O senhor Silva está muito bem de saúde, mas os seus órgãos internos estão praticamente destruídos e teve fracturas múltiplas

 

‘Portugal está melhor, mas os portugueses estão pior’

 

 

Estado de negação

Numa análise que pecará por superficial, parece evidente que os seguidores de algumas ideologias políticas estão, desde há uns anos, completamente à nora para continuarem a sustentar premissas e valores completamente vetustos e, principalmente, desadequados.

Os tempos mudam, e as mudanças não lhes foram generosas. O que outrora parecia, alegadamente, a justiça e a harmonia feitas ideal político, hoje mais não é que um aglomerado de protestos e críticas que se fundamentam já não numa tese única e estrutural que lhes dava consistência e mérito, mas antes num desesperado desejo de sobrevivência política. Já não trazem nada de novo, válido ou exequível. Desistiram de participar. Aceitaram, cobardemente, o império da crítica sem alternativa séria, a supremacia da reprovação populista abrigada na impunidade de quem, voluntariamente, prescinde da responsabilidade de governar ou de, algum dia, vir a governar o País. [Read more…]

Agradecimento a Osório Mateus

Fui até à Biblioteca Municipal da minha cidade, na esperança de encontrar um livro de ou sobre o autor de teatro e trovas medieval, Anrique da Mota, nascido no século XV e com quem Gil Vicente colaborou. Qual não foi o meu espanto que consegui: um livrinho de 120 páginas numa edição de Osório Mateus (um nome que me era completamente estranho).

Escrevo este post pelo seguinte: pela «Nota Prévia» redigida em 1999 pelos seus organizadores, José Camões e Helena Silva: “Em 1996, quando morreu, Osório Mateus [1940-1996] preparava a edição das Obras de Anrique da Mota destinada a integrar esta coleção”. [Read more…]

Sangria

Um pontinho de luz

Há uma criatura na minha rua, não sei se um homem se uma mulher que, todas as noites, ou quase todas as noites, deixa uma vela acesa na varanda envidraçada. Não sei desde quando o faz…

E eu, todas as noites, ou quase, pergunto-me «por quê ou por quem o faz»?

Estou a ler bem?

Jardim vai emprestar  259 milhões de euros a cinco sociedades falidas da região. O valor previsto do financiamento a concedido pelo Estado em 2012 é de mil milhões. Vá, agradeça o peso que lhe tiraram de cima… da carteira.

Ferroviários em Greve

Instantâneo de Joshua Benoliel, 1911.

Hoje dá na net: Kevin Allocca: Porque é que os vídeos se tornam virais

Kevin Alloca é o gestor de tendências do YouTube e tem pensamentos profundos sobre vídeos parvos da Web. Nesta palestra que deu para a TEDYouth, partilha as 4 razões que fazem com que um vídeo se torne viral.

nota: legendas em português disponíveis visualizando aqui

Grandes títulos

ASAE deteta ‘dumping’ em 3 produtos

O desacordo ortográfico afinal tem piada.

BPN e a Anedota do Estado de Direito

O caso de polícia BPN poderia ser a última gota da minha paciência com o Regime pastoso em Portugal, assente numa pedra angular chamada ganância e nada mais que a ganância, mas acho que ainda posso conter o vómito por mais algum tempo e continuar a fazer-lhe a autópsia. É difícil. Mas posso tentar. Para mais, há dois BPN e não apenas um. O BPN criminal de Oliveira e Costa averbava a simpática e módica quantia de 1,8 mil milhões de euros sem paradeiro. Mas depois houve um Governo competentíssimo que quis salvar Portugal desse buraco aberto pelos velhos e malcheirentos apparatchiks do PSD cavaquista e, como tudo em Portugal se trata de uma questão de amigos, a coisa rapidamente montou aos 8,3 mil milhões sem paradeiro. Era o Governo Competentíssimo da Bancarrota a ‘salvar’ Portugal. O que se passou? Política. Se foste corrupto e roubaste à vista dos meus olhos, roubarei também à vista dos teus. Manterei silêncio acerca do teu roubo, se mantiveres silêncio acerca do meu. Com os nossos dois silêncios somados, prosperaremos. E assim sucessivamente. [Read more…]

Quando custa um aluno?

A pedido da comissão parlamentar de Educação, em Fevereiro do ano passado, o Tribunal de Contas está a terminar um estudo técnico sobre o custo que representa para o Estado cada estudante do ensino público.

Aqui

A propósito desse estudo, Guilherme d’Oliveira Martins adianta algumas conclusões, confirmando a existência de “profundas desigualdades” no que se refere ao custo dos alunos, conforme estejam em escolas do litoral ou do interior, em cidades ou em pequenas localidades. O reconhecimento destas e de outras assimetrias é fundamental para que as decisões sobre Educação alcancem a necessária solidez. [Read more…]

Uma excelente análise do fenómeno promoção do Pingo Doce no passado 1º de Maio

Anatomia de um golpe

Contado, toda a gente acredita: o Pingo Doce dá um super-desconto, a população adere em massa, é um golpe genial. Visto, é inacreditável: uma turba faminta amotina-se, espanca-se, enlouquece, encena uma pilhagem sórdida. É uma miséria de marketing. É um marketing da miséria. “O balanço é positivo, considerando-se a acção como conseguida”.

Mais um excelente editorial de Pedro Santos Guerreiro.

Nas mãos de Deus

Pensei que hoje não fosse sair a sua crónica por razões óbvias. Mas Miguel Esteves Cardoso escreveu sim, depois de um dia de cão, talvez o mais longo das suas vidas: o dia em que Maria João foi operada a um tumor que tinha alojado no cérebro.

Ontem, MEC colocava a sua Maria João nas mãos dos médicos e cirurgiões. Entregava-lhes inteiramente a sua mulher, confiando cegamente, «que remédio».

Mas hoje, MEC confia-a a Deus, escrevendo-lhe uma carta: ” Ajuda a Maria João, se puderes. Faz o que só um Deus pode fazer”. [Read more…]

Eu vi o debate Hollande/Sarkozy

Eu vi o debate Hollande/Sarkozy. Eu vi Hollande seguro de si, em pose presidencial, encostar Sarkozy a um canto. Eu vi Sarkozy perder a compostura e chamar pequeno caluniador a Hollande. Vi chamar-lhe Pôncio Pilatos. Vi Hollande quase hirto, de braços cruzados sobre o peito, avançar argumento atrás de argumento enquanto Sarkozy se desmanchava na cadeira em sofrida incomodidade. Eu vi os olhos de Sarkozy buscando compreensão e socorro. Vi aquela série fulminante de estocadas “Moi, président de la république,…”. Vi a surpresa e admiração no rosto dos jornalistas face a Hollande. Eu vi que, para a Europa, não é indiferente a eleição de um ou de outro. Vi aquele a quem chamavam frouxo tornar-se forte e o dito forte afrouxar. Vi que ambos se passeiam com antigos cadáveres no armário. Eu vi.

E vi que, até para Portugal, é mais importante esta eleição do que uma qualquer eleição presidencial entre portas, mesmo que os portugueses possam pensar o contrário.  O senhor que se sentar no Eliseu vai determinar mais as nossas vidas do que quem quer que se sente em Belém. Eu vi o debate Hollande/Sarkozy e gostei mais da Europa a que Hollande se refere. Domingo, os franceses escolherão.


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Feliz Dia do Trabalhador!

Versão Continente

A negociante Isabel Vaz quer mais meninos

A quem tivesse dúvidas de que o encerramento de um maternidade pública em Lisboa é mesmo para arranjar clientes a mais uma ruinosa parceria público privada, a do Hospital Loures/BES, veio tirá-las a conhecida negociante de saúde Isabel Vaz:

Há mais pessoas a procurar o Hospital de Loures para realizarem abortos do que a marcarem consultas para terem filhos, disse (…) a responsável pela Espírito Santo Saúde, entidade que gere aquela unidade hospitalar. (…) “Isto não tem nada a ver com ser ou não católico”, destacou a responsável da entidade do Grupo Espírito Santo, lembrando que “a cobertura universal dos cuidados de saúde não é possível“.


Claro que não tem nada que ver com o facto de ser católica e de arengar em Fátima, os pruridos morais são desconhecidos num grupo do banco de Hitler e Pinochet; nasçam os meninos, haja clientes, o estado paga.

Diz ainda Isabel Vaz que “não existem doenças rentáveis, mas uma péssima definição de preços“. Quem afirmou que melhor negócio do que a saúde só o do armamento, com uma boa definição de preços e a graça do outro espírito santo fará IVG´s, eutanásias e curativos ao demo; em seguida uma peregrinação e uns terços bem rezados, a santa absolvição, e quando morrer vai para o céu ter com os anjinhos. Ámen.

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O sol quando nasce…

   (adão cruz)

Primeiro 
Único
Verdadeiro
Maio acordado
Penoso
Duro [Read more…]

Hoje dá na net: O Delfim

De Fernando Lopes com Rogério Samora, Alexandra Lencastre, Maria das Mercês, Rui Morrison e Isabel Ruth.

Legendado em português, ficha IMDB

Natal é sempre que o Homem quiser, certo?

Então estou certo que a nossa direita tão moderna não verá qualquer problema se a Jerónimo Martins repetir a gracinha no dia de Natal, certo?

Real Madrid, MOUrinho, CR7, Coentrão e Carvalho campeões em Espanha

Está feito! Mourinho ganha mais um título apesar do MESSI não parar de marcar golos.

O chapéu que o Messi fez depois de marcar duas penalidades é fabuloso e vale a pena ver. Mas para memória futura fica a vitória do Real com mais um golo do Cristiano Ronaldo.

Pensar pouco sabe tão bem

A direita básica não quer pensar sobre o que se passou ontem no Pingo Doce. Prefere contentar-se com uma possível derrota dos sindicatos, opta por se congratular com o exercício da liberdade consumidora ou consumista numa homologia ansiada com o funcionamento dos mercados, acusa a esquerda caviar de olhar de cima para a povo que lutava, com toda a justiça dos deserdados, por poupar e antevê, gozosa, o regresso ao tempo em que os trabalhadores estavam proibidos de comemorar o Primeiro de Maio.

A sociedade faz-se, também, de simbolismos. Depois de milhares de anos em que nem os trabalhadores pensavam que tinham direitos, depois de eras sobre eras de pirâmides e conventos sofridos por muitos para glória de poucos, os proletários descobriram que tinham os mesmos braços, as mesmas pernas e o mesmo sangue dos faraós, dos reis e dos patrões. Deu-lhes para pensar que a vida não é só trabalho e que o trabalho só é produtivo se for doseado, mas levou muito tempo a obrigar a sociedade a convencer-se disso. É essa conquista que se comemora no Primeiro de Maio, independentemente de dever ser feriado, dia santo ou dia de trabalho.

O problema, ó dextros distraídos, com aquilo que se passou no Pingo Doce não está na justíssima vontade de pagar menos ou de vender mais. O problema está no desprezo progressivo pelos direitos, na absoluta falta de sensibilidade, na exploração comercial da miséria que se tem avolumado com a incompetência de governantes e opositores (como lembra, de modo lúcido e luminoso, o nosso Palavrossvrvs) e está, sobretudo, nas consequências imprevisíveis e previsivelmente explosivas. Entretanto, Assunção Cristas, pobrezita, assustada, talvez por saber que faz parte do problema, finge que o resolve, usando a lei como ilusão.

Pela parte que me toca, vou pensando e duvidando com o lado esquerdo. É o suficiente para não ficar descansado com o que se passou no dia 1 de Maio de 2012.

Vantagens de uma boa reforma

Assunção Esteves chumba Conde Rodrigues para o TC
Sobra tempo para pensar antes de agir. Agora que outro ex-membro do governo hão-de escolher?

“Cá Chegou Direitinha a Encomenda”

Veio de Lisboa e de autocarro a minha bicicleta quase-nova;
espero, a seguir, rodá-la muito nos comboios.

Fernando Lopes 1935/2012

Morreu Fernando Lopes, realizador de cinema, autor de Belarmino ou de O Delfim, um dos pioneiros do Novo Cinema português. Bon-vivant, boémio, companheiro de aventuras de José Cardoso Pires, Fernando Lopes deixou uma longa filmografia de que se podem ver aqui algumas imagens.

Filme referência do Novo Cinema português, Belarmino, sobre o boxeur Belarmino Fragoso, é um documentário de longa-metragem ancorado no neo-realismo, reflectindo sobre a vida de um homem de origens humildes que se tornou campeão e a forma como o próprio e a sociedade de então lidaram com o fenómeno. É o filme que escolhi para homenagear Fernando Lopes. R.I.P.

Assunção Cristas e a Lei Pingo Doce

Governo quer aprovar nova lei para evitar promoções inesperadas

Fantástico! Mais um exemplo como neste país se faz de conta que os problemas se resolvem com novas leis. A Ministra Pingo Doce é mais uma a legislar a granel.

Força-Tarefa Para que Tires o Dedo do Cu

Não posso ir a manifestações quando tenho fome. Se me anunciam tumultos, pelo andar da carruagem nacional, recordo que não os patrocino com a barriga vazia, tal como não me meto em problemas, se transido de apetite. Tampouco me introduzo nas lojas Pingo Doce se percebo que é para horas de seca, pois sei que terei ainda mais fome e o tempo de qualidade faz-me falta. Gosto de promoções, coisa que partidos e sindicatos não fazem, tiram-nos tudo, a esperança principalmente. Sou precário. Semidesempregado. Quando vejo os sindicalistas portugueses discursar, reparo que têm razão, mas não têm soluções nem trazem um farnel para repartir connosco. Se lhes pedir um pão, oferecem-me um cigarro. E eu não fumo. Os sindicalistas portugueses em geral estão gordos e ficam muito direitos de braços cruzados atrás dos discursos de impotência do líder, a barriga muito proeminente e o bigode, aquele bigode com trinta anos de recorte, flanando à brisa chuvosa da tarde. Precisava de uma Esquerda que fosse às compras ao Pingo Doce sem preconceitos e me oferecesse um brinde e um bónus: um saco de café, um saca-rolhas; que todas as semanas tivesse uma iniciativa inteligente de protesto que fizesse pensar os media domados e os indomáveis aprendizes de governante e não bloqueasse a economia porque economia é eu ter menos fome ou não precisar de tê-la. Seria lindo que a nossa Esquerda Petrificada tirasse o dedo do cu e organizasse boicotes selectivos a uma qualquer gasolineira alternadamente a fim de todos obtermos efeitos e ganhos práticos, preços em declínio, qualquer coisa onde de repente as massas inexistentes nas praças do protesto nulo fossem milhões de indivíduos unidos num propósito comum, milhões de pessoas a agir com pouco esforço e nenhuma fome. Palavra de ordem: partilhar ou morrer inchado. Entrei ontem animoso por uma loja Pingo Doce adentro, furando entre uma multidão de ventres reciprocamente prensados. Ia carregado de sacos levados de casa e desisti ao fim de cinco minutos. Tive inveja, infinita inveja, dos que se precaveram. Eu me não precavi. Invejei os que ficaram nas filas de muitos metros para muitas horas, com o carrinho a abarrotar de fruta, de enchidos, de suculentas partes de frango assado. As fraldas que não comprei! A carne que nunca vejo. O leite que sabe Deus! Deus sabe com que sorriso amarelo abandonei a loja.

Belarmino morreu outra vez, Fernando Lopes (1935 – 2012 ), RIP

Morreu Fernando Lopes,  o realizador de Belarmino, que amanhã estará aqui e na net. O pugilista Belarmino Fragoso morreu outra vez, não querendo reduzir Fernando Lopes a um filme neste fez de um “marginal” uma merecida obra de arte. E morre um dos realizadores que deu a volta ao cinema português, um homem que sabia a cinema.

Primavera II

1 de Maio, Dia do Consumidor

A Hipocrisia, Irrita-me

Foram ao café, à pastelaria, ao restaurante … e depois queixaram-se, dizendo de tudo um pouco (mas mal, só mal), porque o Pingo Doce abriu as portas, com ou sem saldos e/ou promoções.
No fundo, esta é o tipo de gente que temos no nosso País.
Isto é “O RETRATO DE PORTUGAL”

Paulo Ferreira, o “Homo Pingusdulcis”

A minha passagem pela catequese, mesmo depois de abandonar a Igreja, e a escolha de ideais de esquerda, mesmo sem frequentar nenhuma das suas igrejas, fizeram de mim um crente na solidariedade como pilar da sociedade. Não partilho, portanto, do entusiasmo marialva na sociedade como selva competitiva, repugna-me a imagem do homem predador do homem e tenho a mania de que é importante conceder direitos aos cidadãos, em primeiro lugar, porque é humano, e, depois, porque isso contribui para a paz social e para a produtividade.

Acredito, de qualquer modo, que são vários os caminhos para se chegar a estes ideais e não me custa acreditar que, para isso, o bom senso bastaria, sendo dispensáveis ideologias ou religiões. [Read more…]