As crianças crescem

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(texto em quatro andamentos, escrito velozmente ao som de Tchaikowsky)

Para o meu primo consanguíneo Pablo Morales Redondo, falecido anteontem

Pequena introdução

Éramos 21 primos consanguíneos, filhos de cinco imãs e de um único irmão. As nossas férias ou eram na nossa quinta de Laguna Verde, sempre juntos, ou nas várias fazendas da família. Sempre juntos, agrupados apenas por grupos de idades. Pablo era o rei dos primos, o mais velho, o mais elegante, o mais sábio. Sabia partilhar a sua sã alegria com os seus pais e as suas irmãs. Ironias do destino: nasceu num primeiro de [Read more…]

Crianças, os senhores do mundo esmagam os fracos?

Salvador AllendeXanana

…meditação de docente perante discente…no começo do ano escolar… a uma pequena que nunca foi a escola antes deste dia

É com uma certa tristeza que vos digo isto. É com stress e melancolia. É a lamentar não poder ser poderoso perante vós. É a pensar que é bem possível que eu seja um senhor do mundo em frente dos pequeninos. É a reparar que, por vezes, a vida nos [Read more…]

Neoliberalismo e Materialismo Histórico

Parlamento

Estou ciente de ter escrito este texto antes de escrever e publicar o que escrevi e publiquei ontem, 28 de Agosto, com o título de Materialismo Histórico, definindo a maneira dos Marxs e Friederich Engels: materialismo histórico é uma abordagem metodológica ao estudo da sociedade, da economia e da história que foi pela primeira

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materialismo histórico

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Parece-me redundante falar do materialismo histórico. Bem sabemos que Marx o retirou dos Manifestos de Babeuf, dos seus estudos com Hegel em Berlim. No texto de 1848, A ideologia Alemã, Marx, Engels, e Jenny Marx ou a Baronesa Prussiana Johanna von Westphalen, de forma firme e decidida, proclamam e argumentam que não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência. Ideia retirada de Hegel, da sua investigação entre os operários, especialmente da AIT, dos debates que tinham entre eles sobre as leituras feitas.

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Sou cigano

Curta de animação realizada no âmbito do Festival ANIMAIO, em Abrantes, na Escola Secundária Dr. Solano de Abreu, de 4 a 8 de Abril de 2011. Adaptação do livro “A História do Ciganinho Chico” de Bruno Gonçalves.

As heroínas do Chile: Javiera Carrera

javiera Carrera

Javiera Carrera aos seus 19 anos, pintura al óelo de Bejamin Subercaseaux

Foi apenas na Primeira Grande Guerra de Europa, a data em que as mulheres começaram a aparecer nos campos de batalha O seu papel era de enfermeiras. A britânica Florence Nightingale, solicitou licença ao seu Governo para levar um grupo de aguerridas mulheres para curar feridos no campo de combate na guerra de Crimea. Florence Nightingale (Florença, 12 de Maio de 1820Londres, 13 de Agosto de 1910) foi uma enfermeira britânica que ficou famosa por ser pioneira no tratamento a feridos de guerra, durante a Guerra da Criméia. Ficou conhecida na história pelo apelido de “A dama da lâmpada“, pelo facto de servir-se deste instrumento para auxiliar na iluminação ao auxiliar os feridos durante a noite. Sua contribuição na Enfermagem, sendo pioneira na utilização do Modelo biomédico, baseando-se na medicina praticada pelos médicos. Também contribuiu no campo da Estatística, sendo pioneira na utilização de métodos de representação visual de informações, como por exemplo gráfico sectorial (habitualmente conhecido como gráfico do tipo “pizza”) criado inicialmente por William Playfair[Read more…]

Heróis do Chile. Os operários

Operarios

para Tiago Milagre daPC Médic, que informatizou o meu texto.

1º De Maio em Chicago de 1869

 Falava um destes dias do dia do Roto Chileno, como ganharam a guerra a Confederação Perú-Boliviana pelo difícil e directo facto de assaltar o Morro de Arica, pelo lado do território chileno, inserindo a baioneta na dura rocha de 600 metros de altura, até atingir a plataforma de cima e entrando na vila de Yungay, território peruano, perdido para os chilenos, para os inquilinos, jornaleiros e operários convertidos em soldados de muito esforço, sem se queixar nem choramingar. [Read more…]

os heróis da independência do Chile

jura da independência

Chile Jura a Independência a 12 de Fevereiro de 1818 Óleo de Subercaseaux

Escrevia um dia destes sobre as cantineiras ou companheiras, que acompanham os soldados à guerra, lutam como os seus colegas de armas e recebem um estipêndio do exército pelo qual lutam, neste caso o do Chile. Escrevia também sobre as Damas da Aristocracia que lutavam pela causa da Pátria, como Paula Jaraquemada e Javiera Carrera, as mais conhecidas, salientadas e honradas por serem da aristocracia. [Read more…]

A História e a literatura fantástica em Raul Iturra

Decidiu o meu colega Raul Iturra dedicar-se à ficção escrevendo sobre Karl Marx. Podia dar-lhe para pior, mas tem alguma gravidade o facto de apresentar o seu texto como sendo resultado de uma investigação científica, ainda por cima de uma ciência que manifestamente lhe é estranha,  a História.

Não sei como se faz em Antropologia, mas em História consultam-se fontes credíveis, e depois trabalha-se.

Ora não é esse o caso. Fonte para afirmações tão idiotas como “É sabido e conhecido que Marx cumpria rigorosamente as regras judaicas, como as luteranas.” não são referidas, pela simples razão que é complicado inventar uma origem para tal atoarda.

Fontes como http://br.answers.yahoo.com/ não têm qualquer credibilidade científica.

Afirmações como “Em Marselha foi-lhe solicitado, em 1887, escrever um Manifesto para comemorar os 100 anos da morte de Babeuf, guilhotinado pelos seus colegas de partido por ter escrito o Manifesto dos plebeus” além de algum delírio pecam por uma coisa que usamos em História chamada datas, como por exemplo a data em que o Manifesto foi escrito, por Marx e Engels, ou seja nos idos de 1847/48.

Nada tenho contra a imaginação do novelista Raul Iturra, note-se. Já o vício de se apresentar como professor catedrático, correndo-se o risco de alguma alma ali parar e se convencer que se trata de ciência, esse risco, como professor, preocupa-me um bocado. Quem te manda a ti, sapateiro Iturra, tocar rabecão?

Baronesa Johanna Von Westphalen da Prússia, redactora e autora do Manifesto Comunista

Jenny

«Finalmente pensaram a frase, pronunciada por Jenny: proletários do mundo, uni-vos. Quem finalmente escrevera o Manifesto Comunista fora Johanna von Westphalen, denominada a baronesa vermelha».  (excerto do meu livro Marx, um devoto luterano (2010). Dedicado aos colegas aventares que são da minha cor e ideologia)

 

Muitas surpresas foram encontradas na pesquisa que fiz para este livro. A primeira, os comentários de Ratzinger sobre Karl Marx e o apoio que procurou nos seus conceitos para escrever o seu livro Jesu von Nazareth, Editora Vaticana, Estado Vaticano, Roma, traduzida ao português no mesmo ano como Jesus de Nazaré, Esfera dos Livros, Lisboa. [Read more…]

O Senhor do Atlas

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O Alto Atlas . foto Yann Arthus-Bertrand

A cordilheira do Alto Atlas marroquino é uma longa muralha com 700 quilómetros de extensão, que constitui uma fronteira entre Marrocos atlântico e sub-tropical, e Marrocos continental e desértico. Os seus cumes mais altos ultrapassam ou aproximam-se dos 4.000 metros, como são exemplo o Jbel Toubkal no Alto Atlas Ocidental, com 4.167 metros, o Jbel M’Goun no Alto Atlas Central, com 4.068 metros ou o Jbel Ayachi no Alto Atlas Oriental, com 3.757 metros de altitude. O Alto Atlas é um mundo de montanhas, rios, lagos, planaltos, vales férteis e gargantas escarpadas, habitado por tribos berberes desde tempos milenares, que conservam a sua identidade pela distância e isolamento.

Para além de fronteira geográfica, o Alto Atlas sempre foi uma fronteira política, que separou as regiões sedentárias governadas pelo poder central, o blad al-makhzen (ou país da lei), das regiões nómadas auto-governadas pelas tribos, o blad as-siba (ou país do caos). Foi a última região de Marrocos a ser dominada durante a conquista Islâmica e a última a ser pacificada pelo colonialismo francês.

Esta é a história de um homem chamado Thami El Glaoui, qadi ou chefe da tribo Glaoua, conhecido como o Senhor do Atlas, e do seu papel ao lado das forças coloniais francesas durante a ocupação e pacificação do Sul de Marrocos. [Read more…]

Lendas de Portugal

No 31 da Armada retoma-se a lendária historinha de 1580: invasores espanhóis (expressão um bocado anacrónica, mas vá lá), atropelo jurídico do direito ao trono de Portugal,  perda da independência, etc.

Esta velha mistificação continua a omitir a legitimidade do rei Filipe ao trono de Portugal, fruto das fracassadas mas mui tentadas uniões ibéricas por via matrimonial dos nossos monarcas anteriores que à época levavam quase um século, já para não falar da vida e obra do tolo Sebastião, um dos expoentes máximos da argumentação de bolso de qualquer republicano.

O facto de não ter havido perda de independência, mas sim uma monarquia dual também não entra na versão Mattoso (pai) da nossa História. Haja pachorra para tanto e tão repetido dislate. E viva Filipe I, um dos melhores reis de Portugal.

heróis chilenos. el roto chileno

el roto chileno

Composto em 1839, música de José Zapiola Cortés e letra de Ramón Rengifo Cárdenas, foi considerado até a segunda metade do século XX, praticamente um segundo hino nacional no Chile, pela sua popularidade. 

Heroínas chilenas, heróis chilenos, são a temática que tenho tratado nestes dias. Mencionei um herói, de quem raramente como tal, excepto nos romances ou em histórias da vida real, nos livros de História, ou entre os proprietários de haciendas: o inquilino. O dicionário de la Real Academia de la Lengua Española, DRAE, fornece três definições: Persona que ha tomado una casa o parte de ella en alquiler para habitarla; Arrendatário, comummente de finca urbana; No Chile: Pessoa a viver numa finca rústica, recebe habitação e um troço de terra a ser trabalhado pela sua família, para vender o produto na féria, con la obligación de trabajar en el mismo campo en beneficio del propietario. [Read more…]

Para a história da liturgia salazarista

A 28 de Abril de 1998 um tal  Núcleo de Estudos Oliveira Salazar iniciava a recuperação da memória do ditador promovendo em Lisboa e Coimbra “missas” em sua homenagem. No caso de Coimbra a lata foi ao ponto de utilizar a Sé Velha, em tempos Praça Vermelha, no coração da Alta. Não lhes correu bem. Terão conseguido a publicidade que pretendiam, mas a manifestação política à conta da Igreja foi um fracasso. Aqui ficam duas reportagens televisivas exibidas na altura.

Além de o vídeo servir para algum pessoal descobrir que já foi mais novo, tem a utilidade de lembrar que o processo de branqueamento de Salazar foi longo, culminando no onde estamos hoje, em que a sua emulação tem sido progressivamente governamentalizada (e não me refiro só ao actual governo).

segurança social

doente

A natureza humana é um conjunto de características descritas pela filosofia, incluindo formas de agir e pensar, que todos os seres humanos têm em comum. Vários são os ramos da ciência que estudam a natureza humana, incluindo sociologia, sociobiologia, psicologia, entre outros. Filósofos e teólogos também fazem pesquisas sobre o assunto. [Read more…]

A reprodução no celibato

celibato        Quando falo de reprodução social, refiro-me à quantidade de recursos, bens e pessoas, que cada grupo social deve reservar para garantir a sua continuidade, bem como o conhecimento com o qual se organiza a relação entre pessoas e coisas e a sua gestão. A reprodução dos homens é um processo ligado aos bens, um sistema complexo, no qual a forma em que os bens são possuídos é parte da conjuntura histórica que define a estrutura em que os homens são feitos. Este facto acaba por explicar, na minha opinião, a coexistência de duas formas reprodutivas dos seres humanos: o casamento e o celibato. Do primeiro provém a filiação vinculada aos bens; do segundo, provêm os filhos sem pai social, tratando-se de uma filiação não vinculativa aos bens e mantida num sistema de parentesco extenso, no qual o apadrinhamento é o laço que define o lugar social de cada um.

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O não casamento como estratégia de reprodução numa aldeia portuguesa (1862-1983)

ninho vazio         Quando em 1971-1973 levei a cabo a minha pesquisa entre o campesinato do Vale do Chile apercebi-me que, apesar das crenças, valores e regras legais, religiosas e políticas, os casais, na ausência de um padre ou de um registo civil, – o que aconteceu com frequência nos grandes latifúndios chilenos – simplesmente juntavam-se quando surgia a necessidade de dividir a casa. Mais tarde, na Galiza, entre 1975 e 1978, observei que, tanto para esse período como para o passado histórico até ao século XVIII, o casamento verificava-se normalmente entre pessoas da mesma condição, baseando-se em negociações em torno da herança, sendo portanto, e uma vez que o património varia através dos tempos tanto nos conteúdos como nas possibilidades económicas, uma instituição historicamente mutável. Apercebi-me de uma série de possibilidades que se haviam desenvolvido para o casamento na Galiza, tais como o casamento combinado pelos pais do principal herdeiro, ou combinado pelos próprios, enquanto herdeiros residuais (Iturra, 1978 e 1980), os quais, uma vez mais, têm uma importância variável, dependendo dos conteúdos patrimoniais das transações matrimoniais. [Read more…]

O celibato como sistema reprodutivo de pessoas, bens e saberes em aldeias camponesas

        Este texto é a reconstrução por escrito das minhas palavras sobre a reprodução no IV Congresso de Antropologia de Espanha, realizado em Alicante. Ao trabalhar o argumento que apresentara com base num esboço, outras ideias levaram-me um pouco mais longe em relação à exposição original. De facto, este texto é fruto do estudo que venho desenvolvendo sobre racionalidade, reprodução e estratégia, para o qual me sirvo de dados sobre camponeses europeus, estando, portanto, entrelaçado com o argumento que debato em vários outros textos dispersos pelo mundo. É, por isso, que no final, incluo uma lista deles que, oxalá, pudessem juntar-se a este para sua melhor compreensão. Em qualquer caso, o que pretendo aqui é inspeccionar as ideias e factos que, não sendo das aldeias estudadas, fazem parte da etnografia que um antropólogo europeísta deve consultar e que é possível encontrar na História, na lei positiva e canónica, na religião como na doutrina, Igreja e fiéis, assim como na economia teórica e conjuntural. É este o contexto dos factos da lógica camponesa que, na sua dimensão própria, está registado nas relações sociais e na tecnologia, que são os textos do saber oral e da sua cultura.

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Prova do suicídio de Salvador Allende – Heróis do Chile

Hortênsia Bussi de Allende

Sua Excelência Salvador Allende e a Primeira-dama Hortênsia Soto Bussi de Allende, no dia de começar o seu mandato, 4 de Outubro de 1970

A notícia recebida hoje de madrugada, deixou-me como alma em pena. É verdade que morei poucos anos no Chile, mas tive essa alegria de conhecer ao persistente candidato à Presidência do Chile, o médico político Salvador Allende. Aliás, o conheci em circunstâncias especiais: não lhe era permitido entrar na nossa terra, terra de agricultura e de indústria, com imenso operariado que, sem poder falar porque a esquerda era perseguida no Chile, até a volta a democracia em 1990. Mal soube a notícia, esse mando do proprietário a polícia, nada falei em casa, fui de imediato aos Carabineros (Guarda Civil) e mandei abrir as portas, acusando a esses guardas de atropelar a Soberania da República por não deixar entrar em propriedade privada, a um Senador da República. Os guardas não sabiam o que fazer, mandei, porém, que se encerrassem na sua caserna e dizer que nunca nada tinham visto. Filho de patrão, obedeceram. Abri as portas, pedi desculpas ao Senador, quem ripostou que estava habituado. Calei, o agarrei do braço e fomos de casa em casa dos 300 operários, apresentei ao Senador, fiz um discurso sobre uma cadeira. Toda de esquerda, saiu de imediato a rua, asilados no meu patronato. Foi o melhor discurso que lhe ouvi na minha vida: reivindicações, a terra é para quem a trabalha, as indústrias também, incremento de ordenado e de segurança social, liberdade de expressão, que era a falha do Chile. Passei uma tarde em grande. Despedi-me dele às portas da indústria, ficaram certos os operários que deste assunto nunca mais se falaria, apoiada a minha palavra pela do Senador. Anos mais tarde, comigo já na Grã-Bretanha, fui investigar o que era uma República com um Presidente marxista. A pedida de Fidel Castro de organizar, por ser um país católico militante, organizamos o movimento Cristãos para o Socialismo. Já Presidente, a Sua Excelência agradeceu e nunca falou contra nenhuma confissão, como nunca o tinha feito antes: o povo era protestante e católico, mas os seus votos o fariam Presidente para ele ter a oportunidade de fazer-nos a todos iguais. Os romanos, os Bispos, queriam nós enviar ao inferno. Nem curto nem preguiçoso, convoquei os Bispos e usei a sua teoria de que o Espírito Santo habitava em todos nós, citando o Apocalipses de João e a teoria gregoriana do Século VI em frente. Impressionados, calaram, sabia menos que nós. [Read more…]

Nos 75 anos do golpe fascista do 4 generais

Um documentário sobre Buenaventura Durruti, anarquista, destacado combatente da Revolução Catalã. Restantes partes podem ser vistas aqui.

A bela gravata da ministra Cristas: em frente pela libertação do pescoço

Não conheço acessório humano mais ridículo e inútil que a gravata. Hoje em dia abundam os velhos piercings e multiplicam-se as tatuagens (a proibição medieval, pela igreja do costume, foi esquecida), mas nada se compara a um adereço masculino tão enfemeninado.

É curioso que se formos à wikipédia encontramos uma tentativa muito britânica de aldrabar a História, contando a velha lenda de que a gravata tem origem nos soldados croatas e seu lencinho à volta do pescoço, esquecendo-se que nem gravata sabem dizer. Explicação etimologicamente possível, quanto às origens do seu uso a versão francesa é bem mais pragmática e sabe bem do que fala; disto por exemplo:

Pelo menos a partir do séc XVII fez parte das mariquices com que se embelezavam os homens da aristocracia, numa época em que a bem dizer apenas as saias os distinguiam, na indumentária, das também mui adornadas mulheres.

Deixando de lado o meu mau humor quando se passa pelo barroco, a gravata foi evoluindo e transformou-se no séc. XX numa peça obrigatória a que estavam condenados os funcionários públicos, de colarinho bem apertado, não fosse ver-se a maçã de adão, com tudo o que de pecado original daí se pudesse sugerir. É escusado fazer trocadilhos com uma das palavras com que os gauleses designam o que separa a cabeça do tronco.

Pensava eu, ingenuamente, que tinha passado o tempo em que me podia gabar de nunca tertido tão abjecto trapo rodeando o meu pescoço, substituída pela camisola de gola alta em momentos mais complicados como a defesa de uma dissertação académica e defendendo-me sempre com os padres, que não se engravatam de modo algum mais que não seja porque sabem umas coisas de história, quando descubro agora por via de uma libertação, numa assumpção bem cristã e ponderada por motivos energéticos, que o pessoal nos ministérios ainda anda obrigado ao seu porte. [Read more…]

O pecado através dos tempos

1 – A heterogeneidade

          Se a sociedade é produto dos homens, também as ideias contêm uma explicação histórica, quer no sentido da passagem do tempo e na acumulação da experiência do grupo social, quer no facto de pertencer a um tipo de explicação positiva da sociedade. Enquanto facto, o pecado é sujeito da produção humana e tem-se desenvolvido através do tempo e pertence à experiência das relações sociais das diversas culturas do mundo, hoje ou no passado. E digo como um facto, porque a ideia é um conceito genérico que subordina, envolve, define diversos comportamentos mutáveis através dos tempos, reprovados pelo grupo social e por alguma autoridade que sancione a opinião do grupo, autoridade que se baseia mais no que, sendo desconhecido para o conjunto da população, é por ela explicado. [Read more…]

Mercado Medieval de Óbidos: 10 anos

Há coisas que fizemos na vida de que nos orgulhamos. Não tenho muitas, o Mercado Medieval de Óbidos, que produzi nos seus primeiros anos, é uma delas.

Partir do zero, ou quase, e construir o melhor festival de recriação histórica português deu sobretudo um grande gozo. Comecei por aprender que um bom autarca não tem partido, quanto muito tem pouca idade: Telmo Faria era então um novato que confiou noutros novatos, a Companhia de Teatro Vivarte, e tive o privilégio de ver como um moço do PSD foi dando a volta por cima à sua terra, colocando-a no mapa onde sempre mereceu estar. Em Óbidos fiz muitos amigos, e destaco um amigo de Peniche que não o é, Francisco Salvador de seu nome, com quem passei os melhores e os piores momentos, como cumpre nestas coisas dos humanos e das coisas que organizam.

Durante alguns anos ensinei História a multidões, eu sei que pouca e com erros, mas quem não vai à escola também tem direito a aprender mesmo que entre uns tintos e uns petiscos. Maria de Lurdes Rodrigues fez o favor de me recambiar para as atrofiadas salas de aula, reduzindo-me o horário e esforço de trabalho ao contemplado na lei, e essa foi a primeira de muitas coisas que individual e profissionalmente nunca lhe perdoarei.

Gentis damas e nobres cavaleiros, ide por mim ao Mercado Medieval de Óbidos que agora faz 10 anos (é sempre complicado voltar aos lugares onde fomos felizes, mas guardarei Óbidos e as suas gentes no coração para sempre). Parece que o bilhete está caro mas não se vão arrepender.

A Festa dos Tabuleiros em Tomar. 2 – As primeiras edições

Nos primórdios da Festa dos Tabuleiros de Tomar, o cortejo saía de casa do mordomo principal, em cuja janela era exposto o pendão do Espírito Santo. Mais tarde, passou a sair da Santa Casa da Misericórdia.

Os tabuleiros reuniam-se então na rua da Graça, no domingo de Pentecostes, desciam a Corredoura até Santa Maria do Olival. A partir de 1893, a benção realiza-se na igreja de S. João Baptista.

Antes dos tabuleiros, ia a bandeira vermelha do Espírito Santo e três mordomos conduzindo as coroas simbólicas do «mistério da Trindade». Há quem diga, no entanto, que os mordomos iam depois dos tabuleiros. No fim, seja qual for a versão do cortejo apresentada, iam as filarmónicas e dois carros triunfais, acompanhados, cada um deles, por uma criança vestida de anjinho. Os carros destinados ao pão e ao vinho só surgiram depois de 1950.

Depois da missa e da benção do pão e da carne, o cortejo prosseguia pela Levada até à Misericórdia, em cujo celeiro e açougue eram recolhidos os tabuleiros e a carne.

Na segunda-feira, o bodo ou peza era distribuído em todas as casas da cidade – um pão e um quinhão de carne (dois quilos). O vinho só começou a ser distribuído depois de 1950. O pão tinha de estar «furado pelas canas das armações» dos tabuleiros, caso contrário as suas reconhecidas virtudes profilácticas não se fariam sentir. [Read more…]

A Festa dos Tabuleiros em Tomar. 1 – As Origens

A Festa dos Tabuleiros realiza-se de 4 em 4 anos em Tomar e é responsável pela ida de milhares e milhares de pessoas a Tomar, uma das mais belas cidades portuguesas. A edição de 2011, que se prolonga até ao dia 9 de Julho, aí está.
Trata-se de um evento com tradições imemoriais no concelho, que  influenciou largamente as festas do Espírito Santo nos Açores, os impérios de Alcanena, a festa do Penedo e até o Santíssimo Sacramento da Batalha.

Graças à Festa dos Tabuleiros, Tomar fez parte, desde o início – 1996, das «Fêtes du Soleil», projecto euromediterrânico da Comissão Europeia, que tem como objectivo sistematizar a informação relativa às mais importantes festas realizadas no Mediterrâneo e dá-las a conhecer ao grande público de todo o «velho continente». É candidata, por esta via, a Património Cultural da Humanidade.

A Festa dos Tabuleiros parece ter como origem mais profunda as antigas Saturnalias e Ceriales, festas dedicadas aos deuses Ceres (deusa dos frutos da terra), Flora (deusa das flores) e Saturno (deus das sementes e da cultura). Rituais pagãos, estes ou outros, que a cidade romana de Sellium (actual Tomar) recebia com grande prazer, porque correspondiam a dias de folga da sua população. [Read more…]

Nasci um dia qualquer – a minha memória

 

Mascagni Cavaleria Rosticana Intermezzo

Parece-me que todo ser humano devia dizer e pensar esta frase. Há dois factos na vida que sempre andam ao pé de nos: o involuntário facto de nascer, o involuntário facto de falecer.

O começo da vida acontece em época incerta, pela vontade, amor e carinho que os nossos

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Tadelakt

Há centenas de anos que na região de Marraquexe se utiliza uma técnica de revestimento na construção, aplicada tanto em paredes, pavimentos e tectos, como em peças de mobiliário, como sejam banheiras, lavatórios, camas ou piscinas. Pelo facto de ser um revestimento impermeável, era inicialmente usado nas cisternas e nos hammam, ou banhos públicos, pensando-se que os Berberes já o utilizassem há cerca de 4.000 anos.

A sua grande qualidade estética, possibilidades plásticas, durabilidade e suavidade ao tacto, tornaram-no na imagem de marca dos interiores de Marraquexe, estando presente nos grandes hotéis e riads da Cidade, e fazendo a ponte entre o tradicional e o moderno.

Chama-se Tadelakt, designação que provém do Árabe “dlak”, que significa massajar ou amassar, dado que é uma argamassa tem de ser “apertada” para lhe ser retirado todo o ar existente no seu interior. O tadelakt é um reboco à base de cal da planície do Haouz, que utiliza o pó de mármore ou a areia fina como inerte, pigmentado, apertado à talocha, barrado com sabão diluído em água, polido com um seixo e, opcionalmente, finalizado com uma camada de cera.

É um revestimento da família dos nossos rebocos “estanhados”, “escaiolas” ou “queimados à colher”, que aliam o carácter estético e decorativo com a durabilidade e conforto do material.

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A liberdade de pensar – Uma história

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Uma história

 A partir do Século XVI, começou a aparecer no Continente europeu uma forma de entender a vida, denominada liberdade de pensar. Quem começara com estas ideias, foi René Descartes- (La Haye en Touraine, 31 de Março de 1596Estocolmo, 11 de Fevereiro de 1650),  filósofo, físico e matemático francês. Foi corrigido por outros filósofos, mas persistiu, batendo com a teologia, ciência que imperava na forma de pensar ao longo desses tempos. Especialmente entre as crianças que deviam ser instruídas nas formas de pensar costumeiras, religiosas, para o seu bom comportamento conforme as crenças que professavam. A Igreja Católica, tinha sido reformada com as ideias de Martinho Lutero, Jean Calvin e John Knox, As crianças eram as mais cuidadas para aprenderem a doutrina que professavam, que incluía a catequeses.

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O azulejo Andalus

A arquitectura do Al-Andalus era profusamente decorada, seja em trabalhos de madeira talhada e pintada, de ferro forjado, de ornamentos em estuques ou de painéis de azulejo.

O azulejo Andalus foi a base para a azulejaria medieval e moderna, e absorveu muito dos painéis de tecelas romanos.

O seu fabrico ainda hoje subsiste em Marrocos.

A técnica utilizada é a do azulejo “alicatado”, assim chamado pelo facto de utilizar fragmentos de cerâmica vidrada, com combinações de distintas formas e cores, que posteriormente são agregados em painéis, através de uma massa à base de cal e areia fina ou gesso, processo chamado de “embrechamento”.

Esta técnica exige uma grande perícia ao nível do corte dos azulejos e mestria ao nível da disposição das peças para a composição dos painéis, já que as mesmas são dispostas com a face vidrada para baixo, não permitindo visualizar o resultado final.

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O mundo das crianças – a democracia do Chile – VI

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Maria de la CruzToledo, la primera Senadora do Chile

 O conceito democracia[1] foi criado na Grécia Clássica, com o significado de sermos todos iguais, excepto os nada possuíam como bens imóveis, Esses eram escravos até o dia de poder comprar a sua liberdade por meio de adquirir bens com o seu trabalho e pagar o devido a quem tinha sido o seu patrão. A escravidão existia desde a época do Império Romano de Rómulo e Remo, narrado por mim em capítulos anteriores. Os romanos no tomavam prisioneiros nem matavam aos derrotados: faziam deles trabalhadores grátis. Ideia que tem existido sempre nas sociedades compostas de pobres e ricos. Como era o caso do Chile.

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