Ódios?!

sondagem da Intercampus para PÚBLICO e TVIO spin master da actualidade pretende lançar na arena mediática a ideia de que quem se opõe à sua visão de governação o faz por ódio. Por ódio?! Será que correr para fazer empréstimos a juros exorbitantes para conseguir pagar salários tem algo a ver com ódio? 36.8% dos sondados parecem concordar com esta abordagem. Pois que tenham o que merecem. Só lamento que a minha carteira tenha que contribuir para estes desvairos (como este da Parque Escolar , só para citar um).

Depois do FMI nunca, chegou a reestruturação jamais

Não se compreende portanto que alguém, fingindo-se muito indignado, possa dizer alto e bom som – “reestruturação jamais” – sem corar de vergonha. Se uma coisa é certa – e acerca dela nem sequer há divergências entre economistas de esquerda e de direita – é que com estas perspectivas de recessão e estas taxas de juro, a dívida das periferias não é pagável. É matemático: a dívida explodiria.

(…)

Na realidade, o que se passa é que alguém anda a querer ganhar tempo. Tempo para quê? Talvez para limpar dos balanços dos bancos o lixo tóxico (títulos de dívida pública e privada grega, irlandesa e portuguesa). Alguém anda a querer “repatriar” a dívida para que o “corte de cabelo” quando vier não o afecte. O tempo que esse alguém anda ganhar, para nós é tempo perdido. O que estão á espera para articular posições com a Grécia, a Irlanda e a Espanha (e outras vozes razoaveis na UE)? Ainda acham que podemos ser contaminados por algum virus mediterranico?

A ler: Reestruturação, jamais? José M. Castro Caldas.

Também para memória futura.

Capitalismo à portuguesa

A reportagem da TVI – Portagens nas Scut ruinosas para o Estado é um edificante exemplo do empreendedorismo nacional. Encostadinhos ao estado, sem riscos, vivendo de rendas. Passeando-se entre o governo e os negócios. Sempre foi assim. São os Donos de Portugal.

Mais uma sondagem, mais uma corrida, mais uma viagem

As empresas de sondagens devem esfregar as mãos de contentes. Nos últimos dias ele é sondagem dia sim, dia não.

Alguns dados são mais ou menos idênticos entre as sondagens recentes, outros variam de empresa para empresa, de dia para dia. Vejamos: umas vezes com o PSD na frente, outras com o PS, a diferença entre os dois partidos tem sido mínima, dentro daquilo a que se chama empate técnico. O CDS sobe e vai precisar de mais táxis. A CDU mantém a constância a que se habituou e o BE arrisca-se a ser [Read more…]

será que a fé de Fátima nos salva desta falência?


Ave Maria de Fátima

…o meu protesto…

É bem sabido que não sou um homem de fé, nem ateu nem agnóstico, que é já um sentimento de acreditar na eternidade como uma forma de vida de outro mundo. Bem como sabemos que não há sociedade que não tenho sentimentos religiosos ou um sistema de venerar uma divindade, que não se vê, mas que está em todas partes.
O melhor exemplo é o Buda do Nepal, que não apenas acredita na divindade, bem como na reencarnação e vivem assim em paz com todos os seres humanos ou animais, que acabam por ser também humanos e diversas etapas de desenvolvimento para a perfeição
O Dalai Lama, é o melhor exemplo dessa procura. Ou a etnia Massim do Arquipélago da Kiriwina, ma Oceânia da Melanésia, seres humanos que alimentam aos seus mortos, por meio da alma comum, denominada Baloma. Ou a divindade Pillán dos Mapuche do Chile, entidade sagrada que leva todos os domingos a almoçar com os seus defuntos, no cemitério local. Em criança, assisti ao velório de uma Picunche, membro do clã [Read more…]

Fátima: O regresso a casa


Num destes dias em que Portugal mais parecia um país oficialmente católico, tantas foram as horas de transmissão em directo de Fátima, vi imagens de arquivo da Irmã Lúcia, a maior inutilidade que o nosso país já conheceu. Não por culpa dela, entenda-se: enfiaram-na num convento e ali ficou em clausura durante mais de 60 anos sem produzir nada de louvável para a sociedade.
Terminadas as cerimónias de Fátima, milhares de peregrinos preparam hoje o regresso a casa. Para o ano, lá estarão de novo. Não chegando a perceber que embarcaram na maior patranha que a história da Igreja Católica já produziu.

Catenária

Linha de Évora, Abril 2011.

O imaginário das crianças: Os silêncios da cultura oral – Capítulo IV

Capítulo IV

Vejo e não entendo, pergunto e não sabes. O processo de aprendizagem

Tu fazes, eu observo

Quando falava deste tema a um conjunto de antropólogos de outro país, um deles disse: “o professor pensa que os pequenos são como Kant, racionais; mas os pequenos, se alguma coisa os caracteriza, são serem ignorantes e terem de obedecer ao que nós, os pais, mandamos.” Calei-me. Não quis responder ao dito académico que de certeza ama o seu pequeno, mas não lhe consegue atribuir mais conhecimento e saber que o que ele tem adquirido no seu doutoramento universitário. Que o pequeno não tenha aprendido [Read more…]

Obrigado J. Mário Teixeira:

Julgo não estar a cometer nenhuma inconfidência: quando o aventador J. Mário Teixeira, amigo de longa data e de memoráveis tertúlias, me solicitou uma pequena ajuda na campanha para a reeleição de Marinho e Pinto como Bastonário da Ordem dos Advogados, imediatamente aceitei.

Não sendo advogado não deixo de ser um espectador do que se passa à minha volta. A solicitação do Zé Mário entroncava em dois motivos óbvios justificadores da minha decisão: a velha amizade com o Zé Mário e a minha admiração por Marinho e Pinto. A frontalidade é algo que admiro numa pessoa. A forma clara e sem papas na língua como transmite as suas ideias e a coragem da sua postura pública, aliadas à dita frontalidade, fazem de Marinho e Pinto alguém que sempre gostei de ouvir e que genuinamente admiro – o que não impede discordância em determinados momentos ou temas.

Por isso, confesso, estava ansioso por ouvir Marinho e Pinto sobre a famosa sentença da vergonha. Tal como esperava, ele foi igual a si próprio, frontal e claro:

O bastonário da Ordem dos Advogados , António Marinho Pinto, diz que esta decisão “se enquadra na melhor tradição jurisprudencial do macho ibérico”.

Meu caro José Mário Teixeira, algum tempo já passou sobre a reeleição de Marinho e Pinto. Digo agora aquilo que na altura indirectamente te disse e faço-o agora desta forma pública: obrigado por me teres permitido ajudar, de forma minúscula, na campanha de Marinho e Pinto. É uma espécie de medalha ter estado do lado certo da barricada e hoje, ao ler o i, mais certeza tive.

A alguns amigos e, sobretudo, a alguns “camaradas ideológicos” que ficaram absolutamente surpreendidos (um ou outro indignados) pela minha modesta colaboração, só lhes posso dizer que é por esta e por outras de igual calibre que admiro Marinho e Pinto e que tomaria, novamente, a mesma decisão. Não julgo as pessoas por serem de direita ou de esquerda, mas por serem, ao longo da sua vida, bons exemplos a seguir. É o caso.

Obrigado Zé Mário.

Os portugueses apreciam

A julgar pela sondagem que será hoje divulgada, apesar do país se encontrar em recessão…

De Assange à Fontinha.

Vivemos num período, à escala global, em que infringir as regras, ser desonesto ou não cumprir obrigações individuais ou colectivas torna a ser algo de heróico, de divino. Subitamente milhares de Robin Hood sobem aos palcos e recebem medalhas.

Obama, presidente do país mais conflituoso do mundo foi galardoado com o prémio Nobel da Paz e Julian Assange, que noutros tempos se consideraria um mau espião, foi recentemente premiado. E hoje leio que Richard Stallman, um hacker informático dos anos 80, vai ser recebido na Universidade do Porto com honras de catedrático. De resto nada disto é novo. Antes de ser o ícone que hoje é, Mandela, por exemplo, foi bombista e um perigoso reaccionário. É é impossível não pensar o quão esquizofrénico é tudo isto. O mundo pende, perigosamente, sobre uma ideia de punição: uma punição que extrapole a justiça, a ética, o bom-senso. Os mesmos que aplaudem os heróis como Assange, aplaudem-nos porque eles são o instrumento do seu ódio, não pela acção ou finalidade do acto em si (de resto, a criação de Stallman, o software livre, é louvável, mas não pela destruição de todo o outro).

Um caso recente e mais próximo de nós: a okupação na escola da Fontinha, no Porto.

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Póstroika

Roubado aqui.

Educação: a diferença entre PS e PSD está sobretudo no D (parte 2)

Santana Castilho: programa do PSD é “continuação do programa de má memória do PS”

 

Várias vozes tornaram nítido o excesso de parecenças entre os programas do PS e do PSD no âmbito da Educação, sendo de analisar, a propósito, a entrevista dada por José Manuel Canavarro e o comentário feito pelo Paulo Guinote a essa mesma entrevista.

Santana Castilho, recentemente, emitiu, desiludido, uma opinião semelhante. Note-se que o fez durante o lançamento do seu mais recente livro, na presença do autor do prefácio, Pedro Passos Coelho. Note-se, ainda, que Santana Castilho tem colaborado com o PSD no campo da Educação, sendo que o partido terá ignorado algumas das suas sugestões.

Não está em causa, evidentemente, o direito de seleccionar as propostas. O problema é que será difícil manter, no essencial, o pior da governação PS e querer ser melhor do que o PS. O outro problema é a tendência, eventualmente diplomática, de Passos Coelho para querer estar de bem com Deus e com o Diabo: ora, muito do que afirma José Manuel Canavarro contraria o que defende Santana Castilho. 

Ou é indefinição a mais ou o objectivo  é falar em mudança, no presente, para que tudo fique na mesma, no futuro.

 

Condene-se a ré… Os ramais de ligação não serão pagos pelos consumidores!

A ACOP – Associação de Consumidores de Portugal -, estrutura de interesse geral e âmbito nacional, ante atropelos de monta perpetrados contra os consumidores das freguesias de Serzedelo e Guardizela pela empresa de distribuição predial de água – a Vimágua  -, consistentes na exigência de pagamento de avultadas somas dos “ramais de ligação”, interpôs no Tribunal Administrativo de Braga uma acção popular, em que deduziu como pedidos:

. a declaração de ilegalidade de norma do seu regulamento em que se previa a cobrança de tais montantes;

. a condenação da VIMÁGUA a abster-se  de proceder à cobrança de quaisquer valores, a esse título, aos consumidores;

. a restituição dos montantes ilicitamente cobrados;

. a arbitramento de uma indemnização pelos danos morais causados aos consumidores com as ameaças de corte e outras providências intimidatórias.

O signatário juntou um fundamentado parecer de que, em síntese,  emergem as conclusões: [Read more…]

PSP detém traficantes de droga na PSP

A notícia é seca e curta: a PSP deteve cinco elementos da PSP por posse e tráfico de droga. Além de prometer uma conferência de imprensa para as 15 horas, a notícia pouco mais acrescenta, além de que dois deles são oficiais e que todos trabalham na zona de Lisboa/Estoril. Diz ainda que mais detenções podem ocorrer nas próximas horas.

Faltam pormenores a esta notícia, nomeadamente os tipos de droga traficados e respectivas quantidades. Mas falta também esclarecer a sua origem. Os srs. polícias  compravam a droga para a revender, ou tratava-se de droga apreendida, eventualmente a pequenos traficantes, e colocada a seguir nas ruas? E como se processava o negócio? Estaremos perante uma associação criminosa de polícias? Era bom que a PSP, na conferência de imprensa, fosse transparente sobre estes… PSP.

O consumo energético nas escolas “intervencionadas” aumentou

A requalificação das escolas, através da Parque Escolar, é um dos tópicos enunciados por José Sócrates, quando quer demonstrar quão magnífica foi a sua governação. O vídeo que aqui é publicado já tem uns dias, mas merece ser visto e ouvido com muita atenção, porque será fácil chegar à conclusão de que estamos na presença de mais um exemplo de gestão danosa dos dois últimos governos.

A comunicação social, essa entidade difusa que substituiu o jornalismo, já não investiga, reproduz. Se investigasse, descobriria, por exemplo, que, no Grande Porto, há uma escola que passou a pagar por mês aquilo que pagava anualmente em água e luz ou uma outra em que a sala dos professores, a sala de trabalho dos professores ou a sala da direcção não têm luz natural, o que implica ter as luzes acesas todo o dia (o que não acontecia dantes).

A caminho de Dublin (faltam 5 dias)


A gastronomia não é propriamente um dos melhores cartões de visita da Irlanda e dos países que compõem a Grã-Bretanha. Jacques Chirac chegou a dizer uma vez, referindo-se à Inglaterra, que um país que não tem gastronomia não merece qualquer consideração.
Assim, não admira que a maior especialidade de Dublin seja o Fish and Chips, ou seja, Peixe com Batatas Fritas. Trata-se de um filete de peixe frito, envolvido num polme e vendido, juntamente com as batatas fritas, numa folha de jornal.

Em Dublin, o Leo Burdock é o restaurante mais famoso no que diz respeito ao Fish and Chips. Sem lugares sentados, é já um lugar mítico devido aos nomes famosos que passaram por lá: Kate Moss, Rod Stewart, Naomi Campbell, Bruce Springsteen, Tom Cruise, BB King, Edith Piaf e muitos mais. Enrole-se o peixe e coma-se no agradável largo da Christ Church, que fica mesmo ao lado.
Já que falamos de comida, aconselho o pequeno-almoço irlandês. Quase todos os hotéis permitem optar pelo continental, mas comer bacon com ovos, feijão e salsichas às 8 ou 9 da manhã é uma experiência a ter em conta.

Estação do Monte das Flores

Dos nomes mais lindos. Linha de Évora, Abril 2011.

O imaginário das crianças: Os silêncios da cultura oral – Capítulo III

Capítulo III

É de ti que aprendo a fugir dos meus pais.  A criança significativa

 A questão

Nunca mais esqueci como desapareciam os chocolates. A pequena estava proibida de comê-los e, no entanto, a casa estava cheia deles. Resultado: a criança era punida e recebia homilias sobre os seus malefícios – de como faziam mal aos intestinos, tiravam o apetite e estragavam os dentes. Eu próprio nunca me tinha apercebido que os adultos introduzem as suas contradições na interacção com as crianças, mesmo sob a forma de mimos. Nos nossos hábitos, o [Read more…]

Ãããããh!? Sócrates – Louçã

Valupi

PS.: F-se! #ILoveSocrates MesmO!

Cartas a Sócrates – [9]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Quero que saibas, amor, que desta terra apenas levo um 
coração limpo e tenebroso; que a fome não corrompe o meu 
desejo (amor); que não sabendo amar, aprendi contigo a ver 
o mundo tão distinto, tão diferente: calmo, transparente, 
passando por mim, ao meu lado, passando por mim ( amor) – 
como tu. Como tu me abriste o coração que já só de rojo me 
obrigara a caminhar?!, sem nada ver, indiferente. Mas é 
tenebrosa a escuridão invadindo esse medo de te perder, apenas 
dentro de mim, ou de te ter a meu lado, amor.

Amor, quero que saibas, o meu pavor de nada saber, de nada 
saber dar, de não saber amar-te no teu desejo, na tua fome, na 
tua sede privando noutro caminho. Como sinto terror, amor. 
Quero que saibas, amor, que há muito, nesta terra, o meu 
coração é limpo e tenebroso.

Agora que já sabes, amor, é teu o poder de assombrar.

PS.: #ILoveSocrates Day by Day 🙂

Publicado no F-Se! 

A Magistratura da Vergonha:

Um dia pode acontecer com a nossa mulher, a nossa filha, a nossa irmã, a nossa mãe. E nessa hora um tipo perde a cabeça, desgraça uma vida e vai a tribunal onde, não duvido, em três juízes apenas um, um José Manuel Papão, terá a coragem de na sua declaração de voto afirmar: “quem deveria estar sentado no lugar do réu era a nossa magistratura por não ser justa, por absolver os culpados e condenar as vítimas”.

O António Fernando Nabais aqui no Aventar e o Rodrigo Moita de Deus no 31 da Armada já escreveram sobre o tema. Eu sigo-lhes o exemplo no Albergue. Para que todos saibam a vergonha de Justiça que se pratica em Portugal. Para que ninguém continue a calar. Para que acabe, de uma vez por todas, esta pouca vergonha.

Uma violação sem violência

 

Médico absolvido de violação porque não foi muito violento

 

aqui escrevi sobre um acórdão do Tribunal da Relação do Porto relativo a um caso de violação. Mais uma vez, a realidade parece ultrapassar a ficção: o dito Tribunal não considerou violento o comportamento de um homem que agarrou a cabeça de uma mulher para a obrigar a fazer sexo oral e que a empurrou contra um sofá para manter relações. Note-se que os actos descritos foram dados como provados e acrescente-se que o homem é psiquiatra e a mulher era sua paciente e estava grávida.

Digam lá: não considerariam inverosímil um filme que tivesse um enredo destes?

O centrão das contradições

PS e PSD têm demonstrado ser uma e a mesma coisa, em termos de resultados finais para os portugueses: falta ou consciente propósito de ignorar uma visão estratégica, depauperamento do tecido económico do País, os resultados da ilusão de vida fácil à custa do crédito barato e, para remate final, a cedência dogmática às reivindicações de poderosas corporações (advogados, médicos, juízes, pilotos da TAP e outras a que a ordem alfabética me conduziria).

Hoje, como quase diariamente, foi mais uma jornada de contradições e demagogias. Exemplos:

  1.  O pin…cel Catroga diz que “a sua geração nos últimos 15 anos só fez porcaria”  -15 ou 30 anos Dr. Catroga? V.Exa. não se lembra de o governo que integrou, como Ministro das Finanças cavaquista, ter dado carta branca  ao colega Mira para, em desrespeito pelo interesse nacional,  retalhar a alienar a CUF/Quimigal segundo interesses adversos  ao País? Nem sequer se dignaram ouvir accionistas privados; a Sociedade Nacional de Sabões Lda. que detinha 34% da Sonadel foi uma entre vários;
  2. António Nogueira Leite, ex-secretário de Estado de Guterres (1999-2000, XIV Governo Constitucional),  ao Jornal de Negócios  sobre os 20% a atribuir aos comandantes da TAP, pela privatização, diz “Nesta matéria, no PSD responde o seu presidente”. Assim, tal qual, como o “Lavar de mãos de Pilatos”.
  3. O Prof. João Duque – e que Prof., senhores! – afirma: “A taxa de 6% não é nada má”, No mesmo jornal, e em simultâneo, Nogueira Leite assevera: “As taxas de juros que Portugal vai pagar à UE são muitíssimo difíceis” – a divergência seria despicienda se ambos não fossem conselheiros de Passos Coelho para a área da ‘Economia e Finanças’. Enfim…

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Os apaga-fogos do Reichstag

Os bombeiros do belo edifício do  Reichstag decidiram-se a defender aquilo que tudo indica ser do interesse da Alemanha, ou seja, o chamado “resgate a Portugal“. O mais surpreendente consiste na sugestão de Gysi, antigo membro do SED da anexada RDA, quando propõe um novo Plano Marshall destinado aos países em risco de colapso.

Tendo sido o Plano Marshall um dos cavalos de batalha da luta que Estaline travava contra os vitoriosos Aliados do Ocidente, os novos tempos parecem fazer dissipar as nuvens de outrora e Gysi está absolutamente certo, quando se insurge contra os esmagadores juros que serão impostos a Portugal. Sincero ou piedoso impulso, ou apenas um recurso na luta política parlamentar alemã – os “bons” e os “maus” -, esta sugestão vem ao encontro dos nossos interesses. Oxalá pudesse ser implantada, mas no extremo Ocidente da península europeia, não se vislumbra um único agente político com credibilidade para gerir um hercúleo plano que deverá ser rapidamente implementado.

Governo renegocia SCUT e ficam 58 vezes mais caras

O meu colega FMS já se referiu ao assunto. A questão diz-se em poucas palavras mas não se compreende com muitas ou nenhuma. Escandaleira, chama-lhe o FMS. Concordo e acho brando. Pulhice, desgoverno, insensatez, irresponsabilidade, ignorância, estas são as expressões mais leves que me ocorrem e fiquemos por aqui.

O Governo conseguiu, renegociando, tornar o negócio original 58 vezes mais caro para os cofres públicos.

Como, ultimamente, são milhões para aqui e milhões para ali até perdermos o fio às contas, faça-se o seguinte raciocínio – o pacote da Troika é de 78 mil milhões, dizendo que chega para pôr as contas em ordem (o que é duvidoso). Só neste negócio o governo malbarata 10  mil milhões, com esta agravante:

O documento da auditoria ainda não foi aprovado pelo Tribunal de Contas, que por isso se recusou a comentar o caso ao Correio. Ontem a TVI também tinha noticiado esta auditoria, dizendo que os juízes se queixaram de ter sido induzidos em erro para aprovar cinco auto-estradas, no valor de dez mil milhões de euros, porque lhes terão sido sonegadas informações.

É urgente impedir esta gente de continuar a desgovernar.

Manuel António Pina é Prémio Camões

O poeta, ficcionista, dramaturgo, cronista e jornalista Manuel António Pina irá receber o 23º Prémio Camões. Apesar de ser autor de uma obra poética assinalável em quantidade e qualidade,  tornou-se mais conhecido, recentemente, na qualidade de cronista, graças à lucidez com que tem zurzido os portuguesinhos que poluem Portugal, sem nunca prescindir do rigor formal que só num cultor irrepreensível da língua se pode aliar a um sarcasmo certeiro e descontraído.

Muito provavelmente, Marinho e Pinto, o tonitruante Bastonário da Ordem dos Advogados, não dará os parabéns ao premiado, também ele um licenciado em Direito. Entretanto, a cultura portuguesa poderá continuar a usufruir do privilégio de ler uma voz que a engrandece. Em casa do autor, os gatos continuarão embalados pelo ciciar beirão que os trinta anos de Porto não apagaram.

o outro acordo

Mais depressa que um mentiroso, apanha-se um mentiroso coxo

Uma amostra do debate de ontem. Afinal a ideia de baixar a Taxa Social Única não é do PSD: é também do PS. Ou seja: é do FMI. O embaraço de Sócrates é a primeira alegria desta campanha.

Quanto à renegociação da dívida o “nunca” ficará para juntar à mesma afirmação sobre a vinda do FMI. Esperemos é que quando lá chegarmos Sócrates já tenha arranjado emprego.

História à moda de Hollywood.

“Na última semana beatificámos um Papa,
casámos um príncipe,
fizemos uma cruzada e matámos um mouro.
Bem vindos à Idade Média.”

Chegou-me esta “pérola” de humor cínico, via um fórum de discussão de História (!), concebida, certamente, pelo mesmo género de pessoa que me me enche a caixa de correio electrónico de power-points musicais com aforismos sobre a arte de viver.

O melhor sentido de humor é o que demonstra mais inteligência. Por isso pouca gente gostará de Monty Python e a maioria prefira a vulgaridade de um Fernando Rocha. E no que toca a História, em que todos têm opinião, sempre é preferível o chavão à verdade, um José Hermano Saraiva a um José Mattoso. Aquela arenga sobre um Papa, um príncipe, a Cruzada e o mouro é uma sucessão de preconceitos ideológicos. O pior deles, que a Idade Média é a época das trevas, do atraso social e mental. O que dirão, disto, os meus amigos medievalistas?

Basta olhar para o século XX, para perceber que a Idade Média, com os seus papas prepotentes, os seus monarcas autoritários e as Cruzadas empalidecem perante os actos de Hitler, de Estaline ou do Império Britânico e que a História não se divide em períodos nem em indivíduos bons e maus. Isso é para Hollywood. A principal função da História é pedagógica. Se isso não está a funcionar, como se depreende pelo anónimo discurso citado, então talvez devêssemos ter mais historiadores e menos engenheiros. Porque de mentirosos está o mundo cheio.