A questão de os jornalistas poderem ou não tratar a sua colega Fernanda Câncio por "namorada do primeiro-ministro", agora ratificada pelo plenário da Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas, parece-me um bocadinho provinciana e desinteressante.
O que questiono é porque não tratam os jornalistas José Sócrates por "namorado de Fernanda Câncio". O sentido unívoco no tratamento das relações amorosas que remata amiúde no clássico "a senhora de", fazendo de uma mulher pouco mais que uma posse do seu homem, mete nojo.
No mesmo dia em que li no Público uma atabalhoada explicação dos autarcas famalicenses sobre o desaparecimento das vereadoras do PSD/CDS, que decoraram as listas para cumprir a lei mas uma vez eleitas suspenderam os mandatos, com frases deste gabarito:
“As senhoras foram convidadas pelo presidente da câmara, por carta, para exercerem determinado tipo de funções a tempo inteiro e para os quatro anos e foi nesta contingência que tomaram uma decisão”
ou
"Não posso obrigar as senhoras a assumir o mandato”
gostava de ver estes senhores a ganhar em respeito o que bem podiam perder no tratamento cerimonioso e obviamente hipócrita.


O desespero dos cientistas é a descoberta do que é o método científico. Cada intelectual procura a sua metodologia e é classificado por ela. As ciências sociais confundem-se com o senso comum já que, para além da inexistência de códigos e instrumentos específicos, todos os indivíduos procuram orientar e racionalizar as suas acções dentro de uma determinada estrutura social, verificando-se assim a dificuldade de eliminar aspectos subjectivos na análise do cientista. Tarefa difícil de realizar. O caminho mais simples é o preconizado por John Stuart Mill, filósofo e economista escocês, que em 1895 no texto Utilitarianism, editado por William Colins Sons & Co, Glasgow, diz que o caminho mais simples para saber a verdade de um facto, é o da lógica ensinada por David Hume em 1739: A Treatise on Human Nature, Oxford University Press, versão portuguesa da Editora Gulbenkian, 2001. A lógica recomendada é da indução, dedução. A indução é entender os factos que pretendemos desvendar, aplicando teoria e, através de outras hipóteses, explicar a nossa pretensão; alternativamente, mas em conjunto, a hipótese da dedução: estudar os factos e retirar deles teoria ao comparar com métodos provados de pesquisa. A meu ver, indução e dedução devem ser usados em conjunto. É impossível teorizar sem factos investigados, bem como fazer da teoria, factos. Este foi o caminho que aprendi com o meu orientador de estudos, Jack Goody, que me ensinou também que os factos são retirados do t









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