
O Brasil ultrapassa Espanha no ‘ranking’ da economia mundial
18/08/2010 by
Os países emergentes prosseguem no trajecto do sucesso. A semana iniciou-se com a notícia da China ter destronado o Japão do 2.º lugar na economia mundial, em termos do valor do PIB. Hoje, o feito coube ao Brasil, com um PIB de 1,8 biliões de dólares entre o final do 1.º trimestre de 2009 e idêntico período de 2010. Com este resultado, desalojou da 8.ª posição a economia espanhola, que se quedou pelos 1,5 biliões de dólares, segundo a publicação Expansion; informação secundada, em Portugal, pelo Jornal de Negócios.
Ressalve-se, entretanto, que, tanto no caso da China como no do Brasil, a evolução necessita de ser confirmada no fecho de 2010, embora a maioria dos analistas assegurem que a situação não se alterará; pelo contrário, poderá mesmo reforçar-se.
China e Brasil: as diferenças
Conquanto desfrutem ambos da classificação de ‘países ou economias emergentes’, existem diferenças consideráveis nos modelos de desenvolvimento das duas nações. A China, governada por uma elite comunista-capitalista, e pátria de conveniência das multinacionais, é um país, com 1.347.000.000 de habitantes. Muitos deles submetidos a regimes de trabalho desumanos, como realçámos em Foxcoon: a morte de mais um trabalhador.
No Brasil, presidido por Luiz Inácio Lula da Silva, ex-operário metalúrgico e lançado para o mundo do trabalho aos 13 anos, o crescimento económico tem características distintas. Ainda há muita pobreza e caminho por desbravar. Lula está consciente disso. Porém, no final do 2.º e último mandato, o presidente brasileiro deixa ao povo brasileiro um legado social e económico, diferente daquele que herdou e do prevalecente na China. O Brasil só tem 193.000.000 de habitantes e admito que seja mais fácil a acção governativa.
Vencidas algumas turbulências do 1.º mandato, o presidente Lula e seus governantes souberam extrair e distribuir o rendimento dos benefícios dos inúmeros recursos naturais do Brasil, seguir políticas monetárias favoráveis à competitividade externa – 13% das exportações brasileiras destinam-se à China – e ao desenvolvimento do mercado interno e da classe média, através de incentivos ao emprego e ao consumo privado. Com estas políticas, em que a intervenção do Estado na economia é efectiva e benéfica, o Brasil espera atingir crescimentos do PIB da ordem dos 7% em 2010 e 11% em 2011.
Mário Soares, um vómito
18/08/2010 by
Mário Soares não gostou do «reaparecimento público» de Fidel.
Porquê?: porque Soares não gosta de Fidel – e muito menos de o ver vivo…
Soares não gostou do discurso de Fidel.
Porquê?: porque Fidel «não disse nada de importante» – e Soares só gosta dos discursos que digam coisas importantes, como os do Obama e os dele próprio…
Para além disso, pergunta Soares, do alto das suas bochechas flácidas, «Em que qualidade falou? Como velho líder, há meio século, ou como proprietário de Cuba?» – e responde: «Não o disse. Porque realmente não disse nada».
Posto isto, Soares embala na espiral de provocações em que é exímio praticante, ao mesmo tempo que recorda «Fidel há cinquenta anos»; recorda a viagem que fez a Cuba, em 1964 e que o deixou «pessimamente impressionado» com aquele «comunismo à soviética, puro e duro».
E recorda que «muito mais tarde, bastante depois da normalização democrática portuguesa, que se seguiu ao delírio do PREC» – ou seja, depois de ele, Soares, ao serviço da CIA, ter encabeçado a contra-revolução que liquidou Abril e recolocou Portugal nas garras do imperialismo norte-americano – encontrou-se com Fidel «numa reunião da Comunidade Ibero-Americana», na qual também participou Cavaco Silva, então primeiro-ministro.
Diz Soares que, no decorrer da reunião, «Fidel queixou-se da falta de solidariedade para com Cuba, dos países presentes. E citou Portugal, cuja Revolução ele disse ter ajudado».
Ora, perante isto, a «coragem» do Soares não se fez esperar – como é sabido, Soares sempre foi muito «corajoso» no combate aos comunistas e não tão corajoso no combate aos fascistas (talvez por saber que os comunistas não lhe faziam mal e que os fascistas eram capazes de lhe mandar umas taponas ou até mais…).
«Coube-me responder-lhe», declama Soares.
E respondeu assim a Fidel: «O Senhor não ajudou a Revolução, ajudou o PCP, o que é diferente, porque quis fazer de Portugal uma Cuba europeia» – e acrescentou mais umas quantas provocações típicas de um agente da CIA em exercício.
Ora, perante tanta «coragem», Fidel ficou sem palavras… ainda tentou responder-lhe, «mas o Rei de Espanha resolveu interromper a sessão e convenceu Fidel a não responder…»
E pronto, a «coragem» de Soares venceu a «cobardia» de Fidel…
Criado para todo o serviço do capitalismo explorador e opressor, Soares é assim: uma criatura repelente, nojenta, execrável, abjecta – um vómito.
Fernando Samuel, publicado no blogue Cravo de Abril
Como Se Fora Um Conto – Para Estes Não Há Funerais de Estado
18/08/2010 by
Conheci-a num Centro Comercial. Vendeu-me alguns artigos de que eu necessitava e alguns outros que eu não sabia que queria. A sua simpatia era contagiante e o seu sorriso alegrava a alma.
A conversa, essa, veio naturalmente, e ficamos como que amigos. Fiquei a saber que o trabalho era bom e gratificante, que gostava do que fazia e que fazia o que gostava. Só tinha vinte anos mas já trabalhava há perto de quatro. Por incapacidade económica não tinha estudado mais que até ao fim do ensino obrigatório. Talvez que um dia continuasse. Por agora, sentia-se bem assim. Estava a subir na carreira de ‘balconista’, e até já mandava em parte da sua secção. Para além disso, tinha outros interesses que lhe tomavam todo o tempo disponível. [Read more…]
Pedro Passos Coelho, a democracia e a educação
18/08/2010 by
Por SANTANA CASTILHO*
Para uns vai rápido, para outros demasiado lento. Mas Pedro Passos Coelho vai fazendo o seu caminho, como se fazem todos os caminhos: andando. O discurso de Passos Coelho no Pontal foi racional, fortemente assertivo mas suficientemente cauteloso. Faltou-lhe emoção e faltou-lhe educação (referência à, bem entendido). Deixem-me glosar o que este parágrafo tem de implícito.
Comecemos pela construção do caminho. Pedro Passos Coelho não deverá governar refém de populismos que dêem votos fáceis. Mas só governará se ganhar as eleições. E as eleições ganham-se com votos. Nem tão simples como o raciocínio do senhor de La Palisse, nem insanável como adiantarão os discípulos de Maquiavel. A resposta passa pelo controlo dos tombos que toda a construção de caminhos supõe. Pedro Passos Coelho precisa de convencer para ganhar partidários e, com eles, votos. Mas fina-se se se ficar pela lógica imediatista da democracia dos últimos anos, que se contentou com rituais eleitorais e reduziu o resto da vida pública à ditadura da maioria. Acima de tudo, se Pedro Passos Coelho quer mudar (e é vital que mudemos) tem que abraçar os grandes, ainda que em desuso, pilares da verdadeira democracia: informação e discussão. Não chegará ao líder do PSD arrimar-se às urnas com os incondicionais laranjas mais os ódios à rosa murcha. Precisa de construir um caminho com outro tipo de legitimidade democrática: aquela que assenta na apresentação e exposição dos problemas e na respectiva discussão com os que queiram e se sintam mais preparados. Só assim a decantada abertura dos partidos à chamada sociedade civil e aos não alistados (mais de 95 por cento dos portugueses) passa da forma ao espírito. [Read more…]
Integrar é preciso
18/08/2010 by
Texto de Marcos Cruz
Imagine-se numa discoteca em que, ao soar de uma música conhecida, toda a gente converge para a pista. Você, por não estar seguro dos seus dotes rítmicos, fica a ver. Dentro de si, a vontade de participar no movimento colectivo debate-se com a falta de autoconfiança. Põe a hipótese de o melhor ser sair dali, mas, depois de antever a violência de se reconhecer como um derrotado, como um incapaz, opta por dar a ideia de que se sente bem assim, parado, apenas a olhar. Apoia-se, entretanto, na bebida e no tabaco – e, cada vez menos dono de si, questiona-se também sobre se estas ‘muletas’ não prejudicarão a imagem que está a transmitir aos outros, se não o tornarão ainda mais fraco aos olhos do todo, de que não sente fazer parte. A páginas tantas, junto a uma pessoa sua amiga que se aproxima e pergunta por que não dança, você assume não conhecer o léxico dos passos, não sentir o ritmo, não acreditar nas suas capacidades, enfim, tudo somado, confessa-lhe que é a pessoa errada no lugar errado.
Agora imagine que o lugar errado é o lugar, ponto. Ou seja, não há outro. Você tem de aprender a dançar. Rendido à inevitabilidade, já depois de aceite o facto de que prolongar a recusa só lhe vai causar mais sofrimento, percebe que, para se integrar, necessita de superar os seus medos. Aí, a sua amiga ajuda-o a relativizar o peso dos outros, da massa dançante, dizendo que cada um está entregue a si mesmo, que se alguém olhar para si e gozar consigo, com o seu processo de aprendizagem, é porque esse alguém não usa da verdade, ele próprio não está seguro de si e assume a estratégia mais fácil e mais cobarde para se legitimar ali, que é procurar sacudir para outra pessoa a chacota de que teme ser alvo. Você, contudo, nesse momento, acha mais possível a mimese do que a expressão individual – está nos antípodas da liberdade e só quer passar despercebido.
la amistad es una relación cultivada
18/08/2010 by

…para Sérgio Aurélio, que me ensina informática, com paciência e simpatia….
Acabo de volver a mi país, después de una ausencia prolongada. El motivo no era ni ferias ni paseo, era reunir datos para mi nuevo libro, que acabé hoy en la tarde. Libro dedicado a una querida amiga quién, para mí, es la Reina de Galicia. Comencé a escribirlo en el sitio en que me hospedé, su casa, que también es mi casa: los considero parte de mi familia. Esa familia Medela, el pastor de cabras y ovejas y agricultor a la antigua, que no sabía que era primo del Conde de Lemos y de la Duquesa de Alba, hechos descubiertos por mí en otro viaje de feliz memoria, al final de los años 90 del siglo pasado. [Read more…]
Nova Lei das Uniões de Facto já cá fazia falta!
18/08/2010 by
A Opus Gay e eu própio congratulamo-nos com a promulgação da nova lei das Uniões de Facto, fórmula pela qual nos vinhamos batendo quase isoladamente, há muitos anos, desde que a discussão foi aberta, e que defendemos perante partidos, deputados – e alguns hipócritas aparecem agora a defender o que antes diziam não ser possivel – e publicamente.
Cheguei a ouvir da voz de uma distinta defensora do casamento dizer que eu não podia defender isso, senão ninguém queria mais casar!! Tal o moralismo e a ética destes próceres de algumas mudanças sociais…
Hoje as minhas posições encontram-se ainda mais justificadas, pois sabe-se que mais de 30% dos casais do país encontra nesta fórmula o modo de constituir família. A promulgação desta lei é um acto republicano, pois legisla igualmente para todos os cidadãos, independentemente da orientação sexual.
Visões algo conservadoras pretendem defender a exclusividade do casamento civil, ou do matrimónio religioso, para legitimar a constituiçao da familia, pois para alguns deles de certo modo o casamento civil é uma especie de antecâmara da sacristia da Igreja para o casamento religioso, desconhecendo outras realidades sociais.
Hoje, uma visão alargada da sociedade deve prever as várias formulas que os cidadãos encontram de serem felizes e constituirem familia, dando-lhes a dignidade republicana da igualdade da lei para todos, tanto mais que o casamento se encontra em declínio, independentemente da sua dignidade e utilidade e pelo qual nos batemos aquando da aprovação da lei sobre o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.
Não subscrevemos a teoria da oposição de direita, sem preapostada em travar mudanças, de que “o que é diferente deve ser tratado de modo diferente”, pois essa é uma fórmula que pretende criar novas formas de exclusão, salvo quando servir para criar modos de discriminação positiva, excepcionais.
Saúde-se, portanto, o Partido Socialista, que finalmente teve a coragem de avançar com a nova lei agora promulgada, e o PCP, BE e Os Verdes, que o coadjuvaram no Parlamento.
Veleiro não entra!
17/08/2010 by

Aqueles que extensivamente utilizam a subversão armada no sudeste asiático e exploram mão de obra semi-forçada ou em semi-escravatura, recusaram a entrada em Macau, ao navio-escola Sagres.
A primeira questão a colocar, consistirá saber se tecnicamente sendo um navio de guerra, o Sagres fica sob a mira do articulado legal chinês que proíbe navios militares estrangeiros de atracar na “região especial”. Assim sendo, as autoridades de Pequim terão o Direito do seu lado.
A segunda interrogação, talvez de mais difícil resposta, reportar-se-á aos meandros diplomáticos e neste momento, não podemos vislumbrar se por detrás desta decisão aparentemente extemporânea e até ridícula, se esconderá qualquer quid pro quo luso-chinês. Mais tarde ou mais cedo se saberá.
A terceira questão, poderá ter uma certa relação com a situação interna em Macau, onde afinal, os iniciais entusiasmos pelo “regresso à pátria mãe” terão esfriado ao longo dos anos. Pois isso está mesmo a acontecer. A presença do Sagres III em Macau, trará à memória, os tempos em que para todos os efeitos a cidade era praticamente independente, gozava de uma grande prosperidade e a liberdade de expressão não era mera retórica para colocar olhos em bico. O que terão agora os decisores de vontades alheias – aqueles que em Lisboa entregaram Macau sem consulta popular – para dizer em público? Provavelmente nada, pois nem sequer saberão apontar no mapa, a situação geográfica do antigo território sob administração portuguesa.
Preferimos acreditar na primeira hipótese.
No fim de contas, os pequineses fizeram mais um grande “negócio da China”. Como no dia do hand-over dizia um atónito locutor da televisão tailandesa, no século XVI os chineses entregaram um lugarejo numa praia vazia e receberam-no de volta, transformado uma bela cidade pujante de vida e de riqueza. Com aeroporto, além de tudo e mais alguma coisa.
Duarte Lima e o assassínio de Rosalina Ribeiro
17/08/2010 by
Confesso a intenção, frustrada, de passar a alhear-me da novela deste Verão: o assassínio de Rosalina Ribeiro no Brasil, a ligação profissional e amorosa mantida com Lúcio Tomé Feteira e a acesa disputa da herança do milionário entre Rosalina e a filha deste, Olímpia Feteira.
Os comentários feitos aqui e as estranhezas manifestadas aqui foram, essencialmente, determinados por duas ordens de razões:
- Conheci e trabalhei com as três personagens principais da história – excluo, portanto, Duarte Lima – e o acontecimento remeteu-me para a memória da minha passagem pelos quadros da Covina – Companhia Vidreira Nacional, entre 1964 e 1980;
- Neste, como em outros casos, embora deteste a cultura sensacionalista de temas como ‘o amor e o crime’, tenho interesse em saber a verdade.
O retorno à história, desta feita, destina-se a manifestar a constatação de que, entre a comunicação social portuguesa e brasileira, existem diferenças assinaláveis nos conteúdos com que abordam o caso.
Na comunicação social portuguesa, excepto em situações inspiradas em notícias publicadas no Brasil, caso do jornal ‘I’ e TVI em edições de hoje, centra-se no emaranhado de notícias novelescas, do tipo daquela que se pode ler no Diário de Notícias, com predominância dos sarilhos entre filha e pai; sarilhos esses, acentue-se, que vinham de longa data e se iniciaram algum tempo após a ligação de Lúcio Tomé Feteira com Rosalina Ribeiro. Até aí, asseguro, Olímpia Feteira, “a menina” como lhe chamávamos na empresa, era o que se poderia classificar ‘o encanto do seu pai’.
A comunicação social brasileira, distanciada geograficamente de eventuais influências e interesses, é mais objectiva e pragmática. Caso do Jornal Extra. O foco das notícias, no outro lado do Atlântico, é o crime e o descortinar de pistas e dados para descobrir quem o praticou. E segundo tais notícias, Duarte Lima está efectivamente em posição, no mínimo, incómoda. De resto, o próprio advogado de Rosalina, no Brasil, considera Lima “a pessoa errada no local errado”. O que é que isto quer dizer?
O Quebra-ossos
17/08/2010 by
(Como prometido, aqui vai o segundo mail da Dra. Andreia Dias, distinta bióloga, minha amiga).

(abutre Quebra-ossos)

(Quebranta 1)
Boa noite!
Peço desculpa pela demora na resposta, mas o fim-de-semana no dia 15
de Agosto reunimos sempre a família na aldeia dos bisavós na Beira. Só
agora cheguei a Évora e pude dar uma vista de olhos no e-mail.
Peço desculpa pela demora na resposta, mas o fim-de-semana no dia 15
de Agosto reunimos sempre a família na aldeia dos bisavós na Beira. Só
agora cheguei a Évora e pude dar uma vista de olhos no e-mail.
Tenho muito gosto que use as minhas fotos e se não se importar, depois
gostava de ver os seus blogs 🙂
Já que apreciou as minhas fotos, vou atrever-me a enviar mais 🙂
Envio fotos de uma ave que eu acho espantosa. É o quebra-ossos, um
abutre que se alimenta exclusivamente de ossos. Já existiu em
Portugal, julgo que o último (ou um dos últimos) exemplar se encontra
taxidermizado no Museu de História Natural de Coimbra. Foi extinto
pelos caçadores… o animal que tenho nos braços é uma fêmea que foi
baptizada com o nome de “Andreia”. Capturámos e colocámos um emissor e
voou nos céus dos Pirinéus entre Março de 2009 e Setembro do mesmo
ano, altura em que morreu por disparo… de um caçador. E casos como
este ainda ocorrem frequentemente… não tenho nada contra os
caçadores, até já trabalhei com eles 2 anos directamente e continuo a
trabalhar de uma forma menos assídua. Mas realmente concordo que
deveria haver uma “re-educação” que é quase impossível… mas isto
daria uma outra conversa 🙂
Voltando ao Quebra-ossos, esta é uma ave extremamente ameaçada, e
existem programas de reintrodução (por exemplo na Andaluzia). A
plumagem dos jovens é diferente dos adultos, vai mudando
progressivamente. A “Andreia” que tenho nos braços é adulta e pesava
5, 500 kg.
Um grande beijinho e até breve,
Andreia
O homem de Massamá
17/08/2010 by
Já tivemos “O espião que veio do frio”, “O terceiro homem”, “Dois homens e um destino”, agora temos “O homem de Massamá”.
Pelos vistos, ser de Massamá habilita os seus residentes a ser eleito primeiro-ministro. Se viver num condomínio fechado, já não.
Olha, Ide Gozar Com …
17/08/2010 by
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GOVERNO NÃO SÓ NÃO POUPA COMO AINDA GASTA MAIS
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Eu sei que a crise é para todos e de todos os Portugueses. Sei-o eu e mais nove milhões de entre os meus compatriotas. Todos nós, estes muitos milhões, cortamos nas despesas, entregamos mais dinheiro ao Estado, vivemos preocupados com a falta de recursos do nosso governo, e aceitamos mais uma catrefada de sacrifícios que nos são pedidos ou mesmo impostos pelos governantes (nem dou exemplos, tantos são eles).
Depois, lemos os jornais e ouvimos as rádios e as televisões, e descobrimos que a crise é mesmo uma coisa séria. Tão séria e tão grande que nem dinheiro há para comprar o que já foi prometido há alguns anos, como por exemplo dotar os Bombeiros de mais e melhores meios para combater os fogos que lavram em todo o País, ou para comprar mais máquinas de desencarceramento para acudir às pessoas que ficam presas dentro dos automóveis em que seguiam no momento em que tiveram um qualquer acidente nas nossas estradas.
Convenhamos que é mau para todos, esta crise.
Mas agora, descobrimos que no ano passado o governo que nos (des)governa poupou dinheiro. Pelo que se houve dizer, até poupou muito, apesar de ter comprado umas quantas centenas de carros novos para os seus ministros e deputados e companheiros e amigos, esquecendo-se de comprar umas duziazitas de carros de combate a incêndios ou mais um ou outros avião ou helicóptero para o mesmo efeito, ou mesmo ter mandado limpar as matas que são de todos nós. Mas poupou, e isso é uma coisa boa.
E como uma coisa boa nunca vem só, resolveu, o governo, gastar este ano mais dinheiro do que poderia ou estaria autorizado pelo orçamento. Esse, o dinheiro que poupou no ano que passou.
Os burros dos Portugueses ainda pensaram que esse dinheiro ia ser utilizado para as tais coisitas que são mesmo muito precisas e das quais já falei antes, mas não, o dinheirito poupado, os 546 milhões de euros, sim quinhentos e quarenta e seis milhões de euros, vão, ou foram para serviços que dependem directamente dos serviços dos senhores ministros, quase cem milhões, e o restante para as despesas de institutos públicos.
E se fossem gozar com…. a mãezinha deles?
Começo a pensar que a data de 9 de Setembro peca por tardia.
.
O charme discreto de uma soldadeira* israelita
17/08/2010 by
Eden Abergil é para começar tó-tó: meteu no facebook fotografias da sua vivência militar. A sua vivência militar passava por poses interessantes, usando prisioneiros de guerra como cenário.
Uns blogues publicaram o cenário e Eden Abergil passou a estar a mais, embora as suas atitudes perante a câmara se tenham tornado muito mais interessantes. É um exagero a atenção que se dá a um palestiniano a servir de cenário, no fundo não passa de um indígena.
E gosto da maminha direita da Eden nesta fotografia. Dá mesmo vontade de mexiricar naquele biquito inexistente.
Tá bem assim? já deixei de ser anti-semita?
* não, soldadeira não é feminino de soldado, nem sinónimo de soldada. é mesmo soldadeira.
Adair Turner: uma lição de finanças e de regulação dos mercados
17/08/2010 by
Hoje limito-me a uma sugestão de leitura. Remeto-vos para o artigo de Adair Turner no Jornal de Negócios. O conteúdo do citado artigo desmistifica as teses patológicas do ‘absolutismo do mercado’, mesmo em mentes empedernidas como aquelas que caracterizam dirigentes e técnicos superiores do próprio FMI – apenas 18 meses antes do despoletar da crise, a referida instituição publicava um designado ‘Relatório Global da Estabilidade Financeira’, onde se lia:
A confiança na história de um sistema que se auto-equilibra…
Com efeito, esta crença enviesada neoliberal, denunciada por Adair Turner, constituiu a principal causa ideológica e de comportamentos institucionalizados para a falta de regulação eficaz dos mercados financeiros; e consequentemente para a crise com que os EUA haveriam de contaminar o mundo.
A União Europeia, é sabido, não pôde eximir-se da crise; de resto, no seu espaço geográfico, os males são agravados devido à ausência de coesão das políticas económicas e financeiras dos Estados-Membros. As implicações de maior gravidade incidiram sobre os designados “PIIGS”, de que, infelizmente, Portugal faz parte.
Adair Turner exerce a presidência da Autoridade de Serviços Financeiros do Reino Unido e é membro da House of Lords. Transmite, com conhecimento, qualidade e isenção, uma lição eloquente sobre a teoria do (falso) auto-equilíbrio dos mercados.
Recomendo a leitura do artigo, seguida de reflexão séria; dirijo a recomendação, em especial, a políticos, comentadores, articulistas de opinião, blogueres e outras personagens nacionais que, despudorada ou ignorantemente, escrevem metros e metros de blasfémias contra o papel do Estado na economia, o qual integra um sistema global de regulação consistente e eficaz. Leiam e reflictam!
Espantoso
17/08/2010 by
«Concessionário das Scut manda conta ao Estado por atrasos nas portagens», Público
A não ser que pela introdução de portagens nas SCUT a concessionária passasse a receber mais dinheiro, alguém me explica porque é que estas não terem arrancado traz custos acrescidos?
É de ver que o eventual "desequilíbrio nos contratos negociados" será o mesmo tenham ou não as portagens avançado e que, estivessem as SCUT portajadas, o "suporto técnico aos sistemas" teria igualmente de ser assegurado.
Resta a primeira hipótese. Ou então é mais um episódio da preparação da reentrée.
Um buraco na rede
16/08/2010 by

(adão cruz)
(Dedico este conto, verdadeiro, à amiga Andreia Dias, em homenagem ao seu trabalho e como libelo contra os caçadores) .
Um buraco na rede
Acordei a meio da noite e não fechei mais os olhos. A insónia levou-me onde bem lhe apeteceu.Gemi ao estalar do coração de uma mãe, senti o amargo do choro convulso de um pai, reabsorvi a minha dolorosa resignação…um barco e as amarras que o prendem aos olhos esbugalhados do cais, amarras que se despedaçam, pois ninguém lhes sabe desfazer os nós.
A madrugada de hoje começa a clarear. Quem olha através da rede da janela sem vidros julga que vai nascer uma amena manhã de primavera, mas em breve ela parecerá vomitada do ventre de uma fogueira.
Passarinhos coloridos salpicam de gorgeios o silêncio morno do amanhecer. Um grande insecto marra nervosamente de encontro à rede, numa volúpia incontida de liberdade. Eu e aquele moscardo, à procura de um buraco na rede! De um salto, corri da cama até ao chuveiro improvisado que borrifava sobre mim os mais deliciosos minutos do dia. Enquanto a água escorria em fios esganados, eu ia antevendo o prazer de uma caçada matinal às rolas. Iria pedir a carabina ao libanês Senhor Heyle, o qual, àquela hora, ensonado, não se lembrava que não gostava de a emprestar. De qualquer forma, a mim nunca a recusaria, pois precisava de mim como médico. [Read more…]
Tu pias, ele pia e…
16/08/2010 by
…eu hoje também pio no PiaR.
Um piar sobre o Pacheco Pereira, o José Sócrates, o Pedro Passos Coelho, o Jornalismo com e sem aspas e as agências. Sem esquecer a Britney e a Pamela. “inde ler”, sff.
A águia, o milhafre e a borboleta
16/08/2010 by
(Recebi dois mails muito interessantes, que resolvi transformar em posts, com a devida autorização da Andreia. Este é o primeiro. As reticências significam que suprimi algum texto. Amanhã publicarei o segundo).
Dr. Adão:
Sou a Andreia, de Arouca, bióloga e trabalho com águias de Bonelli. Estive no seu consultório em Julho passado e fiquei de lhe enviar fotografias das belezas que vou vendo nesta nossa encantadora Natureza. Peço imensa desculpa por só agora o fazer, mas como ando sempre a saltar de terra em terra, tinha deixado o seu contacto em Arouca. (…) e já me sinto muito melhor. Estou cheia de energia para lutar e rapidamente voltar a estar apta a subir montanhas e fazer a minha vida normal.
Em anexo envio uma foto de uma águia de Bonelli que capturámos em Maio para colocação de um emissor/GPS. Pode ver o site do projecto em http://www.ceai.pt
Um milhafre-real que fotografei nos Pirinéus no ano passado, mas que existem também em Portugal. Eu estava num abrigo de um alimentador artificial de abutres e o milhafre apareceu para se alimentar também.
Por último, uma borboleta que fotografei em Fornos de Algodres. Foi a 2ª que vi, tendo sido a primeira observação no Gerês, onde trabalhei alguns anos. É uma “pavão-diurno” que põe os ovos nas urtigas.
Espero que aprecie.
Um abraço e até breve,
—
Andreia
—
Andreia
P.S. Comprei e já estou a ler o livro ” O espectáculo da vida ” de Richard Dawkins e é realmente fascinante. Obrigada!

(Águia de Bonelli)

(Milhafre real)

(Inachis io)
O Décimo Túnel da Linha do Minho
16/08/2010 by
A ACOP propõe ao governo a proibição da publicidade a brinquedos nos programas infantis e nos canais destinados exclusivamente a crianças e jovens
16/08/2010 by
A ACOP propõe ao Governo a restrição da publicidade a brinquedos não só nos programas infantis e em canais destinados prevalentemente a crianças e jovens, mas também em canais generalistas, das 06.00 às 24.00 horas.
Trata-se de uma medida menos gravosa que a de Países como a Suécia e a Noruega onde se proíbe toda e qualquer publicidade dirigida a menores de 12 anos, mas que se justifica porque o assédio de que os menores são alvo representa algo que a própria Directiva das Práticas Comerciais Desleais condena, com expressa alusão às exortações dirigidas a um tal estrato sócio-etário, que de todo se vedam.
Quem não berra não come
16/08/2010 by
Os fundos comunitários desviados das regiões mais pobres para Lisboa já ultrapassam 154 milhões de euros, o suficiente para construir três centros materno-infantis no Porto. Foi um aumento de seis milhões em meio ano, tendo o ritmo de aprovações abrandado.
A isto não se chama desvio, concentração, opções políticas ou estratégicas. Nem sequer se chama ‘país a duas velocidades’. Chama-se uma vergonha!
Cada vez me convenço que, no seu jeito truculento, Alberto João Jardim tem razão. Quem não grita, quem não berra ou ameaça não come.
Os golos do Benfica 1 – Académica 2
15/08/2010 by
Os Pardalitos do Mondego voltam a calar a ave de rapina. Grande jogo da Briosa, metade feito com 10 contra 12.
Uma vitória a dedicar aos comentadores da bola que no lançamento do campeonato chegaram ao ridículo de omitir a existência da Académica.
0-1
http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/UhKN4nZDBcwfNB7357fk/mov/1 [Read more…]
Weeds, já se pode começar a fumar a 6ª temporada
15/08/2010 by
A minha série de TV (quem não tem a sua é viciado em televisão, trate-se) estreia a 6ª temporada no próximo dia 16.
Weeds tem tudo o que eu preciso para ficar agarrado a uma televisão. Ou melhor: a uma televisão com DVD, que lá os vou comprando, fora as caixas com que me presenteiam.
Se outros motivos não tivesse (das representações à realização passando pela música e pelo argumento) o simples facto de alguns animais ganirem que se trata de um despudorado convite ao consumo da dróga chegava.
Com esta enorme cereja sobre o luminoso bolo: Jenji Kohan, a autora, já percebeu que série que é série não se vê na RTP2, descarrega-se da net:
“Não espero ficar rica com Weeds e estou feliz de que esteja por aí. O Showtime é óptimo, mas tem uma audiência limitada. Se dependesse de mim, a série inteira estaria disponível agora”.
Donde o primeiro episódio da nova temporada já estar ao alcance de uns cliques, convenientemente legendado em maconhês (perfeitamente aceitável para o falante de qualquer variante da língua portuguesa, sublinhe-se). Por este caminho.
reimpressão
Gostaria que alguém me desse uma explicação convincente.
15/08/2010 by
1 – Fizemos, eu e familiares, uma viagem de carro, no mês passado, percorrendo cerca de 4000 quilómetros por Espanha e França, quase exclusivamente por campo e floresta. Não vimos um único incêndio. Achámos que o calor não era muito, e talvez a isso se devesse a inexistência de fogos. No entanto, mal chegámos a Vilar Formoso vimos, de imediato, no horizonte, três focos de incêndio. Pouco depois da Guarda, as notícias davam conta de dezanove incêndios activos em Portugal. Gostaria que alguém me desse uma explicação convincente.
2 – Uns amigos fizeram nos últimos dez dias uma viagem muito semelhante à nossa e viram um único incêndio, de pequenas dimensões. No entanto, as temperaturas eram muito elevadas. Por cá é o que se viu e o que se vê. A continuar assim não vai haver Portugal para arder. E, ainda por cima, os meios galegos ajudam no Minho e os franceses emprestam aviões. Não falando na ajuda que os bombeiros foram buscar a Fátima. Gostaria que alguém me desse uma explicação convincente.
3 – Como é possível que uma coisa chamada ERS (Entidade Reguladora de Saúde) que ninguém sabe para quê e por que foi criada, (presumivelmente para regular as instituições prestadoras de cuidados médicos), mas mais provavelmente para limpar cem euros anuais a cada médico, venha dizer que há cerca de trezentas clínicas ilegais neste país!!! E nada faz, para além de tentar arranjar, sem sucesso, alguma justificação para a sua existência. Toda a gente sabe que há cem, trezentas ou mil, entre clínicas, consultórios e gabinetes a exercer ilegalmente actos médicos, muitos destes sítios sem quaisquer habilitações. Em dois deles, vi eu, nem o nome das especialidades sabiam escrever na placa! Gostaria que alguém me desse uma explicação convincente.
Piada de ocasião
15/08/2010 by
A notícia: «Sporting começa campeonato com derrota na Mata Real», no Público.
Imagem de fundo: a mesma que ilustra a notícia.
O trigo e o joio
14/08/2010 by

(adão cruz)
O trigo e o joio
(Jesus disse: O Reino dos Céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo…).
“Nos braços ou à cabeça, são milhares os sacos de trigo que os peregrinos trazem e deixam em Fátima durante a missa internacional da Peregrinação do Migrante e Refugiado. A oferta, que se repete todos os anos no 13 de Agosto, destina-se ao fabrico das hóstias do Santuário e assegura parte da produção anual. No ano passado, ultrapassou as seis toneladas.
Os peregrinos, incluindo muitos milhares de emigrantes, saíram ontem de Fátima mais leves depois da missa de encerramento, ao final da manhã. No Santuário ficam algumas toneladas de trigo – 6440 quilos em 2009 e 5543 no ano anterior – que servem para fabricar parte das 20 mil hóstias e quase milhão e meio de partículas (hóstias pequenas) consumidas todos os anos no Santuário”. [Read more…]
Assinar o Expresso online: uma grande banhada
14/08/2010 by

Quer deitar dinheiro fora? assine o Expresso.
Primeiro porque a versão que disponibilizam aos assinantes é do pior que há no mercado: só o pode ler mesmo online, num formato onde a utilização de um monitor com menos de 20 polegadas transforma a leitura num suplicio. Ainda gozam connosco no momento em que mudamos de página e ouvimos o som de um jornal em papel, como se a leitura digital fosse uma mera transposição do mundo do Gutenberg para outro suporte.
E depois porque como acontece hoje, e é recorrente, o site assineja está em manutenção. As manutenções começam regularmente nas sextas à noite, e podem prolongar-se por todo o fim-de-semana. Acresce que já várias vezes tive de mudar a password, já que o site se esquece da que tinha, e se torna na única forma de contornar o problema. Reclamar resulta em receber vários dias depois uma mensagem garantindo que nada aconteceu, está tudo bem, e insinuando que nós é que nos esquecemos da dita cuja (mesmo que tenhamos feito copy past dela).
Quando a minha assinatura acabar não a renovarei, é certo. Como a razão de o ter feito (quilos de papel que nunca lerei, e não falo só de publicidade), o Expresso perderá um leitor, que com alguns intervalos vem do primeiro número. Assim suicidas as tuas empresas Balsemão. É pena.
A ACOP pretende que as isenções de taxas de justiça e custas em vista de uma justiça acessível e pronta sejam repostas
14/08/2010 by
A ACOP – associação de consumidores de Portugal -, de interesse genérico e âmbito nacional, sediada em Coimbra num gritante desafio à centralização que continua a perspectivar o “País como paisagem” porque só Lisboa encarna essa vocação – a de ser País e nada mais que País -, recorda que os consumidores viram esvaziado de conteúdo o direito a uma ”justiça acessível e pronta”.
Com efeito, o DL 34/2008, o qual baixou o Regulamento das Custas Processuais, ao revogar, no seu artigo 25, as disposições em contrário, cometeu essa vilania – a de fulminar de modo ínvio o acesso do consumidor à justiça, no que isso tem de fundamental para a vida do dia-a-dia, para a vida dos cidadãos.
Todos, até o Ministério da Justiça, parecem ignorar o que o artigo 25 do invocado diploma legal prescreve e cumpre lembrar:
“1- São revogadas as isenções de custas previstas em qualquer lei, regulamento ou portaria e conferidas a quaisquer entidades públicas ou privadas, que não estejam previstas no presente decreto -lei.”
E o que dizia o artigo 14.º da LDC – Lei de Defesa do Consumidor?
O fim da pausa na política
14/08/2010 by
Incêndios e calor à parte, assim como a revolta da impotência para contrariar tais calamidades, sentimos e gozamos, nesta quinzena de Agosto, a costumada paz política estival. Políticos de férias, uns cá dentro, outros lá fora, e os cidadãos acabam por beneficiar do silêncio das vozes que gritam e os agitam, mesmo quando os discursos se fazem em surdina. Estamos também libertos da prosa jornalística de políticos, ora amistosa, ora polémica. Depende dos efeitos e audiências a que se destinam, em cada momento.
Rodeados de imagens de labaredas, de corpo cálido, húmido e de volta e meia refrescado por dentro e por fora, cá vamos desfrutando da serenidade devida à ausência dos políticos para banhos. Banhem-se à vontade! Nós, no vagar próprio da calmaria do Agosto na cidade, mergulhamos com suavidade em saborosos prazeres do nosso contentamento. Pode ser na leitura, num filme, na navegação pela Internet; ou mesmo em conversas de amigos, agora despidas da política, temporariamente arquivada. Uns pensam isto e outros defendem aquilo, mas a controvérsia, agora, não se senta à mesa connosco. Retirou-se também para férias.
Que felicidade sublime me traz esta pausa política! Não pela política, que essa, coitada, não tem culpa alguma. As responsabilidades recaem, sim, sobre aqueles que a usam para trepar na vida. Traçam caminhos nodosos, porque, tristeza das tristezas, boa parte deles está convencida de saber o que desconhece. E decide! Simula segurança para ocultar a ignorância. No fundo, está na moda a produção de um tipo de políticos que até seria desprezível, se não tivesse a força de imposição, a muitos, de caminhos difíceis, proporcionando, a poucos, grande fatia de privilégios. Ah é verdade: e, ‘como quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não tem arte’, um conjunto deles também se serve do melhor. Tem essa suprema arte.
Infelizmente, esta paz é temporária. Está prestes a exalar-se do nosso dia-a-dia. Os principais artistas, pouco falta, estarão de volta e… “the show must go on!”. Com o nó-de-adão bem esticado, lá voltarão os ditos e gritos sobre a revisão constitucional, o PEC, o OGE e tudo o mais que nos trama a vida, porque a solução é recorrentemente mal escolhida. Se assim não fosse, até os saudaria: “Bem-vindos neste vosso regresso!”. Porém, tenho de reconhecer que há muita gente que os saúda com votos. É o tributo próprio da democracia.








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