No governo Bolsonaro indígenas brasileiros passam fome

Cerca de  64 famílias da etnia guarani-kaiowá que moram no Mato Grosso do Sul  não recebem mais as cestas de alimentos que eram entregues com o apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai). A noticia foi dada pela BBC News Brasil.

Varias etnias indígenas brasileiras estão sofrendo com o atual governo classificado como anti-indígena e que só atende as demandas de fazendeiros e grileiros. Bolsonaro chegou a declarar que durante seu governo não demarcaria novas terras a indígenas, mesmo as que já estão em processo como é o caso da aldeia  Pyelito Kue ocupada pelos indígenas em 2011.

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Presidente da Funai Marcelo Augusto Xavier, é ligado a bancada do agronegócio no Congresso.

Como parte de uma política agressiva aos indígenas o presidente brasileiro designou para presidir a  FUNAI ( Fundação Nacional do Índio),  Marcelo Augusto Xavier que é ligado à bancada do agronegócio no Congresso ,  e que obviamente, atua pelos interesses desse setor.

A media soma-se a outras ações do governo como incentivar a evangelização de tribos isoladas como denunciam vários indígenas e indigenistas.  O massacre de indígena continua.

A Constituição de 1988 garante aos indígenas o direito de manter sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições — e também os direitos sobre as terras em que sempre viveram. É papel da União demarcar essas terras e protegê-las, segundo a atual Constituição brasileira (art. 231).

Fonte. BBC News Brasil, Brasil de Fato.

 

Isabel dos Santos e o empreendedorismo parasita

A empresa estatal angolana SODIAM juntou-se dois fundos sediados na Suíça e na Holanda, detidos por Isabel dos Santos e pelo marido, Sindika Dokolo, e criou a empresa Victoria Holdings Limited, em Malta. Esta última pediu um empréstimo de 132 milhões de euros ao EuroBic, detido por Isabel dos Santos, para comprar a joalheira Suíça De Grosigono, que se tornou num dos mais rentáveis investimentos da filha do cleptocrata, empréstimo esse que foi garantido pelo Estado angolano, comandado, à data, pelo referido cleptocrata.

Empresas públicas manipuladas, fundos abutres sediados em paraísos fiscais, empréstimos assegurados pelo Estado, concedidos e recebidos pela mesma pessoa, que, nem de propósito, é filha do chefe de Estado. Eis a receita do empreendedorismo de Isabel dos Santos, tão admirado e aplaudido, durante largos anos, pela mesma elite financeira e empresarial portuguesa que agora assobia para o lado, como se não tivesse nada a ver com o dinheiro sujo do saque de décadas ao erário público angolano, um dos países que ocupa o pódio da mortalidade infantil. E não, ninguém pagará pelos crimes do regime dos Santos. Nem os gangsters angolanos, nem os seus lacaios portugueses ou os seus amigos da City ou de Wall Street.

P.S. O capitalismo desregulado (aquele que Margaret Thatcher ajudou a criar) dura até acabar o dinheiro dos outros.

Ana Gomes a presidente

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via Expresso

Diz as verdades, sem medo nem clientelas, desmascara esquemas, independentemente do poder dos gangsters que os manobram, e chama os boys pelos nomes, sem racismo, xenofobia ou narrativas conspirativas breitbartianas baseadas no ódio, na discriminação ou noutras paranóias conspirativas de marxismos culturais ou ideologias de género. Provando que não é preciso ser um grunho fascista para criticar o sistema.

Este país não é para Crianças. Excepto se forem filhas de Zédu

O vídeo que se segue contém imagens que poderão chocar os mais sensíveis. Está feito o spoiler alert.

Quantas crianças descalças, subnutridas, a viver em condições desumanas, sem acesso a uma escola decente, a cuidados médicos decentes, a perspectivas de um futuro decente e com uma infância de carência, medo e sofrimento são precisas para fazer uma Isabel dos Santos?

Direita alternativa e aflita

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Fotografia: Lusa/Cofina Media@Sábado

A máquina de propaganda alt-right instalada nos Observadores, nos I’s e nas CMTVs está aflita com a quase certa vitória de Rui Rio. Tão aflita que agora se lembrou de nos alertar para o perigo de deixar a ala direita do espectro vazia, à mercê dos Venturas, caso o PSD se posicione ao centro, como (alegadamente) pretende Rio. Mas não há motivo para alarme. O PSD é um partido de direita (que alberga, desde sempre, alpinistas e trampolineiros ultraconservadores e de extrema-direita, porque o poder é muito apelativo e o PSD é a única forma de, à direita, lá chegar), continuará a ser um partido de direita e levará a cabo uma política de direita mal regresse ao governo. Sempre foi assim, sempre assim será. Por outro lado, para promover a extrema-direita e os ultraconservadores já cá temos essa mesma máquina de propaganda. Deixem-se de merdas. Luís Montenegro e restante entourage passista que façam como a sua antiga barriga de aluguer e criem o seu próprio Aliança. Ou assumam o que são e criem um Chega ou uma Iniciativa Liberal, dependendo do caso em concreto. Porque mesmo sendo de direita, e estando, em parte, cercado por gente pouco recomendável, Rui Rio está a anos-luz dos restos do passismo.

Então mas o Trump não era amigo do Bolsonaro?

E o Brasil não estava mais seguro, agora que os milicianos evangélicos chegaram ao poder?

E não é que Maria Luís Albuquerque quase passou despercebida?

Já lá vão algumas semanas e muito pouco se falou sobre o assunto. Lamentavelmente, porque vivemos num país onde a imprensa é totalmente controlada pela (extrema?) esquerda, estes actos de quase censura são uma constante. Só assim se compreende que um livro dedicado a glorificar a ascensão da extrema-direita possa ser apresentado por uma antiga ministra, sem que tal cause grande alarido ou dê origem a um título bombástico. Onde está o Correio da Manhã quando precisamos dele?

Num país onde a extrema-direita inunda diariamente as redes sociais com notícias falsas sobre tudo o que mexe à esquerda do espectro, o grande Satã socialista, é importante dizer ao país que Maria Luís Albuquerque se disponibilizou para apresentar um livro dedicado à nova extrema-direita, em particular a Donald Trump, Jair Bolsonaro e à “nova direita europeia”, ou “direita iliberal”, que é, actualmente, o termo oficial da novilíngua para “extrema-direita”. “Fachos”, para simplificar. Um livro onde não faltam elogios a Olavo de Carvalho, teórico da conspiração e ideólogo do regime de extrema-palermice que impera em Brasília, e Steve Bannon, guia espiritual e líder supremo do neofascismo. [Read more…]

O imperialismo norte-americano soma e segue

Espero estar errado, mas tenho a leve sensação que esta noite começou mais uma guerra no Médio Oriente. A enésima deliberadamente provocada pelos EUA. Da última vez atacaram e invadiram o Iraque por causa de armas de destruição maciça que afinal não existiam, desta vez foi o assassinato de uma das principais figuras do regime iraniano, em formato atentado terrorista, por alegadamente conspirar para atacar interesses norte-americanos. Daqui a uns anos descobriremos que o tipo estava no aeroporto do Iraque para comer um kebab. Em todo o caso, matam-se dois coelhos com uma cajadada: por um lado, o inimigo morde o anzol e providencia pretexto para um ataque dos EUA, que é aquilo que Trump sempre desejou, pelo menos desde que chegou à presidência. Por outro, a indústria bélica esfrega as mãos porque o investimento na campanha Trump valeu a pena e o negócio vai bombar. Literalmente.

P.S.I: Os refugiados que se seguem no Mediterrâneo são da exclusiva responsabilidade da administração Trump.

P.S.II: Perdoem-me o politicamente incorrecto, mas invasão árabe da Europa é um delírio da extrema-direita, instrumentalizado por pastores de rebanhos de palermas.

P.S.III: A indústria do armamento está em alta nos mercados. E os mercados adoram um boa guerra: armas, equipamento, reconstrução. Cash Rules.

José, chama o António

A divulgação dos nomes de membros do Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa, com indicação das respectivas Oficinas, foi feita por um “anónimo” na caixa de comentários de um blogue, no dia 1 de Agosto de 2012. Há pouco mais de 7 anos atrás.

Quem tinha acesso a esta informação?

Eu digo-vos: a Secretaria do Grande Oriente Lusitano e o Grão-Mestre.
Quem é responsável pela “fuga” de informação?
Eu digo-vos. 

Regresso ao Futuro

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[António Alves, Maquinista]

Vivemos na Ferrovia Nacional um momento que se pode considerar histórico.
Aquilo que na filosofia da ciência se chama uma ruptura epistemológica. Estas acontecem quando um obstáculo inconsciente ao pensamento científico é completamente rompido ou quebrado. É o que acontece nos dias que correm no mundo ferroviário português. Um conjunto de factores concatenaram-se para que isso fosse possível: um ministro dedicado e consciente do papel da Ferrovia no futuro do país, um Conselho de Administração da CP tecnicamente competente e empenhado em fazer renascer o Caminho de Ferro e, até, uma mudança de linha, mas sem rejeitar a sua História e mantendo uma continuidade com ela coerente, no mais importante sindicato operacional do setor, o dos Maquinistas.
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O chefe de gabinete de Eduardo Vítor Rodrigues


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Os boys & girls de André Ventura

O Chega tem seis assessores parlamentares, mais do que os dois outros novos partidos, Iniciativa Liberal e Livre, com quatro cada um. Para quem vinha para acabar com os tachos, e que, ainda há uns dias, se insurgiu no parlamento contra a regionalização, por ser uma espécie de plano secreto para criar mais tachos para boys, André Ventura está fortíssimo na nomeação custeada pelo erário público. Mas diz muitas verdades, que pelos vistos nunca ninguém disse, pelo que, em princípio, será para acabar com a pouca vergonha.

Lutas, causas, recuperações e inibições – Greta Thunberg e outras coisas

Sim, ela intervém numa sociedade que se tornou, há muito, perita em recuperar, instrumentalizar e, eventualmente, lucrar com as forças, movimentos e personagens que a contestam, por muito forte que seja a causa que representem. Mas isso não tira mérito a tais causas nem aos seus protagonistas. Cabe-nos estar criticamente atentos. Sendo assim, não entendo a hostilidade para com a jovem Greta Thunberg e a desvalorização de causa resultante desta atitude. Ela é uma criança. Uma adolescente, vá. Não era isto que queríamos? Não apelávamos a um compromisso da juventude na defesa de causas justas e de uma cidadania activa? E agora que isso acontece, qual é o problema de alguns de vós?
Ela pode cometer erros? Pode. E daí?
A luta que mobiliza os jovens pode ser recuperada e distorcida por um poder capitalista manhoso e que sabe bem como isso se faz? Pode. E daí?
Há causa mais imediatamente dramáticas e urgentes, com vítimas mais evidentes? Há. E daí?
Quando nos propomos lutar por uma causa temos que ir ao mercado das prioridades? Agimos ou é preferível ficar por uma imobilidade cínica? [Read more…]

Finalmente, Daphne Caruana Calizia

Primeiro-ministro de Malta cede à pressão e vai demitir-se

Rui Pinto e o escritório PLMJ

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O texto que se segue é da autoria do Pedro Bragança. O meu muito obrigado pela coragem invulgar, neste país rendido e submisso.

Diz a imprensa de hoje que António Costa “abriu Segredo de Estado” no processo EDP/Mexia/Pinho/etc. Documentos confidenciais ficam agora ao dispor da investigação, que tentará apurar a existência de corrupção. Para quem não sabe, este é o verdadeiro caso de Rui Pinto. Recuemos.

22/12/2018 – A PLMJ, uma das mais influentes sociedades de advogados em Portugal, envolvida em muitos dos grandes negócios do Estado Português e encarregue da defesa de Mexia, chairman da EDP, neste processo em concreto, via correspondência sua tornada pública num blog.

Nesse primeiro leak, mensagens trocadas entre os três advogados encarregues da defesa do SLB no E-toupeira revelavam a preparação de testemunhas. Parecia irrelevante, mas viria a saber-se mais tarde que essa era apenas a ínfima ponta de um enorme iceberg.

23/12/2018 – Peritos contratados pela PLMJ confirmaram o acesso a pelo menos 150 computadores do escritório, numa ação continuada desde outubro de 2018. Iniciava-se neste momento uma perseguição ao autor do blog e, no mesmo dia, a sociedade conseguiu o seu encerramento coercivo.

31/12/2018 – O blog reabre numa nova plataforma, agora sediado no Irão, e responde com a divulgação de 29 mil e-mails (doze anos) de João Medeiros, sócio da PLMJ, advogado de Mexia e em muitos outros grandes casos judiciais nos últimos anos. Uma mina de informação.

(Muitos dos documentos que António Costa agora abriu ~generosamente~ à investigação criminal tinham já sido revelados há mais de 10 meses. E foi com base nessas revelações que jornalistas do Expresso iniciaram, na altura, um trabalho de investigação e contextualização.)

8/1/2019 – Uma semana depois, Expresso publica primeira notícia na edição online: advogados de Mexia e Pinho concertaram estratégia no processo EDP e, mais importante, reconheceram a implicação do ex-ministro no patrocínio da eléctrica à U. Columbia, a contrapartida da corrupção.

No momento do contraditório, João Medeiros (PLMJ) preferiu não falar ao Expresso e avançou com um processo judicial contra o jornal. Imediatamente a seguir, uma providência cautelar aceite pelo tribunal proibia novas publicações sobre qualquer assunto vindo de mails da PLMJ.

Na edição em papel, a 12/1/2019 (que, por mera coincidência, contava com a opinião de José Miguel Júdice, sócio fundador da PLMJ), nem uma linha sobre o assunto. Não só a investigação era congelada, como eram omissas as razões para a sua interrupção abrupta.

Apesar de não existir nenhuma evidência disso, havia a forte convicção de que o autor dos leaks da PLMJ era Rui Pinto, cidadão português a residir na Hungria e promotor do Football Leaks. A única forma de tentar saber? Prendê-lo.

Apenas 4 dias depois da última notícia na edição online do Expresso, um mandado de detenção europeu, elaborado à pressa e com erros formais, era executado. Rui Pinto fora detido na Hungria, na presença de autoridades locais e portuguesas.

O motivo formal não era, obviamente, o caso PLMJ, sobre o qual, diga-se, ainda hoje não há ligação evidente a Rui Pinto, como denota a acusação. Um caso congelado com mais de 3 anos (Doyen/Football Leaks), que nunca suscitou qualquer demarche, serviu de pretexto para a detenção.

Às 20h de 16/1, em prime time, numa conferência de imprensa à americana, absolutamente incomum, PJ dava a notícia: Ladies and gentlemen, we got him. Caçámos Rui Pinto. Mas… tudo isto por causa de um conflito privado entre um fundo cazaque-maltês e um emigrante? Estranho, não?

Parece evidente que com a notícia da detenção de Rui Pinto as autoridades portuguesas quiseram mostrar serviço e, sinceramente, isso é o mais alarmante. Mostrar serviço a quem? Porquê?

Desde o final de 2018, 8 sócios abandonaram a PLMJ, entre os quais alguns dos mais reputados, como João Medeiros.

As revelações de informações da PLMJ pararam desde a detenção de Rui Pinto. No entanto, a encriptação dos discos apreendidos tem impedido o acesso à informação. Ninguém sabe o que Rui Pinto sabe e isso tornou-se aterrorizador para muita gente.

Rui Pinto continua preso. Esteve 6 meses em isolamento, sem contacto com outros presos, e proibido de conceder entrevistas a jornalistas.

Deixem as crianças em paz

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Recorte: Visão, via Uma Página Numa Rede Social

Depois de meses (anos?) de furiosa perseguição de uma certa direita a qualquer tipo de iniciativa relacionada com igualdade de género nos recintos escolares, que, asseguram, estão tomados pelo marxismo cultural – o que me leva a crer que esta nova direita vive fechada numa bolha na capital, sem nunca ter colocado os pés numa escola do norte do pais, privada ou pública, onde a ligação com a igreja, directa e indirecta, é a regra, não a excepção – eis que nos deparamos com um episódio peculiar.

Uma reportagem da jornalista Teresa Campos, publicada ontem na revista Visão, conta-nos a história de Sónia Alves, mãe de uma criança de seis anos que frequenta uma escola pública no concelho do Seixal, onde as visitas de um padre, para falar com os alunos, durante o período lectivo, são normais. Numa dessas visitas, o referido padre terá dito aos alunos, crianças de seis anos de idade, que quem não frequenta a cataquese irá para o Inferno quando morrer. [Read more…]

Lítio do bom

 

 

Hong Kong

Que grande aula de Civilização está a ser dada em Hong Kong.

Grey New Deal

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Só lhe faltava ser feminista, de esquerda e homossexual

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Chama-se Shafik Mohamed, fala português melhor que muitos puros lusitanos e esteve na Websummit a apresentar uma aplicação para medir a pegada ecológica do utilizador, com selo 100% made in Portugal. Um empreendedor árabe, na Websummit, a apresentar uma aplicação da fabrico nacional que apela indirectamente à consciência de cada um para combater as alterações climáticas. Tenho sérias dúvidas que haja em Portugal uma mistura tão explosiva, com igual potencial para irritar a enraivecida e acéfala turba venturo-bolsonarista. Só lhe faltava ser feminista, de esquerda e homossexual.

Tolentino será Papa

Pedro Bingre do Amaral fez ontem um esforço tremendo, nas declarações que proferiu pelo Canal 2, para evitar dar razão póstuma e apócrifa a Angela Merkel, Passos Coelho e Vítor Gaspar. E, já agora, a António Costa.
É verdade que usou o termo “frugalidade” em vez de “austeridade”, precisão linguística com que procurou contornar o determinismo escatológico e judaico-cristão da Goldman Sachs, inflectindo para uma epistemologia neo-budista, com crescente aceitação, aliás, entre os filhos da encriptação dos dados com que Deus, segundo dizem, nunca jogou.

Concluiu, sem surpresa ou desilusão, que os pobres devem manter-se assim, pobres. E que o seu número deve diminuir por via do controlo vital, ou seja, esperando que os que existem morram e impedindo que, antes disso, se reproduzam. Nem que para tal seja forçoso vaciná-los contra o bicho mau.

Não é certo que não tenha razão.
Não se percebe, aliás, nada disto.

Entretanto a vida, essa brutalidade carbónica, emergiu em Lisboa de um caixote do lixo pelas mãos, precisamente, de um frugal.
Tolentino será Papa.

O Concílio

A Web Summit é um acontecimento relevante sob vários pontos de vista. Para Portugal é-o duplamente, uma vez que é aqui que se realiza, sendo que esse facto é visto e tido como uma vantagem pela generalidade dos agentes do poder.

Em nada isto contraria o facto de se tratar de uma assembleia evangélica, similar, em todos os aspectos fundamentais, a uma cerimónia de culto religioso, promovida e levada à prática segundo códigos, símbolos, discursos, encenações e rituais em tudo semelhantes aos que as maiores igrejas utilizam nas suas próprias celebrações e estratégias de evangelização.

Não sendo isto, à partida, bom nem mau, é assim. Tudo na Web Summit está de acordo com os princípios reguladores de uma cerimónia extática, hipnótica e persuasiva, cujo propósito é unir em torno de uma verdade sacra e de uma vontade de transcendência, a enorme massa de almas hoje rendidas ao esplendor universal da máquina.

Repete-se: isto não é, à partida, nem bom, nem mau. Há quem ache que é bom e há quem ache que é mau. O que é mau, por ser injusto, é negar à Web Summit o seu lugar de direito na História da Magia e na Antropologia das Religiões. Porque esse é um truque que os “tecno-laicos” utilizam recorrentemente para ocultar o seu monoteísmo visceral, a sua religiosidade fanática e a sua intolerância irredutível.

Mais um indígena assassinado no Brasil

Os indígenas brasileiros estão perigo. O país foi tomado por uma onda violenta de ódio a povos indígenas.

Só de 2017 a 2018 o número de indígenas assassinados cresceu em 20%.  A pressão de latifundiários e exploradores das reservas de minério, madeireiros e etc estão invadindo e explorando terras já demarcadas em governos anteriores. Várias mortes se dão nesse contexto de invasão das terras protegidas. A escalada da violência a ativistas indígenas que denunciam as invasões e roubos vem aumentando nos últimos anos.

Em uma década, mais de 300 desses defensores da floresta foram assassinados, de acordo com os dados compilados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e utilizados pela Procuradoria-Geral da República. Algumas vítimas eram agentes públicos, mas a maioria eram indígenas ou outros moradores que denunciaram a exploração ilegal de madeira às autoridades.

Após a posse de Jair Bolsonaro, a situação de ataques às reservas se agravaram. As invasões já somam um aumento de 40% em relação a 2018.  Na ultima sexta-feira, 01/11 o  indígena e ‘guardião da floresta’, Paulo Paulino Guajajara, foi assassinado em uma emboscada na Terra Indígena Arariboia, na região de Bom Jesus das Selvas, no Maranhão. Segundo nota do governo estadual, “os guardiões Paulino e outro índigena, por nome Laércio saíram da aldeia buscar água, quando foram cercados por pelo menos cinco homens armados, que de início já dispararam dois tiros contra os dois”. Paulino foi assassinado com tiros na cabeça.

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Paulo Paulino Guajajara, morto nessa sexta-feira, 01/11 em uma emboscada Foto: Reprodução Mídia Índia

 

Ele era Guajajaras, um dos maiores grupos indígenas do Brasil, com cerca de 20 mil habitantes e que criaram os Guardiões da Floresta para patrulhar a  reserva. Na área demarcada aos  Guajajaras vivem indígenas  Awá Guajá, uma tribo pequena  e isolada de contato com o mundo exterior e ameaçada de extinção.

Para as lideranças indígenas o atual presidente Jair Bolsonaro tem a culpa por incitar a violência aos indígenas.  “O governo Bolsonaro tem sangue indígena em suas mãos”, disse a organização pan-indígena brasileira APIB, que representa muitos dos 900.000 habitantes do país, em comunicado no sábado.“O aumento da violência em territórios indígenas é resultado direto de seus discursos odiosos e medidas tomadas contra nosso povo”, afirmou a Sonia Guajajara da  APIB.

A líder da APIB, Sonia Guajajara, disse que o governo está desmantelando agências ambientais e indígenas e deixando tribos para se defender da invasão de suas terras.

Meses antes de sua morte o indígena Paulino Guajajara, que estava na casa dos vinte anos e deixa um filho, disse à Reuters em entrevista na reserva em setembro que proteger a floresta dos intrusos havia se tornado uma tarefa perigosa, mas seu povo não podia ceder ao medo.

 

Fonte: Reuters, Exame, El Pais e G1

O centro não existe, Dr. Rui Rio

O centro não existe. O espectro político, no que diz respeito a esquerda e direita, é uma linha, dividida ao meio. À esquerda do centro estão as ideologias e os partidos de esquerda. À direita estão as ideologias e partidos de direita. Uns como outros podem ser mais autoritários ou liberais, posicionando-se ao longo de uma linha longitudinal, o que ajuda a explicar o alinhamento do PCP com a direita na (i)legalização da eutanásia, ou a defesa da liberalização do consumo de cannabis que une Bloco de Esquerda e Iniciativa Liberal.

Durante a campanha, Rui Rio insistiu várias vezes na ideia de que o PSD não é um partido de direita. Perdidas as eleições, Rio virou-se para dentro e o mantra foi, entretanto, convertido em “O PSD não é um partido de direita nem é de esquerda. É um partido social-democrata e a social-democracia é ao centro, não é à direita nem à esquerda”. Vivem-se tempos de guerra, no seio do maior partido político português, e os tempos de guerra tendem a ser férteis em bizarrias. [Read more…]

Responsabilidade corporativa e sociedade civil

Em 21 de Fevereiro de 2017, a Assembleia Nacional francesa adotou uma Lei de Responsabilidade Corporativa, que cria uma nova responsabilidade corporativa da cadeia de suprimentos, definindo um dever de vigilância para as empresas-mãe e seus subcontratados. A lei prevê que as empresas multinacionais que realizem a totalidade ou parte da sua atividade no território francês terão de adotar mecanismos para prevenir as violações dos direitos humanos e os danos ambientais durante toda a cadeia de abastecimento. A lei aplica-se a grandes empresas francesas, e estima-se que apenas 150 empresas serão afetadas pelas novas regras. As empresas que não controlam ou publicam relatórios podem ser denunciadas por vítimas ou partes envolvidas e, em caso de violação da lei, podem sofrer eventuais sanções pecuniárias no valor total de 10 milhões de euros.

Ao abrigo da lei francesa de 2017 relativa ao dever de vigilância – cuja aprovação foi fortemente promovida pela sociedade civil francesa -, a organização Friends of the Earth France recorreu hoje a um tribunal francês para interpor uma acção legal contra a multinacional TOTAL, por incumprimento das suas obrigações legais de protecção dos direitos humanos e ambientais no Uganda. É um passinho, mas notável, contra a impunidade dos tubarões transnacionais.

É um exemplo de uma sociedade civil forte, capaz e com recursos. Quando lá chegaremos??? Estou muito curiosa a respeito da nova Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade…

Carta aberta a Rui Rio

Caro Rui Rio,

São vários os motivos que me levam a escrever-lhe esta carta, mas foi o medo o que mais me motivou. Conhece o velho ditado da política portuguesa, “quem se mete com o PS leva”? Pois bem, aqui pelo concelho da Trofa, a versão que melhor se adequa à realidade actual é “quem se mete com o PSD leva”. E alguns dos principais responsáveis locais do PSD Trofa estão consigo, a trabalhar activamente na campanha e em lugares elegíveis pelo círculo do Porto. Uns “bateram”, outros ficaram à porta a ver.

Ao longo dos últimos seis anos, fui várias vezes ameaçado e insultado por elementos do seu partido, que incomodaram familiares, amigos e a minha vida profissional, por ter a ousadia de tentar fazer aquilo que o senhor anda a defender há meses: dar um banho de ética à política local. Vou contar-lhe a minha história, na esperança de conseguir a sua atenção para este caso.

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Mnemosine

E é isto.

Vai votar

Bem esgalhado.

Estado Novo ou PREC, CDS?

Como notou um notável indivíduo que não sabe estar, Pedro Mota Soares e Assunção Cristas conseguiram, penso que no mesmo dia, fazer o pleno. Numa acção de campanha em Viseu, Mota Soares afirmou qualquer coisa como “parece que se voltou ao PREC de 1974 e 1975”. Assunção Cristas não lhe ficou atrás. Mais a norte, algures entre Vila Real e Miranda do Douro, a líder do CDS agitou o papão fascista.

Como penso que já terão reparado, estamos aqui perante duas situações no mínimo estranhas. A primeira tem que ver com a estratégia de, no mesmo dia, a poucos KMs de distância, altos dirigentes do mesmo partido acusaram o governo (e a maioria de esquerda) de terem conseguido a proeza de fazer o país regressar, simultâneamente, ao PREC e ao Estado Novo. Assim, sem respeito nenhum pelas leis da física. [Read more…]

A base legal, Galamba e a EDP

Cartoon de: Letícia Carmo

Os grandalhões da energia estão protegidos pelo Tratado Carta da Energia, do qual a UE é signatária, que lhes garante acesso a uma justiça privada e exclusiva (o chamado ISDS) para processarem governos que arrebitam cachimbo. Por uma passadeira VIP, mandam a soberania e a Justiça dos estados às urtigas e vão decidir o assunto lá no aconchego secreto dos quartos de hotel, onde a luz lhes é mais propícia. São os próprios estados que lhes oferecem de bandeja essa possibilidade, para os mimar. Mesmo em estados que se retirem do tratado, como fez a Itália em 2016, ele permanece em vigor durante mais 20 anos. Que tal? Isto é que é ser querido. As milionárias indemnizações exigidas são pagas por nós.

É à luz desta pouca vergonha que Galamba lida com paninhos quentes com a EDP: “A notícia (do BE) é falsa, porque o Governo não deixou cair o que quer que seja; simplesmente não somos o bloco de esquerda e, nestas matérias, importa avaliar base legal para agir”, escreveu o secretário de Estado da Energia, na rede social Facebook.

A base legal, não tenhamos dúvidas, coloca na balança o ISDS; já há um ano, a EDP tinha ameaçado a ele recorrer.

Enquanto os governos (mesmo que se pomposamente se denominem socialistas) encolherem assim a cabeça perante as multinacionais, a Democracia continuará truncada e a Justiça mais do que injusta.


Contra o ISDS pode subscrever https://stopisds.org/pt/