Depois de Cristiano Ronaldo

ter ficado com aftas, chegou a vez das “ulceras [sic] *afectosas“.

O Imposto Portas tem de acabar

Rampas de garagem pagam taxa em estradas nacionais. Portaria é de Outubro de 2015 e já há proprietários a serem intimados pela GNR para regularizar a situação.” Portanto, Passos Coelho. Sem alteração de Costa. Lembram-se da conversa da direita sobre taxas e taxinhas? Pela boca morre o peixe, ó hipócritas da paf. E vamos lá falar de reversões, António Costa, ou isso é só para a capa de noticiários?

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Um país que secou

A propósito dos chineses que passaram a controlar o BCP, Nicolau Santos faz uma análise daquilo em que se tornou o país em meros 5 anos. É um retrato desolador, de uma nação que deixou de ter controlo sobre os seus mais sensíveis e estruturais elementos. Ilustra, ainda, como estavam profundamente errados aqueles que defenderam (e defendem) um Estado minimizado, vendido ao sector privado.

O cronista do Expresso aponta o mandato de Passos Coelho e Paulo Portas como a causa do problema. Foram anos de completa reviravolta, é verdade, mas não chega para explicar onde chegámos. Apesar do fanatismo ideológico que atingiu o expoente máximo com o anterior governo, a loucura já vem de trás. É anterior a Sócrates, o mal do mundo, veja-se só.
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Lettres de Paris #29

«Mais qu’est ce qu’on veut?

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papiers!». Era a resposta gritada e acompanhada de punhos no ar e tambores. Estava eu, tranquila, a admirar o carrossel do Hotel de Ville quando começo a ouvir gritos e tambores. Vou até à esquina da Place de l’Hotel de Ville e da Rue du Renard avançam umas 20 pessoas, com megafones e tambores. Gritavam de forma articulada com o tambor, como se fosse uma canção, a canção dos sem-papéis, que o que queriam era tê-los. Ainda pensei em juntar-me à manifestação, animada pelos punhos erguidos principalmente, mas curiosamente (ou não, melhor dizendo) não havia uma única pessoa branca na manifestação e, mais a mais, tenho papéis. Podia ter-me juntado em solidariedade, bem entendido, mas pensei que os manifestantes tomassem isso como desrespeito ou gozo da minha parte e, portanto, deixei-os continuar para a Rue do Rivoli, poucos mas barulhentos, timidamente acompanhados por uma ou duas motas da polícia. Voltei ao Parvis de l’Hotel de Ville para admirar outra vez o carrossel, enquanto os gritos dos manifestantes e os tambores se ouviam cada vez mais ao longe.
Antes desta pergunta – ‘Mais qu’est ce qu’on veut?’ ter entrado na minha tarde, de forma inesperada, tinha saído não muito cedo da Rue Suger, bebido o café servido pela Julie, que foi simpática comme tous les jours, quero dizer aqueles em que vou lá. Atravessei a Place Saint-André des Arts e fui ao quiosque comprar uma carteira de bilhetes de metro (e de autocarro e de comboio, já que dão para tudo isso). A seguir voltei a atravessar a praça, entrei na Place Saint-Michel, depois na Rue de la Huchette, atravessei a Rue Saint-Jacques e depois entrei na Rue de la Bucherie. Passei em frente da Shakespeare and Company, segui pelo Quai de Montebello, atravessei a Pont au Double e entrei no Jardim João Paulo II, onde se ergue uma estátua ao agora santo e continuei, reparando nas cores das folhas contra a brancura da pedra da catedral de Notre Dame, até à Place Jean XXIII onde as cores das folhas das árvores continuaram a surpreender-me. Estava um casal de noivos sentado num banco a posar para fotografias. A noiva, coitada, com este frio, mantinha o sorriso, mas estava com os ombros e os braços descobertos. Reparei também nas pessoas sentadas nos bancos de jardim, por baixo das árvores quadradas da Place Jean XXIII e saí do jardim pela Rue du Cloître Notre Dame. Fui até à Pont Saint-Louis, que justamente cruza o Sena entre a île de la Cité e a île Saint-Louis. A ponte está fechada ao trânsito e estava bastante gente. Um rapazinho bastante novo tocava acodeão sentado num banquinho. No mesmo instante em que reparei nas nuvens por cima do Sena e e da Pont de la Tournelle, o rapazinho começa a tocar, e bem por sinal, ‘sous le ciel de Paris…. la la la la la’. Um clássico, portanto, mas no momento certo.

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Os bons, os maus e o comboio

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Dou por mim parado na estação de Coimbra B e recordo-me do dia em que vi, pela primeira vez, o João José Cardoso. O João José, a Noémia e o Ricardo, a Carla e o petiz, o Dario, o Orlando e o Nabais e acho que, do pouca-terra que partira de Campanhã, éramos estes. Em Coimbra, naquele belo tasco forrado a retalhos de individuais de papel, com palavras de ordem e devaneios boémios, conheci mais uns quantos. Se a memória não me trai estava lá o Valada, a Eva, o Jorge e o Fernando, que chegou mais tarde. Um dia bem passado, bem regado e de pança cheia. Um raro dia de convívio em que ocupamos o mesmo espaço físico, não descurando todos os dias em que nos encontramos, virtualmente, para arquitectar conspirações, parvoíces e coisas sérias. [Read more…]

A deriva totalitária

Rui Naldinho

O Presidente da Associação dos Proprietários Lisbonenses e Vice Presidente da União Internacional da Propriedade Imobiliária, Luiz Meneses Leitão, ele parece andar amuado. Como tal resolveu destilar o seu ódio contra quem achou por bem mexer nos interesses do lóbi que ele representa, o imobiliário.

É sabido que até há bem pouco tempo o sector da construção civil, e consequentemente o do imobiliário, foi a forma mais fácil, rápida e barata de se enriquecer em Portugal. O risco era mínimo, e a majoração muito acima de qualquer taxa bancária, mesmo a de produtos financeiros de risco. [Read more…]

Legal ou ilegal? Dá igual!

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Tal como se previa, foi rejeitada no Parlamento Europeu a proposta de resolução para solicitação ao Tribunal de Justiça Europeu de um parecer sobre a legalidade do Sistema de Tribunal de Investimento (ICS) contido no CETA. A maioria dos eurodeputados acha que isso agora é de somenos relevância, picuinhices! Importante mesmo é o sprint final para começar a aplicar o acordo, o resto logo se verá. A Valónia até já tinha exigido esse controlo jurídico, mas isso fica para sabe-se lá quando e a ver…

A Associação Europeia de Juízes e a sua congénere Alemã, além de numerosos outros juristas, acreditam que o Sistema de Tribunal de Investimento incluído no CETA não é legal ao abrigo da legislação da UE. Azar o nosso, nem a Comissão, nem os nossos representantes no Parlamento Europeu querem tirar isso a limpo, basta-lhes a opinião dos seus próprios serviços jurídicos – pois claro, por acaso isto até nem tem implicações gigantescas para nós. Os Srs. eurodeputados estão-se nas tintas para nós e para o que isto nos vier a custar!

Portanto, caros leitores, a próxima estação é a votação do acordo pela Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu (INTA), no dia 5 de Dezembro, e cerca de uma semana mais tarde sairá o veredicto do plenário. Agora digam lá que a burocracia em Bruxelas é lenta! Isto foi num abrir e fechar de olhos e só porque sim.

Portanto, quando tiver oportunidade, não se esqueça de ir votar no PSD ou no PS, que quase em força também alinhou nesta trama que vai tramar à grande o peixe miúdo.

Diz que é uma espécie de ortografia

Hoje, quarta-feira, dia 23 de Novembro de 2016, durante este invervalo do confronto entre o Glorioso e o colosso turco Beşiktaş [beˈʃiktaʃ], façamos um balanço sobre o que tem acontecido durante esta semana.

Por exemplo, na segunda-feira, aconteceu isto:
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Contudo, na terça-feira, foi isto que aconteceu:

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Já agora, o que estará a acontecer hoje? Hoje,  [Read more…]

Via vergonhosamente ultra rápida para o CETA!

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A passagem do CETA (o acordo de comércio livre UE-Canadá) no Parlamento Europeu está a ser conduzida a uma velocidade meteórica e levando tudo raso pelo caminho.

Estorvos democráticos, como a audição de comissões relevantes, conforme sucedeu com acordos comerciais anteriores? Interdito!, decidiu a Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu (INTA), que lidera o processo de votação do CETA no PE; Debate no Parlamento Europeu sobre uma proposta de resolução subscrita por 89 eurodeputados – entre os quais Ana Gomes (PS), Marisa Matias (BE) e Miguel Viegas (PCP) – solicitando ao Tribunal de Justiça Europeu um parecer sobre o previsto Sistema de Tribunal de Investimento (ICS) contido no CETA e destinado a permitir que empresas processem os governos por aprovarem legislação susceptível de prejudicar os seus lucros? Bloqueado!, decidiram maioritariamente os próprios eurodeputados no passado dia 21 de Novembro, com 184 votos contra, 170 a favor e 9 abstenções.

Os sinaleiros de serviço são o EPP (Partido Popular Europeu) e o S&D (Socialistas e Democratas), com o Presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, à cabeça das manobras. Dos eurodeputados portugueses, Carlos Coelho, Sofia Ribeiro e Paulo Rangel do PSD, bem como Ricardo Serrão Santos, Pedro Silva Pereira e Carlos Zorrinho do PS, foram dos que votaram contra a maçada do debate no PE. Discussão democrática nas instituições europeias? Só empata.

Portanto sem debate congestionante, será hoje, quarta-feira, votada no PE a proposta de resolução para pedido de parecer ao Tribunal de Justiça Europeu sobre a compatibilidade do Sistema de Tribunal de Investimento (ICS) com os tratados e as leis da União Europeia. O resultado é previsível, não se esperam acidentes.

É que há que despachar o andamento, pois a votação no PE sobre o próprio CETA, inicialmente prevista para o início de 2017, está agora com a data indicativa de 14 de Dezembro, para 2016 terminar fluidamente com chave de ouro. A maioria dos eurodeputados está preparada para fazer uma curta vénia às muitas centenas de páginas do acordo e voilà! luz verde para a aplicação provisória do CETA!

A importância de uma vírgula

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Lá fora, como cá. (Autor desconhecido.)

Rui Ramos levou um coice

E foi em cheio na falácia.

Road to disaster…

Isolamento, proteccionismo, nunca acrescentaram valor ou criaram riqueza. Em breve a China será a 1ª economia global.

Todas as religiões são iguais, mas algumas são mais iguais que outras…

Um chef desloca-se a Israel por razões profissionais, que nada têm a ver com política. Porque alguém ousa não seguir a manada do politicamente correcto, bestas radicais deixam a sua marca de intolerância nas paredes do espaço comercial. Até que as autoridades encontrem e interroguem os cobardes agressores, o que duvido venha a acontecer, não poderemos saber de facto se estamos em presença de anti-semitismo, o que seria um crime muito grave. Curioso, ou talvez não, foi até agora não ter este episódio merecido a mesma veemente condenação por boa parte da opinião publicada e organizações políticas responsáveis, despudoradamente alguma esquerda folclórica próxima da geringonça até apoia os fundamentalistas, estão bem uns para os outros. Depois admirem-se com o crescimento de fenómenos políticos extremistas ou securitários na Europa, o cidadão comum não gosta de bandalhos nem bandalheira. E como resultado não poderia ser pior, do ponto de vista de acção política que era o que pretendiam, como contributo para a discussão do problema israelo-palestiniano é irrelevante, para o chef Avillez foi um tremendo golpe publicitário graças a estes idiotas úteis…

Fila indiana na CP

Na estação da CP de Entrecampos pede-se aos estrangeiros que saibam ler inglês para se deslocarem em fila indiana, que é o que se imagina que se pretenda com a expressão “single file”.

À falta de organização da estação e aos WC pagos, mas que às 20:00 já encerraram – como se sabe, as necessidades estão sujeitas a marcação -, soma-se esta pérola, menor, é certo, mas desnecessária. Senhores administradores da CP, quando corrigirem a gafe, aproveitem o balanço e coloquem sinalética decente na estação. E, já agora, se não for pedir muito, evitem fechar o que é suposto estar disponível para quando é preciso.

Lettres de Paris #28

Éclairage Intime*

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Hoje também não há fotografias, a não ser uma que tirei noutro dia qualquer ao meu cinema em Paris. O meu cinema em Paris é o Le Champo, na esquina da Rue des Écoles com a Rue Champollion. É um cinema antigo, com o cognome de Espace Jacques Tati a Paris. Comprei um cartão com 10 sessões logo nos primeiros dias que cheguei a Paris. Passo lá praticamente todos os dias quando vou para o Ladyss. Apresentam ciclos de cinema sobretudo. E filmes antigos, alguns dos quais nunca tive oportunidade de ver. Assim, tal como adotei um café – O Le Saint-André, aqui mesmo à esquina da Rue Suger, adotei um cinema. Creio ter também adotado uma livraria, a Compagnie, igualmente na Rue des Écoles, mas disso não tenho tanta certeza.
 
Fui almoçar com a Fabienne, uma francesa que conheci há uns meses em Aveiro, por causa de uns projetos financiados pelo Centre Nationale de la Recherche Scientifique (CNRS). É antropóloga, fala português e é simpática. Faz algumas coisas de que tenho uma pontinha de inveja… do tipo dar algumas aulas no Musée do Quai Branly. Fomos almoçar ao Fourmi Ailée. Aliás, foi ela que me tinha falado nisso, quando combinámos por couriel este almoço. Foi um almoço simpático, tal como ela é simpática. Falámos em português e soube-me bem. Perguntou-me que tal me estava a tratar Paris, disse-lhe que très bien e é absolutamente verdade. Falámos de tudo e um par de botas e também, como é evidente, de trabalho, apesar de eu não estar aqui para desenvolver nada com ela. Mas nunca se sabe, como é evidente.
 

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Bilhete do Canadá – Ganda Rebaldaria

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Ivanka Trump, que faz gala em exibir-se ao bom estilo da boazona pirosa, deu uma entrevista ao programa 60 Minutos, da CBS, e deixou perplexos os entrevistadores que se perguntam, agora, que jogo escondido tem a rapariga e o marido. Afirmou e reafirmou, com a maior candura, que o papá a convidou a fazer parte da sua equipa governamental… mas sem pasta. Vai lá estar, diz ela, apenas como filha. Todos estão desconfiados que vai ser, de facto, a primeira dama. De resto, Trump pai opinou a rebentar de orgulho: “A Ivanka é realmente uma beleza. Se não fosse minha filha, era minha namorada”. É de cavalheiro. God bless you America.
Durante toda a entrevista, Ivanka agitou o braço onde exibia uma espampanante pulseira de ouro. No dia seguinte, os responsáveis pelo programa foram abordados por um vendedor da ourivesaria de que a dama é cliente para sugerir que publicitassem a pulseira, posta à venda por cerca de 11 mil dólares, uma pechincha, desde que fosse adquirida através do website de Ivanka. É o que se chama ir com sede ao pote.
Entretanto, Obama e McCain prometem refilar, alto e bom som, quando surgirem anomalias trumpescas. Coitados, vão ser uns mouros de trabalho diário em full time.

Confirma-se

 
Confirma-se que o Governo Sombra é, de facto, o melhor programa de actualidade política do momento e que, por acaso, até tem graça. Um caso de extremo bom gosto, com temas pertinentes e referências de elevado gabarito – onde por acaso o Francisco e o Aventar são mencionados, mas não é por isso, de forma alguma, que aqui se faz esta nota. Já referi que é um momento semanal marcante na agenda mediática?

PS: Arriscando destoar, aproveito para deixar duas notas:

  1. Acordo Ortográfico chega ao Supremo. Na net segue a petição por um referendo
  2. Assine a Iniciativa de Referendo

O Diário do Professor Arnaldo – Professores que gostam pouco de trabalhar

– «Já viste? Na 4.ª Feira temos reunião! Fogo, é o meu dia livre, é injusto!»
Isto dizia hoje a novata na sala de professores. Anda há meia dúzia de dias na escola e já aprendeu o missal: é professora, tem de ter dia livre. Tal como as colegas decanas, que trabalham 14 horas por semana e chegam a 6.ª Feira exaustas. Ou melhor, 5.ª Feira, porque 6.ª Feira é dia livre.
Às vezes, sinto que estou num mundo à parte. Não sei se é por ter chegado tarde à profissão, depois de ter estudado à noite enquanto trabalhava como servente e como operário. Estou a centenas de quilómetros de casa, mas sinto-me grato por ser professor. Por ter um dia livre por semana (mesmo com reuniões de vez em quando), por ter mais 2 manhãs livres, por ter uma semana inteirinha de férias no Natal, mais uma na Páscoa, mais dois meses limpinhos no Verão.
Hoje estava a olhar para elas, essas tais que se queixam diariamente. Eram 5 moças. Às 16.35, deu o toque de entrada para a aula. Elas, na sala de professores, não se mexeram. Nem às 16.36. Nem às 16.37. Nem às 16.38. Às 16.43, uma delas olhou para o relógio da Sala de Professores. Eram 16.45 quando, de repente, todas se levantaram ao mesmo tempo, como se tivessem combinado, e foram dar aula.
Engraçado! No meio delas, estava a tal. Essa tal

A imprensa portuguesa ao serviço da Geringonça

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Nesse antro de esquerdalhos que é a imprensa portuguesa, o grupo Imprensa, propriedade do fundador do PSD, Pinto Balsemão, é quem mais ordena. Como afirmam, e bem, os indignados à direita, meios como a SIC, o Expresso ou a Visão estão obviamente ao serviço da agenda dos partidos de esquerda, conferindo-lhes maior tempo de antena, nas peças noticiosas como no comentário político, e defendendo as suas posições, ao mesmo tempo que atacam, sem dó nem piedade, tudo o que mexe à direita. [Read more…]

Lettres de Paris #27

Marie, agricultrice, et son choix de ne pas se moderniser

Hoje não há fotografias, só uma de uma placa à entrada do portão do 105 (que é também o 101, onde se encontrava a placa) Boulevard Raspail, onde fica a École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS). Por momentos e por ignorância pensei que a placa dissesse respeito exatamente aos estudos das ciências sociais, de um tempo passado e agradou-me logo aquilo dos ‘êtres organisés’. Claro que depois reparei melhor na placa e já não me pareceu tanto que tivesse a ver com as ciências sociais. Tem e não tem, afinal. Parece que antes de ser criada, em França, na Sorbonne, em 1888*, a ‘chaire’ se iria chamar Philosophie Biologique, mas por razões de designações científicas acabou por se chamar Évolution des Êtres Organisés e, claro, diz mais respeito às chamadas ciências da vida. Mas já não estamos em 1888 e sabemos já que embora sejamos êtres organisés biologiquement, somos igualmente êtres organisés socialment e que as duas dimensões, pelo menos, se entrecruzam de maneiras intrincadas e difíceis de separar.
 
Estava diante da placa ainda não eram 10 da manhã, imagine-se. Levantei-me antes das 8 e meia na Rue Suger. Porque tinha de estar na EHESS às 10 da manhã exatamente. Mas também porque aparentemente vão fazer obras no prédio em frente, e a rua é demasiado estreita, e hoje os homens a montarem os andaimes, parece que estavam dentro do meu estúdio. Impossível dormir portanto, de manhã. Adivinho já dias turbulentos, se as obras durarem muito. Seja como for, ali estava eu, hoje de manhã diante da placa da ‘Chaire’ de ‘Évolution des Êtres Organisés’. Fui assistir a um dos seminários ‘Ruralités Contemporaines’, organizados na EHESS por um grupo de cientistas sociais ‘ruralistes’ franceses. O seminário de hoje consistia na apresentação de um filme-documentário – ‘Marie, un engagement paysan’** – e da discussão em torno do que ele nos mostra. Os realizadores, Daniel Blanvillain et Alain Barthot, estavam presentes, assim como Marie, a pequena agricultora e produtora de queijo (especialmente de ovelha), com 4 vacas e 40 ovelhas, da região do Bourbonnais. As vacas e as ovelhas não estavam presentes, naturalmente. Estava lá também ‘du monde’, quero dizer umas 40 pessoas quase, todas mais velhas que eu, à exceção de uns 5 ou 6 estudantes. Estava lá um monte de gente de quem li muitas coisas: Bernadette Lizet, encantadora, Françoise Dubost, Aline Brochot (claro)… e uns quantos mais… um mundo de gente, portanto.
 

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O Público e os empatas

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Na primeira página do Público, podemos ler aquilo que está na imagem. Como sabemos, empatar na política ainda é mais feio do que no futebol ou na vida íntima de outros.

Se lermos apenas este título, que é o que fazemos muitas vezes, é evidente que a imagem da esquerda não ficará em bom estado, porque, aparentemente, não quer resolver determinados assuntos. Se a esquerda merece ter bom ou má imagem, poderemos discutir noutra altura, se não vos importais.

Se se quiser, apesar de tudo, pensar um bocadinho, levantar uma dúvida, poderemos perguntar-nos se este título será uma referência a toda a esquerda, PS incluído, ou se haverá algumas divisões.

Ao fazer essa coisa raríssima que é ler a reportagem, ficamos a saber que o PS recusou as propostas dos partidos de esquerda acerca da limitação dos salários dos reguladores, que o PS, ao contrário dos (outros) partidos de esquerda, quer diminuir paulatinamente o número de alunos por turma, que o PS não quer fazer alterações no mapa das freguesias antes das próximas eleições autárquicas, que o PS não quer resolver já muitas questões relacionadas com o sistema bancário ou com os offshores, que o PSD e o PCP não viabilizarão de imediato algumas medidas contra os maus tratos a animais, que há uma proposta do CDS acerca do envelhecimento activo que tarda em ser aprovada, que o PS anda a adiar uma resolução sobre o uso da produção nacional e regional nas cantinas públicas, e, enfim, que há um grupo de trabalho que tem a seu cargo dois diplomas do PCP e do BE acerca do regime jurídico da partilha de dados informáticos e dos direitos de autor. [Read more…]

Uma metáfora para Portugal

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Lisboa, Doca de Santo Amaro – (c) jml

Bilhete do Canadá – O que eles dizem

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PASSOS COELHO (a propósito da CGD) acusa governo de despudor, indignidade e total falta de ética. Esqueceu-se do imenso pudor com que se conduziu na Tecnoforma, na falta de pagamento de impostos por anos e na promoção escandalosa de Miguel Relvas. Anda tão esquecido que parece ter Alzheimer. Coitado, tão novo.

CRISTAS diz que “primeiro ministro não se pode esconder mais atrás de ministros e secretários de estado”. A rapariga anda a precisar de óculos. Quem se esconde, e atrás dela que tem farta saia, é o Portas caixeiro viajante pago ao quilómetro, o tal que diz que a ideologia mata os negócios. O Costa, com aquela largura toda, não tem onde se esconda. [Read more…]

Uma espécie de lista de passageiros com bilhete de ida e volta

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Pretender que um blog político precisa de ter políticos entre os seus autores, ou para melhor dizer,  “nomes do poder do costume que o jovem escriba já viu na televisão“, como refere o Paulo Guinote, é como dizer que um jornal só existe em papel. Quem rabisca em “jornais sem papel” deveria estar atento ao paradoxo.

O fim (não) está próximo

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A Geringonça, qualquer pessoa de bem sabia, não chegaria a acordo para o primeiro orçamento de Estado. Não duraria um mês um ano. Nunca se entenderia para um segundo orçamento. A implosão era inevitável. O drama, a tragédia e o horror espreitavam ao virar da esquina.

Portugal, que até ia ser uma das 10 economias mais competitivas do mundo se seguisse o caminho traçado por Passos, não tinha outra alternativa que não fosse apostar nos baixos salários. Na reversão de direitos laborais. Porém, sem que ninguém o pudesse antecipar, os custos do trabalho subiram mas o desemprego desceu. E continua a descer. E o salário mínimo continuará a aumentar.  [Read more…]

Imprensa portuguesa, esse antro de esquerdalhos

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Segunda a propaganda do velho regime, a imprensa portuguesa é de esquerda. Um antro marxista-leninista de interesses obscuros com vista à sovietização do país. Porém, no seio dessa imprensa de esquerda, da qual jornais como o Público são considerados autênticos baluartes, uma notícia que no tempo do outro senhor nunca passaria sem heróicas e emocionadas capas passou ao lado dos destaques da esmagadora maioria da imprensa nacional. Assistimos àquilo a que a página Os truques da imprensa portuguesa designa de Apagão Informativo. E porque é que isto acontece? Porque a imprensa é de esquerda, claro está.

Imagem via Os truques da imprensa portuguesa

Portugal, na liderança da segunda divisão europeia

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Profecias da desgraça e manipulações informativas à parte, o Orçamento de Estado para 2017 foi aprovado no Parlamento, pela tal geringonça que não duraria um mês, e recebeu posteriormente luz verde de Bruxelas, que até enfiou as sanções das quais já não nos livrávamos numa gaveta. E o Diabo que insiste em fazer a vida negra a Pedro Passos Coelho. [Read more…]

Lettres de Paris #26

«Paris a mon coeur…

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dès mon enfance. Je ne suis français que par cette grande cité. Grande surtout et incomparable en variété. La gloire de la France est l’un des plus nobles ornements du monde*» escreveu Montaigne.
Paris não tem o meu coração desde a minha infância. Mesmo porque a primeira vez que vi Paris já tinha mais de 20 anos. Mas é como se Paris tivesse o meu coração desde a minha infância. Pelo menos, neste momento, tem o meu coração desde que aqui cheguei há 26 dias. O tempo passa a correr e, na verdade, sinto que aproveitei pouco. É certo que estou aqui para trabalhar, mas não se trabalha 16 horas por dia (bom, às vezes sim, como é evidente) e, portanto, penso que poderia ter aproveitado (ainda) mais estes 26 dias que já passei aqui e estes 26 dias em que Paris tem o meu coração, como se fosse desde a minha infância.

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Nem a Volkswagen se mete com o Diabo. A Autoeuropa pode respirar de alívio

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A Volkswagen prepara-se para despedir 30 mil funcionários. Se os delírios da confusa e transtornada direita tivessem qualquer tipo de adesão à realidade, a decisão do grupo alemão teria forçosamente impacto na operação de Palmela. Se, como afirmou em tempos o apagado líder da oposição, investidor algum estivesse disposto a pôr o seu dinheiro num país dirigido por comunistas e bloquistas, seria de esperar que a VW se preocupasse em reduzir o investimento nesta república soviética e que Autoeuropa fosse um dos alvos da anunciada reestruturação. Infelizmente, para os seguidores do culto profético da desgraça, claro, a Autoeuropa não será afectada pelos despedimentos que o gigante automóvel prepara. Aliás, o plano para recrutar entre 800 e 1300 novos trabalhadores mantém-se inalterado. Só pode ser coisa do Diabo.

Foto@Autoviva

O surrealismo da loucura na Caixa

PSD quer ver “o acordo” do Governo com a Caixa
O prazo dado pelo PSD já terminou. Agora o líder da bancada laranja acredita que existe mesmo um entendimento escrito entre o executivo e a administração da Caixa Geral de Depósitos.

CGD: Governo garante que não há documento que dispense declaração de rendimento
Governo garante à TSF que não existe um documento escrito que dispense a equipa de gestão de António Domingues de apresentar a declaração de rendimentos e património no Tribunal Constitucional.

Ultimatos e garantias. A Caixa Geral de Depósitos tornou-se num autêntico campo de batalha, com os guerrilheiros do PSD entrincheirados na única frente que lhes resta para fazer os estragos que o diabo não trouxe.

Mas se o governo está a conduzir este processo da nomeação de uma maneira completamente desastrosa, alguém em perfeito juízo acredita que esta forma de fazer oposição trará votos? A situação do banco público não é boa e a actuação da oposição tem por objectivo ainda a piorar mais. É a continuação da única estratégia que Passos Coelho teve enquanto líder da oposição, tanto no tempo de Sócrates, como agora com Costa: esperar que o pior chegue, para lhe abrir o caminho do poder.