Há professores a mais?

Dizem que sim, tenderá a haver porque a demografia isto, porque se fazem menos portugueses, aquilo. E assado. Será muito difícil perceber, seguindo os dados mais actualizados, que temos

matriculados no 3º ciclo 379229
alunos, mas no Secundário apenas 197582
igualmente distribuídos por 3 anos, o que dá um diferença de menos 181647?

É que o Secundário passa agora a obrigatório, ainda não se percebeu bem como mas passa, e não sendo de prever que esses 181647 concluam todos o 12º ano digamos que 150000 novos alunos precisam de uma data de professores, que podem muito bem ser recrutados entre os do 2º e 3º ciclo que entretanto  levam com a tal demografia, ou seja, se há ameaça de desemprego entre os professores nos próximos tempos tal vai acontecer no 1º ciclo, não vou sugerir que passem para o pré-escolar mas pessoalmente preferia lidar com bébés a viver sob o regime do Presidente Zédu.

A menos que Passos Coelho tencione suspender o Ensino Secundário obrigatório e o esteja a afirmar indirectamente, mas isso seria tão grave que não me atrevo a imaginar tanto.

Já agora, também não conheço o Paulo Guinote pessoalmente, e também não leio blogues. Constato é que os socretinos manipulavam números mas ao menos conheciam-nos, dos insurgentes passistas não se pode dizer o mesmo.

Governo português vende EDP ao governo chinês

Uma empresa que toma o nome da maior barragem do mundo, a Three Gorges  faz temer o pior.

EDP ou a “Casa Amarela”.

A EDP, que tenta ocultar o seu carácter empresarial feroz com a pele de um cordeiro filantropo, anda a pintar barragens de amarelo, sob o pretexto de Arte pública ou activo turístico. O Henrique Pereira dos Santos, consegue por-se na pele do lobo e chama-se a si próprio o conservador contraditório (eu chamaria a isso ser do contra, quando todos estão a favor e estar a favor quando todos estão contra). Eu acho que a EDP nos anda a roubar há tempo de mais. Com a agravante de pagar a alguém 150 mil euros (!) para gozar connosco em tom de amarelo. É como escrever num muro, em letras garrafais: ide-vos ****. Isto também pode ser considerado arte, pois as palavras também combinam bem com a natureza. Juízo! Até a população, que costuma usar a mesma paleta de cores que o Cabrita Reis nas fachadas das casas, acha a cor um asco. Uma habitante local chega mesmo a comparar o flagrante mau gosto com a bandeira nacional que podia lá ser colocada e tinha o mesmo efeito repelente. Não bastava a auto-estima deste país litoral estar em baixo, ainda vão ao interior atemorizar os pobres autóctones com a cor da loucura.

A Razão

adão cruz

A razão

tamanho de todos os céus no silêncio de sonho-menino os olhos cheios de serenas manhãs na frouxa luz do fim da tarde.

 A razão

palavra que se prende por entre as folhas dos álamos a doce margem de um regato no sobressalto do pensamento.

 A razão

saber se o tempo vai se o tempo vem no calendário do sonho não dar contas ao tempo de um tempo que se não tem.

 A razão

semente branca da vida no fruto maduro da tarde a esperança dos olhos frios na quente ilusão de outro dia.

 A razão

três lágrimas vertidas na corrente do alto rio um redemoinho de pedra e água brincando à beira do abismo.

 A razão

coração bem apertado nos braços da solidão a felicidade cantada sem voz nova na garganta.

 A razão

a firmeza do vento no rio que não volta atrás …ou a leveza do luar nas margens da sombra.

 A razão

coração cravado na erva espantalho de emoções longos braços de palha entrelaçados de ilusões.

Estátua ao Emigrante

Estação de Lisboa Santa Apolónia, versão Kaos.

Hoje dá na net: Animal Farm (O Triunfo dos Porcos)

Animal Farm (O Triunfo dos Porcos)

Aninal Farm (O Triunfo dos Porcos) é uma alegoria da autoria de George Orwell sobre o que se passou na Rússia entre 1917 e 1943. É também, para mim, a forma de me recordar que uma revolução é a melhor forma de tudo mudar sem nada se alterar.

Vai Devagar, Emigrante…

Não se sabe se leva consigo na bagagem o Troinca ou a puta-que-os-pariu…

Canta, Graciano, canta…

O regresso do FB leaks

O vanguardismo do costume

Há 6 milhões de pessoas em risco de morrer de fome e 200 mil em campos de trabalho, diz HRW

Não foi á toa que o PCP já se adiantou e cedo começou a distribuir condolências.

CP condenada a pagar milhares de euros a cada maquinista

Na sequência do acórdão do Supremo Tribunal de Justiça datado de 16/12/2010 o SMAQ, sindicato dos maquinistas, anunciou em comunicado datado de 14/12/2011 que “FACE À RECUSA DA CP EPE/CP CARGA DO PAGAMENTO DOS DÉBITOS SALARIAIS AOS MAQUINISTAS/TRACÇÃO, O SMAQ INDICOU BENS À PENHORA NA ACÇÃO DE EXECUTAÇÃO DA SENTENÇA DA RETRIBUIÇÃO VARIÁVEL, HOJE, 14DEZEMBRO 2011: OS BENS MÓVEIS E IMÓVEIS DA SEDE DA CP; TODOS OS VEÍCULOS AUTOMÓVEIS; CRÉDITOS DA CP PERANTE A ADMINISTRAÇÃO FISCAL; DEPÓSITOS BANCÁRIOS E TODAS AS RECEITAS DE BILHETEIRA DE Lx. ORIENTE, Stª. APOLÓNIA, ROSSIO, CAIS DO SODRÉ, CAMPANHÃ, S. BENTO E COIMBRA-B.
O montante em causa, nesta primeira fase, é 152.669,43 €; atingindo até 2006 o valor de 14.000.000 € para a totalidade dos associados, acrescendo ainda juros de mora e o pagamento dos anos seguintes a 2006. Quando o Presidente da CP EPE/CP Carga afirma que cumpre as Leis da República, deve cumprir também, num Estado de Direito Democrático as sentenças do Supremo Tribunal de Justiça, como é caso/acórdão – processo nº2065/07.5TTLSB”. PONTO!

Maquinistas.org

Jovem, se não queres emigrar, junta-te a uma juventude partidária

Aí, poderás ter o trabalho de lamber as botas certas e juntarás ao teu currículo os cartazes que colaste. No futuro, também tu poderás aconselhar outros a emigrar. Inscreve-te já, jovem: procura a tua zona de conforto.

Cavaco Silva a olhar pra cenas

Agora que Kim Jong-il já não olha para as coisas, nasceu este fotoblogue.

Não sei se vai incluir cenas com vacas. E espero que Cavaco Silva tão depressa não se meta num comboio.

Era uma vez a confiança

Por Santana Castilho

A solução para os gravíssimos problemas que nos afectam é um empreendimento colectivo. Mas todos os empreendimentos colectivos falham se a sociedade não sentir confiança. As pessoas aceitam os sacrifícios se as convencerem de que eles resolvem os problemas. Confiança e reciprocidade são palavras-chave. Infelizmente, o Governo ignora-as.

Os portugueses estão mergulhados em sofrimento: famílias envergonhadas, lançadas numa pobreza com que nunca sonharam; velhos sem dinheiro para a farmácia; jovens sem horizontes de futuro; crianças com fome; professores sem escola; desemprego galopante; empresas falidas; assaltos violentos todos os dias. Tudo contemplado por um Governo incontinente nas nomeações políticas, imoral na distribuição de benesses, insensível, perito em abater, incapaz de erigir, que não gera confiança.

 
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Olhar Para as Cenas

Tem que nascer duas vezes quem olhe para as cenas como Ele.

Prendinha de Natal

Ouçam com atenção


Este homem é conhecido por ser um demagogo fala-barato, mas o que aqui diz, faz algum sentido. Algum? Não, muito.

Hoje dá na net: Ilha das Flores

Ilha das Flores é um filme de curta-metragem brasileiro, do gênero documentário, escrito e dirigido pelo cineasta Jorge Furtado em 1989, com produção da Casa de Cinema de Porto Alegre.

Tomates, Homens, Lixo, Dinheiro, Religião. Uma das melhores curtas que já vi.

Inspeção técnica dos edifícios ou o ganha-pão de uns quantos

«Desafio o PSD e o Governo a tornar obrigatória a inspeção técnica dos edifícios, à semelhança do que acontece com os carros, para permitir a sua habitabilidade», disse Helena Roseta, numa conferência sobre a reforma da Lei de Reabilitação Urbana, organizada pelo grupo parlamentar social-democrata. [TSF]

Ouvi com incredulidade esta proposta da inspecção técnica de edificios obrigatória a cada 8 anos. Que até já teve o aval do senhor Ruas.

Se alguma vez isto entrar em vigor, será mais uma investida da máquina burocrática estatal contra o individuo. Com a habitual desculpa de ser para o bem de todos, isto não passa duma proposta para, novamente, o Estado se substituir ao cidadão e uma desculpa esfarrapada para uma infinidade de tachos, de mais técnicos e de rendas e vendas mais caras. Tudo com o alto patrocínio dos habituais parvos – os contribuintes.

Esta gente só não merece o desprezo total porque a loucura deve ser supervisionada. Livrem-nos destes que acham que ter o poder lhes dá legitimidade para todo o devaneio que lhes aprouver.

Boas notícias, porém, para alguns técnicos, que assim poderão ganhar mais trabalho (sintam-se à vontade para me insultarem na caixa de comentários).

A emigração explicada aos ingénuos e outros tristes

Está tudo aí, no poema de Rosalía de Castro adaptado e musicado por José Niza e superiormente cantado pelo Adriano Correia de Oliveira.

Para cabeças mais duras, como as que ainda tentam inventar vantagens económicas, recomendo a leitura de Emigrantes ameaçam cortar remessas, uma grande contribuição de Paulo Portas para o PIB nacional.

Personalidade bipolar – Conselho de Administração da CP

O Conselho de Administração da CP desmente-se a ele próprio com escassos dias de intervalo.
No número 2, 2º quadrimestre de 2011, da revista “Grupo CP em revista” (imagem acima) o presidente do Conselho de Administração da CP, em entrevista cedida a este órgão de informação interna, afirma peremptoriamente que “o pagamento atempado dos salários, o pagamento dos descontos para a Segurança Social e dos impostos ao Estado, bem como os pagamentos a fornecedores, não está nem nunca esteve minimamente em causa“. Mais ainda, José Benoliel diz que “as receitas obtidas na bilheteira são suficientes para liquidar essas responsabilidades”, garantindo inclusivamente que não vislumbra “razões que possam levar os trabalhadores da Empresa a ter preocupações com o pagamento atempado dos seus salários”. O responsável máximo da CP informa-nos também nesta entrevista que no primeiro semestre de 2011 a CP registou em comparação com o período homólogo de 2010 uma melhoria de cerca de 24,4 milhões de euros no Resultado Operacional.

«COMUNICADO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
Caros Colaboradores,
Face a gravidade da situação financeira da empresa e das insuficiências momentâneas [Read more…]

Votação: Blogues do ano – 2011

Tendo em conta a saga que, nos últimos anos, tem sido a eleição do melhor blogue do ano, nas suas diversas categorias e modalidades, o Aventar entendeu promover uma votação respeitante aos melhores blogues de 2011.
Para o efeito, estamos a elaborar listas de blogues, a partir do blogometro, que poderão ser acrescentadas e corrigidas por todos os interessados que manifestem essa vontade na respectiva caixa de comentários.
O principio é simples: todos os blogues têm direito a serem votados, todos os potenciais eleitores terão direito a votar em quem mais gostaram de ler.
Até ao final do ano de 2011, sempre assumindo a caixa de comentários como um forum aberto de participação e discussão, começaremos por criar uma lista de categorias, colocar nelas os blogues potencialmente concorrentes, e proceder a uma votação, utilizando o software de sondagens do wordpress.
Como é óbvio o Aventar estará excluído desta votação, e avança para ela com algum trabalho de casa, a Blogopedia que tivemos no ar enquanto estivemos alojados num servidor a expensas próprias, e que continua guardado em formato wiki. O espírito e regra serão exactamente esses: discussão aberta, processos transparentes, decisões claras. O colectivo Aventar só intervirá em última instância, esperando-se que tal não necessário.
Para já, deixamos aqui a lista de categorias que servia de base de trabalho à blogopedia com o pedido a todos, autores, comentadores e leitores de blogues portugueses, até passarmos à fase seguinte.
  • Actualidade Política
  • Desporto
  • Fotoblogs pessoais
  • Fotografia
  • Educação
  • Culinária
  • Televisão
  • Religião
  • Locais
  • Publicitários
  • Eróticos
  • Moda
  • Cinema
  • Livros
  • Poesia
  • Íntimos
  • Pessoais
  • Diários de Bordo
  • Saúde (acrescentado)
A estas acrescente-se:
  • Blogue revelação (blogues que nasceram em 2011)
  • Autor/blogger do ano
Este artigo será reeditado, mantendo o mesmo endereço, a partir da colaboração dos seus leitores.

 

ACTUALIZAÇÃO

blogs do ano - 2011
Blogues do ano – 2011
Regulamento e calendário publicados. Inscrições abertas até 13 de Janeiro.

Emigrar, pois claro

Desde o início que este Governo afirmou que, entre outras coisas, queria reduzir a despesa pública, aumentar as exportações, melhorar a balança de pagamentos e diminuir o desemprego. Sendo assim, a melhor maneira de fazer tudo de uma assentada é promover a emigração.

Com gente a emigrar, temos menos povo a encher hospitais, a pedir subsídios ou a fazer despesa ao Estado. Poupa-se no Serviço Nacional de Saúde, poupa-se na Segurança Social, etc. É só poupar.

Depois, exporta-se aquilo que cada vez há mais: desempregados. Ao exportar, não só diminuímos o desemprego, como ainda se melhora a balança de pagamentos quer pelas próprias exportações quer pela remessa de poupanças dos emigrantes para Portugal. Até mesmo porque fica sempre cá alguém da família. Sim, porque há sempre gente teimosa.

Até se deveria reformular o lema da diáspora, para “Emigrar é preciso. Viver não é preciso”. Os tempos mudam, e os lemas também deviam mudar.

Pela primeira vez há uma verdadeira política de emigração. Aliás, política de incentivo à emigração. E numa altura em que tanta gente fala que há falta de estímulo e de incentivos.Com a emigração não faltam novos horizontes. São horizontes a perder de vista. Não falta mundo.

Antigamente, nos tempos idos de Salazar, que era muito bom gestor e sabia fazer contas, e de Caetano, que até gostava de conversar com as famílias portuguesas, nem um nem outro deu palavras de incentivo a emigrar. As pessoas tinham de ir por iniciativa própria, sem uma palavra de estímulo, nem nada. Ao menos, agora, há um Governo solidário. E as pessoas ainda reclamam. Com franqueza!

Valise à Néoprène…

Esta maleta de neoprene enviara-ma agora, Nabais.

Declaração de repúdio pelas declarações de Pedro Passos Coelho

O Grupo de Protesto de Professores contratados e desempregados acaba de lançar a seguinte declaração de repúdio sobre as declarações últimas de Pedro Passos Coelho:

Caro/a amigo/a

 

“Estamos com uma demografia decrescente, como todos sabem, e portanto nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma: ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado da língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa”.
Pedro Passos Coelho, 18.12.2011

 

O primeiro-ministro aconselhou os professores desempregados a emigrar. Somos cidadãs e cidadãos portugueses. Entre nós estão professores, alunos, encarregados de educação. E não só. Exigimos respeito.

Ao contrário do que afirma Passos Coelho, o despedimento de professores não é resultado da demografia. É uma opção política. A escola pública tem hoje um corpo docente aquém do necessário e turmas sobrelotadas. Os professores desempregados fazem falta ao sistema de ensino.

As declarações do primeiro-ministro demonstram que dias piores esperam a escola pública. Toda a demagogia vale para mascarar uma política irresponsável. Passos Coelho está disposto a desperdiçar todo o investimento feito, ao longo de anos, pela sociedade portuguesa na formação de professores.

Ridicularizando os tiques do poder autoritário, Bertold Brecht perguntou um dia: “Não seria mais fácil o governo dissolver o povo e eleger um outro?”. Hoje, a retórica da austeridade fala a sério: o governo quer expulsar os que considera a mais.

 

Os interessados em formalizar o repúdio daquilo que é repulsivo façam o favor de seguir esta ligação. Os que defendem o esvaziamento físico e intelectual do país não se incomodem.

Coelho, o agente de viagens, Relvas, o épico, e Amorim, o guia-intérprete

Vídeo encontrado aqui.

Passos Coelho aconselha os professores desempregados a emigrar. Miguel Relvas chama epicamente “missão universalista” à necessidade de emigrar decorrente da endémica incompetência governativa de cuja história também ele já faz parte. Carlos Abreu Amorim faz de conta que explica as palavras de Passos Coelho, limitando-se a dizer que foram mal percebidas, o que é do mais pedagógico que pode haver, para além de usar o velho truque – o que é sempre bom em políticos novos – de dizer que o importante é o conteúdo da cerimónia em que está a participar. [Read more…]

Vende-se a História

© automotora – o comboio a vapor da linha do Corgo (Régua-Vila Real) quando ainda tinha carris para percorrer os 25 km que uniam as duas cidades durienses. A linha foi encerrada “por razões de segurança” em 2009, aos 103 anos de vida. As obras de renovação da linha foram entretanto suspensas e todos os materiais foram já retirados.

Por MARIA DO CÉU MOTA

Acaba-se com feriados históricos e se se puder, também se vende o património histórico.
A CP tentou vender o comboio histórico estacionado na Régua. Foi a Federação Europeia das Associações de Caminhos-de-Ferro Turísticos que boicotou essa tentativa. O comboio, ainda operacional (!), é composto por uma locomotiva a vapor de 1923, uma composição de 1908 e outra construída no Porto em 1913, só para mencionar algumas das suas componentes. É, segundo o vice-presidente daquela Federação, ” um acervo único em Portugal e raro na Europa que deve ser preservado”.
Não se percebe que se queira fazer determinadas candidaturas à Unesco quando não se tem carinho por tudo o que diz respeito à nossa História.
É lamentável que seja uma entidade estrangeira a boicotar a tentativa de venda de património português!
Este caso fez-me lembrar o caso do nosso comboio real do final séc. XIX que transportou a rainha D. Maria II, D. Carlos e o rei D. Luis e que esteve em exposição na Holanda em Abril de 2010. Um êxito! Não pensem em vendê-lo!!
Deixo este alerta…

Hoje dá na net: O Sonho Americano

Um filme educativo e divertido sobre o império dos banqueiros internacionais. Escrito e dirigido por Tad Lumpkin e Harold Uhl. Veja o esta animação cinematográfica completa clicando aqui. Legendado em português.

Que merda de país é este?

A almofada da desculpa é o ‘memorando da troika’, negociado e firmado pelo governo de Sócrates e ainda ratificado – e zelosamente excedido – pelo duo PSD+CDS, detentores do poder que nos (des)governa.

Almofada, do ponto de vista etimológico, é uma palavra de origem árabe. Nós, portugueses, e fiéis às origens do ‘al-gharb’, conservámos o vocábulo. Usamos a definição linguística e naturalmente do objecto de repouso sobre o qual descansamos e dormimos. Com menor ou menor comodidade. Tudo depende do recheio. Suma-a-uma, espuma ou outros materiais sintéticos que nos amparam ou massacram o atlas, sim o atlas, ligado ao osso hioide – fonte de inspiração, quem sabe, do conhecido “Hirudoid’.

Todavia, passou a haver outro conceito aplicado a almofada; o conceito político-financeiro, ora usado por Seguro – há almofada – ora recusado por Passos e Coelho – não há almofada.

Mais do que a oposição reclama, o importante é que o governo diz:

Não há folgas, nem almofadas

para acomodar, deduzo eu e milhões de outros cidadãos, a anulação do corte, mesmo parcial, dos subsídios de Natal e de férias nos rendimentos de funcionários e reformados da função pública, bem como de pensionistas privados em 2012 e 2013.

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Sodadi bô Cize!

Quem era Cesária Évora? Quem vai ao Google ou ao wikipedia ganha logo uma colectânea de informações básicas sobre a  “Diva dos pés descalços” em textinhos com ar de retalho…mas fica definitivamente sem saber quem é Cesária Évora.

Para se saber quem é Cesária Évora teremos de ter ouvido pelo menos uma vez na vida a Morna Mar Azul e sentir aquele arrepio triste na espinha, para se saber quem é Cesária Évora tem-se de ter tido pelo menos uma vez na vida a vontade de abrir um mapa ou o Google e pesquisar duas palavras: “Cabo Verde”. Para se saber quem é Cesária Évora é obrigatório ter-se andado, pelo menos mentalmente, pelas ruas da cidade do Mindelo e sentir-se em casa. Para se conhecer Cesária Évora é fundamental entender a filosofia atrás da palavra simplicidade, a matemática da expressão ALMA, a secreta química cerebral que qualquer cabo-verdiano sente ao cantar/escutar a morna Sodade. Para se gostar de Cesária não é preciso nem se ser cabo-verdiano nem entender crioulo. Cesária resume a palavra tempo e estende até ao limite do infinito a dimensão irónica de dez pequenas ilhas no atlântico. Hoje muitos pedem que o seu nome seja dado ao aeroporto internacional da ilha de S. Vicente. Para mim isso seria o serviço mínimo, pois o nome: “Cabo Verde”, já há muito tempo foi traduzido para: “Cesária Évora”. Há quem nunca tenha vindo a Cabo Verde, mas já esteve na terra da Cesária Évora. O que farão as memórias por nós, o que significam os teus pés descalços? Se calhar que os nossos reinos são imaginários e somos todos meros reizinhos patéticos andando nus pela Disneylândia. Ou nada. Podem não significar absolutamente nada…se calhar apenas que sabias sentir a terra por debaixo dos teus pés.

Cada um sente a dor que mais lhe dói e este país a que eu pertenço, esta geração que não conhece Cabo Verde sem Cesária Évora, hoje sente a dor que mais lhe dói. Seu legado serve-nos ao menos para desmascarar uma mentira: os grandes nunca partem, só morre quem nada partilhou com o mundo.

O estradismo: uma crónica sobre as últimas três décadas de asfalto.

Na foto um dos efeitos do estradismo: a proliferação de lixo. Estrada municipal em Cinfães.
Nos últimos 30 anos (e mesmo durante a longa noite do Estado Novo) os senhores governantes do concelho de onde sou natural debitaram um extenso relambório eleitoralista cujo tópico principal era a estrada. Segundo eles, eram necessárias estradas. Estradas em todos os sentidos, a ligar todos os pontos: A a B, B a C, BB a CC, etc etc. Com a chegada dos fundos comunitários construiu-se, então, um número ilimitado de estradas, estradinhas e estradões para todo o lado, mesmo antes de existir uma rede de saneamento, da própria electricidade e de água potável para todos. Onde havia uma casa, podia o seu proprietário contar com uma estrada à porta, apesar de não ter esgotos nem água canalizada. Entre asfalto e paralelípedos de granito, o investimento em vias suplantou o da educação, da cultura e do apoio ao comércio e à indústria locais. A grande justificação era a de que as estradas trariam progresso, aproximavam pessoas, tornavam as distâncias longas em percurso reduzidos e, portanto, geravam progresso. Tempo é dinheiro e, como tal, as estradas iriam supostamente constituir autênticas caixas multibanco do interior. Ao mesmo tempo que as câmaras municipais e os seus feudos distribuíam empreitadas a construtores “da sua confiança”, o Estado central gizava auto estradas para transformar Portugal num reticulado de asfalto e cimento. Foi o “estradismo”. [Read more…]