Comer e gostar

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Muito elogiou Bruxelas as políticas de austeridade portuguesas! E também numerosos ministros do grande Norte se desfizeram em elogios. O governo português, por seu lado, aplicava com prazer tais medidas – com umas lagrimitas de crocodilo à mistura – e dizia que eram boas as suas políticas. E melhores ainda as obrigações que, a cada dia, os “parceiros europeus” acrescentavam a essa austeridade. Mais sacrifícios, mais pobreza logo, para o governo, mais deleite. Mais humilhação, mais gozo.
A propósito: chama-se coprofagia ao hábito, que certos animais apresentam, de ingerir excrementos. Já quando se trata de humanos, este hábito, neste caso designado coprofilia, sendo categorizado como patologia, traduz-se no prazer em ingerir fezes ou, no caso de práticas sexuais de dominação, impor ao submisso a deglutição de matéria fecal. No melhor dos mundos coprofílicos, dominante e dominado encontram, cada um a seu modo, prazer.
(a imagem não é simpática, mas há dias em que a paciência se esgota)

Quando não se consegue imaginar a possibilidade de dizer não, não se está a negociar

Varoufakis explica o acordo e como se escreve a palavra negociar, legendado em português.

Memória vigilante

Não, não sou anti-alemão nem nada que se pareça. Mas procuro também não ser ingénuo. Estamos e queremos continuar em paz, mas convém não ter memória curta. Esta citação não é uma provocação nem se ignora a diferença de contexto. Mas talvez seja bom para todos (todos!) lembrar tempos não muito antigos, uma certa maneira de ver:

Fazemos unicamente o que convém ao nosso povo e, neste caso, o interesse do povo germânico consiste no estabelecimento de uma rigorosa ordem alemã nestes países, sem prestar a menor atenção às reclamações, mais ou menos justificadas, das pequenas nacionalidades” ( Joseph Goebbels)

Que agora comer é um luxo, é um luxo

 

Não se percebe, ou será apenas uma dificuldade minha, como pode ser que, apesar da crise, continuem a multiplicar-se os restaurantes. Nem sequer aqueles capazes de agradar a um público heterogéneo, mas cada vez mais especializados em coisinhas pequenas, maniazinhas, tiques refinados. Depois da moda das hamburguerias, agora é ver abrir as casas que só têm chás, as que só têm torradas, o restaurante que serve comida em pratos para cão (por Tutatis!), a casa que se especializou em cereais com leite, a que só confecciona refeições com conservas. No meu nada turístico bairro, cheio de casas em ruína e velhotes a sobreviver com reformas miseráveis, abriu um restaurante gourmet, com cozinha de fusão, ementas em inglês, citações refinadas na parede. Durou exactamente cinco semanas, das quais passou quatro às moscas. Era uma espécie de extraterrestre que nos aterrou ali e que olhávamos com a mesma estupefacção com que espreitaríamos uma manada de unicórnios a atravessar a rua. Um dia desapareceu para dar lugar ao velho cartaz “Aluga-se” que já conhecíamos bem. [Read more…]

Os pompeus

Quando eu andava na escola primária, na primeira parte do século passado e em África, havia sempre em cada turma um Pompeu (ou uma Pompeia). Que vinha a ser um ser sisudo, penteadinho, que não se misturava nas brincadeiras do recreio, que mirava com olhos de detective todos e cada um, que denunciava e fazia queixinhas, e que sobre isto mal o professor perguntava quem sabe? se levantava logo de mão no ar. Oferecia-se para ir ao quadro, lambia os pés dos professores. Tinham estas qualidades todas, ninguém os suportava e, sempre que podíamos, enfiávamos uns bofetões naquelas caras estanhadas Ninguém os convidava para nada, nem na escola nem fora da escola. Eram tão excepcionais que nos ficaram na memória, como exemplo de lástima. Estou em crer que todos rezávamos para nunca termos um irmão Pompeu.

Pela vida fora ainda fui encontrando uns quantos Pompeus, incluindo na minha profissão. Sempre que tinha de lidar com eles, lá me vinha aquele desejo nascido na remota infância de lhes ir à fuça. Fiquei-me sempre pelo sensato conselho das terras ribatejanas: trela no lombo e campos da Golegã com eles. [Read more…]

Governo de ressabiados

Os spin doctors da direita acharam que era boa ideia trazer algo que se passou há 30 anos para justificar a posição do governo português contra a Grécia. Na melhor linha dos ressabiados, que cá se fazem, cá se pagam. Seguindo o mesmo raciocínio, nem quero saber o que nos acontecerá devido aos bloqueios negociais que Portugal fez ao longo dos anos para obter melhores “envelopes” financeiros nos quadros comunitários.

Mas não é por vingança que o governo português assim age mas apenas porque a vitória de uma alternativa é a derrota da política “não há alternativa”, a base ideológica deste governo.

As prioridades de Pedro Passos Coelho

Passos aldrabão Finalmente Sou um Gajo Desempregado

Montagem@Finalmente Sou Um Gajo Desempregado

Entre ir além das imposições da troika e garantir a todos os portugueses o Direito à Vida, consagrado nesse documento aborrecido que dá pelo nome de Constituição da República Portuguesa, o primeiro-ministro não parece ter dúvidas. Salvar vidas sim senhor mas com juizinho.

Não deixa de ser caricato ver um primeiro-ministro ter esta postura face a problemas reais da dimensão da Hepatite C quando a sua esposa enfrenta uma doença tão abominável como o cancro. Teria Passos Coelho a audácia de usar o mesmo argumento quando em 2011, obcecado com o poder, debitava falsas promessas à velocidade da luz? Yeah right…

“Espanha e Portugal tentaram bloquear o acordo”

Tal como a Carla noticiou em primeira mão, a Skai TV, que faz parte de um dos maiores grupos de media da Grécia, afirma que “Espanha e Portugal tentaram bloquear o acordo” da Grécia com o Eurogrupo.

Aqui fica o link e uma captura de ecrã para que esteja documentada a canalhada a que estamos sujeitos.

skaiTV

Tradução Google, fraquita, mas pode-se sempre ler o original em grego.

PS: o fuso horário da Grécia é Lisboa + 2 horas.

Adenda: Ouça os comentários dos intervenientes no vídeo seguinte:

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Sobre U.E., Grécia e Portugal…

Uma das soluções apontadas para a resolução do problema das dívidas soberanas são os “eurobonds”. Alemanha, Finlândia ou Holanda nem querem ouvir falar no assunto, para citar apenas alguns países opositores à medida defendida pelo PS e alguns políticos, nomeadamente no Sul da Europa, principalmente na área da social-democracia. A questão não é fracturante apenas do ponto de vista ideológico, a meu ver mal, porque é apenas nesse patamar político e económico que deve ser discutida. [Read more…]

Boas notícias para as universidades   portuguesas

Durão Barroso vai dar aulas na Universidade de Genebra

Lembrete: não repetir maiorias absolutas

Sócrates ganhou maioria há dez anos

Um Exército de Mentecaptos

isis

Qualquer dia recebem um oscar ou um bafta ou acções do BES.

Castas à prova de austeridade

Tacho Laranja

Escrevo estas palavras depois de ler o artigo de hoje da Carla Romualdo que me deixou ainda mais céptico relativamente às movimentações em Portugal e Espanha no sentido de reforçar o combate ao terrorismo (que por cá simplesmente não existe e, a existir, Durão Barroso seria com certeza o maior culpado: prendam-no) através de medidas que visam sobretudo amputar liberdades, abafar a crescente contestação social e proteger as castas que instrumentalizam o regime em função das suas ambições e da vontade daqueles que os sustentam e lhes garantem confortáveis cadeiras nos conselhos de administração das empresas frequentemente brindadas com isenções fiscais e outros privilégios garantidos com o dinheiro dos nossos impostos.

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Crime, dizem eles

Esteve recentemente em discussão no parlamento espanhol uma reforma penal que inclui a introdução da pena perpétua, ainda que sob a forma de pena de 25 ou 35 anos a ser revista no seu termo, e com a possibilidade de ser ampliada. A medida, engendrada pelo PP e aprovada pelo PSOE, é pouco coerente com o terceiro lugar que Espanha ocupa entre os países da UE com mais baixa criminalidade, mas a reforma penal foi apresentada no contexto da luta contra o terrorismo, tema sempre sensível na sociedade espanhola, e ainda mais com a ameaça do jihadismo no horizonte.

Se a bandeira desta reforma penal é a possibilidade de castigar com pena perpétua os responsáveis por actos terroristas que originem a morte de cidadãos, “la chicha” – o miolo – está escondida, como lhe compete. Na prática, sob a capa da protecção face ao terrorismo, PP e PSOE uniram-se para aprovar uma lei que estenderá a definição de terrorismo a actos que até agora não eram mais do que contestação social, desobediência civil e boicote. A nova legislação passa a definir como delito terrorista “as desordens públicas” caso com elas se pretenda “obrigar os poderes públicos a realizar um acto ou a abster-se de fazê-lo”. [Read more…]

Os deputados não são todos iguais

Depois de Paulo Sá ter ensinado Maria Albuquerquea brincar com legos, mais uma jovem deputada, de esquerda, explica ao tipo das bjécas agora ministro, que viragem económica só no fundo da garrafa quando acaba de as beber (e aqui me confesso, no fundo das garrafas por vezes também encontro uma enorme euforia).

Mais uma confissão: perfeitamente sóbrio, vou vendo em Mariana Mortágua a garantia de que este país tem futuro, e a esquerda, devagarinho, vai encontrando quem nos tire deste buraco. Haja esperança, já faltou mais, fica o segundo vídeo, com uma excelente montagem, onde o rosto de Pires de Lima nos confirma que somos governados por idiotas: [Read more…]

Portugueses oferecem ao Sr.Wolfgang Schäuble uma visita guiada ao país

Evento no Facebookos numeros da pobreza em portugal

O ministro das finanças alemão afirmou que “Portugal é a melhor prova de que os programas funcionam“.
Ora para lhe dar a conhecer o nosso paraíso, Herr Schäuble, cada um de nós, subscritores deste evento, contribuirá com um cêntimo (ou com uma bosta) para a aquisição de um vôo low cost (porque somos um país resgatado que poupa nas despesas) para Lisboa, sem bilhete de regresso à sua zona de conforto.
Não queremos perder a oportunidade de lhe dar a conhecer o país real em que vivemos. O país da fome, da miséria, dos desempregados e dos empregados famintos, dos suicídios que deixaram de ser noticiados, das casas devolutas abandonadas por quem já não as pode pagar, do pequeno comércio falido, dos velhos que morrem sozinhos em casa ou na rua, à fome e sem dinheiro para medicamentos, das crianças que desmaiam nas escolas e não têm livros escolares, das escolas degradadas, com salas de aula sem vidros, WC’s sem papel higiénico, nem sabonete, dos professores escravizados, dos alunos ignorados, das famílias sem água e sem luz, dos incontáveis sem abrigo. Dos que morrem nas urgências de hospitais à espera de serem atendidos e dos que morrem depois de atendidos pela inexistência dos medicamentos necessários. O país dos que emigram, quando podem, e dos que ficam num suicídio colectivo.
Teremos muito gosto em afundá-lo no pantanoso beco a que nos confina, Herr Schäuble. Seja bem-vindo. Cá estaremos para o receber.
O convite será entregue na sua embaixada. Subscreva-o

Correcção: Portugal falhou o seu “programa”

O euro não seria o mesmo hoje se Portugal ou a Irlanda tivessem falhado os seus programas“, Passos Coelho, como habitualmente sem pensar, disse. Recordemos as metas iniciais e não as que foram sendo reescritas à la Animal Farm:

  • Diminuição da dívida pública: meta falhada, a dívida pública é superior ao que era em 2011.
  • Défice inferior a 3%: meta falhada, o défice numa foi o planeado.
  • Recuperação económica: meta falhada, o desemprego disparou e a criação de riqueza é uma miragem.

Ah!, perdão, o número de privatizações foi superior ao planeado, tal como o foram os cortes em salários e pensões. O número de dias de trabalho aumentou e as amnistias fiscais para fugas ao fisco passaram a ser lei. As nomeações continuaram em bom ritmo e a duplicação do estado continua (agora com a chamada municipalização da educação). Deve ser a isto que o primeiro-ministro se referia ao pretender que o “programa” não falhou. Pontos de vista, lá está.

Até na Noruega já lhe ouviram os latidos

Passos Coelho “ergue-se sobre as patas traseiras” – escreve um jornal.

Evite a ilegalidade não acedendo ao site www.portugal.gov.pt

Aceder a sites que incitem ao terrorismo passa a ser crime

Teoria da Tradução: temos de enfrentar o fato

Expresso, ao traduzir excertos do discurso de James Comey na Universidade de Georgetown, apresentou (há cerca de uma semana) uma proposta, no mínimo, ousada.

Comey disse:

We need to come to grips with the fact that this behavior complicates the relationship between police and the communities they serve.

Expresso traduziu:

Temos de enfrentar o fato de que esse comportamento dificulta a relação entre a polícia e as comunidades que servem.

enfrentar o fato

Muito bem.

Por seu turno, o Diário da República continua em excelente forma.

o fato

Felizmente, “em Portugal, as novas regras estão a ser aplicadas sem atropelos“.

«Comprei cinco bilhetes a uma pessoa

afeta ao Super Dragões». Não percebo: “uma pessoa afeta“? E o ‹s› de ‘aos’ não é pronunciado? Sendo pronunciado, quem é o Super Dragões? A Bola procurou uma reação? Uma [ʀjɐˈsɐ̃ũ̯]? Que grande confusão.

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Para um retrato da pobreza em Portugal

«(…) Num país de consensos, onde uma sociedade acrítica sobrevive no meio da infiferença (…) e em que as elites dominantes aproveitaram a crise económica mundial para internamente restringir direitos adquiridos.»

«Um país debilitado, empobrecido e a caminho da demência. (…) Depois das políticas sociais de combate à pobreza, verifica-se (…) um desprezo pela igualdade (…) e um apodrecimento das conquistas feitas em 1974. (…)»

Na imagem (uma página da revista TimeOut), uma representação da pobreza que se vê, com a assinatura satírica a que João Tabarra nos habituou (ele que é que tantas vezes objecto e sujeito das suas imagens fotográficas). Mais desafiante será representar a outra, prevalecente, e que não se vê: a miséria envergonhada, a miséria moral (dos que não votam, por exemplo), e tudo o que fica escondidinho na casa e no espírito dos portugueses, pobretes cada vez menos alegretes.

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Correspondência entre Atenas e Berlim

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A carta de Varoufakis a pedir mais seis meses de financiamento.
Schäuble diz que não.
[em Inglês]

Dijsselbloem meets Miguel Relvas

Eurogrupo           Foto@Freedom Bytes

Jeroen Dijsselbloem, ministro das Finanças holandês, presidente do Eurogrupo e ponta de lança do Austeridade FC, foi apanhado num momento Miguel Relvas: o seu CV referia um mestrado em Economia Empresarial pela universidade de College Cork, Irlanda, algo que, infelizmente para Dijsselbloem, nunca seria possível na medida em que tal mestrado simplesmente não existe na referida universidade.

Vamos imaginar, por breves momentos, que o CV aldrabado era de Varoufakis. Conseguem imaginar a tropa de choque do regime, montada nos seus unicórnios cor-de-rosa, bandeira com os focinhos de Hayek e Hitler em riste, a despejar chumbo grosso no alvo do momento? Seria épico mas, as far as we know, a cavalaria do regime terá que esperar porque o CV do Varoufakis é mesmo dele, não um embuste pseudo-académico relviano (acho que inventei uma palavra).

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Antroponímia

Durante e após a II Guerra Mundial, era fácil identificar os germanófilos: tendo filho varão chamavam-lhe Adolfo (e muitos netos por aí andam). Agora, nascendo menina, vai chamar-se Ângela.

O heliocentrismo negado pela aviação e pela estupidez

Fico sempre na dúvida se estes radicais islâmicos são apenas patetas ou se usam argumentos desta categoria para manter os seus correlegionários na infinita estupidez subjacente a qualquer radicalismo religioso. E, como de costume, os piores exemplos acabam sempre por chegar desse nosso estimado aliado que é a Arábia Saudita, a referência maior no financiamento do fundamentalismo islâmico.

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As manobras do poder

À hora a que escrevo, a Carta Aberta de Alexis Tsipras aos Leitores do Handelsblatt e o artigo Não há tempo para jogos na Europa somam entre si 12 mil partilhas no Facebook. Outros textos sobre o que se passa na Grécia são também habitualmente populares aqui no Aventar, indicando, claramente, que os portugueses não estão desatentos quanto ao desenrolar desta crise política europeia.

Há uma bola de neve que começou na Grécia e, tal como aconteceu com a expansão das revoluções da Primavera Árabe, pode tornar-se na avalanche que derrube a hegemonia nórdica, alemã, sobretudo. A popularidade destes textos, bem acima do habitual não só deste blog mas também do panorama nacional, aponta para que não estejamos apenas perante wishful thinking.

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Municipalização da Educação: leituras e bom senso

Continua a bom ritmo o processo de municipalização da educação. Como tem sido hábito, especialmente nos últimos dez anos, trata-se de uma medida imposta pelo governo ao arrepio da maioria dos que trabalham no terreno.

Vale a pena, apesar de tudo, ler o Decreto, especialmente o palavreado introdutório, porque nunca devemos perder uma oportunidade de nos rirmos, mesmo no meio das desgraças. Aqui pelo Aventar, Santana Castilho glosou o tema. O Paulo Guinote tem dedicado vários textos ao assunto (para além dos publicados no blogue, recomenda-se “Municipalização da Educação: uma reforma necessária e coerente?”). O Arlindo, como de costume, colocou vários materiais ao alcance dos leitores, sendo de realçar a Declaração conjunta ANDAEP, CONFAP e FNE sobre transferência de competências para as autarquias (a primeira sigla é a da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, a segunda é a da Confederação Nacional das Associações de Pais, sendo a terceira a da Federação Nacional de Educação). A FENPROF tem uma página especificamente dedicada esta questão.

No que se refere à transferência de competências para as câmaras municipais, o Arlindo comenta “nada disto me parece um bicho papão.” Mesmo que seja verdade, pergunto-me se deverá ser esse o critério para que um governo imponha medidas, seja em que área for.

Finalmente, o Conselho de Escolas, órgão consultivo do Ministério da Educação constituído por directores de escolas, emitiu um parecer em que são levantadas várias reservas ao processo de transferência de competências para as câmaras. Leia-se a notícia do Público sobre este parecer, com direito a contra-argumentação do Ministério.

O leitor sensato pensará “Se eu fosse ministro, iria, no mínimo, ler todos estes pareceres e, muito provavelmente, iria reconsiderar, tendo em conta que provêm de pessoas e entidades informadas e conhecedoras.” O leitor tem, no entanto, um problema: é sensato.

Squealers

Vassalos

Montados nos seus unicórnios cor-de-rosa e financiados pelos interesses que sustentam o regime através dos vários meios que usam para disseminar propaganda orientada para a promoção do liberalismo selvagem e da extrema-direita disfarçada de conservadorismo responsável, onde governos desonestos como o actual vão recrutando mercenários como forma de pagar os serviços prestados na área da “corda” e da manipulação de fóruns da TSF, os ideólogos do regime congratularam-se pela decisão do social-democrata que exerce funções de Provedor do Telespectador da RTP e que saiu em defesa do fundamentalismo jornalístico de José Rodrigues dos Santos e da sua anedótica cobertura das eleições gregas, tão conveniente para com os interesses do seu próprio partido e das pessoas que o colocaram lá. [Read more…]

Testa de ferro…

Um cidadão português apresenta amanhã candidatura ao lugar de Chairman da empresa multinacional FIFA, entidade sediada em Zurique, operando sob as leis do direito suíço, detentora dos direitos de organização e imagem da indústria futebol. O local escolhido será o mítico estádio de Wembley, verdadeira catedral na velha albion, pátria do desporto-rei. Um acto simbólico que será correspondido e explorado à exaustão pela imprensa portuguesa, com a dita de referência rivalizando com a cor de rosa, para entusiasmar os parolos do costume em Portugal e também os amigos do Santiago Barnabéu, mais discretos, que desagradados com Blatter, esperam ganhar influência nos bastidores colocando alguém da sua confiança no organismo. Não será fácil e desejo sinceramente que o Real Madrid não consiga levar por diante os seus propósitos de hegemonia do futebol europeu e mundial, com a estratégia de colocar muchachos em lugares chave.