Anti-europeísta em que aspecto?

indexTenho um amigo que responde frequentemente aos interlocutores com um desconcertante “Em que aspecto?” Resulta sempre. Imagine-se uma ameaça de agressão física:

– Vê lá se queres levar na tromba!

– Sim, mas em que aspecto?

Também serve para responder a comunicações inócuas:

– Vou à casa de banho.

– Em que aspecto?

Como vêem, o absurdo pode ser simples e está ao alcance de todos. Fiquem à vontade para usar, porque, no mínimo, será fonte de descontracção.

O absurdo, no entanto, tem um problema: por vezes, faz sentido. Ontem, quando Cavaco Silva, espumando, acusou certos e determinados partidos de serem anti-europeístas, saiu-me um “Mas anti-europeístas em que aspecto?” E a pergunta fez sentido.

Já se sabe que a expressão faz parte de um conjunto de chavões utilizados por pessoas perigosamente destituídas, mas não é má ideia pensar um pouco mais sobre o assunto. [Read more…]

ONU pede libertação imediata

dos 15 activistas detidos em Angola.
[Rede Angola]

Quantos de nós estaríamos dispostos a morrer por uma causa?

Uma pergunta de Patrícia Fonseca, na Visão, num belo resumo sobre o que se passa em Angola.

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(c) Luaty Beirão fotografado por João Pacheco

O presidente de alguns portugueses

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A decisão de Cavaco é aceitável. Encarregar de formar Governo o líder do Partido mais votado, mesmo que não se concorde, é uma solução normal.
O discurso, esse, é completamente inaceitável. O presidente da República de todos os portugueses faria este discurso. Mas Cavaco nunca foi o presidente de todos os portugueses e, como tal, entendeu que seria o momento mais adequado para atacar selvaticamente uma parte do eleitorado que, apesar de tudo, representa 20% dos portugueses que votaram. Não lhe bastava dizer que dava posse a Passos Coelho porque a Coligação teve mais votos, era-lhe necessário demonizar o Bloco de Esquerda e o PCP e entrar num registo de «líder de facção» que chega a apelar à rebelião de deputados eleitos. Esquecendo-se que aqueles que não votaram nele são tão portugueses como os seus portugueses.
Se eu fosse deputado socialista e estivesse tentado a deixar passar o Programa do Governo PSD, ontem tinha mudado de opinião.
Nos últimos anos, Cavaco andou a encher a boca de bolo-rei e de estabilidade. Engoliu um e outro com a mesma convicção. Vê-se agora, ao preferir dar posse a um Governo minoritário e ao humilhar uma franja importante do eleitorado, o que ele pensa da estabilidade. Pensa, obviamente, aquilo que der mais jeito aos seus portugueses.
Seja como for, os dados estão lançados e, agora, chegou a hora da Esquerda. PS, Bloco e PCP devem votar contra o Programa de Governo sem qualquer hesitação. Mais: devem apresentar uma alternativa maioritária sólida que garanta a estabilidade parlamentar e um Programa de Governo que diga, preto no branco, que Portugal não vai sair da NATO nem da Zona Euro, que reconhece o Tratado de Lisboa, o Tratado Orçamental, a União Bancária e o Pacto de Estabilidade e Crescimento.
Só para ver quais os argumentos que Cavaco vai utilizar a seguir para manter Passos Coelho no poder.

Conversas sem gravata

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Ouvi com interesse a emissão diferida do último debate da série Conversas sem gravata, uma audaz iniciativa do Sindicato de Jornalistas. Falava-se sobre os negócios passíveis de assegurar a sobrevivência do jornalismo – sendo certo que, ao menos nesse plano, há soluções, umas tentadas e outras ainda não. João Palmeiro, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, disse coisas interessantes, que denotam um conhecimento profundo do tema e pensamento estruturado e prospectivo sobre as estratégias vindouras de financiamento do jornalismo.

No que respeita à maneira de encarar o mundo dos mercados da informação (deve ser assim que se chamam) pelos jornalistas portugueses, as coisas parecem-me ainda turvas. A Agência Lusa anda aos papéis – embora eu não perceba porquê. David Diniz está contente com o Observador – e também neste caso não percebo porquê, atendendo ao fraco jornalismo que por lá se faz.

Já Pedro Santos Guerreiro, deixou o Jornal de Negócios (onde se faz actualmente um jornalismo “analógico” no pior dos sentidos, aplicando à plataforma web os princípios obsoletos do papel) para ir fazer o Expresso Diário – online bem feito, cuja cadeia de valor assentará porventura e justamente no facto de não ser o resultado de uma transposição do papel para o online, dessa forma não transportando as lógicas e os procedimentos que vêm do papel.

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A Manuela, os velhos e os novos

Manuela Ferreira Leite discorre sobre as eventuais alterações nas estratégias do PCP atribuindo-as à juventude, renovação – como se a idade fosse condição necessária e suficiente para explicar estas coisas – e ao facto destes jovens não saberem o que é o Tarrafal e coisas que tais. Olhe que sabem, dona Manuela. E aos que não sabem, permita-me que lhes chame a atenção para o facto do Campo da Morte Lenta do Tarrafal ter sido reaberto por aquele senhor que esteve, há dias, quase uma hora a verberar a “natureza” dos comunistas e a pregar-nos princípios morais e santidade cristã. O senhor chama-se Adriano Moreira, era ministro de Salazar e a ele se deve uma das fases mais ferozes deste Campo. Como a democracia portuguesa é generosa e tolerante, este facto tem sido esquecido e o dito senhor até foi – et pour cause – presidente do CDS.

Não queremos reabrir feridas, mas também não estamos dispostos ao regresso da arrogância autocrática que fez esses feridas. Os velhos sabem, porque viveram. Os novos, porque aprenderam e não querem viver o mesmo.

O dia em que Cavaco Silva uniu a esquerda portuguesa

epa03796425 Portuguese President Aníbal Cavaco Silva addresses the country to announce his decision concerning the failure of a week long negotiations between the coalition government parties Social Democratic Party (PSD) and Christian Democratic Party ( CDS-PP) and the main opposition party Socialist Party (PS) to get an political agreement to solve the present political crisis started with the Finance Minister, Vitor Gaspar, resignation, in Lisbon, Portugal, 21 July 2013. The President Cavaco Silva decided to maintain in power the present coalition government.  EPA/PEDRO NUNES

O Presidente da República pediu aos portugueses um governo estável e duradouro. Em poucas palavras, pediu aos portugueses uma maioria absoluta, fosse ela oferecida à Coligação ou ao Partido Socialista. Um pedido veementemente repetido na sua mensagem antes das eleições legislativas. Os portugueses, esses teimosos, não lhe fizeram a vontade.

Depois de apurados os resultados, o Presidente da República, transformou o pedido em exigência aos partidos com assento parlamentar. A Coligação tentou mas não conseguiu. O Partido Socialista tentou e, aparentemente, conseguiu. Perante este cenário ao PR só restava um de dois caminhos: ou entender que o acordo apresentado pelo PS não era suficientemente cumpridor dos seus requisitos e nomear para Primeiro-ministro o líder do partido mais votado, no caso, Passos Coelho ou então, entender que o PS tinha conseguido a tal maioria absoluta (com o apoio do BE e CDU) e dar posse a António Costa. Até aqui, tudo muito bem. Cavaco Silva optou pela primeira hipótese e, sobretudo, em devolver à Assembleia da República a decisão soberana. Mas….

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«O golpe de Cavaco não foi palaciano

[mas] profundamente provinciano. (…)» [Pedro Lains]

O momento do nosso embaixador João da Câmara

João Pacheco, jornalista

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Já deve ter passado ao lado do grande momento. Já deve ter passado ao lado daquele momento em que poderia ter feito a diferença, o nosso embaixador português em Luanda. Ao embaixador João da Câmara exigia-se coragem na representação da república portuguesa. Nada disso se viu até agora, mas o nosso embaixador ainda vai a tempo de tomar uma última atitude digna em Luanda, uma última atitude que o salve como homem e como diplomata.

O nosso embaixador João da Câmara visitou Luaty Beirão passados mais de trinta dias de greve de fome deste preso político luso-angolano. Consta que cá fora não quis falar. E já mais tarde, o respectivo ministério contou ao mundo o que o nosso embaixador português em Luanda teria a dizer de útil.
Parece que Luaty Beirão está a ter um bom acompanhamento médico, acha o nosso embaixador em Luanda.

E acompanhamento político? [Read more…]

Luaty, meu herói

Rafael Marques de Morais, Maka Angola

O Luaty Beirão corre perigo de vida, por se encontrar em greve de fome há 18 dias [à data em que o texto foi escrito. A greve de fome teve início a 20 de Setembro]. É a sua forma de protesto por estar há mais de 100 dias detidos abusivamente, uma medida de coacção implementada pela procuradoria-geral do presidente José Eduardo dos Santos.

Compreendo totalmente a luta solitária do Luaty, nesta hora de enlouquecimento dos decisores do regime.

E compreendo tanto melhor porque passei por uma experiência semelhante em 1999, quando fui detido por ter chamado «corrupto» e «ditador» a este mesmo presidente. Passei 14 dias em greve de fome. Porquê? Porque às vezes é preciso relembrar casos passados para aferir a conduta daqueles que lutam pela liberdade e o comportamento daqueles que nos oprimem. No caso, os homens do presidente. [Read more…]

Se a tradição serve como argumento político…

… então há que dizer que Cavaco Silva a seguir as tradições é algo que já vem de longe.

«Cavaco disse à PIDE que estava “integrado” no salazarismo», revista SÁBADO, 29/11/2010 (detalhes).

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Dos europeístas

Europa

Eurocépticos, a encarnação do mal.

Pedido de ajuda

E, caro leitor, é mesmo um pedido sério porque me parece que o mais alto cargo da nação merece a nossa atenção. Repare, por um lado, diz:

A última palavra cabe à Assembleia da República ou, mais precisamente, aos Deputados à Assembleia da República.

Mas, no mesmo discurso, diz:

Considero serem muito mais graves as consequências financeiras, económicas e sociais de uma alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas.

Aliás, é significativo que não tenham sido apresentadas, por essas forças políticas, garantias de uma solução alternativa estável, duradoura e credível.

O maior defensor da Constituição sublinha que há uns deputados com cotação diversa, em função do  seu lugar no Paralento. Trata-se de uma interpretação absolutamente insólita do documento fundador. Por um lado, os Deputados têm a responsabilidade de decidir, mas se for para escolher como ele quer. Se a Democracia parlamentar escolher um Governo de Esquerda, então, ai Jesus! Nem pensar. O senhor não quer. Os mercados não deixam.

Só uma atenção da área clínica poderá ajudar a resolver tantas contradições, já que, ao nível político não há nada mais para dizer, ou se calhar até há: nunca mais chega o dia de Portugal se ver livre de Cavaco Silva.

 

Cavaco Silva, irrevogável.

CS

O Presidente nunca comenta declarações de partidos, nem questões político-partidárias. O chefe de Estado está acima dos partidos políticos. Nem agora nem no futuro irei interferir na vida político-partidária.

Cavaco Silva, Março de 2015

O discurso que Cavaco Silva não fez mas deveria ter feito


Portugueses,

Tendo recebido os representantes dos partidos que elegeram deputados para a Assembleia da República e estando os resultados eleitorais publicados em Diário da República, compete-me proceder à indigitação do primeiro-ministro com o objectivo de constituir governo.

Os vossos votos determinaram que a força política vencedora não tenha tido maioria parlamentar. Por outro lado, é do conhecimento público que um conjunto de partidos tem procedido a negociações com vista a constituir uma maioria parlamentar. No entanto, não me foram apresentados os termos de um acordo já firmado, que eu pudesse encarar como claro e proporcionador de estabilidade.

Neste contexto, é meu dever indigitar, como Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, líder do maior partido da coligação que venceu as eleições do passado dia 4 de Outubro.

Boa noite.


É isto. Sem necessidade de auto-justificações, sem acusações, sem ameaças e assumindo as decisões que lhe competem como Presidente de todos os portugueses.

É chegado o momento de clarificação

Incapaz de um discurso claro e sem meias merdas, Cavaco Silva justificou a sua escolha sem nunca colocar nomes onde eles eram devidos. Com a afirmação seguinte, cabe ao PS/BE/PCP mostrarem se têm cartas para ir a jogo ou se andaram a fazer bluff.

Se o Governo formado pela coligação vencedora pode não assegurar inteiramente a estabilidade política de que o País precisa, considero serem muito mais graves as consequências financeiras, económicas e sociais de uma alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas.

Aliás, é significativo que não tenham sido apresentadas, por essas forças políticas, garantias de uma solução alternativa estável, duradoura e credível.

Cavaco Silva, depois de um enorme preâmbulo, onde afirma que se este governo não ficar em funções será o caos, chuta a responsabilidade para a Assembleia da República. [Read more…]

Entretanto, na sede do Secretariado Nacional de Informação

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Eles estão nervosos. Óptimo.

@Uma Página Numa Rede Social

Um Presidente, um Governo, uma minoria

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Direita e Esquerda

É da natureza das coisas. Um dia ia acontecer. À direita, estão de acordo em tudo.

“Como registo inicial de interesses, deixem-me dizer que não acredito na dicotomia entre esquerda e direita”, CGO, no Aventar

“A representação binária do Parlamento configurada na oposição direita/esquerda é destituída de qualquer tipo de solidez doutrinária ou política.” Assis, no Público.

Aliás, a defesa de trabalho com direitos, a defesa da escola pública em oposição à aposta no cheque ensino, a valorização do sistema nacional de saúde em oposição às seguradoras e aos bancos na medicina privada, são meros detalhes. Nada disso existe. Esquerda e direita é tudo a mesma coisa. Só é pena que os eleitores não pensem assim. Tirando isso, é motivo de sorriso aberto esta convergência entre as direitas. [Read more…]

“Portugal deve manter a austeridade?”,

pergunta-nos o The Telegraph. Respondamos.

Conversas em família ou sugestão à direita lusa

Sobre o cenário partidário pouco tem sido dito, em especial, à direita. Os erros estratégicos de Pedro Passos Coelho e, em especial, de Paulo Portas sucedem-se. Confesso, perante tal inoperância estratégica, a minha surpresa. Se, nunca  esperei nada de muito especial do homem com interesses privados, sempre pensei em Paulo Portas como o mais astuto dirigente partidário da nossa praça, apesar de irrevogável.

Mas, a minha surpresa é ainda maior com o silêncio que grassa na nossa Comunicação Social, onde os erros da direita são um tabu. E, porque o Aventar é uma casa de serviço público, resolvi trazer algumas sugestões à direita, onde as conversas em família do familiar do candidato comentador poderiam ser uma boa terapia inicial.

É este o momento. Juntem-se, discutam o que vos tem acontecido este mês e até podem fazer um vídeo ao país com o Professor Marcelo, até porque o domingo à noite está livre em termos de comentadores com mais de um metro e meio. Entendam esta primeira sugestão como uma dica  ao nível da forma. [Read more…]

O que faz falta é vergonha na cara

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Angola tem um regime presidencialista cujo chefe de Estado é José Eduardo dos Santos, também presidente do MPLA, partido que venceu as últimas eleições legislativas (2012). O MPLA é uma derivação do braço do PCP em Angola (década de 1950). Por razões de aceitação internacional, alterou, oficialmente, a sua ideologia, passando do marxismo-leninismo para a social-democracia, conseguindo, depois, ser aceite na Internacional Socialista onde se mantem filiado. Na prática, mantem uma organização, completamente, estruturada, orientada e pensada de acordo com os antigos partidos únicos do bloco de Leste.

É este o Presidente e é este o partido que são responsáveis pela ignóbil e terrível situação atual de Luaty Beirão.

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O meu extremismo é melhor que o teu: a internacionalização do “ressabiadismo” da direita nacional

Dublin, 2014. március 7. A Miniszterelnöki Sajtóiroda által közreadott képen Orbán Viktor miniszterelnök (hátul k) az Európai Néppárt (EPP) kétnapos dublini kongresszusának második napján, 2014. március 7-én. Az elõtérben José Manuel Barroso, az Európai Bizottság elnöke (b), Herman Van Rompuy, az Európai Tanács elnöke (k) és Angela Merkel német kancellár (j). Orbán Viktor mellett balról Nikosz Anasztasziadesz ciprusi elnök, jobbról Laimdota Straujuma lett kormányfõ. MTI Fotó: Miniszterelnöki Sajtóiroda/Burger Barna

Perante o pânico e a agonia que se vivem por estes dias lá para os lados da São Caetano e do Caldas, a artilharia pesada da família europeia de PSD e CDS-PP saiu em defesa dos parentes pobres e descarregou as semi-automáticas no PCP. O Partido Popular Europeu (PPE), pela voz do francês Joseph Daul, acusou  ontem o PCP de ter uma postura em Portugal e outra na Europa:

Os comunistas portugueses no Parlamento Europeu pediram que no próximo orçamento (comunitário) haja uma linha prevista para a saída de Portugal do Euro. Ao mesmo tempo, os comunistas em Portugal dizem que não há qualquer problema e que querem ficar na Europa.

Estou certo que esta declaração arrancou uns valentes aplausos no congresso do PPE. Mas não trouxe nada de novo. É sabido que o PCP é defensor da saída de Portugal da União Europeia mas, infelizmente, esta constatação do óbvio pouco ou nada acrescenta à estratégia dos seus representantes portugueses. Não só porque o PS já deixou claro que a saída de Portugal da UE não está em cima da mesa como o próprio PCP já se mostrou receptivo à aliança de esquerda, o que pressupõe que tal questão integrará o conjunto de cedências que, tal como o PS e o BE, o PCP estará disposto a fazer. Uma não questão portanto. [Read more…]

Luaty Beirão: até ao fim se for preciso

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Luaty: um português de segunda?

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«O cantor e activista político Henrique Luaty Beirão é angolano, mas é também um cidadão português ilegalmente detido no estrangeiro. Sabemos que está disposto a dar a vida por causas maiores, como a da liberdade e justiça. Também sabemos que a sua morte pode estar próxima, na sequência da sua longa greve de fome. É obrigação constitucional, ética e moral do Governo português não permitir que aconteça. Temos consciência das dificuldades e complexidade das relações diplomáticas entre Angola e Portugal. Porém, nenhum valor pode erguer-se acima da defesa dos Direitos Humanos. E este é um caso de Direitos Humanos. É imperativo que o Governo português tome uma posição e publicamente exija a imediata libertação de Henrique Luaty Beirão. É também obrigação do Governo português comunicar a sua posição a toda a CPLP bem como a toda a comunidade mundial empenhada na defesa dos princípios da liberdade e da igualdade. Portugal não pode persistir como testemunha silenciosa e passiva de um lento assassinato político sem se tornar seu cúmplice.» Assinar

Canhota

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Como registo inicial de interesses, deixem-me dizer que não acredito na dicotomia entre esquerda e direita. Mas como até na ciência se trabalha com conceitos que se sabem ser falsos ou inexistentes para facilitar a investigação, vamos utilizar essa geometria política para adiar uma discussão que terá, forçosamente, de ser feita mais tarde e que determinará, felizmente, a alteração estrutural do sistema político atual.

Assim, o que é a esquerda de que tanto temos ouvido falar nos últimos dias e que dizem, dichosamente, vai ser governo em Portugal? Pois. Boa pergunta. Pelo que eu pude ler, ninguém sabe muito bem o que é. Melhor, num escrutínio ao que se tem escrito, a conclusão óbvia é que a tal “esquerda”, aquela que tem a maioria dos deputados, é uma realidade, puramente, virtual. É um ente etéreo que se solidificou nas mentes de alguns para justificar o injustificável. Obviamente que esses iluminados fabricam essa miragem sem qualquer interesse pessoal. Obviamente. Tal e qual o novo alfaiate do rei no conto de Hans Christian Andersen.

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Refugiados: de que é que a Europa está à espera?

Enquanto esperamos, a União Europeia faz aquilo que melhor sabe fazer: nada. Espera. Mas espera o quê? Que o Inverno chegue à costa do Mediterrâneo? Que os refugiados que chegam maciçamente à Turquia vindos da Síria morram de frio? Que Erdogan ganhe as eleições e mande construir campos de concentração para os refugiados sírios? Se a UE fosse uma associação, a Eslováquia, a Hungria e a República Checa já teriam sido expulsas há muito tempo – por não respeitarem os objectivos da associação.
Kai Littmann

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(photo) DFID UK Department for International Development / Wikimedia Commons / CC-BY 2.0

Ainda nos lembramos da cimeira em Bruxelas. Angela Merkel e François Hollande comprometiam-se a fundo na tentativa de alcançar um acordo sobre a distribuição de 160 mil refugiados pelos 28 Estados-membros da União Europeia (de fora ficavam a Inglaterra, a Irlanda e a Dinamarca, desse modo isentadas da responsabilidade de solidariedade europeia, por razões que aliás  permanecem de difícil compreensão). No fim da maratona negocial que durou uma noite inteira, os poderosos da política europeia pareciam satisfeitos: o acordo havia sido alcançado, apesar dos protestos da Hungria, da Eslováquia e da República Checa, que consideraram que o acolhimento aos refugiados ultrapassava as suas capacidades. Hoje, um mês depois desse anúncio, apenas 19 refugiados puderam ser enviados para um outro país. Dezanove. Em 160 mil. E esses 160 mil constituem apenas uma pequena parte dos refugiados que até ao final deste ano hão-de chegar à Europa. [Read more…]

Guia prático para desmontar a propaganda pafista anti-governo de esquerda

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Este trabalho contou com a apoio do Sapo Cocas. Por favor não o engulam.

Perante o Processo Ressabiado e Estúpido de Chantagem e Intimidação em Curso (PREC-IC) colocado em marcha pelo exército do PàF, da nata opinadora ao mais primário fanático facebookiano, urge desmontar alguns pressupostos desta campanha radical e extremista que visa tão-somente perpetuar a existência trémula deste regime podre e nocivo que, sob o pretexto do reequilíbrio das contas públicas, mais não fez do que concentrar (ainda mais) os escassos recursos da nação nas mãos de uma ínfima minoria, alargando ainda mais o fosso entre os muito ricos, cada vez mais ricos, e os pobres, cada vez mais pobres, esmagando no processo uma classe média que tende a desaparecer. Pelo caminho, vendeu-se ao desbarato a maioria do património colectivo, degradaram-se violentamente as condições laborais, transformando Portugal num país onde a precariedade, o despedimento sem justa causa e uma estranha forma de competitividade baseada em baixos salários fazem cada vez mais parte do quotidiano, deteriorou-se a escola pública e o SNS ao mesmo tempo que se aumentaram apoios ao sector privado da educação e da saúde, onde, por mera coincidência, tantos governantes do bloco central têm feito fortuna e, entre outras atrocidades, incentivou-se a emigração em massa, que regressa a níveis dos anos da ditadura com a diferença que quem sai agora são, na sua grande maioria, jovens altamente qualificados de quem o país precisa desesperadamente para se modernizar. [Read more…]

Avós gregas

Circula por aí esta foto que não só é parte relevante de um grande retrato que aos poucos se vai compondo, o do drama dos refugiados que tentam chegar à Europa, mas é também dessas que nos fazem sorrir e renovar a esperança nessa frágil possibilidade de entendimento entre as criaturas humanas.

Lefteris Partsalis, fotógrafo grego, chegou a Lesbos e encontrou os barcos, a gente desesperada, as crianças a tremer de frio, o choro contínuo, os corpos naufragados, e foi isso que fotografou. Ou nem fotografou, porque, como contam muitos repórteres, o mais frequente é ter de pousar a câmara para poder ajudar quem chega. [Read more…]

Jornalismo de primeira qualidade no DN

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Aliás, reportagem. Por Manuel Carlos Freire. Como se percebe do título, o busílis consiste em ser um concelho comunista. Ainda os comunas não chegaram ao poder e já estão a meter areia na engrenagem.