Sobre? Isso não quer dizer por cima?

Pode parecer um assunto menor, mas não deixa de ser irritante.

Tenho ouvido e lido políticos, comentadores, jornalistas, académicos, economistas e por aí fora, na rua, em jornais, discursos e televisões, afirmarem que Portugal está sobre intervenção da troika, sobre programa de ajustamento, sobre avaliação do BCE, do FMI ou da Comissão Europeia, quando é precisamente o contrário: Portugal não está sobre troika nenhuma, a troika é que está sobre Portugal. Portugal está, isso sim, sob intervenção, sob programa de ajustamento, sob avaliação, sob mau governo, sob más políticas, sob o jugo de uma europa sem rumo.

Não é que faça grande diferença face ao resultado final: o desastre, o empobrecimento e a destruição do “cimento” social estão assegurados. Mas, já que roubam todo o resto, dignidade incluída, continuemos ao menos a falar bem português, se não for pedir demais e não se lembrarem de lançar mais um imposto, desta vez sobre a boa utilização da língua.

Croniquetas de Maputo: uma língua muito plástica

Uma tabuleta no tronco mostrava o preço dos serviços. Estava escrito: “cada cabeça  7$50”.

Com o crescer da vida, Firipe emendou a inscrição: “cada cabeçada 20$00”.

Mia Couto

“Sidney Poitier na barbearia de Firipe Beruberu”

cão

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O *acessor e a Cristine

Segundo a SIC, o acessor… *Acessor? Acessor? Ah! Assessor. Segundo a SIC, Rudolfo (sim, é com ‘u’) Rebelo, acessor, perdão, assessor do PM, assinou uma carta como se fosse a directora… Não, não é *diretora que se escreve em português europeu: é directora. D-I-R-E-C-T-O-R-A. Com cê. Perdão? Está directora? Muito bem. Mas a SIC não adopta o Acordo Ortográfico de 1990? Não? Sim? Não sabem? Adiante. Rebelo assinou uma carta como se fosse Christine Lagarde? Mentira! Rebelo assinou como se fosse Cristine Lagarde. Se tivesse assinado uma carta como se fosse Christine Lagarde, o Cristine teria H. Uma Cristine, como sabemos, não é uma Christine. Pronto. Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

132013 SIC

A Bola: ascensão do erro ortográfico

Ainda sou do tempo em que se podia aprender a escrever lendo jornais, sendo A Bola um baluarte da correcção e da vivacidade da língua, ou não tivessem lá escrito homens como Vítor Santos e Carlos Pinhão.

Como benfiquista, ainda não estou convencido do valor absoluto de Matic, embora tenha a certeza de que é melhor do que Javi Garcia, pela simples razão de que este já não faz parte do plantel. Como amante e aprendiz da língua portuguesa, desgosta-me que se faça referência à “ascenção” do médio benfiquista. Desejo-lhe, no entanto, para bem do Benfica e da ortografia, uma “ascensão” fulgurante.

Três é singular?

Três em cada dez lisboetas é obeso, revela estudo

Acordo Ortográfico: o Porto deixou de ser a Cidade Invicta

O trabalho de sapa do João Roque Dias encontrou, em pouco tempo, mais um exemplo da supressão de consoantes que não são mudas. Neste caso, trata-se de uma afronta involuntária à cidade do Porto, orgulhosa de ser invicta há vários anos. No site do Colégio de Quiaios e numa legenda da TVI, o c de Invicta desaparece e o Porto deixa de ser invencível.

Já tive ocasião de notar alguns fenómenos semelhantes: Acordo Ortográfico: sabor a pactoAcordo ortográfico: a fissão da ficção e Acordo Ortográfico: consoante antes de consoante não se escreve.

A insegurança no uso da ortografia não é, infelizmente, um problema recente, mesmo nas escolas e na comunicação social, ambientes em que a língua devia ser mais bem tratada. O chamado acordo ortográfico, por ser um instrumento carregado de deficiências, serve para acentuar essa insegurança.

Num país a sério, com políticos a sério, a leviandade com que o AO90 foi posto em prática não existiria. Assim, é só mais uma acha para a imensa fogueira onde arde a irresponsabilidade das políticas culturais e educativas.

Mau estar?

É mal-estar, senhores jornalistas da Lusa, da Visão, do i ou do Público.

Cantar em Português, antes ou depois do AO

Vitorino, numa entrevista ao Jornal de Leiria refere que “Quando um português canta em inglês fica tristemente ridículo”.

O Miguel Guedes, dos Blind Zero, no seu perfil do Facebook não deixou o velho alentejano sem resposta, cujo conteúdo subscrevo totalmente:

“Toda a gente tem direito a frases mais ou menos infelizes puxadas para títulos de jornal. O problema é que o Sr. Vitorino, lê-se na entrevista, pensa mesmo assim. Ele e mais uns quantos que no passado proferiram semelhantes dislates. Tenho respeito pelo Sr. Vitorino e sempre o vi como um homem de liberdade, daí que fique admirado por esta raiz que lhe tolha o pensamento. Não lhe perdi o respeito por isto. Só chego à conclusão de que lhe falta liberdade de espírito. E liberdade estética.

Há muitos anos que, ciclicamente, defendo a liberdade de criação seja em que língua for, seja como for. Contra estas tretas, contra este tipo de discurso, contra esta pacóvia e atávica forma de ver a arte e o trabalho dos outros. Imagine um carro, Sr. Vitorino. O volante é a direcção, a vontade e a paixão são o motor, a língua meras rodas do veículo. O que conta verdadeiramente é o que se diz pela boca e pelo pensamento das pessoas que vão lá entro. Que amam e odeiam em português mas que o podem dizer e expressar de qualquer forma, em qualquer língua.
O que é ridículo para si são só as rodas. Fazem andar e podem deslizar, mas são só as rodas, Sr. Vitorino. E olhe que deslizam em qualquer língua… O que conta verdadeiramente são as pessoas. Nem todos os que cantam em inglês ficam tristemente ridículos. Nem todos os que cantam em português ficam tristemente ridículos. Ficam tristemente ridículos os que ficam tristemente ridículos. Mesmo que por piada paga.”
Miguel Guedes acrescentou, ainda, um vídeo ao seu texto: [Read more…]

Acordo Ortográfico: consoante antes de consoante não se escreve

Continuando a vampirizar o trabalho de João Roque Dias, descobri a palavra “adeto” (por “adepto”), em dois textos, um dos quais ainda está disponível. Antes do chamado acordo ortográfico (AO90), nunca me apercebi da existência de tal erro.

Não tenho nada a acrescentar ao que já escrevi em textos anteriores acerca deste efeito provocado pelo AO90: a supressão imprevista (?) de consoantes articuladas. Limito-me a lamentar que sejamos um país dominado por gente medíocre e corrupta: num país a sério, uma reforma ortográfica teria sido verdadeiramente estudada e debatida. Em Portugal, ficámos com o AO90.

Acordo Ortográfico: um vídeo penoso de Fernando Cristóvão

Neste vídeo, Fernando Cristóvão, eminente estudioso da língua e da literatura portuguesas, faz uma defesa penosa do chamado acordo ortográfico (AO90).

Um dos primeiros argumentos usados consiste no facto de ser uma lei. Para além de haver muitas dúvidas acerca da legalidade do AO90, as leis podem ser revogadas, a não ser que estejamos diante de algum fenómeno religioso e o dito acordo tenha descido do Monte Sinai pelas mãos de algum iluminado. [Read more…]

Prova Final de Língua Portuguesa, 2ª ciclo, vulgo 6º ano

Já pode descarregar os pdf’s da praxe: a prova de exame  e os critérios de correcção.

Prova Final de Língua Portuguesa – 6º ano (código 61)

Os alunos do 6º ano realizaram hoje a prova final de Língua Portuguesa (pdf) – também estão disponíveis os critérios (pdf). Há quem lhe chame exame, mas é de facto uma prova. Qual é a diferença? Ninguém sabe!

O texto inicial, um excerto de “A maior flor do mundo“, de José Saramago é uma boa escolha que é do conhecimento dos alunos, pelo menos de uma boa parte deles. No entanto, as perguntas de interpretação poderiam trazer algumas dúvidas, mas não eram, globalmente “complicadas”.

A gramática (ou lá como se chama agora!) tinha umas ratoeiras e a composição pretendia ser sobre um dia na Natureza. Não se compreende a limitação das 200 palavras, para duas páginas e meia. Isto é, os alunos só podiam escrever até 200 palavras, mas tinham duas páginas e meia para o fazer.

E o professor de matemática, autor do post, atreveu-se a comentar a prova de Língua Portuguesa porque quer dar o mérito a quem o tem. A equipa de Nuno Crato conseguiu fazer da Prova de hoje um excelente treino para a de matemática, da próxima sexta-feira. Pelo menos no que diz respeito ao trabalho em torno dos números naturais: 1,2,3,… até 200.

Houve miúdos que acrescentaram e outros que retiraram conteúdo à composição porque ainda tinham palavras para gastar ou a mais porque ainda tinham crédito, conforme o caso.

Com esta prova ficou claro que Portugal não precisa de mais exames, que até iriam ser uma despesa acrescida. O que Portugual precisa é de juntar muitos exames, num só! Uma espécie de PGA – Prova Geral de Aprendizagens.

Pense nisso caro leitor – um texto sobre animais. À volta do tema, perguntas de Química e de Biologia viriam depois da interpretação (língua Portuguesa). Uma contas sobre a descendência do animal, uma tradução para mandarim e estava feito! O Cratês educativo no seu melhor! Que vos parece?

Enquanto pensam nesta brilhante proposta, deixo-vos o vídeo do filme ” A Maior Flor do Mundo”.

Exame de Língua Portuguesa – 9º ano

Prova e critérios de correcção

Que giro! Tão pequeno e já fala chinês!

Vinte e três meninos entre os 4 e os 5 anos do Colégio Saint Daniel Brottier ainda não sabem ler nem escrever (português), mas já reconhecem caracteres chineses, o que já começa a ser «natural»!?

Tão moderno e com visão de futuro quer ser este Colégio, criando um projeto pioneiro, que relega para segundo plano a língua portuguesa…

Penso que esta situação é bem mais preocupante que o cumprimento ou não do novo Acordo Ortográfico, assunto que tem vindo a preencher páginas e páginas de artigos e criando divisão entre aqueles que de um lado ou do outro amam a nossa língua.

O exame de Português de 9.º ano (código 91)

O exame de Português de 9.º ano começava com um texto de Gonçalo M. Tavares, publicado na «Visão» em 22 de Setembro de 2001, sobre os Dicionários e as palavras que não são usadas normalmente nas «conversas de café». Seguiam-se 6 perguntas de resposta múltipla sobre o texto.
Um segundo texto, extraído da obra «A Casa do Pó», de Fernando Campos, remetia para o universo dos Descobrimentos e em particular para os estaleiros navais na zona de Belém. A narrativa decorre poucos anos depois da viagem de Vasco da Gama para a India. Seguiam-se 5 perguntas de interpretação sobre o texto.
O Grupo I terminava com Gil Vicente. Os alunos tinham de redigir um texto sobre o «Auto da Barca do Inferno» ou, em alternativa, sobre o «Auto da Barca da India», sendo que eram apresentados excertos das duas obras.
No Grupo II, 6 perguntas de Gramática e, no último Grupo, uma composição sobre a importância do vocabulário na comunicação oral e escrita.
Mesmo não sendo profesor de Língua Portuguesa, pareceu-me um exame acessível, embora, comparando com a vergonha que era nos tempos da Prevaricadora Maria de Lurdes Rodrigues, quase se pudesse classificar como sendo de dificuldade média. Definitivamente, atendendo ao universo dos nossos alunos, não era um exame que se fizesse de caras.
Também me pareceu um exame grande. A amostra vale o que vale, mas a verdade é que dos 13 alunos que «vigilei», só 4 não precisaram de utilizar os 30 minutos de tolerância.
Quanto ao resto, bem-vindos ao trabalho mais chato do mundo

O português da selecção

Ao assistir à conferência de imprensa de Paulo Bento, ouvi, pela enésima vez, um português usar “sobre” quando devia usar “sob” (a frase proferida pelo seleccionador nacional incluía qualquer coisa como “ganhámos sobre o ponto de vista colectivo”). Há pouco tempo, pudemos assistir à prestação infeliz de Cristiano Ronaldo a tratar o Presidente da República por você e a terminar com um “tá?”. [Read more…]

Provas de aferição de matemática e de língua portuguesa – aumento das “negativas”

Foram hoje conhecidos os resultados das Provas de aferição de matemática e de língua portuguesa do 4º ano do ensino básico (antiga 4ª classe).

Como o próprio MEC reconhece, os resultados baixaram, principalmente a matemática onde a média desceu 14%.

(de 68,3% do ano passado, para 53,9% este ano).

Mas, há um dado esmagador – em 2011 houve 19% de alunos com “negativa” (nota D e E), enquanto este ano foram 43%, ou seja, na prova de aferição de matemática do 4º ano quase metade dos alunos tirou negativa.

A língua portuguesa, o insucesso aumentou 8%.

Perante esta catástrofe, Nuno Crato, o matemático, tem muito para analisar – sugiro que possa começar pelos dados que o MEC divulgou – e só para abrir as hostilidades, um número que surpreende, pelo menos com o olhar de Professor de matemática: houve 59% de “negativas” no capítulo da organização e tratamento de dados (estatística).

Isto não faz qualquer sentido! Ou será que faz, considerando a prova que foi feita?

Ah! Pois é. Se calhar chegou até aqui à procura dos resultados das provas de aferição do seu “filho” ou dos seus alunos. Lamento, mas esses dados são divulgados apenas ao nível de escola, logo sugiro que aproveite para ir até lá.

Acordo Ortográfico: saber dá trabalho

A discussão sobre o acordo ortográfico (AO90), muitas vezes, desvia-se para terrenos do gosto, da resistência ou da adesão à novidade, quando não inclui acusações infundadas de xenofobia ou declarações cegas de amor à lusofonia. Na verdade, estamos diante de um problema demasiado sério para que nos fiquemos por paixões ou por vácuas declarações de circunstância. Perceber os erros do AO90 dá trabalho.

Já tive ocasião de remeter os leitores para um texto lúcido de Maria José Abranches. Vale a pena darmo-nos ao trabalho de ler estoutro da mesma autora. Dá trabalho, com certeza, como acontece com tudo o que é importante.

Fica, aqui, uma citação, para abrir o apetite: “Todos os aspectos nefastos, propriamente científicos e culturais, deste AOLP foram já abundante e rigorosamente tratados por quem de direito. Parece, contudo, que os decisores políticos, por qualquer razão obscura, se mantêm imunes a todos esses argumentos, a pretexto de não poderem ter “opinião”… Revelam assim uma tremenda insensibilidade face ao valor patrimonial e identitário da nossa língua nacional, que é também, convém lembrar, património europeu, ao mesmo título que qualquer uma das outras 22 línguas nacionais da União Europeia.”

Declaração de Amor à Língua Portuguesa

Teolinda Gersão

Escritora

Tempo de exames no secundário, os meus netos pedem-me ajuda para estudar português. Divertimo-nos imenso,confesso. E eu acabei por escrever a redacção que eles gostariam de escrever. As palavras são minhas,mas as ideias são todas deles.

Aqui ficam,e espero que vocês também se divirtam. E depois de rirmos espero que nós, adultos, façamos alguma coisa para libertar as crianças disto.

Redacção – Declaração de Amor à Língua Portuguesa [Read more…]

Podiam começar por debater se se deve usar “presidenta”

Pilar del Río. Sede da Fundação José Saramago “vai ser um espaço de debate de ideias”

A minha Ministra da Educação

Vídeo originalmente publicado aqui.

Já fez a 4ª classe? No seu tempo é que era?

Então tente resolver a prova de aferição de matemática da “4ª classe” e, já agora, também a de Língua Portuguesa.

Depois diga-nos qualquer coisa.

Provas de aferição 2012: Língua Portuguesa e Matemática

Em primeira mão, o Aventar divulga as duas provas (formato pdf).

Para mim, sempre será lectivo

Para mim é , sempre será lectivo. Algo que acontece é um facto, já um fato apenas conheço o que se veste. Escrevo como aprendi e não como determinaram os políticos.

Portugal, o que é isso?

Tenho visto em diversos países como Portugal trata mal (ou simplesmente não trata) a sua afirmação externa.

Em muitos lugares Portugal não existe sequer, ou, se existe, deve-o a fenómenos pontuais como José Mourinho, Cristiano Ronaldo – o futebol, portanto -, a um ou outro escritor como Lobo Antunes ou Saramago, a um ou outro cantor ( lá está o fado), a um ou outro filme – a cultura portanto – e aos emigrantes portugueses – sendo que estes representam um fenómeno menos pontual.

O recente encerramento de parte da rede consular portuguesa e o despedimento de professores de português espalhados pela europa vem agravar este cenário, seja ao nível da afirmação externa, seja na ligação ao país e à língua  dos descendentes da emigração portuguesa, seja nas implicações comerciais futuras (os emigrantes e seus descendentes, além de consumidores de produtos portugueses “lá fora”, são e poderão ser excelentes “colocadores” destes produtos nos mercados em que se encontram).

Dir-me-ão que o país não tem dinheiro para luxos (luxos?), que os sacrifícios tocam a todos, etc e tal. Talvez, mas, de novo, parece-me que não se ponderou bem o deve e o haver. Acho que o que se poupa é inferior ao que se perde, além de malbaratar todo o trabalho anteriormente realizado e, nestes casos, descontinuar é regressar à estaca zero. Isto, admitindo que alguma vez se vai retomar o que agora se destrói.

Cavaco poupado nas preposições e despesista nas redundâncias

Em visita aos Açores, de passagem pela Ilha do Corvo, Cavaco Silva declarou, referindo-se à pista do aeródromo: “Sinto que a pista é a melhor que aquela que eu aterrei há vinte anos atrás.” Ao princípio, ainda pensei que o terror sentido pelas pistas de aterragem seria um estranho fenómeno açoriano comparável ao sorriso das vacas. Depois de alguma investigação, fiquei a saber que há instruções na Casa Civil da Presidência para poupar nas preposições, o que explica que o Presidente não tenha dito “aquela em que eu aterrei”. Futuramente, Cavaco passará a dizer à mulher “Vou mercearia comprar fruta nossos netinhos.”, o que lhe permitirá poupar milhares de milhões de preposições até ao final do mandato.

Estranhamente, o Presidente não conseguiu evitar algum despesismo nas redundâncias, ao usar um “eu” dispensável e ao insistir na expressão pleonástica “há vinte anos atrás”, o que se pode explicar pelo pendor excessivamente didáctico de Cavaco.

Entretanto, comentando esta situação, uma fonte ligada à candidatura de Manuel Alegre terá afirmado que não sabe se “Cavaco será o Presidente de todos os portugueses, mas não é, com certeza, o Presidente do Português.”

Apostar na língua pátria melhorará o Direito?

Com a aceleração dos cursos jurídicos e dos mais, em resultado da Declaração de Bolonha, há como que um abreviar das preocupações sobre que deveriam repousar os planos de estudo.

Curial seria que – com a deficiente formação, no geral, a português – houvesse logo no primeiro ano dos cursos jurídicos ou num “ano propedêutico” uma disciplina anual, a “hermenêutica jurídica”, susceptível de habilitar o escolar de leis a dominar as técnicas de interpretação, a aprofundar os conhecimentos da língua pátria, a ler de forma escorreita um texto jurídico, a fim de contrariar o quadro que ora se oferece que é o de chegar ao termo da formação escolar sem a destreza da língua, sem se alcançar uma interpretação fidedigna da lei, como diria Pereira Coelho, insígne Mestre com quem servimos em Direito Civil – Família e Sucessões, na Coimbra dos anos setenta do século transacto.

Com a agravante de que leis mal feitas exigem uma superlativa formação a português, que ora falece a quantos demandam a Universidade e os politécnicos.

E o fenómeno das leis mal feitas espalha-se como uma nódoa por todo o tecido do ordenamento jurídico.

Estranha-se que as escolas de direito (nas condições em que de tal se possa falar…) não sejam sensíveis ao fenómeno e nada façam para alterar o statu quo…

Mais tarde ou mais cedo… alguém terá de fazer algo para que se regenere a situação de clamorosa penúria no que tange à língua e da metodologia da interpretação da norma que aos juristas se impõe dominem.

Como escrever em bom português

Algumas pessoas andam preocupadas e confusas com o Acordo Ortográfico e com o futuro da língua portuguesa, não sabem que consoantes emudecer e deixar cair, se devem usar ou prescindir do hífen, acham complexo  o uso do acento circunflexo, circunspetam-se em função de algum acento grave ou sílaba tónica sem saber se ou o que assinalar, há quem se sinta esdrúxulo perante a utilização do K ou do W, para não referir o Y, etc, etc.

Ninharias, coisas próprias de quem não tem nada importante com que se preocupar, dirá um certo leitor meu, que achou por bem comentar livremente um texto que aqui escrevi. A minha pátria, poderia ter dito o reputado comentador, são as letras que a cada momento me apetecer utilizar (ou será apetesser otelisar?) da forma que entender.

Eis o comentário na íntegra, tal e qual recebi:

derrepente,um atentado;11 de setembro.logo apos,um video (foi eu q fiz isso) na minha engenuidade eu penso;que LOUCO teria coragem de assumir uma desgrassa dessa? teria uma facsão arquitetado minunciosamente um atentado sem saber oque viria depois? quem daria a cara pra bater? pra mim,criarão um Bin Laden. os EUA precisão dar uma resposta. depois de tanto procurar,descobrem q correrão atras de um fantasma. OQUE RESTA? 2 derrotas ou um empate? assumir o fantasma criado pelos astutos inimigos,ou (matalo) e sair como eroi? a TV cria clones atraves de maquiagem a alcaida ñ poderia fazer o mesmo? eles podem ser loucos mas,descordo q sejão burrus! 10 ANOS é muito tempo pra encontrar,ou ñ alguem

Isto, praticado sobre a língua portuguesa, com Bin Laden à mistura, parece puro terrorismo.

A maior Biblioteca Digital de língua portuguesa em risco de fechar

O site Domínio Público é a maior bilioteca digital de língua portuguesa. Constituída, como o nome indica, por obras cujos direitos de autor caíram já no domínio público ou foram autorizadas pelos criadores a integrá-la, a bilioteca foi lançada em 2004 com o propósito de colocar

à disposição de todos os usuários da rede mundial de computadores – Internet – uma biblioteca virtual que deverá se constituir em referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral.

e ainda

promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos)

Criado por iniciativa do ministério de educação do Brasil, o projecto corre o risco de encerrar por falta de procura. [Read more…]

O novo "Philosophical Way of Sex"

Novas definições de sexo