À atenção do filho da puta

Mais um dia de despedidas no Centro Infantil de Valbom. Como se sabe, a instituição foi privatizada e entregue à Cruz Vermelha, que logo que pôde tratou de se livrar de tudo o que cheirava a passado. Não descansaram enquanto não correram com quem incomodava.
Desta vez, chegou a hora das educadoras de infância, que há mais de 30 anos, geração atrás de geração, abraçaram, beijaram e amaram os nossos filhos. E ao vê-las chorar no momento da despedida, também não consegui evitar as lágrimas e pensar em tudo o que fizeram pelas minhas meninas nos últimos dois anos. Porque quem faz o bem às minhas filhas tem a minha gratidão eterna.
O trabalho de mentalização vinha feito de casa e se com a mais velha resultou – «depois a Imelda vem visitar-nos!», dizia com alegria – com a pequenina as coisas foram diferentes. Sem a Paula dela, com quem estava todos os dias, a quem tanto se afeiçoara, não quis ficar. Queria vir comigo. Mal conhece a nova educadora e, para uma criança de 2 anos, ser deixada pelo pai no meio de caras estranhas deve ser algo que um adulto não consegue imaginar.
Mal sabia a pequenina que a sua Paula estava lá dentro a chorar, por causa da despedida e por causa das injustiças dos pais que durante anos lhe confiaram os filhos. E mal sabia a mais velha que não voltará a ver a sua Imelda, pois agora que conseguiu livrar-se delas, a Cruz Vermelha, instituição dita de solidariedade social, a última coisa que permitirá é que elas voltem a pisar o lugar que foi seu durante décadas. O lugar que É seu por direito próprio. [Read more…]

Noites e noites frente a uma embaixada

Da primeira vez cheguei demasiado tarde (seriam 9.30h) e tive que voltar no dia seguinte. Assim, às 5.45h, lá estava eu a juntar-me a uma fila de pessoas no passeio, frente à embaixada de um país africano de língua portuguesa. Um, dois, três, quatro, trinta, trinta e um. Eram 5.45h e eu era o número trinta e um na fila, sabendo que apenas seriam distribuídas trinta senhas para pedidos de visto de entrada. Voltei a contar: trinta e três, desta vez. O melhor era manter-me no meu lugar e acreditar na providência.  Estava frio, chovia e iam chegando mais e mais pessoas, grande parte sem a mínima possibilidade de receber a dita senha.

Havia uma triagem prévia de documentos à porta da embaixada, o que fez com que algumas pessoas à minha frente não pudessem entrar e me colocou entre os primeiros trinta. Lá dentro, de guiché em guiché, detectaram algumas imprecisões menores na minha carta de chamada. Teria que voltar no dia seguinte, desta vez sem necessitar de senha. Agora está tudo bem, disseram-me nesse outro dia, mas hoje não é dia de aceitar pedidos de vistos, volte amanhã. Tentei insistir mas não adiantava, teria que madrugar outra vez frente à embaixada.

A experiência entretanto acumulada dizia-me que teria que chegar mais cedo ainda. Apontei para as cinco da manhã mas cheguei às 4.30h. [Read more…]

Requiem por Quem Fica Para Trás

Não é propriamente por uma moção de desânimo ou de auto-rejeição que, enquanto desempregado, passei a declarar-me radical e subversivamente contra o Consumo, todo o Consumo Pessoal, fora do estritamente indispensável sob os imperativos inerentes à minha paternidade. Os espíritos mais coreáceos, no seu empedernimento ofensivo e exibicionismo onanista do comentário, podem até brincar em torno do facto de a milhares de portugueses e a milhares de espanhóis faltar trabalho, escassearem recursos para sobreviverem dignamente, como se a circunstância pessoal do Palavrossavrvs fosse um cómico e desprezível problema dele e não o de tantos outros milhões, fruto amargo de todas as ilusórias legislaturas precedentes, em grande parte, noutra parte, puro azar, macrogestão, merda-FMI.

Os poderes da corrupção política em troca de uma generalizada dissolução social, os poderes da lógica do benefício pessoal ilícito na política em troca da desgraça de milhares, estão aí nos seus efeitos sobre mim. Esses poderes negros são fortes. A bronca não é para eles. É mais fácil manipular as pessoas que se auto-rejeitam do que as que se auto-aceitam. Rompo com a possibilidade de ser manipulado a começar pelo impulso de comprar. Consumir ávida e compulsivamente para além, dentro ou abaixo das próprias possibilidades tornou-se para mim uma desordem própria da auto-negação e da recusa em escutar o meu íntimo na sua fome de integridade e equilíbrio. Começo por assumir e aceitar a minha vulnerabilidade não como um medo de ser inútil, mas como uma certeza, já que tenho imenso tempo para contemplá-la. A certeza de ser amado. Um nada, qualquer coisa que nos amesquinhe insuportavelmente, pode levar-nos a uma profunda depressão e até ao suicídio. [Read more…]

Revoltado*

Como me sinto? REVOLTADO!esmola
Durante longos anos da minha carreira profissional trabalhei longas horas, dei o melhor de mim para a minha entidade empregadora e para o meu país. Como bancário não tive nem usei a segurança social, a minha assistência médica era através dos Sindicatos dos Bancários e a reforma seria através do fundo de pensões constituída pelos bancos. Quando me reformei fechei um acordo com o banco, convicto que o mesmo seria integralmente cumprido por ambas as partes.
A minha revolta nasce porque durante dez anos, que levo de reforma, feitos hoje 31/01, cumpri o acordo, fui-me adaptando aos crescentes aumentos de impostos e aumentos da inflação sem nunca ter tido um aumento de pensão. [Read more…]

Anda tudo doido?

Nem sequer me atrevi a ver o vídeo.

Mata o Consumidor que te Habita

Não paro, jamais pararei a minha demanda por pessoas e lugares que me façam justiça e me recordem a minha mais profunda identidade. Sou um amado de Deus. Sei-o. Sinto-o. Vivo-o. Anuncio-o aos que se deixam permear pela minha voz propositiva, nunca impositiva, guru de mim mesmo.

Também por isso opto, com toda a minha liberdade, loucura e lucidez, por não consumir coisa nenhuma para mim. O que não gasto, sobra-me, desde que jejue e encare com calma a falta de recursos para um dentista, um problema mecânico, uma deslocação à cidade. Como se estivesse a fazer o meu próprio sal, e a resistir ao colonialismo ideológico de Passos Coelho, encontrei uma forma pacífica e eficaz de resistência psicológica à opressão político-económica em decurso, opressão que me escraviza e me declara fatal precário ou potencial desempregado no meu ofício docente até à minha morte por velhice. Como resistir ao opressivo asfixiar de economias familiares, como a minha? Matar em mim até ao Zero do Desejo qualquer vestígio de consumo. O meu Ganges interior reclama-me o despojamento. O Planeta agradece e a minha fome de viver de Espírito, Sabedoria e Belo agradece também. [Read more…]

Viva o medronho algarvio

Uns músicos irlandeses vieram a Portugal e dedicaram uma canção ao medronho algarvio depois de um processo de investigação e criação artística que se imagina ter oscilado entre grandes alegrias e notáveis ressacas. Mas aquilo que eles aqui cantam não é o esterilizado medronho tecno-espacial da ASAE, ou não fossem eles irlandeses e não soubessem o que é produzir bebida destilada segundo métodos tradicionais e populares.

Este é o medronho que o povo inventou e faz desde tempos ancestrais em alambiques caseiros,  segundo métodos próximos da perfeição técnica. Este é que é o verdadeiro medronho algarvio, o que alcança patamares de qualidade sublimes, mas que hoje em dia é ilegal produzir, possuir e consumir sem que se cumpra um número absurdo de regras que o descaracterizam e afastam da sua matriz democrática e celebrativa.

À vossa.

Uma história de borralho

O tronco de oliveira verde ardia já desde ontem, numa chama contida mas constante. Ao contrário do pinho enresinado que se consome num fogo rápido e exuberante, a oliveira, mesmo que verde, leva o seu tempo para se transformar em cinzas.

“É a que cortei agora”, dizia-me o Ti Manel enquanto nos aquecíamos com um tinto novo, sentados no borralho. Deve ter sido a última das oliveiras que faziam a estrema no Vale Raposo, agora transformado em eucaliptal. “Eu não queria arrancar a vinha mas deram-me quase mil contos de subsídio. Era muito dinheiro”. Este arranque passou-se nos noventas, era primeiro-ministro o actual presidente da República. “Quando foi aprovado não consegui lá ir fazer o serviço mas a Maria juntou umas mulheres e cortaram as varas todas. Ficaram só cepas. Até chorei mas depois a máquina entrou por ali fora e rompeu tudo. Acabou.”

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Projectar Matosinhos mas pouco

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© antonioparada.com | O que pensará Carrilho sobre os planos de António Parada para a Cultura?

Quem é António Parada (na foto ao lado de Manuel Maria Carrilho)? Um jota S matosinhense, nascido entre os pescadores, ali à beira do mar, o que só lhe fica bem (a proximidade com o mar e as suas gentes, quero dizer). Frase-lema para as Autárquicas 2013: Proje[c]tar Matosinhos. Projectar lá para fora. Turismo portanto. Mas também equipamento para o Desporto. Para tirar as crianças da rua, disse. As mesmas que mandaria para o mercado de trabalho em caso de falta de aproveitamento na escola, decerto.

Quanto à Cultura, um projecto central parece animá-lo: abrir o Cine-teatro Constantino Nery às colectividades da região, as quais, defende, também deviam ter direito a pisar aquele palco por onde só andam “as elites”, como lhes chama. Ou seja, destruir um dos melhores projectos culturais do Norte para lá fazer cultura popular, que é o que faz mais falta ao povo, como toda a gente sabe, e nem tanto um programa sustentado de criação de públicos para a Arte – que colectividades haverá sempre, haja ou não teatros de arte e museus ali ao lado.

“Os erros dos políticos muitas vezes têm consequências dramáticas na vida dos cidadãos”, afirmou há dias. Outras vezes, têm consequências na vida dos próprios políticos, o que ainda assim é bastante menos grave.

Fico a pensar que o PS anda realmente em baixo e que fariam melhor os socialistas se começassem a preparar os seus dirigentes locais no sentido de um combate político que fosse de facto alternativo ao do PSD.  E que fosse de Esquerda, já agora (isso é que era!) E já que estamos no domínio do sonho: que fosse capaz de compreender o verdadeiro alcance de um programa sério para a Cultura numa região subdesenvolvida. Mas lá está: quem tem o entendimento que tem António Parada da Educação não pode entender isto.

Um auto-retrato de António Parada, com programa eleitoral completo para Matosinhos, aqui.

Contrato de funeral em vida

O crédito pode ser uma coisa funesta, já aprendemos essa lição, e pode até ser fúnebre. A funerária daqui do bairro, que teve sempre, como todas as funerárias, o constrangimento de não saber que pôr na montra – a miniatura de um caixão, um recipiente para cinzas, uma coroa de flores? – resolveu, por fim, essa dificuldade afixando um cartaz que oferece a quem passa uma oportunidade única. Chama-se “Contrato de funeral em vida” e consiste num “contrato de prestação de serviço funerário, efectuado em vida”.

Para além da sinistra imagem de depositar dinheiro a cada mês para vir a ter direito a um funeral, chama-me a atenção a particular disposição das palavras que permite ler que o contrato se destina a que nos realizem o funeral quando ainda estamos vivos e a espernear, se é que ainda se esperneia. Sabendo-se o que sabemos hoje, o “contrato de funeral em vida” bem pode ser a mais perfeita metáfora do conceito de crédito.  [Read more…]

Se não és Mulher

Devotos-hindus-realizam-rituais-matinais-as-margens-do-rio-ganges-no-primeiro-dia-do-festival-navratri-em-allahabad-na-indiaAbdica. Parte à aventura de não carecer de nada senão de ar, água e luz, música, para sobretudo desistir da ideia, da posse, da necessidade, do sonho, chamado dinheiro. Cumpre o teu Ganges, mergulhando nu no teu Nada, dia após dia. Contempla o sol crepuscular equatorial que se vê em África de nunca mais pesares no teu orçamento familiar. Todas as necessidades do teu agregado familiar são legítimas e supridas na medida em que não tenhas necessidades e não existas para a sociedade de consumo. Anula-te.

Parte para o País interior em que nenhum Relvas tenha o poder de te fazer franzir o sobrolho, muito menos Oli Rehn ou Draghi ou António Costa, na sua fidelidade omertàlhística ao áureo exilado. Não precisas de dinheiro. Nem de cartões de espécie nenhuma. Não para ter Alegria. Temos de morrer e temos, abdiquemos portanto do exercício falhado da argúcia que por exemplo transborda arrogante e mimada de Henrique Raposo, e aceitemos que nos ajustem segundo o irracional ultrapassar de limites com que nos ajustam, múmias sob cruciantes dúvidas que jamais serão saciadas, pois na pátria do cada qual por si, nenhum Nós interessa realmente. Se não és Mulher, não Sejas! Não anseies. Não busques.  [Read more…]

Pontapé oficial

Levantei-me muito cedo no Sábado. Eram mais de 300 os quilómetros que nos separavam da Manifestação de Professores. Como eu, alguns milhares de professores (o SPN levou 60 autocarros) usaram a A1 para chegar a Lisboa.

Já depois das portagens, mesmo à entrada da capital, parou tudo! Alguns minutos depois, nem para trás, nem para a  frente. O diz que disse, os telemóveis que tocam e rapidamente se percebe que aconteceu alguma coisa.

Ficamos muito tempo dentro do autocarro  – para quem fuma, foi um tempo sem fim!

Chegámos, ainda sem almoçar, atrasados à Manifestação. Fomos a pé do Marquês ao Rossio e no fim o nosso autocarro estava parado 500 metros depois do viaduto, isto no sentido Santa Apolónia / Parque das Nações (são, segundo o Google Maps cerca de 5 km).

A viatura que nos transportou para casa tinha um problema no motor e tivemos que parar em todas as estações de serviço para meter água.

Quando chego a Gaia, um colega havia deixado a carteira num outro autocarro que já se tinha dirigido para Aveiro. Sim, isso mesmo – ainda fui a Aveiro!

Eram quase 4 da manhã quando consegui descansar.

Mas, mesmo assim, não compreendo este comportamento do Militar da GNR!

Blogs do ano 2012 – resultados finais

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Eis chegados ao fim do concurso Blogs do Ano 2012, sendo este o momento de apresentação de resultados. Estão aqui: Blogs do ano 2012 – resultados finais

António Costa is the man #2

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António Costa

António Costa apenas reemergido para o combate político e já as comadres se zangam, remexendo papéis velhos e histórias que não abonam, outras guerras, interesses, pequenos e médios ressentimentos que se esgrimem por aí, com acusações extemporâneas, sobre assuntos outros, um alvoroço de culpas e fraquezas apontadas ao actual Presidente da Câmara de Lisboa. Um retrato de uma sociedade em que a crítica se guarda para depois como uma vingança.

O Rico Português, Tese de um Par de Linhas

Toda a minha vida observei indirectamente o que é um português rico. Não vou revelar a fonte raivosa, legitimamente raivosa, da informação. Apenas desejo pincelar alguns traços distintivos que tornam o nosso rico um tipo muito pouco recomendável, um indigente moral, alguém digno de nojo, apesar da roupa usada que dá para a caridade e das esmolas que deposita com fastio nalguma causa, contra o cancro por exemplo, o que é quase nada.

O que é um português rico? Um zero social. Lucra pessoalmente dois ou três milhões por ano? Atira todas as despesas pessoais para a empresa, contorna o Fisco com mestria, especializou-se em fazer dinheiro, e faz efectivamente muito dinheiro, com a mesma naturalidade mecânica tipo lei físico-química, lei gravitacional, com que nos vemos privados, melhor, surripiados dele, pelo contexto global e pela política, para suprir o básico: não há nem cristianismo social nem filantropia britânica no português rico: trata-se de uma ilha desumanista e associal que não tem em vista, nunca teve, jamais terá, criar postos de trabalho e por vários modos fazer a diferença na sociedade, mas somente explorar oportunidades de lucro com o máximo de automatismos robóticos possíveis, sem gente a atrapalhar. Tipicamente! [Read more…]

Liberdade para a Macarena

 A revista «Mongolia», “revista satírica sin mensaje alguno”, conforme a definem os seus autores, nasceu em Espanha há quase um ano e ainda não tinha provocado grandes polémicas, coisa que não se perdoa a uma revista satírica. [Read more…]

Descubra as diferenças

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Recebi um email de que ressalto o presente texto:

“A bandeira nacional da República Portuguesa que foi exposta na última reunião do Eurogrupo foi adulterada, já que em vez dos sete castelos se encontrava o que parecem ser sete pagodes. Uma adulteração que não deixa de ser irónica à luz da recente alienação ao capital estrangeiro de importantes (estratégicas e lucrativas) empresas públicas portuguesas do sector energético, na sequência dos processos de privatização promovidos e apoiados pela UE e pelo FMI. Mas que nem por isso é menos inadmissível”.

Fui à procura e, de facto, não posso estar mais de acordo com o teor do texto.

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E nem me atrevo a comentar: seria desastroso!

Mulas, Parvoiçadas de um Craque em Charla

Carlos Mulas-GranadoAcho que foi Câncio quem, por cá, pela primeira vez destapou no DN a asquerosa careca do ex-assessor de Zapateiro, Carlos Mulas-Granados, honra lhe seja a Câncio, digo. O PSOE tal como o PS português, tal como o PP espanhol e o PSD dos Dias Loureiro, espelham bem uma casta de cabrões gananciosos, sem qualquer civismo, decência, sentido comunitário, os quais rapam para si o que podem no tempo oportuno para eles, esgueirando-se na vida partidária e depois empresarial como ténias à boleia da imunidade dos cargos e da conivência de uma Justiça partidarizada, muito dada a ajustes e a quotas. Não dá vontade nem de trabalhar apaixonadamente nem de dar o litro no seio de um sistema distorcido, injusto e escravocrata assim, incapaz de premiar e dar valor a quem o tenha. Prefiro morrer de fome!

Ferreira Fernandes, que é um crânio sensível e nada arqueológico, considera elogiosamente que Câncio lê relatórios por mania até ao pentelho das assinaturas e por isso mesmo coou este marmanjo ganancioso e repleto de esquemas do Mulas. Eu tenho a certeza que Câncio, à força de tanto errar por cega associação íntima ou intelectual a um mulas português como o conas parisiense, alguma vez teria de acertar. E acertou. Por osmose diferida. [Read more…]

Quem tem fome dá o cão II

Não, isto não é uma resposta ao post do JJC.

Sou defensora dos animais, mas não quero que ele me morda. Para mais, como um cão raivoso. Que medo!

Este post é um acrescento. Parece que andámos em consonância de pensamentos, só que eu adormeci mais cedo e deixei o post para o dia seguinte, ou seja, hoje.

O post e o mail que me encarreguei de enviar, por volta das seis da manhã, para saber de que é que esta família necessita. Com 70 euros (!) mensais e duas crianças, presumo que necessita de tudo. [Read more…]

Quem tem fome dá o cão

família carenciada troca cão por cabaz d alimentos cão de pobre

“trocamos” cão por cabaz d alimentos por falta d posses pa o ter porke estamos desempregados a sobreviver com 70euros com 2miudas…nao e uma troca de coisas mas um pedido de ajuda sincero scal2@hotmail.com contacte-nos pa darmos+pormenores

O anúncio tem três meses. Esta cantiga 40 anos. E fico por aqui: a 2 de março acertamos contas, na rua.

Aviso: se me aparece aqui alguém a falar em “defesa dos animais”,  “coitadinho do cãozinho”, ou algo do género, mordo. Como um cão raivoso.

Mum’s the boss, o blogue que censura comentários

Mum’s the boss é um blogue escrito por uma tal de Magda que fala sobre parentalidades, questões relacionadas com educação e por aí fora.
Devido a uma atitude da autora que considerei pouco elegante, dirigi-me ao referido blogue e disse o que tinha a dizer na respectiva caixa de comentários. Fi-lo de forma educada, civilizada e mantendo todo o respeito pela autora. Para meu espanto, o comentário foi censurado. E um segundo comentário, em que pedia para publicar o primeiro, foi de novo censurado.
Continua a espantar-me o facto de ainda existir gente desta no mundo da blogosfera, um mundo de liberdade por excelência. Mais espantado fico quando estamos perante alguém que discorre diariamente sobre educação, parentalidades e pedagogia.
Perante esta sua faceta de censora, que só admite comentários se forem positivos e louvarem a qualidade dos seus posts, estamos entendidos. Que rico exemplo para quem tem a missão de educar! Que rico exemplo vindo de quem vem!

P. S. 1 – Orgulho-me de nunca ter censurado qualquer comentário até hoje, nem mesmo quando me chamaram filho da puta e coisas piores. Orgulho-me pelo facto de o Aventar não ter comentários sujeitos a moderação. Não tenho nada a esconder. Não me importo nada que discordem de mim. Que não gostem do que escrevo.

P. S. 2 – Houve uma troca de mails privados na sequência deste episódio de censura. Como fui muito bem criado por gente que nada sabia de parentalidades mas sabia do que realmente interessava, recuso-me a torná-los públicos. Sou uma pessoa bem formada.

Hoje regressei ao mercado

No Bolhão, era dia de amolador de facas e tesouras. Foi um dos sons da cidade durante muitos anos, a gaita do amolador. Chegava à cidade à quarta ou à quinta, vindo de alguma vila do interior, e as donas de casa faziam bicha à porta para entregar-lhe as tesouras da costura, a faca de arranjar o peixe, a lâmina da barba dos maridos ou dos sogros. O amolador já não deve ser o mesmo mas voltou a ter gente à porta, sinal de que já se afiam outra vez as lâminas.

No piso de cima, para quem entra pela porta de Fernandes Tomás, estão as vendedeiras de hortaliças. Nabo, couve-galega, lombarda, brócolos, penca, coração, acelga, pés de salsa. E pimento, chuchu, alho-francês, cebola, cenoura, curgete. E sacos de feijão: amarelo, catarino, canário, moleiro, fradinho, rajado. Muita variedade e poucos fregueses. Tudo cheira a humidade, a tinta das paredes descascou, podiam crescer cogumelos naquele recanto mais escuro. As vendedeiras estão sentadas entre caixotes, com as mãos escondidas debaixo dos aventais. De Outubro a Março passam o dia cheias de frio. Trazem camadas de roupa, calças justas, saias, camisolas, xailes, um avental rendado, outro de pano mais grosseiro por cima, meias grossas dentro das socas. Basta-lhes olhar quem se aproxima para saber se vale a pena levantar-se. Uma corta à conversa às outras com a frase que corta todas as conversas. “Não há dinheiro, é o que é”. [Read more…]

A mulher feia a mim não me convém

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O Chinês Jian Feng ficou horrorizado com o nascimento da sua filha.
A tal ponto que achou impossível que aquele serzinho tão horrendo pudesse ser o fruto do seu casamento com a sua belíssima esposa. Como qualquer homem que se preze, de imediato acusou a mulher, acabada de parir a criança, de o ter traído. Confrontada com as suspeitas do marido, a senhora informou-o que se tinha submetido a cirurgias plásticas antes de se conhecerem. Ora, o atraiçoado esposo toma a única atitude digna de um macho chinês.
Decide defender a honra, processando a esposa por ter agido de forma enganosa, o que conduziu às bodas matrimoniais. E não é que o tribunal lhe deu razão? Ou não estivéssemos na China com um juíz do sexo masculino…
O marido ludibriado teve direito a uma indemnização no valor de 120.000 dólares, uma vez que o casamento se fez sob «falsas premissas».
Segundo o pobre incauto, «casei com a minha mulher por amor, mas logo que a nossa primeira filha nasceu, começámos a ter problemas matrimoniais. A nossa filha era incrivelmente feia, ao ponto de me horrorizar.»
Viva o amor!!! Mas só se as parceiras forem belas, caso contrário, rua com elas.
No meio de tudo isto, fico sem saber da criança, que, com um pai tão maravilhoso, terá certamente uma infância muito feliz.

As fotos acima mostram o antes e o depois da traidora, a beleza estonteante do ultrajado marido e o susto que a criança é.

Mal por mal, antes Pombal…

O presidente da Câmara de Pombal (dinossauro das autarquias e do PSD, um dos que está de saída) emitiu esta manhã um comunicado que merece ser partilhado, por espelhar o sentimento de revolta que invade por esta altura milhares de pessoas na região centro. O litoral, o desenvolvimento, estão a ver?

Desde sábado sem electricidade. Hoje é terça-feira.

Para ler aqui.

Exemplo de capitão

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Para o bem e para o mal, ainda tenho do desporto – o autêntico – a visão romântica de que é uma referência de valores: entreajuda, solidariedade, liderança, trabalho de equipa, disciplina, amizade, respeito e humildade, e mais umas dezenas de outras qualidades que poderíamos acrescentar.

Mas não sou ingénuo ao ponto de acreditar que o desporto, na sua pluralidade, ainda se rege pelo velho padrão de “mens sana in corpore sano”, porque, desde logo, me assaltam evidências de que o desporto sempre foi usado desde a antiguidade para outros fins que não este.

Penso, no entanto, que, se conseguirmos fazer vingar algumas das qualidades, valores e referências, poderemos ter uma melhor sociedade, mais justa e interdependente, responsável.

O desporto pode ser, mesmo, uma das maiores menções de cidadania. [Read more…]

Um país em estado de alerta

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O Vendaval passou. Ao início da manhã de sábado tentei ligar para os meus pais, que moram numa aldeia com nome de erva para pastagem, ali ao lado do Louriçal, a segunda maior freguesia desse concelho-charneira que é Pombal. Foi lá que eu cresci. Quando era menina a luz eléctrica ainda não era ainda para todos, nas aldeias à volta. E muitas vezes a fragilidade do sistema deixava-nos serões de lareira e candeeiro a petróleo. A água chegava às torneiras através do poço no quintal, o telefone era quase exclusivo do posto público e nem nos filmes a preto-e-branco se falava de internet. Portugal, década de 70, portanto.

Na cidade, a luz, a água, o telefone e a internet foram-se nas primeiras horas da manhã. A maioria das estradas ficou intransitável e pejada de troncos de árvore, tombadas pelo vento. Desta vez, o resto não foi o que se sabe, porque se sabe muito pouco do que aconteceu. Na era dos contactos, os jornalistas souberam muito pouco, pois que sem telemóvel nem net, não se vai a lado nenhum. Mas à medida que passaram as horas e voltaram as comunicações foram pingando fotografias por toda a parte, e então foi possível perceber o estado de calamidade, anunciado desde sexta-feira. [Read more…]

Eram Quatro Meninas

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Eram quatro meninas, qual delas a mais linda. Conheceram-se em Coimbra e os seus coraçõezinhos imediatamente se sentiram ligados por aqueles laços que tantas vezes escapam aos adultos. Eram quatro meninas que logo ali, naquele restaurante desconhecido, iniciaram brincadeiras e cumplicidades que se prolongaram para além da separação. A duas delas faltava o A.R. com que se escrevem os nomes das amiguinhas distantes. Os pais, sensibilizados por tão bela amizade, acabaram por também estreitar laços de amizade já existentes. As quatro meninas voltaram a encontrar-se, agora em casa de duas delas. Quatro meninas cujas iniciais são as primeiras quatro letras do almoço que serviu de mote a este encontro. A amizade e as brincadeiras retomaram-se no ponto em que haviam ficado naquele dia da descoberta e separação. Voltaram a separar-se com a promessa parental de novo encontro para breve, muito breve, o mais breve possível. São quatro meninas cada vez mais amigas, cada vez mais próximas. São quatro meninas, filhas de bloggers Aventadores. São quatro meninas, cada vez mais lindas, cada vez mais amigas. São quatro meninas, todas pequeninas. Serão o futuro do Aventar?

Blogs do ano 2012: votações 2ª fase

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Depois da primeira fase do concurso, decorrem até às 23:59:99 do próximo sábado as votações para a segunda e última fase. Nesta segunda fase participam os cinco mais votados de cada categoria. As votações decorrem nesta página. Os resultados da 2ª fase serão publicados a 27-01-2013.

Portugal em marcha-atrás

É a variável de que se esquecem os que apontam o dedo a Portugal, acusando-nos (culpando-nos, portanto, já que medimos tudo em Culpa) de ser um dos países que mais gasta em Educação: 31,4% contra a média de 28,5% da OCDE. Esquecem-se do enorme atraso do País, fechado ao Mundo e entregue à miséria virtuosa de Salazar durante perto de meio-século. Somos subdesenvolvidos, sim, mas com a política de destruição levada a cabo pelos actuais governantes, sê-lo-emos cada vez mais. Cada direito democrático ou mecanismo de protecção social que destroem, representa anos acrescentados ao atraso do século XX. Isto significa portanto que, uma vez interrompida a progressão incrementada pela adesão à UE em 1986 (mesmo considerada a corrupção que se apoderou de parte considerável desses fundos destinados ao desenvolvimento do País), passámos em 2011 a inverter absolutamente essa marcha, iniciando um processo regressivo. Considerando a rapidez da marcha-atrás, um dia destes acordamos e voltámos à Idade Média, antes ainda da fundação da nacionalidade, poupando a Pedro Passos Coelho a necessidade de refundá-la.

Gastaram acima das nossas possibilidades

O relatório preliminar da IAC faz o ponto de situação da dívida para que a maioria dos portugueses não contribuiu – em 2010 63% das famílias não devia nada aos bancos ou a qualquer outra instituição financeira (dados do INE/Banco de Portugal).