Das finanças à saúde, somos presas do BPN

A saúde não é negócio; o negócio è a doença…

Joshua Ruah, médico

Esta afirmação, a despeito de proferida a título de humor há cerca de 10 anos, reflecte uma verdade inquestionável: há acentuado mercantilismo no sector da saúde, sob diferentes formatos. Em geral, o favorecimento de grupos de pressão é coadjuvado por políticos do arco do poder, com propósitos duvidosos.

Há exemplos de diversos tipos. Nos últimos dias, a detenção de Duarte Lima, do filho e as investigações judiciais de um outro ex-deputado do PSD, Vítor Raposo, constituem nova prova de como o sector da saúde atrai interesses financeiros poderosos, incluindo a especulação imobiliária e imoral exploração de gente desinformada e ingénua.

No citado caso, é curioso referir-se a um projecto de transferência do IPO de Lisboa para Oeiras, por acaso concelho presidido pelo indomável Isaltino Morais. Também é interessante saber que a operação de avultado financiamento bancário foi executada pelo BPN, sob o aval Oliveira e Costa, o comediante conhecido do cidadão comum pelo mediático inquérito parlamentar, mas, acerca de quem, o sistema de justiça ainda não sabe o suficiente para o levar a tribunal, na companhia de outros famosos suspeitos. [Read more…]

Conversa de café

adão cruz

Estava eu no café e na mesa ao lado dois amigos conversavam. Um deles tinha o Jornal de Notícias aberto de par em par e dizia para o amigo:

-Já viste isto, pá, quatro ou cinco páginas sobre os pupilos do Cavaco? Este já foi dentro. Qualquer dia vai ele.

-Eh pá, não mandes bocas foleiras, porque o homem nem sequer foi acusado. [Read more…]

Vai ser um verdadeiro 31!

O 31 da Armada fez 5 anos. Resolveu festejar a 25 de Novembro no Campo Pequeno com a apresentação de uma curta-metragem (segundo sei já inscrita num festival internacional de curtas) chamada “O Jacaré” – A Vida e a Obra de José Pacheco Pereira.

Não lembra ao Diabo. Lembra a Deus! Aliás, só podia lembrar a Deus e aos seus companheiros do fabuloso 31 da Armada produzir e realizar uma curta metragem sobre Pacheco Pereira e lançar a dita num cinema, mais precisamente, numa das salas de cinema do Campo Pequeno em Lisboa (19h30 da próxima sexta-feira).

Se fico admirado? Não. É genial como só RMD sabe ser. Como é normal no 31 da Armada.

Meus caros(as), se vivem em Lisboa ou perto, não percam este momento histórico da blogosfera portuguesa.

FELICIDADE

Estou tão feliz que não caibo em mim. Silvio Berlusconi lançou um disco novo e eu ainda não o ouvi.

O vinho e o Direito do Consumo

O vinho, de harmonia com o Regulamento (CE) n° 1493/1999, do Conselho, de 17 de Maio de 1999, define-se como o produto obtido exclusivamente por fermentação parcial ou total de uvas frescas, inteiras ou esmagadas ou de mostos.

Cautelas peculiares se impõem no que tange ao consumo do vinho e demais bebidas alcoólicas por jovens, em natural processo de formação…

Já o DL 9/2002, de Janeiro, previne no seu preâmbulo: 

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Organizem-se!

Embora resista ao vocabulário obsceno – pelo menos quando escrevo – confesso que a vontade de publicar dois ou três palavrões começa a tomar conta de mim. Antes de me explicar, e cedendo já ao impulso, deixem-me só lembrar uma anedota alarve que me fazia rir na adolescência igualmente alarve durante a qual era preciosa qualquer ocasião que nos permitisse proferir palavreado mais forte. Rezava, então, assim a dita anedota: numa orgia sexual, para apimentar a coisa, resolveram apagar as luzes. Ao fim de meia hora, um homem gritou: “Ó pá, organizem-se! Já me foram três vezes ao cu e ainda não comi nada!”

A troiana Cassandra recebeu de Apolo a faculdade de adivinhar o futuro. Por se ter recusado a favorecer sexualmente o mesmo deus, foi amaldiçoada: ninguém acreditaria nas duas profecias.

Os economistas instalados no poder ou próximos do poder ou os poderosos que falam sobre economia andam há três ou quatro anos a explicar o que deveremos fazer para que os mercados acalmem e deixem de nos atazanar a vida. De cada vez que tomam uma decisão, afirmam que agora é que é, agora é que os mercados vão acalmar, agora vai tudo correr bem, de certeza absoluta.

Foi assim com os PECs socráticos, assim foi com a austeridade crescente do passismo cada vez mais passadista, tal como aconteceu com a Grécia. Com a eleição de Rajoy em Espanha, os entusiastas da seita ergueram as mãos para os céus em agradecimento. Agora é que os mercados iam, finalmente, mesmo, de certeza, acalmar. Surpreendentemente, para quem queira ser surpreendido, parece que não.

Pelo menos, a heroína troiana não cedeu aos apelos lascivos chegados do divino. Os poderosos economistas ou os economistas poderosos da actualidade comungam com Cassandra os discursos sobre o futuro. Ao contrário de Cassandra, não acertam uma e, para cúmulo, não passam de umas putas que dormem com os mercados e com os bancos e com os empresários, enfim, com quem lhes paga.

Pela minha parte, que não pedi para participar neste bacanal, gostaria muito que se organizassem.

PIIGS já se escreve com o agá de Hungria

Chegou (ou regressou) a Hungria, que acaba de pedir “ajuda” ao FMI. Com um governo de direita, fora do euro, a Hungria terá sido vítima de quê? dos mercados, da especulação e da crise internacional que provocaram, não foi que isso não existe. Deve ter sido bruxedo. Só pode.

Entretanto procurem bem pela notícia que encontrei por mero acaso. Está escondida, para ninguém saber. É segredo, tal como o facto de os mercados estarem a votar em Espanha desde ontem e Rajoy antes de tomar posse a ir da rajada.

Anonymous Portugal explicado a jornalistas

Esta é a resposta dos Anonymous Portugal a uma peça da SIC.

Ai Weiwei, o artista no bafo do dragão

Mesmo na China, Ai Weiwei viveu dias de glória. Quando os artistas chineses explodiram nos mercados internacionais de arte, o regime exultou ainda que não apreciasse sinceramente os seus trabalhos. A China impunha-se – para lá do milagre económico, da industrialização galopante, da revolução tecnológica – também como brilhante produtor de cultura contemporânea.

O pico do reconhecimento por parte do regime aconteceu quando Ai Weiwei se associou aos arquitectos Jacques Herzog e Pierre de Meuron no projecto do Ninho de Pássaro, o estádio nacional de Pequim. Depois foi o descalabro – Weiwei critica os jogos olímpicos e, sobre a cerimónia de abertura e as pretensamente artísticas coreografias, declara: ” É horrível. Eu não gosto de quem abusa desavergonhadamente da sua profissão, de quem não faz julgamento moral”.

Seguiu-se a investigação ao número de estudantes vítimas do terremoto de Sichuan e da deficiente construção das escolas. Ai recenceou 5.385 nomes de estudantes mortos e publicou a lista no seu blogue, assim como outros elementos recolhidos na sua investigação. O blogue foi fechado pelas autoridades. Ai escreveu os nomes no muro do seu conhecido atelier de Design, FAKE. As autoridades chinesas não podiam aceitar as críticas de Weiwei à falta de democracia, o seu apoio à dissidência, as suas posições políticas pró-transparência. A seguir Ai tentou testemunhar a favor de um inspector que investigara as condições de construção nas escolas. Foi espancado pela polícia e teve que ser operado na Alemanha para estancar uma hemorragia cerebral resultante da agressão.

Em 2010 foi colocado em prisão domiciliária. Em Janeiro de 2011 o seu estúdio foi demolido, acusado de ser ilegal. Dezenas de obras foram destruídas. Em Abril foi preso de facto e o seu paradeiro desconhecido durante meses.

Depois disso foi acusado de fuga aos impostos e tem vivido um processo kafkiano que parece não ter fim, com números exorbitantes envolvidos e quantias astronómicas exigidas por cada recurso ou contestação.

Agora uma inocente fotografia de Ai Weiwei nu, acompanhado por quatro mulheres igualmente nuas [Read more…]

Pois pois

IRS 2011, aviso muito importante

Não se esqueça de preencher em pessoas a cargo:

Mercados financeiros e outros especuladores, BPN em particular e banqueiros em geral, Alberto João Jardim e respectivo séquito, ex-titulares de cargos públicos na reforma, ex-ministros trabalhando em parcerias público privadas, EDP,  empresários contemplados com contratos de prestação de serviços ao estado que o estado deveria assegurar pelos seus próprios meios, escritórios de advocacia contratados pelo governo, hospitais privados, colégios com contratos de associação, transportes privados subsidiados, governantes actuais quando passarem a ex-governantes e outros assaltantes não identificados.

(versão minha a partir de uma ideia que circula no facebook)

…e rasgaram as minhas vestes…

rasgai.jpg

…para a camaradagem do Aventar….pensemos…

1. A memória social.

A memória não é apenas de cada indivíduo. Essa é a lembrança que o ser humano tem, ou os pensamentos que acarinha, ou, como já disse John Locke em 1695, a consciência que é formada em cada um de nós com a experiência. O saber pelo qual agimos acaba por estar no meio de todos os seres humanos que partilham a experiência quotidiana da vida.

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Hoje dá na net: “À Rasca – Retrato de uma Geração” e “Praça sem Sol”

Dois podcasts sobre os dias conturbados que vivemos. O primeiro saiu de um local inesperado, a Prova Oral, da Antena 3. Aquece após o minuto 12. O segundo, «Praça Sem Sol»,  é uma reportagem da TSF sobre a acampada na madrilena  Puerta del Sol.

Para ouvir e reflectir, até quando se fazem outras coisas, que nisso a rádio é imbatível.

Censura? Onde???

O Primeiro-ministro colocou ontem uma mensagem no seu facebook. Temos um PM que utiliza as redes sociais. Muito bem.

Sou um defensor da utilização das redes sociais e faço duplamente, a título pessoal e de modo profissional. Entendo que os políticos não são diferentes dos restantes e, por isso mesmo, devem marcar presença na web 2.0

Só acho, sinceramente, que não devia permitir comentários com insultos. Qualquer um de nós, na sua página do facebook ou no seu blogue, não tolera determinado tipo de insultos e isso não é censura, é higiene.

O JJC – com quem estou zangado pois não apareceu para tomar um copo e com quem estou grato por me ter dado uma ajuda preciosa – postou aqui em baixo sobre a mensagem do PM. Abordou ao de leve a questão da censura. Não concordo. Não existiu censura. Existiu, isso sim, limpeza de insultos inacreditáveis. Comentar discordando, tudo bem. E isso não foi censurado.

Passos Coelho foi ao Facebook

Deixar uma mensagem aos governados via Facebook, com os comentários mais ou menos abertos (há quem se queixe de ter sido apagado, mas pelo menos hoje não há lápis azul mais rápido do que a própria sombra) em princípio é uma boa ideia em termos de comunicação. O texto é um choradinho chovendo no húmido, uma tentativa pobrezinha de mostrar o lado humano do governador, no fundo o que interessa é que enquanto o pessoal comenta ocupa a raiva e não anda a partir montras.

Financeiramente falando isto vai implicar uns assessores a trabalhar por turnos pelo menos nos próximos dias. É caro, mas enquanto estão ali sempre ficam entretidos e não se metem na dróga.

Os Controladores do Ar Fazem Greve Geral à Portuguesa

Tenho de começar por dizer que não faço greve, nunca fiz e de certeza que nunca farei.

Não concordo com greves e não acho que resolvam seja o que for, ainda para mais em Portugal e numa altura em que é preciso produzir e gerar riqueza.

A greve, direito inalienável dos trabalhadores, nunca resolveu nada em Portugal, desde que após a revolução, a implementaram.

Tinha prometido a mim mesmo e a alguns dos meus próximos, que sobre este assunto iria escrever nada, mas voltei atrás com o que disse, e isto porque a Ryanair, decidiu cancelar vários voos, entre os quais um de Paris para o Porto, no dia 23 p.f. pelas 22h, hora local, e chegada às 23h50, hora do Porto, com a desculpa da greve dos Controladoresd Aéreos Portugueses.

Mas a greve anunciada é só no dia 24 de Novembro, GREVE GERAL EM PORTUGAL, pensei eu, e o voo efectuar-se -ia no dia 23.
Não entendi e dirigi-me ao Aeroporto de Pedras Rubras, ao balcão da Ryanair.

Aí, a muito simpática, e diga-se em abono da verdade, quase bonita funcionária, informou-me que a Companhia de Aviação, não poderia fazer de outra forma já que, a  

Greve dos Controladores Aéreos Portugueses marcada para o dia 24 de Novembro,

o dia da Greve Geral em Portugal, jornada de luta dos trabalhadores contra este Governo que os oprime,

começa às 22h do dia 23.

E assim se luta pela saída da crise em Portugal.

Noruega dá 58 milhões de euros a Portugal

A Noruega, um dos países mais ricos do mundo e que ocupa o 1º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, vai atribuir 58 milhões de euros a Portugal (o Lichtenstein e a Islândia contribuem com 5% desta verba).

Não deixa de ser irónico que seja um país que faz tudo ao contrário das teorias neoliberais a dar esta esmolinha aos defensores da tanga “menos estado, melhor estado”.

Vejamos: Na Noruega 95% das escolas são públicas e os bons estudantes recebem bolsas para se matricularem nas melhores universidades mundiais. O petróleo (o grande recurso nacional) é propriedade do estado. O estado-providência não é posto em causa, é alimentado com os lucros do petróleo estatal (fundo de 400 mil milhões de euros) e apenas 4% dos lucros de cada ano podem ser usados para equilibrar o orçamento do Estado. A consulta popular é prática comum quando se debatem questões importantes. Os rendimentos de todos os cidadãos são públicos e estão disponíveis para consulta na net. A paridade entre sexos é rigorosa, tanto no sector público como no privado. O fosso entre ricos e pobres é dos menores do mundo e os noruegueses acreditam que as desigualdades corrompem as sociedades e os estados. A redistribuição é regra e é fomentada pelo ministério da Infância, Igualdade e Inclusão Social que movimenta mais dinheiro (cinco mil milhões de euros) do que os min. da Pesca, Agricultura e Cultura todos juntos.

É, portanto, giro ver estes estatistas couraçados oferecer dinheiro aos nossos neoliberais iluminados e emproados que governam povos cada vez mais empobrecidos. Talvez aprendam (duvido) que a regra do futuro é mais estado, melhor estado.

Cromo do Dia: Vítor Gaspar

Ainda não tinha aparecido na caderneta apesar de o merecer há muito tempo. Mais troikista do que a troika, “bom aluno” para além do exigido, seguidor incondicional da cartilha dos mestres que escolheu como seus, foi atempadamente avisado por vozes mais críticas e atentas de que a implementação destas medidas conduziria inevitavelmente o país à recessão e ao empobrecimento forçado das classes médias. Agora Vítor Gaspar vem anunciar que 2012 será pior do que o previsto. Previsto? Assim de repente lembro-me de tantas personalidades a fazer essa mesma previsão, desde o início, que não tenho espaço para as elencar aqui. Cromo verdadeiro, está visto.

ministro das finanças

Dívida pública: um casamento de inconveniência

Para mim, que percebo tanto de Economia como muitos economistas, ou seja, nada, é aceitável a ideia de que os cidadãos de um país tenham de pagar as dívidas contraídas por esse mesmo país, tal como, de certo modo, deverá acontecer entre cônjuges num casamento com comunhão de adquiridos.

Recorrendo, ainda, à imagem do matrimónio, o modo como a história da dívida pública está a ser-nos contada pelos governantes poderia corresponder a qualquer coisa como um marido, depois de gastar o dinheiro comum em jogos de azar e em jantares com amigos, acusar a mulher de ter arruinado o casal por causa de um vestido que comprou há dois meses. O marido, representando, aqui, o governo, criticaria, então, a mulher, usando a frase da moda: “Tens andado a viver acima das nossas possibilidades.” Já se sabe que a pobre esposa será obrigada a contribuir para o pagamento da dívida, mas, a não ser que seja destituída, não admitirá que lhe atirem à cara culpas que não tem.

Tal como a esposa vilipendiada, até posso admitir que sou obrigado a pagar as asneiras de outros. Agradecia, no entanto, que não me dissessem que a gestão continuamente danosa de instituições como hospitais, meios de comunicação ou Segurança Social, a destruição sistemática do tecido produtivo ao longo de vários anos, as parcerias de lucros privados e prejuízos públicos, a nacionalização de um banco à custa dos contribuintes ou o desperdício sempre infindável e actual dos delírios madeirenses se devem ao facto de eu ter vivido acima das minhas possibilidades.

É claro que qualquer esposa tem, sobre mim, a grande vantagem de poder recorrer ao divórcio ou de usar uma frigideira como arma de arremesso. Mesmo não tendo escolhido o valdevinos com que me obrigam a viver, não só tenho de pagar o dinheiro que ele me gasta como ainda tenho de o ouvir dizer que a culpa é minha. Para além disso, não tenho força suficiente para atirar frigideiras para São Bento ou para Paris.

Um país doente e ignorante

Depois de, durante mais de trinta anos, os recursos do país terem sido ora mal geridos ora subaproveitados, o governo assumiu-se como mera comissão liquidatária do Estado, chegando ao ponto de usar o argumento de que devolver hospitais às misericórdias constitui um acto de justiça para com as instituições que foram prejudicadas pelas nacionalizações resultantes do 25 de Abril. É claro que Passos Coelho só quer acabar com o Estado e entregar aos privados negócios chorudos, como é o caso da Saúde, contribuindo para criar um país em que só os ricos poderão ter direito a bens que qualquer homem civilizado considera essenciais. É claro que Passos Coelho está a contribuir para que regressemos ao dia 24 de Abril.

No entanto, para manter aqui alguma abertura, proponho o seguinte: se se chegar à conclusão de que faz algum sentido devolver algo aos privados que tenham sido prejudicados pelas nacionalizações, que tal recuar mais um bocadinho e indemnizar as famílias de todos aqueles que o salazarismo privou de educação, de saúde, de dignidade, de pão, entre outras privações?

No Público de ontem, é possível ler um trabalho magnífico da Graça Barbosa Ribeiro (disponível em papel) em que ficamos a conhecer quatro casos de professores entre os 30 e os 41 anos, vivendo entre o desemprego e a incerteza, quatro casos de recursos desperdiçados, quatro vidas obrigadas a passar por dificuldades graças à incompetência de quem governa. Rita Vilas trabalha a 300 km do filho de seis anos, Cláudio Vieira está em casa, desempregado, com a mulher e um filho recém-nascido, Sandra Teixeira diz que está a adiar a grande desilusão da sua vida e Ana Teresa Morão declara que se sente traída pelo Estado. [Read more…]

Sobre a estratégia comercial de uma marca de camisolas

bento bosingwa

Uma marca de camisolas tornou-se conhecida devido às imagens chocantes que usa na sua estratégia de comunicação. Poderia ter usado as que ilustram as miseráveis condições das ocidentais-deslocalizadas fábricas orientais mas preferiram o choque do conforto. Eram imagens preparadas mas retratavam alguma realidade, nem que fosse a do estúdio de fotografia. Agora deram um passo na direcção da irrealidade. Pouco importa, o objectivo de chamar a atenção continua a funcionar e diverte-me imenso que até a esquerda, tão ciosa dos males do capitalismo selvagem e tal, opte por ser parte dessa campanha quando o tema chega à religião.

A ingratidão da tristeza

homem triste

Para esse pai que soube guardar as suas tristezas, Alfredo Moreira, meu discípulo.  

1. Não procuro um inimaginável mundo novo, como Aldous Huxley pretendeu em 1932. Quero lembrar uma espécie de código para a criança. E reconhecer a existência da tristeza no mundo em que vivemos para o que basta ouvir as notícias que nos atingem e nos deixam…tristes. Tristeza que a infância não compreende.

A criança usa outra epistemologia para classificar o mundo. Não há os de cima e os de baixo, os da direita e da esquerda. A criança está a aprender. Os conceitos não são um peso para elas. A criança é um conjunto de sentimentos. Se compararmos a sua atitude com a do adulto, entendemos a diferença: o adulto raciocina, escolhe, opta, respeita as hierarquias ditadas pela lei ou pelo costume. Ordem cultural para ser obedecida se quer interagir e ser aceite na sua interacção social. Como Adam Smith formulou em 1759 na sua teoria dos sentimentos morais: para sermos aceites, é preciso sermos simpáticos. Foi nesta base que organizou em 1777 a sua teoria da riqueza das nações. Teoria formulada para proveito pessoal, individual. Teoria que ainda hoje nos governa, mais depurada, apurada e selectiva. Por pretender proveito, fama, boa reputação, poder, hierarquia. Sem estas mais-valias, a alegria desaparece. É substituída pela tristeza. [Read more…]

Hoje dá na net: Robin Williams – Inside the Actor’s Studio

Robin Williams – Inside the Actor’s Studio: brilhante performance de Robin Williams, que quase se deixa entrevistar por James Lipton, em duas horas de improviso. Página no IMDB. Em inglês, sem legendas.

Faltou ao PSOE a ajuda do grande comunicador

Sem uma ajuda em espanhol técnico, viu-se no que deu.  E Paris tão perto…

Já agora, uma nota sobre as eleições espanholas. Ao passar os olhos nos comentários da esquerda, noto que o tom incide com frequência na suposta má escolha que os espanhóis fizeram. Se é boa ou má, não sei, já que nem sou espanhol nem tenho acompanhado a política espanhola. Mas eles lá devem saber e, mesmo que não saibam, o povo ainda é soberano. Ou só o será quando o resultado é o desejado?

Alterne espanhol

Hoje houve alterne no estado vizinho, procedendo-se à rotineira troca de moscas (pese que a mosca que estava teve alguma decência na reabilitação da memória histórica).

Além de registar os bons resultados da esquerda basca, a despeito da repressão do estado central e do facto de por vontade dos neo-falangistas nem concorrerem, e das esquerdas em geral, hoje é um bom dia para anotar a euforia da direita neo-salazarista, entretida como anda na culpabilização dos governos que estavam por uma crise que é internacional (esquecem-se sempre da Grécia, da Irlanda e da Itália, mas a verdade é uma meia que eles lá calçam à sua maneira). Deixem-nos ficar felizes com a vitória de um partido de narcotraficantes, passa-lhes num instante. Com o último dos PIIGS à beira do abismo bem depressa teremos a vizinhança ainda pior do que está e a Goldman Sachs já deve ter um substituto na forja.

Mundo de Aventuras

O Conto deste Natal

E agora boas-festas, Feliz Natal, e um Ano Novo cheio de necessidades…

Vorisbian


O João José Cardoso, meu irmão de armas e de copos, tem um espaço novo no wordpress. Por agora é apenas um quartinho e chama-se Vorisbian, nome do surrealista e anarquista francês que viveu, brevemente, entre 1920 e 1959.
Ninguém espere que o João José Cardoso vá para o seu novo espaço escrever o que escreve no Aventar. O seu contrato nem sequer o permite. Ou muito me engano ou vamos ter por ali um espaço bem alternativo para todos aqueles que estão completamente fartos disto. E isto, todos sabemos o que é.
Que sejas feliz por lá, irmão.

Cinco argumentos ridículos: do atentado à anedota

Plano Nacional de Barragens: um desastre que nos há-de custar 16 mil milhões de euros.

Finalmente, ao fim de quatro anos de esforços de organizações ambientalistas e populações locais, começou a haver algum debate público sobre o programa nacional de barragens (PNBEPH).Em prol da verdade, vale a pena desmontar alguns argumentos que a propaganda oficial e articulistas mal informados têm vindo a atirar para a arena mediática.

Argumento ridículo 1 – “O investimento é privado.” O investimento inicial nas nove grandes barragens apro­vadas pelo Governo ascende a 3600 M€, o que, somado aos custos financeiros e ao lucro das empresas de elec­tricidade, gerará um encargo global estimado em 16.000 M€ ao longo de 75 anos – que obviamente será pago na totalidade pelos cidadãos-consumidores-contribuintes. Parte deste custo será reflectido na factura da electricida­de, e parte nos impostos, para suportar o défice tarifário e a “garantia de potência” estabelecida na Portaria n.° 765/2010. O que importa é que, entre tarifa e impostos, as novas barragens implicarão um aumento superior a 10% no custo da electricidade. [Read more…]

Surrasqueira Silva

Um dia vou ter uma surrasqueira para fazer uns surrascos à moda do Minho mas tem que ser inaugurada por alguém Excelente. Seria uma honra.