É bom não esquecer
Estamos no início do ano lectivo 2011/2012. Por isso nunca é demais recordar a cartilha que deve ser seguida para o sucesso escolar.
Mas a cartilha, de tão filosoficamente rica que é, poderá servir para o país inteiro e até ao Governo: sejamos capazes de escutar estas palavras e fazer de conta que a escola e os professores são a troika, estudar e aprender é trabalhar e pagar impostos, e que os alunos somos todos nós.
A criança e a sua mente cultutal
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Para a Gracinha Pimentel Lemos, antiga discente, hoje amiga pessoal
Conhecido é que o autor do presente texto não tem sentimentos de fé. Conhecido é, também, que foi educado dentro das ideias ocidentais que, por acaso histórico, são cristãs. Ideias que são partilhadas, não apenas pelos cristãos romanos, arménios, ortodoxos gregos ou russos, libaneses, maronitas ou de outros países orientais, em paz e convívio com os muçulmanos, essa grande maioria com quem o Ocidente comunga a mesma Bíblia. [Read more…]
Tomai e lembrai
Acabo de saber pelo telediário do Porto Canal numa reportagem em pleno Congresso do PS, que parece formoso e Seguro, que os militantes do PS andam muito esquecidos do seu hino: “A Internacional”.
Pois é, afinal não é só o queijo que faz mal à memória, o caviar também.
Assim sendo, ó “camarigueiros” – mistura de camarada, amigo e companheiro – aqui vai o vosso hino para mais tarde recordar, de preferência quando estiverem de novo no poder. É que vocês são muito Esquerda antes do poder, mas depois tendem a guinar à Direita.
Provado suicídio do Presidente Salvador Allende

Morávamos na 6ª Carlton Terrace, em frente a Holyrood Palace, a casa da Rainha Mary Stuart, mais tarde da Monarquia Britânica. Tinha, entre 200, ganho o terceiro lugar para acabar os meus estudos de pós graduação em Antropologia e Ciências da Educação. Éramos a minha mulher, a nossa única filha Paula, hoje psicanalista, e, por parto, os nossos amigos argentinos, a família Gaudio, Ricardo e Sida e o seu filho Santiago. [Read more…]
Opções
Crime e castigo
Durante as últimas décadas, governos, partidos – mesmo os que não chegaram a governar – e eleitores colaboraram activamente para que a nossa qualidade de vida subisse consideravelmente. O salto foi de tal forma intenso que foi possível fazer um colosso cultural em Belém (agora emprestado a um particular), ergueram-se estádios em todo o país (que até vão ser demolidos por causa do custo de manutenção), a lista de aldeias com acesso por autoestrada gratuita cresceu exponencialmente (apesar de agora terem que ser pagas) e o número de pessoas a trabalhar directa ou indirectamente no Estado não parou de crescer (tanto bem público precisa, inevitavelmente, de mais eleitores – perdão, trabalhadores).
Talvez nem houvesse problema se por acaso os consumidores não preferissem o preço dos jeans feitos por orientais a trabalharem 14 horas por dia do que os nossos que eram feitos no Vale do Ave em condições laborais justas mas mais caros. Ou se os carros não viessem da Alemanha, os computadores de Taiwan, os tomates de Espanha, os lápis da China e o software da América. Ou então, que tivéssemos todas essas importações mas que a nossa balança comercial não fosse 10% deficitária ao ano, levando o país a endividar-se no valor do seu PIB a cada 10 anos.
Eleição após eleição vemos o crime da irrealidade ser premiado com o voto. Chegado o castigo da conta, é altura de irmos para a rua gritar contra os que até aqui nos trouxeram. Chega de conformismo, abaixo os eleitores. Ups, se calhar os culpados não são “eles” mas sim nós.
O 11 de setembro que mudou o mundo
No dia 11 de setembro de 1973 um golpe militar chefiado por A. Pinochet derrubou o governo do Chile presidido por Salvador Allende, eleito socialista que governava recuperando a unidade dos primeiros governos de Frente Popular. Foi para a esquerda um acontecimento que fecundou na altura discussões eternas sobre via eleitoral e via revolucionária, já para não falar da denúncia da mãozinha do Kissinger, sua CIA e governo dos States. A nostalgia ainda hoje é essa.
Para o Portugal que poucos meses depois iniciou um Processo em Curso que a bem dizer nunca foi Revolucionário, o massacre da esquerda chilena (30 000 mortos, segundo a Amnistia Internacional, fora campos de concentração e tortura) pairava nas constantes ameaças de pinochetazo, abortadas num 11 de março precoce e desaparecidas com um 25 de novembro versão português suave.
Isto mudou o mundo?
aparentemente não, o mundo não é o Chile. O aparentemente serve para a versão politiqueira que os media e algumas ciências de ocasião vão fazendo. Mas mudou, e muito.
Em 1958 a Pontificia Universidad Católica de Chile tinha estabelecido um acordo com a Universidade de Chicago através do qual vários dos seus alunos foram aprender com Milton Friedman aquilo que hoje chamamos de neo-liberalismo. Augusto Pinochet abriu-lhes a porta para governarem, assumindo o que ficou conhecido pela experiência dos Garotos de Chicago, feliz tradução na Wikipédia para Chicago Boys.
Sob uma repressão brutal e 20% de desempregados a mais torcionária das ditaduras sul-americana do fim do século passado, construiu isto: [Read more…]
As ditaduras e o saber das crianças
Metáfora dos meus netos defendidos
Para todos os meus netos, especialmente o primeiro, Tomas van Emden, filho de Cristan e Paula, nascida Iturra-González. Tomas, Mum shall explain this synthesis of my book of 1998: O crescimento das crianças, Profediçoes, Porto, what we have to live, what we had to fight to survive, and why we were in Viatuxe, Galiza. The little girl over there, is your Mother.
1. Os eruditos.
A ditadura não é virtual, é a materialidade da acumulação do poder nas mãos de apenas de uma pessoa que governa. A ditadura não é virtual, assume todos os poderes para agarrar. Para agarrar qualquer um que pense de forma diferente. Qualquer um que deseje a divisão do comando do poder. A ditadura apoia-se, normalmente, nas armas e na proibição de pensar de todos os seres que queiram serem diferentes. Principalmente na proibição de pensar. [Read more…]
Baixa-Chiado quê?
O presidente do Metropolitano de Lisboa está contentíssimo com uma cambalhota toponímica parola e patega. Alguém se lembrou de rebaptizar a estação Baixa-Chiado e chamar-lhe PT Bluestation a troco, está bem de ver, de uns euritos. E como, hoje, onde há euros há tudo, nada mais importa.
Há milhões a ganhar na cidade de Lisboa, mesmo para lá do metro. A CML pode até rebaptizar lugares e monumentos. O Marquês de Pombal, por exemplo, pode passar a chamar-se Marquês de Borba Reserva Tinto, o Jardim Zoológico ganharia o nome de Twiskas World, o Campo das Cebolas podia, sem prejuízo algum, chamar-se Caldos Knorr, a Praça Camões passaria a MultiOpticas Serviços Opticos, o Jardim da Estrela soaria bem como Starbucks Coffee Company Garden, a Sé de Lisboa seria conhecida como Espírito Santo Ventures-SCR e a Mouraria tornar-se-ia Fly Emirates.
Isto seria apenas o princípio, depois viriam as ruas e avenidas: a Rua Duque de Palmela chamar-se-ia AutoEuropa Street, a Rua do Século promover-se-ia a Millenium BCP Street e até o Beco do Jasmim cheiraria melhor chamando-se Chanel Parfums & Fragrances.
É fácil, afinal, ser moderno e cosmopolita. Difícil, difícil, vai ser escolher o novo nome a dar à cidade de Lisboa. Alguém tem ideias?
A realidade é uma coisa que não lhes assiste
defendeu o legado de seis anos deixado por José Sócrates. Um legado que, disse, “não é o do défice, da dívida e do desemprego”.
Eu até sou gajo para afirmar que o desemprego, a dívida (e a privada é o problema, ó anarquistas da direita) e o défice aumentaram após a crise financeira internacional pela qual José Sócrates não pode ser responsabilizado. Mas os 150 000 empregos não foram criados antes, o défice e a dívida subiram em qualquer gráfico perto de si, e pior do que isso foi-se privatizando o SNS e a escola pública.
Que a política é a arte da mentira já sabíamos e ninguém como Sócrates a elevou a um patamar tão alto de completa manipulação, assumindo a terceira via do discurso é tudo, no conteúdo eles nem reparam. Que não se esperava que acordassem, tomassem um duche e regressassem à real, era óbvio. Mas quando insistem desta forma escabrosa, e sabendo-se que na oposição não têm a mínima hipótese de manipular como o faziam no governo, cheira a uma travessia do deserto feita de gatas, e sem água. Tristeza.
A escola e a escola da vida

O governo proletariza os cidadãos
Sendo a escola um espaço obrigatório de passagem, que importância terá para aqueles que não foram obrigados a incluí-la no seu percurso de vida?
Sendo a escola local privilegiado de aprendizagem, como aprendem aqueles que não a frequentaram, que apenas o fizeram de uma forma rudimentar ou que a deixaram há muito?
Sendo a escola um espaço essencialmente frequentado por crianças e jovens, como relembrar os idosos o seu tempo de escola?
Sendo a escola um lugar público e obrigatório de aprendizagem, porquê colégios privados e caros? [Read more…]
Governo recua e abandona apelo à sodomia
Afinal o fim das comparticipações “está em estudo“. No que toca aos contraceptivos estou convencido que a Igreja não deixará passar esse bárbaro apelo ao sexo anal e oral. Volta tudo à posição de missionário.
Proposta (i)nocente
Já referi nesta casa que o actual Governo está com um problema de falha de comunicação.
Para melhor concretizar os grandes desígnios de mudança reivindicados pelo Governo, talvez fosse tempo de recuperar grandes comunicadores do passado. Algo de que, certamente, a ala mais Direita do Governo iria ficar babada de orgulho, e que daria a possibilidade do arquivo da RTP safar-se à privatização por verdadeiro serviço público:
Sem espinhas
O problema de António Ribeiro Ferreira, que diz ser urgente partir a espinha aos sindicatos, é um problema de desambiguação. Se pretende referir-se a espinha, no sentido de coluna vertebral, fala de uma coisa que não tem, e portanto não pode saber o que é, tantas vezes se vergou ao peso do servilismo mais abjecto, de que uma célebre entrevista a Maria de Lurdes Rodrigues é exemplo que basta. Os vermes são invertebrados, como toda a gente sabe, e do agora director do I guardo este naco, quando em tempos de bom senso foi forçado a exilar-se, perdão emigrar, para um blogue:
É preciso emigrar, rapidamente e em força. Para a blogosfera, um espaço livre sem lacaios medíocres. As lixeiras, essas, estão aí, a céu aberto.
Por outro lado se usou a expressão no sentido dermatológico, pese que essas espinhas não se partem mas sim se espremem, já faz sentido: os sindicatos portugueses precisam de uma limpeza de pele para permanecerem na frente do seu trabalho histórico, aquele que ao longo do séc. XX foi apagando a miserável situação laboral do séc. XIX. Até porque o objectivo claro da corrente de pensamento dominante, que António Ribeiro Ferreira tão bem representa, é mesmo essa: regressar às cavernas do trabalho sem direitos, de sol a sol, infantil e escravizado. Queriam, mas não vão ter.
11 de setembro, qual dos dois?
Sim, há dois: o de 1973 que marca a primeira catástrofe neo-liberal construída sobre o assassinato de 30 000 chilenos, e o de 2001 que agora parece ter o monopólio da data.
Dos Once de Septiembre en una vida explora ideas y sentimientos de ex presos políticos y exiliados chilenos de la dictadura de Pinochet que ahora viven en San Francisco, California. Ellos analizan las tragedias del 11 de septiembre de 1973 en Chile y del 11 de Septiembre del 2001 en Estados Unidos y la intervención del gobierno estadounidense en ambos hechos.
Com música
A última contratação do Aventar é o moço que toca violino nesta cantiga recolhida pelo Giacometti em Dornelas do Zêzere (pode ouver a recolha) e aqui variada pela Brigada Victor Jara.
Chama-se Manuel Rocha, ganha a vida como director do Conservatório de Música de Coimbra com aplauso da cidade até porque é o rosto de uma escola que não tínhamos mas agora temos, sendo também comunista desde pequenino, o que nesta aldeia é uma boa razão para não ser aplaudido.
Tem sido cabeça de lista da CDU deste distrito que inclui Dornelas do Zêzere, e um dia chega a deputado, aposto, com mais um esforço destes governos também a esquerda nesta província chega lá mais depressa do que devagar.
Saber Aprender. Araucania e Europa

Cidadãos Mapuche a cantar.
Para os meus filhos britânicos, o casal Camila e Felix Isley, que acabam de pôr no mundo Weñe Javier para acompanhar a sua irmã May Malen, nome Mapuche (Malen: menina linda). Não uma Elisa como eu pretendia… uma Elisa, como a de Beethoven… que sabem aprender ao estar sós à espera do… aparecimento do irmão, o Weñe Javier – sendo Weñe outra palavra mapudugum da Nação Mapuche que habita o Chile: rapaz lindo e inteligente. É assim como aprendemos… para saber
São dois verbos aparentemente contraditórios. O primeiro parece indicar a actividade de conhecer o que se faz; o segundo, a de colocar na mente de uma pessoa, ideias novas. Parecem contraditórios e, no entanto, são actividades que precisam de andar juntas. O aprender está normalmente associado a educação. No entanto, no meu entender, é um acto contínuo ao longo da vida. [Read more…]
Do brioche ao broche
O Demo Crato
Depois da Sinistra Ministra dedicado a Maria de Lurdes Rodrigues e de Uma Aventura Sinistra que homenageava Isabel Alçada, chegou a vez de Nuno Crato ter direito ao seu Demo Crato. Dizem que também por lá vou andar, disfarçado de anjinho.
Hoje somos muitos, amanhã seremos milhões
A frase é de Mota Pinto e o cartaz, um dos primeiros do PPD, levava invariavelmente por cima com o comentário “A culpa é vossa, tomem a pílula“.
Trinta e tal anos depois vem a vingança: a pílula vai deixar de ser comparticipada. O governo encontrou uma solução para a crise demográfica e a longo prazo para a quebra do consumo interno. É tipo: vamos aumentar a taxa de mortalidade mas compensamos com a natalidade. Palavras para quê? é um homem da Médis em todo o seu esplendor.
Mimo ou solidão? Ensaio de etnopsicologia da Infância

…para o meu novo neto, Javier Isley, mi Weñe e o meu primo irmão Pablo…
O mimo é uma adição. Sabe-se dele, pratica-se e sente-se que não se pode abandonar. O mimo apodera-se da pessoa e, o que não se diz en palavras, passa a ser gestos bem balançados, elegantes, esguios. Esta frase não é minha, é referida por Paul Curtis, director e fundador do American Mime Theater. O mimo é o que pensamos entregar às nossas crianças, como as define um dos meus Santos Padroeiros nestas temáticas, Wilfred Bion em 1966, no seu texto Learning from experience: todo o ser [Read more…]
Quem é Justin Bieber?
Ontem disseram-me uns jovens da minha idade que esta criança – Justin Bieber – é o ídolo dos adolescentes. Alguém me explica porquê?
Vamos poupar 12 Euros?
O Acordo Ortográfico faz mal a quem?
Falta exatamente uma semana para este poste que aqui escrevi fazer um ano. Confesso que não fui sempre coerente com ele e, dada a incomodidade (não o escândalo, aversão, posição de princípio, etc.) de escrever algumas palavras segundo a nova grafia – incomodidade provocada por mero conservadorismo preguiçoso – fui, pouco a pouco, regressando à ortografia até agora vigente já que, purismo por purismo, recuar a outras formas anteriores do português se tornava ainda mais incómodo.
Não entro aqui em considerações de fonética vs. etimologia, mas dava-me um ataque nervoso escrever como nos séc XIII e XIV (passe o facto de alguns carateres e acentos terem sido atualizados):
Era esta dona muy fermosa e muy bem feita em todo o seu corpo, saluando que auia h~uu pee forcado, como pee de cabra. E viueram gram tempo e ouueram dous filhos.
Acho que também me faria muita comichão e desenvolveria algum eczema grave se tivesse de escrever como há apenas cento e cinquenta anos se fazia no Diário de Notícias:
…novidades politicas, scientificas, litterarias, commerciaes, industriaes (…) às allusões deshonestas (…) e ainda a nossa visinha Hespanha, publicações que teem atrahido consideravel numero de sympatias e subscriptores.
Tão pouco me apetece agora ir ao theatro ouvir phrases de um aucthor (o que aqui vai de consoantes seguidas) cujo estylo, rhetorica e assignatura me causam damno. Mas, damno por damno, antes no theatro do que na pharmácia.
E prompto, de facto, por caírem umas consoantes e uns acentos não cai a língua e quem a fala.

















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