-O programa pode roçar o ridículo, ser de absoluto mau gosto, pessoalmente não o tenciono ver durante sequer um segundo, aliás vejo pouca televisão e nunca este tipo de conteúdo, mas não estou bem a ver a necessidade em ouvir a ERC. Em rigor, nem considero sequer justificável a existência de tal entidade, excepto servir para estender o tentáculo do Estado onde ele não alcança e gastar mais alguns Euros ao contribuinte, mas já sabemos bem o que a casa gasta em Portugal. A TVI detém os direitos, terá pago aos intervenientes, cabe-lhe decidir, se e quando emite o programa. Os espectadores têm a palavra final, graças ao botão do comando que lhes permite mudar de canal. Meter nisto a ERC, é aceitar de forma bovina, que mais uma vez, outros decidam por nós. Para esse peditório já demos durante algumas décadas, com o argumento que não estávamos preparados para decidir. Basta!
A Morte do Assessor de Imprensa:
Já está publicada toda a trilogia “A Morte do Assessor de Imprensa” no PiaR:
1º Da Comunicação de Massas à Comunicação das Massas;
Défice – responsáveis e responsabilizados
Um dos meus prazeres quotidianos consiste na leitura das crónicas de Manuel António Pina, na última página do JN. O prazer não desaparece nas raras ocasiões em que discordo do conteúdo.
Neste texto, o cronista faz uma chamada de atenção justíssima para a necessidade de o jornalismo evitar ser confundido com a mais antiga profissão do mundo, a propósito desta notícia saída no i e já comentada aqui.
O jornal visado tem, efectivamente, uma tendência tablóide na escolha das notícias e na criação de títulos, que são, frequentemente, menos engraçados do que pretenderiam os seus autores. Deste ponto de vista, a crítica de Manuel António Pina às deficiências do exercício jornalístico parece-me justa. Julgo, no entanto, que a excessiva atenção dada aos defeitos alheios estará a impedi-lo de descobrir o meretrício praticado pelo jornal em que escreve, com um critério editorial que usa ligas e pisca o olho ao poder.
Ora, a notícia do i poderá ser extemporânea, mas não serôdia. Na verdade, o que ali se conta é um dos muitos exemplos de um exercício irresponsável da política. O problema está na multiplicação desses exemplos e na consequência do costume: todos estes buracos orçamentais acabam por ser pagos por quem não os abriu. Os responsáveis foram demitidos, é certo, mas isso significará que foram responsabilizados?
Canção De Natal 12 Dias da Wikileaks, Por Zina Saunders
A Lírica
On the first day of Xmas, WikiLeaks gave to me:
A [redacted] in a [redacted] tree.
On the second day of Xmas, WikiLeaks gave to me:
Two maids a-suing
and
A [redacted] in a [redacted] tree.
On the third day of Xmas, WikiLeaks gave to me:
Three Gitmo manuals
Two maids a-suing
and a [redacted] in a [redacted] tree.
Upload Lisboa 2010
Foi com um largo sorriso que reagi quando ao chegar ao Porto, vindo do Upload Lisboa 2010, deparo com as luzes do Dragão, bancada a bancada, a apagar. Um final perfeito de viagem no dia em que troquei mais um espectáculo de gala no Dragão por uma palestra no muito bem organizado Upload Lisboa.
Uma espécie de mensagem subliminar do Dragão, estilo “Estás perdoado, pá” e no fundo até estou: sempre fui explicar, a propósito da morte do assessor de imprensa, que o consultor de comunicação é um maestro e socorri-me do exemplo de Jorge Nuno Pinto da Costa para exemplificar o que é o maestro dos maestros: Aquele que, como Pinto da Costa, pode até nem ser “grande espiga” a chutar numa bola mas sabe mais de futebol que o Mourinho e o Cristiano Ronaldo juntos.
Tal como aqueles jogadores que já em férias são convocados de repente para substituir um colega lesionado, eu fui chamado a comparecer no Upload Lisboa (Reitoria da Universidade Nova de Lisboa) para encerrar o mesmo com uma intervenção subordinada ao tema “A Morte do Assessor de Imprensa”. Foi uma espécie de visita de médico e dei por muito bem empregue o meu tempo: estive com o Rodrigo (o culpado), finalmente conheci pessoalmente a Jonas (já estou desculpado?) que não sei se é uma mulher do norte mas a fibra está lá toda; conheci a Ana (responsável do Facebook do Sapo) que é uma simpatia assim como a encantadora Alda Telles. Tive a oportunidade de assistir às intervenções da Maria João “Jonas” Nogueira (Sapo), do Carlos Merigo (Brainstorm#9) e do Alexandre Maron (Editora Globo). Só lamento não ter tido hipótese de ouvir o Brian Solis. A minha comunicação foi moderada pelo Armando Alves e o Nuno Ramos de Almeida esteve quase a perguntar pela fruta quando viu um determinado slide…
Uma nota final para destacar a Virgínia Coutinho: é fantástico verificar que ainda existe gente jovem disposta a arriscar e com muita carolice conseguir organizar eventos desta envergadura. Os meus parabéns para ela e toda a sua equipa.
A não perder:
A revista TimeOut Porto é um sucesso. Este último número dedicado ao Natal no Porto é excepcional.
Um merecido sucesso. Não é apenas o único guia de tudo o que se passa no Porto e arredores. É, sobretudo, o melhor. Muito bem feito. Uma apresentação excelente (as capas são do melhor) e muito original. Sempre com boas ideias e um retrato fiel de um novo Porto que está a crescer.
A TimeOut Porto já se tornou indispensável para todos nós, portuenses e para quem nos visita. Os meus sinceros parabéns aos responsáveis por este fantástico trabalho.
O blogue Simplex vai voltar

Soube pelo Jorge. O Simplex vai voltar, agora convertido em jornal semanário.
Já estou a ver a primeira manchete: Rui Pedro Soares arromba a berbequim sede do «Sol».
Só uma pergunta: o vosso sentido de oportunidade não é muito bom, pois não?
IC-19-Tales #35 Semanário Acção Socialista
O Aniversário do Meu Janeiro
CENTO E QUARENTA E DUAS VELAS SE APAGAM HOJE
O ´’MEU’ JANEIRO
No dia 1 de Dezembro de 1868, nasceu o jornal «O Primeiro de Janeiro». Deve o seu nome às manifestações da «Janeirinha». Durante os primeiros anos da sua vida, o diário foi crescendo em tiragem e em importância, até se tornar no melhor jornal de Portugal.
Era já, ao fim de pouco tempo de existência, uma referência Nacional, e assim o foi durante dezenas de anos.
Era o jornal onde melhor se escrevia em Portugal. Por lá passaram os mais ilustres intelectuais do nosso País.
Atravessou incólume períodos conturbados da vida Nacional, como a implantação da República as primeira e segunda guerras mundiais ou a transição para o actual regime, acabando por se debater com a mais grave crise da sua história, na década de 1980, quando o seu enorme património foi desbaratado.
Hoje, o jornal continua, já sem o seu emblemático edifício na Rua de Santa Catarina, e sem os grandes nomes que o ajudaram a consolidar-se a nível Nacional, mas com a mesma vontade de se afirmar e de fazer jus a um passado de glória.
«O Primeiro de Janeiro» é, sempre o foi, o «meu» jornal. Por influência de um primo por quem tinha uma amizade e admiração enormes, Emílio Loubet, grande jornalista que também coloborou no Norte Desportivo, meu pai sempre o teve em sua casa e o leu religiosamente. [Read more…]
Decote de Rita Pereira nos Emmy não faz greve
Rita Pereira, na entrega dos Emmys Internacionais, transportou um decote que, só por ele, merece uma paralisação geral. Diz que é tudo natural, feito pelo pai e pela mãe. Eu acredito.
A greve geral não é hoje, porra

Às 18h 40m deste sábado os jornais online alimentam-se de um texto da Lusa com três horas de idade:
Donde se conclui que devem ter sido na casa das centenas dos milhares. Nada como fazer contas de multiplicar quando as ordens são para não contar. Porreiro pá.
Big Brother da mina: E depois da saída?
O ‘big brother’ global em que se transformou a operação de salvamento dos 33 mineiros chilenos soa a um tradicional ‘dejá vu’. O uso do pleonasmo é aqui propositado. Só assim se pode comparar à mega transmissão do que se passa na mina de San José.
A chegada à superfície de cada um dos estafados homens foi relatada em detalhe. Um a um, com todos os detalhes. Nome, idade, estado civil, número de filhos, doenças existentes, as funções e a biografia. São heróis, claro. Merecem todo o destaque. Quantos dos heróis de pacotilha do mundo em que vivemos seriam capazes de superar o que eles superaram? Com aquele sacrifício…
Sejamos honestos. A cobertura informativa foi feita desta forma porque prometia ser um espectáculo. Cheio de emoção, que, no fundo, é aquilo que anima as nossas vidas. Eles merecem.
A dúvida reside no depois. Depois da saída, depois dos primeiros dias, depois de contadas as histórias, depois de feitas as reportagens, os documentários. O que será depois?
Na televisão ouço falar em milagre, em homens que nunca mais serão esquecidos. Será assim?
Porto Canal e a Marktest: a verdadeira história
O Porto Canal decidiu sair do sistema de medições de audiências da Marktest Audiometria desde hoje.
São várias as razões para uma decisão destas:
1. O número de audímetros que medem a audiência do Porto Canal é inferior a 50. O que quer dizer que para um projecto desta dimensão um único indivíduo representa 2% do total, o que neste momento, segundo os dados da Marktest, significa mais do 100% da nossa audiência.
2. Um exemplo recente de como com o número actual de lares é impossível ter uma ideia real da audiência do Porto Canal:
– Sexta-feira dia 1 de Outubro, share 6,6%
– Sexta-feira dia 8 de Outubro, share 0,6% com a mesma programação
Até ao mês de Fevereiro de 2010 tinha no Grande Porto (área de maior influência) um share médio de aproximadamente 2%, desde Fevereiro de 2010 o valor desceu 50% , para um share médio diário de 1%, sem ter existido qualquer alteração significativa na programação. Esta redução coincide com uma mudança do painel de espectadores acordada entre a CAEM (Comissão de Análise de Estudos do Meio) e os grandes canais generalistas. Coincidência.
Em Julho de 2010 o Porto Canal começa a ser distribuído pelo MEO. Segundo dados da Anacom estamos a falar de uma quota na casa dos 30% dos serviços de distribuição por subscrição. Este incremento na divulgação não se traduz na audiência, pelo contrário, as medições indicam menos espectadores. Em Junho o share médio era de 1% e no último mês de Setembro foi de 0,9%. No mínimo estranho.
A distribuição regional dos lares da Marktest não é em nada representativa do espaço de influência do Porto Canal. O Norte está dividido em 3 partes. Além do Grande Porto existem 2 espaços, Litoral Norte e Interior, que abarcam áreas que correspondem sobretudo a região centro, o que prejudica o canal.
Motivos mais que suficientes para o Porto Canal bater com a porta. Fez muito bem. A minha experiência profissional prova exactamente o contrário. O feedback de boa parte dos programas do Porto Canal são hoje bem maiores que no passado e sempre em crescendo durante 2009 e 2010. Não sou caso único. E nem me atrevo a falar sobre os dados da Marktest (empresa privada) no tocante a rádios e a alguns surpreendentes altos e baixos repentinos de algumas audiências. No mínimo, esquisito.
Domínio Público, Hoje:
Para avisar que hoje, no Domínio Público (Porto Canal, 19h) se vai falar de Presidenciais, de um perigoso centralista, das eleições no PS Porto e do Orçamento de Estado. Fujam!!!
Porto Canal: 4 anos ao nosso lado
Para toda a equipa e amigos(as) do Porto Canal um forte abraço de aniversário:
Notícias frescas da Suazilândia

Nothando Dube
Conta-nos hoje o Ionline:
O rei da Suazilândia, Mswati III, despediu o seu ministro da Justiça, depois de descobrir que o político mantinha um relacionamento com uma de suas 14 mulheres. Ndumiso Mamba deixa o cargo, após as imagens terem sido reveladas na internet.
Segundo o Daily Mail, o ex-ministro da Justiça mantinha um caso com a 12ª mulher do rei, uma jovem de 22 anos chamada Nothando Dube, ex-miss da Suazilândia. Ainda de acordo com o jornal britânico, a imprensa local está proibida de publicar o escândalo sobre a traição no ceio (sic) da monarquia.
Agradeço a notícia. Fiquei a saber que o rei escolhe as esposas (vai em 13) num festival anual que ocorre no dia do seu aniversário, tendo reparado em Nothando Dube quando esta tinha 16 anos. Não deve ser fácil satisfazer um harém tão numeroso, e compreende-se a intervenção do ministro da Justiça.
Também fiquei a saber que no Ionline pagam a um analfabeto que escreve “ceio” por seio, e que divulga notícias do início de Agosto com a tranquilidade de quem precisa de encher chouriços em finais de Setembro. O que se compreende: o Correio da Manha fê-lo vai para 2 dias, a Visão e o Diário Económico foram atrás, tudo porque alguém precisou dos mesmos enchidos num tablóide inglês qualquer. A parte das “imagens divulgadas na internet” é treta: o casal foi apanhado em flagrante pelos serviços secretos reais, acontecimento que deu origem a fotos como esta:
A única notícia, por assim dizer mais fresca, é que o cargo já foi ocupado, pelo reverendo David Matse, presidente da Comissão de Direitos Humanos, ou seja, especialista numa coisa que a Suazilândia não tem. Este rei ainda acredita nos homens da igreja. E na altura das portas, antes que se aleije.
O jornalismo está a aproximar-se cada vez mais do momento em que, se desaparecer, ninguém nota
Imperdível a entrevista de José Vítor Malheiros, por ocasião do aniversário do Público Online. O título é manhoso, mas o conteúdo fundamental para entender o jornalismo online em Portugal e arredores.
Gosto sobretudo desta fatia:
Há um conselho do [crítico de media, blogger e professor universitário americano] Jeff Jarvis: “Do what you do best, and link to the rest.” Isto é um bom conselho, mas é uma coisa a que as pessoas reagem muito [negativamente]. Mas mesmo que eu não faça um link, os leitores fazem. E, quando não o faço, eles sabem que não lhes estou a fornecer esse serviço e ainda pensam que estou a esconder algo.
Roberto, Deus, Jesus, A Bola e os burros do presépio
“Deus mandou mais que Jesus”, diz hoje o jornal A Bola, só porque Roberto defendeu uma grande-penalidade no jogo entre o Benfica e o poderoso Vitória de Setúbal, ontem.
Do jornal oficial do Benfica não se espera grande coisa (ia-me saindo ‘grande merda’) mas esperava-se um pouco de contenção e de vergonha. Há uns dias estavam a crucificar o guarda-redes por causa dos ‘frangos’, hoje, porque defendeu um penalti depois de ter começado o jogo no banco, estão a coloca-lo como o espírito santo que iluminou o caminho de Jesus na obtenção dos primeiros três pontos.
Será que o jornal quer dizer que Deus protegeu Roberto e provocou a sua reabilitação no altar da catedral? Se assim é, Jesus levou uma reprimenda do pai por não ter colocado o jogador a titular? E isto faz do Vitória de Setúbal o quê? O exército de Satanás?
E o jornal A Bola e o brilhante autor do título são os burros do presépio? Espero que não, é que tenho muito respeito pelos burros.
A Honestidade Intelectual do Expresso…
É pena, chega a ser triste.
Aos poucos, de um jornal de referência que, escrevendo algo logo se acreditava que seria verdade, se vai chegando a um jornal que, escrevendo algo, logo se acredita que muito provavelmente tem gralhas ou omissões. E as omissões não são gralhas ou lapsos…
Aconteceu que o Expresso publicou uma galeria online com o sugestivo título “Viagem ao Douro dos anos 50, sem barragens“.
O título é verosímil. Os autores da peça apenas se esqueceram (terá sido omissão ou gralha?) de referir quer a origem quer a data das fotografias ali publicadas. Não são – de todo! – imagens da década de 50 do século XX. São antes fotografias de Emílio Biel a quem a então Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses (legítima predecessora da actual CP EPE) encomendara o acompanhamento fotográfico da valerosa e insana construção da Linha do Douro (1873-1889), Porto a Barca d’Alva, numa extensão aproximada de 200,5 km. Portanto, algumas fotografias têm mais que 60 anos, têm 137 anos.
Com efeito, nos tais “anos 50, sem barragens” a que alude o documento, e ao contrário do mostrado nas fotografias, já toda a linha do Douro tinha balastro (pedra) na via, algumas das estações tinham já sido largamente ampliadas e algumas das pontes ou viadutos tinham sido substituídos: tal é o caso do Viaduto da Pala (na imagem acima) (outra imagem de 1972, máquina a vapor com carruagens metálicas de fabrico suiço Schindler).
Ainda, e ao contrário do que o texto advoga, os “investimentos em barragens” não foram o sinónimo de se terem feito estradas “e melhoram-se as acessibilidades” porque muitas das estradas ribeirinhas (naturalmente sinuosas – são centenárias embora não tão antigas como o caminho-de-ferro). Portanto, se “ficou mais fácil circular junto ao vale do Douro vinhateiro, hoje património da humanidade” tal se deveu muito, e na maior escala, à chegada do comboio e não às barragens. Pormenores! Tanto mais que ninguém vem quotidianamente trabalhar da Régua para o Porto de barco…
E a patranha continua: “com mais energia verde e com novas acessibilidades junto a esses empreendimentos.” Esta afirmação é feita com base nos latos benefícios que o Douro (ele próprio) tem recebido como contrapartida da exploração da sua riqueza?? É que desde os tais anos 50 não se tem notado. Agora andam todos aflitos a dizer que sim, agora é que vai ser progresso para o Douro… já são os jornalistas do Expresso a dizê-lo, deve ser verdade.
Tu pias, ele pia e…
…eu hoje também pio no PiaR.
Um piar sobre o Pacheco Pereira, o José Sócrates, o Pedro Passos Coelho, o Jornalismo com e sem aspas e as agências. Sem esquecer a Britney e a Pamela. “inde ler”, sff.
Assinar o Expresso online: uma grande banhada

Quer deitar dinheiro fora? assine o Expresso.
Primeiro porque a versão que disponibilizam aos assinantes é do pior que há no mercado: só o pode ler mesmo online, num formato onde a utilização de um monitor com menos de 20 polegadas transforma a leitura num suplicio. Ainda gozam connosco no momento em que mudamos de página e ouvimos o som de um jornal em papel, como se a leitura digital fosse uma mera transposição do mundo do Gutenberg para outro suporte.
E depois porque como acontece hoje, e é recorrente, o site assineja está em manutenção. As manutenções começam regularmente nas sextas à noite, e podem prolongar-se por todo o fim-de-semana. Acresce que já várias vezes tive de mudar a password, já que o site se esquece da que tinha, e se torna na única forma de contornar o problema. Reclamar resulta em receber vários dias depois uma mensagem garantindo que nada aconteceu, está tudo bem, e insinuando que nós é que nos esquecemos da dita cuja (mesmo que tenhamos feito copy past dela).
Quando a minha assinatura acabar não a renovarei, é certo. Como a razão de o ter feito (quilos de papel que nunca lerei, e não falo só de publicidade), o Expresso perderá um leitor, que com alguns intervalos vem do primeiro número. Assim suicidas as tuas empresas Balsemão. É pena.
Mário Bettencourt Resendes (1952 – 2010), demasiado perto do poder

Mário Bettencourt Resendes sempre me pareceu demasiado próximo do poder socialista. Daí que as suas análises políticas, na minha opinião, nem sempre tivessem o rigor e a isenção que são exigíveis a um jornalista. Nos últimos anos, quase que pedia desculpa quando tinha de criticar – ao de leve – o primeiro-ministro. A ligação ao «DN», órgão do regime, não terá sido um dos factores que menos contribuiu para isso.
Não significa que não gostasse de o ouvir – na SIC ou na TSF. Discurso fluente e escorreito, interessante alinhamento das ideias. Da mesma forma que não significa menor consideração pelo homem e pela perda que a sua morte representa.
Isaltino Morais condenado a pena de prisão e perde mandato… ou não
A informação imediatista tem destas coisas. Não se toma o devido tempo para interiorizar a informação e coloca-la disponível sobre o efeito de notícia e, assim, em poucos minutos tudo muda. E fica instalada a confusão.
O Sol adiantou que Isaltino Morais foi condenado a prisão efectiva. O i cita o Sol e diz o mesmo. A TVI diz o mesmo mas ligou a Isaltino, que disse não ter sido notificado. E, se assim for, vai recorrer. O Público prefere outro caminho e diz que a Relação desagravou a pena do autarca de Oeiras.
A SIC salienta que o ex-ministro e tio do sobrinho taxista da Suíça não vai perder o mandato e que a pena de prisão até foi reduzida.
Fiquei, pois, esclarecido. O melhor é esperar um pouco mais e comentar depois.
“Sol ou 24horas, é tudo a mesma coisa”
O debate já ai animado quando me sentei numa mesa junto deles. ‘Eles’ são sete ou oito comensais. Amigos de longa data, percebia-se pela desenvoltura com que conversaram. Ali não havia conversa da treta, era coisa levada a sério por quem já está ambientado.
O tema da conversa era, no momento em que me sentei ali perto, o Mundial de futebol. Em poucos minutos, talvez menos de um minuto, o grupo saltou do polvo alemão para a rainha de Espanha que foi ao balneário da ‘roja’, até à capacidade da Holanda poder vencer o encontro da final, aterrando na polémica em redor das declarações “verdadeiras”, na certeza do jornalista, ou “mentirosas”, na versão do entrevistado, de Carlos Queiroz ao jornal Sol.
Os compinchas também aqui não pararam muito tempo, mantendo a velocidade vertiginosa de quem despacha assuntos como em Portugal se elaboram leis. Neste ponto, o tema central nem sequer foi o teor das (alegadas) declarações do seleccionador. A substância não era para ali chamada. A forma é que os reteve. Um dos elementos, dos mais prolíficos a soltar ditames, atirou: “O Queiroz já desmentiu isso. Foi o 24horas que mandou uma notícia… Oh!”. Ao longo, mais cauteloso, um outro elemento encolhe os ombros e faz cara de desconfiado. Um terceiro assinala: “Não foi o 24horas, foi o Sol”. O primeiro não desarmou: “Sol ou 24horas, é tudo a mesma coisa”.
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Fim do RCP é triste mas não surpreende
O fim do Rádio Clube Português é triste mas não é surpreendente. Surpreendente foi um grupo com a experiência da Media Capital ter decidido sequer avançar com um projecto deste género. E, já agora, ter aguentado durante tanto tempo, apenas com ligeiras alterações.
Querer vingar em Portugal uma rádio de palavra, muito ao estilo espanhol, parece uma demonstração de ignorância sobre o mercado nacional. As rádios de palavra funcionam em Espanha mas não em Portugal. Por cá, o mais aproximado é a TSF mas, ainda assim, bem longe do espírito daquilo que se faz no país vizinho e que o RCP tentou fazer na sua origem. A reformulação efectuada há coisa de dois anos não resultou. Foi apenas uma tentativa de adequar os olhos à barriga.
Uma rádio deste género implica um investimento elevado. Sobretudo em meios humanos e em despesas de comunicações. E o retorno publicitário, convenhamos, é uma miséria. Agora, 36 pessoas vão para o desemprego. Depois do fim do 24horas, é mais um órgão de comunicação social a não resistir. Não só à crise mas também à gigantesca evolução do sector. Não deve ficar por aqui.
Jornal de quê?
Parece que se chama “Jornal de Notícias“.
E parece que ninguém duvida da sua história, grandiosidade, rigor e influência no panorama da imprensa nacional.
Eu, pelo menos, não duvido. Ou melhor, não duvidava. É que a ver pela capa da edição de hoje, pergunto-me quais os critérios de selecção das ditas “notícias”.
Quando Morre um Jornal
… morre um bocadinho de um Povo (uma certa fatia de Povo). Desaparece o 24 Horas, Lisboa fica assim mais pobre.
Começam o Mundial e as Perguntas do Rui Santos
Rui Santos pergunta: “Acha que Carlos Queiroz procedeu correctamente, ao autorizar que Cristiano Ronaldo, em vez de acompanhar os colegas na visita aos leões, tenha ido fazer ‘ronrons’ com a gatinha?”
Passei há umas décadas pelo jornalismo desportivo, no ‘Norte Desportivo’ e na ‘Capital’. Conheci, nesses tempos, ilustres jornalistas desportivos, homens de cultura sólida. Alves Teixeira, Manuel Dias, Alves dos Santos, Vítor Santos, Carlos Miranda, Carlos Pinhão, Homero de Serpa, Viriato Mourão, Aurélio Márcio, Alfredo Farinha, Neves de Sousa e outros cujos nomes me escapam agora. Com eles aprendi.
Hoje em dia, o jornalismo desportivo rege-se por outros padrões e práticas. Falar e escrever bom português, por exemplo, não é regra imperativa. Os meios de comunicação social, com RTP, SIC e TVI em destaque, dedicam horas a fio e em exclusivo aos chamados três grandes, Benfica, F.C.Porto e Sporting. No caso da RTP, a falta é agravada por ser estação pública.
O formato dos ‘programas de debate’ é comum nos vários canais. Nem sequer, em qualquer destes, há o bom senso de privilegiar a análise dos jogos e de seleccionar como protagonistas os intérpretes do espectáculo. O resultado é simples: assistir a discussões, cujo tom varia entre os sons da tasca e do café de bairro, por gente, ao que se diz, muito bem paga. Já que de ilustre, ninguém duvida que é mesmo.
Outro formato recorrente consiste em colocar um ou dois comentadores em estúdio. Interrogados ou convidados a falar pelo(a) locutor(a) de serviço, falam durante longos intervalos de tempo, sem que nada digam. Um destes casos, e quanto a mim o mais típico, é o de Rui Santos na SIC Notícias. Quando inesperadamente o homem me aparece, “Ah ‘zapping’ para que te quero!”.
Fujo dele – e dos outros – a sete pés. Há, todavia, um embate de que não consigo livrar-me: são as ‘perguntas do Rui Santos’ anunciadas nos intervalos televisivos. Assim, hoje começa o Mundial da África do Sul – os tempos preliminares já ficaram tristemente marcados para Mandela – mas, como dizia, começa o ‘Mundial’ e as ridículas perguntas de Rui Santos. Estou a imaginar uma: “Acha que Carlos Queiroz procedeu correctamente, ao autorizar que Cristiano Ronaldo, em vez de acompanhar os colegas na visita aos leões, tenha ido fazer ‘ronrons’ com a gatinha? – é uma demonstração do jornalismo de sucesso, de hoje. O exercício felino sobre o relevante para os jogos de futebol.

















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