De como uma sátira política conduz à revisão do código penal por via de um contencioso diplomático

erdogan spiegelFoto: Capa “Der Spiegel”

Isto foi um verdadeiro policial e uma galhofa que entreteve o pessoal durante toda a semana. É que no meio de assuntos tão confrangedores como a questão dos refugiados, crises financeiras, paraísos fiscais e que tais, de repente temos um caso satírico no centro das atenções, um caso simplesmente ridículo elevado à categoria de caso diplomático, com potencial para

  1. provocar um agravamento da relação com a Turquia com a inerente problemática relativa aos refugiados
  2. provocar uma desavença entre os partidos da coligação no governo
  3. provocar uma actualização do código penal alemão.

Aqui vai a história completa: Primeiro foi uma música com letra dedicada às brutais tropelias de Erdogan, apresentada num programa de sátira política alemão, que motivou Erdogan a convocar o embaixador alemão em Ancara para exigir a extinção do vídeo. Uma semana mais tarde, o governo federal alemão rejeitou o protesto, declarando que a liberdade de imprensa e opinião “não é negociável”.  Parecia assim estar encerrada a contenda. [Read more…]

Ui que medo! Os juros dos periféricos estão a cair…

TC

António Costa visitou recentemente a Grécia para se encontrar com o seu homólogo. A ala sarnenta da direita, sedenta de sangue, purgas e austeridade virtuosa, rosnou com vigor e dedicou-se, nos dias que se seguiram, a conjecturar cenários de catástrofe derivados de um encontro normal entre chefes de Estado, que de resto partilham problemas comuns. Entre roncos e anúncios do apocalipse, os juros da dívida de Portugal e Grécia viveram uma semana de queda significativa, em contraciclo com a maioria dos parceiros europeus. Vale o que vale, que os mercados são outro bicho bipolar que rosna e dá a pata sem que se perceba muito bem porquê. Mas tem sempre a sua piada ver os fanáticos a estrebuchar. Que falta que lhes está a fazer outra crise internacional. Tenham calma bichinhos, lá chegaremos.

Faz todo o sentido

A Burocracia, de Rafael Bordalo Pinheiro

Isto faz sentido porque vivemos num país onde as reformas mínimas são exorbitantes, o desemprego é baixíssimo e só vive mal quem quer.

Portugal, um país de chavistas sem vergonha na cara

PortasMaduro

Na imagem, para além do cumprimento caloroso entre Paulo Portas e Nicolás Maduro, podemos ver o embaixador venezuelano em Portugal, Lucas Rincón Romero, o mesmo que, por estes dias, inaugurou uma praça na Amadora com o nome do falecido presidente Hugo Chávez. Surpreendidos? Contem então quantas ruas, avenidas e praças existem neste país com o nome de antigos dirigentes mundiais.

Foi interessante acompanhar a indignação que este episódio causou junto das tropas da direita nacional. No blogue Insurgente, Rui Carmo afirma ter-se tratado de uma “homenagem da geringonça ao ditador Hugo Chávez, a que se seguiu o habitual destilar de ódio e a também habitual análise facciosa que confunde uma eleição por sufrágio com uma ditadura. Algumas pessoas não suportam que se possa usar os recursos de um país para dar uma vida mais digna para quem nunca nada teve. Que rezem um Pai-Nosso à Mão Invisível. [Read more…]

Que raio de jornalismo é este?

MCE

Não me choca minimamente que se parodie o que se tiver que parodiar. A liberdade de expressão é um dos poucos valores que ainda me fazem acreditar num futuro risonho para a nossa sociedade. Mas uma coisa é o que eu, o caro leitor ou um apoiante da direita radical diz ou escreve sobre o governo. Outra, muito diferente, é a forma como um jornalista o faz. E depois do episódio que aqui trouxe há um mês atrás, sobre a falta de profissionalismo do jornalista Bernardo Ferrão do Expresso, é do mesmo jornal que nos chega outro exemplo de como as agendas ideológicas estão a condicionar o que resta do jornalismo neste país. [Read more…]

Novas do submundo do cavaquismo

Duarte Lima acusado de se ter apropriado de 5 milhões de euros de Rosalina Ribeiro. Tudo normal, portanto.

Palavra dada, telhados de vidro

Luís Montenegro ressuscitou a célebre expressão no âmbito do caso Lacerda Machado. Dado o estado dos telhados do PSD, é preciso ter um moral de ferro.

Sondagens que aborrecem a direita radical

Can

Pois é, as coisas não correm de feição para a direita acantonada na extrema. Segundo o mais recente estudo da Eurosondagem, revelado hoje pelo Expresso, os partidos que suportam o actual governo continuam a reunir o apoio de mais de metade do eleitorado (52,3%), António Costa é o líder cuja popularidade mais cresce e dois em cada três portugueses acreditam que a aliança dos partidos de esquerda se irá manter até ao final da legislatura. Em Dezembro, apenas 40% dos inquiridos acreditava que o governo cumpriria o seu mandato. Hoje são 65%. Pobre direita radical, nem com 10 jornais manipulados e 30 blogues de propaganda consegue fazer o serviço.

Imagem via Vargas@Twitter

Bilhete do Canadá: Clube dos Abutres

De há semanas para cá, todos os dias a comunicação social veicula, numa pressa prazenteira, uma insinuação venenosa acerca dum membro do governo. Onde é que eu já vi este filme? Porque tenho a sensação de estar a ver um filme repetido.

Foi assim com José Sócrates, não foi?

O Clube dos Abutres não desarma, tece intrigas dia e noite.  Quer lá o Clube saber de Portugal! Quer lá saber do povo que atirou à pobreza! O que verdadeiramente interessa aos Abutres é destruír reputações, anular o governo, porventura deitá-lo abaixo, porque vive na ânsia boçal de voltar a enfiar o focinho no pote e lambuzar-se.

Numa situação parecida, Guerra Junqueiro chamou a isto “uma enxerga podre cheia de percevejos”. É o que parece. Nem mais nem menos.

O princípio

corrupçãoFoto: DR

Meia volta, pessoas conhecidas ou amigas falam de casos de corrupção miúda, tipo haver oficiais a cobrar maquias para não levantarem ondas, digamos, quando se quer fazer uma simples obra num muro do quintal. De cada vez, a minha incredulidade em relação à existência desses rapinas só é ultrapassada pela incredulidade em relação à inevitabilidade da cedência aos mesmos. Por muito que me expliquem que, por serem as leis tão complicadas em Portugal, às vezes não há escapa, não aceito que não haja outra maneira, legal, de resolver os problemas. Dá mais trabalho? Dará. Mas quem embarca na facilidade pactua, é bem claro. Vem isto a propósito da notícia “Rede de corrupção nas Finanças foi denunciada por um contribuinte“, da qual consta: “O homem disse que não e foi apresentar queixa na Polícia Judiciária.” Ora aí está, é esse o segredo, basta dizer que não e proceder em concordância.

Caso contrário, porquê tanta admiração em relação aos grandes embustes? É só uma questão de escala? Não minha gente, é mesmo o princípio, a par de coragem civil.

Bilhete do Canadá: Capitalismo liberal

Vai um aranzel e peras nas tvs cá deste lado do mar.

Nos Estados Unidos, a Apple, a Microsoft e a General Electric têm perto de 2 triliões de dólares escondidos através da loja do Panamá.  Estão sem pagar ao fisco do seu país uma pipa de massa. Deve ser por isso que, em oposição a Obama, os republicanos gritam que o país não aguenta um serviço nacional de saúde universal e gratuito.  Trump e a rapaziada fina do clube dele é o que dizem.

Mas há mais: já foram detectadas 50 companhias dos Estados Unidos que gastam anualmente 20 biliões de dólares a sustentar lobbies, que são aquelas fábricas de luvas para oferecer a políticos, jornalistas e ofícios correlativos.

São Capitalismo liberal, sem regras, é mesmo ordinário.

E por ordinário, então o SOL lá fechou?

A mobilidade social à distância de um balido

Congresso

Tenho pouca paciência para congressos partidários. São exercícios algo hipócritas, onde tudo aparenta ser maravilhosamente belo e convergente, apesar das facas em anexo. O líder tende a surgir perante as massas como uma espécie de Deus, os notáveis fazem fila para polir o seu calçado, os aspirantes voltam para casa com as línguas inchadas e as manifestações de discordância, quando há lugar a tal atrevimento, primam pela timidez e pela contenção politicamente correcta. Salvo raras excepções. No fundo, os congressos acabam por ser um pouco o espelho daquilo que temos na Assembleia da República: elegemos deputados para nos representarem mas os seus braços votam em função daquilo que o topo da pirâmide partidária decide. Como um rebanho que segue o seu pastor. [Read more…]

PONTE SALAZAR – Tenhamos a CORAGEM de lhe devolver o nome original.

Ponte Salazar

É este o nome de uma petição que circula na internet e que conta já com a assinatura de cerca de 1700 simpatizantes do fascismo. A petição, lançada na passada Quarta-feira, propõe alterar o nome da Ponte 25 de Abril para o original Ponte Salazar, devolvendo, desta forma, aos fascistas, o saudoso culto do chefe. Mas existe o risco de se tratar de uma jogada humorística, pelo menos a julgar por parte do conteúdo, feito de verdadeiras anedotas. Vejamos algumas: [Read more…]

Era uma vez uma proposta pelo Banif que o anterior governou escondeu

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Correndo o risco de ser meramente redundante e eventualmente abalroado por um marido violento em fúria, uso novamente este espaço para informar o país que Maria Luís Albuquerque mentiu ao país. E não, não estou a falar de swaps, da sobretaxa que ia ser devolvida ou do BES que não teria custos para os contribuintes. Desta vez o assunto é o Banif. Parece que não há matéria de relevo que envolva esta ex-ministra que não venha manchada de aldrabice. [Read more…]

Bilhete do Canadá

Grande tem sido o alarido na comunicação social por causa da prestação gratuita que Diogo Lacerda Machado tem dado a vários dossiers quentes da economia, a pedido do ministro António Costa.

Para tudo é preciso sorte, até para andar na política.

Que o diga Passos Coelho, entronizado secretário geral do PSD pela diligência (proclamada) de Marco António Costa, e que levou para o governo Miguel Relvas quando subiu a primeiro ministro.  Marco António tem um farfalhudo rabo de palha na Câmara de Gaia e Miguel Relvas, para além de ter vigarizado uma licenciatura, tem rabos de palha vistosos em vários sectores do país, do Brasil e de Angola.

Que o diga, também, Paulo Portas que, depois de tantas trapalhadas que arranjou pela vida fora, é agora vice-presidente duma organização representativa dos industriais, diz que de borla. Como se essa corista da política, que só aceita trabalhar em palácios, vivesse do ar.

Em nenhum dos dois casos houve alarido na comunicação social nem deputados apareceram a exigir provas.

Moral da história: Pedro Passos Coelho e Portas são uns sortudos, porque a comunicação social é uma lástima e o parlamento um pátio.

De uma panela

No vídeo seguinte, um suposto político denúncia casos de corrupção envolvendo todos os partidos. Mas, ao polícia que o ouve, só lhe importa um dos lados, encontrando em jogos fonéticos as razões para as prisões que queria realizar.

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A Bósnia como exemplo da Realpolitik

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Renato Gonçalves

Em 2013 estive na Bósnia, passando a fronteira terrestre com a Croácia, e percorri ao anoitecer a estrada até Bihać, cidade de maioria muçulmana situada a Noroeste. Ficou-me na memória os vultos constantes de homens sentados à beira da estrada, como se estivessem sempre ali, e as casas degradas, ou em (re)construção, dos Bósnios na diáspora. O ambiente na cidade, com pouca luz, era desconfortável e o único local possível para aconchegar o estômago foi no maior e mais central hotel da cidade, o Hotel Park. Qualquer moeda forte, além do oficial marco-convertido, era aceite (Euro, Dólar, Kuna croata, etc…). Uma refeição completa, tudo incluído, ficou por 3 euros, cera de 6 Marcos-Convertidos.
Com o luar era possível ver as silhuetas dos minaretes. Nos cafés o contraste entre os jovens muçulmanos e os restantes era significativo. Raparigas cobertas, e com véu, caminhavam lado a lado com outras cujas mini-saias de tão curtas se assemelhavam a cintos. Havia tensão e sentia-se a existência de ‘máfias’ em cada bar e clube nocturno. [Read more…]

Rir ou punir, eis a questão!

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É sabido que os ditadores ou candidatos a tal têm pouco sentido de humor e adoram triturar quem arranja maneira de fazer humor sobre a sua falta de humor. Estamos a assistir a um caso apimentado que se enquadra nessa problemática humorística e tem honras de destaque nos média alemães de hoje. Um humorista alemão apresentou, num programa satírico, um poema com uma forte sátira ao presidente turco Erdogan. Segundo consta, chamou-lhe de tudo (não pude ver o vídeo porque já foi retirado da net; existe um outro vídeo, de outro programa de sátira política alemão, com legendas em inglês, que (ainda) não foi retirado). [Read more…]

Fundação offshore

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É uma história batida. A história do empresário multimilionário que às tantas decide criar uma fundação para onde transfere parte significativa do seu património, obtendo desta forma uma série de isenções fiscais que lhe permite, entre outras coisas, adquirir mais património. Carros, imobiliário, participações financeiras. Já vimos este filme. Bem vistas as coisas, muitas fundações acabam por funcionar como paraísos fiscais: transferem-se para lá milhões, escapando-se desta forma ao pagamento dos devidos impostos. E funciona. [Read more…]

O Pravda de Luanda

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Devido à forma como o pedido de ajuda do governo angolano ao FMI foi noticiado em Portugal, o pasquim estatal de Angola voltou a apontar o dedo à imprensa portuguesa, que acusou de estar articulada com a oposição ao regime de Luanda. Tais declarações apenas servem para ilustrar, com requintada ironia, a natureza manipuladora da ditadura angolana: um jornal financiado com dinheiro público angolano, silencioso sobre a forma como a cúpula do regime se apoderou dos recursos do país, percebe que, fruto da má gestão e da quebra do preço do petróleo, as contas do país estão numa situação delicada. O FMI entra em cena para aplicar um dos seus famosos resgates e a melhor manobra de diversão que o pasquim encontra para desviar atenções é apontar o dedo à imprensa ao serviço dos interesses da UNITA, dos inimigos portugueses de Angola e dos activistas desta vida que tem a ousadia de ler livros demasiadamente progressistas. Orgulhosamente sós!

Fotomontagem@Folha8

Os ficheiros Banif – Cronologia

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Esta é a 1ª versão da Cronologia de “Os ficheiros Banif”.

Está em permanente construção e será atualizada diariamente.

 

Panama Papers: o jihadismo financeiro explicado em 5 minutos

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Os fanáticos do directório liberal têm feito das tripas coração para defender a existência destas verdadeiras organizações terroristas mas depois dos vários escândalos a que temos assistidos nos últimos anos, com o caso Panama Papers a assumir-se como cereja no topo do bolo, poucos argumentos restarão para defender a continuidade destes esquemas potenciadores de corrupção, evasão fiscal, branqueamento e crime generalizado. [Read more…]

Pontapear a imprensa, um padrão no seio do PSD

ZMPSD

O comportamento inaceitável de João Soares, honra lhe seja feita, terminou com alguma réstia dignidade: apesar da falta de humildade para pedir desculpa aos portugueses, o esbofeteador lá acabou por se demitir. Era o mínimo que podia fazer. Um Relvas por geração é mais do que suficiente.

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Panama Papers: revelados os nomes de mais três portugueses envolvidos

PPMF

À medida que mais documentos vão sendo processados, a dimensão do escândalo Panama Papers vai tomando proporções cada vez mais significativas. Caiu o governo islandês, famílias reais da Europa ao Médio Oriente foram levadas pela enxurrada e nem os órgãos de soberania britânicos ficaram imunes aos estilhaços. A cada dia que passa, a lista aumenta a uma velocidade que não parece querer abrandar. Estranhamente, nem um tubarão norte-americano foi ainda apanhado pela tempestade. Ainda. [Read more…]

O irrevogável e o esbofeteador

Retrato_oficial_João_SoaresAmeaçar críticos com umas bofetadas não fica bem a um ministro e não me escandaliza que seja causa para a sua demissão, porque, apesar de tudo, é bom distinguir uma conversa entre amigos de uma proclamação. Ora a promessa de umas estaladas no facebook não é uma conversa entre amigos, ao contrário do que se pensa, especialmente num mundo em que os jornais e as televisões escrutinam, ao milímetro, o que se escreve nas redes sociais.

Confesso que também não me escandalizaria que João Soares ficasse no governo, após um pedido de desculpas, mesmo que não fosse sincero, até porque isso da sinceridade, no fundo, só pode ser verdadeiramente medido por quem fala. Nas nossas relações sociais, passamos a vida a representar papéis, o que nos obriga, muitas vezes, ao exercício de uma saudável hipocrisia, patente em mentiras piedosas ou prudentes. Aproveito, a propósito, para recomendar o filme A Invenção da Mentira, passado num mundo em que todos diziam a verdade.200px-Retrato_oficial_Paulo_Portas

Mesmo sabendo que um erro de um lado não desculpa um erro do lado contrário, não consigo, contudo, deixar de pensar que a ameaça boçal de agredir dois críticos é muito menos grave do que a apresentação de uma demissão considerada “irrevogável” com efeitos directos sobre a estabilidade política e sobre a economia do país.

Alguns poderão dizer que não são situações comparáveis. Têm razão: Paulo Portas não teve sequer a dignidade de manter a sua decisão e colaborou, despudoradamente, no empobrecimento de milhares de portugueses; João Soares foi só pateta.

Número de alunos por turma? Depois vemos isso!

GroeningCartoonNos últimos dez a quinze anos, várias vozes – com uma desfaçatez cada vez maior – têm defendido que a qualidade dos professores é o principal (ou o único) factor de que depende o sucesso dos alunos (mesmo que não haja sequer a preocupação de se saber exactamente o que é o “sucesso dos alunos”).

Na realidade, a repetição dessa ladainha tem servido para justificar várias medidas que deveriam escandalizar qualquer cidadão que se preocupe verdadeiramente com a educação dos jovens.

Colocar quase exclusivamente a responsabilidade do sucesso dos alunos no desempenho dos professores serve, antes de mais, para esconder a importância de muitos outros agentes sociais e individuais (entidades oficiais, meio socioeconómico, encarregados de educação, etc.). A própria interpretação dos rankings torna-se, deste modo, muito mais fácil, permitindo aos simplistas de serviço falar, com a descontracção dos ignorantes, em “escolas melhores” e “escolas piores”. [Read more…]

O banano, o sopapo e a solha

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Era uma vez um banano que andava às lostras. Muito entretido, distribuía tabefes pelas chapadas do reino quando se deparou com um imponente sopapo nas ventas que não hesitou em esbofeteá-lo com acinte: “Pfff, isso lá são bofatadas? Que saudades da pífia PAF, esses é que eram de estalo e gritos”. Abananado, o banano ainda ensaiou uma lamparina. Porém, perante a tapona da solha, abandonou e tudo voltou à normalidade no reino da bolachada.

Elísio Summavielle, o menino órfão

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Já é preciso ter azar. Foi nomeado Secretário de Estado da Cultura no segundo Governo Sócrates, mas o Governo durou pouco mais de um ano. No Governo seguinte, o Secretário de Estado Francisco José Viegas nomeou-o Director-Geral do Património, mas meia dúzia de meses depois o próprio Francisco José Viegas demitiu-se. Agora que estava tudo encarreirado, como Presidente do Centro Cultural de Belém, acaba de se demitir o Ministro da Cultura, João Soares, que o nomeara há um mês.
Nada que preocupe Elísio Summavielle, claro. A orfandade em política é algo de muito relativo e muito dependente de múltiplos factores aparentemente desligados entre si. Com sorte, arranja por aí mais um ministro com a mesma indumentária.
A verdade é que, depois de mais este post, estou habilitado a levar umas bofetadas do menino da lágrima. Pois bem, que venha ele, mas de preferência sem avental.

Uma sugestão para o povo angolano

dos santos

Depois do empréstimo do Banco Mundial, o governo angolano anunciou que irá agora pedir ajuda ao FMI. O petróleo está em baixa e o dinheiro para manter as elites balofas de Luanda começa a escassear, apesar das fortunas fabulosas que os apaniguados do regime continuam a deter e que hoje crescem e se multiplicam por diferentes lavandarias por esse mundo fora, como é o caso do nosso país. [Read more…]

Se João Soares tem a confiança política de Costa?

Era a questão que ouvi hoje na Antena 1. E, também, deve ser nova causa da direita. Por isso, vejamos. Em primeiro lugar, não é uma questão de confiança política, mas sim de (mau) carácter. Em segundo, se se insiste na confiança política, é de sublinhar que tendo Relvas  se aguentando no governo de Passos quase três anos, apesar das palhaçadas (e outras coisas menos sérias) que fez, então Soares tem todas as  condições para continuar.

Mas isto é argumentação para chamar à atenção esses paladinos da pureza, que agora guincham por sangue e que têm telhados de vidro muito mais fino do que os de Soares, apesar de antes terem ficado calados e, até, feito os possíveis por defender a sua donzela.

Eu cá acho que Soares é parvo, o que não chega para demissões. Já a forma como conduziu o boy Summavielle ao CCB é algo vergonhoso e devia ser suficiente para correr com ele do governo. Isto é o que devia ser o padrão de comportamento quanto a cargos públicos. Se tivesse sido seguido ipsis verbis no governo anterior, é de sublinhar que não haveria governo passado alguns meses, a começar pelo idiota que foi primeiro-ministro, o qual teve a lata de falar daqueles que perderam o emprego como alguém que tinha uma oportunidade pela frente e que precisava de sair da sua zona de conforto. Perceberam, ó laranjinhas ululantes?