargo). A porta principal já foi emparedada e se o casarão – miniatura do Palácio Foz – ainda não foi destruído, isso deve-se, creio eu, ao facto de o Instituto Rubinstein estar em funcionamento. Este palacete deve ser preservado e aqui apelo aos drs. Mário e João Soares, no sentido de procurarem evitar o desaparecimento desta casa que um dia, fez parte da sua história.

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Memória descritiva: A capital e o capital – («Braga reza, o Porto trabalha, Coimbra estuda e Lisboa diverte-se»)

Capital é palavra com muitos significados. Das mais importantes acepções destaco duas, dois substantivos com géneros diferentes – o capital, acepção do foro da economia; a capital, na área da geopolítica. Dois famosos livros, entre muitos outros, celebram cada uma das acepções – «O Capital», de Karl Marx, e «A Capital», do nosso Eça. Como adjectivo tem também a sua importância – pena capital, por exemplo, para quem a ela tiver sido condenado, assume uma dimensão transcendente.

O significado de que, para já, me quero ocupar, é aquele sobre o qual Eça de Queirós dissertou num romance que viria, depois, a dar lugar à sua obra-prima «Os Maias». Isso mesmo, a capital de Portugal – Lisboa. No seu livro, Eça relata as vicissitudes de um provinciano numa capital, também ela provinciana. Porque naquela época final do século XIX, tal como agora, a capital era um espelho do País. Como se cada país tivesse a capital que merece.

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