Há poucos jornais excelentes em Portugal

A arte de criar títulos jornalísticos não é fácil, já se sabe: obriga a manter o equilíbrio entre o rigor e a criatividade, entre a honestidade e a sedução, ingredientes que, ao mesmo tempo, possam informar e atrair o leitor.

No i de hoje, sem acesso à edição online até ao momento, a primeira página tem um título apelativo: “Avaliação. Há poucos professores excelentes nas escolas”. Depois de seis anos de reclamação e vociferação, não deixaria de ser escandaloso que, afinal, se descobrisse que a excelência docente era diminuta. Mesmo sem estar terminado o processo da chamada avaliação de professores, o i parece já possuir todos os dados que lhe permitem fazer uma afirmação destas na primeira página.

O Paulo Guinote já comentou. Mesmo correndo o risco de o repetir, convém relembrar que a imposição de quotas obriga a que o número de professores considerados excelentes seja sempre diminuto. Por outro lado, com um método de avaliação mal concebido, ser considerado excelente pode ser diferente de ser excelente. Para além disso, muitos professores excelentes recusaram-se a participar numa avaliação que não o é. Conclui-se daqui que continuaremos sem saber se há muitos ou poucos professores excelentes, a não ser nos títulos dos jornais sensacionalistas produzidos por quem não quer pensar e lidos por quem fica, afinal, impedido de pensar.

A Educação continua a ser um tema maltratado e mal tratado, com muitos ignorantes atrevidos que opinam sobretudo sobre o que não sabem, alguns deles erigidos em directores de jornais. Entretanto, todos os que trabalham nas escolas continuam a mitigar, com dificuldades cada vez maiores, os efeitos nefastos que as asneiras governativas e a ignorância jornalística têm sobre o sistema educativo.

O PSD/Lisboa está com problemas

A página do PSD/Lisboa tomou o soro da verdade:

Está na hora de deixarem de explorar o povo!

“GOVERNO DE PEDRO PASSOS COELHO E DO PSD GASTA 100 MILHÔES DE EUROS EM “ESTUDOS E PARECERES”: O orçamento de Estado que prevê o corte de subsídios de natal e férias para muitos portugueses é o mesmo que contempla mais três milhões de euros para estudos e pareceres. Em 2012, Passos Coelho prevê gastar mais de 100 milhões de euros nesta rubrica. São quase mais 4 milhões de euros que José Socrates reservou em 2011. O Ministério da Economia e Emprego leva a fatia maior, cerca de 23 milhões e 500 mil euros. Segue-se o Ministério da Agricultura e o das Finanças. Fonte do Governo disse à SIC que grande parte da verba prevista para estudos e pareceres * destina-se a consultoras internacionais por causa dos processos de privatização.”

Ou o LulzSec Portugal terá passado por ali, e por mais alguns lados: jsd.pt,pgdlisboa.pt/parquetematicodamadeira.pt/, a página do freeport já recuperou).

 

Como um grego ensina a um alemão a História das dívidas

Cartaz americano de apoio à Grécia durante a II Guerra Mundial

Um cidadão alemão escreveu uma carta aberta aos gregos, publicada na revista Stern. Um grego, Georgios P. Psomas respondeu-lhe pondo os pontos em todos os iis.

Ambas foram traduzidas pelo Sérgio Ribeiro e encontrei uma versão em inglês. Esta troca de correspondência  já data de 2010. Georgios conta-nos aquilo que toda a imprensa europeia cala. Merece ser lida, sobretudo por todos aqueles que têm tratado os gregos como culpados de tudo, incluindo o pecado original. e vou aqui transcrever os dois textos. [Read more…]

O deputado que aprendeu em casa

Michael Lothar Mendes Seufert é deputado do CDS e representa-o em coisas da Educação. Frequentou um mestrado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores – Ramo Telecomunicações – Redes de Dados, e acha que o ensino de Tecnologias de Informação e Comunicação no 9º ano não lhe fez falta nenhuma. É o maravilhoso mundo da auto-formação.

Ainda não percebi porque o Arlindo lhe chama chófer de táxi, mas vamos ouvir falar muito deste deputado na presente legislatura, diz-me o meu dedo que adivinha.

O Plano Nacional de Barragens Vai-Nos Custar 16,000,000,000.00 euros*

* dezasseis mil milhões de euros, com lucros garantidos à EDP, uma empresa a caminho de 100% de capital privada que, com a conivência da Entidade Reguladora do Sector Energético, se dá ao luxo de pagar 3 milhões de euros de bonus a António Mexia (2009).

O Plano Nacional de Barragens hipoteca seriamente a continuidade do Douro como Património da Humanidade; entretanto, a senhora ministra do Ambiente faz o que lhe compete: está calada porque, dizia, a barragem já tem um paredão imenso.

Isto de sermos governados por ignorantes é uma merda.

O presente, essa grande mentira social. III- A mais-valia

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Capítulo Terceiro

AMais-Valia

Para se manter dentro da História, todo ser humano precisa de consumir bens, sejam estes de agasalho, de abrigo, ou de alimentação. Para poder consumir, é necessário produzir esses bens de diversa qualidade e em diversas quantidades. Todo o ser humano sabe, especialmente os economistas ou os cientistas sociais.

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Convivência coerente

Nem sequer uma Dimitra?!

Além das filosofias e arquitecturas provenientes de um espaço geográfico que é o mesmo, mas temporalmente bem diverso, a Grécia dos últimos anos sempre nos divertia com algo de picaresco. Desde os conhecidos delírios de heroísmos de grandeza imperial, até às perdularices propiciadas por dinheiros alheios, tudo era possível. Até tivemos o priviléggio de seguir o tórrido caso hard-core do”vigareiro” Andreas Papandreu II – Dimitra Liani que encheu páginas e páginas de jornais e revistas. A antiga açafata de bordo adorava especificar em entrevistas, as proezas sexuais do valetudinário esposo, então um “simples primeiro-ministro”. Os gregos mais pândegos, até diziam que a capitosa e roliça ex-hospedeira da Olympic Airlines, ainda não tinha “feito” o piloto-automático… Uma pioneira nos direitos iguais de gender, há que reconhecê-lo.

Papandreu e Caramanlis são os familiares nomes da republicana Grécia. Agora junta-se outro apelido histórico, desta vez Venizelos. Apenas se espera que continue a sua saga de demagogias, “engenhocas financistas”, prestimosa cobertura de assuntos de corrupção e populismos de sarjeta. A ver vamos se não se mete em novas Megali Idea. Era só o que mais faltava.

O PS e o orçamento: vai formoso e Seguro

“Abstenção do PS vai ser violenta mas construtiva”, garante Seguro

Ser responsável, de acordo com o discurso político dominante, é prosseguir o caminho do empobrecimento ou da retirada de direitos aos trabalhadores, é impor a quem não se pode defender uma austeridade considerada corajosa, é, ainda, não ter vergonha de afirmar uma coisa e fazer outra. Passos Coelho, já se sabe, andou dois anos a prometer o contrário do que está a fazer. Seguro assegura que o PS mantém a coerência, fazendo de conta que é contra o orçamento, mas decidindo, na realidade, ser responsável.

Seguro consegue, a propósito do orçamento, inventar uma abstenção violenta e construtiva, filha dessa indecisão de um partido que tem os genes de esquerda escondidos no fundo de uma gaveta. Agora, como é um partido responsável, já não pode usá-los.

O problema dos políticos: deram-lhes colo, quiseram mais mama

Nos anos 70 fazia-se política por causas e com paixão. Podem os mais novos duvidar mas era assim, à esquerda e à direita.

Depois veio a década de 80 e cada um (embora nem todos) se fez à vidinha, tratando de pensar em si e desistindo de lutar também pelos outros. Nessa altura os partidos do poder viram-se perante um problema: era preciso um estímulo financeiro para segurar os bons quadros, as tais elites que fugiam para as empresas. Ou lhes pagamos, ou ficamos com os medíocres, afirmavam.

E assim nasceram as mordomias, o aumento dos vencimentos pelo exercício de cargos públicos, e a cereja: subsídios vitalícios e de reintegração. Fazes uns mandatos e ficas com uma base para toda a vida, pá.

Santa ingenuidade, rapidamente se percebeu que os tais estímulos eram inúteis quando ex-ministro se tornou na mais rentável profissão do mundo. Não se seguraram as míticas elites, antes a força magnética do tacho atraiu o que de pior pode haver: gente medíocre, oportunistas em grau superlativo, canalhas puros e duros, alguns hoje caídos em desgraça, o que nem sequer corresponde a  terem sido os piores. [Read more…]

Ângelo Correia e os direitos adquiridos

Ângelo Correia e os direitos adquiridos

clique no link para dar um passo atrás…

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O presente, essa grande mentira social. II – Reciprocidade Comercial

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Capítulo Segundo

Reciprocidade Comercial

 1. Nascimento da ideia de Reciprocidade.

O título até parece mercantilista. Mas não é por causa da teoria mercantilista que está colocado. A teoria mercantilista faz de tudo o que existe um comércio, de todo o bem que é fabricado, uma mercadoria a ser convertida em dinheiro, em investimento, em lucro para o proprietário dos meios [Read more…]

Futebol Com Piada

O Midões ganhou por 4-1 ao Leocadenses em mais uma jornada do Campeonato Popular de  Futebol Feminino de Barcelos; estava muito frio e passou o comboio pouco depois.

O pior surdo é o que não quer ouvir a História

A História não permite, obviamente, adivinhar o futuro, mas, à custa de tantas repetições escusadas, já se percebeu que o Homem é um mau aluno da disciplina que Cícero considerou a mestra da vida.

O estudo referido pelo Diário de Notícias deve, portanto, ser lido, no mínimo, como um aviso, como mais um instrumento para compreender os dias em que vivemos. Os mesmos autores do estudo, escreveram acerca dos motins ocorridos este ano em Londres, analisados pela direita com um conveniente simplismo.

Entretanto, todos os dias se confirma que os governantes europeus e mundiais não são mais do que títeres dos muitos interesses privados que mandam na política, tudo assente em máquinas publicitárias poderosíssimas que tentam convencer o povo iliterato de que os direitos dos trabalhadores são privilégios intoleráveis e que foi graças a esses ditos privilégios – e não à corrupção institucional – que há dificuldades financeiras. O sempre disponível e hilariante Ramiro Marques chega, neste texto, a contar – eventualmente mal – uma história de excesso de fotocópias numa escola, deixando escapar a ideia de que foram atitudes destas que levaram o país à bancarrota, esquecendo os gastos que, ao longo de vários anos, os professores têm tido, para que possam exercer a sua actividade.

O entremez em que o PS aceita participar, abstendo-se de votar contra o orçamento, tem em Miguel Relvas um compère à altura, anunciando a possibilidade de, afinal, cortar apenas um dos subsídios dos funcionários públicos. Como é evidente, trata-se da velha estratégia de anunciar o péssimo para que o mau pareça bom. Vindo de quem vem não me espanta e não me espantará que muitos continuem a deixar-se enganar, agradecendo a Passos Coelho o favor de cometer apenas uma inconstitucionalidade em vez de duas.

Kuing Yamang, o “professor” chinês que enganou Maximiano Martins

Este vídeo é uma peta, um célebre hoax produzido para enganar (com sucesso) os blogues de política franceses. Um clássico referido por exemplo pelo Marco no Bitaites (ler O Venerável Professor Chinês é um Bolo).

Veio-me agora parar ao mail uma tradução portuguesa do texto, tolice pegada que não resisto a copiar. Lá fui googlar o nome do bolo para avisar quem me tinha reencaminhado a peta e, surpresa, vou dar com uma transcrição integral num artigo de opinião no madeirense Diário de Notícias. Adivinhem quem foi o otário? Maximiano Martins, candidato do PS-Madeira à presidência do Governo Regional. Com adversários assim Alberto João nem precisa de aliados.

E agora leiam as sábias palavras de Kuing Yamang… [Read more…]

A Grécia e a indústria militar

Já não tenho pachorra para o discurso politicamente correcto sobre a Grécia vivendo acima das suas possibilidades. Fica bem inventar arbustos onde até há jardins, mais as pensões a filhas solteiras como motor do endividamento externo, e hoje um ensaio sobre falsas cegueiras. A direita aproveita a Grécia para vergastar o estado social como se os atenienses vivessem em Estocolmo. Ora, para lá da corrupção típica de sucessivos governos de alterne,  talvez seja mais sensato olhar para a Grécia de hoje pensando na velha Esparta:

O segundo maior gastador em belicismos (% de PIB) da Nato continua a fazer comprinhas: os alemães estão muito chateados porque os franceses continuam a vender fragatas à Grécia (tipo empresto agora depois pagas), não porque isso seja absurdo neste momento mas porque não são eles a vendê-las. E talvez por aí pare o regabofe (não são só fragatas: os submarinos de Paulo Portas ao pé das encomendas gregas são uma brincadeira de meninos), até porque os maluquinhos insistem em comprar francês e americano, esquecendo-se de contribuir para a indústria militar alemã.

Claro que isto agora não interessa nada ao pé de umas vigarices na segurança social, e ainda sou acusado de propaganda anti-alemã se insisto muito em detalhes desta natureza.

Estas e outras fizeram de Arquiloco o meu poeta heleno favorito, muito por ter perdido um escudo em combate e cantado, antes o escudo que a vida.

Fonte do gráfico.

Ironia do Metro de Lisboa

Goze a viagem? Estão a gozar com quem?

Reparei nesta decoração numa carruagem do Metro de Lisboa, paga pelo Ministério das Obras Públicas Transportes e Comunicações. Não deixa de ser irónico se tivermos em conta os rumores que andam a circular.

A minha tv não tem comentadores assim

Pelo menos nos canais abertos. Deve ser avaria. Tenho o Medina Carreira, e aqueles rapazes todos garantindo que vivemos acima das nossas possibilidades, Não concordo com tudo  o que Gerald Celente diz, mas pelo menos não repete o discurso ideológico dos nossos comentadores habituais disfarçados de especialistas em economia, esse novo eufemismo para vendedor de banha da cobra, a que estica mas não dobra, e na austeridade curará todos os males do mundo. Amen.

L’État c’est moi

Como é que se separa o Estado das pessoas que personificam o Estado? Eu posso conceber um Estado hipotético onde todos contribuem conforme as suas possibilidades e onde a riqueza é proporcionalmente distribuída. Mas depois há os que,  pelas suas razões, preferem trabalhar menos e os que são mais ambiciosos. Há os que se contentam com pouco e aqueles para quem o céu não tem limite. As pessoas são diferentes e têm diferentes objectivos, pelo que as perspectivas igualitárias logo me arrepiam.

Mas voltando à minha questão inicial e indo ao detalhe, como é que se distingue o ministro das obras públicas das obras que são públicas? Por exemplo, o ministro decide fazer uma autoestrada; é o Estado que decide fazer uma autoestrada? O Estado não existe mas as pessoas que o personificam são concretas. Os governantes tomam decisões em função dos poderes que detêm. E um governante com mais poder é aquele que têm capacidade para decidir os rumos do dinheiro, ou da economia, como eufemisticamente se diz.

É nesta dicotomia que o diabo se esconde. [Read more…]

A nova ponte sobre o Tejo

nova ponte sobre o tejo

O presente, essa grande mentira social. I – Reciprocidade

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4. Reciprocidade?

Apenas um esquema de iniciação. Porque sobre reciprocidade tenho escrito bastante, em vários textos publicados[1]. No entanto, o conceito deve ser esclarecido, para além da excelente tentativa de Alvin Gouldner[2]no seu texto clássico, citado neste livro e que tem orientado a minha análise. Mas, antes de entrar pelos comentários de Gouldner, é preciso lembrar outras distinções e definições, normalmente pouco referidas em textos. [Read more…]

O serviço público de serviço público e os seus defensores

Os ilusionistas do costume continuam a acreditar que o Estado deve continuar a projetar e a planear tudo. Deve ser ele o grande pensador, deve ser ele que decide quais são as áreas onde se deve investir, deve ser ele a dizer o que é que se deve e não deve comer, deve ser o Estado a proporcionar aos cidadãos todos os serviços necessários, mesmo que a gestão pública seja má e que exista uma propensão enorme para a corrupção.

A propósito do serviço público de televisão e rádio, desta vez, os defensores daquele serviço conseguiram, por uma vez na vida, estar ao lado dos empresários e donos dos canais de televisão privados. Incoerência chocante. O Senhor Pinto Balsemão, como é evidente e normal, pretende defender os seus interesses (lucro fácil). Será que os defensores do serviço público de televisão ainda não verificaram que há canais privados, em sinal fechado, que prestam muito melhor serviço público do que a RTP? Um deles até faz parte do grupo do Pinto Balsemão (SIC N). Em vez de limitar a iniciativa privada, o Estado devia abrir a televisão à concorrência. Como se sabe, de acordo com a informação veiculada na comunicação social, há interessados na constituição de mais canais em sinal aberto. O Estado, como grande planeador que é, nunca o permitiu.

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A nossa querida Grande Berta

Bastou o canhão alemão troar umas tantas bordadas e logo o hoplita grego bateu em retirada. A nossa Grande Bertha tem destas coisas, quando prevê uma ameaça de concentração de adversários na frente de combate europeia, logo procede à descarga, pressurosamente assistida pelos serventes-municiadores franceses.

Ponte Maria Pia: Uma Ponte de Eiffel … e de Seyrig

“Aquando das comemorações do 75º aniversário da Ponte Maria Pia, em 1952, foi publicado um conjunto de artigos, sob o título “Os homens da Ponte Maria Pia”, associando três nomes à realização daquele notável empreendimento: Manuel Afonso Espregueira, que na sua qualidade de Director Geral da Companhia Real dos Caminhos de Ferro resolveu definitivamente o problema do atravessamento do rio Douro pela linha férrea do Norte;”

No 134º aniversário da Ponte Maria Pia, importa conhecer este documento da autoria de José Manuel Lopes Cordeiro (in 2009).

 

 

União europeia e mundial contra a Democracia

Existe, e cada vez mais despudorada, uma união europeia e mundial contra a Democracia. No máximo, a Democracia é tolerada desde que não vá contra a vontade dos poderosos. O mesmo se diga acerca das ditaduras.

A União Europeia, projecto generoso, já deu mostras da sua dificuldade em conviver com a Democracia, quando conseguiu obrigar a Irlanda a votar as vezes que fossem necessárias até aprovar o Tratado de Lisboa. Depois do primeiro referendo, a tríade Merkel-Sarko-Barroso, afirmando que respeitava a vontade popular, garantiu que o tratado havia de ser aprovado. Depreende-se que seria aprovado nem que fosse preciso fazer trinta referendos.

Papandreou, mais um socialista de fachada, portou-se caninamente ao aceitar uma austeridade que se sabia – e sabe – nociva, ao usar um referendo como fuga e ao fugir ao referendo, depois de o mandarem sentar e estender a patinha.

E o povo, pá? O povo tem ser canino, também.

Jobs For The Bois

Este recebi da Finlândia, um país que não é do Sul da Europa mas tem 17 alunos por turma, tal como Portugal e o seu modelo educativo de legos.

Europarque, mais uma corrida, mais um buraco

Obrigado Eduardo Catroga, obrigado Cavaco Silva, nada como o aval do estado para os patrões portugueses demonstrarem a sua incompetência e apetência pelos dinheiros públicos.

Expliquem lá porque carga d’água tinha o estado de ser fiador do Europarque? Caso a coisa desse para o torto, não tem quem investe de arcar com o prejuízo? e se desse para o direito, iam partilhar os lucros?

Siga, quem paga são os do costume.

Aspirando por um Estado sem gorduras

bruxa do aspirador

Metam a unidade nacional no pacote

Depois de o primeiro-ministro grego ter sido proibido pelo casal Mercozy de referendar seja o que for, o que está a dar na Europa, dizem, é a unidade nacional.

Em nome da unidade nacional o PS não vai votar contra o Orçamento Geral para acabar com o Estado. Abstém-se, e com candura ainda negoceia um IVA ou dois. É um partido responsável, diz o Seguro, e bem vistas as coisas o orçamento é da troika e de quem negociou com a troika, não tivesse caído Sócrates e estaria a apresentar o mesmíssimo orçamento, chamando-lhe talvez PEC 7 ou 8.

A unidade nacional existe.  Armando Vara e Duarte Lima, fizeram carreira á sombra dela, Medina Carreira e João Duque mentem diariamente em nome dela, e os nossos ricos metem a massa nos offshores em solidariedade para com ela.

A unidade nacional ao que parece vai produzir um novo governo grego onde os corruptos dos partidos do alterne estarão representados sob a provável presidência de um banqueiro, quem melhor do que um banqueiro para dar credibilidade a um governo que tem de pagar o armamento tão generosamente vendido por alemães e franceses a troco de empréstimos ruinosos?

Um dia também por cá teremos um governo de unidade nacional. Esquecendo o detalhe de nem todos termos andado no mesmo gamanço, unirá aqueles que à sombra do estado enriqueceram mas se queixam do estado que ainda mantém propósitos tão irrealistas como o de assegurar saúde e educação para todos. Para primeiro-ministro espero que também se encontre um banqueiro à altura da responsabilidade: Oliveira Costa, pois claro, um garante de que se pode meter a unidade nacional no pacote geral de austeridade, que é como quem diz, trabalharás mais, ganharás muito menos, e não digas que vais daqui. Pela parte que me toca podem metê-la já no pacote, sim, nesse mesmo, no outro.

O presente, essa grande mentira social – Livro Completo

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O Avarento, Molière, 1668, lucra com juros de moeda que empresta e não pagando as suas contas, transferindo a dívida aos mais pobres

Pequena nota introdutória: Escrevi este livro em 2004. Foi publicado em 2008, pela Editora Afrontamento. Na Europa estamos todos indignados, temos sido atropelados pelos financistas, mal guardados pelo governo, este e os anteriores, a nossa soberania é quase inexistente, mas tudo tem uma explicação [Read more…]