As notícias da extrema-direita no governo de Portugal
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
As notícias da extrema-direita no governo de Portugal
Com 64 anos de idade, a locomotiva E112 parte da estação do Tua para uma viagem de 133 km em direcção a Bragança; à direita, a Linha do Douro, na altura ligando ainda o Porto a Salamanca e Madrid em comboio directo com restaurante a bordo.
1. A manifestação é pela demissão de toda a classe política?
Não. Existe um manifesto, onde em parte alguma se fala de tal coisa. Leia-o.
2. Mas então quantas manifestações estão convocadas?
Várias, nas principais cidades portuguesas e mesmo junto a algumas das nossas embaixadas. Houve uma confusão com o grupo “1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política”, o qual já emitiu um comunicado, esclarecendo não estar “de forma alguma ligado à organização do protesto “geração à rasca. Enquanto movimento livre e espontâneo de cidadãos, este grupo desde a 1ª hora se solidarizou com o protesto, divulgando e incentivando os seus membros participarem da manifestação do dia 12 de Março”
3. E o mail que por aí circula com uma série de reivindicações?
Circula por iniciativa de quem o escreveu. Não foi subscrito pelos organizadores das manifestações.
4. Os partidos políticos foram convidados e vão participar?
Os promotores dirigiram uma Carta aberta a todos os Cidadãos, Associações, Movimentos Cívicos, Partidos, Organizações Não-Governamentais, Sindicatos, Grupos Artísticos, Recreativos e outras Colectividades, e irá quem quiser participar. No meio da confusão gerada, era o mínimo que poderiam fazer até para se demarcarem da ligação com a tal demissão de toda a classe política.
5. É verdade que a extrema-direita está envolvida na manifestação?
No facebook aparecerem convocatórias para várias manifestações, e concentrações, algumas claramente conotadas com a extrema-direita. Têm um apoio irrelevante.
6. A manifestação é para que idades? [Read more…]
Paulo Portas nunca perde uma oportunidade de reactivar o director de O Independente que vive dentro de si, tendo, hoje, inventado o trocadilho “moção de ternura”, acusando o Bloco de Esquerda de estar a favorecer o governo. O CDS, certamente para prejudicar o governo, absteve-se, permitindo que a moção fosse chumbada e o governo continue em funções, mesmo que continue a não governar.
O que me traz aqui hoje é poder proporcionar novos trocadilhos para as moções de censura que serão chumbadas durante o ano que se avizinha politicamente agitado. Aqui ficam sete propostas:
1. Moção de tortura – assim poderá ser designada qualquer moção de censura condenada a ser derrotada, permitindo que o País continue a ser torturado pelo mesmo governo que todos censuram, incluindo o Presidente da República;
2. Emoção de censura – há censura e há emoção, haverá queda ou não;
3. Maçã de censura – o partido que propõe a moção será comparado a Eva, ao querer oferecer ao resto da oposição o fruto proibido;
4. Missão de censura – o partido proponente considera que está a cumprir o seu dever de censurar o governo;
5. Micção de censura – nas palavras críticas dos restantes partidos da oposição, a moção não passa de uma mijinha, para além de se acentuar a metáfora excrementícia;
6. Moção impossível – assim será designada a moção de censura que se autodestruirá em pouco tempo.
7. Morcão de censura – embora a expressão seja pouco regimental, caberá a um deputado nortenho classificar assim o adversário que defender mais uma moção que será chumbada.
Correu tudo como se previa, BE, PCP e Verdes votaram a favor, PS contra, PSD e CDS abstiveram-se. Tudo previsível e sem novidades. Siga a música, que os dançarinos são os mesmos.
Lisboa vai assistir no Sábado à primeira MANIFESTAÇÃO de força dos Professores contra as mais recentes políticas do Governo. O campo pequeno vai ser pequeno para receber os milhares de professores que se vão deslocar de todo o país. A tal poupança de 43 milhões
que a Ministra quer concretizar não pode ser feita à custa da qualidade da escola pública, porque aí estamos a colocar tudo em causa.
Este vai ser, certamente, o primeiro dia de muitos outros porque as escolas estão a pegar fogo…
O PSD pediu a 55 empresários contributos para um programa de governo cuja elaboração está a ser coordenada por Eduardo Catroga. António Horta Osório ( novo CEO do Lloyds Bank), Faria de Oliveira ( CGD), José Maria Ricciardi ( BES- Investimentos), Ferreira de Oliveira ( Galp), Vera Pires Coelho ( Edifer), são alguns dos empresários, de várias áreas da vida económica, que colaboraram com esta iniciativa. Desse pedido resultaram 365 ideias que serão publicadas em livro, com prefácio de Pedro Passos Coelho, que já declarou que o partido não está vinculado a essas ideias, mas que não deixará de “as ter em boa conta.”
Longe de mim desprezar em bloco qualquer contributo constituído por tantas partes. Não posso, no entanto, deixar de começar por notar a omnipresença de Catroga, o homem que cozinhou em sua casa o Orçamento de Estado que está a ser aplicado pelo governo que o PSD critica. Para os mais distraídos, é o mesmo Eduardo Catroga que já foi Ministro das Finanças, no último governo de Cavaco Silva. É o que se chama, certamente, uma lufada de ar fresco no mundo bafiento da política portuguesa.
Finalmente, a matriz dos últimos anos mantém-se. Na opinião de muitos políticos, da extrema-direita à esquerda aparente, a resolução dos problemas do país reside, apenas ou sobretudo, na visão empresarial. Trata-se de um paradigma em que vivemos há vários anos e que, ao que parece, não tem contribuído grandemente para resolver os problemas do País. Segundo esse paradigma, são os empresários que detêm as soluções milagrosas e desinteressadas, porque um país não seria, afinal, mais do que uma empresa.
Sabe-se que chegarão mais contributos com os estados gerais. Não sei se aí, ainda que em segundo lugar, serão ouvidas outras classes profissionais e auscultados outros quadrantes da sociedade. O que se sabe é que o coordenador é António Carrapatoso, gestor e um dos promotores do Compromisso Portugal.
Quem era o Presidente quando estiveram na rua 100 000 Professores? E quando foram 120 000? E quando foram 80 000?
Mas, ao ouvir o Presidente de alguns portugueses no discurso da sua tomada de posse então podemos estar na presença de uma boa nova. Cavaco Silva vai estar, Sábado, comigo no Campo Pequeno. É um exemplo de cidadania que o nosso (cruzes canhoto!) Presidente vai dar – participar na manifestação de Professores no próximo sábado. Só pode. De certeza que era isso que ele queria dizer no discurso… De certeza…
Vimos esclarecer o seguinte:
1 – O grupo “1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política”, ainda NÃO tornou pública qualquer iniciativa de rua.
2 – O grupo “1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política”, NÃO está de forma alguma ligado à organização do protesto “geração à rasca.
Enquanto movimento livre e espontâneo de cidadãos, este grupo desde a 1ª hora se solidarizou com o protesto, divulgando e incentivando os seus membros participarem da manifestação do dia 12 de Março
3 – Email “Chegou a Hora”
A mensagem de correio electrónico de 30 pontos que tem circulado nos últimos dias no ciberespaço NÃO É um manifesto do grupo “1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política”. [Read more…]
Avenida da França, Linha da Póvoa e Guimarães, 1968; esquerda é visivel a anterior estação terminal Porto Boavista. À cabeça de um comboio muito provavelmente oriundo da Póvoa de Varzim, a locomotiva E141, de fabrico alemão, da série mais potente das vias estreitas portuguesas. Poucos anos faltavam até que começassem a concorrer directamente com locomotivas a diesel. Não perdiam a corrida, diz quem sabe.
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“Aumentar a eficiência e a transparência do Estado e reduzir o peso da despesa pública são prioridades não apenas de natureza estrutural, mas também conjuntural.
Realismo, avaliação rigorosa das decisões, justiça na distribuição dos sacrifícios e melhoria do clima de confiança são exigências impostas pelo presente, mas que devemos também às gerações futuras. O caminho é possível, mas não será fácil nem rápido.
Reitero a minha convicção de que está em causa um esforço colectivo. É importante, por isso, que Governo, Assembleia da República e demais responsáveis políticos assumam uma atitude inclusiva e cooperante, que seja também factor de confiança e de motivação para os nossos cidadãos. A estabilidade política é uma condição que deve ser aproveitada para a resolução efectiva dos problemas do País. Seria desejável que o caminho a seguir fosse consubstanciado num programa estratégico de médio prazo, objecto de um alargado consenso político e social.
A nossa sociedade não pode continuar adormecida perante os desafios que o futuro lhe coloca. É necessário que um sobressalto cívico faça despertar os Portugueses para a necessidade de uma sociedade civil forte, dinâmica e, sobretudo, mais autónoma perante os poderes públicos.
O País terá muito a ganhar se os Portugueses, associados das mais diversas formas, participarem mais activamente na vida colectiva, afirmando os seus direitos e deveres de cidadania e fazendo chegar a sua voz aos decisores políticos. Este novo civismo da exigência deve construir-se, acima de tudo, como um civismo de independência face ao Estado.
É altura dos Portugueses despertarem da letargia em que têm vivido e perceberem claramente que só uma grande mobilização da sociedade civil permitirá garantir um rumo de futuro para a legítima ambição de nos aproximarmos do nível de desenvolvimento dos países mais avançados da União Europeia.
Esta é uma tarefa de todos, cada um tem de assumir as suas próprias responsabilidades. É essencial que exista uma união de esforços, em que cada português se sinta parte de um todo mais vasto e realize o quinhão que lhe cabe.
Necessitamos de recentrar a nossa agenda de prioridades, colocando de novo as pessoas no fulcro das preocupações colectivas. Muitos dos nossos agentes políticos não conhecem o país real, só conhecem um país virtual e mediático. Precisamos de uma política humana, orientada para as pessoas concretas, para famílias inteiras que enfrentam privações absolutamente inadmissíveis num país europeu do século XXI. Precisamos de um combate firme às desigualdades e à pobreza que corroem a nossa unidade como povo. Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos.
É fundamental que a sociedade portuguesa seja despertada para a necessidade de um novo modo de acção política que consiga atrair os jovens e os cidadãos mais qualificados. O afastamento dos jovens em relação à actividade política não significa desinteresse pelos destinos do País; o que acontece, isso sim, é que muitos jovens não se revêem na actual forma de fazer política nem confiam que, a manter-se o actual estado de coisas, Portugal seja um espaço capaz de realizar as suas legítimas ambições. Precisamos de gestos fortes que permitam recuperar a confiança dos jovens nos governantes e nas instituições.
Seria extremamente positivo que os jovens se assumissem como protagonistas da mudança, participando de forma construtiva, e que as instituições da nossa democracia manifestassem abertura para receber o seu contributo. A geração mais jovem deve ser vista como parte da solução dos nossos problemas.” – Discurso de Tomada de Posse do Presidente da República (Março 2011)
Depois deste discurso só podemos tirar uma conclusão: para o PR este governo é parte do problema e não da solução. E assim sendo…
Tendo em conta o que se passou na Direcção Regional de Educação do Centro (DREC), é muito provável que uma grande parte dos professores venha a ser despedida. Tendo em conta as opiniões negativas que muitos docentes têm exprimido acerca de muitas das medidas impostas pelo Ministério da Educação, estará encontrada a justa causa para empurrar para fora da profissão milhares de professores.
Não deve ser original, mas costumo dizer que ninguém é democrata se não for obrigado a isso, o que é o mesmo que dizer que temos tendência para sermos ditadores, a não ser que no-lo impeçam. O portuguesinho tem dentro de si um salazar privativo que enlouquece suavemente sempre que lhe chega um odor de poder, tal como os cães farejam a agressividade e o medo ou os tubarões, ao que dizem, perdem o tino quando há sangue no mar.
Sócrates e seus seguidores amestrados sonham com um mundo em que não discutam as suas afirmações, em que as ordens sejam obedecidas cegamente. Os professores, apesar de tudo, têm sido um problema, porque insistem em pensar pela própria cabeça e em tomar posições (talvez não as suficientes ou as melhores).
É certo que um professor é um funcionário, devedor, portanto, de obediência aos superiores hierárquicos. Infelizmente para os democratas contrariados que nos governam, num país com dez milhões de habitantes, os professores são as 150.000 pessoas que mais sabem sobre os mais variados aspectos da Educação e, diante de tanto dislate governativo, embora tenham algumas dificuldades em falar, sentem ainda mais dificuldade em ficar calados.
Na DREC, um professor foi demitido por ter emitido uma opinião. A coerência obriga a que a maioria dos professores seja demitida.
Gostaram do discurso? Pareceu-vos inclusivo? Ouviram os rosnares de mais de metade do Parlamento? Bem feito!
O presidente honorário do PSD, retomou posse do seu sonhado cargo de 1º ministro sombra. Nada de novo, confirma-se a falsidade do corriqueiro …”de todos os portugueses”, tratando-se apenas de mais um escabroso episódio da mesma luta intestina do regime. Em suma, o discurso consistiu na oportunista “deolindação” de Belém. A uns dias da tal manifestação, fez os possíveis para que o seu nome – também – não seja proferido na rua.
No Aventar, por duas vezes (aqui e aqui), pelo menos, já foi abordada a questão da relação entre o sucesso escolar e o meio familiar.
Já há vários anos que o governo tenta, a todo o custo, colocar a maior fatia de responsabilidade pelo insucesso dos alunos em factores associados ao interior da Escola. Quanto a mim, nada disso é inocente: o objectivo é o de conter e, até, diminuir a afectação de recursos humanos às escolas, para além de isentar o Estado de melhorar as políticas sociais, tendo em conta que as condições familiares, afinal, não teriam influência no sucesso dos alunos.
É curioso que tenha sido um departamento do Ministério da Educação a chegar a esta conclusão, contrariando um estudo encomendado pelo mesmo Ministério em que se concluía que o meio socioeconómico de origem e a idade dos alunos têm um peso de 30% no sucesso escolar dos alunos, dependendo os restantes 70% do trabalho realizado nas escolas, estudo esse que mereceu no Público uma ampla e entusiástica divulgação com honras de editorial encomiástico, o que parece não acontecer agora
É importante reafirmar aquilo que muitos sabem, nem que seja empiricamente: o meio socioeconómico tem um peso enorme no rendimento dos alunos. A afirmação desta realidade não serve para consolar ou desresponsabilizar os professores. Deveria servir, isso sim, para reorientar as políticas educativas ou sociais. Teremos de esperar por um governo preocupado em resolver essas questões ou por uma comunicação social menos interessada em ser caixa de ressonância do poder. Até lá, o Carnaval continua, com as estatísticas de sucesso a servir de máscaras.
Avenida da França em 1968; à esquerda, uma locomotiva a vapor da série 140 (a mais potente das vias estreitas portuguesas), fabricada pela Henschel (Alemanha) em 1931. À direita, uma automotora de fabrico holandês Allan. Este troço comum às antigas vias métricas da Póvoa-Famalicão e Guimarães é agora ocupado pelo Metro do Porto: estação Casa da Música.
Esta notícia poderia servir para integrar um manual de jornalismo, porque notícia mais notícia não há: uma cobra morreu envenenada depois de ter mordido os seios da modelo israelita Orit Fox. Segundo a notícia, tratou-se de uma intoxicação por silicone.
Fox celebrizou-se devido ao grande número de operações plásticas a que se terá submetido e por, consequentemente, transportar seios gigantescos, como se pode avaliar pela fotografia junta, que permite avaliar que, se a cobra não morresse envenenada, acabaria por morrer sufocada ou de susto, caso olhasse directamente para a cara.
O Aventar soube que os israelitas estão a ponderar repor os níveis de silicone da célebre modelo e enviá-la para território palestino, a fim de se deixar morder pelo maior número de homens possível.
Nos últimos dias e a propósito de uma capa do Jornal “A Bola” corre uma histeria mais ou menos generalizada pela blogosfera, seja lá o que isso for.
Assinalo com surpresa alguns dos argumentos porque servem apenas quando dá jeito.
Não vou defender o jornal. Nada disso! Sou sócio do Sport Lisboa e Benfica e não compro aquilo há anos.
Parece-me que as coisas são, nos tempos que correm, muito simples – vivemos numa sociedade de consumo e há empresas que colocam um produto no mercado. Iogurtes, bananas, telemóveis, calças, jornais, informação, filmes…
Eu, consumidor, escolho – consumir ou não consumir é a nossa opção. Não vou começar a escrever um post de cada vez que um produto é mau. Teria certamente muito que escrever…
Já viram as páginas, muitas vezes a primeira, que o JN ou o DN fizeram com o governo nos últimos anos? Ou as primeiras páginas do Expresso? Ou…
Podemos, devemos, temos que analisar criticamente tudo o que acontecer, mas será que nos tempos que correm a liberdade não é também isto?
As empresas de jornais (comunicação social?) existem para dar lucro ou não?
Porque é que há jornais que fazem uma capa para Lisboa e outra para o Porto?
Porque é que há jornalistas impedidos de ir aqui ou acolá?
Porque há quem pense ser possível limitar a liberdade de imprensa. Não é. E ainda bem, até para que possam surgir maus exemplos como é o caso da capa de que se fala.
A liberdade de opinião e os tempos modernos são isto mesmo. Cada um come o que quer.
Uns, com espírito crítico afinado, preferem comer apenas aquilo que cai no prato…
”Não nos pronunciaremos sobre estas fêmeas, por respeito pelas mulheres a quem elas se parecem quando estão mortas”
Alexandre Dumas Filho, escritor francês feminista a propósito das mulheres revolucionárias proletárias da Comuna de Paris. Escreveu em 1872 “La question de la femme” para a Associação pela Emancipação Progressiva da Mulher. Intelectual burguês, Dumas Filho defendia as mulheres na medida em que estas pertencessem à sua classe social.
Numa escala bastante diferente, faz lembrar o Miguel Sousa Tavares a referir-se aos deolindos. A Comuna de Paris chocou brutalmente os espíritos requintados. O seu esmagamento num mar de sangue aliviou-os.
“As tropas de Versalhes avançaram bairro por bairro, enquanto a Comuna erigia centenas de barricadas com pedras de calçamento e sacos de areia. Na sua retirada, os integrantes da Comuna ateavam fogo em tudo: na noite de 24 de maio foi incendiado o castelo das Tulherias, ruas inteiras foram consumidas pelas labaredas. Nos últimos dias de luta, inúmeros reféns foram mortos, entre eles também o arcebispo de Paris.
Com a queda da última barricada, no dia 28 de maio de 1871, terminou a “semana sangrenta”, mas não o derramamento de sangue. Milhares ainda foram mortos, nos dias seguintes, nos parques, quintais e nas casernas. Os historiadores calculam que a Comuna tenha assassinado cerca de 500 adversários políticos, enquanto as tropas governamentais mataram entre 20 e 25 mil pessoas durante a reconquista de Paris e nos dias imediatamente posteriores. “ in Dw-world [Read more…]
O DIA QUE NÃO DEVERIA EXISTIR
É hoje o dia que, mundialmente, se consagrou ser o da Mulher, e já existe há cem anos.
Na realidade não deveria existir tal dia, uma vez que o facto de existir, por si só, coloca a mulher numa posição de inferioridade.
Existe o dia da árvore, o dia do doente disto e da doença daquilo, da protecção deste e daquele aspecto, e por aí fora num chorrilho de dias consagrado a este ou aquele. Existem esses dias dedicados, desde que se viu que seria preciso proteger alguma coisa.
A Mulher não deveria precisar de um dia destinado a lembrarmo-nos dela. Também não deveria haver um dia dedicado ao Homem (embora haja e quase ninguém saiba quando é). Não é preciso. [Read more…]
Já ouvi pessoas cultas e razoáveis defenderem as ideias mais estapafúrdias em nome dos respectivos clubes e já ouvi as mesmas pessoas defenderem a ideia que a paixão clubística permite que se defendam as ideias mais estapafúrdias. Aliás, Portugal, nos mais variados campos, incluindo a política, funciona com base na paixão clubística: os nossos são bons, os outros são maus.
Não há ninguém que, verdadeiramente, saiba perder, porque ninguém quer saber fazer tal coisa. No entanto, não aceito que tenha de me portar como um troglodita só porque perco. Mais: acredito que, após milhares de anos de evolução, tenho a obrigação de tentar ser tanto mais humano quanto mais vontade tenha de ser um animal, como sucede no momento das derrotas. Após milhares de anos de evolução, devo ser o menos pitecantropo e o mais pedagógico possível.
Assim, considero sempre ridícula qualquer desvalorização de uma vitória futebolística, sobretudo quando se trata de competições de regularidade, como é o caso de um campeonato. Na época passada, o título de campeão ficaria muito bem entregue ao Braga, como ficou ao Benfica. Este ano, vai ganhar a equipa mais regular, o Futebol Clube do Porto.
Em Braga, o Javi foi bem expulso, o Roberto foi mal batido, o Benfica perdeu bem. Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira ficam mal na fotografia, como é, infelizmente, costume nos treinadores e dirigentes que não estão em primeiro lugar, sempre prontos a atribuir derrotas a árbitros, a túneis ou a cabazes de fruta.
De treinadores e dirigentes espero, sinceramente, pouca elevação. De um jornal como A Bola, uma instituição do jornalismo, talvez ainda esperasse alguma pedagogia. Infelizmente, a primeira página de ontem é absolutamente lamentável de tão incendiária e tendenciosa que é.
Um comboio ascendente deixa a estação de Larinho (anos 20/30).
Cerca de doze elementos da Geração à Rasca interromperam um discurso de José Sócrates, em Viseu, e foram expulsos pela segurança. Compreende-se o risco: podiam exprimir opiniões contrárias à do orador, algo que seria legítimo num regime democrático.
O secretário-geral do PS, imbuído de espírito carnavalesco, conseguiu, no entanto, parecer um democrata, ao fingir aceitar com aparente abertura a intrusão dos jovens. A mordacidade demonstrada por Sócrates é perfeitamente aceitável, face a uma geração de milionários que parece que nunca estão satisfeitos com a verdadeira cornucópia que lhes tem sido proporcionado pela governação socialista.
O chefe do governo considerou a intervenção uma “belíssima partida de Carnaval”, confessando que é “assim que fazemos uns aos outros no Carnaval.” Na verdade, não fico admirado com o jeito que José Sócrates tem para brincar ao Carnaval: afinal, há seis anos que anda disfarçado de Primeiro-Ministro.
O espírito com que escrevi o texto ‘A TVI que os sustente!’ era de esperança. No fundo, o ânimo de que as saídas de José Alberto Carvalho, Judite de Sousa e da menos mediática Maria José Nunes, da RTP para a TVI, tivessem o efeito de despertar consciências adormecidas. Precisamente de quem tem a missão de zelar pela aplicação de dinheiros públicos; caso, diga-se, do Secretário de Estado da Comunicação Social, Arons de Carvalho.
Todavia, com este e outros elementos do actual Governo a esperança de uma boa prática, uma que seja, esboroa-se em segundos. E assim, de súbito, foram contratar Nuno Santos da SIC para o cargo de Director de Informação da RTP, sob protesto da Comissão de Trabalhadores – o comunicado desta refere ter havido um voto de falta de confiança nos 400 jornalistas da casa, número que, em boa verdade, também me impressionou pelo exagero e possíveis custos associados.
Pessoalmente, é-me indiferente que um Nuno qualquer, chame-se Santos ou Pecador, aufira chorudo ordenado. O que, de facto, considero ignominioso é a TV estatal, em tempo de sacrifícios lançados sobre milhões de portugueses, ter o despudor de realizar contratações milionárias. E mais ainda, como salientou oportunamente o meu companheiro Helder Guerreiro, a RTP está em falência técnica desde 1996 e assim continua em 2010. [Read more…]
Não vi o festival da canção e só hoje ouvi a canção vencedora. Anda por aí uma gente que acha que canções não são cantigas, sempre à espera de encontrar Mozart num disco da Ágata, Camões numa letra do José Cid, Pavarotti na voz do Zé Cabra.
Este ano, depois da vitória dos Homens da Luta, vai por aí um desassossego de virgindade ofendida, gentinha que diz não se sentir representada, pindéricos que acham pelintra a cantiguinha que vai à eurovisão envergonhar o país, críticos iluminados que falam em falta de qualidade “artística”. Devem estar a gozar (e eu pensava que os homens da Luta é que estão no gozo): um país que põe no topo das vendas de discos Tonys Carreiras, Quins Barreiros e afins ficar próximo da apoplexia com o resultado de um festival que ninguém segue e a que ninguém liga, exceptuando os envolvidos, é giro e dá prazer ver.
Vamos lá a ver a última dúzia de lálálás que ganhou o Festival:
Estas sim, eram canções a sério, com estas sentia-mo-nos representados, estas de pelintra não têm nada e estão cheias de qualidade artística, topa-se logo ao primeiro acorde.
Pró ano também concorro com uma composição séria, rica, artística e de elevada complexidade conceptual, dedicada ao mar e a quem labuta. Vou chamar-lhe Os Homens da Lota. Vai ser uma alegria.
Apeadeiro de Fonte do Prado (Carviçais), meados dos anos 70, na mais inusitada Linha portuguesa.
A poderosa cleptocracia angolana tremeu perante a possibilidade de uma manifestaçãozinha popular de cerca de vinte pessoas. Se não fosse triste era de rir, se não fossem tão parvos até podiam passar por inteligentes, se não fossem tão cobardolas até passariam por pró-democratas. Mas são burros e sobranceiros e borram-se com a possibilidade de o povo acordar.
Esta gente que não respeita nada nem ninguém, quando não silencia, elimina. Mas investe nas democracias ocidentais e tem posições dominantes em empresas ditas estratégicas, com os governantes de cá sempre dispostos a beijar-lhes a mão. Fazem isso com mubaraks, com kadhaffis, com zedus, com o resto da ladroagem internacional.
Mas voltemos a Angola: ainda me lembro que, no pós 25 de Abril, um dos combates do MPLA era o obscurantismo. Não sei se me apetece rir, ou chorar.
A 8 de Dezembro escrevi aqui no Aventar que eles “andem por aí” – Sócrates e seus amigos tinham avançado pela sala de aula dentro. Via orçamento, o Governo queria:
a) extinguir a área curricular não disciplinar de área de projecto;
b) extinguir a área curricular não disciplinar de estudo acompanhado;
c) acabar com o par pedagógico de E.V.T. (eram dois professores, passa a ser só um).
Um pouco depois argumentei sobre cada uma delas: área de projecto, estudo acompanhado.
E os pontos poderiam continuar porque a trapalhada do ME foi das grandes. Ali na escola havia uma discussão em cima da mesa: inglês ou história? Quem deve ficar com um tempo? Imaginem só que já há textos escritos a defender uma coisa e outra como se a Escola Pública fosse isto, uma mera contabilidade de mais para ti ou menos para mim…
É por isso que o camarada Belmiro avança com toda a confiança para o MERCADO da Educação!

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.
Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?
Efectivamente, na KEXP.
Por acaso, já agora… Um dia, estava eu no Castle Howard, a recordar, reviver e revisitar, mas num ambiente pop, quando me apareceram de surpresa. Amanhã, em Bruxelas, voltarei a vê-los e ouvi-los. Com novidades, anunciadas há meses por Alexis Petridis, como “alien offshoot mushroom, going the gym to get slim“, “my dream house is a negative space of rock” ou “when I was a child I wanted to be a horse, eating onions, carrots, celery“. Em princípio, será isto. Veremos.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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