O que diz uma criança sobre o número de alunos por turma!

A reportagem sobre o Dia Universal dos Direitos da Criança, no Público de hoje, lê-se com agrado, também (ou especialmente) quando os adultos, professores incluídos, são criticados.

De qualquer modo, cá por coisas, vale a pena ler e reler a opinião de um aluno do Primeiro Ciclo (Escola Primária) acerca do número de alunos por turma:

Há professores nas escolas que têm muitos alunos e não conseguem tomar bem conta de todos. Então podia-se dar um máximo de alunos a cada sala, 18 ou 20, para ser mais fácil. A minha professora tem 23 alunos. Assim não consegue dar tantas matérias. Perde muito tempo a atender a todos. A sala do lado tem 18 [alunos] e já estão um pouco mais avançados do que nós. Às vezes conseguimos acompanhá-los, mas estamos sempre um bocadinho mais atrás.

Imagine-se o atrevimento! O atrevimento, claro, de todos os “especialistas” que desvalorizam a questão do número de alunos por turma! Ainda há dias, com a leviandade dos ignorantes e com a raiva dos patrões que odeiam salários e outros privilégios, Rodrigo Moita de Deus julgava explicar que em Portugal há um professor para cada onze alunos, como se essas contas dissessem alguma coisa sobre o número de alunos por turma. De qualquer modo, para Rodrigo tudo estará bem, desde que se roube tempo e salários aos professores, porque é assim que o mundo deve ser, mesmo que isso possa ser lesivo também dos direitos da criança.

O diabo subiu à Terra sob a forma de juros da dívida

Fizemos orelhas moucas aos profetas que nos tentaram alertar. 365 dias de pragas sancionatórias depois, o tal resgate deve estar mesmo aí à porta e não haverá nada que nos livre do triste e inevitável destino dos nos transformarmos na Venezuela europeia. Corram, corram para os supermercados!

In other news: na passada semana, a República Luso-Soviética da Geringonça emitiu 1100 milhões de euros em bilhetes do Tesouro Português a 12 meses, a uma taxa de juro de -0,349%, e 400 milhões a 6 meses, à taxa de -0,400%. Em teoria, X investidores pagaram para nos emprestar dinheiro. Em teoria, que aquilo que se passa nos mercados é crime organizado, e o criminoso, em particular aquele que prima pela organização, nunca fica a perder.  [Read more…]

Postcards from Greece #11 (Thessaloniki)

O dia em que fui mordida por…

…percevejos ou, mais fino, bed bugs… isso mesmo… não se riam…eu, a obcecada com a limpeza e ordem e ausência de bicharada, fui pela primeira vez na vida… picada ou mordida ou o raio por bed bugs.
Depois de dois dias deitada no sofá da casa, porque estava ultra constipada, hoje acordei com umas bolhas no pescoço em cluster. Lindo, como devem imaginar. Poupo-vos às fotos do meu pescoço, cheio de borbulhas nojentas.
Foi a gota de água. Se já ia mudar segunda feira de casa, depois de ser reembolsada pela airbnb, mudei-me já hoje para um hotel, depois de dizer ao dono da casa onde estive até agora que a casa tinha bed bugs e que me tinham picado. Depois de tanta treta, digamos que mais isto (ou sobretudo isto) era inaceitável.

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Catarina Carvalho, ainda mais uma “especialista” em Educação

Nos últimos tempos, os “especialistas” em Educação têm andado especialmente activos, preocupados com os alunos e tudo e revoltados com os professores.

Durante anos, não se preocuparam com a criação de mega-agrupamentos, com o aumento do número de alunos por turma, com as constantes alterações legislativas e curriculares, com a falta de professores nas escolas, com a ausência de políticas sociais, com o empobrecimento da formação contínua dos professores, com a terrível falta de funcionários não-docentes, com o empobrecimento da formação inicial de professores graças ao sistema de Bolonha, com o empobrecimento dos estágios pedagógicos, a perda de qualidade das cantinas semiprivatizadas, enfim, com uma série infindável de problemas e medidas que tornam cada vez mais difícil que as escolas possam compensar, o máximo possível, os problemas de crianças causados por factores sociais e/ou familiares.

O que tem levado os “especialistas” a sair das tocas em que vivem, dispostos a morder tudo o que cheire a professor? A possibilidade de haver um reposicionamento dos professores nos escalões onde deveriam estar, se a progressão não tivesse sido congelada durante quase dez anos. Em suma, os “especialistas” estão furiosos com a recuperação de direitos laborais, o que se compreende, porque é um conceito contrário à religião que praticam. [Read more…]

Postcards from Greece #10 (Thessaloniki)

Estou há dois dias fechada em casa…

porque tenho uma grande constipação. Ainda bem que trouxe os cêgripes de Portugal. Sinto-me melhor, um bocadinho pelo menos.
 
Apesar de estar há dois dias fechada em casa, quando vou ali à varanda tenho o mundo inteiro, ou quase, à minha frente. Apesar de estreita, a rua Evripidou é movimentada, frequentada por gatos e pessoas de todos os feitios e medidas, que me entretenho a observar. Já sei quem mora ali em frente e hoje uma das rapariguinhas acenou-me. Já sei que gatos se dão melhor e quais nem se podem ver e já conheço também as preferências do senhor da loja das motas aqui defronte, no que se refere aos gatos. É sobretudo ele que os alimenta.

O acto ou efeito de coar compensa?

Keller: You want the paper?

Chris: That’s all right, just the book section.

He bends down and pulls out part of the paper on porch floor.

Keller: You’re always reading the book section and you never

buy a book.

Chris: {coming down to settee} I like to keep abreast of my

ignorance.

— Arthur Miller, “All My Sons

***

Segundo alguns, parece que sim: a coação compensa. Não sei de que forma compensarão quer o acto ou efeito de coar, por um lado, quer a acção de coar, exactamente pelo mesmo lado, em vez de efectivamente por outro. Contudo, alguém explicará tudo, certamente. Poderão também explicar se a quação também compensa.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

Premiar a mediocridade em lugar do mérito…

É normal que um profissional entre no mercado de trabalho, adquira experiência, competências, invista na sua formação e consiga evoluir na sua carreira. Obviamente que existem aumentos na remuneração à medida que o desempenho e qualificação também permitem a obtenção de melhores resultados. Não me passa pela cabeça que um médico com 20 anos de serviço tenha a mesma remuneração que um colega que terminou o estágio há pouco tempo. Nem tão pouco que um professor após 20 anos a leccionar possa ser comparado com um colega recém formado. Mas a justificação para a diferenciação não pode ficar pelos anos de serviço, precisa ser acompanhada de resultados obtidos. [Read more…]

A coluna vertebral do governo

Mais parece uma enguia. Só estranha quem não conhece o PS…

Como o governo chinês fabrica conteúdos nas redes sociais para distração estratégica

We estimate that the government fabricates and posts about 448 million social media comments a year. In contrast to prior claims, we show that the Chinese regime’s strategy is to avoid arguing with skeptics of the party and the government, and to not even discuss controversial issues. We show that the goal of this massive secretive operation is instead to distract the public and change the subject, as most of the these posts involve cheerleading for China, the revolutionary history of the Communist Party, or other symbols of the regime. We discuss how these results fit with what is known about the Chinese censorship program, and suggest how they may change our broader theoretical understanding of “common knowledge” and information control in authoritarian regimes. [PDF do trabalho de investigação]

A estratégia não é discutir com os descrentes do regime ou abordar os assuntos que sejam polémicos, mas, isso sim, arranjar assuntos alternativos, para inundar o espaço comunicacional.

É um recentramento do focus mediático, usando uns meros 2 milhões de chineses, numa espécie de abrantização e mariadaluzização em ponto grande, a publicarem hinos de glória, em vez de gráficos coloridos.

Horas do diabo

Ninguém diria, aqui, recostados ao sol como esse gato gordo que quase morreu de tantas sardaniscas que comia, mas agora passa os dias a dormir encostado ao muro. Ninguém diria que era daqui que saltavam para a linha, homens e mulheres, velhos e novos, gente daqui do bairro e doutras paragens, porque havia quem viesse de propósito para matar-se aqui. Desde que puseram este gradeamento alto, os suicidas desistiram da ideia ou buscaram outros lugares.

À mesa, sou a única forasteira. Os homens não dizem nada,  fala a Maria, a mais velha.

– Nunca mais me esquece o dia em que vi muita gente debruçada no muro, fui espreitar e vi uma mulher caída, com a cabeça a deitar tanto sangue… Andei meses a pensar nisso, nem dormia em condições. Eu devia ter uns 14 anos e aquilo impressionou-me tanto…

O comboio está a passar debaixo dos nossos pés, estremece-nos.

A Maria puxa o xaile para os ombros. É o comboio que a arrepia. [Read more…]

Jornais para quem não lê

Marcelo fala na crise dos jornais como se não soubesse o que se passa. Mistério? Não. É que, dado o perfil das pessoas que ainda compram jornais, é natural que os compradores-leitores, sejam quais forem as suas opções políticas, tenham critérios de exigência de qualidade que nenhum – rigorosamente nenhum – jornal português minimamente satisfaz. Os poucos colaboradores de qualidade que ainda por eles andam são cada vez mais insuficientes para legitimar/compensar os desmandos. É que a maioria dos jornais, hoje, pretende dirigir-se a leitores que…não lêem. Nem jornais nem outras letras.

Postcards from Greece #8 & #9 (Thessaloníki)

Aγροτική κοινωνιολογία, política e uma grande constipação

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αγροτική κοινωνιολογία, quer dizer ‘agrotikí koinoniología’, ou seja sociologia rural. Foi a Maria que é também uma ‘agrotikós koinoniológos’ ou socióloga rural, que me ensinou a escrever isto e, mais importante, a pronunciar. É certo que poderia ter ido ao google tradutor (e acabei por ir, para copiar para o postal a expressão) mas preferi que ela me ensinasse. Rural diz-se αγροτικές ou ‘agrotikés’ e parece mesmo uma língua. Que eu e a Maria falamos. Quanto ao grego, o meu é praticamente inexistente, se descontarmos os habituais kalimera, kalispera, kalinýchta, efvaristó e parakalo. Já consigo ler relativamente bem os caracteres para me orientar num sítio qualquer, mas não vou muito além disso. Ao contrário do ‘agrotikés’, o grego é mesmo uma língua difícil.

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Quem diria?

Salvar os bancos da Alemanha não ajudou muito a Grécia.

Política na banda

Mwangolé

Enganou-se que pensou que João Lourenço iria ser uma marionete de José Eduardo dos Santos. Menos de dois meses passaram desde a tomada de posse, o Presidente já substituiu o governador do BNA, exonerando Walter Filipe tido como próximo do anterior presidente e recolocando no lugar José de Lima Massano que havia ocupado o cargo até 2015. Agora João Lourenço foi mais longe, exonerando Isabel dos Santos da Sonangol e nomeando para o seu lugar Carlos Saturnino, antigo quadro da empresa demitido precisamente por Isabel dos Santos. Como se não bastasse, a TPA por ordem directa do Presidente rescindiu o contrato que atribuía a gestão da TPA 2 e TPA internacional à empresa Semba comunicações, propriedade dos irmãos Tchizé e Coreon Dú dos Santos. Resta agora aguardar destino de Zenú dos Santos à frente do Fundo soberano de Angola. Notícias recentes ligam o filho do ex-Presidente aos papéis do paraíso. Anteriormente empresas públicas como a SODIAM e Bancos também conheceram novos dirigentes. Merece atenção o caso da SODIAM, porque Beatriz Sousa era tida como próxima de Isabel dos Santos, tendo existido ao longo dos tempos várias suspeitas e insinuações de favorecimento da empresária na compra de diamantes.

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Ainda ninguém deu um tiro ao presidente João Lourenço?

O homem é presidente, mas está a abusar. Mandar a ninhada corrupta do ditador para o olho da rua é uma jogada arriscada. Ainda há dois dias o clã dos Santos mandava naquele país, fazia grandes negócios com o seu dinheiro, alimentava uma oligarquia (aparentemente) fiel e já é desafiado desta maneira? 38 anos a liderar o partido e o país de forma quase absoluta, para que tudo desvaneça em menos de dois meses? É estranho. Mas talvez estejamos perante um revolucionário, daqueles sobre os quais se escrevem poemas, que esteve à espera da sua vez, pacientemente, para fazer história e derrubar o regime. É estranho, mas é preciso coragem para demitir Isabel dos Santos. [Read more…]

Postcards from Greece #7 (Thessaloniki)

Os gatos de Salónica

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Nunca vi tantos gatos em toda a parte, numa cidade, como aqui em Salónica. Os gatos parecem ser omnipresentes. Bem tratados pelos residentes, como estes aqui da rua, a quem vários vizinhos colocam comida e água, são amistosos e amáveis e deixam-se acariciar. Ou pedem mesmo carícias. Gostam de pessoas, por estranho que pareça, e querem – na maior parte das vezes – apenas mimo.
 

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O cronómetro dos professores

Imaginai um maratonista a cumprir o seu dever, que é correr. A dada altura, alguém decide, talvez por falta de tempo (que é uma coisa que se gasta muito), desligar o cronómetro no momento em que o maratonista completa 10 quilómetros, voltando a ligá-lo quanto o atleta passa o vigésimo quilómetro. Acrescente-se que o maratonista chega à meta. Pergunto: tendo em conta que o cronómetro esteve desligado, o tempo deixou de existir ou a distância não foi percorrida?

Se uma situação destas ocorresse, seria natural que o corredor se revoltasse, porque cumpriu o seu dever, ficando sem saber quanto tempo efectivamente gastou. Por outro lado, não podendo a culpa ser-lhe imputada, poderia exigir que o tempo marcado no cronómetro fosse oficializado, o que lhe conferiria o recorde mundial da modalidade.

Os professores que, durante os últimos dez anos, cumpriram os seus deveres (haverá comentadores a garantir que eram uma minoria ou que muitos são esquerdalhos que merecem a forca) tiveram direito a carreiras congeladas e a cortes salariais. Entretanto, relembre-se, continuaram a correr, que é o seu dever. Inteiramente justo seria que o dinheiro desviado (assim mesmo: desviado) e o tempo de serviço fossem inteiramente repostos. Contudo, não se pede inteira justiça: pede-se, apenas, que se reponha o tempo de serviço, o que faria com que os professores fossem colocados no escalão em que deveriam estar, tendo em conta que – isso mesmo! – não deixaram de correr durante dez anos. Neste interim, as televisões aproveitam para mentir.

António Costa alega que o impacto orçamental seria incomportável. Apesar de tudo, tem a aparente honestidade de usar isso mesmo como argumento principal, ao contrário de outros, que alegavam a ausência de falsas avaliações para justificar a extinção das progressões. Ainda assim, nós sabemos que os dinheiros de Estado continuam a salvar bancos e a pagar parcerias público-privadas. No fundo, são diferentes formas de enganar os mesmos. É o centrão a empobrecer a Educação há, pelo menos, 12 anos.

É natural que os professores fiquem como o maratonista: sem fôlego.

Um mente, o outro foge e os serviços ajudam

[Santana Castilho*]

Na Assembleia da República, a 2 do corrente mês, António Costa disse que para a progressão na carreira dos professores conta simplesmente o tempo e que o mérito não é considerado. Por ignorância ou má-fé, António Costa mentiu. E para comprovar o que escrevo, qualquer cidadão pode ler o decreto-regulamentar 26/2012 e verificar quão deplorável foi o topete do primeiro-ministro. Com efeito, a avaliação do desempenho dos professores, a que todos estão sujeitos, mede a sua competência científico-pedagógica, a sua actividade na escola e na comunidade e o seu percurso em termos de formação contínua (25 horas de formação mínima por cada dois anos de carreira); envolve vários órgãos de gestão interna e elementos externos; termina com uma classificação de 1 a 10, posteriormente transformada numa menção qualitativa; uma menção qualitativa de “insuficiente” implica a não contagem do respectivo tempo de serviço para a progressão na carreira. O que António Costa fez, em termos práticos e mentindo, reitero, foi classificar com “insuficiente” os milhares de professores a quem subtraiu quase 10 anos de trabalho. [Read more…]

Legionella – Ministro da Saúde precipita-se?

O Ministro da Saúde anuncia que o Estado pode e deve indemnizar as vítimas de legionella, após ter conhecimento de um relatório preliminar, da responsabilidade do Instituto Ricardo Jorge e da Direção Geral de Saúde, que conclui que a origem do surto se deveu ao mau estado sanitário de uma das torres de refrigeração do Hospital São Francisco Xavier.

legionella
Atendendo a alguns comentadores da patrulha ideológica do PS se terem incomodado quando aqui escrevi que o governo deveria, de imediato, assumir responsabilidade do Estado, por uma questão de ética, talvez Adalberto Campos Fernandes se tenha precipitado, uma vez que se trata, apenas e tão-só, de um relatório preliminar.
Como não pertenço a patrulha alguma nem a seita, defendo que indemnizações não bastam, porque o assunto é de enorme gravidade!
Repito o que escrevi, então: [Read more…]

Ingratidão – Fugir do paraíso na Terra

Fugir para o capitalismo, sem esperar pelos amanhã que canta…

David Dinis: mais um “especialista” em avaliação de professores

David Dinis, no Público de hoje, comenta as reivindicações dos professores, usando da mesma ignorância atrevida da maioria dos comentadores, o que será louvável, se tivermos em conta que há ali coerência.

Dinis relaciona a possibilidade de não haver reposição na carreira docente com a circunstância de  que que os professores seriam os únicos que não têm “um sistema de avaliação actualizado”. Na opinião do director do Público e ex-director do Observador, a culpa, em parte, é dos professores, porque recusaram os sistemas de avaliação criados por dois ministros.

O ex-director da TSF lembra Maria de Lurdes Rodrigues como a ministra que «ousou criar um novo sistema de avaliação dos professores.» O verbo ousar é evidentemente elogioso, colocando a antiga ministra num pedestal acima daqueles que rejeitaram aquilo que não era sistema de avaliação nenhum, mas sim – e apenas – uma maneira de impedir a maioria dos professores de atingir o topo de carreira.

Por outro lado, Nuno Crato «quis impor a alguns dos que ensinam o mesmo que se pede sempre aos alunos: um teste de avaliação, que acabou boicotado por muitos.» David Dinis ignora ou finge ignorar que Nuno Crato tentou impor uma prova de acesso à profissão a licenciados com estágio pedagógico já feito e, portanto, devidamente habilitados para dar aulas. Acrescente-se que, para se avaliar um aluno, não se pede apenas um teste de avaliação.

No fundo, David Dinis é mais um dos que afirmam que os professores não querem é ser avaliados, está-se mesmo a ver, até porque recusam todas as propostas de todos os ministros. Mesmo que fosse ou seja verdade, não seria esse facto a tornar virtuosos os dois sistemas referidos, exactamente porque não são, repita-se, sistemas de avaliação.

Como muitos outros, David Dinis usa um privilégio sem responsabilidade, limitando-se a soltar uns soundbites, sem ser obrigado a pensar muito no assunto, porque o que lhe interessa é o efeito, a criação de aparências. É a diferença entre comunicação social e jornalismo. David Dinis não pratica o segundo.

Podcasts – Informação (In)útil

“Num minuto, coisas que não interessam a ninguém, mas vai gostar de saber. Curioso, Nuno Miguel Martins procura histórias que fogem à rede das notícias.” Assim é descrito o podcast Informação (In)útil (RSS; sítio).

Neste episódio disserta-se sobre a identidade de Banksy. Noutro, o assunto é o “autor que ninguém conhece do quadro que todos conhecem.” De segunda a sexta na TSF, num formato agradável sobre pequenas coisas embaladas num tema musical.

Postcards from Greece #6 (Thessaloniki)

‘As you are Portuguese, we have to take good care of you’…

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foi o que disse a rapariga grega trazendo um vinho do Porto à mesa da esplanada onde eu comia a melhor tarde de chocolate do mundo, acompanhada de um café cheio. A esplanada pertence ao Portogalo*, um wine bar na rua Komninon, mesmo à beira da Praça Liberdade (Plateia Eleftherias), numa das zonas mais bonitas e movimentadas da cidade. Tinha passado lá ontem à noite, debaixo de chuva, depois do jantar no Coquille e, naturalmente, achado graça ao bar/restaurante chamado Portugalo e que exibia vinhos portugueses na montra. O vinho do Porto foi oferecido. Assim, sem mais nem menos, depois de eu ter dito que era portuguesa. ‘Se é portuguesa, temos de cuidar de si’. O Porto foi oferecido com a mesma generosidade e simpatia que se encontra em praticamente qualquer grego, já o disse um destes dias. E o Porto soube bem e ficou a promessa de voltar lá para um jantar como deve ser, quando sentir saudades de Portugal.
 

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Teclados e cenotáfios

Michael Aspel: You’ve got lakes as well, haven’t you?

George Harrison: Legs? Yeah! I’ve got legs.

—  Aspel & Co. 1988

Sê prudente no pisar, pois pisas os meus sonhos.

— W.B. Yeats (PT/EN1/EN2)

Queimava‑se‑lhe o corpo na tarimba. E agora aqui está na noite chuvosa e fria, de samarra grossa bem agarrada ao corpo, sem saber o que deve fazer, embora saiba bem o que deseja fazer. Mete por detrás das barracas que ficam junto do valado. Quer confundir‑se com a escuridão, não vá alguém descobri‑lo; sobe ao carril das oliveiras, esconde‑se, espreita a noite para descobrir qualquer vulto, ou luz, ou ruído. O Tejo marulha de mansinho na areia.

— Alves Redol, “Avieiros

***

Há uns anos, ou seja, antes de Janeiro de 2012, “contatar diretamente” não era possível em Portugal. Todavia, actualmente, no sítio do costume, isto é, em Portugal, de facto, é possível.

E “fim-de-semana”, assim, com hífenes, é possível com o Acordo Ortográfico de 1990? [Read more…]

Stop

Foi centro comercial nos anos 80, com cinema, lojas, restaurantes. Depois começou a perder fôlego para a múltipla concorrência e decaiu. Foram encerrando-se lojas, houve algum episódio de violência, o local tornou-se indesejável. Esteve fechado, a apodrecer lentamente aos olhos de quem passava, uma ruína mais numa cidade que acumulou demasiadas. Mas há poucos anos, ganhou uma nova vida quando os músicos da cidade começaram a alugar as antigas lojas e a convertê-las em salas de ensaio. A porta da rua reabriu-se, voltou a ver-se gente por ali, um segurança, um café à entrada –  sintomas de vida num corpo que estivera inerte.

A vida deste local, a sua experiência distinta de todos os outros grandes espaços comerciais da cidade, tornou-o um lugar especialmente interessante. Desde logo, essa nova vida não se fez acompanhar de uma renovação estética. O Stop continua a parecer um local abandonado. Há paredes grafitadas, zonas mal iluminadas, beatas no chão, lojas que ainda exibem os seus antigos cartazes, agora arruinados, montras que deixam ver salas vazias, janelas tapadas, algum caixote abandonado pelos últimos inquilinos, uma lista telefónica manchada de humidade, um calendário de um ano longínquo. Os estúdios dos músicos, tapados dos olhares de quem passa, não se distinguem das salas para alugar. Os elevadores funcionam, mas as escadas rolantes estão paradas. As casas de banho, de paredes cobertas de rabiscos, estão reduzidas ao mínimo. Aí não há espelhos, não há sabonete e é quase com espanto que confirmamos que há retretes e água corrente. [Read more…]

Passos Coelho apanhado no caso Vistos Gold*

Este texto – e em particular o seu título – foi inspirado numa peça da CMTV, na qual o órgão de comunicação social mais desonesto e ridículo do panorama jornalístico nacional afirma que “Costa promove jantar no Panteão”. Uma primeira leitura poderá induzir o leitor no erro de achar, dada a utilização do presente do verbo “promover”, que o primeiro-ministro se encontra actualmente em diligências para a organização de um evento no Panteão Nacional, apesar da polémica gerada pelo jantar de encerramento da Web Summit, que as suas declarações vieram incendiar ainda mais. [Read more…]

Da série “Carlos Abreu Amorim gosta de manipular os seus seguidores do Facebook”

Se não gosta, parece. Em Abril foi uma actualização de foto de capa no Facebook, onde figurava um dos jovens que o anterior governo simpaticamente mandou emigrar, como se fizesse parte de um novo lote de “convidados”, versão esquerda radical. Manipulados os leitores, o que se seguiu foi o linchamento da Geringonça que, aparentemente, seria culpada pela emigração em massa em 2012. Michael Seufert, ex-deputado do CDS-PP, foi um dos animadores daquele momento de pura aldrabice e, que se saiba, o deputado Carlos Abreu Amorim, que pela posição que ocupa deveria ter uma postura mais responsável e adulta, nunca se retractou. E isso diz-nos algo sobre a ponderação e a seriedade com que o deputado exerce as funções para as quais foi eleito. [Read more…]

Das madrinhas

Houve tempos em que um comércio – e mesmo indústria – de proximidade nos permitia o acesso a bens através de um consumo personalizado, uma escolha pessoal. Podíamos apalpar – honi soit…-, cheirar – idem…-, provar – então?…- tudo. Roupa, fruta, livros, discos, alimentos vários, tudo nos passava pelos sentidos e pelo sentido. E não era preciso ir muito longe. Era logo ali na loja. Cada um adquiria o que queria e podia. E o que comprava era seu e pago ao vivo por cada um – ou fiado, que também era coisa personalizada. O mesmo se passava com as madrinhas: cada um tinha a sua. Claro que, como todos sabemos, as madrinhas podem ser de baptismo, de casamento – religioso ou civil, tendo neste caso o nome menos poético de testemunhas – de crisma, de guerra e tudo o mais. Há, até, para cada um de nós, uma fada madrinha. 

Mas agora estamos no tempo das grandes superfícies, do granel, das compras à distância. Das marcas brancas, do streaming. Da partilha digital, da rede, da nuvem. 

Ora, é neste contexto que o presidente Marcelo resolveu proporcionar a todos os portugueses uma madrinha partilhada. Com a qual tenhamos uma relação ainda mais distante do que a que temos com a Amazon. E em regime de monopólio, diriam maldosamente os comunistas. Portanto, afilhados de Maria (Cavaco), rejubilai! [Read more…]

O grande argumento

João Miguel Tavares explicou no Governo Sombra, de forma alterada, que Teodora Cardoso falhou as previsões pessimistas sobre o défice porque o governo não fez o que prometeu na campanha eleitoral. É capaz de ter alguma razão – não a tem toda, mas adiante. Podia, no entanto, lembrar-se do que fez, em termos de promessas e execuções, aquele que ele já adjectivou, em tempos, como um bom primeiro-ministro. Lembrando-se ele disso, talvez pudesse dissertar sobre que circunstâncias se podem evocar para optar ente polegar para cima ou para baixo quanto a governantes.

Frozen

Olaf2

Só pode ser brincadeira. Então o OLAF, intervindo no âmbito de um pedido de apoio que lhe foi dirigido pelas autoridades portuguesas, declara taxativamente que houve fraude na gestão dos fundos europeus atribuídos, entre 2000 e 2013, aos projectos da Tecnoforma e o MP português arquiva, em Setembro de 2016, por falta de provas, o processo? Sem sequer fazer referência, no respectivo despacho, à investigação que correu naquele organismo da Comissão Europeia especializado no combate à fraude?