Os donos de Portugal

Tinha lido sobre o assunto e despertou-me suficiente interesse para que esperasse pela estreia do filme “Os donos de Portugal“. Achei-o interessante mas como documentário pareceu-me fraco. Opta sistematicamente por um ponto de vista em vez de apresentar os diversos pontos de vista e deixar o espectador formar a sua opinião. Assim é mais propaganda do que documentário. E isto apesar da componente factual. Mas isso faz parte da propaganda, misturar factos com teses. Por exemplo, um apenas, para o fim aponta a crise internacional como a razão do desmoronamento do sistema financeiro. Mas convenhamos, existem outras teses sobre este assunto. Um documentário, que é uma peça jornalística, deve evitar tomar posição, sob pena de despromoção para peça propagandista. É pena, a teia de poder da sociedade portuguesa é um tema que merece ser devidamente ilustrado. E, perante esse conhecimento, que cada qual fizesse os seus juízos.

E porque se há-de arrepender quando a conta vai para os cubanos?

Alberto João Jardim não se arrepende de ter aumentado a dívida e diz que “não tinha, em consciência, o direito de deixar de aproveitar dinheiros de graça”. Tão de graça que até deixaram um buraco que parece o da camada do ozono.

O Trabalho

A dois dias de se comemorar o Dia do Trabalhador, apetece-me partilhar um poema de Gibran, intitulado O Trabalho (um dos poemas de O Profeta, escrito em 1923).

Kahlil Gibran não precisa de apresentações, mas gosto da que fez a revista Blue Travel em Janeiro de 2005, que não descreve Beirute sem mencionar o poeta libanês: “Um povo de apenas quatro milhões de almas unido pela frase «o trabalho de um bom cidadão é manter a boca aberta», de autor estrangeiro (Gunter Grass), mas incorporada na ideologia reinante como as palavras proféticas de Kahlil Gibran, o maior poeta libanês.”

O poema é muito belo, mas aviso que pode ferir susceptibilidades. [Read more…]

LA SALETE

Contos velhos, rumos velhos

Os tempos e os regimes mudam mas as motivações das pessoas mantêm-se. Le Diable Rouge é uma peça teatral de 2008, com autoria de Antoine Rault. O extracto seguinte, dela retirado, é um diálogo entre Colbert e Mazarin, passado noutro tempo e noutro lugar, no reinado de Luís XIV, em França. Mas bem poderia ter tido lugar hoje em Portugal. Ou em 2008 neste mesmo Portugal.

Colbert: – Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço… [Read more…]

TETRÁPODES

Rusgas em Barcelos

Festa das Cruzes, Barcelos, 2012.

Falta Cristo à Esquerda Solista

Pensar na Associação 25 de Abril e logo depois em Mário Soares, em Manuel Alegre e em Vasco Lourenço é pensar em indivíduos que genericamente têm mau perder democrático e, na generalidade, são broncos, nada mais que parasitas da política e do Regime. A vaidade que os penetra, especialmente ao sonso Ego-Rei de Soares, grande ávido de cargos e ainda maior fornecedor de bitaites social-comiserativos, cega-os. Haverá coisa mais antidemocrática que, por incompetência e malícia, arruinar-se um País?! Onde ou quando essas pedantes vozes de Esquerda se levantaram?!

Soares colaborou activamente com os pressupostos e antecedentes da bancarrota em decurso, talvez porque era extensa a clientela de beija-mão socialista a cevar-se no desastroso processo. Alegre beneficiou de um apoio cínico, lento e arrastado, do seu próprio partido às presidenciais, soarística e deliberadamente fadadas à derrota, e por isso calou-se, mesmo quando a iniquidade desgovernava e acabava de arruinar Portugal, coisa que ele bem conhecia. Vasco Lourenço é demasiado adicto e fiel ao Bridge, isso define bem as suas prioridades e a acuidade balofa dos seus pruridos tão recentes quanto insinceros. A nossa carga fiscal e a despesa do Estado foram absurdamente aumentadas muito antes de Gaspar e, que se saiba, só os apparatchiks socialistas é que enriqueceram largo, coisa de que é proibido falar, novo tabu do Regime, ocupado em ousar alguma coisa só na Madeira. Todo o Povo empobreceu.

[Read more…]

Cancioneiro Casa Nostra


A sempre irritada jornalista do ex-poder já ansioso por regrassar ao buffet, cita um fulanóide qualquer, não sabemos quem – o marido da Dª Rosete? -, talvez com intuitos condenatórios. Mas vamos então à trombeta da arauto:

1. “É altura de os Portugueses despertarem da letargia em que têm vivido e perceberem claramente que só uma grande mobilização da sociedade civil permitirá garantir um rumo de futuro.”

Qual é a dúvida? Acabaram-se os TGV’s, aeroportos à cata de terrenos “amigos”, centros comerciais à beira-Tejo, bunkers de contentores, BPN’s, pedincha atrás de pedincha no estrangeiro e ainda conseguimos fazer com que um certo caramelo fosse flanar à beira Sena. O 16ème é uma espécie de resort caro, mas num país tão desigual, ele e os seus estão do outro lado que pode, quer, manda e consome. O lado da casa nostra Câncio. Quanto a isso estamos descansados, não letárgicos. [Read more…]

Da nobreza no futebol

O futebol é mais do que um jogo, infelizmente. É um lodaçal feito de uma mistura de irracionalidade, negócios racionalmente escuros e agressividade também verbal, ou seja, de valores antidesportivos. É, portanto, raro encontrar, entre jogadores, dirigentes e treinadores, palavras ou atitudes nobres.

José Mourinho e Cristiano Ronaldo são profissionais extraordinários e estão entre os melhores do mundo, mas estão muito longe da nobreza de Guardiola ou de Messi, uma vez que raramente conseguem esconder o arruaceiro ou o vaidoso que estão dentro deles.

Guardiola foi, para além disso, um dos melhores médios que já vi jogar, discreto, inteligente, elegante (podem revê-lo, depois do corte). Como treinador, manteve as mesmas características e, mesmo na hora da saída, consegue ser grande, dispensando-se de inventar desculpas ou de criar fricções escusadas.

Messi, o profissional apaixonado, o atleta improvável, não esteve presente na conferência de imprensa da despedida e explicou: “Preferi não estar porque sabia que os jornalistas iriam à procura dos rostos de pena dos jogadores.” Também fora de campo, Messi é melhor do que Cristiano Ronaldo, convencido de que é perseguido por ser rico e bonito.

No nosso campeonato, Ontem, Sérgio Conceição, depois de ganhar em Braga, declarou que o empate teria sido o resultado mais justo. Leonardo Jardim, ao contrário da maioria, não fez referência a erros do árbitro.

O futebol é mais do que um jogo e torna difícil manter a serenidade e a elevação. Os que o conseguem devem ser elogiados, porque são esses que devem ser imitados. [Read more…]

“Queremos o futuro”

Pedro Noel da Luz©

Fala Pacheco

Quando ouço falar do “festim do crédito”, quem é que é responsável pelo “festim”? Quem deu a festa para recolher lucros, ou participou nela para ter vida mais fácil? A resposta justa é: pelo menos os dois. A injustiça da resposta é que só um aparece como “culpado” do “festim”, e só um lhe paga os custos. E se falarmos mesmo dos muitos milhares de milhões que constituem a dívida nacional, que hoje é apontada como um fardo moral para os pobres que “viveram acima das suas posses”, com esse plural majestático do “nós”, em “nós vivemos acima das nossas posses”, eles não foram certamente para o bolso das pessoas comuns que hoje lhes pagam o custo. Não foram os pobres, nem os funcionários públicos, nem a classe média baixa que fez as PPP. O discurso do poder é todo feito para culpabilizar os de baixo, enquanto quase pede desculpa para moderar um pouco os de cima. A resposta dos de baixo é uma rasoira populista e igualitária, que também não promete nada de bom para o futuro.

Há uns imbecis que dizem que falar assim é falar como o Bloco de Esquerda. [Read more…]

Hoje dá na net: Os Grandes Aldrabões

São os quatro irmãos Marx, é claro. Um filme de 1933 com Groucho, Harpo, Chico e Zeppo Marx, realizado por Leo McCarey.

Legendado em português, ficha IMDB

Tribunal decide que entrega de casa ao banco liquida dívida

Decisão importantíssima. Em Portugal o negócio dos bancos não tem risco. Será que vai começar a ter? Algo me diz que não vai ser assim…

Ao Camarada Apóstolo Passos

O camarada primeiro-ministro Pedro Passos Coelho nem imagina o impacto psicológico da critica que hoje fez aos mais poderosos e favorecidos pela «enorme injustiça» de estarem a criar obstáculos à mudança. Não podia ter sido mais claro: «As escolhas que, no passado, foram privilegiadas e que criaram núcleos de privilégio injustificados, mercados protegidos, rendas excessivas, contratos desequilibrados para o Estado e o contribuinte, terão de ser resolvidos rápida e decisivamente». Sim, é o pescoço do Camarada Passos-Relvas. Saiba o camarada Pedro Coelho o nojo que nos era inoculado pelo até aqui silêncio governamental em face de tal dualidade e arrastada ambiguidade. Óbvia vai a resistência sonsa à respectiva quota de sacrifícios e abdicações precisamente por aqueles que fatalizam forçoso termos de passar fome e dificuldades, vivendo eles bem à larga, como sempre viveram. Mostrar-se o Camarada Passos sensível, ainda que simbolicamente, às nossas expectativas quanto a um sentido de justiça, nesta hora, era de suma importância e, não sei porquê ou talvez saiba, tardou de mais. Ouvimos as palavras. Falta ver operativa a boa-vontade do Governo no sentido da rápida renegociação dos contratos das Parcerias Público-Privadas e da redução das rendas excessivas do sector energético. [Read more…]

O maior oportunista da democracia portuguesa


Ainda em relação às ausências nas comemorações do 25 de Abril.
Que ninguém confunda as atitudes da Associação 25 de Abril, atrasadas meia dúzia de anos (como se Sócrates nunca tivesse existido), ou de Manuel Alegre, inconsequente e de uma incoerência total por parte de alguém que ainda há um ano andava de braço dado com o antigo primeiro-ministro.
A atitude de Mário Soares, como sempre, foi a de um oportunista da pior espécie, que viu nesta atitude algo de interessante para si, seja uma espécie de continuação da carreira política (!), futuro pessoal, influência ou notoriedade. Por onde andou Mário Soares durante todos estes anos?
Uma atitude oportunista do mais oportunista dos políticos portugueses. É assim há quase 40 anos, há-de continuar a ser assim até morrer. Está-lhe na massa do sangue.

A falsa história do sexo de despedida

Desmontada pelo Marco Santos. Acrescento que tratando-se de muçulmanos vale tudo e todos os disparates passam. A caça ao mouro em todo o seu esplendor.

O Contrato

Excelente videoclip político, para variar até tem um final feliz.

Tornar-se pessoa

Durante a minha licenciatura em Ensino de Música, um dos livros que mais me marcou (talvez o que mais me marcou) foi, sem dúvida, Tornar-se Pessoa de Carl Rogers, um livro cheio de ensinamentos não só para professores mas para todos em geral!

Depois do indiano Krishnamurti (ver o meu post O Medo), Rogers vem por associação, porque são muito semelhantes, não obstante estarem geograficamente tão distantes! Rogers foi um importante psicólogo americano, que «revolucionou» a psicoterapia.

Comemorou-se, em Fevereiro, os 110 anos do seu nascimento. Penso que é uma óptima oportunidade de relembrar os seus ensinamentos e conhecer o que aprendeu na sua longa experiência como psicólogo, psiquiatra e psicoterapeuta através desta obra. [Read more…]

Ninguém? Vítor Constâncio o habitual cego que vê

Vítor Constâncio vê com preocupação o desemprego a crescer (…)

«é certo que em determinados países há recessões, mas já estava previsto e ninguém previu no entanto que o desemprego aumentasse tanto», explica.

Os Donos da Propaganda

A versão vídeo de Os Donos de Portugal (que enquanto livro é uma obra historiográfica notável, não sendo exactamente uma investigação académica) levantou na extrema- direita (e em alguma direita também) o que era de esperar: incapacidade de contestar os factos e a acusação repetida de que se trata de um trabalho de mera propaganda política.

Mesmo a anarco-direita (que encontrou ali argumentação contra o papel do estado na economia que muito lhe convém) torce o nariz, é da sua natureza, e ao que parece um documentário de tese tem de ter contraditório, sobretudo quando a tese não nos convêm. Não dizem o mesmo dos estafados comentadores do regime que invadem as televisões todos os dias, num saudável pluralismo de repetições.

Mas vejamos um exemplo de argumentação da extrema-direita: [Read more…]

Estimulemos então: Vítor Gaspar para o desemprego, já

Vítor Gaspar: “Evolução do desemprego é um estímulo para acelerar reformas estruturais”

Estas coisas são normais?

Alexandre Teles

Gostaria de chamar atenção para um excelente artigo (Em Portugal, a universidade do consenso), feito por um jornalista (Owen Jones), num excelente jornal (Le Monde Diplomatique, edição portuguesa) onde os docentes da Faculdade de Economia da Universidade Nova demonstram uma atitude que embora a eles pareça de orgulhosa, admitamos cai no ridículo, uma atitude presunçosa e de quem manda no país, passo a deixar alguns excertos, que me causaram indignação:

“Basta-me pegar no telefone para encontrar um membro do Governo, o Primeiro-Ministro ou até o Presidente da República.” (José António Ferreira Machado, Director da Faculdade de Economia). [Read more…]

Falar de Abril:

Mais logo, em Águas Santas / Maia (Centro Cultural dos Moutidos), vamos falar sobre o 25 de Abril. A entrada é livre. Como o 25 de Abril. A organização é da A.C.R. “Os Fontineiros da Maia”.

Até logo:

Nunca fica tudo dito

De Francisco Louçã, retirado do seu Facebook

Quando me contou que ia começar mais uma série de quimioterapia agressiva, o Miguel escreveu-me que “o bicho voltou mas eu ainda não disse a última palavra”. Era uma conversa entre nós – e todos os seus amigos terão estes momentos e estas conversas para recordar, cada um à sua maneira –, por causa de uma citação de Ernst Bloch, “ninguém tem a última palavra”. Um de nós, qual foi nem importa, tinha-a usado uma vez numa convenção do Bloco, nunca ninguém tem a última palavra. É uma lição de humildade e de humanidade, nunca ninguém tem a última palavra. E repetimo-la muitas vezes, os dois, já nos ouviram a dizer isto, lembram-se?

Eu ainda não disse a última palavra, disse ele. Nem o cancro. Ninguém tem nunca a última palavra. Fica sempre alguma coisa por dizer, há sempre alguém que dirá mais. Nunca fica tudo dito. [Read more…]

A Fome*

Enquanto Helena Matos se indigna com o pequeno-almoço gratuito nas escolas (e demonstra não ter visto o Feios, Porcos e Maus), há pais que dão bons conselhos aos filhos.

*sim, com maiúscula, quem já experimentou perceberá porquê.

O Medo

No fim-de-semana passado, reparei que a Fnac tem à venda algumas das obras do filósofo indiano J. Krishnamurti (1895-1986), editadas pela Presença. Krishnamurti foi um autor que tive muita dificuldade em encontrar há quinze anos.

Fiquei com vontade de reler o único livro que tenho deste pensador fabuloso que escreve sobre vários temas como, por exemplo, o Medo. Em O Verdadeiro Objetivo da Vida, Krishnamurti dirige-se a jovens e a seus professores nestes termos:

[Read more…]

Países que não precisam de turistas para nada

Holanda aprovou proibição de coffeeshops a estrangeiros.

Já ficam com o IRC de meia-Europa, compreende-se.

Vencedores e Vencidos – Abril, o Grande Vencedor

   (adão cruz)

Presume-se que os vitoriosos deste Mundo, sejam os vitoriosos que provocaram ou facilitaram a fabricação desta plataforma em que vivemos, da barbárie ocidental dos tempos modernos, da poluição, da fome, da super-alimentação e da alimentação envenenada, o mundo da degradação, da auto-destruição e da massificação da economia, o mundo-universo da droga, do suicídio, da delinquência, da violência e do extremismo. [Read more…]

Sobre a ES.COL.A da Fontinha

Pedro Andrade

Começo por dizer que nunca entrei em contacto próximo com o projecto ES.COL.A. Tal como a maioria dos cidadãos do Porto (infelizmente), nunca participei nas actividades deste projecto, embora já soubesse da sua existência desde meados do ano passado. Apesar disto, o seu mérito pareceu-me desde o início inegável: um edifício público, neste caso a Escola da Fontinha, que estava há já 5 anos abandonada e degradada (impedida assim de concretizar o fim social para o qual foi projectada), é ocupada por cidadãos que, sem apoio de qualquer instituição pública ou privada, se dedicam a reabilitar o espaço e dar-lhe vida com várias actividades culturais e educativas.
Entrei pela primeira vez na escola no dia 25 de Abril, durante a reocupação após a retirada forçada por funcionários da Camara Municipal do Porto e Polícia na semana anterior. Lá não encontrei, como cheguei a ler em alguns sítios, “delinquentes”, “drogados” ou “criminosos”. Não encontrei o que a própria Câmara designa de “ocupação selvagem”. Encontrei cidadãos portuenses a lutar e a gritar pelo direito a utilizarem um espaço público para realizar actividades em prol da comunidade. Encontrei pessoas a cantar, a dançar e a abraçarem-se. Encontrei uma biblioteca cheia de livros escolares, revistas e vídeos. Encontrei quadros de ardósia. Encontrei uma mesa e raquetes de ping-pong. Encontrei paredes pintadas e com desenhos. Encontrei pessoas e material suficientes para fazer um projecto de grande relevância social. [Read more…]