Ó meu rico S. João
Sabes o que era sensacional?
O Porto Campeão
E um Portugal mais liberal
Mesmo sem gente na rua
Esta noite será sempre tua
Não há festas para as multidões
Mas temos a Liga dos Campeões
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
Ó meu rico S. João
Sabes o que era sensacional?
O Porto Campeão
E um Portugal mais liberal
Mesmo sem gente na rua
Esta noite será sempre tua
Não há festas para as multidões
Mas temos a Liga dos Campeões
1) Tal como muitos de nós previam, o desconfinamento, em grande parte forçado pela elite económica, com o alto contributo da obediência canina do governo, levou a que muitas pessoas baixassem a guarda, convencidas de que a pandemia tinha chegado ao fim. Não só não chegou, como pode perfeitamente piorar e colocar o país numa situação mais crítica do que a inicial, com custos ainda mais elevados para a saúde pública, para a economia e para a imagem de Portugal no exterior.
2) Por todo o lado, mas com especial incidência nas regiões de Lisboa e Algarve, multiplicam-se os ajuntamentos, desde festas ilegais a encontros “espontâneos” junto de bombas de gasolina ou zonas de divertimento nocturno, não esquecendo algumas manifestações, mais ou menos inevitáveis, mais ou menos desnecessárias, mas também cerimónias religiosas em Fátima, que foram já palco de pelo menos uma concentração de algumas centenas de pessoas, e onde hoje foi reportado um pequeno foco de contágio. Mas a Festa do Avante, que ainda não aconteceu – e que, a meu ver, não devia acontecer – é o único problema que inquieta algumas pessoas. Percebe-se bem porquê. [Read more…]
O neofacho de serviço, que falta constantemente ao serviço, foi novamente arrasado no Parlamento. Por faltar constantemente ao serviço. Traduzido para chegófilês, André Ventura anda a mamar milhares de euros do Estado para faltar ao trabalho. Um parasita parlamentar, que, segundo a revista Sábado, faltou a mais de 54% das reuniões das comissões parlamentares a que pertence, e que na semana passada foi ao Parlamento pedir uma comissão de inquérito para fiscalizar a aquisição de equipamentos de combate à pandemia, quando, para esse efeito, já tinha sido aprovada uma comissão eventual. Com a Olá, é “fruta ó chocolate”. Com o Chega é “baldas ó incompetência”. [Read more…]
Europe has now become the world’s beating heart of solidarity.
— Ursula von der LeyenWir haben jetzt angeboten, daß 1000 freie… freiberufliche Interpreten…
— Florika Fink-Hooijer
***

Foto: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA [https://bit.ly/2CrHxJP]
Aquilo que anteontem se aprovou na Assembleia da República foi uma proposta (pdf), onde se refere, por exemplo:
A proposta traz com ela mapas (pdf), nos quais encontramos “RESPECTIVOS SERVIÇOS SOCIAIS” (p. 2).
Além disso, temos o sempre esclarecedor relatório (pdf), no qual podemos rever estas deliciosas e correctíssimas grafias:
O pacote anteontem aprovado é uma enjoativa salada orçamental suplementar e deveria fazer corar de vergonha quem a aprovou e quem com ela é conivente.
Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.
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Portugal, tal como o resto do mundo, está a atravessar uma pandemia. Devido à mesma, teremos enormes consequências na vida das pessoas, principalmente pelo abalo que a economia levou. Talvez algumas pessoas agora percebam que não é a economia que mata. Durante os últimos meses, os profissionais de saúde têm sido bastante elogiados pelo combate ao vírus. Chega a ser comovente a entrega destes profissionais que têm vidas humanas nas suas mãos. Em França, o Governo garantiu dar até 1500 euros de bónus a profissionais de saúde. Na Alemanha, vai ser aumentado o salário aos mesmos. [Read more…]

Lamento ser o desmancha-prazeres, mas estou convencido que fomos a terceira ou quarta escolha para receber a final da Liga dos Campeões. Não deve haver muito quem se queira meter nisto, neste momento. E acrescento que isto pode correr duplamente mal. Por um lado, porque a zona de Lisboa está a braços com uma situação muito delicada, no que à propagação do vírus diz respeito. Por outro, porque se algo correr mal, nomeadamente a nível de contágios, os holofotes que chegarão de todo o mundo para cobrir a bola, serão os primeiros a crucificar a imagem imaculada que o turismo português ainda tem. E isso poderá causar danos irreparáveis da nossa galinha dos ovos de ouro.
Sei bem que não é uma opinião popular. O futebol é soberano e ai de quem se lhe oponha, seja lá de que maneira for. E essa soberania absoluta, quase totalitária, ficou bem evidente no momento de nacional-parolismo imortalizado pela foto em cima, com este grupo de simpáticos convivas, que, sem grande coisa para fazer, se reuniu para uma grande cerimónia protocolar de elogio desbragado ao grande conseguimento da pátria. Com honras de abertura de todos os telejornais, como se tivesse sido encontrada a cura para a covid-19. É o que temos.
Brasil é cheio de sinhazinhas que usam o discurso do feminismo para manter privilégios , conforto e perpetrar o ódio. Os castigos ,dado até as crianças negras e indigenas no Brasil colonial, é um tema indigesto. As mulheres negras eram mutiladas depois de serem estupradas pelos senhores, a mando das sinhás.
Conheci várias descendentes. Evocam uma luta por conveniência. Dão escândalo e promovem grande caça-a-bruxas nas redes mas na hora H são capazes de dar crianças a cães ou jogar no elevador.
Um dos episódios recentes foi a prisão de uma delas, defensora ferrenha do bolsonarismo e ideias de supremacia branca. Ridícula e perigosa.
Muito cuidado com elas meus queridos.

A motivação e o propósito de Costa nunca foi o governo do País. Muito menos, o bom governo do País. O único objectivo que o motiva, é a gestão das percepções que os Portugueses têm do que faz.
Não lhe interessa nada se, na verdade, crescemos economicamente, se os Portugueses ganharam poder de compra, se baixamos a nossa dívida pública, etc., e mais recente e preocupantemente, se a gestão da pandemia em Portugal foi competente e eficaz. Não, o que realmente pretende é que os Portugueses (ou pelo menos, a sua maioria) pensem que sim. E para isso, vale tudo. Mentiras, meias-verdades, omissões e de vez em quando, mesmo muito de vez em quando, até a realidade. Se der jeito.
Durante os governos de Costa ultrapassamos máximos históricos (isto quer dizer que nunca e em momento algum foram tão altos) quer no montante global da nossa dívida soberana quer no valor de impostos que pagamos. Isso é importante? Para nós, sim. Para Costa, o importante é que as pessoas tenham uma percepção diferente. Que pensem que acabou a austeridade e que estamos a dever menos. E se para compor o ramalhete for necessário um superavit orçamental, ele arranja-se. Como? Fácil. Por exemplo orçamenta-se 10ME para um qualquer sector (educação, saúde, etc.), mas, na prática, só se autorizam gastos no máximo de 5ME porque se cativa outro tanto. E depois lá vem o deslumbrado do Centeno anunciar: olhem, sou tão bom que até ponho esta coisa a dar lucro. E os Portugueses arregalam os olhos e, boçalmente, acreditam.
Com a pandemia foi e é a mesma coisa. Somos o 15º País do mundo com o maior número de mortes por milhão de habitantes. Explicando, somos o 15º País do mundo onde mais se morreu por covid-19, em termos comparativos. Isto é, temos 14 Países onde a coisa, realmente, correu pior, mas temos mais de 180, repito 180 onde correu melhor e muito melhor.
Na última semana, somos o 2º País da UE com mais infectados novos. Ou seja, somos o 2º País da UE onde o controlo da pandemia se encontra mais longe, ou melhor, somos o 2º País com maior descontrolo. Claro que até aqui andamos a comer com a história do milagre português e ficamos muito ofendidos quando a Áustria ou a Grécia abrem as suas fronteiras a quase todos, mas não a nós.
E neste País em que o futebol reina (confesso que também faço parte desses súbditos) haverá algo melhor para ajustar a percepção que quatro quartos de final, duas meias finais e uma final da Liga dos Campeões? E onde? Na cidade que, ainda, não nos deixou conseguir o controlo da pandemia e que nos últimos 15 dias nos colocou, mesmo, na cauda da UE. Uma cidade que só não viu ser-lhe imposta uma cerca sanitária porque, enfim…é a capital.
E os ganhos que esses jogos nos trazem superam os riscos que vamos correr? Não, claro que não. Mas para parolos como nós somos, isso não interessa nada. O que interessa é a imbecil vaidade de receber a decisão da Liga dos Campeões.
E, realmente, vista por este prisma de pequenos pavões provincianos, a escolha de Lisboa começa a não parecer completamente estúpida.
EVH. Now, we had an eleven-point deal and three points went to Ted, our producer.
DLR. Ted still makes more money than I do on those first two records.
EVH. Oh yeah, he makes more than all of us.
AVH. But he’s still Ted.
— VH (2012)
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Ia aproveitar o serão para escrever umas notas sobre este diálogo entre Steve Jones e Kim Thayil:
Steve Jones. … and we’re here with Kim /feɪl/ — am I saying that right?
Kim Thayil. Yeah, pretty much.
Steve Jones. OK. How would you say it?
Kim Thayil. /θʌɪl/.
Steve Jones./fʌɪl/!
Kim Thayil. /θʌɪl/.
Steve Jones. Like a file [fʌɪl].
Kim Thayil. No. Thayil rhymes with ‘smile’, I suppose. TH. I’m sure my family pronounces it incorrectly, I’m sure there is a traditional Indian pronunciation.
Todavia, as minhas voltas foram trocadas pelo jornal que gosta de resistir em silêncio e ceder, em vez de viver plenamente uma vida democrática.

Efectivamente, em vez de me debruçar sobre o interessantíssimo TH-fronting, vi-me obrigado a perder tempo com um título escrito à bruta.
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Com muita elevação, Inês de Sousa Real reduziu André Ventura à sua insignificância. E tocou no ponto central da inutilidade do Chega: não apresenta propostas, não traz nada de novo, não tem nada para oferecer. Só discursos fáceis e populistas, desenhados para alimentar a máquina demagógica e fundamentalista do partido unipessoal deste político sem escrúpulos, que deixou a espinha dorsal na universidade e está disponível para vender a alma ao diabo que pagar mais. O Chega é inútil, excepto no que a agenda pessoal de André Ventura diz respeito. Um mero meio para atingir um fim.

Lembro-me do princípio da pandemia (parece que foi há anos). Lembro-me de, ingenuamente, esperar que a tragédia global que se adivinhava tivesse, pelo menos, o condão de funcionar como um “click” para impulsionar a raça humana para uns degraus acima na escalada da evolução. Sei que não fui o único.
[Read more…]Só o sinal é constante, os símbolos são epocais.
— Almada Negreiros

Uma coincidência é uma incidência, ou seja, uma ocorrência (acidental), de dois ou mais fenómenos. Anteontem, dia 13, foi o aniversário natalício de Fernando Pessoa. Hoje, dia 15, é o quinquagésimo aniversário da partida de Almada Negreiros. Ontem, dia 14, com a ajuda do Almada, entre uma e outra coisa, como diria Caeiro, escrevi esta defesa de Pessoa contra aqueles que dele se querem apropriar, sejam eles liberais, socialistas, linguistas, comunistas, biólogos, anarquistas, tradutores, democratas, advogados, fascistas, médicos, escultores, empregados de café, fachistas, taxistas, empregados bancários, electricistas, pintores, afagadores, tachistas, modistas, tradutores, achistas, intérpretes, obamistas, engenheiros, agricultores, professores, trumpistas, mecânicos, investigadores ou outros quaisquer. Ontem, houve uma coincidência.
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Mais uma prova cabal da flexibilidade de encaixe no que toca a falta de ética, em troca de chegar às uvas. PS, PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal juntinhos para nos lixarem e lamberem as botas aos aldrabões.
França, Bélgica, Itália, Áustria e Polónia e Dinamarca tiveram coluna vertebral. Os outros oferecem-se a quem lhes passa umas notas à frente do nariz.
Com que moralidade exige este governo que lhe paguemos impostos???

“Grupos armados, de cara tapada, já terão matado mais de 1.100 pessoas, em cerca de dois anos e meio, e há mais de 200 mil deslocados a precisar de ajuda humanitária…aquilo por que a população de Cabo Delgado tem passado é uma coisa inominável”.
[Read more…]O inglês, a língua mais rica da Europa pela junção dos elementos “anglo-saxões” com os latinos, (…) naturalmente, enferma de uma estrutura do verbo relativamente acanhada e que só com uma prolixidade de emprego dos verbos auxiliares de certo modo se redime.
— Fernando Pessoa

Retrato de Fernando Pessoa, de José de Almada Negreiros [https://bit.ly/2BXJWLN]
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Quando políticos falam sobre língua e sobre assuntos directa ou indirectamente com ela relacionados, é certo e sabido que tais iniciativas trazem água no bico. Segundo a Iniciativa Liberal (em chilreio antigo, só entretanto lido), Fernando Pessoa “foi uma das principais figuras do liberalismo português”. Para justificar tão ousada afirmação, a IL cita Fernando Pessoa:
Há serviços de Estado em muitos países, que trabalham com deficit previsto para beneficiar o consumidor. Como, porém, esse consumidor é ao mesmo tempo contribuinte, o que o Estado lhe dá com a mão direita, terá fatalmente que tirar-lho com a esquerda. O consumidor é, no fim, quem paga o que deixa de pagar.
Sendo correctíssima quer a citação feita pela IL, quer a seguinte descrição de Pessoa sobre si próprio
Conservador do estilo inglês, isto é, liberal dentro do conservantismo, e absolutamente anti-reaccionário,
também não é menos verdade que Pessoa escreveu esta maravilha:
Uma criatura de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certeza várias vezes no mesmo dia. Deve ter, não crenças religiosas, opiniões políticas, predilecções literárias, mas sensações religiosas, impressões políticas, impulsos de admiração literária.

Um dos trabalhos mais importantes dos jornalistas é verificar a veracidade do que escrevem. Todo este artigo, do texto à imagem escolhida (convenientemente de protestantes que fazem parte do movimento Black Lives Matter) leva quem o leia a pensar que estes protestantes se estão a tornar violentos e a atacar a polícia.
Ora, eu estou cá – eu leio as notícias e vejo vídeos e conheço pessoas que por acaso até têm feito parte de algumas das manifestações.
A primeira coisa a apontar é que estas pessoas que estão, hoje, realmente a ser violentas, são de extrema direita – tendo efectivamente utilizado SAUDAÇÕES NAZIS durante as suas demonstrações. Não vejo isso a ser partilhado. Aliás, no artigo, a única coisa que dizem sobre estas pessoas é: “Alguns membros do grupo de extrema-direita Britain First foram hoje à Praça do Parlamento, segundo relatos dos meios de comunicação social, acompanhando o líder Paul Golding para proteger os monumentos.
[Read more…]

Um Povo que se consegue indignar com tudo e mais alguma coisa (desde que a causa da indignação obedeça aos altos critérios do politicamente correcto), mas que aceita fleumaticamente isto, é um Povo que pede e, já agora, merece que o enganem, que o explorem e que o gozem.
[Read more…]Imaginem uma povoação com cerca de 1000 pessoas em que 950 ficam em casa caladinhos e os outros 50 vêm para a rua gritar muito e histericamente. Não tenham dúvidas, esses 50 vão parecer 500, 600 ou 700 e o que berram vai aparentar ser o pensamento dominante.
[Read more…]Nem políticos mostrando indignação e solidariedade para com o trabalhador agredido…

Foto: Hugo David (https://bit.ly/2YpDTqY)
Se os vossos feitos foram romanos, consolai-vos com Catão, que não teve estátua no Capitólio. Vinham os estrangeiros a Roma, viam as estátuas daqueles varões famosos, e perguntavam pela de Catão. Esta pergunta era a maior estátua de todas. Aos outros pôs-lhes estátua o senado, a Catão o mundo.
— Padre António Vieira, imperador da língua portuguesa, “Sermão da terceira quarta-feira da Quaresma“
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Ontem, depois de ter ouvido a notícia da vandalização de uma estátua do Padre António Vieira, fui reler o Sermão da Terceira Quarta-feira da Quaresma, de 1669. É um dos textos mais bonitos daquele a quem Pessoa chamou o imperador da língua portuguesa. Neste sermão de Vieira, encontramos uma máxima que me acompanha há mais de trinta anos: [Read more…]

O Brasil ultrapassou a marca dos 40 mil mortos pela covid19.
Claro que não. Walcott pára quatro semanas. Efectivamente, A Bola não adopta o AO90.

Se fosse vivo, Alcindo Monteiro teria hoje 52 anos. Azar o dele, foi apanhado pelos “festejos” do 10 de Junho de 1995, que, em extrema-direitês, significou passar a noite a espancar negros no Bairro Alto. Alcindo foi um deles, apanhado por uma matilha raivosa de escumalha skinhead, e não resistiu aos ferimentos. Como ele, vários outros negros foram espancados nessa noite. Felizmente, mais nenhum faleceu.
Dizer que Portugal é um país racista é uma falácia. Dizer que não existe racismo em Portugal é desrespeitar a memória de Alcindo Monteiro, e de outros, que, de formas mais ou menos bárbaras, sofrem, ainda hoje, discriminação com base na sua cor de pele. E importa não esquecer que, alguns destes racistas violentos, com longos e assustadores cadastros, transitaram recentemente de organizações neonazis para o partido unipessoal daquele cujo nome não pode ser mencionado. [Read more…]
Mais importante do que nos orgulharmos da nossa História e das nossas gentes é refletirmos no que podemos fazer para melhorar sempre este país.
Viva Portugal!

Hoje, volto ao embuste de continuar a haver gente que acha que português e brasileiro são a mesma língua. Este achismo tem uma explicação simples: os achistas deste achismo acham que sim, porque sim. A apoiar o seu achismo, os achistas apresentam um argumento que tem, contudo, algo de verdade: como há ainda muitas parecenças entre o português e o brasileiro, os achistas ficam-se por aqui e acham que sim, que as parecenças são suficientes para acharem que têm razão. Quanto ao facto de uma e outra língua não servir para comunicação – natural e pronta, como devem ser as línguas – fora do seu espaço original, os achistas fazem de conta que não é verdade. Mas é! E quanto mais a língua, uma e outra, serve para comunicação especializada, mais verdade é. Como vamos ver, os achistas continuam a achar que não é, e acham que resolvem o problema com “glossários”.
E hoje, o embuste vem até profusamente ilustrado por uma achista com doutoramento e tudo, Margarita Correia. Conta ela, hoje, 9 de Junho de 2020, no Diário de Notícias (“E por falar em racismo…”), o seu encontro com uma brasileira, a Juliana, e as vicissitudes desta com a língua que, como ainda tem parecenças com a sua, ela achou até que era a mesma. E mais. Achou até que podia usar livremente, e com proveito, a sua língua (numa espécie de salvo-conduto), em Portugal. E foi a realidade, que é teimosa, que se encarregou de lhe demonstrar quão errado, e perigoso, é insistir neste achismo: [Read more…]
O que quer que aconteça na vida não se reduz nunca ao facto do seu acontecer.
— António de Castro Caeiro, ‘Epidemia’ e ‘pandemia’: manifestações de totalidade (pdf)I believe it was inevitable
— VH
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Em primeiro lugar, esta comparação entre Cristiano Ronaldo e o ministro das Finanças — seja ele Centeno, seja ele Leão, seja ela Alburquerque ou seja ele Gaspar — é inadmissível e ridícula. A culpa inicial é de Schäuble, sim, mas não vale a pena perpetuar o delírio: já chegam as vaidades patrocinadas pelo Expresso. Estou de acordo com Tennessee Williams, não nos devemos intrometer nas vaidades dos homens — embora o maravilhoso dramaturgo só tenha chegado a esta conclusão depois de satisfeito com a tareia dada à ego-trip de Menotti. No entanto, a vaidade de um maestro ainda é como o outro: mas um ministro, efectivamente, não é um maestro.
Passando àquilo que interessa, sabemos que é inevitável. Abre-se o Diário da República e… ei-los.

Continuai no vosso confinamento voluntário, encolhei os ombros, assobiai para o ar, tapai o sol com a peneira, escrevei Orçamentos do Estado vergonhosos, dai-nos música sobre a língua, blá, blá, blá, e, principalmente, mantei-vos no vosso buraquinho, muito escondidinhos, bem distantes da realidade, para que o vosso faz-de-conta tenha um ar bastante sincero.
***
Nótula: Segue-se um desabafo em forma de nótula, com reactivação dos primeiros apontamentos para este meu texto publicado na Torpor. Por mero acaso, tropecei neste debate entre Jack Lang e Éric Zemmour. Estava tudo a correr relativamente bem, até aparecer a história do pai de Zemmour. Enquanto os intelectuais que se pronunciam sobre tradução se mantiverem preguiçosamente encostados ao bordão do traduttore tradittore, continuaremos a assistir a debates vazios, travados por quem insiste em discutir pela rama assuntos efectivamente sérios. Como podereis reparar, o “traduire, c’est trahir” de Zemmour é acompanhado por aquela expressão corporal do “não se fala mais sobre o assunto“. Como diria Finkielkraut, “cette arrogance est absolument insupportable”. Quando políticos discutem língua, já se sabe que há despistes, mas, francamente, “idiot utile” (ou “inutile”, vai dar ao mesmo) não se admite e a réplica “idiot calculé“, passados uns dias, é igualmente inaceitável.
***
E o que é a *contrafação? É a contrafacção contrafeita.

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.
Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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