Era uma vez um cumpridor cidadão que olhou pela janela dos media e viu o mundo de pernas para o ar. No entanto, enquanto o tanso derramava lágrimas pelo que lhe haviam feito, nem reparou que estas continuavam a seguir a única lei que ainda não fora constitucionalmente violada, a lei da gravidade. No voo seguinte, pelo sim, pelo não, prestou mais atenção aos conselhos dos patos, pois a coisa já estava a endireitar.
É no que dá em acreditar em partidas de patos.
Partidas de patos
Prevaricação e tráfico de influências: Miguel Macedo formalmente acusado pelo MP

Convido o caro leitor a descer comigo até ao submundo da imbecilidade, onde a propaganda política é lei e o debate sério foi substituído pelo fundamentalismo político-partidário. Preparado? Então vamos lá: Miguel Macedo foi hoje formalmente acusado pelo Ministério Público pela prática de três crimes de prevaricação e um de tráfico de influências, o que o coloca acima de José Sócrates, contra quem nunca foi deduzida acusação, na cadeia alimentar do crime de colarinho branco. Quer isto dizer que Macedo é pior que Sócrates, o que me leva a concluir que, se Costa era colado a José Sócrates durante a campanha eleitoral, e estando o PàF ainda em campanha eleitoral, é igualmente legítimo colar Passos Coelho a Miguel Macedo, o que faz de Passos Coelho pior que António Costa no que a trafulhice diz respeito. Até porque não temos conhecimento de qualquer Tecnoforma associada ao líder do PS. [Read more…]
Teatro de fantoches

Passos e Portas consultam um batalhão de médicos que lhe confirma o diagnóstico: estão efectivamente a ser vítimas. De alucinação. Passos e Portas trocam um olhar cúmplice, gesticulam com movimentos amplos, abrem muito os olhos e saltitam duas vezes, partindo uma enorme lâmpada fundida que se formara sobre as suas cabeças. Com o susto, desatam a correr em grande algazarra e lançam-se para um lamaçal onde encontram um grupo de lesmas. Estas perguntam-lhe em uníssono: “mas, mas, mas, mas… qual é a pressa, qual é a pressa?”. Passos e Portas desenroscam e extraem as respectivas línguas, enroscando no seu lugar duas gordas e luzidias lesmas. Passos experimenta a sua, a rappar em loop: “flato lento em água mole bate mais que rock’n’roll, flato mole em água benta tanto dá que arrebenta”, enquanto Portas vai cantando, com swing: “agora não, que estou em indie gestão; agora não, que estou em indie gestão”. Nisto aparece, a arrastar-se sinuosamente, como um réptil, uma pequena banana madeirense. “É uma canção de engonhaaaaaar, tanto sono, vou dormiiiiiiiiiir, tão bela como as dentolas de uma vaquinha a sorriiiiiiiiiir”. Os médicos, que assistiram a tudo, concordam: “Meninos, afinal, a nossa Constituição é mesmo inconstitucional! Como permitiu que estes malucos sequestrassem Portugal?”. A história termina com um certo boneco do Bordalo a distribuir Pedrada e Paulada às personagens correspondentes. E aos médicos delas carenciados, folhas de beladona q.b….
Portugal não é a Hungria. Mas o resultado pode vir a ser o mesmo.

Manfred Weber, líder da bancada parlamentar do Partido Popular Europeu (PPE), fez o frete a Pedro Passos Coelho e juntou-se ao coro da demagogia que à direita rejeita, de forma cada vez mais aberta, a democracia representativa. Segundo Weber, que acusa a esquerda portuguesa de “populista” e “radical“, o PPE “combate diariamente no Parlamento Europeu as forças extremistas e populistas“, afirmação que não deixa de ser curiosa se considerarmos que um dos baluartes do extremismo e do populismo representados no Parlamento Europeu integra precisamente o PPE e é liderado por Viktor Órban, o ditador húngaro que surge na foto num momento de cumplicidade com Manfred Weber e que até já foi vice-presidente do PPE. Caso para dizer que o combate do PPE está a correr tão bem que alguns dos seus alvos chegam mesmo a cargos de topo no partido. Um notável fenómeno de reintegração social. Para quando a Frente Nacional? [Read more…]
A PAF continua em campanha eleitoral
“Nós precisamos é de reduzir o número de feriados, isso sim”. [Passos Coelho, saponoticias, 22/06/2011]
Fim de feriados está decidido [CM, 16/11/2011 ]
Passos afirma que “não está nas previsões do Governo” reavaliar feriados [Público, 5/12/2014]
Os deputados da maioria PSD/CDS-PP votaram contra os seis projetos de lei que pretendiam devolver os feriados cortados pelo Governo. [IOL, 16/01/2015]
PSD e CDS apresentam projecto para avaliar reposição de quatro feriados [Observador, 16/11/2015]
Então e a produtividade? E os devaneios da oposição que assustam os mercados? A estratégia da PAF é clara: vale tudo para manter o poder, nem que seja dar o dito pelo não dito (e experiência não lhes falta).
Golpistas e fraudulentos
As palavras de Passos Coelho são completamente inadmissíveis.
“Se aqueles que querem governar na nossa vez não querem governar como golpistas ou como fraudulentos, deveriam aceitar essa revisão constitucional e permitir a realização de eleições” [Passos Coelho, 12/11/2015]
Alguém que governou depois do programa eleitoral fraudulento de 2011 e que por 20 vezes tentou dar o golpe à constituição não tem ponta de legitimidade para vir dar lições de moral. E, pior, nem sequer tem razão, pois a vitória que teve nas eleições legislativas não lhe deu maioria parlamentar.
Tudo têm feito para destabilizar o precário equilíbrio económico a que chegámos graças à actuação do BCE. Tiveram azar, o alarido que fizeram não assustou a DBRS. Mas percebe-se que não desistiram e esta golpada da revisão constitucional é apenas mais um passo.
Prioridades
Afinal, está perfeitamente justificada a visita de Cavaco Silva à Madeira enquanto o país espera que indigite um novo primeiro-ministro. O presidente tinha de ir inaugurar um centro de design, uma adega e um hotel. Que diabo, já podiam ter dito! A gente espera, era o que mais faltava.
Exclusivo
Ai ele é tão simpático, o senhor professor Marcelo – exclamava, embevecida, a dona Vicência. Há dias estava lá nas ilhas a falar às pessoas e falava tão bem que era um consolo; vi na televisão. Até andava com uns velhinhos, tratava-os muito bem, e deu um beijinho numa velha. Vi tudo na televisão. Ontem estava a jogar ao dominó e a falar com pessoas do povo, tão simpático, tão bonzinho. Aquele taberneiro é que foi um bruto e cobrou-lhe as cervejas! Não se faz ao senhor professor, que até pagou de boa mente, que eu bem vi na televisão. Já quando ele falava aos domingos na televisão era um regalo ouvir um homem daqueles. Eu não percebia muito, mas ele falava bem, lá isso falava. Vai ser um presidente muito bom.
– Ora essa – atalhou o Tonho – então e os outros?
– Os outros quê ? – espantou-se a tia Vicência.
A insaciável sede de poder de Pedro Passos Coelho

A sede de poder de Pedro Passos Coelho não conhece limites. Ressabiado pelo seu afastamento legítimo e legal da governação, o primeiro-ministro cessante não olha a meios para regressar ao poder e pede agora uma revisão constitucional que permita a convocação de novas eleições.
O pedido de eleições antecipadas não é uma novidade por cá. Aliás, justiça seja feita, quase qualquer motivo serve para o invocar e os partidos usam e abusam dele. Em 2013, pelo menos por duas vezes a oposição pediu eleições. A primeira, logo no início do ano, ocorreu quando um relatório do FMI tentou impor medidas de austeridade adicionais, entendendo a oposição que o governo não estava mandatado para tal. A segunda decorre da demissão de Paulo Portas, cuja sede de poder custou ao país no próprio dia uma subida dos juros da dívida para 8% e perdas no valor de 2,3 mil milhões de euros para o PSI-20, e que Passos Coelho resolveu cedendo à chantagem dos centristas, promovendo Portas e entregando o ministério da Economia a Pires de Lima. Um dos vários golpes políticos promovidos pela direita “teapartizada” de quem aparentemente nos livramos na passada Terça-feira. [Read more…]
Ah, afinal perdemos? Repete-se o jogo e não se fala mais nisso
Não integrando propriamente o sector acéfalo do PSD, Paulo Mota Pinto (PMP), ex-deputado, ex-juíz do Tribunal Constitucional e julgo que ainda Professor na Faculdade de Direito de Coimbra, sai-se recentemente com esta:
“A solução de governo pretendida pelo PS, PCP, BE e PEV sofre, como tenho dito, de uma ilegitimidade democrática substancial, pois a sua probabilidade foi realmente ocultada ao eleitorado e desmentida pelo PS antes das eleições de 4 de outubro. Ela é ainda precária e inconsistente, e contrária à identidade, valores e interesses de longo prazo dos partidos subscritores.”
Sucede que, pela mesma ordem de ideias, sofreria de “ilegitimidade democrática substancial” um governo que antes das eleições “oculta” do eleitorado os seus verdadeiros propósitos, “desmentindo” questões muito objectivas e concretas sobre aumento de impostos ou cortes salariais, qualificando-as peremptoriamente de “um disparate”, e fazendo o exacto oposto de quase tudo o que disse que faria durante a campanha eleitoral. Ilegitimidade, por sinal, bastante acentuada e, como se tem visto, insanável. Mas sobre isto, PMP nem pia. [Read more…]
Legitimidades

Ao contrário do que se quer fazer crer, em Portugal vigora um sistema semipresidencialista. Com tendência parlamentar, mas, ainda assim, semipresidencialista. Aliás, em Portugal, o Presidente da República é a única entidade política que é eleita por sufrágio directo porque, como se sabe, não há (ainda?) círculos uninominais. No caso presente, a tudo isto acresce o facto do actual PR ter sido eleito à primeira volta, obviamente, por mais de 50% dos votantes. Era, por isso, conveniente que se percebesse que o PR tem tanta legitimidade como a Assembleia da República. Provavelmente, nestes tempos, terá mais porque o segundo partido com mais deputados na AR, liderado pelo putativo candidato a Primeiro-Ministro, alterou as premissas essenciais que determinaram os votos que recebeu. Não se trata de alterar no governo as medidas que anunciou. Trata-se deste PS ser, política e estruturalmente, completamente diferente daquele que se apresentou a sufrágio em 4 de Outubro.
Zombies
Assisti ao cortejo sinistro que passou esta manhã pelos corredores de Belém e pergunto-me, já que estão a surgir debaixo das pedras “associações” que parecem criadas para este efeito, se ainda há por aí uns restos da Legião Portuguesa que possam acudir, também, ao presidente. Ou até, talvez, uma associação de amigos da PIDE na reforma. O palácio de Belém parece, por estas horas, uma feira de horrores, uma espécie de comboio fantasma, alimentado, talvez, pelo discurso psicótico de Passos Coelho que as televisões repetem sem cessar.
À tarde serão recebidas as Centrais Sindicais. No seu lugar tomaria alguma medicação preventiva. O espaço está infectado.
Aqui chegados, e neste impasse, é caso para perguntar
Afinal que ficou Cavaco a fazer em casa no 5 de Outubro?
O dia em que o PSD tentou apresentar uma moção rejeição ao governo PS e falhou

Estamos a 3 de Novembro de 1999, passavam 24 dias desde as Legislativas que haviam reconduzido o governo de António Guterres ao poder e, 9 dias após a tomada de posse do governo minoritário do PS, o grupo parlamentar do PSD dava entrada de uma moção de rejeição do novo governo que, por falta dos deputados necessários para a sua aprovação, acabou por não surtir qualquer efeito.
A moção dos sociais-democratas, submetida pelo então Presidente do Grupo Parlamentar do PSD António Capucho, hoje persona non grata na São Caetano à Lapa, afirmava que o conteúdo do programa do PS era “em tudo idêntico àquilo contra o que o PSD, democrática e convictamente, se bateu durante a campanha eleitoral e que afinal não merece a adesão dos portugueses” apesar de, tal como afirma hoje a furiosa propaganda do PàF, o PS ter ganho a votação. Acrescenta ainda a moção do PSD que o partido havia disputado a eleição “combatendo os propósitos socialistas e apresentando propostas diferentes” e que a moção de rejeição apresentada decorria da alternativa apresentada pelo PSD e do compromisso assumido perante os eleitores, e remata afirmando que “o programa socialista não era bom para Portugal antes das eleições” e que continuou a ser mau com a subida do PS ao poder. Em suma, o PSD concluia que a sua intenção de rejeitar o governo PS, que tinha conseguido 115 deputados e não 107 em coligação com um CDS-PP qualquer, expressava o entendimento da maioria dos eleitores. [Read more…]
Contribuição para a revisão constitucional
Sempre ao serviço da Pátria e ouvindo, atento, o lancinante apelo do Senhor Presidente do Conselho demissionário para que se faça uma imediata revisão constitucional cuja natureza permita – se me é lícito concluir – a sua permanência – a bem da Nação! – no governo pelos próximos 44 anos – para fazer os 48 do costume -, apresso-me a sugerir, na minha condição de especialista – já que agora todos o são – um artigo para a nova Constituição da República que, penso eu, será a contento do requerente:
Artigo N
Só terá acesso à condição de primeiro-ministro o cidadão que cumpra os seguintes requisitos:
1- Tenha o nome de um dos santos apóstolos.
2- De entre todos os supracitados, será imperativo que o apóstolo homónimo tenha negado o Messias pelo menos três vezes.
3- O apelido deve corresponder à designação de um mamífero da ordem dos Lagomorfos, família dos Leporídeos.
4- De entre os supracitados, será imperativo que corresponda à espécie “Oryctolagus cuniculus”.
5- Entre um e outro dos referidos nomes, deverá existir um terceiro que equivalha ao substantivo masculino plural que designa o “acto de mover um pé a seguir ao outro para andar”.
Quem é que forma uma maioria?
Paulo Portas em 2011 procurar convencer Passos Coelho que o que importa é saber como é que se forma uma maioria.
Overdose
“Política (…) denomina-se a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados” (Wikipedia); Ou: “Política é uma actividade orientada ideologicamente para a tomada de decisões de um grupo para alcançar determinados objectivos. Também pode ser definida como sendo o exercício do poder para a resolução de um conflito de interesses. A utilização do termo passou a ser popular no século V a.C., quando Aristóteles desenvolveu a sua obra intitulada precisamente “Política””. (http://conceito.de/)
Tendo notado que estou a ficar crescentemente enjoada de tanto argumento usado – tanto por uns, como por outros – conforme convém no momento, de tanta demagogia, de tanta roupa suja lavada incessantemente, meti-me a pesquisar sobre o termo “Política”, para saber realmente de que é, ou de que deve ser composta. Escolhi as definições supracitadas que me pareceram bem claras, mas se calhar teria de me dedicar a isto mais aprofundadamente – confesso desde já a minha ignorância. Certo é que uma parte dela é o exercício do poder; não menos certo é que, com isso, visa a tomada de decisões para a organização, direcção e administração de um Estado. Nada é dito sobre abocanhar o poder e não o largar.
Mário Centeno: aqui está o link para a Grande Entrevista
realizada ontem por Vítor Gonçalves e emitida pela RTP3. Aqui onde? Aqui. 🙂

Presidenciáveis e o momento
Todos os candidatos que estão no terreno foram questionados sobre o que fariam, na situação presente, se fossem presidentes. De Henrique Neto, Maria de Belém e Marcelo Rebelo de Sousa ficamos a saber que “ah e tal, é preciso decidir, patati-patatá, o país e os portugueses e as portuguesas, a bem dizer, isto é muito importante e tal e coisa”. Mais palavra menos palavra. Edgar Silva e Sampaio da Nóvoa responderam que, nesta situação não teriam dúvidas e indigitariam António Costa como 1º ministro. Bom, já temos dois candidatos que sabem e que querem, o que devem e não têm problemas em tornar pública a sua posição sem calculismo nem conversa de inconseguimento.
Decisão
Cavaco Silva olhou para os problemas que tem pela frente. O país precisava de uma rápida decisão. Era a hora do Presidente! Endireitou-se, pigarreou e, com ar decidido, passou à acção: fugiu para a Madeira.
Uma perguntinha singela: em 2011 conhecia-se o acordo entre o PSD e o CDS
quando se coligaram depois das eleições para poderem governar?
Era só.
Democracia Representativa: ouviram falar?

Entendo que se torna urgente explicar ao sector revolucionário da direita que (ainda) vivemos num sistema de Democracia Representativa que, muito resumidamente, funciona assim:
1. Os cidadãos votam para eleger os seus representantes (deputados) em quem delegam o poder;
2. Os representantes eleitos são responsáveis por tomar decisões em nome desses mesmos cidadãos;
3. A maioria dos deputados corresponde, por conseguinte, à maioria dos cidadãos que participaram no sufrágio. [Read more…]
Professor de História para a próxima universidade de Verão da JSD precisa-se!

A JSD, um dos “braços armados” do PàF nas redes sociais, decidiu fazer uma montagem para instigar ainda mais medo nos portugueses. Pegou nas fotos de Catarina Martins, António Costa e Jerónimo de Sousa, usou o chavão-fetiche da propaganda da direita radicalizada, acrescentou Lenine num fundo vermelho e concluiu arruinando o panfleto. E porquê? Porque entre milhares de fotografias disponíveis na internet capazes de denegrir o comunismo das mais variadas formas, dos gulags à repressão, os adoráveis jotas decidiram escolher uma imagem que, independentemente da repulsa que qualquer pessoa possa sentir pelo comunismo, nos traz à memória uma boa recordação, visto retratar a tomada de Berlim pelas tropas soviéticas, no final da Segunda Guerra Mundial, quando a malta do Ocidente até tinha uma aliança militar com os soviéticos para derrotar os nazis. Ou será que a derrota dos nazis é uma má recordação para a JSD? Quero mesmo acreditar que não mas, nestes tempos de radicalização à direita, who knows?
Mário Centeno
é uma lufada de ar fresco no discurso económico sobre Portugal. Na entrevista a Vítor Gonçalves, em tom cordato e claro, referiu as gravosas consequências da descapitalização das famílias para o desenvolvimento do País. Mas também o desinvestimento público na educação dos portugueses. É por aí, sem dúvida.
Cavaco e as falsas opções de escolha
O mundo comentador tem andado animado sobre o que Cavaco irá decidir. Irá dar posse ao governo PS apoiado pelo PCP e pelo BE? Ou irá manter o governo do PSD/CDS em gestão? O fiel da balança, dizem, está naquilo que o Cavaco considerar mais estável. Esta é uma falsa questão.
- Imaginemos que Cavaco considera que um governo PS/PCP+BE é instável. Neste caso, manterá o governo PSD/CDS em funções e haverá eleições lá para Março.
- Por outro lado, vamos supor que Cavaco considera um governo PS/PCP+BE estável e mandata Costa para formar governo. Imaginemos ainda, neste cenário, que, afinal, este governo de esquerda não será estável. Então, se as coisas correrem muito mal, haverá eleições lá para Março, assim se caindo na situação 1. Se correrem mais ou menos poderá haver eleições lá para o meio do mandato, o que corresponde a uma situação melhor do que a 1. E se tudo corre bem, haverá daqui a quatro anos, e a situação é muitíssimo melhor do que a 1.
Note-se que, para se avaliar se uma situação é melhor ou pior, se está a utilizar o padrão Cavaco, segundo o qual importa ter estabilidade.
Então vamos lá brincar ao Photoshop
O post do Carlos levou-me à velha questão sobre o que nos dizem as imagens. Parecem objectivas, por serem concretas, mas estão carregadas de subjectividade, desde o enquadramento, passando pela luz e pela própria selecção da imagem a usar, só para citar alguns exemplos. O Photoshop trouxe uma nova dimensão de manipulação, acentuando ou suavizando detalhes, manobrando as cores e a luz e alterando drasticamente as formas. Ou construindo realidades alternativas. Nada de novo, mas muito mais simples agora.
A bonequização do corpo, com as formas impossíveis e com os filtros de eliminação de “imperfeições”, visível em tudo o que seja revista e publicidade, é uma fonte de constante ansiedade, mesmo que não consciencializada, pela figura inatingível que contrasta com a imagem que nos olha de frente no espelho. A publicidade, aliás, vive muito deste conceito de criar uma necessidade que será, supostamente, resolvida pelo produto anunciado. Seja ele um carro ou iogurte.
Não nos desiludam

Nem nos venham dizer daqui a uns meses que não sabiam o que vos esperava. Dessa história já Portugal se fartou. Arregacem as mangas, coloquem o interesse nacional acima dos vossos partidos e façam o que vos compete. Sim, vocês podem. Mas é preciso querer.
via Luís Vargas@Twitter
O antigo dono disto tudo?
Eu sei que o mundo não é a preto e branco, embora, por estes dias, tudo pareça flutuar entre o laranja e o vermelho. E, até por isso, vou entrar no desafio e questionar o Carlos Garcez Osório: Aqui entre nós, que ninguém nos ouve, entre a “nova dona disto tudo” e este tipo de pessoas que agora apresento em vídeo (ao minuto 7.50), será que a escolha a fazer, resulta em alguma divergência entre nós?
Obviamente, não estou a fazer trocadilhos foleiros. Estou a falar da substância do conteúdo do que vai na mente deste tipo.
Sublinho algumas palavras que até poderiam passar em branco, coisas deste género”as meninas do bloco de esquerda”, “esganiçadas…”
Mas, daquele orifício do sistema digestivo do senhor saiu algo verdadeiramente inacreditável: “não queria nenhuma daquelas mulheres, nem dada.”
Será que o personagem costuma pagar? É isso.
“Contra o marido, lá em casa (…) Com o tempo iriam colocar o personagem fora de casa e a coisa até poderia continuar…
E o aborto, e o casamento e a adopção…
Ainda há dúvidas sobre a evolução social que os acontecimentos de ontem reflectem?
Nunca como agora está clara a divisão em Portugal, entre o poder de alguns, suportado no passado e nas tradições e o poder, partilhado e construído por todos, suportado na evolução permanente da sociedade.
Pode e deve haver divergência económica, cultural e claro, social. Mas, não podemos querer voltar à idade média, ou podemos? Portugal não é o que este senhor defende e, também por isso, a votação no Parlamento mostra de forma clara o que Portugal pensa sobre algumas das coisas que este personagem defende.
E, para terminar, finalmente descobri que para ele a tradição é um elemento estrutural da vida em sociedade. Não deve, estou certo, questionar as mulheres que são mortas, todos os anos, às mãos destes medíocres. É da tradição!








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