FdP(II)

Eu já estava convicto que ser de esquerda, implicava, em grande parte dos casos, uma insuficiência cognitiva, uma espécie de “deficit” intelectual e ético. Mas não esperava que fosse tão óbvia e tão estúpida e facilmente assumida. É que nem conseguem perceber que o que argumentam só faz sentido numa perspectiva muito curta, muito superficial ou então, na cabeça deles (o que é basicamente uma clara equivalência).

Ser de esquerda e ao contrário do que pretendem fazer crer nada tem a ver com solidariedade, empatia, generosidade, etc. Não, não são donos desses valores. Nem de perto nem de longe. Isso são apenas vertentes humanas que não definem nenhuma ideologia e, seguramente, não definem de certeza qualquer tese de influência socialista. Até porque quer a teoria quer a prática demonstram que aqueles princípios só são trafulhamente usados pela esquerda como isco para “lorpas”. Porque solidariedade, empatia e generosidade só fazem sentido se reconhecermos “a priori” evidências como, por exemplo, a natural e legítima aspiração à propriedade individual. Só se pode ser verdadeiramente generoso com o que é nosso. Ser generoso com o que é de outros ou maioritariamente de outros… acho que tem um nome diferente. 

Ser de esquerda parece ser uma opção (ainda é permitido dizer “opção”, não é) pelo uso voluntário de antolhos (para quem não sabe, são aquelas palas que se colocam perto dos olhos dos cavalos para lhes reduzir a amplitude da visão). Parece que há uma qualquer cerimónia iniciática onde se jura pelas “barbas do Marx” que nunca mais se atreverão a pensar sem estarem autorizados (e quase nunca estão) e principalmente quando raramente o forem, não pensar coisas proibidas. E aqui surge a enorme confissão de “pequenez” da esquerda: saber o que é proibido? E a resposta que se dão a si próprios é sovieticamente automática: proibido é o que o comité central respectivo disser que é proibido porque eu não consigo (ou, no mínimo, escolho não conseguir) por mim próprio estabelecer as minhas linhas vermelhas.

Lêem alguém a supostamente criticar “o dinheiro” e assumem: ah, carago, este é dos nossos, é de esquerda. Porra lá para a “curteza” de raciocínio. Primeiro, e se lerem com cuidado, no meu post anterior não pretendi exactamente criticar o dinheiro. Critico, sim, muito e de forma radical a importância que damos ao dinheiro e a aceitação generalizada que uma mera ferramenta pode ser um objectivo ou pior ainda, “o” objectivo que nos classifica socialmente. Ver nisto algum indício de “esquerdalhismo” é o mesmo que ver um comunista no psiquiatra que diagnostica um “acumulador doentio” ou um marxista dos “quatro costados” no crítico da ganância sem sentido ou da cupidez infinita. É claro que para perceberem isto, teriam de colocar o vosso 2º neurónio a funcionar e, enfim, digamos que é algo que não vos é fácil.

Mesmo tendo começado por tentar que lessem o que escrevi livres de preconceitos ideológicos, mesmo tendo solicitado que percebessem que a questão não era de direita ou de esquerda, mas sim humana, não adiantou. Já sabem o que são antolhos, não sabem? Pois. E vá lá que me lembrei de meter a “bicada final” ao comunismo (mesmo que isso não deixe de constituir uma contradição à minha tentativa inicial de assepsia ideológica). Se não o tivesse feito, já estaria inundado de propostas para militante do BE (mais conhecidos por “olhem para o que eu digo e não para o que eu faço”), do PC ou outra qualquer agremiação digna de ser apoiada pela Cercigaia.

Eu sei que não compreendem que um liberal ouse criticar uma ideia aparentemente liberal. E esta (eu sei que não é fácil compreender) é quase exógena ao liberalismo. Cruzes, canhoto. Criticar a nossa ideologia??? Isso na esquerda é pura blasfémia e razão suficiente para umas férias “desvoluntárias” num qualquer resort siberiano em regime TI(mmmpedpeg), Tudo Incluído, mas é mesmo muito pouco, enfim, dá para emagrecer à grande. Com regresso assegurado em transfer organizado por um qualquer cangalheiro lá do sitio.

No fundo é mais ou menos como um liberal ser acusado de recorrer ao SNS em vez de ir ao privado. Numa conclusão (só compreensível para a “genial” esquerda) que o liberal por ser liberal tem as mesmas obrigações fiscais que os outros, mas muito menos direitos. Do género, chegar à bomba de gasolina em “pré-pagamento”, ir ao balcão protestar com o preço da gasolina, pagar um depósito cheio e ir embora sem atestar porque fazê-lo era contradizer-se. 

Vamos lá ver se conseguem compreender (peço desculpa por não conseguir mesmo fazer uma escrita mais pausada, uma escrita quase soletrada). Eu não sou contra o dinheiro. Acho uma ferramenta essencial à organização social. Sou contra a veneração avassaladora que se tem por uma mera ferramenta. Sou contra a avidez acumuladora para lá do saudável. Isto não deviam ser valores políticos. Deviam ser meramente humanos. Mais, nada tenho pessoalmente contra os ricos e contra quem busca incessantemente ganhar mais dinheiro todos os dias. Tenho contra as pessoas que valorizam desmedidamente essas situações. Pior, ao contrário da frugal intelectualidade da esquerda, eu não quero proibir nada. Não quero repressão legal. Quero mudar consciências. Mesmo que seja difícil ou quase impossível. Quero pôr as pessoas a pensarem por si próprias e a questionarem algo que aceitam sem discussão. A humanidade, a bondade, a empatia não se impõem por decreto. Ou, pelo menos, não são eficientes se forem impostas por decreto. Têm de ser sentidas e só o podem ser se forem conclusão dum processo individual lógico.

Provavelmente faltar-me-á o talento mínimo para conseguir mesmo “agitar” consciências. Mas, pelo menos, tento. Sem proibições. Apenas a pedir às pessoas que pensem. Só isso. Mas eu sei que esse objectivo, que essa liberdade é um conceito que vos é estranho. Como quase todas as liberdades.

Aliás percebam uma inelutável evidência: se antes de discutirmos política, discutíssemos humanismo quando chegássemos ao momento de discutir política, compreenderíamos de imediato que o socialismo não faz qualquer sentido. Compreenderíamos que é “contra natura”. Que é um factor catalizador de pobreza, de miséria, de desgraça, de injustiça e de autoritarismo. Porque o cuidado primordial com os menos favorecidos já estava assegurado. Que esse cuidado só tinha valor quando era espontânea, livre e individualmente  decidido. Que o mirífico “estado social socialista” só era um convite arrasador e destrutivo ao demérito, à iniquidade e sobretudo à inibição de liberdades.

Desenganem-se: a esquerda não é a dona dos essenciais valores humanos. Pelo contrário e se teoricamente já o era possível compreender de forma prévia, a história tem demonstrado que a esquerda é mesmo a maior algoz daqueles princípios.

Atinem. Tentem pensar, por favor.

Red Hot Chili Peppers — FireAid, Los Angeles, 30 de Janeiro de 2025

Independentemente da propaganda, a ruptura prova que o jornal A Bola não adopta o Acordo Ortográfico de 1990

Exactamente. Efectivamente. Independentemente da propaganda e apesar da alegada resistência silenciosa, a ruptura não engana.

Nirvana — FireAid, Los Angeles, 30 de Janeiro de 2025

Efectivamente.

Deepfucked

Os chineses criaram o seu próprio ChatGPT. Chama-se Deepseek. A ferramenta é de tal forma eficaz que o sector tecnológico norte-americano caiu desamparado na bolsa de Wall Street e perdeu mais de 600 mil milhões de euros. Afinal, o poder das tecnológicas não é assim tão grande.

O que se passou ontem ajuda a explicar a deriva autoritária do capitalismo, sobretudo nos EUA. É que, para o grande capital, para usar a expressão do PCP, os lucros tendem a sobrepor-se à democracia e aos direitos humanos.

Foi assim quando os grandes empresários alemães se aliaram a Hitler, é assim quando bilionários como Elon Musk atacam sindicatos e políticas sociais, e usam os seus recursos quase infinitos para financiar e promover forças de extrema-direita. [Read more…]

Vladimir Trump e a separação de poderes

Trump mandou despedir os procuradores que o investigaram. A oficialização da natureza autoritária dos EUA segue imparável.

Amigos de Elon, por Philipe Low

“I have known Elon Musk at a deep level for 14 years, well before he was a household name. We used to text frequently. He would come to my birthday party and invite me to his parties. He would tell me everything about his women problems. As sons of highly accomplished men who married venuses, were violent and lost their fortunes, and who were bullied in high school, we had a number of things in common most people cannot relate to. We would hang out together late in Los Angeles. He would visit my San Diego lab. He invested in my company.

Elon is not a Nazi, per se.

He is something much better, or much worse, depending on how you look at it. [Read more…]

Pergunta dominical

Pergunto-vos: qual a diferença entre “foi Bruno Lage esclarecedor na conferência de imprensa?” e “Bruno Lage foi esclarecedor na conferência de imprensa?”?

Carminho: Tiny Desk Concert

Tive pena do Chega, mas guardo a compaixão

André Ventura e o seu ex-subordinado, o agora deputado não-inscrito Miguel Arruda

Quando rebentou a polémica, bateu aquele quentinho no coração. O Chega. Um deputado ladrão. Os cheganos feitos baratas tontas, primeiro, defendiam o homem com unhas e dentes; depois, confirmado o furto, “agarrem-me que eu vou-me a ele”. No fim, o larápio pegou nos pés e pôs-se a andar, enquanto os acheganados espumavam com afinco, por não terem tido a oportunidade de serem eles a expulsar “o malas”.

Rimos. Rimos novamente. E rimos outra vez. Voltámos a rir. E rimos novamente. Agora, bate aquela pena. É que ver deputados do Chega sem argumentos, usando aquele chavão político de topo que é “vamos partir-te a cara aos bocadinhos” e, sobretudo, as olheiras do Querido-líder André que, tão patriota que é, estava nos Estados Unidos e que de tão bom líder que é, reuniu com os seus deputados via Estados Unidos (se calhar o Trump prometeu-lhe um gabinete, sei lá… mal por mal, pode ficar por lá), deu aquele gostinho a justiça poética.

Aquela carinha de totó que nem roubar sabe do deputado Arruda, a carinha de flatulência do deputado sem pescoço (aquele que se senta ao lado do Querido-líder a bater palmas com muita força), a já referida cara de sono de Ventura, a fronha de funeral das Matias e dos Frazões… deu gozo? Deu muito. Agora, mete pena. E a pena é um sentimento muito feio. E dá pena porque essa gente é tão indigente que, ao mínimo escândalo, viram-se todos uns contra os outros. O Chega prometeu “levar as pessoas comuns para o Parlamento”, não tinha dito é que também levava os criminosos comuns… e não ficará por aqui, pois sabemos que 35% da bancada parlamentar do Chega está a braços com a Justiça e que o Arruda é a ponta de um iceberg. O Chega é um titanic, vai navegando e deslumbrando por onde passa, mas um dia vai esbarrar. [Read more…]

O padrão Musk

Ninguém votou em Elon Musk.

No entanto, il consigliere tem neste momento mais poder e exposição mediática que JD Vance. E ombreia com Trump.

Aliás, a saudação nazi – sim, foi uma saudação nazi, e foi intencional, mas já lá vamos – roubou claramente o protagonismo a Donald Trump. No dia seguinte ao mais importante da vida do outra vez presidente dos EUA, o maior comeback da história da política americana, o tema não foi Trump. Foi a actuação do Adolfo de Pretoria. E Trump, dono do mais pedante ego à face da Terra, não deve ter ficado nada contente. A Soberba é pecado mortal, mas Donald é muito cristão. Enviado por Deus.

Esta é uma das minhas esperanças: que os gigantescos egos de Trump e Musk colidam. Sem retorno. A seguir abasteço-me de pipocas e vou assistir ao combate entre nativistas e broligharcs no octógono, com Joe Rogan a comentar e Trump a tirar selfies com Dana White na fila da frente. Se tivesse que apostar, apostava nos segundos. In America, cash rules. Ou como muito oportunamente o colocaram os Wu-Tang Clan: C.R.E.A.M. Dolla dolla bill, y’all.

Adiante.

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Subsídios para a ausência de javardice no debate público

Efectivamente.

Títulos internacionais

Lembra o El País.

O Chega já tem mais títulos internacionais do que o Benfica nos últimos 50 anos.

Isto não se inventa

Dá-me um especial gozo ver o argumentário de defesa a favor do Arruda, pela voz do chefe do Chega dos Açores.

Essa de tese de levar malas por engano, possibilita que nos telejornais possamos ouvir vezes sem conta a expressão “Uma mala por engano“.

Os equívocos do jornal A Bola

André Villas-Boas não pede desculpa aos adeptos do FC Porto. André Villas-Boas pede desculpa à massa associativa do FC Porto. Exactamente como ‘selecção’ ≠ ‘seleção’, ‘massa associativa’ ≠ ‘adeptos’.

O “FdP”

Estou cada vez mais convencido que não são as diferenças ideológicas que nos separam, mas o carácter de cada um de nós. Na clara evidência que muitas opções políticas que cada um escolhe, são, desde logo e obviamente, determinadas pelo nosso perfil psicológico.

Mas para não descer à minudência dos pequenos pormenores que, bem ou mal, estabelecem as diferenças entre nós, o que levaria a discussão para patamares exponenciais e microscópicos, retirando-lhe, na prática, qualquer benefício, tentarei expor apenas uma distinção maior, mais abrangente e também mais determinante.

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TrumpTok

Trump em 2020: Vamos banir o Tiktok. Esta aplicação é uma ameaça à segurança nacional dos EUA.

Trump em 2025: O Tiktok não pode ser banido. Vou reverter a lei para proteger a segurança nacional dos EUA.

Director Nacional da Polícia Judiciária dá murro na mesa

Quatro minutos. Quatro. Foram o suficiente para o director nacional da Polícia Judiciária conseguisse desmontar as narrativas racistas e xenófobas da extrema-direita, às quais se atrelaram governantes alaranjados. Agora, esperamos a resposta do totó e macaquinho de imitação que é o Primeiro-ministro que temos.

Quantas greves são greves a mais?

Marques Mendes, no seu espaço de intoxicação alimentar, declarou que, nas escolas públicas, há greves a mais, há baixas por doença a mais e os sindicatos exageram (ouvir a partir dos 12 minutos e qualquer coisa).

Como é que se sabe se uma classe profissional faz greves a mais? Haverá um banco de horas de greve? Haverá um gestor de conta que negue um levantamento de horas de greve porque já se gastou o limite de crédito e agora só para o ano? Deveria existir o cargo de provedor do grevista?

Não sabemos, mas Marques Mendes sabe. Marques Mendes também sabe que, nas escolas públicas, há baixas por doença a mais e sabe que toda a gente acha o mesmo. Como é que Marques Mendes sabe? Acha que há. E também acha que os sindicatos exageram.

Marques Mendes é uma pessoa que acha muito e, por isso, tem opiniões. Só lhe faltam fundamentos e é por não fundamentar o que afirma que chegou a comentador televisivo.

Então, mas…

PSD e Iniciativa Liberal estão a estudar novas coligações autárquicas

Propaganda liberal espalhada pelo país. A/C Iniciativa Liberal.

Imagens curiosas do Google Street View (I)

Rua da Bombarda, Lisboa, Agosto de 2024

Um prefácio que não se despede

Não é fácil escrever um prefácio, mais ainda se esse prefácio for para a obra de um pai, numa viagem em carne viva pelas palavras que sulcou ao longo da vida, no fim da vida. Um prefácio que, entretanto, renasce numa mensagem que recusa despedidas.

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Adoro velhas/os

 

O povo não quer ouvir a opinião de Santana Lopes

sobre as presidenciais. O povo quer é saber a razão pela qual Santana Lopes escreveu “agora facto é igual a fato (de roupa)“. Efectivamente.

Anschluss?

Parabéns a todos os americanos que elegeram este Adolfo, e também a todos os fascistas por essa Europa fora, que rejubilaram com a sua vitória. Estou em pulgas para ouvir as balelas nacionalistas de Ventura e respectiva entourage, no dia em que vierem pelas Lajes.

Mouthpiece é difícil de pronunciar:

até para um falante L1 de inglês (Mark Zuckerberg).

Propinai!

O Ministro da Educação, Fernando Alexandre, em entrevista recente, anunciou a intenção de proceder ao descongelamento das propinas no próximo ano lectivo, considerando que o não pagamento de propinas não é o que garante a equidade.

E que tal ainda não foi feito porque o Governo está a “a avaliar o sistema da acção social”.

A sério?! O mesmo Governo que ainda hoje não sabe quantos são, afinal, os alunos do secundário sem aulas?!

É claro que o descongelamento das propinas dificulta o aceso ao ensino superior. E não faltam já obstáculos bastantes para alguém que quer aceder.

A começar pela quantidade de alunos deslocados, cujas famílias não têm meios financeiros para pagar balúrdios pelo alojamento, dada a especulação actual no mercado habitacional.

Passando pela inoperância do apoio social escolar e a sua desadequação em matéria de critérios de análise e de concessão. Acrescida da falta de meios para dar resposta, mas com a perene promessa de que isso vai mudar.

Continuando pelos constantes atrasos e distorções na atribuição de bolsas de estudo.

Não é à toa que este ano foi anunciado um aumento de 11,73% de abandono escolar no primeiro ano de licenciatura. A mais alta em 8 anos. [Read more…]

Nótula sobre a qualidade analítica da propaganda anti-Lage

Top quality research requires outstanding methodological skills.
KP/LDC

 

Equiparar os quatro pontos em quatro jornadas de Lage aos quatro pontos em quatro jornadas de Pereira só pode ser natural num jornal português praticante da resistência silenciosa em tempos de liberdade (exactamente) e que capitula perante o nefando AO90. No mundo real, não é natural que Rogério Azevedo não indique explicitamente o seguinte: nos quatro pontos em quatro jornadas de Pereira, houve uma derrota contra uma equipa actualmente com 22 pontos, enquanto os quatro pontos em quatro jornadas de Lage têm uma derrota contra uma equipa actualmente com 41 pontos e que (credo!) é o actualíssimo campeão nacional. Lá se foi a comparabilidade. E o cálculo é simples. O resto, sim, aceita-se: Braga e Santa Clara (derrotas) têm os mesmos pontos e Gil Vicente e AVS – Futebol SAD (empates) distam uns míseros três pontos entre si. O Benfica e o Sporting ganharem a Estoril e Boavista é absolutamente normal. O que não é normal é continuarmos a ter propaganda, em vez de análise rigorosa. Ainda por cima e repito, para cálculos tão simples.

Chilly Gonzales — Dot

Governo não queria poupar dez mil euros por mês

Até há dois ou três dias, o governo considerava fundamental gastar 16 000 euros mensais com Hélder Rosalino. Depois da desistência deste, o cargo de secretário-geral do executivo será ocupado por Carlos Costa Neves, que ficará cerca de dez mil euros mais barato por mês.

No mundo da alegada meritocracia que faz corresponder o volume salarial à competência, poderemos dizer que Carlos Costa Neves é dez mil euros menos competente que Hélder Rosalino? Isso não será demasiada competência a menos? Ao contratar uma pessoa tão barata, não estará, ainda, o governo a prescindir de uma grande quantidade de competência, pondo em risco o desempenho de um cargo que, com certeza, será considerado fundamental? Entretanto, o que aconteceu para que, só passado quase um ano, um governo tenha descoberto que é fundamental criar este cargo?

Se, afinal, era possível gastar bastante menos, não será que o governo anda a brincar com dinheiros públicos? Mas há governo?