Admito a minha ignorância desportiva.
Nunca imaginei que uma coisa destas pudesse existir. Pelo vistos, pode. Ou melhor, pôde. Pelo menos até 1989, na Florida – USA, pois claro!
Naquele país, onde o sol brilha mais forte, embora nem sempre nasça para todos, onde todos são livres, embora muitos estejam agrilhoados, e onde todos os sonhos se podem concretizar, embora nem todos possam sonhar, naquele país, houve uma magnífica tradição que foi, vá-se lá saber por que motivo, abolida.
Pois surgiu um senhor, um republicano, deputado, eleito pela Florida, Ritch Workman (nome bastante sugestivo para um Republicano, diria eu) que defendeu o regresso dessa enriquecedora tradição que tanta falta faz para animar a malta lá do sítio. [Read more…]
Arremesso de Anões
A bruxa
Cá no bairro todos os negócios vão mal excepto o da bruxa. Chamo-lhe bruxa de um modo se calhar abusivo, ou simplista, porque ela intitula-se “conselheira e terapeuta espiritual”. Mas tenho a atenuante de que sou do norte, e, nas duas margens do rio Minho, ser bruxa ou meiga não só não chega a ser insulto como até pode ser elogio.
Esta nossa bruxa é a mulher mais elegante da rua, tanto assim que parece sempre desenquadrada, como se se tivesse materializado de repente, com os seus vestidos negros de veludo e os sapatos de salto alto, num bairro de mercearias e casas antigas. Quando sai de casa deixa na rua um eco de tacones lejanos e um perfume denso, enjoativo, que sempre me faz pensar em plantas carnívoras, cheirem elas ao que cheirarem. Tem um olhar duro, demasiado impiedoso para quem aconselha e cura, e é isso, mais do que a sua linha de negócio, que me faz desconfiar das suas intenções. [Read more…]
Serás considerada culpada até provares o contrário
Paula Montez, uma activista pela não-violência, foi constituída arguida num processo pouco justo e totalmente opaco, a que pode não estar alheio o seu activismo. Pede a ajuda de todos os que estiveram no 14n em S. Bento.
Há quem gaste para trabalhar
Criado em 2009, o cartão Professor+ conta com mais de 30 mil inscritos.
A força dos doozers
Considerando o projecto de lei relativo à reforma do mapa administrativo do território uma arma de “extermínio dos órgãos mais próximos das populações”, o PCP vai apresentar na próxima sexta-feira dia 21 de Dezembro mais de 700 propostas de alteração ao projecto da maioria de direita ultra-liberal que preconiza a extinção e fusão de freguesias. Exigem os comunistas que cada proposta de alteração apresentada pelo PCP seja votada uma a uma, garantindo assim que, perante cada uma das extinções propostas, cada deputado dê a cara pelo seu voto de acordo ou desacordo, impedindo que possam votar anonimamente em favor da extinção das freguesias dos círculos concelhios que representam. O anúncio foi feito vários dias antes do fim do prazo para a apresentação de propostas de alteração ao projecto de lei relativo à reforma em questão, demonstrando o PCP a habitual capacidade de trabalho dos comunistas portugueses. [Read more…]
A ilusão das privatizações
Já lá vão mais de 30 anos. A televisão a cores tinha acabado de chegar a Portugal. Era a novidade. Como mais de 30 anos antes os portugueses dos anos 50 se tinham acotovelado para ver as primeiras imagens da TV, no início dos anos 80 viam que a TV também podia ter cores.
O preço dos televisores, claro está, fazia com que não fosse para todos. Era para alguns cafés, restaurantes e para as famílias mais abastadas. As menos abastadas ou pobres tinham de se contentar com um subterfúgio. Talvez se lembrem melhor que eu. Lembro-me de uma placa de plástico duro colorido, ligeiramente côncavo para se moldar ao ecrã do televisor, ainda bem longe dos ecrãs planos de hoje.
Datura stramonium
As ilegalidades destes dias
Dois fatos ilegais têm acontecido nestes dias, Fatos que, pela tristeza que me causam, foram silenciados no meu consciente e inconsciente, levando-me a guardar silêncio. Vão as minhas primeiras palavras para as mães e pais sem filhos e os pais e mães sem esposos, estudantes sem docentes e discentes sem professores, por causa dos pelos acontecimentos de New Town, em Connecticut, fundada em 1705 e incorporada aos Estado da União em 1711, em Fairfield, norte de Nova Iorque. Em 2003, Gus van Sant tinha filmado outra matança de estudantes e docentes, em Portland, distrito de Oregon nos Estados Unidos de Améria, conhecida como a Massacre de Columbina.
Depois de ter decepado milhares de portugueses
Benjamim Niputa, ou uma estória de Natal (conclusão)
Benjamim Niputa exportava toda a felicidade que lhe ia na alma. Ria, enroscava-se numa longa gargalhada, dava graças, saltava, dançava como que imbuído de um batuque imenso, bem no fundo de si, telúrico.
Sentados na messe, os oficiais comentavam. Bebendo no bar, os sargentos riam. Sentados no chão da caserna, os soldados abriam o cantil e escorropichavam o resto do vinho servido ao jantar. Em profusão, como convinha nas festas.
Os dias seguintes iam correndo ao sabor das exigências militares, das saídas para a Beira ou para a Manga, onde, a coberto de um filme indiano da moda, se apalpavam, nas filas de trás, as intimidades das damas convidadas para a sessão da noite. O Natal era no quartel.
A comissão fabriqueira das solenidades continuava o seu trabalho, estendendo gambiarras pelo arame farpado, cada caserna mostrava do que era capaz, encimando a porta de entrada com enfeites das mais variadas formas. Uma arte original, mas autêntica, invadia os corações. [Read more…]
Um homem, um cume
Morreu Maurice Herzog com 93 anos, o primeiro homem a atingir o cume de Annapurna, uma das 14 montanhas mais altas do mundo.
A sua vida deu um filme, um best-seller e muitas capas de revista. Foi ainda ministro do Desporto, presidente da câmara de Chamonix e membro do Comité Olímpico durante 25 anos.
Aos 31 anos, fez o que nenhum outro desportista tinha feito até então: escalou os 8091m de altitude do gigante nepalês, sem recurso a oxigénio suplementar. Com custos, claro. Pagou um preço muito alto: a amputação dos dedos.
Nós vemos apenas o que eles têm a menos, estes homens que atingem o cume de montanhas sentem que têm mais.
Da série ai aguenta, aguenta (10)
O ser humano será uma causa perdida?
É esta a pergunta que Frei Bento Domingues faz hoje no PÚBLICO.
Depois dos últimos dois acontecimentos (a morte da menina de 9 anos em Gaia e o massacre em Newtown) a questão faz todo o sentido.
Não transcrevo todo o texto, apenas a sua conclusão: “São os caminhos de inclusão ou de exclusão que avaliam o coração das pessoas, das famílias, das sociedades e das políticas.”
Para pensarmos juntos.
Vai-te Foder!
Pedro Passos Coelho, e que descontos fez, por exemplo, Marques Mendes para auferir quase três mil euros de subvenção mensal?
Não culpem as armas, mas o atirador…
-Estou plenamente consciente que este texto irá ser maioritariamente lido por portugueses, residentes em Portugal, que discordarão das minhas palavras e convicções, ainda assim não pretendo ficar calado perante o pensamento quase unânime, detesto unanimismos, que domina a sociedade europeia e por contágio também a portuguesa, sobre a questão da aquisição e porte de armas.
-Começo por dizer que também lamento as vítimas, por serem crianças a quem foi negado um futuro o crime ainda ganhou contornos mais hediondos, mas fossem idosos com 90 anos residentes num lar, para mim era exactamente igual, prezo a vida humana. No entanto, ao contrário de outros autores do blogue e não só, sempre que um louco atenta nos EUA contra a vida humana a questão volta à ribalta, com a condenação da NRA e sua defesa da Liberdade, Constitucionalmente consagrada na 2ª Emenda. [Read more…]
Em 500 anos nunca houve fome?
Enquanto houver Misericórdias não há razão para haver fome em Portugal.
Manuel Lemos dixit.
Benjamim Niputa, ou uma estória de Natal (1)
A memória prega-nos algumas partidas, há que assumir, sobretudo quando a idade, dizem ou nós sabemos, nos traz mais depressa recordações de antanho do que as mais recentes. Há um nome científico para isso, mas não estou para ir pesquisar, não importa para a estória.
Imaginem, então, que, por entre iluminações natalícias nas ruas, as lojas abertas até mais tarde, o costumeiro bulício de gente apressada, vos vem à memória um Natal com 38 anos de idade.
E quem é Benjamim Niputa? Hoje, não sei quem é, se existe ainda, o que fez nas últimas quase quatro décadas. Se está vivo, se foi morto por um animal selvagem ou vítima de uma bala perdida numa guerra civil que o atropelou, se é feliz, se tem – ou não – filhos, se seguiu a carreira militar, se é polícia, se abraçou o apelo das suas mãos prendadas para a arte e hoje é um pacato artesão de um país africano de língua oficial portuguesa. [Read more…]
O mal maior
Nancy a mãe de Adam Lanza coleccionava armas e segundo alguma imprensa tinha por hábito levar os filhos a sessões de tiroteio ao alvo. Dias em família, como o deste vídeo – há dezenas no youtube.
Nancy foi a primeira a morrer. O horror, o mal, tem um nome: National Rifle Association. Tal como os acidentes acontecem quase sempre com armas descarregadas, os loucos sempre que matam carregam antes uma.
Persépolis
Prémio do júri do Festival de Cannes, 2007, escrito e realizado por Satrapi e Vincent Paronnaud
Legendado em português (clique em CC). Ficha IMDB
RTP Porto e mau spin…
Eu não tenho nada contra as Casas de Pasto, bem pelo contrário. Só não confundo alhos com bugalhos. Acredito que Alberto da Ponte perceba bastante de gestão e de fornecimento de águas e cervejas às “Casas de Pasto”. Já no que toca a administrar a RTP, as minhas dúvidas crescem de dia para dia.
Vamos por partes.
Sou insuspeito: apoiei o PSD nas últimas legislativas e sempre defendi que não se justifica ter dois canais públicos em sinal aberto. Ou seja, nem sou da oposição nem contra, em parte, a privatização ou encerramento de parte do universo RTP/RDP. Melhor, a minha ligação ao Porto Canal aconselha silêncio e até agrado. Só que não embarco em “tangas”.
Reparem neste pormenor delicioso: “Porto perde Praça da Alegria e ganha grande projecto”. Pelo amor da santa, caro Alberto da Ponte, esse tipo de spin é “gato escondido com o rabo de fora”. Pior, é “rabo escondido com o gato de fora”. Verdadeiramente confrangedor e amador.
Se querem fechar a RTP Porto tenham tomates, porra! Sejam corajosos e digam-no de uma vez por todas e deixem-se de floreados. O Norte já não se espanta. Quem não se lembra da “nacionalização” da NTV? Quem já esqueceu a partida dos Bancos? Da Bolsa? Sempre com promessas, ao mais puro estilo spin, de grandes projectos a caminho? [Read more…]
Acordo ortográfico: Rui Tavares é mais ou menos a favor
Rui Tavares, historiador e europedutado, escreve semanalmente no Público e decidiu que as suas crónicas sejam publicadas segundo as regras, por assim dizer, do chamado acordo ortográfico (AO90).
Há dias, resolveu republicar um desses textos no facebook. Não estando aqui em causa o conteúdo, que subscrevo inteiramente, um comentador notou que o cronista acordista usara a forma verbal “pára”, proscrita pelo AO90. Sempre combativo, Rui Tavares respondeu: “pára ou para têm ambos o uso possibilitado pelo AO. Para evitar confusões uso pára. Mas diga-se de passagem que sempre disse que a norma oficial, esta ou a anterior, é sobre a escrita oficial. Faz todo o sentido que se use a língua com critério e criatividade em simultâneo, e isso depende de cada um.”
Mais tarde, acabou por reconhecer que se enganara, no que respeita ao conteúdo do AO90, o que lhe fica bem. Na realidade, e de acordo com a Base IX, art. 9.º, do AO90, a forma “pára” desaparece: “deixam de se distinguir pelo acento gráfico: para (á), flexão de parar, e para, preposição”.
Apesar disso, voltou a defender o direito a fazer “adaptações no uso pessoal” e acaba por reconhecer que o acento em “pára” é necessário. Depreende-se, portanto, que qualquer um tenha direito, por exemplo, a acentuar conforme lhe apeteça, independentemente das regras ortográficas em vigor, ou até a prescindir de acentos, se considerar que o contexto é suficiente para que não haja ambiguidade. Segundo Rui Tavares, portanto, um conjunto de regras ortográficas é uma espécie de self-service em que cada um escolhe o que mais lhe agradar.
Não se negando ao debate, o cronista ainda dispara mais umas opiniões avulsas, sendo de realçar o reconhecimento de que algumas consoantes eliminadas pelo AO90 tinham valor diacrítico, o que, no fundo, equivale a dizer que deveriam ter sido conservadas, tal como o acento em “pára”. Já não deve faltar muito para que Rui Tavares, fazendo um uso pessoal da ortografia, acabe por renegar, na prática, o AO90, mesmo que o defenda, em teoria.






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