Schröder: O mais perigoso dos idiotas úteis de Putin*

Foto: Alexey Druzhinin/Afp/Getty Images via Expresso

O antigo Chanceler alemão, Gerhard Schröder é o exemplo de alguém que traiu o seu eleitorado e a sua nação sendo, hoje, um gigantesco embaraço para a Alemanha, a Europa e o mundo ocidental.

Este homem liderou a Alemanha entre 1998 e 2005, eleito pelo SPD (o equivalente ao nosso Partido Socialista) e que após deixar o cargo foi trabalhar para o governo de Putin. Sim, não vamos brincar com as palavras, ele foi trabalhar para a Rosneft e a Gazprom,  empresas da área da energia da Rússia e já se sabe que ninguém, muito menos um ex Chanceler alemão, vai trabalhar para uma grande empresa russa sem a aprovação e supervisão de Putin. E é hoje lobista de Putin.

Segundo o Expresso, o desconforto na Alemanha é enorme. Hoje. Ontem nem tanto…Como nós, portugueses, os entendemos. A vergonha e desconforto com Durão Barroso ainda hoje não desapareceu.

 

*Forma como foi apelidado pelo jornal britânico “The Telegraph”

A sério????

Isto não se inventa. Quando vi na televisão fiquei entre o incomodado e o envergonhado com a situação mas pensei: que se foda, pelo menos o Estado tratou do assunto. Agora, vejo nas redes que afinal foram privados a tratar e esta malta foi apenas aproveitar o momento para ficar no boneco televisivo.

É o grau zero.

Abramovitch e a Comunidade Judaica do Porto

Nasci e cresci muito perto da Sinagoga do Porto, “Sinagoga Kadoorie”, habituando-me, desde pequeno, a ter muito boa relação com crianças judias da minha idade, com quem brincava, tendo até conhecido nesse contexto de brincadeiras um dos meus melhores amigos, não percebendo enquanto criança que havia alguma diferença.
E de facto não havia, eram meninos como eu e hoje são homens como eu.
A Sinagoga sempre foi respeitada pelos portuenses, podendo eu afirmar que, nem nos tempos conturbados do PREC, foi alvo de qualuer ataque, nem o edifício nem os fiéis.
Para meu espanto, em 2015, vejo a querida Sinagoga a ser cercada por uma estrutura de ferro com 5 metros de altura e um sistema de câmaras de vigilância, contrariando o Plano Director da Câmara Municipal do Porto.

Instada pela comunicação social, a Comunidade Judaica do Porto esclareceu que se tratava de reforçar a segurança do templo em tempos de ataques terroristas islâmicos na Europa, para mais [Read more…]

Vasco Pulido Valente, Mário Soares, Putin e os ensinamentos da História

Parte I

aqui escreveu o João Mendes sobre um antigo artigo de Vasco Pulido Valente e penso que foi o João Maio (não encontro) que escreveu sobre um outro antigo artigo, desta feita de Mário Soares. Em comum: uma previsão antecipada do que hoje está a acontecer. Mas existe outra coisa, mais importante, em comum. Cada um à sua medida sabiam da importância da História na explicação do presente e na previsão do que pode ser o futuro.

O desconhecimento da História explica muito do que está a acontecer. E essa ignorância, de boa parte da classe política europeia, é a causa de termos chegado aqui. Só uma absurda ignorância pode explicar a dependência de parte importante da Europa, com a Alemanha à cabeça, de energia fornecida pela Rússia. A ganância não justifica. Aliás, a ganância é, por si só, uma materialização dessa grave ignorância. A mesma falha de formação que levou a Europa a deixar morrer a sua indústria, a não apostar em ser, o mais possível, auto suficiente. A pequenez intelectual da nossa classe política é um reflexo do nosso desinteresse e da forma como, cada vez mais, preferimos políticos assépticos – aliás, sobre esta particularidade, aconselho este ARTIGO de 2004, escrito por Graça Franco no Público.

A mesma ignorância histórica leva muitos dos nossos mais jovens a não compreender o que está em causa. Quando muitos responsáveis políticos falam, e com razão, da “geração mais qualificada de sempre” esquecem que essa “qualificação” demasiadas vezes também é fruto de algum facilitismo. Que começou na minha geração, os que chegaram ao secundário e ao ensino universitário nos inícios dos anos 90 do século passado. Foi uma opção dos países ocidentais (com honrosas excepções). Um dos pilares do conhecimento, a História, passou a uma espécie de parente pobre do sistema. Eu sei que não foi o único. Aqui chegados, um ponto de ordem: estou a falar da maioria, como é obvio. Não vale a pena começarem já a preparar as espadas para a caixa de comentários…

Ora, uma sociedade menos preparada acaba por ter como consequência natural uma menor qualidade dos seus dirigentes políticos. Mesmo sabendo que Vasco Pulido Valente era genial, o facto de ter escrito, em 2015, isto: “A Crimeia foi o primeiro objetivo; e o segundo foi parte da bacia de Donetsk, porque a Crimeia não serve de nada sem uma ligação fácil e segura ao coração do Império, Não existe ponta de dúvida que Putim não recuará”, não faz dele um adivinho ou uma espécie de Zandinga. Não. Apenas se limitou a aplicar os seus vastos conhecimentos da História a uma realidade que estava a começar. Melhor dito, a recomeçar.

Porque a História, infelizmente, repete-se. Quando muito mudam os protagonistas. A repetição é causada pela ignorância. Sobretudo daqueles que tinham a obrigação de não serem ignorantes. A mesma ignorância daqueles que, não satisfeitos com os erros cometidos com a Rússia, continuam a cometer e de forma mais grave, um erro gigantesco na forma como nos estão a condenar a ficar na mão e sob a bota da China. Por ganância? Certamente. Por ignorância? Absolutamente.

Alexandre Guerreiro, o Expresso e o Aventar

Ex-espião pró-russo: como ele saiu da secreta para o Conselho de Ministros, uma viagem ao Irão e a ligação a três partidos – Expresso

Os leitores do Aventar souberam primeiro. Agora (e uma vez mais) o Expresso completa o que já se tinha dito aqui.

Roman Abramovich e a mão pesada do governo britânico

Pela glória de Sua Majestade, deram os seus bravos cavaleiros cabo do sonho londrino de Roman Abramovich. Quando comprou o Chelsea, em 2003, ocupando na altura o cargo de governador de Chukotka, onde se manteve até 2008, as mãos de Abramovich não estavam sujas. A sua eleição, para um oblast tão longínquo que está mais perto de Washington DC do que de Moscovo, terá seguramente sido limpa e transparente. A sua fortuna relâmpago, estratosférica, terá seguramente resultado do trabalho árduo e do seu génio fora de série. E as ligações a Putin, é sabido, remontam a 24 de Fevereiro de 2022, quando ambos se conheceram e Abramovich sujou as mãos. A mão pesada de Londres é implacável. Os oligarcas russos que andam há anos a enviar remessas para o Palácio de Westminster que o digam.

Alguém pediu um apocalipse nuclear?

Leio por aí, nas redes e na imprensa, várias pessoas que defendem uma intervenção directa da NATO no conflito. Vejo-as ser confrontadas por outras pessoas, a meu ver mais sensatas, que lhes dizem:

  • Então e se isso levar a uma escalada nuclear?

Ao que essas pessoas respondem algo como:

  • Que se lixe! Temos que fazer justiça pelo povo ucraniano, doa a quem doer.

Isso, fazer justiça. Tudo muito bonito, tudo muito poético, principalmente se aparecesse um James Bond no último minuto, para desactivar o missel balístico intercontinental com o nuke lá dentro, ao qual estaria amarrada uma lindíssima Bond girl, a jeito de ser salva e beijada pelo galã. Acontece que esta merda não é Hollywood e, havendo quem queira mesmo morrer, mais vale ir para a Ucrânia combater. Sempre será mais útil à causa.

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Fail Sound Effect

Núcleo concelhio do Chega na Moita ruiu. Partido perde mais um vereador e cinco outros autarcas

“Andamos a Leste”, uma crónica de Madalena Sá Fernandes

Partilho aqui um excerto de uma crónica que li hoje no Público. De Madalena Sá Fernandes.

Manifestações. Uma mensagem no WhatsApp. Um míssil. Miss you! Bombardearam um lar. Também eu, temos de combinar. Vem aí a terceira guerra mundial. Que tal hoje à tarde? Vídeos de pais a despedirem-se dos filhos. Trânsito na Segunda Circular. Os ucranianos. Vou tentar pensar noutra coisa. A Rússia invadiu a Ucrânia. Não te esqueças de comprar leite. Bombardearam uma escola. Vou pôr gasolina. Tomaram Chernobyl. Onde é que eu pus os óculos? Putin ameaça quem intervier. São 20€ de gasolina. Rússia lança ataques aéreos. Qual é a bomba? Pessoas em pânico fogem da Ucrânia. É a bomba 3. A culpa é do Putin. Desculpe, esse carrinho é meu. A culpa é dos EUA. Já não tem alho francês? A culpa é da NATO. No corredor 6 ao lado dos frescos. A culpa é do PCP. Ah, também preciso de champô. A culpa é da China. Patrícia chamada à caixa central. Como é que foi o teu dia? Pela paz. Parece que não estou aqui. Fim da guerra. Também eu, não consigo pensar noutra coisa. Onde é que pus os óculos? Andamos a Leste. 

Mariana Mortágua: Um pedido de desculpas aos leitores

Ontem errei. Escrevi um texto com o título: Mariana Mortágua, a moral e a Lei entram num bar…. e, sem saber, induzi em erro os leitores. Passo a explicar:

Dei a entender que a deputada em causa desconhecia a Lei. E com isso, erradamente, desculpei-a em parte. Acontece que fiquei a saber hoje de um dado que desconhecia: a deputada Mariana Mortágua foi uma das subscritoras da lei em causa. Não tendo, por isso mesmo, qualquer desculpa para não a ter cumprido. Pelo meu erro, mesmo tendo sido involuntário, peço desculpas aos leitores e ao Aventar.

Vamos aproveitar e olhar para a China? #1

A Rússia de Putin está no centro das atenções. E bem. Porém, está na hora de começar a olhar para a China. Sim, a China. Aquele país que não se coíbe de praticar os maiores atentados à liberdade. Que não se importa com os direitos dos trabalhadores. Que trabalha, diariamente, no genocídio do Povo Uigur. Sim, a China a quem a “minha” direita e a “vossa” esquerda entregou a sua dignidade, prestando vassalagem a troco de um punhado de euros.

E como vamos tratar da China se os nossos lideres só de ouvir falar em contrariar o Império do Sol se borram pelas calças abaixo? Não comprando produtos “Made in China”. Obrigando os nossos líderes a reindustrializar a Europa e o mundo ocidental. Mantendo a pressão nas redes sociais e nas ruas, se necessário for, da mesma forma que o estamos a fazer agora com a Rússia. E sim, vamos ter mesmo que mudar de vida. Se queremos manter a nossa vida, a nossa liberdade. É isso que está em jogo.

A direita e a solidariedade ‘soft’ dos ‘likes’ no Facebook

Laurinda Alves. Fotografia: Filipa Couto

Nos últimos dias, temos assistido à escalada da intolerância, do ódio e do separatismo bacoco entre opiniões. No meu caso, tenho apanhado por essa internet fora uma panóplia de saudosistas e desiludidos, hoje capacitados de uma estoica postura de “contra tudo e contra todos“, como se as vítimas ucranianas servissem de arremesso à limpeza de imagem de quem, há tempos, tão embeiçado andava (uns escondidos, outros bem à mostra) com o regime neo-fascista e autocrático de Vladimir Putin.

Aqueles que, outrora feirantes dos vistos gold para oligarcas russos, apoiantes fervorosos dessa direita reaccionária e saudosista dos tempos do PREC, são hoje indefectíveis defensores do Estado de Direito e contra os autoritarismos. Devo lembrar que estes são os mesmos que apoiaram a venda de empresas estratégicas do sector público ao Estado chinês… esse Estado plural, democrático e defensor dos Direitos Humanos. São exactamente esses, os que anteriormente aplaudiam quando se jogava monopólio com Estados que não respeitam os valores democráticos, só pela cor do pilim, que hoje se deixam ver, do alto da sua moral e heroicidade, com bandeirinhas ucranianas em fotografias no Facebook, em publicações carregadas de dogmas fabricados na hora e de argumentos de “se não concordas comigo, és amigo do Putin”. Sim, há gente que outrora apertava a mão a gente “do Putin” e que hoje se apercebe do que andou a fazer. Coitadinhos.

Serve este longo preâmbulo para tornar pública uma mensagem de Laurinda Alves, vereadora dos Direitos Humanos e Sociais na Câmara Municipal de Lisboa, eleita pela coligação NOVOS TEMPOS, que deixa transparecer essa hipocrisia direitola de se dizer muito solidário num dia e depois lavar as “manchas” da solidariedade no outro. Na mensagem que enviou para os colegas da CML, a vereadora convoca uma sessão de esclarecimento sobre o apoio aos refugiados ucranianos que chegam a Portugal. Na mensagem, afirma a independente eleita pela coligação, que a sessão serve “(…) para assumir publicamente que a CML NÃO tem capacidade para se responsabilizar pelo acompanhamento destas famílias (…)” e “(…) deixando claro que a CML não se responsabiliza, não paga, não dá sequência a mais nada após o acolhimento de emergência (…)”.

Traduzindo, quer dizer a senhora vereadora, em nome da CML e da coligação que a governa, que tudo bem, venham os refugiados, mas uma vez cá chegados, que fiquem entregues à sua sorte. Ou as associações que se ralem. Ou o c*ralho!

Laurinda Alves quer “gerir expectativas”. As de quem?!

Como sempre. A direita é aquela pessoa que escreve no mural #prayforukraine, muda a fotografia do perfil para uma bandeirinha ucraniana e nos diz “estejamos do lado de quem é agredido”. Depois, quando já meio mundo está, e bem, do lado do agredido e esse meio mundo lhe pede que ajude frontalmente as vítimas da guerra, para lá de palavras com ‘likes’ no Facebook e “votos de condenação” nas assembleias, diz não ter “capacidade para se responsabilizar”.

Parecem o Pôncio Pilatos.

Mensagem enviada por Laurinda Alves aos colegas da CML.

A pimenta e o cu dos outros…

Em 2016 o Bloco de Esquerda entendia (e bem) que não se pode “inventar” trabalho voluntário que na verdade o não é, por trabalho não remunerado.

Hoje, o Bloco de Esquerda mudou de ideias. As virtudes mudam com os tempos. E pensar que Catarina Martins, em Abril de 2020, avisava que o BE não aceitava a austeridade. É a Economia….. O ano de 2022 não está a ser fácil para a extrema esquerda.

 

(fotos gentilmente palmadas AQUI)

De uma Negociação de Paz a uma Declaração de Guerra

Sob os auspícios da Turquia decorreu ontem um encontro entre os ministros dos Negócios estrangeiros da Ucrânia e da Rússia para, supostamente, negociar caminhos conducentes a um acordo de fim de guerra. Depois de no dia anterior o Kremlin ter dados sinais de algumas cedências nas suas pretensões, a declaração final de Lavrov intensifica-as, a ponto de tornar inviável não apenas um acordo, mas também o prosseguimento de qualquer ronda negocial.
De permitir a continuidade da independência da Ucrânia, na véspera, passa a exigir que a Ucrânia não se aproxime do Ocidente (adesão à União Europeia), e que a sua riqueza não seja explorada por capitais ocidentais.

Pieter Bruegel – A Queda dos Anjpos Rebeldes

Isto é absolutamente inaceitável para ucranianos, mas também para nós ocidentais. A independência de um país não se negoceia, nem se deve sentar à mesa com quem a não pretende reconhecer.
No início desta invasão, o Kremlin começou por dizer que se tratava de uma “operação militar”, ficando agora à vista que ontem, mais não fez do que a DECLARAÇÃO de GUERRA que tinha recusado fazer, cujo objectivo é [Read more…]

Toma o comprimido que isso passa

Esta coisa da guerra e da paz, Rússia e Ucrânia, Leste e Ocidente, Putin e Zelensky, Batatinha e Companhia, está a deixar homens de meia-idade, classe média-alta, de direita, completamente ‘tan tan’, cegos de ódio (e não sabem bem a quem, porque o ódio deles hoje é contra o Putin, amanhã é contra o Costa, depois de amanhã é o PCP e na Segunda será o Biden, sem critério próprio), a metralhar populismo do que fica bem e dá likes pelos facebooks.

Vejo homens de meia-idade, classe média-alta, de direita, demasiado molhados com a guerra. Podem contar-nos que sonhos têm, senhores de meia-idade, classe média-alta, de direita, que explique essa tusa toda que, antigamente, apresentavam tão murcha? O que vos entesa tanto, neste caso em particular? É que guerras já existiam e vocês andavam com disfunção eréctil.

A nova de hoje é a de que “quem usa a situação na Ucrânia para falar na Palestina faz dói-dói” e “vocês só falam da Palestina porque não condenam a Rússia e isso faz dói-dói”. Temo ter de explicar a quem, toldado pelo ódio, não vê o óbvio:

É exactamente por muitos de nós condenarmos taxativamente a invasão russa na Ucrânia, que vos vemos hipócritas ao lado da Ucrânia agora, quando nunca estiveram do lado da Palestina.

É preciso fazer um desenho ou o vosso spin vai continuar de pau feito pelos hologramas que criaram na vossa própria cabeça? Até lá, é tomar um comprimido. Isso passa.

Cordão Humano em Lisboa pela paz na Ucrânia, contra a invasão de Putin. Março, 2022.

Manifestação de solidariedade com o povo da Palestina e de condenação da violência do Estado de Israel. Maio, 2021.

Fotografias: MAYO.

Um Líder vs Um Embaraço

Um verdadeiro líder de um Povo vê-se na forma como actua perante as dificuldades. Ao ver Zelensky nas televisões, a ser entrevistado por uma correspondente inglesa, em plena capital da Ucrânia, no meio de uma guerra e em verdadeiro perigo de vida, recordei-me, imaginem, de Carles Puigdemont, o antigo líder da Catalunha.

Carles Puigdemont, à primeira dificuldade, desertou para Bruxelas abandonando os seus sem qualquer hesitação. E qual o principal risco que corria? Ser preso e ir a tribunal. Volodymyr Zelensky, líder da Ucrânia, perante uma invasão do seu país o que fez? Ficou a lutar ao lado dos seus e, como se sabe, recusou a oferta de asilo dos EUA. Com esta sua atitude, corajosa e patriótica, Zelensky é hoje um herói ucraniano e Carles Puigdemont um embaraço para o povo catalão. Um enfrentou o perigo de ser morto (que ainda corre) e o outro fugiu com medo de ser preso.

Citando José Ortega Y Gasset, “O homem é o homem e a sua circunstância”. Neste caso, adaptando, um líder é um líder e a sua circunstância.

 

 

 

Sergei Lavrov meets George Orwell

As negociações que decorreram ontem na Turquia, já se sabia, não passariam de uma mera formalidade, para europeu ver. Lavrov exigiu a capitulação total e incondicional da Ucrânia, Kuleba recusou a solução proposta, por não pretender entregar de mão beijada a sua soberania, que a trôpega Blitzkrieg de Putin não conseguiu açambarcar com a mesma facilidade com que ocupou a Crimeia.

Segue tudo como dantes, quartel general em Abrantes, mas a propaganda, essa, que há muito atingiu proporções orwellianas, conheceu ontem um novo e delirante episódio. No rescaldo do encontro, e sem se rir, Sergei Lavrov afirmou que a Federação não planeia atacar nenhum país, garantindo, inclusive, que não atacou a Ucrânia. Os prédios em ruínas, as cidades arrasadas e o ataque repugnante contra a maternidade de Mariupol foram, seguramente, encenados em Hollywood. E eu ia jurar que vi a Khaleesi, em modo Mad Queen, a derreter o sul da Ucrânia montada no Drogon. E toda a gente sabe que os Targaryen andam a soldo da NATO.

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Normalizar o ódio

“Facebook e Instagram vão permitir temporariamente incentivos à violência contra a Rússia em publicações sobre a Ucrânia.

Meta vai alterar temporariamente a política relativa aos discursos de ódio. Utilizadores de alguns países vão poder incentivar à violência contra a Rússia em publicações no contexto da invasão da Ucrânia.”

Começo a pensar, seriamente, em sair de todas as redes sociais. O pior é que, no mundo global de hoje, todos nós, mais ou menos, dependemos, directa ou indirectamente, das redes sociais. No meu caso, por causa da Fotografia, uso o Instagram para divulgar trabalho.

Mas isto é o cúmulo dos cúmulos. É a normalização do ódio como um todo (porque, convenhamos, já ele estava normalizado há muito nestas redes). É a banalização da atrocidade. É a apologia da indiferença.

Eu não estou contra a Rússia enquanto país. Eu não estou contra os russos enquanto povo, porque para mim também eles são joguetes e sofrem às mãos do tirano que os governa há décadas. Em meu nome, não. Banalizar os insultos a um povo, seja ele qual for, é não entender nada do que nos trouxe até aqui. É não perceber minimamente o conceito de empatia. Eu sou pela causa Palestiniana, mas não estou contra o povo de Israel.

Sei que a Meta, dona do Facebook e do Instagram, entre outras, é uma empresa privada e, como tal, gere-se da maneira que bem entende. Quem nela está inscrito, ou aceita, ou não aceita os termos a que se compromete quando se inscreve. No entanto, e apesar do facto que supracito, sabe a empresa, e concordaremos todos nós, que quando num mundo global como o de hoje, onde milhões de pessoas se encontram ligadas a estas redes sociais, esta última terá, em última instância, algumas responsabilidades sociais que não pode, em circunstância alguma, deixar de lado. Mas todos sabemos de onde vem o lucro destas empresas. Por isso, por muito que nos escandalize, cá continuamos muitos, senão a maioria. E porquê? Que droga é esta que muitos de nós não conseguimos largar e que cada cada vez nos divide mais? Que instituto do mal é este que nos instiga a, gratuitamente, odiarmos um povo que muitos de nós nem sequer conhece?

Depois do escândalo com a Cambridge Analytica e tudo o que daí veio a público, começa a tornar-se óbvio quais as reais intenções de quem quer este mundo “conectado” ao máximo. E não é para o nosso bem.

Estou na trincheira dos que querem a paz e não desarmam por um mundo sem guerra. Dos que nunca querem a guerra. Nunca estarei na trincheira dos que fazem da guerra lucrativa. Em meu nome, não.

Alexandre Guerreiro e os seus amigos da MGIMO

A Universidade onde o Alexandre Guerreiro andou a dizer umas coisas consegue estar ao nível da personagem:

MGIMO students,educated young people,say that Putin’s army isn’t killing the population, that Putin has the right to invade a neighbouring country & demand “denazification,demilitarisation,neutral status & legalisation of the seizure of Crimea” under threat of continued massacres

Estudantes do MGIMO, jovens universitários, dizem que o exército de Putin não está matando a população, que Putin tem o direito de invadir um país vizinho e exigir a “desnazificação”, desmilitarização e legalização da tomada da Crimeia” sob ameaça de massacres contínuos

O vídeo da vergonha pode ser visto AQUI.

Uma grande capa!

Mariana Mortágua, a moral e a Lei entram num bar….

Foi paga durante meses pelo comentário televisivo, o que é incompatível com a sua exclusividade parlamentar. A bloquista esclarece que não se apercebeu da regra e, depois de contactada pela SÁBADO, pediu para devolver os 10% que recebeu a mais. E agora vai abdicar do salário na SIC Notícias.

A deputada Mariana Mortágua foi apanhada em falso. Não sei se é a primeira vez. Até admito, sinceramente, que não soubesse da alteração legal. Quem nunca? Eu já fui multado por desconhecimento. Acontece.

O problema é outro. A deputada Mariana Mortágua, e muito bem, não perdoa deslizes a ninguém. Sejam eles poderosos ou meros adversários políticos. Por isso, perante a situação deveria ter pedido desculpas. Não o fez. Ainda. Pode vir a fazê-lo entretanto. Também mudou de alinhamento na questão da Ucrânia e não lhe caíram os parentes na lama. Agora, que não venha com a sua costumeira superioridade moral. Violou a Lei. Eu até penso que perante o que fez, após a denúncia da revista Sábado (corrigiu, acertou contas) está, para mim, o caso resolvido. Mesmo sabendo que a ignorância da Lei não aproveita a ninguém.

Será que aprendeu a lição? É que para ela, quando toca aos seus opositores políticos, eles não violam a lei, são logo corruptos. E o estilo desta deputada, uma espécie de guardiã da moralidade, ficou bastante manchado em tudo isto.

 

 

Alexandre Guerreiro vs José Milhazes

Hoje tivemos o aquecimento na SIC Notícias. No final ficou a promessa da SICN para um debate entre as duas partes, de hora e meia ou mais. A coisa promete.

Capitalismo, o melhor amigo da máfia oligárquica de Vladimir Putin

Os oligarcas russos, como os seus congéneres chineses ou angolanos, navegam livremente nas águas neoliberais do capitalismo de casino, distribuindo as suas fortunas por diferentes ilhas paradisíacas, onde mais do que não se colocar a maçada de ter que pagar impostos, é possível depositar legalmente o produto de todo e qualquer crime, desde que efectuado na ordem dos milhões. É para isso que servem os paraísos fiscais: são o porquinho mealheiro da máfia contemporânea. O mercado livre também é isto.

Não deixa de ser curiosa, a facilidade com que os regimes autoritários e totalitários se movimentam na economia global, alegadamente construída sob a lógica da liberdade do indivíduo, e que, paradoxalmente, subsiste, em larga medida, da subjugação de milhões de indivíduos, à mercê do chicote ou da bota cardada, como acontece na China ou com as monarquias absolutas do Golfo, sem as quais o modelo económico que nos governa de facto entraria em colapso já amanhã.

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Eu sou um ingénuo…

Fonte: Aqui

Marco Galinha e Marine Le Pen: descubra as dif… as coincidências

Na foto podemos ver José Belo, irmão de Marco Belo Galinha – dono da Global Media e acérrimo defensor de mais protagonismo para o CH nos órgãos de comunicação social do seu império privado, como de resto é seu direito – em sorridente pose com Marine Le Pen, líder da extrema-direita francesa e aliada internacional de André Ventura.

Marine Le Pen e Marco Galinha, o irmão deste destacado militante do CH que, tal como Ventura, veio do PSD no mercado de Verão, partilham a ligação ao dinheiro da oligarquia russa. No caso de Marco Galinha falamos do seu sogro e sócio, o oligarca Markos Leivikov, no caso de Marine Le Pen falamos num empréstimo, no valor de 9,2 milhões de euros, a “fundo perdido” , gentilmente cedido pelo First Czech-Russian Bank, uma instituição opaca que entretanto faliu, livrando os extremistas franceses do pagamento de uma dívida choruda, o que acabou por ser uma casualidade muito oportuna.

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A culpa é…

“As gasolineiras têm cá uns problemas em aumentar os preços… precisam cá de umas desculpas. O barril está barato? O preço sobe. O barril está caro? O preço sobe. O barril está igual, há guerra, há greve dos camiões, há impostos, há pandemia, está frio, está calor? O preço sobe.”

Aleixo FM, na Antena 3, 09 de Março 2022

Notícias de ninar

Uma vez tive um pesadelo que ainda hoje me assola.

Sonhei que estava num bar muito manhoso, com vários amigos e havia música no palco. De repente, surge uma menina aos altifalantes, anunciando o próximo artista. Um artista de covers, disse.

  • Senhoras e senhores, Elton John!

Toda a gente aplaudiu muito. Afinal, tratava-se de Elton John, o Sir, o grande Elton John. Na minha mente ecoava “and I think it’s gonna be a long, long time” e “oh, Nikita, you will never know”.

O Sir Elton diz lá umas palavras ao microfone. Diz que dedica a música à CNN Portugal. “Imaginem um mundo onde todos os povos se dão bem”…

“Ui… para onde é que isto vai?”, pensei. “O Sir Elton a dizer-nos para imaginarmos um mundo sem existir Estados Unidos da América?…”

Então, começa a cantar o “Imagine”. E eu penso: “espera lá, aquele não é o Elton John, é o José Cid mascarado de Elton John!”. Vem, viver a vida amor, que o tempo que passou…. Ah? [Read more…]

O ataque à maternidade de Mariupol e a crueldade do nosso fornecedor de energia

O armamento moderno, nomeadamente os mísseis disparados por submarinos, aviões ou viaturas terrestres, têm hoje um grau de precisão quase milimetrico. Quando atingem uma maternidade, como ontem aconteceu em Mariupol, fazem-no com intenção, revelando a crueldade de quem não hesita em disparar sobre crianças para garantir que o pânico e o medo aterrorizarão todos os que ousarem enfrentar o regime.

Desde Moscovo, Putin ameaça com o seu imenso poderio nuclear quem se atreva a entrar no conflito. Lá dentro, esmaga o idealismo daqueles que ainda não perceberam que a resistência durará enquanto a monstruosa criatura não quiser carregar no acelerador. Bombardear uma maternidade é um aviso à navegação, para que não restem dúvidas sobre o nível de violência que estão preparados para exercer. Cá fora, entre gritinhos e anuncios de guerras económicas sem precedentes, os mais liberais dos governantes do centro da Europa não conseguem embargar o petróleo e o gás russo, porque, alegam, não têm alternativa. E, como não têm alternativa, dizem eles, continuam a financiar a invasão da Ucrânia. Como financiamos a invasão da Georgia ou a ocupação da Crimeia. A crueldade do nosso fornecedor de energia não nasceu há 15 dias.

Acham mesmo que Putin está a perder?

Venezuela abraça o capitalismo, ou como reciclar um ditador quando precisamos dele

Segundo a Bloomberg, há venezuelanos a voltar ao país, devido a um volte-face inesperado: a Venezuela decidiu abraçar o capitalismo.

Lendo uma coisa destas, assim pela manhã, fica-se com a sensação que teve um lugar um golpe de Estado em Caracas, liderado pelo Guaidó e financiado pelos EUA, que derrubou Nicolás Maduro. Querem ver que, com as TVs ocupadíssimas em loops sobre a invasão da Ucrânia, tão ocupadas que já nem a pandemia tem um holofote que lhe valha, a coisa lhes passou ao lado?

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Alexandre Guerreiro e o Aventar

O jurista e comentador Alexandre Guerreiro diz que Putin e Lavrov receberam um relatório com a sua sugestão sobre como invadir o Donbass protegido pelo direito internacional. Ex-espião, nega ser pago para ser um “agente de influência”, mas assume que quer influenciar para que nem tudo o que vem de Leste seja diabolizado – Expresso.

Ao longo dos últimos dias, o Aventar publicou vários artigos sobre o “comentador” Alexandre Guerreiro que geraram uma enorme curiosidade dos leitores com audiências recorde no nosso blogue. Hoje, o Expresso publicou um trabalho sobre a personagem em causa. Um trabalho do jornalista Vitor Matos.

Nessa entrevista, alguns dos dados agora tornados públicos pelo Expresso já os leitores do Aventar os conheciam, nomeadamente a ligação umbilical à Rússia, a sua participação num evento da Universidade de MGIMO (Rússia) e da ligação desta (e do Alexandre Guerreiro) ao ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov.

Agora sabemos quem pagou as despesas: “Na segunda participação, o governo da Crimeia ofereceu a viagem e a estadia” mas o homem continua a dizer que não é pago pelos russos. Aliás, começou por dizer que nunca recebeu nem um chupa-chupa para mais à frente reconhecer que afinal lhe pagaram a ida à Crimeia. Mais uma das múltiplas contradições da personagem, algo já visto antes nos seus escritos nas redes ou intervenções na SIC.

De todo o modo, depois de uma leitura atenta à peça jornalística, ficam algumas dúvidas que espero ver respondidas nos próximos tempos:

  1. O que é que realmente fazia no Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED)? Analisava o quê? Só para saber se era o gajo que tirava fotocópias e servia café ao chefe de serviço ou se era coisa mais importante e; por via do que temos visto (e nas companhias com se relaciona) , qual o motivo para ter sido exonerado do cargo no SIED? Sim, segundo as fontes do Aventar, o rapaz foi exonerado.
  2. Qual o motivo para, depois de ser exonerado do SIED, a  Presidência do Conselho de Ministros (PCM) lhe ter criado um posto de trabalho alegadamente “à medida” no governo da PAF, em 2015?

  3. Qual a relação entre a sua ligação à Rússia e em alguns dos seus posts partilhar ideias comuns com as do Chega? Será que temos aqui uma ponte?

Estou certo que vamos ter, aqui no Aventar (e não só), “cenas dos próximos episódios”.

(já agora, a foto deste artigo é de Alexandre Guerreiro, militante do PAN, sim, do PANe foi retirada DAQUI)