Cruzei-me com os olhos da minha avó

Isto é por tua causa, João.

Hoje, fui felizmente obrigado a ir até à Rua de Santa Catarina (ou até Santa Catarina, como dizem os meus irmãos portuenses). A manhã estava luminosa, indecisa entre fria e quente. Fui até à Latina, comprei um livro e regressei, de costas para a Batalha. Estava como gosto de estar, com tempo. Como se fosse um turista sem a pressão das visitas guiadas, livre de mapas. À porta do Majestic, fui turista de turistas (já não deve faltar muito para que se organizem percursos de observação de turistas).

Precisava de tomar o segundo café, ler um bocadinho do jornal de ontem, continuar o livro, sentar-me. Ócio, o luxo obrigatório.

Pelo caminho, cruzei-me com uma velha conduzida por um casal. Estava a olhar para mim. Eram os olhos da minha avó. Não da mesma cor, não os mesmos olhos, antes o mesmo olhar, como é que isso se explica? Um certo desamparo, uma espécie de espanto infantil com a realidade, como se tivesse desaprendido tudo o que já soube. Os olhos da minha avó olharam para mim e não me estavam a acusar, talvez porque queira (eu ou ela?) limpar a minha consciência. [Read more…]

E o metro não conta?

No Prós & Contras, Fátima Campos Correia acabou de afirmar que, neste momento, só se chega ao aeroporto a pé. Rigor do melhor.

Táxis versus plataformas Uber/ Cabify /…

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Serviços iguais, transporte de passageiros, neste caso, devem ter regulamentação igual. Por isso, o projecto de lei das plataformas é um erro. Não se deve criar um novo contexto para as ubers, deve-se, isso sim, criar um enquadramento comum.

Neste lado a lado entre táxis e ubers, é notório que o negócio dos primeiros exige um investimento muito superior ao dos segundos. Dizem que o serviço da Uber é muito melhor do que equivalente em táxi. Talvez o seja, mas isso deve ter impacto na escolha dos clientes e não na produção legislativa. Esta deve ser neutra.

A verificação dos fatos

«O povo não come ortografia»

João José Cardoso

***

Ontem (aliás, hoje: eram 3h00 em Bruxelas), antes de Trump deixar a entender que, se chegar à Casa Branca, Hillary Clinton vai para a prisão, a candidata do Partido Democrata atrapalhou-se na pronunciação de ‘fact checking’ (verificação de factos). Provavelmente, depois de ler “agora facto é igual a fato (de roupa)”, Clinton teve um inesperado momento de insegurança, pois, durante alguns segundos, parecia um daqueles autores portugueses de One *Diretion:

So, once again, go to HillaryClinton.com. We have literally Trump — you can fat-check… fat-check… fact-check him in real time. Last time at the first debate, we had millions of people fact-checking, so I expect we’ll have millions more fact-checking, because, you know, it is — it’s just awfully good that someone with the temperament of Donald Trump is not in charge of the law in our country.

Pronto, JJC. Era isto. Olha, já agora, também era isto, isto e isto.

E isto

JJC, não foste tu, certo?

Então é assim João, tu foste para outras paragens e nunca mais o mundo foi o mesmo.

Os “bifes” deram uma de anarquistas e “brexitaram-se” numa só penada. Já a tua esquerda alçou-se ao poder e a Mariana até já lança impostos. Nos “States” o Trump arrisca-se a ganhar e estamos todos, os minimamente lúcidos, que não nos cabe um feijão no cagueiro. Isso e o Erdogan ensandeceu, o Putin não toma os medicamentos e a banca alemã está de tal ordem que a nossa até parece de gente séria. Isso e hoje um taxista baralhou-se na TV e denunciou-se como um reles violador.

Fui levado a pensar que toda esta anarquia teria dedo teu e que estavas por aí a divertir-te à grande soltando o teu riso de eterna criança traquina. Contudo, uma luz fez-me ver que afinal não é coisa tua. É que o nosso Porto, o FCP, está como o mundo, de pernas para o ar. E isso eu sei que nunca seria coisa tua. Sabes que te digo? Foda-se, que saudades pá.

Mas…olha lá, toda esta confusão não é coisa tua, pois não???

Bilhete do Canadá – Um debate desgostante

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Uma superpotência como os Estados Unidos, responsável por muito do que bom e mau vai pelo mundo, não devia ter candidatos à chefia do estado ao nível da extrema baixeza.  Tinha, isso sim, de manter uma fasquia alta quanto à qualidade dos concorrentes por simples respeito ao estado. O Partido Republicano mostrou não entender essa escala de grandeza ao não cortar cerce o passo a um candidato tão ordinário como Trump. A mediocridade do Partido Republicano ficou escancarada ao só reagir, na pessoa de vários senadores, ao video de há uns anos atrás em que Trump, julgando-se muito viril, usou um palavreado de habitué de casas de passe para relatar as suas (não sabemos se inventadas) aventuras sexuais. A fraqueza actual do Partido Republicano fica demonstrada pela sua incapacidade de evitar que este energúmeno chegue à boca das urnas e, vergonha das vergonhas, tenha ainda um número razoável de pessoas a votar nele.  Roberto De Niro chamou-lhe aquilo que, de facto, ele é e ficou largamente demonstrado neste debate: um rufia.

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Costa está nas minhas mãos?

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Escreverei, um dia, sobre táxis e sobre taxistas e talvez não seja simpático para ninguém, concorrência e políticos incluídos. Para já, declaro apenas que sinto cada vez mais saudades da vírgula ou das vírgulas. Fazes-me falta, vírgula, especialmente quando há vocativos. Eu já sei que Costa está nas minhas mãos, mesmo sabendo que só valho um voto. A vírgula está nas tuas mãos. Usa-a, ó escrevente!

Imagem recortada da primeira página do DN de hoje.

O Professor hoje e os desafios de amanhã (iii)

No encontro de Professores organizado pela FENPROF estiveram também David Rodrigues e Licínio Lima.

David Rodrigues reflectiu sobre o  Desafio da Inclusão.

 

Licínio Lima, por sua vez, apresentou uma comunicação sobre o Desafio da Democratização da Escola.

Em Faro… ou nas Ilhas Faroe

Temos que perder a vergonha de seguir o exemplo islandês

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Nem só de luta por mais justiça social se faz a nossa necessidade de perder a vergonha. Há que perder também a vergonha de seguir o exemplo islandês. Sim, a Islândia. Esse estranho país que permite que se resgatem pessoas em vez de bancos e onde – pasmem-se – é possível prender banqueiros criminosos[Read more…]

Os bancos não são pessoas de bem

Nem os bancos centrais: Deutsche Bank recebeu tratamento especial nos ‘stress tests’. – Corrupção de alto nível? Ou apenas o estado dentro do estado a mostrar as orelhas?

Também tu, Frasquilho?

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Depois do infame golpe de Estado aplicado pela frente soviética à coligação Pàf, que enviou o governo legítimo de Passos e Portas para o exílio no Panamá, tudo indica que estaremos a assistir a um novo ataque ao núcleo duro do Passismo, com vista a uma revolução interna no partido. Seria a isto que Passos Coelho se referia, quando falava na vinda do Diabo? [Read more…]

O protesto dos taxistas

Como cliente, quero o melhor serviço possível e com o mais baixo preço que conseguir. E como cidadão quero que as empresas de transportes compitam entre si em igualdade de circunstâncias. Por isso, é preciso regulamentar o sector de forma homogénea, em vez de se criar um contexto especial para caberem as ubers dos transportes.

A manifestação dos taxistas decorre da alteração de forças no mercado. Um sector hiper-regulado passou a estar sujeito a uma concorrência que conseguiu furar as malhas legislativas. É a luta de quem não quer concorrência, quando devia ser o protesto pela igualdade de oportunidades.

O Professor hoje e os desafios de amanhã (ii)

A segunda parte da intervenção de António Sampaio da Nóvoa, no seminário organizado pela FENPROF, em Coimbra, por ocasião do Dia Mundial dos Professores.

«Na área dos contatos»?

Ah! «Na área dos contratos»! Peço desculpa: por momentos, pensei que estava a ler o Diário da República.

Donald Trump tem razão – são uns hipócritas


Nos últimos meses, Donald Trump disse que ia construir um muro para separar a América do México e que ia pôr este último a pagá-lo. Chamou criminosos, violadores e traficantes aos mexicanos. Queixou-se de ver negros «a contar o meu dinheiro». Disse que ia expulsar liminarmente 11 milhões de imigrantes ilegais. Que ia proibir a entrada de muçulmanos. Que os atentados de Paris só provam que a posse de armas devia ser liberalizada. Que o aquecimento global foi inventado pelos chineses para prejudicar a América. Que ia atacar o Médio Oriente para lhes ficar com o petróleo, destruindo tudo e mandando empresas americanas para fazer a reconstrução.
Defendeu o regresso de métodos de tortura mais agressivos nos Estados Unidos, atacou os pais de um militar americano morto no Iraque, expulsou uma jornalista mexicana de uma conferência, uma muçulmana de uma acção de campanha e um bebé que chorava num comício. Disse tudo e mais alguma coisa e sempre publicamente e em directo para milhões de espectadores.
Foi preciso ir buscar uma conversa privada com mais de 10 anos [Read more…]

O Professor hoje e os desafios de amanhã

A FENPROF organizou na passada sexta-feira um encontro em Coimbra onde a Educação esteve no centro da reflexão. Trago, neste dia especial para o Aventar. Neste dia em que um de Nós partiu. Neste dia em que um de Coimbra partiu. Neste dia em que um Professor partiu, nada melhor do que celebrar  a sua memória, trazendo até si, caro leitor, as intervenções de António Sampaio da Nóvoa, de Licínio Lima e de David Rodrigues.

Contigo sempre junto de Nós, amigo JJC, vamos continuar, porque nada substitui um bom professor!

Diário Económico a acabar

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Como seria de esperar, o Diário Económico deixou de produzir novos artigos (na versão on-line, a versão em papel já tinha parado há uns meses) – os últimos artigos foram publicados em 4 de Outubro. É de esperar que o site não dure muito mais, daqui a pouco tempo os milhares de artigos produzidos na versão on-line perder-se-ão.

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Porto e Gaia, muito mais que um Rio… a separar

De lugares comuns está a blogosfera cheia e poderia aqui recorrer ao chavão de que o rio une, não separa e tal… Mas, a unanimidade instalada em torno de Rui Moreira não permite a similitude total entre as duas realidades políticas das margens, esquerda e direita, da foz do Douro.

Do lado direito, Rui Moreira acaba de receber o apoio do PS e estarão a caminho outro tipo de apoios. Sinto-me tentado a partilhar da opinião do Ricardo no Manifesto74. Não tanto porque sinta como obrigatória a apresentação de uma candidatura do PS a todas as autarquias, mas porque é do debate que nasce a Luz. O Porto vive uma encruzilhada civilizacional – com a crescente presença do Turismo em todas as dimensões da cidades, importa equacionar os caminhos a seguir, nomeadamente no que aos residentes diz respeito. Nunca, em Democracia, o silenciamento que o unanismo provoca pode ser uma opção. E, só por isso, seria mais interessante o aparecimento de ideias e projectos com olhares diferentes para a cidade, que, de uma maneira ou de outra, tem um papel central no futuro do nosso país. Percebo, de qualquer moda a coerência de Manuel Pizarro que abraçando de corpo e alma a cidade durante quatro anos preferiu seguir este caminho, claramente, coerente – admito, até, que no seu lugar tomaria exactamente a mesma opção. Mas e permita-me, caro leitor, que leve o texto para o território das emoções: gostaria de ver mais opções para o Porto. [Read more…]

Ele é tão evidentemente estúpido… É um rufia, um cão, um porco, um aldrabão, um artista da mentira, um vadio que não sabe do que está a falar

E quem o disse foi o Robert de Niro. É esta capacidade que os homens das artes têm: expressar o que nós temos dificuldade em dizer. E, tudo o que se possa dizer sobre o imbecil do Trump será pouco, mas os U2 também já nos ajudaram a expressar o que vai na alma do Mundo perante tal personagem.

«As contas nas redes sociais e o blogue de Cristina Ferreira ficaram nativos»

Aliás, e nativos. Perdão: inativos.

Mais uma faca nas costas de Passos Coelho

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Graciosa como uma vuvuzela, a direita radical continua a sua épica batalha contra os esquerdalhos estalinistas e a herege democracia representativa. Mas ser um profeta da desgraça, nestes tempos sombrios em que o fantasma soviético paira sobre o nosso país, parece ser uma missão quase impossível. Uma missão ingrata e permanentemente minada pelos comunas que espreitam a cada esquina, preparados para roubar a classe média, os colégios privados e as mansões de férias na Comporta. [Read more…]

Quem é que investe num país de geringonças esquerdalhas?

A TMG Automotive vai regressar a Vila Nova de Famalicão para investir 52,5 milhões de euros nas instalações de Vale São Cosme.

Areias movediças

O comissário europeu Carlos Moedas afirmou hoje, em Bruxelas, que não faz qualquer sentido falar num cenário de um segundo resgate a Portugal, que “está a cumprir” todas as expetativas‘. Algo se passa, Pedro, algo se passa.

O perdão fiscal e o boletim económico inconveniente

Ainda o perdão fiscal estava quentinho, a sair do forno ministerial, e já o PSD tinha descoberto tudo.

Todos os portugueses já tinham compreendido que a execução orçamental para o presente ano não estava a correr bem. O Governo finalmente reconheceu-o. E reconheceu hoje ao admitir que necessita de uma receita extraordinária. Caiu a máscara ao Governo“, vincou o deputado do PSD Duarte Pacheco, em declarações aos jornalistas no parlamento. (via TVI24)

Duarte Pacheco deu, ainda, mais uma larga passada na sua tese, afirmando que “esta é provavelmente a primeira das medidas adicionais que o Governo precisa enviar para Bruxelas para evitar sanções“.

Mas não é que o spin lhe saiu pela culatra? O Banco de Portugal, anunciou hoje, no Boletim Económico de Outubro, onde não é tido em conta este perdão fiscal, que um défice de 2,5% do PIB em 2016 é um objectivo exequível.

A estalada assentou de tal forma que Passos Coelho lá tratou de arranjar hoje outro assunto onde bater, algo que não fosse o défice a que ele nunca, nem de perto, se aproximou.

As más notícias já não são de confiança, é o que é.

Adenda: leio noutra noticia entretanto saída que a tese da máscara também foi usada por Passos Coelho. Parece que, afinal, o spin é para avançar, independentemente da realidade.

Lisboa: o futuro é agora

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Pedro Guimarães

Comboio turístico, destino Bairro da Graça.
Por aqui já perdemos os transportes públicos, a possibilidade de circular mais rápido do que a passo, o direito a usufruir dos miradouros, o acesso ao arrendamento, o direito ao descanso.

Não, não estou a exagerar.
Senão imaginem: miradouro da Sra. do Monte, destino de todas estas motinhas a dois tempos. Estacionamento não há, mas há segunda e terceira filas. Em quarta, quinta e por aí fora, à vontade, uns 15 tuk-tuks. Não sei, não consigo contar.
Outros tantos fazem fila, a circulação é absolutamente impossível. Estamos em Outubro, o Verão já la vai.
Ainda assim, a pressão é tanta que aos turistas não lhe é permitido mais do que três minutos para apreciar a paisagem e ouvir, em altos berros, uma data de barbaridades de inspiração pseudo-histórica. Da expulsão dos mouros infiéis ao grande terramoto de 1755 não distam mais do que 5 segundos de explicações.
Siga, toca a andar.

O meu perdão fiscal é melhor do que o teu

Ontem ficámos a saber que quem não cumpriu as obrigações fiscais ficou, mais uma vez, em vantagem relativamente aos restantes. Os incumpridores não viram as contas bancárias e os ordenados penhorados, nem tiveram a casa de habitação vendida. Valeu-lhes a pena fugir às obrigações, o que não está ao alcance de todos. Trabalhadores por conta de outrem não têm a menor hipótese de não pagar os impostos, já que estes são retidos na fonte e, quando não o são, há o ordenado para penhorar. Trabalhadores por conta própria e pequenas empresas, sem avultados meios judiciais e sem acesso a offshores, também rapidamente caem nas malhas do fisco. Sobram os tubarões, aqueles que têm os meios para enfrentar o monstro.

perdão fiscal

Pajak / diskon (imposto / desconto), num cartoon indonésio
(via kompas.com)

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Glória para a Geringonça, mais uma dor de cabeça para a direita radical

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Entre profecias da desgraça e alucinações com Belzebu, intercaladas por macumbas e rezas ao oculto para que as trevas se abatam sobre Portugal, abrindo alas ao regresso da seita além-Troika, as coisas teimam em não correr bem para os lados da direita radical, cada vez mais isolada e em queda permanente nas sondagens. Contudo, acredito piamente que não estavam à espera de um golpe tão duro o profundo como aquele que lhes aplicou hoje o Observador, o jornal dos amigos neolibeirais de Passos Coelho, tão importante na sua ascensão e na produção de propaganda anti-esquerda. Nem os apóstolos do ministério da propaganda devem ter percebido o que se passou.  [Read more…]

Um PSD, dois sigilos bancários

Façam pipocas, este PSD está cada vez mais divertido!

A seguir ao Tarantino, o Vargas é o meu realizador favorito. E o Tarantino que se ponha a pau 🙂

Video@Geringonça

Postal da Fortaleza de Peniche (muito atrasado)…

… ou das razões, seguramente confusas, por que não assino as petições

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(Fortaleza de Peniche, 2015)
No último ano tenho ido muitas vezes a Peniche, por razões que principalmente o coração conhece. Lembro-me de ir a Peniche algumas vezes em miúda com os meus pais. O motivo era geralmente ‘comer uma caldeirada’, coisa que animava os adultos e me desgostava bastante a mim. De qualquer maneira, aparte a questão da caldeirada, não tenho memórias particulares de Peniche, desses tempos.
No último ano tenho visitado Peniche muitas vezes e, naturalmente, visitei a Fortaleza em algumas dessas vezes. Peniche não é apenas a sua Fortaleza, mas é principalmente a Fortaleza. Claro que também há a Berlenga, a Nau dos Corvos, o Cabo Carvoeiro, a papoa, o Baleal, o Bairro do Visconde carregado de cor e de gatos, a tombar de cima das falésias, os restaurantes de peixe muito fresco e o mar o mar o mar a perder de vista porque, justamente, não é mar, é oceano. A ‘pérola do atlântico’ é muitas coisas além da Fortaleza. É também o cheiro das fábricas de conservas, o desemprego, os pescadores que pescam cada vez menos e um certo desordenamento urbano. É ainda o surf, as ondas de que é alegadamente a capital, as lojas de pranchas de surf, os surfistas e os hosteis e hoteis a nascerem como cogumelos, como – parece – recentemente acontece em toda a parte de Portugal.
Mas tudo isto que Peniche é tem a Fortaleza como pano de fundo e não poderia, creio eu, ser de outra maneira. A Fortaleza existe pelo menos desde o século XVII e a própria cidade se foi desenvolvendo em função dela. São muitos séculos de história, de histórias e de memórias. A Fortaleza teve muitas funções ao longo desses séculos, mas aquela de que nos lembramos melhor é a que está associada à sua conversão, em 1934, em prisão política de segurança máxima durante o período do Estado Novo. Nela estiveram presos muitos homens, quase todos homens bons, cujo o único crime foi a luta anti-fascista. Dela fugiram alguns desses homens, incluindo Álvaro Cunhal. E dela foram libertados todos os que estavam ainda presos, depois de 25 de Abril de 1974.

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