Postcards from Greece #3 to #5 (between Athens and Thessaloniki)
Fica tudo mais simplificado
Anda aí um grande tumulto por causa do jantar de gala da feira das vaidades internéticas se ter realizado no Panteão Nacional. Acho que têm razão, sobretudo atendendo à memória curta de António Costa, o qual se revela igual entre pares, e ao lavar de mãos de outros protagonistas. O Paulo Guinote explica isto bem.
Mas é de ver o lado positivo da coisa. Finalmente, podemos dar por encerrada as discussões sobre quem vai para o Panteão e sobre fulano x acabar a partilhar sete palmos de terra por toda a eternidade com quem não aceitaria estar lado a lado em vida.
E isto será possível graças a estes jantares no Panteão. Se é digno os vivos comerem no lugar de descanso dos mortos, porque não hão-de os mortos repousarem nos locais onde os vivos almoçam e jantam? Legisle-se para que se possa regionalizar o Panteão Nacional (aí está outra vantagem, a regionalização – isto só pode ser uma grande ideia). Criem-se leis para podermos ter a Delegação Regional do Panteão Nacional na Metinha dos Leitões. Ou no Gambrinus. Ou no Manjar do Marquês, em Pombal. É só escolher e até se pode fazer um catálogo de reputação mortuária associado às estrelas Michelin. Estão a ver o slogan? “Você, a sua paixão e a alma de Negreiros à mesa.” Ou então “Jantar a três e só duas contas.”
Isto merece uma app de aconselhamento cultural. “O que é que combinará melhor com um chateaubriand? Um toque de Eusébio ou uma pitada de Sofia?” Podem usar a ideia à vontade na próxima web summit e nem têm que agradecer.
Postcards from Greece #1 & #2 (Athens)
No more waiting, no more silence…
Trumpa

Isto é tão bom, mas tão bom, que só é pena ser mau.
Acto 1:
“He said he didn’t meddle,” President Trump told reporters aboard Air Force One on Saturday. “I asked him again. You can only ask so many times… He said he absolutely did not meddle in our election. He did not do what they are saying he did.”
He added: “And I believe, I really believe that, when he tells me that he means it.”
Despite the fact multiple US intelligence agencies concluded Moscow interfered in the presidential election in the attempt to push the vote in the Republican’s favour, President Trump also said the accusations had hurt Mr Putin’s feelings. [Independent, 12/11/2017]
Separação de poderes e cretinice

A separação de poderes é coisa que não se aprende enquanto Primeiro-ministro, Vice-primeiro-ministro, Ministro dos Negócios Estrangeiros, Vice-primeiro-ministro, Ministro da Defesa Nacional, Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros e dirigente do CDS: [Read more…]
Prefiro bacalhau
Peixe ou carne? – escolherei bacalhau como prato principal se um dia me convidarem para jantar num cemitério. Prato secundário, Dead Can Dance. Ou o Mestre de Culinária do Quim Barreiros, também pode ser. Como sobremesa, optarei pelo Graveyard Poem do Jim Morrison, nada contra Amália Rodrigues.
Porque é que o delinquente que agrediu um agente da PSP em Lisboa não está preso?

Não percebo. Segundo o Expresso, o delinquente em questão tem quase 20 processos por agressão, cinco deles contra agentes da autoridade. O vídeo que circula desde ontem nas redes sociais mostra o marginal em acção, a agredir violentamente um agente da PSP, agente esse que foi hospitalizado com escoriações nos braços e uma orelha rasgada, e o máximo que um juiz de instrução consegue é aplicar a medida de coacção mais leve, permitindo que este indivíduo circule livremente pelas ruas de Lisboa, com um simples Termo de Identidade e Residência. [Read more…]
Artlant – como trocar 590 milhões por 28 milhões e ficar contente

O maior devedor da CGD (Artlant: 590 milhões de euros de crédito CGD e que prometia faturar 500 milhões em 2012) foi vendido por 28 milhões de euros. O negócio ruinoso e fraudulento, apresentado como um investimento totalmente privado, tem o rosto de José Sócrates e Manuel Pinho, para além de toda a administração da Caixa-Geral de Depósitos da altura: Carlos Santos Ferreira, Maldonado Gonelha e Armando Vara.
Podem encontrar a história toda aqui. Com todos os personagens, os nomeados que andam de negócio em negócio e apresentam oportunidades MILAGROSAS que depois se transformam em PESADELOS. No meio, claro, está sempre a CGD… ou seja, os contribuintes que PAGAM e não REFILAM.
Em Portugal ninguém é responsabilizado por nada e, depois de centenas de milhões em prejuízos, andam pelas ruas de cabeça levantada, bem vestidos, em grandes carros, passeando a sua criminosa arrogância.
A diferença entre Portugal e qualquer democracia desenvolvida é a qualidade da Justiça.
Legionella: e as auditorias obrigatórias a sistemas de climatização que o governo Passos revogou, pá?

Fotografia: José Carlos Carvalho@Visão
Num momento de pura inspiração, o deputado António Leitão Amaro, uma das estrelas em ascensão do apagado PPD-PSD, afirmou, em debate com Mariana Mortágua na SIC Notícias, que uma lei do anterior governo foi responsável por proibir a legionella. Infelizmente, o raio da bactéria, que só pode ser esquerdalha, escapou ao controlo das autoridades e manteve-se na clandestinidade, até aos dias de hoje, continuando a fazer das suas.
Quem também escapou ao controlo das autoridades, por iniciativa do mesmo governo que conseguiu a proeza de decretar a proibição de uma bactéria, foram as auditorias obrigatórias a aparelhos de climatização, quando o governo PSD/CDS-PP revogou, em Agosto de 2013, os decretos-lei que garantiam a obrigatoriedade das auditorias de qualidade do ar interior nos edifícios dotados de sistemas de climatização. Não fossem essas maçadas burocráticas perturbar o normal funcionamento do empreendedorismo moderno. Com a legionella proibida, a decisão não poderia ter sido mais sensata. Correu mesmo bem, não correu?
Lagarta na comida é um problema menor
Nos últimos dias, tem circulado um vídeo de uma lagarta a movimentar-se no interior de um prato de comida numa cantina escolar. Não quero, de maneira nenhuma, desvalorizar a falta de cuidado ou de higiene dos responsáveis pela confecção de uma refeição, mas devo dizer que o mesmo já me aconteceu – e a muitos outros – há muitos anos nas cantinas por onde passei. Não é uma situação agradável, mas, apesar de tudo, é fácil de resolver, entre protestos e a remoção do bichinho.
Nos dias que correm, diria que é muito mais fácil descobrir lagartas numa refeição escolar, tendo em conta que os pratos estão desérticos. No meu tempo, a abundância exigia um olho clínico ou a experiência de um David Attenborough e não me admiraria que muita lagarta tivesse passado pelo meu aparelho digestivo. Mais: tendo em conta a qualidade de comida imposta aos alunos, a existência de lagartas no prato acaba por ser uma alternativa nutritiva, perdoe-se-me a rima. Já não deve faltar muito para haver um protesto de jovens esfomeados que não tiveram direito a lagarta, levantamento de rancho, bandejas pelo ar, o caos na escola. [Read more…]
Tem toda a razão, Dra. Maria Luís Albuquerque

Agora que não tem barretes para enfiar na cabeça dos portugueses, estilo devolução pré-eleitoral da sobretaxa, ou bancos para varrer para debaixo do tapete, para simular uma saída limpa que, no fim de contas, mais não foi do que outro barrete, Maria Luís Albuquerque foi entrevistada pelo Público e fez questão de recordar a plebe que o país precisa de uma alternativa. Mais ou menos como a senhora deputada, que quando não está no parlamento a levantar a mão conforme lhe manda o partido, está ao serviço dos abutres da Arrow Global.
Mas desta vez, extraordinariamente, estou com a Dra. Maria Luís. O país precisa de uma alternativa, capaz de fazer oposição responsável ao governo minoritário de António Costa. Pena que o seu partido esteja tão ocupado com discursos catastrofistas, sanções e resgates imaginários, diabos e aritméticas da treta, sempre à espreita da próxima tragédia para dela capitalizar. Fosse liderado por gente mais responsável e o cenário talvez fosse diferente. Entregue a figuras tão distintas como Hugo Soares, Marco António Costa ou a própria Maria Luís, não podemos esperar muito. Excepto gargalhadas.
Podcasts – “Poder Público”

A descrição do podcast é dos próprios autores. “Protagonistas, histórias e decisões. No Poder Público, Inês Ameixa e Ruben Martins contam o outro lado da política. Todas as semanas, trazem diferentes protagonistas, histórias que merecem ser contadas e decisões que mudam a vida das pessoas.” (RSS do podcast; sítio do jornal).
Neste episódio, os autores falam com os autores dos sites hemiciclo.pt e fogos.pt, “dois projectos que vieram ajudar na relação entre população e serviços públicos.”
Henrique Granadeiro

Passeou-se pelos salões políticos do fascismo, fez a transição pacífica para a democracia, durante a qual somou nomeações social-democratas e socialistas, foi embaixador, chefe da Casa Civil de Ramalho Eanes, gestor, conselheiro, administrador e CEO de empresas públicas e privadas, e era um dos homens fortes da PT, quando aquela que já foi uma das maiores empresas nacionais decidiu torrar 900 milhões de euros na Rioforte.
Hoje é arguido na Operação Marquês, lado a lado com gente tão recomendável como José Sócrates ou Ricardo Salgado, acusado de crimes de corrupção passiva, branqueamento de capitais e fraude fiscal. Acusado de ser um mero capacho, ao serviço do Dono Disto Tudo, de quem terá recebido milhões para gerir a PT em função dos apetites do Grupo Espírito Santo, arrastando-a para a ruína.
Parte desse dinheiro terá sido usado na compra de um apartamento em Lisboa, cuja história, relatada pelo Expresso, daria um belo argumento para o grande ecrã. Tudo bons rapazes.
Concerto para Clarinete em Lá maior, K 622, de Wolfgang Amadeus Mozart
Aprecie-se esta música dos deuses e, em especial, o requinte do adágio, ao minuto 13.
Noite de pesadelo horripilante

Acordei num sobressalto, agitado com taquicardia, transpirado de gotículas de medo.
Sonhara-me rodeado por uma enorme turbe que me apontava o indicador aos berros dessincronizados, para me obrigarem a convencer-me de que o crime de assédio sexual era apanágio exclusivo dos heterossexuais e, dentre esses, apenas dos do sexo masculino!
Eram cada vez mais e mais cerca de mim me cercavam, elevando a berraria com um aumento fantasioso daqueles indicadores de unhas irrepreensivelmente limpas e envernizadas.
Fugi cobardemente acordando, talvez para lhes tirar a força para me obrigarem a convencerem-me de que não seremos todos iguais, independentemente da preferência sexual.
Depois daquele primeiro momento, apaziguei-me, por querer crer ter sido apenas um pesadelo, por crer não haver já pessoas acordadas que possam pensar assim.
imagem: pormenor de “Ghoul’s Night Out” de Christine Wu
A evasão fiscal de Isabel II, a Caloteira

O mundo ficou por estes dias a conhecer um novo conjunto de papéis, 13 milhões de conjuntos, para ser mais preciso, sobre malta empreendedora que faz uso dos chamados paraísos fiscais para levar o seu dinheiro de férias e evitar a maçada dos impostos.
Entre as vítimas deste violento atentado à privacidade contam-se antigos e actuais colaboradores de Donald Trump e Justin Trudeau, oligarcas ligados a Putin, gente simpática da Líbia, da Rússia e do Irão, que chumbou em auditorias governamentais que colocam em causa os seus procedimentos de prevenção de branqueamento de capitais, tipos que faziam negócios de armamento com o saudoso Saddam e mais uma série de indivíduos recomendáveis onde se incluem fundos de capital de risco e bancos, que como sabemos é malta que prima pela transparência e pelas melhores práticas. [Read more…]
Podcasts – “Fricção Científica”

Este podcast é sobre “noticias da ciência que desafiam a imaginação”. Fricção Científica (podcast RSS; sítio do programa) é apresentando magistralmente por Isilda Sanches, num tom sério, sem ser sisudo, e procurando um remate em forma de punch line.
Neste episódio, “O par ideal”, disserta-se sobre as escolhas amorosas que fazemos. Num outro, o tema é mais sério, falando-se sobre o desaparecimento dos insectos. No geral, são pequenos episódios saídos na Antena 3 ao ritmo da semana de trabalho.
Os contatos do Benfica e o centro de contato do SNS
Estou satisfeito por perseguir até à origemTudo o que decorre da acção e do pensamento.Moskau, Tor zur VergangenheitSpiegel der Zarenzeit Rot wie das Blut
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Depois da esperança em forma de Egipto, eis os contatos do Glorioso e o centro de contato do SNS.
No sítio do costume? Não! No jornal da silenciosa resistência, da grafia rasca, da grafia inadmissível.

Os meus agradecimentos ao excelente leitor do costume.
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100º aniversário do terror

Há 100 anos a barbárie assaltou o poder. Um pouco por todo o mundo, milhões de mortos, fome e miséria, como resultado.
Podcasts – “Os Dias da História – ‘Novembro 1917 – A ‘Revolução de Outubro’, na Rússia”

Aproveita-se a efeméride sobre os 100 anos da Revolução de Outubro para lançar uma série de alguns posts sobre podcasts.
Os dias da História (RSS Feed do podcast; ligação do programa), com Paulo Sousa Pinto, traz, de segunda a sexta na Antena 2, um breve relato sobre uma efeméride desse dia. O episódio de hoje começa por falar do dia 7 de Novembro de 1917, o “dia em que começou a chamada Revolução de Outubro na Rússia”, correspondendo ao dia “25 de Outubro no calendário então em vigor na Rússia”.
Nota: quem procure uma boa app para gerir os podcasts em Android tem no “Podcast Addict” uma excelente opção. Para iPhone, parece que o “Overcast” é uma boa alternativa.
O original de “Y Viva España” é belga
O país que serve de refúgio a Puigdemont é também aquele que criou o tema que serve quase de hino à Espanha (o verdadeiro hino é uma marcha militar sem letra) e que tem sido cantado durante as manifestações pró-espanholas na Catalunha.
O original intitulado “Eviva España” de 1971 era uma cançoneta para animar programas de televisão e festas para a terceira idade cuja ideia de Espanha remetia para o exotismo das férias de Verão, de letra simples e carregada de estereótipos sobre os povos ibéricos. Os autores são ironicamente flamengos, Leo Caerts e Leo Rozenstraten, e a cantora Samantha interpretava a música em flamengo. Tornou-se num sucesso quase global quando Manolo Escobar interpretou o tema em espanhol em 1973, sob o título “Y Viva España”.
Marques Mendes sai em defesa da ditadura

Já aqui contei o episódio em que vivi o meu primeiro contacto directo com o regime totalitário da Geringonça. Já tinha ouvido falar nele, achei que fosse truque da imprensa portuguesa, até que finalmente me cruzei com eles no supermercado. Ainda não recuperei.
Os tentáculos esquerdalho-feminista-venezuelanos continuam a expandir-se a uma velocidade impressionante, comendo tudo, perante a apatia e a indiferença generalizadas. Já poucos são aqueles que resistem, e hoje é um dia muito triste para todos eles. Perderam (oficialmente) um dos seus. [Read more…]
Paradise Papers

Foto: Bene Rohlmann
Depois dos “Panama Papers”, eis um novo leak que vai mostrar esconderijos fiscais de gente “idónea”. Os dados provêm da sociedade de advogados Appleby nas Bermudas. A ver…
Para além do blá blá blá
A Conferência do Clima da ONU começa amanhã, 6 de Novembro, em Bona.
- Ontem, pelo menos 10 milhares de pessoas (25.000 segundo os organizadores, o outro número é da polícia, no meio estará a virtude) saíram à rua, para exigir uma mudança das políticas energéticas, acusando o governo alemão de não tomar medidas contra as mudanças climáticas, em especial, a redução do uso do carvão na produção de electricidade.
- Hoje, cerca de 3.000 activistas manifestaram-se junto de uma mina de carvão a céu aberto, situada a 50km de Bona, tentando bloqueá-la e encerrá-la temporariamente. Várias centenas de pessoas conseguiram entrar na mina e pretendiam ocupar as escavadoras. A polícia pôs fim à acção de protesto, usando gás lacrimogéneo.

A Alemanha gosta de se arvorar em pioneira de melhores políticas climáticas, quando, na realidade, a sua indústria está dominada pelo carvão: em 2016, 40% da energia foi produzida a partir de lenhite e carvão. E não vai cumprir as metas climáticas que prometeu para 2020. A União Europeia, por seu lado, continua a subsidiar o carvão e a promover o transporte massivo de produtos por meio mundo, com os seus “acordos de comércio livre”.
Há que dar cabo do planeta e ir aldrabando a sorrir. Os nossos filhos podem vir a ser o que quiserem, só têm é que se despachar, o planeta ameaça dar o berro.
Presos políticos em Espanha

Carles Puidgemont mostrou que não é um verdadeiro líder, não está à altura dos que nele votaram e acreditaram. Mas concorde-se ou não com a independência da Catalunha, há que reconhecer que estão pessoas presas pelo Estado espanhol, mesmo que preventivamente, sem terem sequer sido condenadas. Isto apesar de não terem resistido à aplicação do famigerado artigo 155, nem promovido qualquer violência. Não são políticos presos, são presos políticos o que diz bem da natureza da Espanha. Felizmente que nos livrámos em 1640.









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