Um país que arde…

portugal queimado

saber- camadas de ideias heterogéneas

parte de um livro meu.. que em estes dias trabalho…

Steven Stoer (1991 e 1998), Luiza Cortesão(1995 e 1988)), Luís Souta (1997), de entre os meus próximos na pesquisa, ficavam encantados com uma situação de objecto científico como esta. Encantados, porque é uma situação multicultural, á qual eu acrescentava, multitemporal. Porque a multicultura, não é apenas a etnia diferente. É também o tempo diferente, as gerações diferentes dentro do mesmo tempo, e, mais ainda, o saber diferente. Victoria, Pilar, Anabela, estão a retirar o seu saber para avaliar, das camadas de ideias que, um dia, ficaram todas coladas. Coladas pela sua sedimentação no tempo, pelo sincretismo que a população teve que organizar, para juntar normativas condutoras do comportamento, provenientes de outras épocas. Bem como, de outros Continentes. E de outras terras do mesmo Continente. E de outras experiências conjunturalmente mutáveis. E de outros costumes, credos e leis. Embora, sintetizadas de forma subsumida, á época actual. Subsumida á Historia, á sua interpretação, á cronologia que vou referir  mais em frente, como tempo. Dentro de um conjunto heterogéneo de experiências comportamentais. Onde, como diriam Goody (1986) e  Scribner & Cole(1981 e Gough(1981) e Locke (1690), a escrita abafou á oralidade. Uma oralidade que fez os mitos(Levi-Strauss(1962b),Godelier(1984), Freud(1913), lembrados apenas nos factos da troca reprodutiva, na orientação da afectividade,  nos santos, e nas festas. De facto, para Victoria é normal que um homem tenha muitas mulheres. Um homem sem muitas mulheres, acaba por não ser do género masculino. O papel do homem é coordenar o trabalho reprodutivo, quer do conhecimento tecnológico, quer do trabalho das pessoas, quer ainda, do tempo. [Read more…]

O Xarajib de Silves

Santi Palacios

Uma visão das “Mil e Uma Noites”. foto Santi Palacios

“O palácio do Xarajibe, de Silves, foi, no Ocidente, uma autêntica visão das “Mil e uma Noites”. Cantaram-no os poetas com o mais alto requinte, adornaram-no os artistas com obras de estranho lavor, celebraram-no os historiadores, como encantadora residência principesca. Dessa harmonia chegam até nós os ecos apagados, num suave murmúrio…E o Xarajibe esplende, de novo, rebrilhando em vivos fulgores. Ficaram célebres as suas noites de festa e de música, de poesia e de dança, de encantamento sem par; as suas tardes suaves e mornas, de doces afagos, de reflexos violetas e de branda penumbra; os seus dias claros e ardentes de tragédia e de luta, em que os pátios e os mosaicos das salas se tingiram do sangue da vingança e do crime; as suas madrugadas de terrores, de suspeitas e de alucinações; as suas manhãs de iluminura, aureoladas pela esperança de novas e felizes alianças; as suas horas de fogo e de guerra, em que tudo se joga e tudo se ganha ou perde. Evocar o Xarajibe é evocar uma época, um estilo de vida _ a época e o estilo de vida dos luso-árabes.”

In “Atlântico” por José Garcia Domingues (DOMINGUES, 1997, pág. 155) [Read more…]

Ex-ministro, a melhor profissão em Portugal

Manuel Pinho vai ensinar energias renováveis para uma universidade americana. E agora descobre-se que a cadeira é paga pela EDP (3 milhões, ao que consta).

Deve ser a isto que eles chamam um investimento estratégico.

Blasfemando


No Blasfémias, Helena Matos chama-nos a atenção para um texto de JMF, apontando as razões pelas quais existem tantos incêndios no nosso país. Como se fosse preciso recorrermos aos bons ofícios de JMF, para destrinçarmos as causas das calamidades de verão. Já há mais de quarenta anos, anda Ribeiro Telles a apresentar as falhas, as negociatas, os crimes, o desleixo e principalmente, as urgentes soluções para o reordenamento do território. É este o problema fundamental que arrasta atrás de si todos os outros, desde a desertificação, liquidação dos recursos agrícolas, deterioração das águas e até, a própria estrutura política de um Estado, sem rei nem roque. Neste país onde existem “comissões ad-hoc” para tudo e mais alguma – invariavelmente “encartes” para amigos, amigas e primos e primas, camas e mesas várias -, Telles sabe o que diz. Tem um projecto e faltam apenas, os poderes para o executar.

Tenho JMF em boa consideração, mas, francamente, virem agora “descobrir a pólvora” num artigo do Público? Isso é uma blasfémia, Helena.

Serviços de valor acrescentado: a trapalhada do costume, a vigarice de sempre…

O n.º 3 do artigo 1.º do DL 175/99, de 21 de Maio, que rege em matéria de publicidade e de prestação de serviços de audiotexto, introduzido pelo DL 63/2009, de 10 de Março, veio aditar o texto que segue:

 “São serviços de valor acrescentado baseados no envio de mensagem os serviços da sociedade de informação prestados através de mensagem suportada em serviços de comunicações electrónicas que impliquem o pagamento pelo consumidor, de forma imediata ou diferida, de um valor adicional sobre o preço do serviço de comunicações electrónicas, como retribuição pela prestação do conteúdo transmitido, designadamente pelo serviço de informação, entretenimento ou outro.”

Mas, ao contrário do que sucede no audiotexto – no suporte do serviço fixo de telefone -, os serviços de valor acrescentado com base em mensagens suportadas nos serviços de comunicações electrónicas, em lugar de serem proibidos, são lícitos e inverteu-se a tendência natural (a saber, a de só se poder receber mensagens se se inscrever o nome em lista adoptada para o efeito) para se consentir que os operadores disparem em todas as direcções, a menos que os consumidores se auto-excluam.

E, para o efeito, o DL 62/2009, da mesma data, acrescentou estes números ao artigo 22 da Lei do Comércio Electrónico, de 7 de Janeiro de 2004:

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Insossos por decreto

film strip - sal no pão

Mais: The Portuguese way.

Imagem de fundo: Creative Food Sculptures.

Incêndios: última hora

Serve o presente para informar todos os interessados que a exemplo do nosso PR e do nosso PM vou interromper as minhas férias para me deslocar a uma área ardida e de seguida a uma sala com alguns elementos da Protecção Civil devidamente fardados e acompanhados de jornalistas. A isto alguns chamam solidariedade. Outros preferem ver na coisa um populismo bacoco…

Adenda: Ups, não estou de férias…

Adenda 2: Avisem o Paulo, o Pedro, o Anacleto e o Sousa. Eles entram a seguir.

Obrigado.

Adeus, Estação da Trofa…

A partir de dia 15 deste querido mês de Agosto de 2010, os comboios deixaram de passar na patrimonial e mais-que-centenária estação ferroviária da Trofa. A nova abre no dia seguinte. É o fim de um ciclo e de uma certa cidade.

A protecção dos trabalhadores contra o fumo em segunda mão (fumadores passivos)

A ACOP exige revisão da lei antitabáquica.

Mercê da subversão das normas e da estranha opção que acabou por se sedimentar, os trabalhadores dos estabelecimentos de bebidas (cafés, snack bares e similares) “qualificados” como “azuis” (em que se fuma indiscriminadamente) não têm qualquer protecção.

Com a extrapolação da regra para os restaurantes, independentemente da área prevista por lei, fenómeno análogo se observa, vale dizer, durante o período laboral ficam expostos, sem remissão, ao fumo dos comensais fumadores, não se poupando aí sequer os menores que acompanhem os seus familiares.

Há locais de trabalho em que as zonas reservadas aos fumadores são contíguas (sem qualquer protecção acrescida) às que se consignam às tarefas laborais, o que subverte em absoluto o escopo da lei.

Não houve, por razões compreensíveis, qualquer investimento nas zonas de fumo das instalações laborais, o que causa natural incomodidade aos trabalhadores que fumam com as quebras sensíveis que se registam nos ritmos de trabalho e no rendimento específico de cada um e todos.

Situações de manifesta desigualdade e ausência de proporcionalidade entre os que fumam e os que resistem ao tabaco e aos produtos do tabaco.

Com a exposição dos trabalhadores, em situações climatéricas de ponta, às inclemências do tempo, as enfermidades disparam e o absentismo, ainda que não medido pelas estâncias do poder e as estruturas da saúde, cresce exponencialmente.

Referência ao facto de a OMS haver sustentado, desde sempre, que não há sistemas eficazes de extracção de fumos, mas o mais grave é que, por razões de economia, mesmo os precários sistemas implantados nos estabelecimentos de restauração, de bebidas, cafetaria e similares, só episodicamente funcionam com os efeitos negativos daí decorrentes.

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Ainda a "guerra atómica de JMF" no Blasfémias


Vivemos num mundo a abarrotar de gente manienta. Decidi encerrar o assunto de um post que resvalou para a esperada polémica digna de mesa de tasca, com estas considerações finais. E mais lá não voltarei. Não vale a pena.

“Relevando dichotes acerca da sanidade mental daqueles com quem tem esgrimido argumentos, deixo-lhes umas breves e derradeiras notas, encerrando este triste aniversário atómico, que pelo que parece, é susceptível de relativização. O senhor faz exactamente aquilo que o Kremlin fez em 1985, quando escondeu do mundo e do seu próprio povo, o colossal desastre de Chernobyl. O senhor faz precisamente aquilo que o Kremlin fez, quando exterminou milhões de ucranianos pela fome e pelos pelotões de fuzilamento, pretendendo que tudo se passou devido aos “condicionalismos de guerra”. O senhor passa assim uma carta em branco, à dinamitação das provas que um pouco por todo o Ocidente – Reich incluído -, eliminavam os resíduos de actos criminosos perpetrados contra uma massa imensa de gente que dentro do bolso, tinha a identificação que correspondia ao que designamos por Europa: alemães, polacos, russos, franceses, espanhóis, italianos, húngaros, holandeses, ingleses, checos, etc, etc.
Tudo relativo, não será assim?
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António Pocinho, 1958-2010

Morreu o Tó Pocinho. E não me apetece escrever mais nada. Roubo-lhe um texto:

Carta  a José Sócrates

No caso de eu ter sido baptizado com um nome destes, o de filósofo grego, a primeira coisa que faria quando chegasse a primeiro-ministro seria declarar: “Só sei que nada sei”. E daí, de esse acto de humildade e inocência tinha a minha carreira de governante automaticamente e em todos os casos perdoada. Durante as interpelações ao governo no Parlamento, em vez de mostrar cornos ou chamar nomes ao inimigo, poderia confrontá-los com um lapidar “conhece-te a ti próprio”, ou “senhor deputado, conheça-se a si próprio”, o que nem um “penso logo existo” de Paulo Portas conseguiria neutralizar. Isso daria ao adversário a possibilidade de reconhecer também a sua face oculta e a sua própria sucata. A declaração irónica de Sócrates certamente cairia muito bem num qualquer inquérito parlamentar, fosse ele na Comissão de Ética ou em qualquer das muitas comissões que o Parlamento tem para apurar a comida e a mentira. “Quanto ao caso Freeport (ou Porto Livre, em linguagem de piratas) senhores deputados, só sei que nada sei”. “No caso Face Oculta, senhor deputado, pois se ela é oculta, como a outra face da Lua, só os astronautas e as equipas de investigação da NASA a podem alcançar”.  “Quanto ao desemprego, ao défice, ao umbigo de Manuela Moura Guedes, só sei que nada sei”.

Como diria Sócrates, o filósofo ateniense: “A eloquência é a arte de aumentar as coisas pequenas e diminuir as grandes”.

publicado em para que serve o homem

Hotéis e clínicas médicas sem licença pode ser, bolas de berlim na praia é que não

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O Diário de Notícias avisa-nos que o hotel de cinco estrelas Crowne Plaza, em Vilamoura, está a funcionar "sem alvará de utilização". É normal.

Acontece com hóteis, clínicas médicas, restaurantes e muitos outros estabelecimentos. Podem abrir sem legalização. E sem problemas.

Agora se for para vender bolas de berlim na praia, lá isso, não… Afinal somos um país europeu.

No PS há filhos e enteados (o que terá o candidato Manuel Alegre a dizer sobre o assunto?)


Pelos vistos, caro Rodrigo (como diria o outro, posso tratar-te por tu?), parece-te que é muito diferente participar com lista própria contra a lista do Partido nas Eleições Autárquicas ou participar em nome próprio contra o nome que é apoiado oficialmente pelo Partido nas Eleições Presidenciais.
Lendo o ponto 5 do Artigo 94.º dos Estatutos do PS, não me parece: «Considera-se igualmente falta grave a que consiste em integrar ou apoiar expressamente listas contrárias à orientação definida pelos órgãos competentes do Partido, inclusivé nos actos eleitorais em que o PS não se faça representar».
Ou seja, nos Estatutos do PS não há qualquer distinção entre listas partidárias e listas suprapartidárias. E sabes muito bem que, nas Presidenciais de 2006, os «órgãos competentes» do PS apoiaram expressamente Mário Soares.
O que será que pensa Manuel Alegre sobre o assunto?

Em tempo de berreiro…


Uma oportuna crónica, para ler aqui:
“Bombacci foi líder do Partido Socialista Italiano com Mussolini e, depois, um dos fundadores do Partido Comunista Italiano. Após a Marcha sobre Roma, com o consenso mussoliniano com o velho liberalismo, a Igreja e a Monarquia, Bombacci manteve-se fora. Com a ruptura do consenso, com a derrota militar e a criação da República de Salò- um Estado fantoche manipulado pelos alemães – deu-se aos “velhos fascistas” poder para reeditarem as premissas do movimento. Não podendo governar (os alemães não o deixavam), empenharam-se na “purificação” do fascismo. E o que nasceu desse esforço ? Republicanismo, defesa das nacionalizações, formulação de uma teoria de co-gestão empresarial, sindicalismo revolucionário, anti-catolicismo militante.
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Trabalhos Forçados a Limpar Matas, Apagar Fogos e Prisão Perpétua

E O MESMO PARA OS SEUS MANDANTES

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A par das mais ignóbeis acções, a de incendiário merece nesta altura do ano, sempre e todos os anos, o mais veemente repúdio de toda a gente. Bem, de toda não, já que há muita gentinha que lucra enormemente com os incêndios e de entre essa, bastantes há, demasiados mesmo, que incentivarão outros para que os provoquem.
Também amiúde, um ou outro dos incendiários do nosso País, é apanhado. Uns com a boca na botija, vulgo em flagrante, e outros não. de uma maneira ou de outra, são considerados “alegados incendiários” e em pouco tempo andarão de novo em liberdade, para poderem continuar com as suas acções.
Em Portugal, os coitadinhos dos meliantes, mesmo os que tenham cometido [Read more…]

The Portuguese way

Entra hoje em vigor a lei que impõe limites ao teor de sal no pão.  Como se escreve no editorial do Público, «países como a Inglaterra ou a Finlândia conseguiram bons resultados apenas com campanhas, sem nenhuma lei, mas Portugal, que tem por hábito inventar leis para tudo, aprovou mais esta». O fim é de salutar mas os meios para lá chegar são discutíveis.

Será certamente por decreto que lá vamos. O facto de actualmente quem quiser comer pão sem sal o poder fazer sem problemas não tem importância. Urge, isso sim, uma lei de costumes à boa moda do Socialismo. Porque, como se sabe, o proletário é ignorante e precisa do Estado-Papá para lhe dizer o que pode ou não pode levar à boca.

Sai um decreto flambé, sff

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Volta e meia, independentemente do ministro que esteja em funções, lá vem a conversa do Estado poder meter o nariz na propriedade privada. No caso presente, fala-se do Estado tomar posse de terrenos particulares. Antes, em 2008, foi Jaime Silva com uma teoria quanto às partilhas.

Atente-se nas declarações do ministro da Agricultura (via TSF): "(…) estão a ser estudados «alguns instrumentos» de «agravamento fiscal para quem não utiliza as terras, não as mantém, não as arrenda ou não as vende». Estão também em estudo «instrumentos mais agressivos», como «o Estado vir a tomar posse de determinada propriedade para mais tarde fazer uma concessão para privados com experiência na gestão de espaços florestais ou outros», acrescentou António Serrano". [Adenda: reacções à ideia do ministro]

Portanto, cavalgando o caos dos incêndios, aproveita o ministro para apresentar adicionais fontes fontes de receita, pelo agravamento fiscal e pelas concessões, que (aposto) não serão gratuitas.

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Porque teima Narciso Miranda em permanecer no PS quando não o querem lá?

A questão da disciplina partidária é sempre algo de muito melindroso. Há que pesar os aspectos de fidelidade ao partido e a componente de liberdade de pensamento individual, por exemplo.

O que tenho dificuldade em perceber é porque é que os ‘sócios’ dos partidos políticos que são alvo de processos de expulsão teimam em querer ficar num sítio onde (pelo menos num dado momento) não são desejados. É certo que é apenas um entre muitos, mas porque teima Narciso Miranda em permanecer no PS quando não o querem lá?

o dia de são lourenço é a festa de Vilatuxe

São Lourenço de Vilatuxe, mártir cristão, patrono de Viletuxe

Parte de um livro que escrevo na actualidade

O reino da Galiza tinha já sofrido diversas invasões. Como nas lembranças sociais de Victoria, nas de Pilar há também uma memória social que as repete. Mas, ao contrario que no caso de Victoria e os seus pares. Porque para Victoria, a Conquista é uma benção que permite que um povo Nativo, seja primeiro um Reyno, depois um Estado e República independentes, autónomo. O que, como Pilar, a sua família e os seus pares, sabem que não é assim na Galiza. A Galiza é Celta, é Romana, é Sueba, é Visigótica, é Castellana, é Lusa, é Española, é autónoma, como Estado parte do Estado Español, entre os séculos antes de Cristo e o dia de hoje. [Read more…]

Uma pequena achega para a história do cartoon em Portugal

Uma obra prima do grande Abel Manta. Criada logo no pós 25 de Abril (1974, nada de confusões) e que marca no humor nacional o tempo em que muito boa gente publicava anúncios nos jornais garantindo não ter tido nada, absolutamente nada, nem um bocadinho, de participação no regime na altura acabado de depor. Aliás, nesse tempo mesmo muito remoto, ninguém tinha alguma vez aplaudido o tal de Salazar.

Nesse tempo vincou a expressão vira-casacas, e  era mais por medo acorriam ao alfaiate. Mais tarde, ficou o clássico oportunismo, não caracterizando exactamente alguém se faz às oportunidades.

Estando as oportunidades, agora novas,  um bocado queimadas como expressão caracterizante do mesmo espírito e prática, temos de criar outra. A base para a inspiração é imensa. Não me afoito.

Claro que isto não vem exactamente a propósito das últimas ocupações umbiguistas do Paulo Guinote, embora me pareça que anda com falta de ilustrações para alguns dos seus postes (a malta é de História, ele é um bocadinho mais novo).

Mas estou de férias e apeteceu-me preparar uma aula para o ano lectivo que vem. Vícios.

A cona da mãe de Luis Horta

Pelos vistos, a ofensa de Carlos Queirós a Luis Horta, durante o estágio da Selecção, resumiu-se a algo como isto: «Se fosses fazer o controlo anti-doping na cona da tua mãe!»
Compreende-se que Luis Horta não tenha gostado e que tenha ido fazer queixinhas ao seu superior. Afinal, mãe é mãe e, imaginando-se a frase no seu sentido literal, a cena não se torna lá muito agradável.
Mas sejamos sinceros: em nenhuma parte do mundo essa frase seria justa causa para despedimento, sobretudo num mundo com as características do futebol (e já se esqueceram quem é Luis Horta?). Nem sequer uma razão atendível, seja lá isso o que for.
Querem despedi-lo por maus resultados e mau futebol? Força, mas então não inventem outras razões.

Nossa Senhora das Portagens

Apareceu numa azinheira na Área de Serviço de Alvão (norte) da auto-estrada (a pagantes) A7, ali entre Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar. Confesso-me espantado, já eu vira muitas obras de arte nas Áreas de Serviço de muitas auto-estradas. Nunca antes tinha vista uma Nossa Senhora das Portagens (só pode ser). Ainda bem que o Estado é laico e católico ao mesmo tempo…

Ter memória e…

… ser agradecido! Obrigado por tudo, Deco!

A Google trocou o “do no evil” por “do money”?

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Depois do “Do no evil!” estará a Google a entrar numa nova fase? Andará o dinheiro, a tentação do poder e do controlo a subir à cabeça dos senhores que fizeram o maior sucesso empresarial do mundo dos últimos dez anos? Esqueceu a Google o poderoso contribuiu – suportado na neutralidade da internet – que os utilizadores dos seus serviços tiveram para ser o colosso que é hoje?

Pensará que o pedestal onde foi colocada não lhe pode ser retirado um dia, quando o “do no evil” estiver morto e enterrado?

Pensará que apenas por ser uma proposta Google, o mundo vai levantar-se num clamor e aplaudir? Acharão mesmo que o futuro da internet ou de uma qualquer rede mais ou menos parecida passa pela criação de divisões entre os ricos e os pobres? Acreditam realmente que uma melhor internet e uma melhor distribuição de dados passa por criar uma divisão entre quem paga e não paga?

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Há judeus com cara, há sim senhor

É fatal: escrevo duas linhas sobre sionistas e na caixa de comentários aterra a brigada mossad. Limpinho.

Como não tomo uma parte do povo judeu pelo seu todo, fica aqui um exemplo de que nem todos os judeus evoluíram para sionistas. Norman Finkelstein é atacado por uma jovem chorando lágrimas de crocodilo, e responde-lhe a doer:

E assim fica demonstrado haver quem saiba honrar a memória dos seus pais.

vídeo legendado em castelhano, via Renato Teixeira.

Ainda o romance de Lúcio e Rosalina

Tudo o que se tem escrito e dito nos últimos dias na comunicação social, sobre o assassínio de Rosalina Ribeiro, é estranho, mesmo muito estranho. E merece que revisitemos o tema.

Em primeiro lugar, o assassínio foi ocultado à opinião pública, desde Dezembro de 2009 e apenas há dias, poucos, começou a ser notícia de primeira página dos jornais e dos noticiários televisivos em ‘prime-time’. Estranho!

Em segundo lugar, dá-se conta que o assassínio ocorreu pouco tempo depois de um encontro de Rosalina com o seu advogado, Duarte Lima. Desapareceram apenas documentos, inclusivamente de identificação de Rosalina. As jóias ficaram. Muito estranho!

Para adensar a suspeita da relação de Duarte Lima com este caso, hoje proliferam na imprensa, jornal ‘i’, Publico e  TVI, notícias das declarações de Olímpia Feteira, filha do empresário e também ex-administradora da Covina. Diz Olímpia que, no espaço praticamente de 5 meses e com início em Janeiro de 2001 – o pai morrera em Dezembro de 2000 – foram feitas transferências de cerca de 5,25 milhões de euros, a favor de Duarte Lima. É também uma estranha intumescência!

A filha do empresário, que estava em disputa judicial com Rosalina, alega nunca ter visto o conhecido advogado em tribunal e que honorários de 5,25 milhões de euros em 5 meses são, de todo, injustificáveis.

A confirmar-se a realização das avultadas transferências, Duarte Lima, em nossa opinião, tarde ou cedo, terá de a explicar. O valor parece, de facto, absurdo, por elevado. Ou então Duarte Lima é dos advogados mais caros do mundo, ou até o mais caro do planeta, e ninguém em Portugal sabia. São as tais preciosidades do tecido humano-político e profissional em que a nossa terra é fértil.

O Ramadão Que Deveria Haver Em Cada Um De Nós

Começa agora o mês sagrado do Islão.

Para nós, os que não somos Muçulmanos, o jejum alimentar é a parte mais visível do Ramadão. Durante este mês, os crentes não podem comer nem beber, entre outras coisas, entre o nascer e o pôr do sol, com honrosas excepções.

É um dos pilares do Islão, e serão cerca de dezasseis, as horas diárias de jejum.

Há porém uma parte escondida neste jejum, da qual nós, os que não somos Muçulmanos, não falamos.

Mas não são os fiéis que a escondem, somos nós que não a queremos ouvir. Talvez que não nos convenha.

É que o jejum não se limita a ser físico. [Read more…]

Novas Ligas

Ainda agora o esférico começou a rebolar-se no relvado, e já uma equipa de luxo deu o primeiros toques e ameaça a concorrência na arte de bem comentar.

Na Liga Aleixo.

não se importe, não fica obrigado

a solidão do escritor

Para os amigos que apresentaram os meus novos livros… e para os que ouviram a apresentação, essa, a minha família inventada… em memória desse dias em que eu tinha amigos…

É comovente, é difícil de entender, e voltar a ser criança, é uma festa que parece não ser merecida. É um presente. Esses embrulhos amados pelas crianças. Especialmente na época do Natal. Essa impaciência pela surpresa do que deve estar dentro dos pacotes/embrulhos ai. Impaciência que nem deixa dormir em paz. Impaciência do imaginário. O que será, o que há dentro do pacote? Uma carícia, um mimo, uma maré de seres humanos? Os mais novos sempre ficam à espera dessa noite de Natal, com ou sem consoada. Os mais velhos voltam a ser crianças a partir do momento que sabem, como eu, que deve haver uma festa, tudo por causa de livros. Ideias usadas apenas pelos que têm esse pensamento, por mim denominado doutoral e não pensamento do povo ou vulgar. Povo ou vulgar, por outras palavras, pensamento válido da mente cultural, outro conceito criado por mim, o que me dá direito de autor.

Quem deve aparecer, o que vão dizer? Parece-me que os livros são bons, têm sido muito trabalhados, muito pesquisados, muito provados. Dos dois que vão ser apresentados, há um que parece ser igual a um anterior, só por causa do título. Será que vão ler o conteúdo para reparar que é substancialmente diferente? A impaciência do adulto feito criança perante o segredo e o silêncio eterno dos que preparam a festa.

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