Está iminente o despedimento da maioria dos professores

Tendo em conta o que se passou na Direcção Regional de Educação do Centro (DREC), é muito provável que uma grande parte dos professores venha a ser despedida. Tendo em conta as opiniões negativas que muitos docentes têm exprimido acerca de muitas das medidas impostas pelo Ministério da Educação, estará encontrada a justa causa para empurrar para fora da profissão milhares de professores.

Não deve ser original, mas costumo dizer que ninguém é democrata se não for obrigado a isso, o que é o mesmo que dizer que temos tendência para sermos ditadores, a não ser que no-lo impeçam. O portuguesinho tem dentro de si um salazar privativo que enlouquece suavemente sempre que lhe chega um odor de poder, tal como os cães farejam a agressividade e o medo ou os tubarões, ao que dizem, perdem o tino quando há sangue no mar.

Sócrates e seus seguidores amestrados sonham com um mundo em que não discutam as suas afirmações, em que as ordens sejam obedecidas cegamente. Os professores, apesar de tudo, têm sido um problema, porque insistem em pensar pela própria cabeça e em tomar posições (talvez não as suficientes ou as melhores).

É certo que um professor é um funcionário, devedor, portanto, de obediência aos superiores hierárquicos. Infelizmente para os democratas contrariados que nos governam, num país com dez milhões de habitantes, os professores são as 150.000 pessoas que mais sabem sobre os mais variados aspectos da Educação e, diante de tanto dislate governativo, embora tenham algumas dificuldades em falar, sentem ainda mais dificuldade em ficar calados.

Na DREC, um professor foi demitido por ter emitido uma opinião. A coerência obriga a que a maioria dos professores seja demitida.

Aí têm, republicanos

Gostaram do discurso? Pareceu-vos inclusivo? Ouviram os rosnares de mais de metade do Parlamento? Bem feito!

O presidente honorário do PSD, retomou posse do seu sonhado cargo de 1º ministro sombra. Nada de novo, confirma-se a falsidade do corriqueiro …”de todos os portugueses”, tratando-se apenas de mais um escabroso episódio da mesma luta intestina do regime. Em suma, o discurso consistiu na oportunista “deolindação” de Belém. A uns dias da tal manifestação, fez os possíveis para que o seu nome – também – não seja proferido na rua.

Eu teria de nascer duas vezes para ser tão hipócrita como ele

Influência dos pais no sucesso dos alunos: outra vez

No Aventar, por duas vezes (aqui e aqui), pelo menos, já foi abordada a questão da relação entre o sucesso escolar e o meio familiar.

Já há vários anos que o governo tenta, a todo o custo, colocar a maior fatia de responsabilidade pelo insucesso dos alunos em factores associados ao interior da Escola. Quanto a mim, nada disso é inocente: o objectivo é o de conter e, até, diminuir a afectação de recursos humanos às escolas, para além de isentar o Estado de melhorar as políticas sociais, tendo em conta que as condições familiares, afinal, não teriam influência no sucesso dos alunos.

Hoje, é divulgado um estudo do “Observatório dos Trajectos dos Estudantes do Ensino Secundário (OTES) e do Gabinete de Estatísticas e Planeamento da Educação (GEPE), do Ministério da Educação” que “conclui que quanto mais elevadas são as habilitações dos pais melhor é o desempenho dos filhos.”

É curioso que tenha sido um departamento do Ministério da Educação a chegar a esta conclusão, contrariando um estudo encomendado pelo mesmo Ministério em que se concluía que o meio socioeconómico de origem e a idade dos alunos têm um peso de 30% no sucesso escolar dos alunos, dependendo os restantes 70% do trabalho realizado nas escolas, estudo esse que mereceu no Público uma ampla e entusiástica divulgação com honras de editorial encomiástico, o que parece não acontecer agora

É importante reafirmar aquilo que muitos sabem, nem que seja empiricamente: o meio socioeconómico tem um peso enorme no rendimento dos alunos. A afirmação desta realidade não serve para consolar ou desresponsabilizar os professores. Deveria servir, isso sim, para reorientar as políticas educativas ou sociais. Teremos de esperar por um governo preocupado em resolver essas questões ou por uma comunicação social menos interessada em ser caixa de ressonância do poder. Até lá, o Carnaval continua, com as estatísticas de sucesso a servir de máscaras.

Avenida da França

Avenida da França em 1968; à esquerda, uma locomotiva a vapor da série 140 (a mais potente das vias estreitas portuguesas), fabricada pela Henschel (Alemanha) em 1931. À direita, uma automotora de fabrico holandês Allan. Este troço comum às antigas vias métricas da Póvoa-Famalicão e Guimarães é agora ocupado pelo Metro do Porto: estação Casa da Música.

A verdadeira notícia: cobra morre envenenada depois de morder seios gigantescos

Cobra  morde seio de modelo e morre

Esta notícia poderia servir para integrar um manual de jornalismo, porque notícia mais notícia não há: uma cobra morreu envenenada depois de ter mordido os seios da modelo israelita Orit Fox. Segundo a notícia, tratou-se de uma intoxicação por silicone.

Fox celebrizou-se devido ao grande número de operações plásticas a que se terá submetido e por, consequentemente, transportar seios gigantescos, como se pode avaliar pela fotografia junta, que permite avaliar que, se a cobra não morresse envenenada, acabaria por morrer sufocada ou de susto, caso olhasse directamente para a cara.

O Aventar soube que os israelitas estão a ponderar repor os níveis de silicone da célebre modelo e enviá-la para território palestino, a fim de se deixar morder pelo maior número de homens possível.

Consumir… jornalismo?

Nos últimos dias e a propósito de uma capa do Jornal “A Bola” corre uma histeria mais ou menos generalizada pela blogosfera, seja lá o que isso for.
Assinalo com surpresa alguns dos argumentos porque servem apenas quando dá jeito.
Não vou defender o jornal. Nada disso! Sou sócio do Sport Lisboa e Benfica e não compro aquilo há anos.
Parece-me que as coisas são, nos tempos que correm, muito simples – vivemos numa sociedade de consumo e há empresas que colocam um produto no mercado. Iogurtes, bananas, telemóveis, calças, jornais, informação, filmes…
Eu, consumidor, escolho – consumir ou não consumir é a nossa opção. Não vou começar a escrever um post de cada vez que um produto é mau. Teria certamente muito que escrever…
Já viram as páginas, muitas vezes a primeira, que o JN ou o DN fizeram com o governo nos últimos anos? Ou as primeiras páginas do Expresso? Ou…
Podemos, devemos, temos que analisar criticamente tudo o que acontecer, mas será que nos tempos que correm a liberdade não é também isto?
As empresas de jornais (comunicação social?) existem para dar lucro ou não?
Porque é que há jornais que fazem uma capa para Lisboa e outra para o Porto?
Porque é que há jornalistas impedidos de ir aqui ou acolá?
Porque há quem pense ser possível limitar a liberdade de imprensa. Não é. E ainda bem, até para que possam surgir maus exemplos como é o caso da capa de que se fala.
A liberdade de opinião e os tempos modernos são isto mesmo. Cada um come o que quer.
Uns, com espírito crítico afinado, preferem comer apenas aquilo que cai no prato…

As mulheres, a Comuna de Paris e o Sousa Tavares

‎”Não nos pronunciaremos sobre estas fêmeas, por respeito pelas mulheres a quem elas se parecem quando estão mortas”

Comuna de Paris: Barricada da Praça Blanche, defendida por mulheres

Alexandre Dumas Filho, escritor francês feminista a propósito das mulheres revolucionárias proletárias da Comuna de Paris. Escreveu em 1872 “La question de la femme” para a Associação pela Emancipação Progressiva da Mulher. Intelectual burguês, Dumas Filho defendia as mulheres na medida em que estas pertencessem à sua classe social.

Numa escala bastante diferente, faz lembrar o Miguel Sousa Tavares a referir-se aos deolindos. A Comuna de Paris chocou brutalmente os espíritos requintados. O seu esmagamento num mar de sangue aliviou-os.

As tropas de Versalhes avançaram bairro por bairro, enquanto a Comuna erigia centenas de barricadas com pedras de calçamento e sacos de areia. Na sua retirada, os integrantes da Comuna ateavam fogo em tudo: na noite de 24 de maio foi incendiado o castelo das Tulherias, ruas inteiras foram consumidas pelas labaredas. Nos últimos dias de luta, inúmeros reféns foram mortos, entre eles também o arcebispo de Paris.
Com a queda da última barricada, no dia 28 de maio de 1871, terminou a “semana sangrenta”, mas não o derramamento de sangue. Milhares ainda foram mortos, nos dias seguintes, nos parques, quintais e nas casernas. Os historiadores calculam que a Comuna tenha assassinado cerca de 500 adversários políticos, enquanto as tropas governamentais mataram entre 20 e 25 mil pessoas durante a reconquista de Paris e nos dias imediatamente posteriores. “ in Dw-world [Read more…]

Hoje é o Dia Internacional da Mulher

O DIA QUE NÃO DEVERIA EXISTIR

É hoje o dia que, mundialmente, se consagrou ser o da Mulher, e já existe há cem anos.

Na realidade não deveria existir tal dia, uma vez que o facto de existir, por si só, coloca a mulher numa posição de inferioridade.

Existe o dia da árvore, o dia do doente disto e da doença daquilo, da protecção deste e daquele aspecto, e por aí fora num chorrilho de dias consagrado a este ou aquele. Existem esses dias dedicados, desde que se viu que seria preciso proteger alguma coisa.

A Mulher não deveria precisar de um dia destinado a lembrarmo-nos dela. Também não deveria haver um dia dedicado ao Homem (embora haja e quase ninguém saiba quando é). Não é preciso. [Read more…]

Primeira página de "A Bola": lamentável

Já ouvi pessoas cultas e razoáveis defenderem as ideias mais estapafúrdias em nome dos respectivos clubes e já ouvi as mesmas pessoas defenderem a ideia que a paixão clubística permite que se defendam as ideias mais estapafúrdias. Aliás, Portugal, nos mais variados campos, incluindo a política, funciona com base na paixão clubística: os nossos são bons, os outros são maus.

Não há ninguém que, verdadeiramente, saiba perder, porque ninguém quer saber fazer tal coisa. No entanto, não aceito que tenha de me portar como um troglodita só porque perco. Mais: acredito que, após milhares de anos de evolução, tenho a obrigação de tentar ser tanto mais humano quanto mais vontade tenha de ser um animal, como sucede no momento das derrotas. Após milhares de anos de evolução, devo ser o menos pitecantropo e o mais pedagógico possível.

Assim, considero sempre ridícula qualquer desvalorização de uma vitória futebolística, sobretudo quando se trata de competições de regularidade, como é o caso de um campeonato. Na época passada, o título de campeão ficaria muito bem entregue ao Braga, como ficou ao Benfica. Este ano, vai ganhar a equipa mais regular, o Futebol Clube do Porto.

Em Braga, o Javi foi bem expulso, o Roberto foi mal batido, o Benfica perdeu bem. Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira ficam mal na fotografia, como é, infelizmente, costume nos treinadores e dirigentes que não estão em primeiro lugar, sempre prontos a atribuir derrotas a árbitros, a túneis ou a cabazes de fruta.

De treinadores e dirigentes espero, sinceramente, pouca elevação. De um jornal como A Bola, uma instituição do jornalismo, talvez ainda esperasse alguma pedagogia. Infelizmente, a primeira página de ontem é absolutamente lamentável de tão incendiária e tendenciosa que é.

Estação de Larinho

Um comboio ascendente deixa a estação de Larinho (anos 20/30).

Carnaval: Sócrates disfarçou-se de democrata

Cerca de doze elementos da Geração à Rasca interromperam um discurso de José Sócrates, em Viseu, e foram expulsos pela segurança. Compreende-se o risco: podiam exprimir opiniões contrárias à do orador, algo que seria legítimo num regime democrático.

O secretário-geral do PS, imbuído de espírito carnavalesco, conseguiu, no entanto, parecer um democrata, ao fingir aceitar com aparente abertura a intrusão dos jovens. A mordacidade demonstrada por Sócrates é perfeitamente aceitável, face a uma geração de milionários que parece que nunca estão satisfeitos com a verdadeira cornucópia que lhes tem sido proporcionado pela governação socialista.

O chefe do governo considerou a intervenção uma “belíssima partida de Carnaval”, confessando que é “assim que fazemos uns aos outros no Carnaval.” Na verdade, não fico admirado com o jeito que José Sócrates tem para brincar ao Carnaval: afinal, há seis anos que anda disfarçado de Primeiro-Ministro.

A RTP do nosso desperdício

O espírito com que escrevi o texto  ‘A TVI que os sustente!’ era de esperança. No fundo, o ânimo de que as saídas de José Alberto Carvalho, Judite de Sousa e da menos mediática Maria José  Nunes, da RTP para a TVI, tivessem o efeito de despertar consciências adormecidas. Precisamente de quem tem a missão de zelar pela aplicação de dinheiros públicos; caso, diga-se, do Secretário de Estado da Comunicação Social, Arons de Carvalho.

Todavia, com este e outros elementos do actual Governo a esperança de uma boa prática, uma que seja, esboroa-se em segundos. E assim, de súbito, foram contratar Nuno Santos da SIC para o cargo de Director de Informação da RTP,  sob protesto da Comissão de Trabalhadores – o comunicado desta refere ter havido um voto de falta de confiança nos 400 jornalistas da casa, número que, em boa verdade, também me impressionou pelo exagero e possíveis custos associados.

Pessoalmente, é-me indiferente que um Nuno qualquer, chame-se Santos ou Pecador, aufira chorudo ordenado. O que, de facto, considero ignominioso é a TV estatal, em tempo de sacrifícios lançados sobre milhões de portugueses, ter o despudor de realizar contratações milionárias. E mais ainda, como salientou oportunamente o meu companheiro Helder Guerreiro,  a RTP está em falência técnica desde 1996 e assim continua em 2010. [Read more…]

Festival da Canção.

Não vi o festival da canção e só hoje ouvi a canção vencedora. Anda por aí uma gente que acha que canções não são cantigas, sempre à espera de encontrar Mozart num disco da Ágata, Camões numa letra do José Cid, Pavarotti na voz do Zé Cabra.

Este ano, depois da vitória dos Homens da Luta, vai por aí um desassossego de virgindade ofendida, gentinha que diz não se sentir representada, pindéricos que acham pelintra a cantiguinha que vai à eurovisão envergonhar o país, críticos iluminados que falam em falta de qualidade “artística”. Devem estar a gozar (e eu pensava que os homens da Luta é que estão no gozo): um país que põe no topo das vendas de discos Tonys Carreiras, Quins Barreiros e afins ficar próximo da apoplexia com o resultado de um festival que ninguém segue e a que ninguém liga, exceptuando os envolvidos, é giro e dá prazer ver.

Vamos lá a ver a última dúzia de lálálás que ganhou o Festival:

Estas sim, eram canções a sério, com estas sentia-mo-nos representados, estas de pelintra não têm nada e estão cheias de qualidade artística, topa-se logo ao primeiro acorde.

Pró ano também concorro com uma composição séria, rica, artística e de elevada complexidade conceptual, dedicada ao mar e a quem labuta. Vou chamar-lhe Os Homens da Lota. Vai ser uma alegria.

Apeadeiro da Fonte do Prado

Apeadeiro de Fonte do Prado (Carviçais), meados dos anos 70, na mais inusitada Linha portuguesa.

Angola: tão poderosos e tão burrinhos

A poderosa cleptocracia angolana tremeu perante a possibilidade de uma manifestaçãozinha popular de cerca de vinte pessoas. Se não fosse triste era de rir, se não fossem tão parvos até podiam passar por inteligentes, se não fossem tão cobardolas até  passariam por pró-democratas. Mas são burros e sobranceiros e borram-se com a possibilidade de o povo acordar.

Esta gente que não respeita nada nem ninguém, quando não silencia, elimina. Mas investe nas democracias ocidentais e tem posições dominantes em empresas ditas estratégicas, com os governantes de cá sempre dispostos a beijar-lhes a mão. Fazem isso com mubaraks, com kadhaffis, com zedus, com o resto da ladroagem internacional.

Mas voltemos a Angola: ainda me lembro que, no pós 25 de Abril, um dos combates do MPLA era o obscurantismo. Não sei se me apetece rir, ou chorar.

A Escola Pública do camarada Belmiro

A 8 de Dezembro escrevi aqui no Aventar que eles “andem por aí” – Sócrates e seus amigos tinham avançado pela sala de aula dentro. Via orçamento, o Governo queria:
a) extinguir a área curricular não disciplinar de área de projecto;
b) extinguir a área curricular não disciplinar de estudo acompanhado;
c) acabar com o par pedagógico de E.V.T. (eram dois professores, passa a ser só um).

Um pouco depois argumentei sobre cada uma delas: área de projecto, estudo acompanhado.

E os pontos poderiam continuar porque a trapalhada do ME foi das grandes. Ali na escola havia uma discussão em cima da mesa: inglês ou história? Quem deve ficar com um tempo? Imaginem só que já há textos escritos a defender uma coisa e outra como se a Escola Pública fosse isto, uma mera contabilidade de mais para ti ou menos para mim…

É por isso que o camarada Belmiro avança com toda a confiança para o MERCADO da Educação!

Homens da Luta: O vídeo da vitória e a letra de um Hino Político para toda a Europa

«A luta continua quando o povo sai à rua!»

É uma verdadeira canção de intervenção dirigida aos portugueses e a todos os europeus, com todos os ingredientes das «velhas» músicas de intervenção do 25 de Abril. Aqueles que foram detidos e agredidos durante um comício de José Sócrates levantam mais uma vez a voz. Contra a reacção, contra o capital. Pela luta.
Na Alemanha da Sr.ª Merkl, os Homens da Luta vão dar nas vistas. E não sei se não estaremos perante um fenómeno à escala europeia. Pois é, a luta continua e de onde menos se esperava.
«Vem celebrar esta situação e vamos cantar contra a reacção»

HOMENS DA LUTA – A LUTA É ALEGRIA

«Por vezes dás contigo desanimado
Por vezes dás contigo a desconfiar
Por vezes dás contigo sobressaltado
Por vezes dás contigo a desesperar

De noite ou de dia, a luta é alegria
E o povo avança é na rua a gritar [Read more…]

Vento preso à cidade

(adão cruz)
A noite passou já as estrelas se apagaram novo sol não tarda já doura o fio dos montes e o fantasma é um lençol no meio do chão porque eu sou o vencedor de todos os fantasmas.

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Dicionário do futebolês – falhou o remate

Chamar remate a um pontapé terá nascido de uma impropriedade vocabular, uma vez que, na realidade, remate significa fim e o fim do futebol não é rematar, é introduzir a bola na baliza adversária. O remate impropriamente dito é, apenas, uma das várias maneiras de contribuir para o remate de uma jogada.

Quando a bola não vai no sentido da baliza ou é cortada por um defesa, os comentadores dizem que se trata de uma “tentativa de remate”, o que os coloca na dupla situação de terem razão sem saber e de não terem razão, sabendo.

Na realidade, os comentadores não associam remate ao significado original da palavra. Se assim fosse, qualquer pontapé com o objectivo de atingir a baliza seria, efectivamente, uma tentativa de remate, sendo que o remate desejado de qualquer jogada é o golo.

A verdade é que remate se transformou, há muito, em pontapé na bola com o objectivo de entrar na baliza adversária. Ora, sendo assim, se um jogador acerta na bola com a intenção de atingir a baliza, houve remate. Se a bola foi ou não na direcção da baliza, é outra história.

Se um pontapé na bola é sempre um remate, vá ou não na direcção da baliza, não faz sentido chamar tentativa de remate àquilo que é, efectivamente, um remate. Seria o mesmo que chamar tentativa de murro a um murro que, por acaso, não esmurrasse devidamente.

Uma tentativa de remate deveria ser, quando muito, o chamado “pontapé na atmosfera”, algo correspondente a um dos gestos mais ridículos que podem acontecer a qualquer praticante e que consiste no momento em que o futebolista acerta com toda a força no ar, quando o objectivo era acertar na bola. Na minha juventude, o comentário habitual a este gesto era o humilhante “Amanhã, vai chover.”, num exercício de humor que fazia antever consequências meteorológicas na falta de jeito de tanto pontapé incompetente.

 

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Hoje no Correio da Manhã:

País à Rasca

Esta semana vão sair á rua manifestações da ‘Geração à Rasca’, uma designação que deriva de um título do jornal Público, publicado há mais ou menos uma década, ‘Geração Rasca’. Essa geração terá hoje trinta e cinco, quarenta anos, está hoje no poder. No poder que dirige as escolas, as empresas,autarquias, tribunais,está significativamente representada na Assembleia da República, no Governo.

O título então publicado foi, no meu entender, mais uma provocação para discutir problemas sérios da juventude do que uma tentativa de ofensa. E na verdade, pese os ofendidos beatos do costume, valeu uma discussão rija e séria sobre os destinos da escola e do país. Agora chega-nos a ‘Geração à Rasca’ que se manifesta pedindo a demissão de toda a ‘classe política’. Toda! Jerónimo de Sousa já informou que o seu partido vai integrar a manifestação, pois o PCP, na sua indumentária CDU, considera-se fora da classe política e adora ser o Pôncio Pilatos, que lava as mãos, em todas as crises. A verdade é que a sua força destrutiva, voraz na defesa de privilégios, defensor maior da preguiça e da inutilidade daqueles que em nome dos trabalhadores os vão iludindo com cânticos às injustiças dos outros é um dos principais responsáveis por esta ‘geração que está à rasca’ e por este ‘Pais á rasca’. É fácil, hipócrita, e de um cinismo enervante, vê-los, tal como o ver o Bloco apostar tudo na crítica ao governo e aos partidos que foram governo. Quantos milhões não custam ao país, e a milhares de famílias, a alegre sucessão de greves nos transportes falidos que esta gente tem provocado? Mas acham que não. [Read more…]

Ramal de Montemor

De Torre da Gadanha a Montemor-o-Novo veio o comboio em 1909; a Coruche ou Ponte de Sor nunca haveria de chegar.

O Mediterrâneo somos nós todos

A surpresa da Europa e seus governos perante os acontecimentos no Norte de África radica no preconceito, no desconhecimento e na ignorância.

Agora tenta-se surfar a onda, como se vê no caso Líbio, numa clara tentativa de sacudir o petróleo do capote.

Tropeçamos na ignorância e no preconceito a cada passo, nos postes dos blogues, nos comentários dos jornais, nas declarações dos programas interativos de rádio e televisão. O mouro, o muçulmano, o norte africano, é para parte da população europeia ainda inimigo histórico, ou novo inimigo, emigrante não integrado, terrorista potencial, manhoso, preguiçoso, atrasado, sub-desenvolvido, sub-espécie, raça inferior, etc.

O mesmo -ou algo semelhante- se passa com políticos e governantes. Exceptuando raríssimos casos (como será o do eurodeputado Miguel Portas) desses países pouco mais conhecem do que hotéis, salões governamentais, excursões de propaganda, escritórios de petrolíferas, investimentos aí feitos pelos seus próprios países, a dança do ventre para turistas e a temperatura da água do mar. [Read more…]

Isabel Alçada é toda a favor da democracia, desde que não a contrariem

A ministra da educação afirmou que extinguir a disciplina de Área de Projecto e do par pedagógico na disciplina de Educação Visual e Tecnológica, bem como limitar do estudo acompanhado a alunos com dificuldades são medidas “importantes para reduzir o orçamento e tornar o ensino “mais eficiente””. Dá-se a coincidência de se descobrir a urgência de todas estas medidas apenas quando a austeridade bate à porta. É a síndroma “Dantes já era mesmo a sério, mas agora é que vai ser mesmo mais a sério”.

A mesma ministra fez, entretanto, esta descoberta espantosa: as medidas foram chumbadas por “razões políticas”. Confesso que ficaria preocupado se a revogação tivesse origem em razões religiosas ou clubísticas ou tivesse servido para chamar a atenção para a importância da homeopatia. Afinal, foi uma questão política, como são todas as que são discutidas na Assembleia da República. É natural que a senhora não esteja habituada, porque, depois de quatro anos de ditadura de maioria absoluta, temos vindo a assistir à ditadura de uma maioria relativamente absoluta. A colaboração do PSD será retomada dentro de momentos.

Sempre de olhos bem abertos, Alçada mostra-se aborrecida com a democracia, porque dá nestas maçadas de os partidos da oposição poderem realizar essa actividade surpreendente que é oporem-se. Mesmo assim, decidida, afirma-se convicta de que a reorganização curricular há-de prosseguir. Seria engraçado, em democracia, assistir à aplicação de medidas revogadas, mas uma pessoa, quando vai ao circo, está sempre à espera de ver coisas espantosas.

Estação de Bragança

Esta fotografia tem pouco mais que um século.

Carnaval em Portugal

Mais um ano, mais um Carnaval que na maior parte do país, é estrangeiro, sendo que neste ano, e por causa da crise e das crises, a contenção de despesas tenha obrigado a que sejam muito menos os artistas do outro lado do Atlântico convidados a ‘abrilhantar’ as festas.

Continuam no entanto por aí uns senhores, e uma parte significativa da população, a fazer corsos, à moda do Brasil, com as miúdas nuínhas e tudo, a desfilar debaixo de chuva e cheias de frio, e a tentar dançar samba, despidas com as roupas do Carnaval do Rio.

Até quando?

Por muito bonito que seja, por muito alegre que seja, não é nosso, não é da nossa tradição, não está bem.

Felizmente ainda há por aí umas terras onde se faz o dito à nossa moda, com as nossas tradições a imporem a sua valia. São todavia uma pequena gota no charco da nossa vida.

Mais um ano, mais um Carnaval importado apesar de cada um lhe chamar ‘à moda da sua terra’.

Tenho saudades dos outros tempos. [Read more…]

Fialho de Almeida – centenário da morte

Há cem anos, morria um escritor que poderia ter sido ainda maior: Fialho de Almeida. De comum com Eça tinha o dom da observação social, embora preferisse retratar o povo, enquanto a escrita queirosiana se debruçou mais sobre a burguesia. De resto, Fialho não se preocupava com finuras e aquilo que em Eça podia ser um véu eufemístico, em Fialho era crueza. Se aquele escandalizou pelos temas, este não hesitou em fazer passar a língua portuguesa pela sarjeta, especialmente em Os Gatos, a sua obra mais conhecida. Aqui, é possível ler uma belíssima biografia do autor.

À laia de homenagem, fica um dos meus excertos preferidos, retirado da compilação felina: “O violoncelista Sérgio num café da Mouraria”: [Read more…]

Quantas pontes precisam de cair?

Entre-os-Rios foi há 10 anos. Mas à excepção dos mortos e das suas famílias, ninguém pagou.
O presidente da república de então, Jorge Sampaio, limitou-se a pedir um inquérito. A queda de uma ponte, com morte de 70 pessoas, não foi para ele motivo para demitir um Governo minoritário que, na prática, já tinha deixado de existir. Importava manter no Governo os amigos socialistas, os mesmos que, logo que pôde, voltou a conduzir ao poder.
O primeiro-ministro de então, António Guterres, tem hoje um salário principesco no ACNUR. Enriquece a cada dia à custa dos refugiados, da miséria alheia. Cada genocídio, cada fuga de milhares representa para ele um orgasmo milionário. Os milhões estão no papo. Há 10 anos atrás, a queda de uma ponte, com morte de 70 pessoas, não foi motivo suficiente para se demitir. Perder umas eleições foi motivo para se demitir. A morte de 70 pessoas não.
O ministro do ambiente de então, José Sócrates, é hoje primeiro-ministro. Um dos maiores criminosos do Portugal democrático deixou o país no estado que todos conhecemos. Há 10 anos atrás, a inacção do seu Ministério em relação à extracção ilegal de areias do rio (os Godinhos sempre existiram e Sócrates sempre gostou de ser besuntado) não lhe pareceu motivo suficiente para se demitir após a morte de 70 pessoas. Porque não há coincidências, um dos Secretários de Estado desse Governo, Ricardo Magalhães, é hoje em dia o Presidente da Estrutura de Missão do Douro e principal promotor da Agência Regional de Desenvolvimento do Tua – por outras palavras, um dos lacaios do poder incumbido de destruir definitivamente o Vale do Tua e a sua via férrea ÚNICA. [Read more…]

A sangria das estradas: a propósito de Entre-os-rios.

Via José Manuel Fernandes/facebook (c) Público

Acabo de ouvir, na rádio, um destes políticos do interior, oficial camarário com mentalidade paroquial, a falar do desenvolvimento da terra, hoje lembrada pela tragédia de há 10 anos em Entre-os-rios. Segundo ele faltam ainda as acessibilidades, sempre as acessibilidades, só as acessibilidades. Que se demora mais de uma hora a chegar ao Porto, a apenas 50 quilómetros de distância. Quem for entrevistar os políticos vizinhos, a Cinfães ou Resende, Marco de Canaveses ou Baião, ouvirá o mesmo,:que faltam acessos, estradas, acessibilidade. A conversa é tão monótona como a bagagem cultural desta gente.
O cúmulo desta estupidez plasmou-se no ordenamento territorial local pós-Entre-os-rios: onde existia uma ponte que caiu devido à incúria dos organismos públicos, construíram-se 2! como uma espécie de lenitivo pela desgraça…
Falemos a sério: desde os anos 80 que o país se cobre de asfalto. Já temos 3 auto-estradas paralelas, de norte a sul do país. Falta axadrezar o interior com vias rápidas, é certo. E depois? quando todo o país estiver coberto de vias? Estaremos melhor? É que, para já, a coisa piora de dia para dia, não obstante o investimento em estruturas viárias.
Estes mandantes com sotaque, pequenos régulos do caciquismo municipal, acham que o desenvolvimento maior do rincão que governam é ter rotundas com chafarizes, estradinhas e caminhos municipais ora asfaltados, ora empedrados e muitos sinais de trânsito. Entretanto, por aqueles caminho e por aquelas estradas, as pessoas continuar a migrar. O país sangra o país através das suas estradas. E ninguém vê isto?

"BARRAGEM DO TUA: os subterrâneos da política"

“(Sócrates veio ao Tua inaugurar a 1ª pedra tumular de Trás-os-Montes.
E veio com segurança, sem oposição dos autarcas mais directamente envolvidos. Porque antes o terreno foi devidamente preparado com eficácia pela máquina regional do PS.
Já agora convém lembrar que a empreitada da barragem foi adjudicada pela EDP de António Mexia, ao consórcio Mota-Engil/Somague/FMS, cuja empresa-mestra é presidida pelo socialista Jorge Coelho, que também está a fazer o túnel do Marão e a A4.

Vamos lá tentar “escavar” estes subterrâneos políticos

Entretanto, o CDS de Alijó acordou agora… talvez ainda vão a tempo de comprar submarinos…