A Escola Pública do camarada Belmiro

A 8 de Dezembro escrevi aqui no Aventar que eles “andem por aí” – Sócrates e seus amigos tinham avançado pela sala de aula dentro. Via orçamento, o Governo queria:
a) extinguir a área curricular não disciplinar de área de projecto;
b) extinguir a área curricular não disciplinar de estudo acompanhado;
c) acabar com o par pedagógico de E.V.T. (eram dois professores, passa a ser só um).

Um pouco depois argumentei sobre cada uma delas: área de projecto, estudo acompanhado.

E os pontos poderiam continuar porque a trapalhada do ME foi das grandes. Ali na escola havia uma discussão em cima da mesa: inglês ou história? Quem deve ficar com um tempo? Imaginem só que já há textos escritos a defender uma coisa e outra como se a Escola Pública fosse isto, uma mera contabilidade de mais para ti ou menos para mim…

É por isso que o camarada Belmiro avança com toda a confiança para o MERCADO da Educação!

Homens da Luta: O vídeo da vitória e a letra de um Hino Político para toda a Europa

«A luta continua quando o povo sai à rua!»

É uma verdadeira canção de intervenção dirigida aos portugueses e a todos os europeus, com todos os ingredientes das «velhas» músicas de intervenção do 25 de Abril. Aqueles que foram detidos e agredidos durante um comício de José Sócrates levantam mais uma vez a voz. Contra a reacção, contra o capital. Pela luta.
Na Alemanha da Sr.ª Merkl, os Homens da Luta vão dar nas vistas. E não sei se não estaremos perante um fenómeno à escala europeia. Pois é, a luta continua e de onde menos se esperava.
«Vem celebrar esta situação e vamos cantar contra a reacção»

HOMENS DA LUTA – A LUTA É ALEGRIA

«Por vezes dás contigo desanimado
Por vezes dás contigo a desconfiar
Por vezes dás contigo sobressaltado
Por vezes dás contigo a desesperar

De noite ou de dia, a luta é alegria
E o povo avança é na rua a gritar [Read more…]

Vento preso à cidade

(adão cruz)
A noite passou já as estrelas se apagaram novo sol não tarda já doura o fio dos montes e o fantasma é um lençol no meio do chão porque eu sou o vencedor de todos os fantasmas.

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Dicionário do futebolês – falhou o remate

Chamar remate a um pontapé terá nascido de uma impropriedade vocabular, uma vez que, na realidade, remate significa fim e o fim do futebol não é rematar, é introduzir a bola na baliza adversária. O remate impropriamente dito é, apenas, uma das várias maneiras de contribuir para o remate de uma jogada.

Quando a bola não vai no sentido da baliza ou é cortada por um defesa, os comentadores dizem que se trata de uma “tentativa de remate”, o que os coloca na dupla situação de terem razão sem saber e de não terem razão, sabendo.

Na realidade, os comentadores não associam remate ao significado original da palavra. Se assim fosse, qualquer pontapé com o objectivo de atingir a baliza seria, efectivamente, uma tentativa de remate, sendo que o remate desejado de qualquer jogada é o golo.

A verdade é que remate se transformou, há muito, em pontapé na bola com o objectivo de entrar na baliza adversária. Ora, sendo assim, se um jogador acerta na bola com a intenção de atingir a baliza, houve remate. Se a bola foi ou não na direcção da baliza, é outra história.

Se um pontapé na bola é sempre um remate, vá ou não na direcção da baliza, não faz sentido chamar tentativa de remate àquilo que é, efectivamente, um remate. Seria o mesmo que chamar tentativa de murro a um murro que, por acaso, não esmurrasse devidamente.

Uma tentativa de remate deveria ser, quando muito, o chamado “pontapé na atmosfera”, algo correspondente a um dos gestos mais ridículos que podem acontecer a qualquer praticante e que consiste no momento em que o futebolista acerta com toda a força no ar, quando o objectivo era acertar na bola. Na minha juventude, o comentário habitual a este gesto era o humilhante “Amanhã, vai chover.”, num exercício de humor que fazia antever consequências meteorológicas na falta de jeito de tanto pontapé incompetente.

 

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Hoje no Correio da Manhã:

País à Rasca

Esta semana vão sair á rua manifestações da ‘Geração à Rasca’, uma designação que deriva de um título do jornal Público, publicado há mais ou menos uma década, ‘Geração Rasca’. Essa geração terá hoje trinta e cinco, quarenta anos, está hoje no poder. No poder que dirige as escolas, as empresas,autarquias, tribunais,está significativamente representada na Assembleia da República, no Governo.

O título então publicado foi, no meu entender, mais uma provocação para discutir problemas sérios da juventude do que uma tentativa de ofensa. E na verdade, pese os ofendidos beatos do costume, valeu uma discussão rija e séria sobre os destinos da escola e do país. Agora chega-nos a ‘Geração à Rasca’ que se manifesta pedindo a demissão de toda a ‘classe política’. Toda! Jerónimo de Sousa já informou que o seu partido vai integrar a manifestação, pois o PCP, na sua indumentária CDU, considera-se fora da classe política e adora ser o Pôncio Pilatos, que lava as mãos, em todas as crises. A verdade é que a sua força destrutiva, voraz na defesa de privilégios, defensor maior da preguiça e da inutilidade daqueles que em nome dos trabalhadores os vão iludindo com cânticos às injustiças dos outros é um dos principais responsáveis por esta ‘geração que está à rasca’ e por este ‘Pais á rasca’. É fácil, hipócrita, e de um cinismo enervante, vê-los, tal como o ver o Bloco apostar tudo na crítica ao governo e aos partidos que foram governo. Quantos milhões não custam ao país, e a milhares de famílias, a alegre sucessão de greves nos transportes falidos que esta gente tem provocado? Mas acham que não. [Read more…]

Ramal de Montemor

De Torre da Gadanha a Montemor-o-Novo veio o comboio em 1909; a Coruche ou Ponte de Sor nunca haveria de chegar.

O Mediterrâneo somos nós todos

A surpresa da Europa e seus governos perante os acontecimentos no Norte de África radica no preconceito, no desconhecimento e na ignorância.

Agora tenta-se surfar a onda, como se vê no caso Líbio, numa clara tentativa de sacudir o petróleo do capote.

Tropeçamos na ignorância e no preconceito a cada passo, nos postes dos blogues, nos comentários dos jornais, nas declarações dos programas interativos de rádio e televisão. O mouro, o muçulmano, o norte africano, é para parte da população europeia ainda inimigo histórico, ou novo inimigo, emigrante não integrado, terrorista potencial, manhoso, preguiçoso, atrasado, sub-desenvolvido, sub-espécie, raça inferior, etc.

O mesmo -ou algo semelhante- se passa com políticos e governantes. Exceptuando raríssimos casos (como será o do eurodeputado Miguel Portas) desses países pouco mais conhecem do que hotéis, salões governamentais, excursões de propaganda, escritórios de petrolíferas, investimentos aí feitos pelos seus próprios países, a dança do ventre para turistas e a temperatura da água do mar. [Read more…]

Isabel Alçada é toda a favor da democracia, desde que não a contrariem

A ministra da educação afirmou que extinguir a disciplina de Área de Projecto e do par pedagógico na disciplina de Educação Visual e Tecnológica, bem como limitar do estudo acompanhado a alunos com dificuldades são medidas “importantes para reduzir o orçamento e tornar o ensino “mais eficiente””. Dá-se a coincidência de se descobrir a urgência de todas estas medidas apenas quando a austeridade bate à porta. É a síndroma “Dantes já era mesmo a sério, mas agora é que vai ser mesmo mais a sério”.

A mesma ministra fez, entretanto, esta descoberta espantosa: as medidas foram chumbadas por “razões políticas”. Confesso que ficaria preocupado se a revogação tivesse origem em razões religiosas ou clubísticas ou tivesse servido para chamar a atenção para a importância da homeopatia. Afinal, foi uma questão política, como são todas as que são discutidas na Assembleia da República. É natural que a senhora não esteja habituada, porque, depois de quatro anos de ditadura de maioria absoluta, temos vindo a assistir à ditadura de uma maioria relativamente absoluta. A colaboração do PSD será retomada dentro de momentos.

Sempre de olhos bem abertos, Alçada mostra-se aborrecida com a democracia, porque dá nestas maçadas de os partidos da oposição poderem realizar essa actividade surpreendente que é oporem-se. Mesmo assim, decidida, afirma-se convicta de que a reorganização curricular há-de prosseguir. Seria engraçado, em democracia, assistir à aplicação de medidas revogadas, mas uma pessoa, quando vai ao circo, está sempre à espera de ver coisas espantosas.

Estação de Bragança

Esta fotografia tem pouco mais que um século.

Carnaval em Portugal

Mais um ano, mais um Carnaval que na maior parte do país, é estrangeiro, sendo que neste ano, e por causa da crise e das crises, a contenção de despesas tenha obrigado a que sejam muito menos os artistas do outro lado do Atlântico convidados a ‘abrilhantar’ as festas.

Continuam no entanto por aí uns senhores, e uma parte significativa da população, a fazer corsos, à moda do Brasil, com as miúdas nuínhas e tudo, a desfilar debaixo de chuva e cheias de frio, e a tentar dançar samba, despidas com as roupas do Carnaval do Rio.

Até quando?

Por muito bonito que seja, por muito alegre que seja, não é nosso, não é da nossa tradição, não está bem.

Felizmente ainda há por aí umas terras onde se faz o dito à nossa moda, com as nossas tradições a imporem a sua valia. São todavia uma pequena gota no charco da nossa vida.

Mais um ano, mais um Carnaval importado apesar de cada um lhe chamar ‘à moda da sua terra’.

Tenho saudades dos outros tempos. [Read more…]

Fialho de Almeida – centenário da morte

Há cem anos, morria um escritor que poderia ter sido ainda maior: Fialho de Almeida. De comum com Eça tinha o dom da observação social, embora preferisse retratar o povo, enquanto a escrita queirosiana se debruçou mais sobre a burguesia. De resto, Fialho não se preocupava com finuras e aquilo que em Eça podia ser um véu eufemístico, em Fialho era crueza. Se aquele escandalizou pelos temas, este não hesitou em fazer passar a língua portuguesa pela sarjeta, especialmente em Os Gatos, a sua obra mais conhecida. Aqui, é possível ler uma belíssima biografia do autor.

À laia de homenagem, fica um dos meus excertos preferidos, retirado da compilação felina: “O violoncelista Sérgio num café da Mouraria”: [Read more…]

Quantas pontes precisam de cair?

Entre-os-Rios foi há 10 anos. Mas à excepção dos mortos e das suas famílias, ninguém pagou.
O presidente da república de então, Jorge Sampaio, limitou-se a pedir um inquérito. A queda de uma ponte, com morte de 70 pessoas, não foi para ele motivo para demitir um Governo minoritário que, na prática, já tinha deixado de existir. Importava manter no Governo os amigos socialistas, os mesmos que, logo que pôde, voltou a conduzir ao poder.
O primeiro-ministro de então, António Guterres, tem hoje um salário principesco no ACNUR. Enriquece a cada dia à custa dos refugiados, da miséria alheia. Cada genocídio, cada fuga de milhares representa para ele um orgasmo milionário. Os milhões estão no papo. Há 10 anos atrás, a queda de uma ponte, com morte de 70 pessoas, não foi motivo suficiente para se demitir. Perder umas eleições foi motivo para se demitir. A morte de 70 pessoas não.
O ministro do ambiente de então, José Sócrates, é hoje primeiro-ministro. Um dos maiores criminosos do Portugal democrático deixou o país no estado que todos conhecemos. Há 10 anos atrás, a inacção do seu Ministério em relação à extracção ilegal de areias do rio (os Godinhos sempre existiram e Sócrates sempre gostou de ser besuntado) não lhe pareceu motivo suficiente para se demitir após a morte de 70 pessoas. Porque não há coincidências, um dos Secretários de Estado desse Governo, Ricardo Magalhães, é hoje em dia o Presidente da Estrutura de Missão do Douro e principal promotor da Agência Regional de Desenvolvimento do Tua – por outras palavras, um dos lacaios do poder incumbido de destruir definitivamente o Vale do Tua e a sua via férrea ÚNICA. [Read more…]

A sangria das estradas: a propósito de Entre-os-rios.

Via José Manuel Fernandes/facebook (c) Público

Acabo de ouvir, na rádio, um destes políticos do interior, oficial camarário com mentalidade paroquial, a falar do desenvolvimento da terra, hoje lembrada pela tragédia de há 10 anos em Entre-os-rios. Segundo ele faltam ainda as acessibilidades, sempre as acessibilidades, só as acessibilidades. Que se demora mais de uma hora a chegar ao Porto, a apenas 50 quilómetros de distância. Quem for entrevistar os políticos vizinhos, a Cinfães ou Resende, Marco de Canaveses ou Baião, ouvirá o mesmo,:que faltam acessos, estradas, acessibilidade. A conversa é tão monótona como a bagagem cultural desta gente.
O cúmulo desta estupidez plasmou-se no ordenamento territorial local pós-Entre-os-rios: onde existia uma ponte que caiu devido à incúria dos organismos públicos, construíram-se 2! como uma espécie de lenitivo pela desgraça…
Falemos a sério: desde os anos 80 que o país se cobre de asfalto. Já temos 3 auto-estradas paralelas, de norte a sul do país. Falta axadrezar o interior com vias rápidas, é certo. E depois? quando todo o país estiver coberto de vias? Estaremos melhor? É que, para já, a coisa piora de dia para dia, não obstante o investimento em estruturas viárias.
Estes mandantes com sotaque, pequenos régulos do caciquismo municipal, acham que o desenvolvimento maior do rincão que governam é ter rotundas com chafarizes, estradinhas e caminhos municipais ora asfaltados, ora empedrados e muitos sinais de trânsito. Entretanto, por aqueles caminho e por aquelas estradas, as pessoas continuar a migrar. O país sangra o país através das suas estradas. E ninguém vê isto?

"BARRAGEM DO TUA: os subterrâneos da política"

“(Sócrates veio ao Tua inaugurar a 1ª pedra tumular de Trás-os-Montes.
E veio com segurança, sem oposição dos autarcas mais directamente envolvidos. Porque antes o terreno foi devidamente preparado com eficácia pela máquina regional do PS.
Já agora convém lembrar que a empreitada da barragem foi adjudicada pela EDP de António Mexia, ao consórcio Mota-Engil/Somague/FMS, cuja empresa-mestra é presidida pelo socialista Jorge Coelho, que também está a fazer o túnel do Marão e a A4.

Vamos lá tentar “escavar” estes subterrâneos políticos

Entretanto, o CDS de Alijó acordou agora… talvez ainda vão a tempo de comprar submarinos…

Conversa com a ARTE

(adão cruz)

Talvez tenhas dado por mim mas não quiseste mostrar. Ajoelhei meus passos no teu caminho e tu não viste. Sempre tiveste duas pedras brancas nos olhos e cego é o meu coração.

De mármore era o meu  rosto naquela manhã, sempre foi de mármore o teu rosto em todas as manhãs! Parte-me o peito a amargura, sempre que toda tu és apenas figura, retórica figura! [Read more…]

Educação: reorganização curricular revogada

A revogação do decreto-lei da reorganização curricular constitui, ainda que provisoriamente, uma vitória para a Educação. Os partidos da oposição souberam, finalmente, desempenhar, de forma responsável, o papel que se espera deles, mesmo que se possa desconfiar que a Educação continua a ser um tema proscrito.

A organização curricular deve merecer, como muitos outros temas, uma reflexão profunda, que não se deveria pautar por lutas partidárias ou ter como única base as questões orçamentais. Contra esta reorganização pronunciaram-se várias pessoas e entidades, incluindo o habitualmente submisso Conselho Nacional de Educação. O Ministério da Educação, no entanto, talvez por ter à sua frente uma mulher séria, não tem ouvidos.

Isabel Alçada bem estrebuchou e nem sequer disfarçou que, afinal, não há aqui questões pedagógicas e apenas problemas orçamentais. Por uma vez na vida, a senhora foi honesta. Já ia sendo tempo.

Professores a mais? É despedi-los, claro!

Quando os portugueses, em geral, e os políticos, em particular, perceberem que somos um país subdesenvolvido também em termos de Educação, talvez os problemas possam começar a ser resolvidos. Enquanto isso não acontecer, tudo o que anda a ser feito nem sequer pode ser comparado a cirurgia plástica: é só maquilhagem, sob a forma de diplomas e estatísticas.

Quando isso acontecer, será possível saber com rigor as necessidades das escolas em termos de recursos humanos. Sempre sem querer saber o que se passa no mundo real, o Ministério da Educação prepara-se para prescindir de milhares de professores, inventando pretextos pedagógicos ou constitucionais, quando, na realidade, o faz usando critérios exclusivamente economicistas.

Com o cinismo habitual desta gente que se tem dedicado a destruir o país, usam meias verdades, fugindo das verdadeiras questões com sorrisos de circunstância. É verdade que, legalmente, não haverá despedimentos, porque se trata de professores contratados. O outro lado da verdade é que estamos diante de uma multidão de profissionais qualificados que não poderão continuar a leccionar.

Nas declarações de Isabel Alçada, surge outra meia verdade, a de que são as escolas a indicar as necessidades. A parte que fica sempre escondida é que a indicação de necessidades está condicionada por critérios que não depende das escolas

É evidente que o sistema de ensino não deve ter mais professores que os necessários, como não faria sentido uma empresa contratar trabalhadores de que não precisasse (embora haja muitas instituições do Estado – autarquias incluídas – cheias de boys absolutamente dispensáveis). O problema é que, num país que mantém um atraso elevadíssimo, ao contrário do que dizem as estatísticas, não é possível dispensar recursos, muito menos se forem humanos e altamente qualificados.

Raposas do Deserto


Os italianos olhavam para a sua recentemente criada colónia da Líbia, como uma frente de combate convencional, quase à imagem da Venécia ou Flandres da I Guerra Mundial. Pautavam os seus movimentos pela obsessão da conquista de posições, ou melhor, de um terreno inóspito, sem água, calcinado pelo sol e pedregoso, enfim, uma autêntica armadilha para qualquer serviço de logística do mais poderoso exército. Após meses de estéril simulacro de campanha, as tropas do Duce enterraram-se em posições que pensavam ser bastiões impenetráveis. Não houve fosso anti-carro, jardim de minas e de arame farpado, trincheiras, redes de bunkers e losangos de artilharia que as salvassem pois os seus adversários britânicos, com efectivos numericamente muito inferiores, aperceberam-se das verdadeiras condições decorrentes da arcaica mentalidade militar imperante em Roma. A consequência consistiu numa série de desastres, dos quais o governo de Mussolini e o Eixo jamais recuperariam. O desembarque de Rommel em Trípoli, modificaria o estado de coisas e desde cedo mereceu a alcunha de Raposa do Deserto, sempre apto a caçar no terreno que o inimigo pensava ser seu. Invertendo-se os papéis, o general alemão conseguiu com elementos quase irrisórios, anular os sucessos apenas recentemente obtidos pelos ingleses que paradoxalmente, acabaram por cometer os mesmos erros do exército italiano. Rommel manteve a logística como o ponto essencial para o sucesso das operações e a agilidade como norma. Apercebeu-se que combatia num mar de areia, onde os “tanques eram navios” e pouco importando sucessos de ocasião e obtidos pela conquista de uma ou outra desoladora localidade isolada do resto do mundo. Milhares de quilómetros quadrados “conquistados” e apresentados nos mapas avidamente coleccionados pelos estrategas de café, nada significavam. Em suma, compreendeu aquilo que o território líbio significa. Longe ainda estava o tempo em que a Cirenaica se tornaria num ponto vital da indústria petrolífera e ironicamente, sem jamais o saber, o Eixo tinha aos seus pés, o filão de combustível de que desesperadamente necessitou durante toda a guerra. Aliás, a falta de carburante, ditou a sorte da campanha e certamente, o destino da Alemanha e da Itália.

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Já não se fala de bola no Aventar?

Imperial

Angola nervosa com o que se passa nos países árabes

A convocatória para uma manifestação em Luanda no próximo dia 7 deste mês pôs a rapaziada emepêlista de dedo próximo do gatilho e mão no cassetete.
A convocatória, aparentemente anódina e pouco estruturada, foi o suficiente para que o MPLA anunciasse uma contra-manifestação e redobrasse a presença policial, e fez  ainda com que o secretário geral do partido viesse a terreiro afirmar que não se pode confundir o que se passa no Magrebe com a situação angolana.
Não se pode confundir mas pode-se comparar e, comparando caso a caso, item a item, Angola não sai melhor na fotografia, antes pelo contrário.
Mas, se ficam nervosos apesar de não reconhecerem as razões, melhor fariam em arrepiar caminho. O dia da sua queda já esteve muito mais longe, é só uma questão de tempo. Tempo que vão utilizar para continuar a enganar o povo que os há-de apear quando, um dia, uma convocatória ou um incidente servir de rastilho e o sangue voltar a jorrar. Burro velho não aprende línguas.

Sec. de Estado poupa 43 milhões sem despedir…

É o Nobel para este génio!
Reparem: o Sec. de Estado da Educação diz no parlamento que vai poupar 43 milhões sem despedir professores.
Pergunta-se: vai poupar como?
A irresponsabilidade de quem nos governa… é lamentável!

Vejamos: o PS começa por dizer que nada existe de orçamental nesta medida. Trata-se apenas de melhorar a Escola Pública.
Perante a posição dos partidos da oposição no Parlamento, o ME surge pela manhã a dizer que afinal é mesmo só o dinheiro que mexe: atira até com um argumento novo – extinguir a proposta do ME pode ir contra a constituição.
Agora, no parlamento, o Governo e o PS não dizem:
a) como vão poupar 43 milhões sem despedir;
b) quais são os critérios de ordem pedagógica?
c) onde estão os estudos que validam a medida?

Car@ leitor, falta dizer e bem o sabemos, que o Governo quer despedir cerca de 30 mil professores e por isso é que irá poupar 43 milhões em 4 meses. E é disso que se trata!

Agora a coisa está neste ponto: o PSD, o BE, os Verdes e o PCP vão votar pela revogação da medida. O PS contará contra… E o CDS-PP está na fase do nim
Tenho cá um palpite que o Portas vai dar a mão ao Governo…

Ah, se o Mar em que Navegamos fosse Assim, Calmo

A Brincar com o fogo:

Não faço a mais pálida ideia se o mail que me enviaram hoje com os ordenados de distintas figuras da RTP corresponde à verdade ou é mais uma daquelas fábulas cíclicas postas a circular na internet.

Não faço a mais pequena ideia das razões que justificam os valores das remunerações anuais (mais os prémios de gestão e outras regalias) pagos aos gestores públicos e hoje publicados na página 56 da revista Visão.

O mais assustador é olhar em volta e sentir o clima de revolta latente em muitos que conheço e que me habituei a ver como exemplos de moderação. O aumento brutal dos impostos, o verdadeiro esbulho no caso dos recibos verdes, a perda clara e óbvia do poder de compra da maioria esmagadora da população são factos indesmentíveis.

O caminho que alguns querem trilhar é perigoso. O problema dos eventuais salários chorudos de uma minoria na RTP e de boa parte dos gestores públicos não é culpa dos próprios e a forma como os vejo a ser atacados, tomando a nuvem por Juno, é arriscado e tende a ser explosivo. A culpa não é do José ou da Maria a quem pagam valores exorbitantes. A responsabilidade é de quem tomou essa decisão de gestão estando a gerir um bem público. A questão é saber se vale a pena ter determinadas empresas públicas como a RTP, a TAP, a ParquExpo e outras do género. Quando um determinado partido e alguns dos seus dirigentes afirmaram e afirmam em público da necessidade de privatizar algumas das empresas que alimentam estes mails, cai o Carmo e a Trindade.

Obviamente, fico “banzado” ao ler e verificar os valores pagos, com dinheiros públicos, em remunerações, regalias e prémios. Mas não culpo quem os recebe. Eu pago uma fortuna em impostos. Nos últimos seis/sete anos sempre que recebo a carta das finanças até tremo e fico sem pinga de sangue quando olho para o valor a pagar e ainda tenho de somar o IRC, a Contribuição Autárquica e o IVA. Nesta última meia dúzia de anos aforrar é impossível. O problema nem é tanto o que esses gestores públicos recebem, a questão é o retorno. Está a CP, a CARRIS, a RTP e outras que tais com melhor saúde financeira? Está o país melhor por ter esta RTP? Está o país melhor com este esbulho fiscal?

Alguns dirão: no sector privado as remunerações são maiores. Talvez. Mas essa é uma decisão de gestão privada feita com dinheiros privados e não tenho/temos nada com isso. Cada um investe o seu dinheiro da forma que muito bem entende.

Os decisores políticos, todos sem excepção, andam a brincar com o fogo. Independentemente do sucesso ou insucesso da manifestação do próximo dia 12, os sinais surgem de todo o lado. O melhor, mesmo, é começar a perceber o que se está a passar. O melhor, mesmo, é olhar para o passado e ver o que aconteceu em casos semelhantes em tempos remotos.

É tempo de dizer BASTA antes que seja tarde. Muito tarde.

(Publicado igualmente no Albergue Espanhol)

O monstro com as garras de fora

(adão cruz)

E eu a julgar que o problema da Líbia era a decorrência natural do contágio das revoluções da Tunísia e do Egipto. Todos nos consideramos muito espertos até ao momento em que topamos com a nossa ingenuidade. Há momentos em que me sinto burro e vem-me logo à cabeça aquela frase de um velho médico meu amigo com quem trabalhei no início da minha carreira: “mais vale ser mil vezes tolo do que uma só vez burro”. Benza-te deus rapaz, como te deixas comer, diria minha mãe noutros tempos. [Read more…]

Derrota de Sócrates no Parlamento?

O PSD acaba de anunciar que vai votar favoravelmente a revogação de um Decreto do Governo que altera parte das condições curriculares da Escola.
Trata-se de uma medida do Ministério das Finanças que termina com a área de projecto, o estudo acompanhado, a oferta de escola, o par pedagógico de EVT e outros inúmeros cortes. Para quem não está por dentro do significado disto, poderíamos dizer, que se trata de uma medida que vai cortar cerca de 30 mil professores.
Com o voto do PSD, do PC e do BE… fica por saber o que vai fazer o CDS… Ou não porque na agenda do Parlamento há uma proposta do CDS sobre isto.
Qual é então a dúvida?
Se cada partido só votar na sua proposta, então nada feito e o PS ganha… Caso contrário…
Isto vai ter piada!

Educar, ensinar e sobreviver nas salas das nossas Escolas

A Escola tem sido uma espécie de mulher na recta de pigeiros. “Todos” se vão servindo dela e ainda por cima sem qualquer retribuição coerente com o serviço prestado.
Houve as paixões, as apostas, as opções e sei lá o quê mais.
Há até uma Escola que anda à frente do país que a possui, à escola! É uma escola que forma pessoas sem lugar no mercado de trabalho dos patrões reles dos ferraris.
A Escola pretende educar apesar de quererem que ela ensine ou será que quer apenas ensinar quando lhe exigem que eduque?
Sexualidade, prevenção rodoviária, educação para a saúde, alimentação, cidadania… Não tem fim o conjunto de competências que a sociedade exige à Escola.
Estará aqui uma das possíveis razões para o desconforto da relação entre a Escola e a Sociedade? Será por isto que a Escola procura um caminho e não o encontra? Ou será que é um caminho que nunca poderá encontrar porque não há caminho com os recursos existentes?
Aprender e ensinar

O caso Expresso/ censura dos telegramas: explicações do jornal

Sobre o caso Expresso/Wikileaks, Ricardo Costa, director desse semanário, esteve ontem, das 16h00 às 18h00, disponível para um debate/chat com os leitores do Expresso. A sessão está disponível aqui (link para o respectivo feed).

Entre as diversas questões colocadas, algumas incidiram no facto de os telegramas em causa estarem rasurados, sendo as respostas de Ricardo Costa as seguintes:

No site vamos publicar na integra todos os telegramas. Quem quiser pode ler tudo. No jornal, enquadramos, editamos e corrigimos.
Achamos que temos, neste caso, uma dupla obrigação:
– divulgar a informação relevante, apenas e só depois de a termos trabalhado
– disponibilizar aos leitores os telegramas que utilizámos.
Com este processo estamos a ser transparente e podemos ser facilmente escrutinados

as partes apagadas eram informações que ainda estamos a trabalhar sobre o caso FLAD. Serão “destapadas” assim que concluirmos o trabalho, provavelmente na próxima segunda-feira [7 de Março]

Mas vamos divulgar alguns documentos no site a partir de amanhã. Sobretudo de casos que não precisam de muito trabalho jornalístico da nossa parte

Os critérios do Expresso foram explicados no jornal e no site. Vamos usar os documentos à medida que os formos trabalhando. Divulgaremos na íntegra (no site) todos os que considerarmos relevantes. É a mesma prática que já foi seguida  pelos outros jornais. Se for ao site do El Pais, por exemplo, ainda lá estão os documentos já citados pelo jornal

Seguem-se mais algumas partes dessa conversa, numa selecção minha e usando apenas as respostas de Ricardo Costa.

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Quase nuas

(adão cruz)

Quase nuas quase silêncio as palavras quase música fendem como lâminas as sombras dos dias ocultos.

Quase nuas quase silêncio as palavras quase música dizem a quem as ouve que há sol para lá da chuva.

Quase nuas quase silêncio as palavras quase música são água de quem as lê nas entrelinhas da secura.

Quase nuas quase silêncio quase cor as palavras quase música dizem a quem as sente que não há forma de ser por fora das palavras nuas.

Portugal e o Norte de África

por Santana Castilho *

Para 12 de Março está marcado mais um protesto público. Não é promovido por direcções sindicais cristalizadas, mas tão-pouco prima pela originalidade de iniciativas: os aderentes descerão a avenida mais simbólica, a da Liberdade, de um Portugal refém. Uma circunstância, porém, é nova: as redes sociais estão a ser usadas como meio convocatório, como parece ter acontecido no Norte de África, e o protesto sucede após uma convulsão por contágio que surpreendeu o mundo, quer pelos resultados, quer pela rapidez com que foram obtidos. As motivações sociais do protesto, ponderadas as diferenças de níveis, são idênticas. Com efeito, lá como cá, a degradação da sociedade foi-se tornando insustentável. Bem sei que não posso comparar ditaduras com democracias. Mas quando estas são meramente formais e politicamente mal geridas, como acontece em Portugal, alguns resultados não diferem. É o caso da ruptura definitiva entre governantes e governados e o abismo insuportável entre os ricos e os pobres. Na Tunísia, no Egipto e na Líbia, a falta de alternativas trouxe as pessoas para a rua. Em Portugal, o desemprego, a diminuição dos salários e o aumento da carga fiscal está a lançar os portugueses no desespero. E a isso responde o Governo com autismo e a Oposição com inércia. [Read more…]

Limite

Estamos de volta. O ME passou os limites – hoje, em muitas escolas do nosso país, há alunos que ficam sem apoios, sem clubes, sem aulas para se tratar da trapalhada da avaliação. Agora que o ME passou o LIMITE sagrado do trabalho com os alunos, estamos de volta…