À custa das nossas possibilidades

NB

Ricardo Araújo Pereira sintetizou o embuste na perfeição, numa das últimas edições do Governo Sombra: imaginem que eu tenho um quilo de maçãs, que me custou 2€, e vendo-o a uma pessoa, que eu não sei quem é, por 1€. E essa pessoa diz-me assim “tens 1€ que me emprestes?”, para me pagar o euro. Eu empresto, e depois peço ao fundo de resolução o euro que falta.

Não, não é nada estranho. Acontece todos os dias, em todo o lado onde o capitalismo é quem mais ordena. Desta vez soube-se, porque, convenhamos, o Novo Banco é um banco em decadência, desde a sua criação, e há muito dinheiro dos cofres públicos que se perdeu por lá, para não falar no Salgado, no Sócrates e nos restantes indivíduos que pilharam o GES, depois do GES ter pilhado meio mundo. E quando estamos a falar de pessoas e entidades caídas em desgraça, a coragem dos holofotes mediáticos tende a aumenta substancialmente. [Read more…]

Lições do fascismo português: como casar uma professora do Ensino Primário

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No tempo do Salazar é que isto era um país às direitas. Literal e orgulhosamente. Reparem no exemplo das professoras do ensino primário que pretendiam casar, e que só precisavam de aprovação do pai, de um parecer positivo do director do distrito escolar e da autorização do Ministro da Educação Nacional. Nada mais. Era ter estas três aprovações e estava resolvido o problema. Nada dessas modernices vagabundas, que estão a destruir a família cristã, em que a mulher escolhe o seu caminho e faz as suas próprias opções. Com Salazar e o seu grupo de forcados, poucas vergonhas como essa não passavam.

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Não foi só a ministra…

Na semana passada, a ministra da cultura respondeu que ia tomar um drink quando lhe perguntaram sobre… cultura. Nesta atitude, vemos refletida a postura de todo o governo: Não trata do que tem a tratar com os portugueses e preocupa-se em demasia ao agradar os outros. Neste caso, foi utilizado um anglicismo.

Mas não pensem que isto foi o mais grave. Se este governo não fosse tão incompetente, diria que foi um momento infeliz. Mas não, é apenas mais uma para juntar às outras.

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Náusea

É verdade que isto mete nojo, mas ainda não o suficiente.

Ocidente e Oriente

 

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Mustafa Kemal Atatürk

25 de Julho. Dia de Santiago. Um dia importante para o Ocidente. A Catedral de Santiago de Compostela, na Galiza,  recebe os peregrinos (turistas, dizem uns, viajantes, dizem outros, uns crentes outros não crentes). Atravessam territórios de vários países. Já é assim há muitas luas. E esperamos que assim continue. Os peregrinos (turistas contemporâneos) são bem-vindos na Catedral, e o culto católico continua a fazer-se.

No outro lado do Mediterrâneo, na Turquia, a partir desta semana, Hagia Shopia (Bem inscrito na lista do Património Cultural da UNESCO) passa a ser novamente uma mesquita, após decisão do governo turco, decisão legítima, diga-se.

Quer o Papa goste, quer o Papa não goste. Muita gente, e de variados quadrantes, desde o Ocidente ao Oriente (políticos, dirigentes religiosos, jornalistas, bitaiteiros, enfim…..), tem-se pronunciado sobre essa decisão. Também na Turquia a questão  não é pacífica, e há muitas vozes contrárias.

UNESCO, ICOMOS, e outros organismos internacionais, tomaram posição pública sobre o assunto.

A discussão pode e deve ser feita, mas o que está em causa tem a ver também com a soberania de um Estado, de suas decisões, e com o cumprimento, ou não, de compromissos internacionais, por parte desse Estado (Convenção do Património Mundial, a que a Turquia aderiu voluntariamente).

Dito isto, muita matéria há que analisar, designadamente sobre o uso do Património Cultural (civil, religioso, arquitectónico, arqueológico, público, privado, da Igreja, etc, etc.), as alterações ao uso, as implicações físicas dessas alterações, a vontade das populações que interagem com esse Património, etc.

Todos reconheceremos (se formos à Assembleia da República e fizermos essa pergunta, a resposta será unânime, da extrema esquerda à extrema direita) que o Património Cultural (nas suas diferentes vertentes e manifestações) deve ser preservado e salvaguardado. E a sua utilização? Como o fazer e quem o deve fazer é que torna a coisa complicada. Qual deverá ser o papel do Estado (Administração Central, Administração Regional, e Administração Local) nessa matéria? E o dos privados? E a dita sociedade civil? E os proprietários desse Património (onde se inclui a Igreja Católica)? E aqui começa de facto uma conversa séria, que nos últimos anos nenhum governo ( desde José Sócrates até agora, nem recuo mais) quis encetar.

E assim voltamos novamente a Hagia Shophia. Assunto sério para reflectir sem preconceitos nem fundamentalismos.

Curiosamente o Ministro dos Negócios Estrangeiros Turco Yavuz Selim Kıran refere tuíte de um português:

“After the press release of UNESCO regarding Hagia Sophia, he asked why UNESCO does not push for Notre Dame and Vatican be turned into museums. I will give you another example from Cordoba. Cordoba Mosque was inscribed to the World Heritage List in 1984. It was converted to a Cathedral in 1236 and is still being used in the same function,”.

O chamado dedo na ferida.

O Liberalismo não é sobre dinheiro

Existe a ideia errada de que o liberalismo gira à volta do dinheiro. Não podia estar em maior desacordo. Ao contrário do que a esquerda e a direita conservadora, proprietárias de ideias coletivistas, nos querem fazer acreditar, todo o liberal luta apenas pela valorização do indivíduo. Claramente que a vertente económica também é levada em conta, mas o liberalismo não se prende aí. Também não é possível ser liberal na economia e conservador nos costumes. Quer dizer, é possível, mas é intelectualmente desonesto. É lutar pela liberdade apenas no que pode dar jeito a certo grupo. A partir do momento em que uma ideia apenas respeita a liberdade de uma porção de indivíduos, deixa automaticamente de ser uma ideia liberal.

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Tolerância

A ver se, de uma vez por todas, conseguem entender.

É-me, completamente, irrelevante a proveniência.

Fundamentalismo religioso e extrema-direita: a mesma luta

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O fundamentalismo religioso não é, nunca foi e dificilmente virá a ser um exclusivo dos muçulmanos. Basta, aliás, um olhar atento sobre o que se passa em países como o Brasil, onde seitas evangélicas cristãs manipulam milhões de fiéis com curandeirismos e fraudes como a teologia da prosperidade, e que do dízimo de milhões de pobres e remediados produzem uns quantos pastores milionários, que ascendem aos céus de helicóptero.

A publicação em cima, da autoria de Manuel Matias, assessor do Chega, é, toda ela, uma ode ao fundamentalismo religioso. Tão óbvia, tão desprovida de racionalidade, ética ou moral, que qualquer explicação sobre a mesma se torna redundante. E não causa surpresa, ou não fosse o evangelismo radical um dos pilares que sustenta a ascensão do partido de extrema-direita, quer pela via do financiamento, quer pelo arrebanhamento das mentes frágeis que se submetem ao jihadismo evangélico. [Read more…]

Orgulho em ser Tripeiro!

Estamos em 2020 e fica mais uma vez provado como funciona Portugal. Já avançamos o suficiente para continuarmos a alimentar o centralismo que existe neste país. Ser do Futebol Clube do Porto e da Cidade do Porto, muitas vezes, é ter de arcar com a ignorância daqueles que fazem da Capital portuguesa a oitava maravilha do Mundo.

Deram o Futebol Clube do Porto como morto a meio do campeonato. Aliás, até antes de começar o campeonato. Fazedores de opinião pública criaram a ideia de que o Futebol Clube do Porto tinha medo de voltar no pós-pandemia. Televisões portuguesas fizeram acreditar que o povo do Norte, representando este com imagens da Cidade do Porto, é mal educado. Até num programa de televisão conseguem dar má imagem ao Norte, metendo dentro de uma casa pessoas que não representam minimamente as nossas gentes.

Jogamos bem ou mal? Melhor do que todos os outros clubes portugueses, pior do que muitos clubes que estiveram nas competições europeias. Mas o que está aqui em causa não é um campeonato ou uma competição. É a nossa dignidade e a forma como continuamos a ser tratados.

E sim. Temos defeitos. Erramos, tal como todos. Temos de saber reconhecer isso. No entanto, não é motivo para continuarem a pintar uma imagem do nosso povo como se de animais se tratasse.

Sou Português. Sou Portuense. Sou Portista.
E nem um átomo do meu corpo se envergonha disso!

Contra tudo. Contra todos. Contra o Covid.

Amo-te, FC Porto!

A dúvida

A leitura de uma entrevista ao historiador escocês Neill Lochery a propósito do seu novo livro “Porto, a entrada para o Mundo”, provocou-me uma enorme dúvida, daquelas que ficarão eternas porque assentam no pressuposto “e se…”.

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Auto-mutilação

Actualmente, ser de esquerda implica mutilar a sua própria liberdade. Principalmente, a liberdade de pensar.

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Decorem este nome: Volt!

Na semana passada, tivemos a entrada de mais um partido para o jogo democrático português: o Volt. Sou honesto, apenas conheço o Volt há umas semanas e interessei-me bastante pelo projeto. O Volt apoia a ideia de uma Europa federal e é bastante progressista. [Read more…]

Liberdades? Sim, claro, quando me dá jeito.

Na Assembleia, o deputado único do CHEGA teve uma declaração em que disse que lá por ser do Benfica, não tinha o direito de acabar com alguns adversários. Claro que a frase dele teve bastante impacto por se referir a clubes de futebol, mas nem é isso o que me impressiona na frase. André Ventura defende, e bem, que cada pessoa tenha a liberdade de ser do clube que quer e que essa liberdade acaba quando interfere na do outro.
Onde está André Ventura, o grande defensor das liberdades, quando defende que não deve ser ensinada a ideologia de género, tirando assim uma opção às escolas e aos pais? Onde está o sentimento de liberdade, quando defende um isolamento especial para uma etnia? Onde está o respeito pelas opiniões dos outros, quando se  promete acabar com a bandalheira que vai para o Twitter?

Ignorando o assunto que estava em questão na Assembleia, André Ventura percebeu, que para defender uma ideia, é preciso pensar como podemos tornar as pessoas mais livres. Mas tal como outros de direita e a maioria de esquerda, apenas proclama liberdade quando dá para defender os dele e aquilo que os dele gostam.

O problema é que André Ventura ainda não entendeu que não podemos defender apenas a liberdade quando é algo que nos toca. Temos defendê-la sempre. Alguém que lute verdadeiramente por pessoas livres, luta até por aqueles que não gosta.

Lisboa a ser vítima de Lisboa

Lisboa continua a ter imensos casos de Covid-19, enquanto o Porto, por exemplo, não tem casos há mais de 20 dias. Julgo que pela primeira vez na História, Lisboa foi vítima daqueles que fazem da capital algo superior, como se fossem diferentes dos comuns mortais.

Atualmente, Lisboa tem a larga maioria dos novos casos. Esta é a mesma cidade na qual a classe política achou boa ideia fazer celebrações do 25 de Abril, celebrações do Dia do Trabalhador, manifestações da esquerda à direita e, pasme-se, celebrou-se o facto de Portugal receber a Liga dos Campeões. Os populistas da esquerda à direita e os que usam Lisboa para centralizar os seus poderes foram os culpados desta situação. Talvez tenham confiado demasiado na sua população que não é menos educada, nem mais pobre, nem mais velha. [Read more…]

96 Campeões

O Liverpool sagrou-se campeão inglês. Mesmo depois de ter sofrido 11 golos em dois anos contra essa equipa, tentarei abordar o assunto sem roer as unhas.

Já todos falaram de Klopp, de Mo Salah e muitos outros. Eu vou falar dos 96. Dos 96 adeptos dos Reds que perderam a vida em 1989 na famosa Tragédia de Hillsborough. O Estádio degradado e a falta de organização contribuiu para o desastre. O Governo inglês fez acreditar que a culpa era dos adeptos, alegando que estes se encontravam alterados devido ao álcool. No entanto, as famílias das vítimas não desistiram e lutaram por que se fizesse justiça. [Read more…]

Isto é sobre a TAP, mas podia ser sobre outra coisa qualquer

Uma vez na Grécia, um estudante a quem eu disse – depois de saber que não se pagam propinas naquele país – que era privilegiado, respondeu-me o óbvio (que na verdade eu sabia, porque óbvio desde sempre para mim, mas usei mal a palavra) – «não é um privilégio, é um direito».

Mais nada! É só isto. Aplicado a tanta coisa, não apenas à educação. Ao trabalho e aos direitos dos trabalhadores. Aos serviços e aos direitos dos consumidores. À saúde e aos direitos de todos nós a ela. E por aí fora. [Read more…]

Bom S. João!

Ó meu rico S. João
Sabes o que era sensacional?
O Porto Campeão
E um Portugal mais liberal

Mesmo sem gente na rua
Esta noite será sempre tua
Não há festas para as multidões
Mas temos a Liga dos Campeões

Mania das Grandezas

Portugal, tal como o resto do mundo, está a atravessar uma pandemia. Devido à mesma, teremos enormes consequências na vida das pessoas, principalmente pelo abalo que a economia levou. Talvez algumas pessoas agora percebam que não é a economia que mata. Durante os últimos meses, os profissionais de saúde têm sido bastante elogiados pelo combate ao vírus. Chega a ser comovente a entrega destes profissionais que têm vidas humanas nas suas mãos. Em França, o Governo garantiu dar até 1500 euros de bónus a profissionais de saúde. Na Alemanha, vai ser aumentado o salário aos mesmos. [Read more…]

Bolsonaristas feministas

Brasil é cheio de sinhazinhas que usam o discurso do feminismo para manter privilégios , conforto e perpetrar o ódio. Os castigos ,dado até as crianças negras e indigenas no Brasil colonial, é um tema indigesto. As mulheres negras eram mutiladas depois de serem estupradas pelos senhores, a mando das sinhás.

Conheci várias descendentes. Evocam uma luta por conveniência. Dão escândalo e promovem grande caça-a-bruxas nas redes mas na hora H  são capazes de dar crianças a cães ou jogar no elevador.

Um dos episódios recentes foi a prisão de uma delas, defensora ferrenha do bolsonarismo e ideias de supremacia branca. Ridícula e perigosa.

Muito cuidado com elas meus queridos.

Governo prostituto e traidor

“Empresas ligadas a offshores sem restrições nos apoios da covid-19 – Governo defende que impor limitações a empresas controladas a partir de paraísos fiscais ou donas de empresas aí sediadas colocaria “constrangimentos” na resposta à crise.”

Mais uma prova cabal da flexibilidade de encaixe no que toca a falta de ética, em troca de chegar às uvas. PS, PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal juntinhos para nos lixarem e lamberem as botas aos aldrabões.

França, Bélgica, Itália, Áustria e Polónia e Dinamarca tiveram coluna vertebral. Os outros oferecem-se a quem lhes passa umas notas à frente do nariz.

Com que moralidade exige este governo que lhe paguemos impostos???

40 mil mortes no Brasil.

O Brasil ultrapassou a marca dos 40 mil mortos pela covid19.

Dia de Portugal

13339656_1727132170893326_8944005229948290680_nMais importante do que nos orgulharmos da nossa História e das nossas gentes é refletirmos no que podemos fazer para melhorar sempre este país.

Viva Portugal!

Privilégio Branco?

Há umas quantas coisas de que me orgulho. Sou português, portuense, portista, liberal e gosto bastante de salmão. Sou sincero, nunca senti muito orgulho em ser branco, porque nunca pensei nisso sequer. No máximo, posso dizer que me orgulho de ser europeu.

No sábado, realizou-se, por toda a Europa, o protesto contra o racismo. Tudo isto começou pelo assassinato bárbaro numa cena de abuso policial, nos EUA. Tudo isto originou uma enorme revolta e que se baseou em chavões como “privilégio branco”. Lamento informar os mais ativos nesta luta, mas esse tal privilégio branco não existe. E também lamento informar que não existe racismo estrutural em países como Portugal ou os EUA.

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Donald Trump, o wannabe Xi Jinping, arraçado de ayatollah

Especado em frente a uma igreja como um espantalho, o devasso presidente norte-americano segura na mão uma Bíblia, logo após ter ameaçado colocar o exército nas ruas para conter os “terroristas”, termo que, por estes dias, serve para classificar manifestantes pacíficos e grunhos infiltrados, ou pouco à imagem daquilo que a China está a fazer com quem se atreve a protestar em Hong Kong. Donald Trump é um aspirante a Xi Jinping, que usa uma Bíblia em vez do livro vermelho do Mao. Um arraçado de ayatollah, portanto.

Floyd e a América racista

Copwatch (also Cop Watch) is a network of activist organizations, typically autonomous and focused in local areas, in the United States and Canada (and to a lesser extent Europe) that observe and document police activity while looking for signs of police misconduct and police brutality. They believe that monitoring police activity on the streets is a way to prevent police brutality. [Wikipedia]

Grupos de pessoas organizam-se, nos EUA, para filmar a acção policial porque já sabem que a probabilidade de esta ser violenta e injusta é elevada. Esperam pela reacção da polícia quando essa violência acontece e depois publicam os vídeos se o caso começa por ser abafado.

Foi o que aconteceu com Floyd.

Há assim tanto para investigar?

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28 de Maio? Vale pela inauguração do Estádio das Antas

Acordam com o despertador num telemóvel fabricado na China ou nos EUA. Vão tomar banho num chuveiro que pode ser da Roca ou da Grohe, enquanto ouvem música comercial. Vestem-se de marcas francesas, alemãs, entre outras. Vão almoçar ao Mc Donalds e depois, aproveitando o calor, vão beber algo ao Starbucks ou comer um gelado à Haagen Dazs. Depois enfiam-se no seu Renault, Peugeot, Porsche, ou lá o que quiserem para ir até à praia. Voltam antes do fim de tarde, pois precisam de cortar o cabelo num cabeleireiro Jean Louis David. Metem uma foto no facebook, no Instagram, no Twitter e pedem opinião a alguém no Whatsapp. À noite, vão sair com os amigos, e como não está nada aberto, para comprar umas bebidas para levar para casa, têm de ir a alguma lojinha de asiáticos. Com sorte, pelo caminho, encontram um restaurante turco aberto para comer um belo kebab.
Esta gente também é a que chega o dia 28 de Maio e dá viva a Salazar e exalta o amor à nação.

Celebremos o 28 de Maio apenas pela inauguração do Estádio das Antas.

Este Governo é o ópio do Povo

Desde o 25 de Novembro de 1975 que, em Portugal, a Democracia nunca esteve tão comprometida. Não estamos a falar de indícios ou de teorias da conspiração. Já passámos essa fase. Estamos a falar de factos públicos e notórios. O que já era muito bem perceptivel antes da pandemia, teve uma evolução exponencial e, neste momento, estamos quase num regime de partido único.

Relembrei algumas coisas que escrevi há uns anos e duas delas pareceram ganhar uma gritante actualidade. Numa afirmava que Costa, em termos políticos, era bem mais desonesto que Sócrates. E noutra, sobre a eleição de Rio para Presidente do PSD, constatava que estava criada a “tempestade perfeita”.

E não venham com a história que se não houvesse democracia, eu não podia escrever isto. O despotismo nestes tempos não precisa de cercear liberdades como a de expressão. Não precisa de impedir algumas pessoas de falar. Basta-lhe conseguir que as pessoas não liguem ao que lêem e ao que ouvem.

O truque não está no autoritarismo desenfreado, mas no fomentar do torpor generalizado. E temos um Governo e um PR (o putativo líder da oposição além de alinhado, é quase insignificante) que compreendem como ninguém o poder da comunicação e do entretenimento. E fazem disso a sua principal actividade.

Ora num País de “brandos costumes”, pois, ou seja, num País de indolentes e de fracos em que o marasmo é um objectivo de vida, basta algum ilusionismo com a informação para que este Povo fique completamente sedado. É quase como dar “valium” a quem está a morrer de sono.

A isto junte-se o sequestro do Estado de Direito e “voilà”. E se por acaso alguma dúvida subsistir sobre o definhar do primado da lei, lembrem-se da PGR que foi nomeada para acabar com as investigações a políticos, o número (zero) de condenados por corrupção, a passividade perante transgressões que passam a ser entendidas como privilégios aceitáveis ou excepções naturais, a descarada impunidade do benf… dos coisos (fazem lembrar aqueles cartéis colombianos que cometiam os mais hediondos crimes à frente de toda a gente, mas que ninguém tinha a coragem de afrontar), etc.

O que mais me espanta, o que mais me choca, não é um governo socialista comportar-se desta forma. Nunca tive grandes dúvidas acerca da ética democrática da esquerda. Pior que muita parra e pouca uva, é muitíssima parra e esquecer a pouca uva. Para o que não estava, definitivamente, preparado era para esta indiferença. Para esta indolência.

“Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.”

Berthold Brecht (Intertexto, versão de um original de Martin Niemöller)

Vírus para uns, amigo para outros

Neste fim-de-semana, apesar das regras mais rígidas, os portugueses começaram a ir à praia e fazer outras atividades. No entanto, as medidas continuam a ser pouco claras e das duas uma: ou não há coerência ou o vírus é muito seletivo. Este vírus, segundo a DGS, parece que escolheu horas para atacar e tem sítios preferidos. Por exemplo, este vírus detesta Fátima, mas tem um apreço especial por manifestações da CGTP. O vírus detesta pessoas na praia que não façam desporto, mas adora quem faz surf. O vírus detesta o português médio que quer ir ao centro comercial, mas adora membros do governo que se juntam em tascas. O vírus detesta música pop e festivais, menos se houver t-shirts do Che Guevara a cada tenda. O vírus, até há umas semanas, não via as máscaras como obstáculo. Agora, é das maiores barreiras que tem. O vírus detestava médicos, hipertensos e diabéticos. De repente, devem ter feito todos um jantar e já ficaram amigos outra vez.

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Dia contra a homofobia

Hoje é o dia contra a homofobia. Um dia importante para refletirmos sobre a importância das liberdades individuais. Sem fanatismos, sem ressentimentos. Sem identitarismos bacocos, sem tribalismos.

O dia de hoje não deve ser dedicado só aos LGBT, mas sim a todos aqueles que acreditam que todos temos o direito de amar quem queremos sem ser sujeito a qualquer tipo de repressão.

A pandemia neofascista

JB

Cartoon: Carlos Latuff

Nelson Teich, apesar do apelido que rima com Reich, não sobreviveu um mês no Ministério da Saúde de Bolsonaro. Entrou a 17 de Abril, para substituir Luiz Henrique Mandetta, demitiu-se a 15 de Maio, para ser substituído por (mais) um militar. O anterior foi corrido por insistir na importância do distanciamento social. Este demitiu-se por se recusar a recomendar a cloroquina, e por discordar da equiparação de salões de beleza e ginásios a serviços essenciais. Pobre Ministério da Saúde brasileiro, onde o conhecimento científico é enxovalhado e espezinhado, e o autoritarismo ignorante de Bolsonaro é quem mais ordena.

O senhor que se segue é o general Eduardo Pazuello, um militar de carreira sem qualquer tipo de formação na área da saúde. Contudo, Pazuello é detentor da melhor das qualidade para integrar o actual governo brasileiro: é amigo pessoal de Bolsonaro. Tão amigo que afirmou mesmo estar disponível para acatar qualquer medida imposta directamente pela presidente para a área da saúde. Com obediência cega e sem levantar questões. [Read more…]