Um sono tranquilo

Ser sindicalista é, nos tempos que correm, uma ocupação da moda. Isto, considerando o regresso à escrita de tantos Aventadores, antes entregues ao silêncio cúmplice dos jotinhas que nos governam. Quando o alfa e o omega da luta política lusa se destina a combater o Mário Nogueira, então poderei ir dormir tranquilo – o nosso trabalho está a ser bem feito.

Nos tempos de Sócrates fomos eleitos os inimigos públicos da Governação e agora, o PSD segue o mesmo trilho, com o mesmo tipo de linguagem, de argumentos e de provocações.

Voltaram os comunistas e as criancinhas ao pequeno-almoço… Só para complementar a informação, será que podem ajudar a clarificar tudo, apontando aqui o nome dos dirigentes sindicais (aqueles que assinam tudo!) militantes do PSD?

O poder foca a sua atenção nos sindicatos, esquecendo-se de governar – está tudo a funcionar bem do lado do contra-poder, aquele em que devem estar os sindicatos. E, ao contrário, tudo funciona mal do lado de quem dirige.

Quanto aos meninos que vivem à custa dos nossos impostos no parlamento, deixo uma sugestão simples: troco todo o dinheiro que o Governo transfere para os sindicatos pelo dinheiro que é transferido para  a JSD ou então, a décima parte do dinheiro que é transferido para as agências de comunicação que, um dia atrás do outro, nos tentam enganar com as mentiras do sistema.

 

Contributo para um Memorando de Entendimento entre Governo e Sindicatos – Uma proposta de comunicado

«Após análise da complexa situação que a escola pública está a viver e da necessidade de preservar os alunos e a preparação do próximo ano lectivo, a Plataforma de Sindicatos dos Professores decidiu cancelar a greve às avaliações, com efeitos a partir do dia de amanhã.
O Governo e a Plataforma Sindical de Professores decidiram que:
– o horário de trabalho dos professores passará para 40 horas semanais, incidindo esse aumento de horário apenas na componente não-lectiva. A componente lectiva continuará a ser de 22 horas.
– o cargo de Direcção de Turma continuará a fazer parte da componente lectiva e corresponderá a 2 tempos semanais.
– a mobilidade geográfica a que os professores estarão obrigados terá um raio máximo de 60 quilómetros.
– o processo de Requalificação dos professores [Mobilidade] irá prosseguir conforme planeado. Nesse sentido, será constituída em data a anunciar uma Comissão Permanente de Acompanhamento do Processo de Requalificação, da qual farão parte, em igual número, representantes do Ministério da Educação e dos Sindicatos de Professores. Esta Comissão Permanente será a responsável pela elaboração de um relatório sobre todo o processo de Requalificação e terá uma duração de 36 meses a partir da data da sua constituição. Qualquer uma das partes poderá solicitar o prolongamento dos trabalhos por mais 12 meses. Após a recepção deste relatório, que não será vinculativo, o Governo tomará a sua decisão relativamente ao Processo em causa. O Governo compromete-se a não tomar qualquer decisão antes da recepção deste relatório.»
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A JSSD e os sindicatos

Querem mudar a constituição, só pode. Oito deputados de um partido social-democrata.

A última esperança

A luta que os Professores têm vindo a desenvolver no último mês tem sido exemplar em muitos aspectos, nomeadamente ao nível da mobilização da classe que atingiu, em GREVE, dimensões nunca antes atingidas.

Mas, se os professores estão a lutar de forma singular, os boys de serviço continuam a não entender o que está em cima da mesa e que Pacheco Pereira tão bem descreveu esta semana:

O que está em causa para o governo na greve dos professores   é mostrar ao conjunto dos funcionários públicos, e por extensão a todos os portugueses que ainda têm trabalho, que não vale a pena resistir às medidas de corte de salários, aumentos de horários e despedimentos colectivos sem direitos nem justificações, a aplicar ao sector. É um conflito de poder, que nada tem a ver com a preocupação pelos alunos ou as suas famílias.

No DN, Pedro Tadeu, coloca a questão no ponto certo

O direito à greve foi assim transformado numa inalienável hipocrisia constitucional: um grevista é sempre, a priori, acusado por esta gente de estar a fazer mal ao País. E em qualquer empresa privada quase ninguém faz greve pois arrisca, logo, o desemprego.

Este jogo que parece ter de um lado os Professores e do outro Nuno Crato é bem mais complexo do que a espuma dos dias parece mostrar e todos começam a ter essa percepção. Obviamente, todos (ou quase!) defendem o direito à GREVE, mas nunca aquela em concreto: ou porque é cedo e não é tarde, porque é nos comboios e deveria ser nos aviões, porque é com alunos e deveria ser com os doentes, ou o diabo a quatro[Read more…]

Greve às avaliações alargada até ao dia 28 de Junho

Desta vez, os sindicatos estão de parabéns! Em Junho não há notas para ninguém…

Zandinga post (2): os sindicalistas são uns malandros

Os boys pagos com o nosso dinheiro e que estão ao serviço do Governo vão aparecer a criticar os sindicatos, os sindicalistas, quem faz greve… É um excelente sinal! Preocupado ficaria se nos viessem aplaudir! Ou então, como no tempo da Maria de Lurdes, se viessem descer a Avenida no meio das nossas manifs

Zandinga post: Há greves marcadas

Devem estar a pintar posts contra as greves, os grevistas, os sindicatos e os sindicalistas. Era mesmo só isto – foi o momento Zandiga no Aventar.

Se há alguém que merecia isto era ele

Mais protestos contra o Governo…

Partir a espinha aos sindicatos

O título foi roubado ao António Ribeiro Ferreira, num editorial que escreveu no jornal i. Surgiu aqui republicada, recentemente, uma reportagem miserável, paternalista, preconceituosa e com todo o ar de encomenda sobre os sindicatos e os custos que estes têm para o Estado. Confesso que não pretendia dar antena a tal coisa. No entanto, depois de ler hoje o Mapa do II do Orçamento de rectificativo, vale a pena olhar para a questões sobre várias formas. [Read more…]

Os sindicatos

Em Abril deste ano publiquei um texto sobre a questão do financiamento dos sindicatos que tanta tinta fazia correr em Espanha. Agora, a RTP fez uma “investigação” sobre o tema em Portugal. Deixo aqui o vídeo do programa e uma breve nota: 6 milhões???????????

Greve dos Professores: modo de usar

Tem dúvidas? É descarregar o documento de perguntas e respostas elaborado pelos sindicatos:

Greves Junho 2013_FAQ (pdf)

Espanha: Os sindicatos e o capitalismo

Aqui ao lado, em Espanha, fruto de mais uma bronca com dinheiros públicos, os ERE – Expediente de Regulación de Empleo, envolvendo políticos, empresários e sindicalistas (UGT e CCOO) colocou na agenda a questão da transparência dos dinheiros dos sindicatos.

A UGT e a CCOO (a CGTP espanhola) receberam mais de 30 milhões de euros de dinheiros públicos sem terem realizado nenhum trabalho. Os números são incríveis: o governo da Andaluzia entregou aos sindicatos (a troco de garantir a paz social) mais de mil milhões de euros entre 2001 e 2010. As duas centrais sindicais receberam, só em 2011 e 2012, mais de 220 milhões de euros de dinheiros públicos sem qualquer controlo.

A prisão de um sindicalista nos últimos dias, fez acordar a sociedade  civil espanhola para esta realidade. É caso para perguntar: e em Portugal, tudo normal???

Amanhã, às 15h

Para memória futura ficam as declarações de Nuno Crato:

“O Governo não está a discutir, o Ministério não está a discutir qualquer aumento do horário de Professores e muito menos de 35 para 40 horas. Isso não está em causa” (…) “Eu posso dar essas garantias para que as pessoas estejam tranquilas em relação a isso”

 

Estou tão tranquilo que amanhã, sábado, dia 16 de fevereiro volto à rua!

Laranjada

Eu percebo que os sindicalistas ao serviço do PSD tentem acalmar o povo, mas também não precisam exagerar. Fazer de conta que não se está a passar nada é um papel triste nos dias que correm.

Uns sabem, outros não

O Ministério da Privatização do Ensino Público, vulgo da Educação, decidiu centralizar os dados de carreira dos seus funcionários, operação com uns bons anos de atraso e que até poupa umas horas de trabalho a muita gente, incluindo os visados, os professores.

Claro que assim terá finalmente possibilidade de saber exactamente quem gere em termos de pessoal, o que se chama entrar na normalidade.

Vai daí mandou um mail a todos os professores, solicitando que via net colocassem os seus dados. Sucede que como a informática e o estado funcionam assim, um tolo mandou um endereço https ir parar a um endereço http.  Nada de estranho. Estamos em Portugal.

Anormal é o meu sindicato, da Fenprof, me spamar com um mail avisando que podia ser uma tentativa de phishing, o que é de infoburro para baixo, e sendo de senso comum nem vou perder tempo a explicar porquê.

Os professores, ao longo da última década, foram obrigados a tornarem-se infoincluídos, o que faz todo o sentido. O meu SPRC mesmo assim insiste em mandar-me o seu jornal em papel, a somar ao da Fenprof, em pdf não porque deve ficar muito caro. Podia contar mais estórias, a [Read more…]

A lição dos estivadores

Como se percebe da leitura do extenso trabalho que veio hoje a lume no Público, há sindicatos e sindicatos, e uns e outros distinguem-se pelos trabalhadores que têm e sua consciência.

Enquanto nuns portos os estivadores pagam uma quota elevada e beneficiam com isso da possibilidade de prolongar uma greve, o responsável do sindicato de Sines afirma não ter hipóteses de o fazer (embora saiba que uma greve de 8 dias faria ceder qualquer governo), o que até se compreende.  Uns ainda são trabalhadores, os outros estão no grau abaixo de zero do precariado e do salário pelo mínimo.

É essa a diferença, é para aí que governo e patronais pretendem empurrar os trabalhadores que sobram. Espancando para a ausência completa de direitos, para a reproletarização na versão clássica do esses que nada têm a perder porque nada têm, mas não ganharam ainda a consciência de terem tudo a ganhar. Esses a quem chamam em gozo de balofa hipocrisia colaboradores.

Têm azar: mais tarde ou mais cedo este filme também acaba assim:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=S6VBdu_ur48]

Há Lodo no Cais – On the Waterfront

Sindicatos de Professores – eleições directas para mesas negociais

O Sindicalismo em Portugal, como em muitos outros países europeus, vive momentos delicados.

Num contexto em que o papel dos Sindicatos é questionado em permanência, no meio deste tsunami social em que intencionalmente nos colocaram, os trabalhadores também sentem a importância do Sindicato, nem que seja como a última porta a bater depois de todas as outras se terem fechado.

No caso dos Professores há um problema de base que complica tudo – são mais de dez as estruturas sindicais que representam a classe. Existe a FENPROF, liderada por Mário Nogueira e que representa mais professores que todos os outros juntos, mas depois, entre os sindicatos mais pequenos contam-se mais de uma dezena de estruturas.

Maria de Lurdes Rodrigues  (página 11) for responsável pelo primeiro processo de aferição da representatividade sindical para distribuição dos tempos que poderiam ser usados pelos professores para a actividade sindical. Nessa altura, quando havia mais de 1200 dirigentes sindicais a tempo inteiro, a FENPROF tinha 15%. Quando o número foi reduzido para 450,  a FENPROF subiu para os 40% (180 dirigentes) e finalmente, em 2006, foram-lhe atribuídos 146 de 300.

A minha pergunta é simples: a quem interessa esta aparente divisão? [Read more…]

14N: Agora é a hora!

Para uma parte significativa do nosso povo Portugal tem que pagar o que deve. E ponto.

Existem, depois, dois grupos, minoritários que têm vindo a fazer opinião:

– para o PSD e seus boys existe um caminho para ser percorrido e que está, ainda, a começar: tornar privado tudo o que possa dar algum tipo de lucro, ou seja, depenar o país de qualquer tipo de possibilidade de se safar. Eles dizem que Nós (o país!) temos que pagar porque esse é um negócio que lhes interessa, e muito!

– para o BE, para o PCP, para uma parte cada vez mais significativa do PS e, claro, para um conjunto cada vez mais amplo de pessoas, independentes e livres, da esquerda à direita, está hoje mais claro o caminho que isto está a levar. Já perceberam qual é a agenda que está em cima da mesa. Já compreenderam o que querem os boys de serviço. Continuam,  no entanto, sem apontar um caminho, sem dizer ” é por ali!”

Hoje, Silva Peneda, aponta um caminho: negociar e já!

Defendo essa exigência! É impossível continuar a pagar, quer os juros, quer a comissão à TROIKA, sem que isso signifique o fim do país.

Confesso que continuo a ter algumas dúvidas sobre o papel do CDS e de uma parte do PS que tendo percebido o que está em causa, continuam a vacilar entre o futuro do país e o futuro das respectivas carteiras – está também visto o que vão escolher quando tiverem que optar.

Neste quadro, meio estranho, onde os políticos se revelam incompetentes para resolver, tem que haver uma resposta das pessoas reais – de mim, de ti, de cada um de nós!

É um momento único este que vai ser vivido na próxima 4ª feira!

Uma EUROPA inteira a lutar!

Este é o caminho e poderá, desta unidade dos povos, das pessoas que trabalham, sair alguma coisa bem positiva.

Dia 14 participo na GREVE GERAL! E tu?

Lutador dos sete ofícios

Portugal é um país muito pequeno, uma espécie de aldeia à escala planetária. Não me surpreende a presença duma pessoa em vários momentos da vida cívica até porque a cidadania lusa já teve melhores dias. A experiência vai-me mostrando que as pessoas que fazem as associações recreativas são as mesmas que estão no folclore, nas associações de pais, na igreja, nos clubes, nos partidos, nos sindicatos…

Alguma direita tem procurado apontar o dedo a quem aparece na rua a protestar contra algo, nomeadamente quando se trata de pessoas ligadas ao PCP e ao BE. Desta feita trata-se da luta contra as portagens no Algarve e o BE é o bombo da festa. Parece-me excessivo que um partido ou uma organização tenham que mandar nos seus membros, quando estes actuam numa outra condição. Parece-me estranho que alguma direita, sempre tão liberal, ache que o presidente do meu partido tenha que ter opinião sobre o que eu faço no clube de futebol da minha terra ou naquilo que faço na minha comunidade, por exemplo, como elemento de uma associação de pais.

Esta transparência e divisão de “tarefas” não é uma condição da democracia? O que sugere Helena Matos?

Que cada um dos cidadãos só possa ter um papel na sociedade? Ou que, no caso de ter mais do que um, tenha de fazer uma declaração de interesses? É isso que sugere? Que traga na lapela um pin de cada uma das suas funções?

Será que teremos este tipo de considerações para os cargos de chefias de empresas, na promiscuidade entre as empresas e o estado, entre os partidos e a comunicação social? Os de confiança

Fica a sugestão para o Blasfémias.

Há um momento em que temos de ir para a rua

O Público de hoje traz um texto com declarações de vários professores, procurando equacionar a resposta da classe às propostas do MEC sob o ponto de vista das redes sociais. Há declarações minhas, onde me assumo, como sempre, como Dirigente do SPN (FENPROF) e como elemento do Aventar. Além das minhas há declarações do Dirigente da FNE, Arlindo Ferreira, do Nuno Domingues, do André Pestana e do Paulo Guinote.

No caminho anti-sindical que tem marcado a prática do Paulo, tudo que aparecer com o rótulo FENPROF é para deitar abaixo – agora é o Purismo Divisionista. É curioso que me acuse de dividir quando ele se atira à FENPROF, que bem ou mal é a única organização que tem estado na rua. Será que as outras, as que têm lugar à mesa, são mais confiáveis?

E já agora Paulo, creio que já não faz sentido que me continues a atirar para um lado da FENPROF que tenho vindo a combater há anos. E tu sabes isso! É atirar areia para os olhos dos mais atentos. Sugeria uma leitura, no texto, destas linhas:

“Apesar de ser dirigente do Sindicato dos Professores do Norte, afecto à Fenprof, João Paulo Silva, um dos autores do blogue Aventar, partilha algumas das críticas feitas à actuação dos sindicatos,”

Quanto aos argumentos por mim utilizados, penso que não há nada de outro mundo na  afirmação que a maioria dos professores votou neste governo e que uma parte significativa da classe recebeu bem o Ministro. É uma ideia que  tem tanta validade como o seu contrário, mas ainda podemos ter liberdade de expressão ou não?

Mas que diabo, porque é que esta afirmação, meramente pessoal, é divisionista? Porque é que esta afirmação é assim tão dramática? Será que te tocou em algum ponto sensível? Sinal de falta de democracia da minha parte? Limito-me a tentar perceber o mundo à minha volta, nada mais. [Read more…]

Plataforma pela Educação

Afinal foi hoje que a Escola Pública mudou…

Jotinhas que nunca trabalharam

O colega aqui do quarto direito, atirou-se, no Forte Apache a um sindicalista que, segundo ele não trabalha desde 1979. Como li o texto um bocadinho depois da hora, ainda pensei que se tratava de um trocadilho sobre o espantoso currículo do Pedro Passos Coelho nas empresas dos amigos, isto é, na Jota do Ângelo Correia.

Li, depois, com mais atenção e percebi, com umas trocas de comentários, que a sátira era sobre uma questão bem mais delicada – a dificuldade de renovação do movimento sindical, algo comum a todas as estruturas coletivas da nossa sociedade.

O que me dizem os responsáveis da igreja, não é diferente do que se passa nas associações de pais, nos clubes, nos partidos e, claro, nos sindicatos.

As jotinhas dos Partidos (PS, PSD e CDS) são um fantástico mecanismo de promoção social – todos o sabem. Também sabemos todos e eu já o escrevi no Aventar, o que significa o movimento sindical para o PCP.

Mas, estas são duas dimensões apenas duma realidade bem mais complexa. Tem havido baixa rotatividade no mundo sindical? Se calhar.

Mas, nas outras organizações tem sido diferente? Ao nível local, quem manda no PS e no PSD não têm sido os mesmos desde sempre?

Respondem-me que, então estão bem uns para os outros, ou antes, estão mal uns para nós! Sim. Claro. E daí o problema!

A questão central é mesmo esta, porque é que as dimensões coletivas da nossa sociedade estão a falhar? E como é que se consegue dar a volta a isto?

Para que servem os professores?

A Educação no Portugal democrático sempre foi um edifício em mau estado. Nos últimos sete anos, os três governos PS/PSD/CDS conseguiram o milagre de fragilizar ainda mais os frágeis alicerces desse edifício, limitando-se a disfarçar o mau estado do imóvel com uns painéis publicitários e outras manobras de marketing.

A partir do ano que vem, entre mega-agrupamentos, turmas com mais alunos e a dispensa irresponsável de milhares de professores contratados, o triste edifício ameaçará a ruína absoluta.

Em sete anos de políticas ruinosas, os professores souberam fazer três manifestações gigantescas e várias greves, mas não conseguiram e continuam a não conseguir travar a destruição quotidiana da Educação. Intoxicada por anos de inveja social, alimentada pelas máquinas de comunicação partidária, a opinião pública limita-se a olhar para os professores como uma corporação preocupada apenas com os seus privilégios.

Resta saber até que ponto esta visão será justa. Há pouco tempo, um amigo e colega defendia a necessidade de que os professores soubessem unir-se para protestar contra tudo aquilo que está mal na Educação e não apenas por razões relacionadas com questões corporativas.

A verdade é que podemos encontrar demasiados exemplos de pessoas mais preocupadas com a vidinha do que uma classe cuja principal preocupação deveria estar centrada na Educação: efectivos que se manifestaram em Lisboa e foram a correr entregar objectivos mínimos, sindicatos muitas vezes mais preocupados com domínio do território, professores que acatam acriticamente qualquer novidade, directores que se deixam transformar em fantoches do Ministério da Educação e muitos outros exemplos que não ficam bem na fotografia de profissionais qualificados que se deixam desqualificar todos os dias.

Os professores continuam, assim, a ser cúmplices da destruição da Escola e, portanto, indignos de uma das profissões mais nobres que se pode desempenhar. Há muito para pensar e há muito para pôr em causa, o que inclui formas e razões de luta. Enquanto isso não acontecer, os professores servem para muito pouco.

Momento erótico: a UGT entrega-se ao Governo

A UGT, sempre convenientemente debruçada sobre a mesa das negociações, espreita o Governo por cima do ombro e finge-se indignada com o facto de se ter vendido. Enquanto está a ser devidamente usada, vai produzindo frases pornográficas no mau sentido, fingindo, ainda, que manda na relação, chegando mesmo ao ponto de dizer ao amado que “dê corda aos sapatos”. Com uma voz sensualmente irada, abafando um risinho mal disfarçado, a UGT fala na necessidade de andar mais depressa com “políticas activas de emprego”, expressão que provoca no Governo uma leve tremura, ao ver em tudo isto uma suave reprimenda que quer dizer “sim, sou tua”. [Read more…]

Força-Tarefa Para que Tires o Dedo do Cu

Não posso ir a manifestações quando tenho fome. Se me anunciam tumultos, pelo andar da carruagem nacional, recordo que não os patrocino com a barriga vazia, tal como não me meto em problemas, se transido de apetite. Tampouco me introduzo nas lojas Pingo Doce se percebo que é para horas de seca, pois sei que terei ainda mais fome e o tempo de qualidade faz-me falta. Gosto de promoções, coisa que partidos e sindicatos não fazem, tiram-nos tudo, a esperança principalmente. Sou precário. Semidesempregado. Quando vejo os sindicalistas portugueses discursar, reparo que têm razão, mas não têm soluções nem trazem um farnel para repartir connosco. Se lhes pedir um pão, oferecem-me um cigarro. E eu não fumo. Os sindicalistas portugueses em geral estão gordos e ficam muito direitos de braços cruzados atrás dos discursos de impotência do líder, a barriga muito proeminente e o bigode, aquele bigode com trinta anos de recorte, flanando à brisa chuvosa da tarde. Precisava de uma Esquerda que fosse às compras ao Pingo Doce sem preconceitos e me oferecesse um brinde e um bónus: um saco de café, um saca-rolhas; que todas as semanas tivesse uma iniciativa inteligente de protesto que fizesse pensar os media domados e os indomáveis aprendizes de governante e não bloqueasse a economia porque economia é eu ter menos fome ou não precisar de tê-la. Seria lindo que a nossa Esquerda Petrificada tirasse o dedo do cu e organizasse boicotes selectivos a uma qualquer gasolineira alternadamente a fim de todos obtermos efeitos e ganhos práticos, preços em declínio, qualquer coisa onde de repente as massas inexistentes nas praças do protesto nulo fossem milhões de indivíduos unidos num propósito comum, milhões de pessoas a agir com pouco esforço e nenhuma fome. Palavra de ordem: partilhar ou morrer inchado. Entrei ontem animoso por uma loja Pingo Doce adentro, furando entre uma multidão de ventres reciprocamente prensados. Ia carregado de sacos levados de casa e desisti ao fim de cinco minutos. Tive inveja, infinita inveja, dos que se precaveram. Eu me não precavi. Invejei os que ficaram nas filas de muitos metros para muitas horas, com o carrinho a abarrotar de fruta, de enchidos, de suculentas partes de frango assado. As fraldas que não comprei! A carne que nunca vejo. O leite que sabe Deus! Deus sabe com que sorriso amarelo abandonei a loja.

Más notícias para o governo: a greve correu mal

Parece contraditório mas não é. Não sendo um fracasso a greve foi fraquinha. Como era de esperar: as greves ficam caras a quem as faz, a vida está difícil, e um milhão de portugueses em idade activa não tem trabalho.

Significa isto que os sindicatos estão a perder o controle do protesto, fez no dia 12 um ano que tal começou, mas a revolta existe. A revolta é a condição natural dos humanos quando perdem direitos e agrava-se na medida em que se sentem roubados, piorando e muito quando têm fome. Funciona a revolta como todas as pressões: acumula-se, por vezes tem as suas válvulas de escape, volta a acumular-se.

A má notícia para quem rouba direitos é essa: a válvula de escape não está a funcionar. Uma chatice. É tradição nacional explodirmos pouco, mas quando explodimos, nem interessa se por boas ou más razões, partimos tudo.

Isto ainda vai dar merda, e da grossa, pois vai. E não vai ser em câmara lenta.

Professores e sindicatos: pistas para reflexão

O papel dos sindicatos, goste-se ou não, está, em relação ao poder, do outro lado da folha. Já aqui escrevemos sobre o papel destinado aos sindicatos que assinaram o acordo com o MEC – com comportamentos destes é absolutamente natural que os professores, quando se sindicalizam, escolham maioritariamente a FENPROF. Goste-se ou não, é o único sindicato de professores (para simplificar, porque a FENPROF é uma federação de sindicatos regionais).

Agora, as reflexões que têm vindo a ser feitas nos últimos tempos sobre o comportamento da FENPROF fazem algum sentido, nomeadamente porque permitem questionar a própria classe.

Duas ou três ideias para lançar a reflexão:

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Professores e sindicatos, blogues e movimentos: representatividade

O movimento sindical docente tem características muito interessantes que poderiam merecer uma atenção mais detalhada dos investigadores destas coisas. Os Professores (incluindo aqui os educadores) são cerca de 150 mil, só na função pública, havendo mais uns milhares na parte privada do sistema.

No Educar, Paulo Guinote interroga-se sobre esta temática, fazendo-o a dois tempos. Vamos ao debate, procurando equacionar a primeira parte da discussão:

“Afinal quem representam ou pretendem representar os sindicatos de professores?” [Read more…]

Concurso de Professores: Efectivos e contratados, resultados diferentes

O tempo vai passando e a troca de argumentos continua, mas a questão central é a mesma: o acordo assinado entre alguns sindicatos, pouco representativos e o MEC é um bom acordo?

Depois de ter feito uma análise ponto a ponto, é hora de ver o documento de forma mais ampla.

Para os docentes do quadro, o acordo é quase inócuo. Clarifica a questão dos horários zero e isso é muito positivo. Tudo o resto é pouco ou nada importante.

Para os professores contratados o documento é muito mau!

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Análise ao acordo entre o MEC e alguns sindicatos

Depois do acordo entre o MEC e alguns sindicatos, este é o momento de analisar o que foi assinando, comparando o acordo com a legislação hoje existente. Será falta de honestidade argumentar que entre a primeira proposta do MEC e esta última há muitas coisas melhores. Pois, mas essa todos perceberam que era, a primeira, apenas um isco.

Vamos lá então analisar o que está assinado:

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