Património Mundial à portuguesa

Património mundial

é orgulho, com certeza

falta pôr no pedestal

é uma treta à portuguesa *

* Adaptado de Sérgio Godinho

Mudar de vida

Não sei se vivemos acima das nossas possibilidades; não sei se, depois do que foi feito nas últimas décadas, era possível estarmos numa situação menos aflitiva; não sei se os políticos atuais têm feito tudo o que está ao seu alcance para defenderem os interesses dos portugueses…

Por muito que os números sejam dramáticos, por muito que os números sejam escondidos, por muito que nos custe, temos a maior dívida pública de que há memória; vivemos num país que há 37 anos que não consegue ter contas equilibradas; produzimos pouco nos últimos anos. Chegamos a um ponto em que ninguém nos empresta dinheiro. Aqueles que se disponibilizaram a emprestar, mesmo que estejam a defender os seus interesses, conseguiram impor as suas condições. Portugal, depois de ter chegado à situação atual, não tinha muita margem para negociação, precisava do dinheiro para pagar salários, pensões e demais despesas correntes. Podíamos ter optado por outro caminho? Podíamos, mas não sei quais seriam as consequências.

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Passos Coelho, o contabilista plutocrata

Santana Castilho

Para Passos Coelho, a Educação é uma inevitabilidade, que não uma necessidade. Ao mesmo tempo que a OCDE nos arruma na cauda dos países com maiores desigualdades sociais, lembrando-nos que só o investimento precoce nas pessoas promove o desenvolvimento das sociedades, Passos Coelho encarregou Crato de recuperar o horizonte de Salazar e de a reduzir a uma lógica melhorada do aprender a ler, escrever e contar. Sob a visão estreita de ambos, estamos hoje com a mais baixa taxa de esforço do país em 37 anos de democracia. É significativo o facto de, em seis páginas e meia de entrevista recentemente concedida a este jornal, Passos Coelho (e, diga-se também, a entrevistadora) terem remetido a Educação para a expressão das suas sensibilidades: o zero absoluto. [Read more…]

Mendigo, uma profissão com futuro

 

roubado no facebook

Para onde vais, Europa?

Por toda esta Europa governos de direita ascendem ao poder político. A receita é global e comum a todos os estados membros. Austeridade e mais austeridade. A saída para esta crise, dizem os apologistas do fatalismo capitalista e da submissão aos ditos “mercados”, passa por constranger ao máximo o consumo publico e privado, pelo aumento dos impostos e pelo corte dos salários e subsídios associados, assim como uma redução drástica e catastrófica do chamado estado social, ou seja, uma redução drástica e catastrófica dos direitos constitucionais dos cidadãos e contribuintes.

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Hoje dá na net: Framed

Framed – Mike Lambert, que procura um trabalho numa mina, transforma-se no bode expiatório das maquinações de uma mulher fatal. Filme de Richard Wallace, com Glenn Ford e Janis Carter. Página IMDB. Em inglês, sem legendas.

Os maus herdeiros de Sá Carneiro

Eles não se cansam de se auto-proclamarem herdeiros políticos de Sá Carneiro, sempre os melhores herdeiros, está bom de ver. Eles invocam o nome do fundador do PPD a pretexto de tudo e de nada, e sobretudo para justificarem o que não tem justificação.

Mas não fazem a mínima ideia do que dizem, quando apregoam tal herança, como se pode ver da redação de um diploma de Sá Carneiro; diz o artigo 17.º do Decreto-Lei n.º 496/80, de 20 de Outubro, aprovado em Conselho de Ministros de 30 de Julho de 1980:

“Os subsídios de Natal e de férias são inalienáveis e impenhoráveis.”

Carlos de Sá.

As saladas portuguesas no ‘buffet’ da crise mundial

A gastronomia portuguesa é histórica, saborosa, prestigiada e prolífera. Somos um povo multisecular, nascido e disseminado por terras e ‘mares nunca dantes navegados’. Somos, naturalmente, o povo da miscigenação universal – Património Material, Dinâmico e Multiplicador da Humanidade. 

Sim falo, por ora, dessa miscigenação, a mais comum, gozada a dois e procriadora. No entanto, acrescento ter sido banhada por fluídos leitos em roteiros culturais e hábitos de vida. Com destaque para a  criatividade culinária, onde se inscreve o caril de caranguejo à goesa, a cabo-verdiana cachupa, a muamba e misongué de Angola ou ainda o bolo de caju e batata e o caril de frango moçambicanos. A tudo isto e muito mais, juntam-se outras iguarias do solo pátrio: da caldeirada ao cozida à portuguesa, da sardinha assada às tripas à modo do Porto, do cabrito à padeiro às ferreiras algarvias na grelha, há um mundo interminável de sabores, de belos sabores.

Todavia, em época de doentes crónicos e de “tesos” à força, os nossos hábitos alimentares têm estado em permanente e gradual depressão. Subordinados ao ‘buffet’ da crise financeira mundial, o cardápio nacional reduz-se agora a meras saladas, como estas:

Com estas e outras indigestas hortaliças, estamos na expectativa de saber se terminamos em estado de prurido anal, coceira no ânus e obstipação crónica; ou de diarreia, ao menos resolúvel com terapêutica  eficaz, a fim de evitar a liquefação pútrida e letal de muitos portugueses. É que nem o hipoclorito de sódio ou outro anti-corrosivo têm capacidade de eliminar fungos, bactérias e outros germens acomodados em tais saladas.

Amanhã, “Das Partes do Sião”

Neste resvalar identitário da nossa nação, poucos portugueses saberão que existe uma “outra Inglaterra”, na Ásia. De facto, Portugal foi o primeiro país europeu a estabelecer um Tratado de Aliança com uma potência asiática há precisamente 500 anos. Nisto também fomos pioneiros e a nossa influência fez-se sentir de forma decisiva nos quatrocentos anos que se seguiram à primeira embaixada enviada ao Sião.

Comemoram-se os 500 anos do estabelecimento de relações diplomáticas e a Biblioteca Nacional de Lisboa, inaugura uma grande exposição evocativa. O Aventar não deixará de estar participar no acontecimento, testemunhando o nosso interesse por tudo aquilo que diz respeito a uma história tão única quanto rica. O Sião está presente n’Os Lusíadas, na Peregrinação, nas Décadas de Barros e nas Lendas de Gaspar Correia. Cobra parte relevante na preciosa documentação dos séculos que seguiram à missão enviada pelo grande Albuquerque e este património da nossa diplomacia, culmina nas visitas de S.M. o Rei Chulalongkorn (Rama V, em 1897) e de S.M. o Rei Bhumibol Aduliadej (Rama IX, em 1961) ao nosso país. Para os tailandeses, não somos “uns quaisquer”.

Esta exposição honra Portugal, exalta aquilo que ainda é uma Pátria. Desde já estão todos convidados para as cerimónias da inauguração, onde a já proverbial falta de um Presidente, será compensada pela comparência do sucessor daqueles que ajudaram a construir aquilo que ainda somos: S.A.R. o Duque de Bragança. Amanhã, pelas 18.00H de 7 de Dezembro, também se cumprirá Portugal.

O governo como agitador social

Todos os que não puderam fugir às várias contribuições, como é o caso dos funcionários públicos, estão, agora, a ser castigados, o que é justo, porque dos mansos será o reino dos céus.

Assim, depois de anos a contribuir para a construção de hospitais, escolas e estradas, depois de, por várias vezes, terem sido aumentados abaixo do valor da inflação, depois dos cortes salariais, depois de um corte no subsídio de Natal deste ano, depois de ficar dois anos (na menos pior das hipóteses) sem dois subsídios (ou seja, com mais um corte salarial), os mansos sabem hoje que todos os seus contributos foram desbaratados por corruptos e incompetentes e assistem ao triste espectáculo de um Primeiro-ministro que se limita a receber ordens de uma dupla chauvinista sem sequer tentar negociar a defesa das condições de vida dos portugueses.

Como se isso não bastasse, não há preço que não aumente, incluindo, por exemplo, o das taxas moderadoras, o que constitui, na realidade, uma sobrecarga contributiva para todos os mansos que andaram anos a descontar para um sistema de saúde que, por isso mesmo, nunca seria gratuito.

Para que o quadro fique completo, os mesmos mansos têm sido considerados uns privilegiados que têm vivido acima das suas possibilidades, responsabilizados pela dívida, confundidos com as gorduras que, afinal, ninguém corta, e têm sido aconselhados a ficarem calados, a não fazerem ondas, em nome de um desígnio que poderá ser financeiro, mas não é nacional.

É bom que se perceba, então, donde parte a agitação social. Falta saber aonde chegará.

Krokodil

As imagens são aterradoras e à primeira vista, parecem corresponder à dentada de um sáurio. Mas não, este “Krokodil” é de outro género e os seus despojos decerto não servirão para qualquer mala, carteira ou sapato de sofisticada marca.
Não passa de mais um exemplo deste admirável novo mundo, cheio de promessas e benesses para quem distribui certos produtos, garantindo a desgraça dos patéticos utentes.

*O site do link contém imagens chocantes e elucidativas.

Segurança Primeiro

Gosto de Portugal, gosto cada vez mais de portugueses: fazem em frente à esquadra da polícia tudo o que fariam noutro sítio qualquer. Ah, povo…!

Petição dirigida a Pedro Audi* Soares

Os Lares de Infância e Juventude têm vindo a ser dotados de equipas multidisciplinares desde 2007, estes tornaram-se um espaço de transição para estas crianças/jovens, onde foi trabalhado o projeto de vida de cada uma delas, de acordo com as especificidades que cada qual apresentava, com vista a uma possível reintegração familiar e/ou a sua autonomização de vida.

Portugal era em 2007 um dos países da União Europeia com uma taxa de Institucionalização de crianças e jovens muito superior à média europeia, com serviço pouco humanizado, centrado apenas na prestação dos cuidados considerados básicos até então: alimentação, vestuário e higiene. Tornava-se urgente uma mudança no paradigma Institucional!

Para dar resposta às orientações europeias previa-se que o Plano DOM levasse à desinstitucionalização de 25% de crianças e jovens até 2009 (aproximadamente). Esse objectivo foi atingido! A poupança e a viabilidade económica desta mudança paradigmática é um facto e deveria ser estimulada futuramente. O Plano DOM permitiu que se pudesse criar uma meta orçamental, a médio e longo prazo, muito mais vantajosa e económica. No entanto, pensamos que mais importante do que os números é a humanização da resposta, consideramos que esta é a principal resposta para os decisores políticos.  [Read more…]

Cromo do Dia: A dança das cadeiras

Gestores hospitalares (boys) nomeados pelo PS estão a ser substituídos por boys do PSD e CDS.

O memorando de entendimento assinado com a troika refere expressamente que os presidentes e membros das administrações hospitalares “deverão ser, por lei, pessoas de reconhecido mérito na saúde, gestão e administração hospitalar” – uma medida a aplicar já no quarto trimestre deste ano. A assessoria do Ministério da Saúde defende, porém, que a obrigatoriedade de concursos para novos dirigentes apenas se aplica “nos casos dos institutos públicos e das direcções-gerais”, ou seja, na administração directa do Estado. E alega que os hospitais EPE (entidades públicas empresariais) “não têm o mesmo estatuto” e a escolha fica nas mãos dos accionistas – que são os ministérios da Saúde e das Finanças.

Não prometeram ir mais além do que as medidas da troika? Estão a ir. Muda a música mas o baile é o mesmo.

jobs for the boys

A Alemanha e a sacanice soberana

Beneficiando da migração em massa do capital dos investidores para paragens mais seguras, os países mais ricos da zona euro têm poupado somas milionárias com a crise do euro. É o caso da Alemanha e da Holanda que têm usufruído de condições de financiamento muito mais favoráveis, face aos valores que os investidores exigiam em 2008 e 2009 para emprestarem dinheiro aos dois países.

De acordo com cálculos do Diário Económico, as 136 emissões de dívida da Alemanha realizadas entre 2010 e 2011 já permitiram ao Tesouro alemão poupar 1.587 milhões de euros nos últimos dois anos e assumir uma poupança de 11.451 milhões de euros até 2041, em resultado de uma correcção de quase 40% do custo médio de financiamento da Alemanha nos mercados desde 2009. Isto significa que a crise da dívida soberana já permitiu a Berlim acumular uma poupança média de 13.038 milhões de euros, o equivalente a 159 euros por cada alemão ou 0,52% do PIB do país.

Leitura recomendada depois de tomar uma pastilha contra o enjoo. Isto dá vómitos

PSD – História da Repressão (1989 – 2011)


Já estamos habituados. Em Portugal, a Direita Radical resolve os problemas sempre da mesma maneira quando está no poder: à bastonada. Foi assim durante o longo e estéril cavaquismo e continua, 20 anos depois, a ser assim. O actual primeiro-ministro não percebeu a lição.
Pedro Passos Coelho, já o disse aqui, está de cabeça perdida. A rua assusta-o de tal forma que a contestação ainda nem sequer começou a sério e, em apenas 5 meses, já adoptou a cartilha de Cavaco.
O que é grave: se num mini-ensaio do que vem aí a Polícia já começou a distribuir pancada a torto e a direito, imagine-se o que será quando todos começarem a sair para a rua. Quando isto estiver transformado numa nova Grécia.
O que fará então Pedro Passos Coelho?

Publicado originalmente no 5 Dias

Canções antigas

adão cruz

Na recordação das canções antigas veste-se meu coração das verdes folhas do desejo e entoa na fragrância dos campos a melodia dos olhos pendurados na profundidade do céu.

Na sombra da figueira diz-me adeus o sol em acenos de azul e violeta por entre os ramos e os sons de uma flauta de lábios doces que por ali poisou entre sonhos infinitos do lusco-fusco.

As primeiras chuvas do verão humedecem como lágrimas as palavras ditas e não ditas no silêncio dos caminhos perfumados de terra e folhas molhadas.

E nada se reconhece na lembrança muda das tardes que para sempre morreram mas os passos ecoam em silêncio por entre os pés das oliveiras onde outrora floriram mil risos de criança.

Que fez de mim este crepúsculo azul como flecha espetada no vento ferindo de morte toda a vida de meu sonho-menino?

Onde está a pedra que se fez montanha o regato que se fez rio a tripla chama infinita da vida luz e verdade que se apagou na alma nua quando sagradas selvas e misteriosas crenças de punhal à cinta quiseram que fosse santa?

Meu coração peregrino de seu perdido tesouro entre o sol e as desgarradas nuvens de infinitos céus ainda hoje se arrasta entre a razão e o abismo em pálido reflexo de ouro para ser criança na hora de partir.

Se há falta de políticos, a Standard & Poor’s faz política

A discussão sobre o papel das agências de notação na economia e dos interesses que representam já vai longa. A discussão sobre a influência política destas agências na “política, política” ainda mal começou.

A Standard & Poor’s ameaçou cortar os ratings de 15 países do euro, incluindo a Alemanha e a França. Curiosa é a forma como o aviso foi feito, em forma de comunicado político e com intenções deliberadamente políticas (e económicas, claro), de forma a condicionar a cimeira de líderes europeus:

O alerta – explicado em comunicados separados para cada um dos países – é justificado pela intensificação de situações de stress nas últimas semanas “na zona euro como um todo” e foi deliberadamente lançado antes da cimeira de líderes da zona euro e da União Europeia (UE) de quinta e sexta-feira, assume a agência.

Segundo uma nota com perguntas e respostas sobre esta decisão, a agência diz que a cimeira é “uma oportunidade para os responsáveis europeus quebrarem o padrão” que têm mantido: acordos sobre “medidas defensivas e tomadas aos poucos até agora”.

Também curioso é o facto de instituições e pessoas que preconizam soluções e caminhos diametralmente opostos ( ver declarações de Mário Soares ) convirjam em dois pontos: estes líderes não servem e as suas políticas também não.

Gestão hospitais: a dança dos ‘boys’

A história do Ministério da Saúde é das mais marcadas pelo emprego partidário. Escrita, de resto, com letra bem vincada pelos dois partidos do centrão, PS e PSD, com a participação do apêndice, CDS.

Na continuidade da tradição, a dupla PSD+CDS está a nomear ‘boys’ para os hospitais, afastando os ‘boys’ do círculo rosa. Trata-se de, uma vez mais, repetir a vergonha do favorecimento dos amigos em detrimento dos competentes. Neste caso, segundo o Público, desrespeitando o ‘memorando da troika’ que estabelece a realização de concursos. A luta desenfreada a nível das distritais partidárias é intensa.

Nesta, como em outras guerras, vale tudo. Há anos, numa secção da Margem Sul ‘laranja’, valeu ameaças de tiro entre militantes. Agora, o processo também não está a ser pacífico, havendo manifestações condenatórias.  O deputado do CDS, Helder Amaral, foi peremptório ao garantir:

[não estar] “disponível para pedir sacrifícios aos portugueses e depois patrocinar o amiguismo da pior espécie que julgava ser uma prática do passado”.

em reacção à nomeação de militantes laranja par o Hospital de Viseu.

No fundo, é assim: em determinados casos, aumento das taxas moderadoras, o cumprimento da ‘memorando da troika’ é dever sagrado. Na escolha de amigos para lugares bem remunerados por dinheiros públicos, Paulo Macedo repete o método da tão ignominiosa e tradicional ‘cunha à portuguesa’, descartando-se da troika e do memorando. Há seriedade nisto?

maldade minha…

O Aventar está em todas*

Para tristeza minha, não sou militante do PSD no Porto. Se fosse, o meu voto seria, sem qualquer sombra de dúvida, para o Ricardo.

 

O Porto precisa de se renovar, de olhar para o futuro. Para o fazer é fundamental mudar de protagonistas. Nos anos noventa, quando fui dirigente estudantil universitário disse, a uma jornalista do Público, que o Ricardo Almeida era, na minha geração, uma das pessoas em quem mais apostava em termos futuros. Na altura, o Ricardo, era Presidente da AE da Faculdade de Engenharia do Porto. Passado algum tempo, foi eleito Presidente da Federação Académica do Porto (FAP) e esta viveu dois dos seus melhores anos de sempre. Mais tarde, foi eleito deputado na AR. A seguir, avançou para a Porto Lazer e a ele muito se deve um dos maiores eventos que a cidade já viu: Red Bull Air Race. Recentemente, passou a liderar a Gaianima e o seu trabalho é já visível em tão poucos meses (redução substancial do passivo). Pelo caminho obteve duas licenciaturas, ambas em Engenharia (Engenharia de Minas e Engenharia do Ambiente), foi professor, gestor de empresas privadas e activo militante do PSD no distrito do Porto. Trabalhou com Rui Rio e trabalha com Filipe Menezes. Conhece todos os autarcas, boa parte dos militantes e, mais importante, respira “Porto” como poucos. É o homem certo, no momento e lugares certos.

 

Li no blog “Pau para toda a obra” que Filipe Menezes considera que a cidade do Porto precisa de uma liderança forte. Se precisa. Está na hora de o Porto ter à frente dos seus destinos alguém que ame verdadeiramente a cidade, que a governe com total dedicação e empenho e não, nunca, como um meio para atingir um fim a ela alheio: rumar a Lisboa. Recentemente, o Ricardo não teve dúvidas e preferiu ficar. Agora escolheu um novo desafio: liderar a concelhia do Porto do partido que actualmente dirige os destinos da cidade. Terá uma tarefa complicada: ajudar a escolher o sucessor do actual Presidente da Câmara Municipal do Porto. As pontes que sempre soube construir entre as duas margens do Douro serão fundamentais no seu trabalho. Estou certo que saberá levar a bom Porto esta Nau.

 

Dizem as más-línguas que ele é o candidato apoiado por Filipe Menezes contra Rui Rio. Da mesma forma que outros afirmam o contrário. Só quem não o conhece acredita nestas fábulas. A grande virtude do Ricardo, considerada enorme defeito para muitos, é saber ouvir e pensar pela sua cabeça. É por isso que se eu fosse militante do PSD no Porto não tinha dúvidas e votava em Ricardo Almeida e no projecto “O Porto sempre em primeiro”.

 

*O Ricardo já andou pelo Aventar.

Cautela! Crianças e operários estão a ser explorados

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 Estou ciente de me ter referido às formas em que crianças e adultos pobres são tratados em vários sítios do mundo, como se fossem os despojos do dia, ou a escória da vida social. Vida social a que aspiramos como o ninho da nossa vida. Vida social que estimamos seja solidária, amável e reciproca. Reciprocidade definida por Marcel Mauss

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Hoje dá na net: Caminho de Ferro de Benguela, a história de uma linha de comboio

É uma história de ingleses, portugueses e angolanos.

Uma história de impérios, de colonialismos, de independências, de guerras civis, de processos de paz. Um olhar sobre o passado, o presente e o futuro de uma linha de comboio em África, a linha do C.F.B. (Caminho de Ferro de Benguela), da baía do Lobito à República Democrática do Congo.

É uma história de cidades construídas e  destruídas, de gerações a olhar o “Kamakove” ou a sua ausência, de restos de viagens, de fumo e de vapor, de faúlhas, de vida e morte à beira linha.

Este documentário é composto por 11 partes. A primeira parte, tal como a última, são sequências fotográficas.

Das lágrimas de Itália ao exemplo da Irlanda

Merkel e Sarkozy, na reunião de Paris, apostaram em novo ‘tratado’ da UE, ainda que não inclua todos os países. Pode limitar-se aos 17 Estados-membros do Euro – ou a menos, acrescento eu. O objectivo central é colocar na ordem os países endividados, como nós e os gregos, através de políticas que se esgotam em programas de austeridade.

No actual jogo europeu de orçamentistas e monetaristas, falta que a Espanha de Rajoy explicite a obediência. A Itália já o fez ontem, de forma comovente e nas lágrimas incontidas da ministra Elsa Fornero:

‘Uma lágrima no rosto’, de Bobby Solo

Nós, portugueses, além da submissão à Sra. Merkel assegurada por Passos Coelho, segundo os inúmeros sábios e especialistas, nas TV’s e artigos de opinião, temos de tomar o exemplo da endividadíssima Irlanda como padrão; sim essa bem comportada Irlanda há 4 anos em austeridade e cujo governo acaba de publicitar um novo ‘pacote de austeridade’ para 2012, com 2,2 mil milhões de euros de corte nas despesas e 1,6 mil milhões de aumentos de impostos. [Read more…]

O novo cargo “MR” (Moço de Recados) substitui o antigo cargo “PM” (Primeiro-Ministro)

Por FRANCISCO GOMES

Senhor Passos Coelho:
1º. FALSAS PROMESSAS -Fazer uma campanha com determinadas promessas e governar de forma contraria, deveria constituir crime (fraude e burla) e os politicos julgados e condenados por isso, pois se estivesse escrito no seu programa que ia criar uma politica de destruição da qualidade de vida dos portugueses e levá-los à pobreza NUNCA ganharia as eleições (LEIA e RELEIA tudo o que disse na sua campanha !!!!)
2º. CEGUEIRA E SURDEZ E ARROGANCIA – porque tem a latade achar que está a fazer um grande trabalho e não deve ter espelho em casa para ver a vergonha de governação que está a fazer.
3º. COBARDIA  – quando não se assume a responsabilidade do que se esta a fazer e constantemente se atribui a culpa aos outros e ainda diz que nada tem a ver com isso, esquece que o seu partido com Cavaco, Durão, Santana e mais não sei quem e que tantos anos governaram têm grandes responsabilidades nesta desgraça que voces politicos fizeram e continuam a fazer e que muitos dos seus colegas e/ou amigos do seu partido estão milionários e impunes depois da gestão danosa dos dinheiros publicos e dos cargos publicos que desempenharam.  [Read more…]

Não contem a ninguém, a Eslovénia virou à esquerda

Esse senhor aí na fotografia ganhou as eleições na Eslovénia. Percebo tanto da política interna da Eslovénia como da vida partidária do Burkina Faso, mas ontem o Le Monde anunciava Zoran Jankovic como sendo um esquerdista, hoje já é do centro-esquerda, chegar ao poder é tramado. Para todos os efeitos arrumou com o PS local que estava no poder e com a direita que deveria ter feito o alterne.

Ora bem, falo disto não só por ser uma boa notícia mas aproveitando para lhe perguntar: você sabe que o Partido Comunista do Chipre está no poder desde 2008? e lhe garantir que esta notícia não vai circular por aí. É segredo. A Eslovénia é um país pequenino, tal como o Chipre ou a Islândia, mas não convem contar estas coisas antes que as pessoas descubram que a esquerda pode ganhar eleições, a democracia prosseguir, e as velhinhas não apanharem uma injecção atrás da orelha nem as criancinhas serem papadas ao pequeno-almoço. É como o Pai Natal: se revelarmos que não existe é uma desilusão do caraças, e sabe-se lá o que pode fazer um povo desiludido. Ainda deixam de votar sempre nos mesmos e o fim do mundo é logo a seguir.

E a mim, quem me defende?

defende

Para nuestros hermanos de Atocha e para nós, governados por uma Troika… 

Escrevo ao correr da pena. Da pena a tingir a folha branca de preto, da pena a tingir o meu coração de luto. Hoje não consigo acudir aos meus santos padroeiros habituais,

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A PSP faz a festa, lança os foguetes e recolhe as canas

(A prova de que os provocadores já tinham actuado em Outubro)

Dúvidas? Já não há.

Polícias secos contra polícias enxugados

“Os dois cidadãos que surgem identificados na primeira fotografia são elementos policiais pertencentes à estrutura de investigação criminal da PSP, os quais estão integrados no policiamento que foi desencadeado por ocasião das manifestações sociais de 24NOV11.A sua missão neste tipo de contexto será o de garantir que o exercício do direito de manifestação por parte dos cidadãos faz-se de forma livre, sem quaisquer perturbações de elementos estranhos às organizações que as promovem, impedindo o cometimento de ilícitos criminais, preservando a segurança de todos os intervenientes. A fotografia surge no contexto da necessidade de reposição da ordem pública por parte do Corpo de Intervenção da PSP, no qual os próprios elementos policiais acabam por ser alvos da intervenção dos seus colegas, situação esta que é frequente (ex: policiamentos de futebol).”

Direcção Nacional da PSP ao JN

Polícias muito mentirosas

O Ministério Público esclareceu esta segunda-feira que o cidadão alemão detido na [Read more…]

Sem Tustos para o Utilizador

O utilizador do país, vulgo cidadão, é visto, na maior parte dos casos, como um mero contribuinte, isto é, como alguém cuja função é contribuir, alguém que deve pagar o que deve, a que se juntou uma outra obrigação: pagar o que não deve. Resultado: o utilizador não tem um tusto de seu.

Se o utilizador do país fosse visto como um trabalhador, um Américo Amorim, por exemplo, talvez tivesse direito também a receber, não só a contribuir. Porque o trabalhador, tradicionalmente, é visto como alguém que merece ser respeitado, alguém que está protegido da exploração, dos abusos.

Neste momento, o mercado de retalho alimentar está em contracção. Quer isto dizer que mensagem governamental de que é necessário cortar nas gorduras está a ser levada a sério pelos contribuintes?

As contas relativas às chamadas SCUTs levantam, também, algumas questões. Em primeiro lugar, estamos perante uma sigla sádica, a não ser que, agora, signifique “Sem Custos para o Trabalhador”. Depois, é sempre bom confirmar que o Estado pode aumentar os contributos dos contribuintes, aliviando-os de subsídios e outros excessos, mas nem pensar em renegociar os benefícios que os contratos garantem às concessionárias. Finalmente, vai ser engraçado descobrir que, com a introdução das portagens, o dinheiro que o Estado vai gastar com as SCUTs será o mesmo que já gastava, porque o utilizador, que não tem dinheiro para comer, dificilmente poderá pagar portagens ou combustíveis, a não ser que, por dever patriótico, comece a empurrar os carros em direcção aos pórticos.

O Novo disco de Amy Winehouse…

…que acaba de ser lançado, não é um disco novo, é um disco póstumo.

Dito desta forma parece uma contradição e uma mera afirmação do óbvio, mas não é bem assim porque se Amy Winehouse fosse viva não seria este o disco que faria. Quer dizer: não seriam estas canções (enfim, algumas), este alinhamento, estas versões.

Em devido tempo deixei aqui uma homenagem a Amy Winehouse, esse espectro oscilante que riscou brevemente o céu da música pop e da soul. Ainda não ouvi o disco, mas adivinho que não seja tão consequente como os anteriores. Imagino que seja uma espécie de exercício de corte e costura, uma manta de retalhos feita com o material disponível, com aquilo que iria estar no que seria o seu próximo disco e com o que não teve honras de caber em nenhum dos anteriores nem caberia nos futuros.

Haverá louvores dos incondicionais e críticas dos detratores. Haverá quem acuse os detentores dos direitos de fazer negócio a qualquer custo, dirão que se baixou a fasquia, dirão que o melhor, provavelmente, era não se ter feito nada. Não concordo. Amy Winehouse estava a iniciar um novo disco e não deixou assim uma obra tão vasta que os seus seguidores pudessem dispensar as gravações restantes.

No fundo, no fundo, é a última aparição de uma leoazinha periclitante – “Amy Winehouse Lioness: Hidden Treasures” – que passou a vida a desbaratar tesouros e a desafiar a morte  mas que, nalguns momentos, venceu. E convenceu(-me).