Portugal 2009

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E NEM SEQUER FOI ANO BISSEXTO.

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Mas que raio de ano foi este de 2009.

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Em Portugal,

Arderam mais hectares de floresta do que é costume.

Houve mais crimes violentos do que é costume.

Há mais fome do que é costume.

Há mais doenças novas do que é costume.

Há mais tráfico de droga do que é costume.

Há pior educação do que é costume.

Há pior economia do que é costume.

Há pior política do que é costume.

A crise é pior do que é costume.

A vida é muito pior do que é costume.

Anda meio País a ser enganado pelo outro meio, como de costume.

Há mais corrupção do que se imaginava e era costume.

E como de costume os mandantes não se entendem para nos salvar.

E eu não costumo estar acostumado a estes costumes.

QUE RAIO DE PAÍS ESTE EM QUE VIVEMOS.

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E no mundo em geral,

Morreu mais gente importante do que é costume.

Cairam mais aviões do que é costume.

Há mais guerra do que é costume.

Há tanta ou mais fome do que é costume.

Está tudo mais quente do que é costume.

E como de costume os mandantes também não se entendem para o salvar.
E eu não quero estar acostumado a estes costumes.

Que raio de ano este, que nunca mais acaba!

QUE RAIO DE MUNDO ESTE EM QUE VIVEMOS.

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Há para aí um novo mundo, a quarenta e dois anos luz de distância.

Podemos ir para lá?

-Ainda não?, e uma ilhotazita perdida no meio de Atlântico ou do Pacífico, pode ser? Por favor? Hum?

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F.C. Porto vs benfica:

Eu vou ver no meio de mouros ferrenhos no Abacaxi (Maia). Na blogosfera podem acompanhar:

AQUI
AQUI
AQUI
AQUI
AQUI
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Poemas com história: Memória descritiva

Com «Memória descritiva» encerro esta série dos «Poemas com história» Durante alguns meses, à razão de um por semana, aqui fui fazendo desfilar textos poéticos que escrevi, sobretudo durante o período da ditadura – alguns pertenciam a livros que foram apreendidos pela polícia, tais como «A Voz e o Sangue» (1ª edição em1967) e «A Poesia Deve Ser Feita Por Todos» (1970). O primeiro destes títulos foi a causa próxima da minha prisão em princípio de 1968. Outros pertenciam à única colectânea de poemas que publiquei depois de 1974 – «O Cárcere e o Prado Luminoso» (1990). Alguns, muito poucos, eram inéditos. [Read more…]

Ricardo Rodrigues e o gang internacional

Os invulgares talentos do vice-presidente da bancada socratista já tinham sido referidos algumas vezes no Aventar.

Agora é o Tribunal da Relação de Lisboa que confere:

A Relação, pronunciando-se sobre a utilização da expressão gang, considerou que a palavra era “insultuosa e indelicada”, mas estava “justificada em factos”.

O juiz de instrução concluiu que a acusação de que Rodrigues se envolvera “com um gang internacional” tinha sustentação.(…)

A sua sustentação como porta-voz do PS para questões ligada à corrupção, nomeadamente em relação aos offshores que tão bem conhece, leva-me a desconfiar que se trata de uma escolha tecnocrática: o  homem é sem dúvida um especialista, e estava fora de causa ter-lhe atribuído o ministério da Agricultura, como chegou a ser boatado. Aguarda serenamente por uma vaga na Justiça, ou mesmo nas Finanças.

Pai natal do prego

Na minha rua há uma casa de penhores. O prego, como lhe chamam. Vem muita gente pôr os bens que lhe sobram no prego, mas nunca aparecem com sacos ou maletas, e por isso suponho que só trazem coisas pequenas: um relógio, o cordão de ouro da avó, a aliança de casamento.

Á porta do prego está um polícia que se aborrece a ver o entra e sai desta gente, e se entretém a seguir com os olhos as mamas da filha da dona do café, que passeia saltitante pela rua acima e abaixo. [Read more…]

Os interludios do presidente

Cavaco Silva diz que o casamento não passa de uma questão lateral. O foco deve estar nas questões económicas, de resolução da crise.

Todos concordamos que o combate da crise e’ prioritário. Mas não vejo porque todo o pais só trate, durante meses, uma única matéria. Como se não houvesse mais vida alem do orçamento.

Portanto só há duas formas de ver a coisa: o presidente acha que o casamento gay e’ uma questão de direitos e promulga a lei em dois tempos; ou o presidente tem asco só a esta ideia e nem sequer a admite. Neste caso, a resposta que deu foi de desprezo pelo tema e pela lei aprovada pelo Conselho de Ministros.

Eu desconfio de qual seja a razão. Não sei o que vocês pensam disso?

O encenador e o coro

Cavaco Silva, perante as perguntas dos jornalistas, acerca do casamento gay, respondeu que estava mais preocupado com outras questões, como sejam as económicas, o déficite, a dívida externa, o crescimento do PIB.

Naturalmente que as prioridades no momento são aquelas e não outras. A crise está aí para durar, o desemprego a crescer continuamente, todas as energias são poucas para atacar tão dificeis problemas.

Hoje, já veio a público o coro socialista habitual, amestrados, aí estão a fazer o “número” preparado, o presidente está a meter-se na governação.

A seguir vamos ter a regionalização, enquanto o Orçamento Geral do Estado, vai sendo preparado no maior dos segredos, sem colaboração da oposição nem da sociedade civil.

A encenação, rotineira e sempre vista, está a tomar forma, ou o orçamento passa sem discussões “inuteis” ou então, o coro afinado entra em cena.

Deixem-nos governar!

A máquina do tempo: nota sobre Federico García Lorca

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Depois de dois dias em que fui relatando o que ia acontecendo nas procura dos restos mortais de Lorca, vou hoje, finalmente, falar sobre a vida e a obra do grande poeta, embora os elementos essenciais da sua biografia estejam contidos nos dois vídeos que encabeçam este texto e que devem ser visionados de seguida, pois, no seu conjunto, constituem uma narrativa muito interessante.

Mario Hernández, catedrático de literatura espanhola da Universidade Autónoma de Madrid, grande estudioso da obra de Lorca, o jornalista Antonio Ramos, a empregada dos pais do poeta, María Matas e Alfonso Alcalá, da Casa Museu Fuente Vaqueros, traçam-nos um retrato impressivo, emocionado, mas veraz, da sua biografia. Dispenso-me de repetir esses dados. [Read more…]

inverno: vivaldi leva com as guitarras, estremece no túmulo, mas até acha piada

Alexi Laiho & Roope Latvala,  Le quattro stagioni de Vivaldi, inverno, Allegro non molto

Têm montes de pinta no fim, quando acabam e abanam os cabelos.

Copenhaga fracassou

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2007: Pólo Norte, “Um dia tudo isto será teu, filho!”

2057: Pólo Norte, “Fixe, obrigado pai!”

Copenhaga fracassou. Que surpresa…

Poemas do ser e não ser

A saudade vai de barco

leva na frente a luz vermelha

que fende as águas verdes.

Atrás uma palmeira

menina do deserto

aprisionada no sonho.

Balançam copos de vinho

à flor do mar incerto

e a música desce ao fundo do mar.

O peito estremece

e entrelaça os remos

nas mãos da água

que já não abraça

o ventre do casco verde.

                (adao cruz)

(adao cruz)

Aventar invade Coimbra:

Do bacalhau passando pelo arroz de cabidela e terminando numa majestosa Mousse de Chocolate, assim se passou um dia fantástico em Coimbra neste que foi o segundo almoço do Aventar. Aqui ficam as provas (fotográficas) do crime e as nossas desculpas pelas garrafas de água – foi disfarce da malta do fundo da mesa, na verdade era vodka do dono do restaurante 007.

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(o casal simpatia)

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(o JJC – Anfitrião a olhar para o fundo)

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(A Água)

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(Aparição)

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(O Grupo)

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(Cimbalino)

E que tal mandá-los para o fundo?

O Comandante da Marinha, prestes a receber o primeiro submarino, diz que não sabe o que fazer com ele. Óptimo! Já perdemos os milhões do custo, os milhões das contrapartidas, agora temos uma boa hipótese de poupar no combustível. Fundo com ele!

O segundo, deve ser tambem afundado mas cuidado com as marés, é melhor ser afastado do primeiro, não vá haver a tentação de investigar o que deve morrer, singelamente, no seu ambiente natural.

Outro cenário, é usá-los para preparar uma estrutura no fundo do mar para os peixinhos procriarem, que as sardinhas estão a desaparecer a um ritmo superior às contrapartidas.

Outra hipótese, embora possa haver alguma promiscuidade, é juntá-los aos aviões F16 que nunca saíram dos caixotes.

E cá vamos cantando e rindo!

Almoço do Aventar

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O Aventar foi almoçar.

Estiveram presentes vários aventadores, desde o fundador ao elemento mais recente e tivemos uma excelente recepção do aventador JJC.

outra canção com inverno, no leblon: adriana calcanhotto

Inverno,  Adriana Calcanhotto

No dia em que fui mais feliz
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar até sumir
De lá pra cá não sei
Caminho ao longo do canal
Faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é quase glacial

claude lévi-strauss em trabalho de campo

Claude Lévi Strauss, trabalho de campo no Brasil, 1933
Claude Lévi Strauss, trabalho de campo no Brasil, 1933

Foi o único trabalho de campo  que realizou durante a sua vida, em Goiás, Matto Grossoe Paraná, Brasil Central, resultando no  famoso  livro: Tristes Tropiques, Plon, 1955, no qual define a melhor ideia da sua vida: apesar da diversidade, todas as culturas apresentam pontos comuns e semelhantes,   nomeadamente quanto ao etnocentrismo.

Este poste é tão só uma nota de louvor para o grande sábio que, pela primeira vez em 102 anos, não passa o Natal connosco. [Read more…]

Poemas com história: Trago uma voz encarcerada

O poeta Marcos Ana na Feira do Livro de Madrid, em Junho de 2009.

O escritor Marcos Ana, pseudónimo de Fernando Macarro Castillo, nasceu perto de Salamanca em 1920. Durante a Guerra Civil, integrado no Exército da República, participou na Batalha de Madrid. Preso, foi torturado e condenado à morte, embora a pena nunca tenha sido cumprida. Em meados dos anos 50 começou, na prisão, a escrever os seus poemas. A sua obra chegou a diversos intelectuais e gerou-se um movimento para a sua libertação. A Amnistia Internacional pressionou o governo de Franco e, em Novembro de 1961, foi exilado em França. [Read more…]

Sugestão de prenda de Natal

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Uma bela cortina de chuveiro. No cartão, além do tradicional Feliz Natal, opte por uma assinatura diferente: Norman Bates.

Se a prenda for oferecida a uma mulher, ainda melhor.

ele vem aí, música para o solstício de inverno: the dodos

The Dodos – Winter

Em astronomia, solstício é o momento em que o Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do equador.

Goodnight my love, you seemed so nice 'til I knew you better
Now I can tell you're always thinking twice about what might be better
On the outside, there's no conscience, you're a victim of your cautiousness
You don't try, you just lie there hoping that someone will come to make it right

A máquina do tempo: Ponto final nas buscas dos restos mortais de Federico García Lorca – o poeta não foi sepultado no lugar de Alfacar (Granada)

Aspecto que apresentava ontem a zona onde se julgava estar sepultado Federico García Lorca, no lugar de Alfacar.

Ontem, chegou ao fim a busca dos restos mortais de Federico García Lorca. Utilizando meios sofisticados de detecção, durante cinquenta e um dias, foram procurados no local onde, desde há 73 anos, se julgava estarem enterrados. Fontes ligadas à busca, concluíram «Não se encontraram restos humanos. A partir de agora ter-se-á que escrever a história com dados científicos. Acabaram-se as especulações» (…) «escavou-se a terra até ao limite do possível». Na última vala onde se procuravam os restos do poeta, foi encontrada uma rocha com o que parecia ser impactos de bala. E isso deu alguma esperança.

Porém, o veredicto final foi ontem emitido: «Não se encontraram restos humanos. Há evidências científicas de que nunca houve enterramentos nesta zona» (…)«Não apareceu nem um só osso, nem roupa, nem cápsulas de balas. O terreno foi visto palmo a palmo». Francisco Carrión, arqueólogo-chefe das escavações, sentenciou a questão: «A possibilidade de ali haver alguma coisa não é nenhuma. Nem um grama de informação», [Read more…]

O próximo e todos nós

O palhaço

Jornal de Notícias – 2009-12-14

http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=M%E1rio%20Crespo

“O louco tem-se por sábio, mas o sábio sabe que ele é um louco.” (William Shakespeare)

O que Mário Crespo descreve aqui tão magistralmente não só diz respeito a Portugal mas a toda a União Europeia e meio mundo, sobretudo aos EUA. Vale a pena ler, é profundo e divertido ao mesmo tempo.

Todavia, quando Mário Crespo, concluindo, escreve

“(…) Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples. Ou nós, ou o palhaço.”

falta diferenciar o seguinte: os nossos sociosistemas, devido a causas conhecidas, viraram às avessas. Isto é um facto. Tendo a sociedade esquecido como vencer a unidade polar (dualidade) entre os antagonistas inseparáveis e indispensáveis, o “sério” e o “palhaço”, ela ficou de índole “palhaça” no seu todo. É daí que resultou o grave desequilibrio da sociedade do qual todos nos ressentimos cada vez mais.

Quanto à forma de nos livrarmos do “palhaço”, porém, é preciso muito cuidado. Como ele faz parte do sistema, qualquer tentativa de irradiá-lo é inútil e levar-nos-ia pelos caminhos de George W. Bush de má memória. Portanto, não adianta tentar identificar, prender ou eliminar os “palhaços”, pois isto levaria a uma sociedade cada vez mais dividida que entrará em confrontação violente aberta. Basta retirar-lhes o “pio”, o poder. (Que alguns cidadãos que, sob o reinado do “palhaço”, cometeram crimes puníveis pela lei, tenham que ser julgados é natural mas não prioritário. Fica para depois porque as penas impostas em tempos de “palhaço” são…”palhaças). [Read more…]

É fartar, vilanagem!

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Definitivamente, a localidade de Paredes – e o pateta PSD lá do sítio– parece estar a tornar-se num local mal frequentado. Diz-se por aí que o edil perdeu a cabeça e resolveu comemorar não se sabe bem o quê e quem, erguendo um pau de bandeira com perto de cem metros de altura. Logo a correr, veio o senhor da tutela manifestar o seu apoio a tal iniciativa, exactamente no momento em que o governo pede sacrifícios e contenção nos gastos. [Read more…]

Arsenal de Braga

O Braga ganhou o solstício do Inverno.

Em primeiro lugar desde a 1ª jornada.

domingos paciencia

Estou a gostar deste campeonato.

FutAventar – Braga…

…O Campeão de Inverno 2009.

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Pois tá claro!

O Bastonário da Ordem dos Médicos tem toda a razão: corre-se o risco de haver excesso de médicos em Portugal. E é fácil de ver isso em qualquer centro de saúde. Mesmo naqueles que não têm médico de família. Ou nos hospitais em que o médico fala em galego.

O problema em Portugal não é a falta de médicos, mas sim o excesso de doentes.

Há doentes a mais, meus amigos.

Não foi à toa que se introduziu “taxas moderadoras” já no tempo dos governos de Cavaco Silva, porque já então se percebeu que era preciso moderar o povo que tinha a mania de ir para os hospitais fazer exames, cirurgias e afins.

Isto não pode ser!

É como a Justiça: ela funcionaria bem melhor se não fossem tantas pessoas e empresas a recorrer a ela. Por isso se está a desviar os assuntos paras as conservatórias, para os notários, julgados de paz e afins. Para libertar os tribunais dessa gente que vai para lá atafulhar tudo com processos só porque alguém lhes deve dinheiro, ou porque querem partilhar bens comuns, ou porque lhe deram nos olhos, ou seja lá pelo que for.

Há doentes a mais.

Há gente a pedir Justiça a mais.

A continuar assim, vai ser necessário começar a exportar mais gente para o estrangeiro, pois a emigração forçada pelo alto desemprego que vivemos não parece chegar…

É Natal, pá!

É usual serem aplicadas sanções económicas ou boicotes a países cujos regimes violam os Direitos Humanos, ou desrespeitam imposições da ONU, ou por outra razão “qualquer”.

Até nós tivemos em Portugal uma campanha para que não se comprasse produtos feitos na Indonésia porque ocupava ilegitimamente Timor.

Curiosamente hoje já não nos importamos, por exemplo, que constantemente sejam executados chineses. Aliás até se dá benefícios fiscais ao comércio chinês. E, acrescentando o facto de venderem de tudo mais barato do que no comércio tradicional, percebe-se como não há terra que não tenha a chamada “loja dos chineses”.

Que diabo, sempre vendem produtos mais barato. E para quem tem de (sobre)viver com pouco, até mesmo essa coisa da qualidade de que tanto falam os nossos políticos, são para carteiras que não da maior parte do pessoal. Porque a qualidade importa algo que não é lá muito compatível com o nosso nível de vida: encarece.

Também não nos preocupa que a China seja um dos maiores poluidores do planeta que habitamos (embora o Tio Sam continue a liderar). Queixamo-nos que as radiações estão no auge, que sofremos com isso, mas barato é barato e em tempos de vacas magras há que fazer pela vida.

Em Copenhaga, a China até se diz muito preocupada com a defesa do ambiente, e que tem levado a cabo um enorme esforço para reduzir os níveis de poluição. Imagino mesmo que venha a curto/médio prazo a substituir os fuzilamentos por enforcamentos que têm um impacto ambiental menor ( a começar em sede de poluição sonora).

Assistindo ao corrupio das compras de Natal, entre grandes superfícies e o comércio tradicional, é fácil de ver que nas secções de brinquedos, os carros comandados e as bonecas feitos no oriente não dão hipótese aos brinquedos europeus. Até mesmo porque pelo preço de um ou dois brinquedos europeus compra-se, do oriente, tudo para filhos e sobrinhos e canalhada em geral. E mesmo grandes marcas ocidentais, de ambos os lados do Atlântico, produzem os seus artigos na China.

Nestes momentos, as teorias da defesa dos Direitos Humanos, do ambiente e da aposta na qualidade para vencer os desafios do futuro, ganham contornos de ridículo.

Só uso o pé direito para andar


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Ele há dias assim. O bloguista refractário e preguiçoso, levanta-se bem disposto e finalmente decide interromper um longo e imperdoável silêncio.

Na véspera, exausto, entrou tarde e apressado em casa. De fugida beijou a mulher, cheirou o perfume do tacho, fez uma festa ao cão, abriu uma cerveja e sentou-se na cova do sofá. Pegou no comando e acalmou. A primeira parte ainda não tinha acabado. Mas, porque o vício é maldito e o  zero a zero persistia, puxou de um cigarro. A mão esquerda –  o bloguista é canhoto – ensaiava ainda a trajectória que lhe levaria o lume do isqueiro à ponta do paivante, quando o puto, também canhoto, na esquina direita da área maior do lado esquerdo da defesa, bateu no esférico, com o lado direito da bota esquerda. A bola, tão caprichosa como o puto, descreve um duplo arco, na horizontal e na vertical. Bate no relvado maltratado, trai o crédulo keeper e aloja-se nas malhas laterais do segundo poste. Era o primeiro. O bloguista, mais tranquilo foi pôr a mesa que a mulher reclamava. Disfarçou o melhor que soube a pressa do comer. Dispensou a sobremesa e urgente, pediu licença.

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O capitalismo é reformável?

Copenhaga levanta muitas questões, uma delas é esta. A que título as geraçõess vindouras e os povos que ainda não alcançaram o bem estar, estarão preocupados com este sistema, que se mostra injusto, poluente, mas o único que cria riqueza acumulável?

O que se vê é que as gerações jovens consomem muito mais do que a minha geração, o que não impede que todos estejam a favor do ambiente, contra a destruição do planeta.

A verdade é que, ou há alguem capaz de renunciar ao consumo, a este nível de consumo, ou então a saída é o sistema, destruindo, ser capaz de inventar formulas e conceitos que só o desenvolvimento da tecnologia e da ciência permitem. Acabamos com o desenvolvimento assente no petróleo, por esgotamento deste, mas a tecnologia das pilhas, por exemplo, permite manter o modo de vida com vantagens ambientais. Mas antes da existência das pilhas ninguem acredite que os automóveis vão deixar de entrar todos os dias na cidade.

Aqui não funciona o altruísmo nem a solidariedade, funciona o consumo e o bem estar, por isso, não vale a pena fazer de conta que o problema é do sistema.

Mas, por outro lado, coloca-se a questão. Mas, então, o capitalismo é a fase final do desenvolvimento da Humanidade? Está tudo inventado com o capitalismo? Não há formulas alternativas mais justas e mais equilibradas social e sustentavelmente?

O que está á frente dos nossos olhos em Copenhaga, como já todos perceberam, é os países que estão acomodados a guardar o seu quinhão, e os países em vias de desenvolvimento a precisarem de poluir mais para chegarem aos níveis de bem estar que a sua população exige!

E a verdade é que não se vê alternativa, a não ser talvez, o bom senso! Nós todos, os que poluem mais deixar de poluir tanto, para que outros possam poluir um bocado. É isto, uma saída sustentável? Não é! A população que espera a sua vez é muito mais numerosa que a que goza previlégios de bem estar. É a tecnologia e a ciência que irão abrir novos caminhos sustentáveis e menos poluentes?

Ao fim de todos estes anos de procura de novos sistemas de produção e repartição, onde estão as alternativas?

Deixem-se de mariquices, e tratem mas é das coisas sérias

Em relação à instituição casamento estou de acordo com o Ricardo Teixeira: “Não consigo deixar de olhar para o casamento como o mais balofo património da heterosexualidade e o mais tolo acto de sexismo militante.”

Em relação ao casamento gay estou-me igualmente nas tintas. Acompanhei no seu início alguns dos primeiros movimentos de defesa dos homossexuais enquanto absoluta minoria, humilhada, perseguida, causa com que evidentemente estou. Agora há prioridades e patitices. Prioridade é por exemplo isto:

Gays, travestis e transexuais condenados à prisão em Belo Horizonte ganharam uma ala especial na penitenciária masculina de São Joaquim de Bicas. Aberta há um mês, a ala permite, por exemplo, que as travestis e as transexuais mantenham os cabelos compridos, o que não podia ser feito em presídios comuns. A ala ainda está em fase experimental e já conta com 37 presos. Além de valorizar a autoestima dos presos, a ala também prevê a diminuição da violência e a preservação da saúde, já que os homossexuais são as principais vítimas sexuais das prisões.

Sucede que nestas causas também há classes. E os movimentos LGBT não parecem estar preocupados com o que se passa nas penitenciárias, lugar por excelência onde vai parar o pobre (e aliás os pobres mesmo pobres,não se casam, que custa dinheiro, juntam-se). Ainda me desperta uma vaga solidariedade contra a estupidez humana a entrada em cena da ICAR e demais reaccionários defendendo a família, dizem eles, como se esta fosse una, a tradição como se o casamento de hoje tivesse alguma semelhança com o de há 50 anos, no seu eterno absolutismo somado à abelhuda mania de meter o nariz  no sexo dos outros. Só por isso se houver referendo como pelos vistos vai haver ainda sou capaz de ir votar. Só para chatear, que bem o merecem. E sinceramente, por muito que isso me estranhe, estou com estas cavacais declarações:

Interrogado se, então, o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é para si uma prioridade, o Presidente da República reiterou que é com os «quinhentos e muitos mil» desempregados que está preocupado.

Com esses e com os que são enxovalhados por conta da sua opção sexual também, mas isso já não se pode pedir ao homem que vai receber o Papa na condição de Presidente da República crente.

A menina Constança

Um dia, em Castelo Branco, apareceu-nos um carrão à porta do Liceu com uma passageira que, para nosso espanto, era uma aluna vinda de Portalegre, segundo se segredava. Aquilo, carro e menina a sair do bólide, deixou a maioria com os mesmos sintomas da Gripe Espanhola, que grassava então .

Era alta e grande, uma mulher para os seus 16/17 anos , nuito vistosa, vestia de maneira que a maioria de nós parecia um pedinte. E com a sorte muito própria que tenho, para mal dos meus pecados, teve que aterrar na minha turma.

Na minha turma vegetava o José Jacinto Beato, que tirava duas cadeiras por ano e o Pratas que ainda tirava menos, eram os mais velhos e os mais incorpados. Tinham mais dois, três anos que os normais, chamesmo-lhes assim, o que naquela idade é uma calamidade. Terceiro (no físico, que não na burrice) estava este vosso amigo que lá ía acompanhando os seus ídolos que namoravam e arranjavam uns bailes, numas casas do pai do Freixo (esse do pato que fala sozinho, o ventríluco da TVI).

Bem, o nosso professor, Moura Pinheiro, (o tio-avô da jornalista, segundo julgo saber) homem de muitas idades, com o seu ar de quem nem todos os dias batia bem a bola, vá de reunir os três para a conversa a querer saber qual de nós namorava a menina Constança. Que não, nenhum de nós namorava, se nos viu a acompanhá-la era só isso, companhia. Pois sim, pá, quero ver qual de vós é que a “engata” e relatórios frequentes acerca do assunto.

Bem, por aquelas alturas havia os exames, e se na maioria o copianço resolvia a questão, nas orais, e a Inglês, era quase intransponível. Derrotado por esta dificuldade incontornável, pára o carro do Dr. Moura Pinheiro e dá-me uma boleia até ao Liceu. Então, pá, como vai a menina Constança ? E eu ó sr. dr, isto anda mal, agora vou para a oral de Inglês e é chumbo certo. De Inglês? é pá, eu sou o presidente do juri, diz-me o professor, e eu habituado ao desenrascanço, vi logo ali uma hipótese. Ó sr dr. podia ajudar-me, eu estudei bem aqui uns textos e o sr dr. escolhe um destes que eu li com mais cuidado. Qual?, pá? pode ser este dos desportos (ele ao fim de semana ía ver os jogos do Benfica e Castelo Branco, e eu era jogador do BCB).

Eh, pá, lês aquilo bem, pergunto-te qual é o desporto que praticas, se conheces outros desportos, por esta ordem, e andou…olha para mim, com ar maroto e eh, pá, tens que me contar como é isso dos bailes com a menina Constança.

Li o texto com impecável pronúncia Londrina, não percebi mas respondi às duas perguntas, e pode sentar-se, já cá cantava mais uma disciplina, com grande desespero do Beato e do Pratas que chumbaram mais uma vez.

E quanto à menina Constança ? Nunca lhe toquei o que não impediu a descrição de uns tangos “à maneira” braço enroscado na cintura delicada e ” cara na cara” à Buenos Aires!

PS. dedicado ao Beato e ao Pratas que já cá não andam.