ser escritor

para ser escitor a disciplina é a base do que se quer dizer em palavras

…para o meu amigo Carlos Loures… 

Parece-me que as pessoas pensam que ser escritor é a alegria da vida. Sentar-se numa cadeira ora com caneta e papel, ora com máquina de escrever ou, ainda, com um computador. Pode ser escritor quem viva da sua obra literária, ou escrevedor, quem escreve mal, verbo que roubo ao meu amigo e colega da Universidade de Cambridge, Jorge ou Mario Vargas Llosa.

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confiança

Tal como a criança que dorme confiantemente em paz, há imensos factos da vida que nos fazem rir e estarmos em paz connosco e com os outros. Estou certo de que os meus amigos se interessam pela minha saúde. Estou mais do que confiante que a mulher que amo, é uma pessoa fiel porque faz tudo por mim. Confiante na paciência dos que pretendem ler os meus textos. Escrevo a palavra pretendem, não como insulto, mas como reconhecimento que é impossível ler tantos ensaios que eu envio. Não há tempo, entendo. [Read more…]

Ernesto Veiga de Oliveira: a etnografia

1910-1990

Citações para saber de Portugal, são suficientes os nomes de Ernesto Veiga de Oliveira e Benjamim Eanes Pereira, surgindo-nos uma panóplia de saberes e conhecimentos, como nunca se produziu em qualquer outro país. É certo que Erick Hobswawm elaborou, com a sua colecção a Era do Capital, A Era da Revolução, a Era dos Extremos, uma admirável síntese do que tem acontecido na Europa no milénio mil, anterior a este de dois mil. Como José Mattoso e a sua ilustração sobre a idade média de Portugal. Escritores sem par, que nos ensinam o passado e as suas transformações. De José Mattoso, já tenho falado muito. Do Ernesto, que não pode ser lembrado sem o seu amigo íntimo Benjamim, escrevi A Etnografia, memória de História (páginas 305-311), publicada em Dezembro de 1989, na obra: Estudos em Homenagem a Ernesto Veiga de Oliveira, coordenada por Fernando Oliveira Batista e outros, edição do Instituto de Investigação Científica.

Em A Etnografia, memória de História saliento a relação que existe entre a realidade material, palpável, positiva. Forma de organizar as lembranças de um passado que, como eu os denominava, os Ernestos tinham terror que desaparecesse e não ficasse lastro nenhum do Portugal Eterno. [Read more…]

parece-me um insulto à humanidade, este Ghadafi

a pessoa de Gaddafi é um insulto para a humanidade

O título deste ensaio não é brincadeira. O ditador da Líbia parece um fantoche! O seu povo ou as tribos do seu povo morrem à fome, e o ditador, fraco de inteligência para governar. Apenas sabe matar inimigos ou mandar estar perto de si, os seus apoiantes. No começo do seu reinado, quando governava em triunvirato, era o favorito das tribos da Líbia, mas ao ficar só com o poder, por causa dos seus compinchas saírem para outras missões no mundo muçulmano, entrincheirou-se num dos seus quartéis, com os seus mais fiéis apoiantes e carregado de armas para se defender, caso fosse atacado pelos seus antigos colegas que, finalmente, foram assassinados ( história narrada no ensaio precedente intitulado O perigo do próximo oriente). O triunvirato original derrubou o Rei Idris I, forçado a renunciar juntamente com o príncipe da Coroa Líbia, enquanto o seu colega do golpe de Estado desaparece. Logo após o golpe de estado, Al Magrabbi sai de cena e Gadhafi, como líder da revolução líbia, com a patente de coronel, toma o poder, substituindo o príncipe regente Ridah e o rei ausente (licenciado para fins médicos na Grécia e no Egipto), Ídris I, tio de Ridah.

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Ludvig van Beethoven

Für Elise – Bagatelle in A minor WoO 59 by Beethoven

Sempre escrevemos sobre a crise económica, os jogos de bola, especialmente o Benfica, o meu amado clube que, de certeza, esta noite ganha 2×0! Mudemos de tema. Falemos de música e da melhor bagatela  nunca antes escrita!

O compositor, nascido em Bona, foi baptizado em 17 de Dezembro de 1770 — faleceu em Viena, no dia 26 de Março de 1827 de mudou a fase da música. Introduziu, com o saber do seu professor, Joseph Haydn (1732-1809). É possível supor que tenha nascido a 15 de Dezembro desse ano, porque era hábito cristianizar ao bebé, antes que a morte os puder levar. Como nos tempos de van Beethoven os pequenos morriam prematuramente, as famílias luteranas e católicas romanas, levavam ao bebé a sua paróquia enquanto puder sair de casa, especialmente no frio do inverno da germânica Bonn ou Bona.

Era o segundo filho mais velho de sete irmãos, dos quais apenas sobreviveram, Kaspar Anton Carl van Beethoven (17741815) que também tinha dotes para a música e que morreu com 41 anos; o quarto, Nicolaus Johann van Beethoven (17761848), que se tornou muito rico, graças à indústria farmacêutica, e que morreu com 72 ano. Os outros cinco três faleceram ao nascer, e os outros, com dois anos de idade. O seu pai, (1740

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as minhas memórias-15-tu e eu e depois todos nós

estudantes de todo o mundo trabalham para desnvolver o si país

Decorriam as férias de verão, éramos estudantes, supostamente a descansar durante um período de três meses, divididos em dois grupos participávamos nos trabalhos do campo com os camponeses da Cordilheira dos Andes e, paralelamente, um grupo alfabetizava, enquanto o outro, preparava as matérias das cadeiras deixadas para exames. Eram raros os que aprovavam. Muitos os que alfabetizavam. O dormir em tendas de campanha no chão, comer o fornecido pela população rural, receber ajuda da Cáritas, Amnistia, ou Governo, ou, ainda das nossas famílias, era uma surpreesa para todos nós. Assim íamos construindo escolas e abrindo caminhos, enquanto retirávamos ideias das actividades observadas e as devolvíamos definidas, desenvolvidas, com palavras e ideias novas. Não era apenas ensinar a ler e a escrever, mas sim, a entender, como Paulo Freire nos ensinara. Tínhamos entre 18 e 22 anos. Éramos arquitectos,

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as minhas memórias-13-o dia de ontem e também o de hoje

o genocídio na Guatemala, e cruel e globalizado

A globalização do genocídio das crianças, antes, ontem e amanhã.

Embora os nomes dos actores tenham mudado, os factos continuam iguais. Não sou adivinho. Apenas observo o que acontece no mundo. Tremo de indignação.

Gostava de ver risos, notícias de que a vida está menos cara, saber que foi editada uma nova versão de uma obra de Bach, que o leite é mais barato, que os ordenados aumentaram, que a inflação está controlada por ter aumentado o Produto Interno Bruto (PIB)…. Que não é apenas o Presidente Chávez da Venezuela a recuperar o cargo, ou que a Rainha-mãe da Grã-Bretanha, foi um exemplo de vida cuja história me agrada ler; pregou um grande susto ao Fascismo na Segunda Grande Guerra, ameaçando o ditador nazi que havia de sofrer as penas do inferno, antes de este se matar em desespero, esse ditador que costumava dizer que Lady Elizabeth Bowes (Londres, [Read more…]

Marx, Durkheim e a teoria da infância

para os meus discentes do Curso de Antropologia do ano académico 2006 -2007, que me motivaram para a pesquisa destas ideias…

Não é a infância de Marx e Durkheim que vou analisar, mas sim, o que eles afirmaram sobre a infância, o meu tema preferido, o da criança.

Pouco se sabe do facto de Émile Durkheim, e a sua equipa, terem usado o método do materialismo histórico na análise da vida social. No entanto, no seu livro datado de 1888, publicado como obra póstuma em 1928, Le Socialisme, Durkheim, faz uma apreciação da obra de Marx, como escreve em Dezembro de 1897, na Revue Philosophique, no seu “Essais sur la conception materialiste de l’histoire”.

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educação cívica

…para o meu próximo neto, filho de Felix e Camila Isley (nascida Iturra), irmão de May Malen I. Isley

a educação cívica devia ensinar as felonias dos governantes, baseados na lei que eles criam para o seu lucro

Defendo, como sabem, uma educação pública, sem colégios privados, gratuita e com textos fornecidos pelo Estado, para formar bons cidadãos, cientistas, gente de bem, saibam ou não as mais recentes descobertas no campo da investigação. O mais importante, além de saberem, é que sejam bons cidadãos, pacíficos, solidários e recíprocos. Pensava continuar por essas avenidas, mas uma entrevista feita por Ricardo Costa às Editoras sobre se os livros de estudo deviam ser grátis, levantou um coro de protestos entre as editoras. Donde, vamos falar do bom cidadão e não do comerciante que vende manuais diferentes todos os anos, porque o comércio governamental muda os programas para vender os seus novos livros e ganhar direitos de autor.

Vamos, pois, ao que é formar um bom cidadão. Por falar para as crianças e seus progenitores, vou-me endereçar na segunda pessoa, não por falta de respeito, mas sim, para ganhar a sua confiança.

Bem sabes que incutir simpatia e disciplina, é uma das tarefas mais difíceis entre os seres humanos, seja entre adultos, seja entre crianças. Nos lares existem dois conceitos que parecem contraditórios: gritos e colaboração. Todavia, são conceitos derivados do mesmo sentimento: a necessidade de amarmos e de sermos amados, ao procurarmos justiça para nós e assumirmos (por vezes) a nossa injustiça no tratamento com os outros. É o que em casa te querem ensinar, especialmente ao teres que confrontar seres humanos que nada têm a ver com a nossa relação familiar, mas sim com esse vai e vem que o povo usa para criticar, obedecer à ordem social e à disciplina no tratamento simpático entre vizinhos. É o que se quer ensinar no 2º e 3º ciclo das escolas e se denomina de análise de Gestão Política nas Faculdades da Ciência do Direito. [Read more…]

as minhas memórias-11-o meu fuzilamento e pena de morte para mubarak

Víctor Jara, com as mãos partidas pela tortura, morra canta à liberdade

O povo derruba um ditador, frase da primeira página do Diário de Notícias de hoje, Sábado 12 de Fevereiro de 2011. O ditador de mais de trinta anos do povo do Egipto, Hosni Mubarak, renunciou ontem ao seu cargo, que não era mandato, era flagelação dos pobres cidadãos do país das pirâmides, a quem congratulo e digo, como membro de Amnistia Internacional, que ao longo de todos estes anos salvámos muitos cidadãos da morte ou do apedrejamento.

Felizmente, os ditadores acabam sempre assim: escondidos, sem dinheiro – no caso específico, este detinha entre 50 a 70 bilhões de dólares. Todos os bancos, [Read more…]

as minhas memórias 10 a psicanálise da sexualidade das crianças

….para comemorar a queda do ditador do Egito…

Síntese do meu livro de 2008: A psicanálise das crianças. Venturas e desventuras

Concerto de Natal Neojibá 2010

Ser criança.

Falar de criança, não é simples. Falar do que as crianças fazem, é complexo demais. Definir criança, é una sim e um não: o é o costume, o é a lei, a lei civil ou a lei usada em muitos países do mundo, entre os que Portugal também fica alinhavado. Preciso é dizer também o costume, como definidora de ser criança. Definição tão heterogénea, que é melhor se ajudar com [Read more…]

as minhas memórias-8-sindicatos

os sindicatos marcham para protestar por falta de pagamento

Tinha eu 19 anos, era estudante e junto com outros duzentos, andávamos pelos campos a falar com os trabalhadores com o objectivo de fomentar a sindicalização. Éramos todos estudantes universitários e utilizávamos as nossas férias de verão para dinamizar a criação de sindicatos. No Chile havia sindicatos para técnicos, docentes e outras actividades que usavam a sua mente no seu trabalho e não o corpo. Os sindicatos para operários[1], formados pela classe operária industrial, caracterizavam-se, sobretudo, pela desunião entre os seus membros, dada a sua orientação ser regida por partido políticos e não por princípios sindicais, até aparecer na actividade sindical chilena, Clotário Blest Riffo, fundador da Central Única de Trabalhadores, sem afiliação partidária. [Read more…]

as minhas memórias-7-o código civil de Bello

escrito pelo venezuelano Andrés Bello, feito chileno por graça

Desde o sítio em que escrevo é-me impossível usar o texto completo do Código Civil do Chile. Felizmente, a Internet disponibiliza excertos possibilitando, assim, a sua consulta e comentários. No entanto, esta maravilhosa tecnologia, recentemente criada, guarda o texto completo da autoria de Andrés Bello e, paralelamente, a modificação introduzida, no ano de 2001, sobre filiação. O Código de Bello, como é conhecido, foi tão completo, que somente de verificaram, posteriormente, mudanças quanto à filiação e às heranças. Há quem diga que o Código foi retirado do de Napoleão, outro texto perfeito que, como o chileno, soube organizar a vida civil, desde a interacção social até às transacções comerciais, como os contratos, acordos ou convenções para a execução de algo sob determinadas condições.

A filiação, precisava de uma ordenação dos descendentes por causa, especialmente, das heranças, que o código refere como designação dos pais de alguém, define, até onde eu lembro pelos meus estudos e graduação em Ciências do Direito e Ciências Sociais, quem é descendente de quem e qual o direito à herança dos bens, definidos dentro do articulado do código, como referi no ensaio 6 das minhas memórias – escrevo a partir das minhas lembranças, com o apoio dos artigos necessários para apoiar uma hipótese ou um facto. [Read more…]

as minhas memórias-6-a aplicação da lei

a memória existe e é escrita e para obedece à lei

Pareciam-me uma ignomínia as formas de tratamento dos patrões aos inquilinos, especialmente se eram da Nação Mapuche. Porque denomino Nação ao que se designa normalmente uma etnia na nossa ciência da Antropologia? Primeiro, porque eram os proprietários da terra tomada pelos invasores estrangeiros, pelos huinca. Porém, para os Mapuche, eu não era chileno, era estrangeiro ou huinca. Este conceito não está definido no Dicionário Da Real Academia da Língua Espanhola, por não ser palavra da mal chamada Língua Espanhola. Como também não aparecem as palavras usadas pelo luso – galaico da Galiza, ou o Bable das Astúrias, denominado pelo arrogante Dicionário citado de dialecto de los asturianos, ou o euzkaro das Províncias Bascas que a real academia da língua não reconhece como idioma do Reino de Espanha, tal como a língua Catalã, que define como Lengua romance vernácula que se habla en Cataluña y en otros dominios de la antigua Corona de Aragón, apesar disto, o meu avô paterno, aragonês, falava um Castelhano quase imperceptível. [Read more…]

as minhas memórias-5-reprodução social

A Universidade fundada por Andrés Bello. Antes, existía a Real de San Felipe

Estou ciente de ter escrito sobre parte da vida política e social do Chile, especialmente sobre a vida da reprodução humana. No entanto, estou também consciente de que falar de reprodução humana, é definir quais as formas em que a população vive, aprende, sabe, contribui para o crescimento do País.

A primeira ideia que aparece na minha cabeça, é a de que o Chile é um país novo relativamente ao conjunto de Estados que existem no nosso planeta. Bem sei que este ano cumprimos 200 anos de independência da coroa de Espanha e, como país y Reyno, 368 anos antecedem a Independência. No conjunto, o Chile existe como memória escrita há cerca de quinhentos anos. Anteriormente, era habitado por etnias ou nativos do país, de que pouco ou nada se sabe, pela inexistência da escrita sendo a memória guardada em lendas, histórias que passavam de uma para a outra geração, ou pelas hierarquias definidas entre os nativos. [Read more…]

As minha memórias – 4 – Produção rural

Casa de inquilino no Chile e na América Latina

O título da música que aparece neste capítulo, não é parte do texto que pretendo lembrar. Refere-se a uma batalha denominada Guerra do Pacífico ou de Arica, que narrei noutro capítulo destas memórias. Porém, demos uma «espreitadela» a esse dia 7 de Junho de 1880, em que os chilenos assaltaram uma rocha de 150 metros (as restantes dimensões desconheço-as) de altura sobre o nível do mar. Morro de granito sem outra entrada que pelo costado sul da praia de Arica, o lado peruano. Os chilenos, determinados a entrar no Peru, não tinham outra alternativa senão escalá-la pela íngreme encosta chilena, com recurso a baionetas e cordas. Após várias horas de luta, os chilenos conseguiram tomar posse do morro, esse outeiro arredondado e insulado. A Batalha de Arica, também conhecida como o Assalto e Toma do Morro de Arica, enfrentou à República Peruana contra a República de Chile no sul do Peru. A luta foi cruenta, sendo o campo de batalha a cidade de Arica em Junho de 1880.

A historiografia peruana considera a batalha a mais dura de todos os enfrentamentos ocorridos desde o 27 de Maio hasta o 7 de Junho de 1880.

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as minhas memórias-3-a vida rural no Chile

as casa dos trabalhadores rurais são todas de adobe na América Latina

A vida rural do Chile, é mal conhecida fora do país. O que se sabe, é apenas que são sítios agradáveis, com muito calor no Norte e Centro do País e frio e chuva a partir do centro sul, praticamente desde a cidade de Puerto Montt, que dos 794.529, de longitude do Chile continental e antes de começar a chamada costa desmembrada, por outras palavras, o Chile que é apenas milhares de olhas, até a cidade de Punta Arenas, que limita com a Antárctica Chilena, está situada no quilómetro 48.583,6, da placa continental e contínua. A partir desta cidade, é apenas possível transitar ou em barco, ou em ferries, ou pela nova carreteira que foi construída como pontes sobre as ilhas mais larga, ou carreteira de Puerto Aysén. Carreteira que não consegue unir a placa contínua entre Punta Arenas e Puerto Aysén.

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as minhas memórias-2-História do Chile


A História do Chile não regista as maldades que narrei na minha escrita da manhã, essas atrocidades em que eu ia morrendo e tive que sair a correr do país en que menos tempo de minha vida, vivi.
O Chile foi sempre simpático, acolhedor, alegre, com festas e desfiles por sim ou por não. Teve duas guerras, como tenho relatado nos meus livros sobre a História do Chile, nos anos 30 do Século XIX, contra a confederação Peru – Boliviana que atacou ao país pelo norte, para se apoderar das do Nitrato de Sódio, que eram uma fortuna. O Chile defendeu-se e ganhou todas as minas: as que possuía antes e as que eram de Bolívia, em Antofagasta, que passara a ser chilena, como a Província de Arica, antes do Peru, mas por direito de conquista passou a ser do nosso país. Tinha também conquistado Tacna, mas por tratado entre os Presidentes Leguia e Figueroa, o armistício foi assinado a 29 de Agosto de 1929, e Tacna foi devolvida ao [Read more…]

as minhas memórias -1- campo de concentração

Por ser duro de ver as roupas de um campo de concentração, troquei por camponeses


Os pesadelos são os sentimentos mais hediondos da vida. Não há nada para mudar o sonho que nos causa essa infelicidade. Especialmente se derivam de uma realidade de tempos passados que nos persegue até a morte. Como tem sido o meu caso. Toda a história que me assusta está narrada no meu livro Para sempre tricinco. Allende e eu, editado pelo meu amigo Carlos Loures em Estrolabio.

Não é estranho que os pesadelos nos façam sofrer. Não é apenas uma sensação emotiva, é também fisiológica: é uma opressão angustiosa da respiração durante o sono. Como etnopsicólogo que sou, era capaz de curar essa sensação de opressão, mas não a mim próprio, sendo o sujeito de essa angústia. Uma angústia que advêm da realidade,

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A vi e morri por ela – texto romântico

A minha Dama das Camélias

Era uma Violeta, era uma Camila, era a namorada de Alexandre Dumas filho, era a segunda mulher de Giuseppe Verdi, essa soprano da qual ele, casado e com filhos, o libertador da Itália dos Borbon Orleáns, o Deputado por aclamação, foi seduzido.

Uma Violeta de La Traviata, escrita pelo nosso jovem galã, apenas pode ser um ser divinos, de riso alegre, de alegria pela vida, sem medo da confrontar, com as suas duas mãos esticadas, as penas e as alegrias do amor, ou o endividamento, a poupança, saber usar os artefactos informáticos com uma habilidade nunca antes conhecida para um amador. Os técnicos têm os seus estudos, a sua preparação, estão obrigados a resolver a nossa ignorância informática, a saber endireitar o que nós nada sabemos para poder escrever. Como acontece comigo cada dia que escrevo e não sei esticar o uso do artefacto sob os meus dedos. Ela foi formada por mim na minha ciência, era a minha companheira de caminhadas, sabe gritar quando fica impaciente e gritar alto, com zangam mas com feitio. Uma dama, uma senhora.

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O adultério revisitado

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o arrependimento que nada cura

Ontem, referi o pior dos pcados, sendo pecado uma relação que um ser humano pode cometer ao permitir-se amar a outra pessoa à qual não está unida por nenhuma outra relação que a da libido. Referia que era a violação de fidelidade conjugal, de diferentes maneiras em diversos sítios do mundo. Se falo dos Massim da Oceânia, analisados por Malinowski entre 1914 e 1924, com estadias permanentes ou visitas esporádicas, podemos reparar que no adultério existe na união carnal, amorosa ou não, entre pessoas de um mesmo clã, sendo clã uma família unida por laços consanguíneos. Laços consanguíneos, conforme for o sexo da pessoa. Apesar de uma família estar composta por homens e mulheres que se reproduzem entre eles, nem toda relação é adúltera. Os filhos do casal acabam por ser de outro grupo doméstico, se os descendentes forem varões: a idade da puberdade, esses filhos deve circular à casa do irmão da mãe, que é, conforme os costumes, o pai dessas crianças. O homem da mulher

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Adultério

mulher islâmica apedrejada por delito de adultério

Mulher islâmica apedrejada por delito de adultério

Escrever sobre adultério, não é simples nem fácil. A própria definição do verbo o salienta: Violação da fidelidade conjugal. Apesar da definição fornecida antes, ser a mais atribuída ao facto que analiso, também há outras formas que colocam em risco a vida das pessoas, como falsificação ou a adulteração de um produto. Não é apenas um engano social, é um risco para a vida, um eterno suspeitar de que o que adquirimos possa estar fora de prazo, porque o comércio é comércio e para não perder, apagam-se as datas de validade e, como ninguém se importa em consultar as datas, essa adulteração coloca em risco a vida e a saúde da pessoa. Como aconteceu antes de ontem com a minha neta May Malen Isley: foram almoçar ao University Center da nossa Universidade de Cambridge, que, ultimamente, é um fiasco comercial. Foi de imediato levada para o hospital, os antibióticos a salvaram pela prontidão dos pais, a minha filha Camila e o meu genro Félix. No dia seguinte, já estava bem. Não sou homem de fé, mas dou graças à divindade, como aos meus filhos, de terem salvo a única descendência que, por enquanto, têm.

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as felonias dos homens

a felonia dos homens, conforme a sua mulher

Contente, feliz e alegre, sorrindo como se fosse primavera, não houvesse frio, chuva, nem febres e gripes, procuro a flor mais exótica que encontro, como a de Oscar Wilde, o homem do cravo verde. Por não ser Wilde, avanço e passa a ser uma rosa verde que, com todo o amor, entrego e ofereço a essa alegre mulher que me seduz. Escrevo-lhe uma carta de amor e paixão, de amor profundo, cuidado e fiel. Resposta: vós, homens sois insuportáveis, querem tudo de nós e nada nos oferecem em troca. Excepto enganos e infelicidades. Quem me dera ser homem para tomar a minha relança!

Schubert:Impromptu in G flat major D899 No.3

os trabalhos que dou à mulher que amo

a cor desta flor é a do amor distraído

Nós, homens, mal sabemos tratar das nossas pessoas.

Não escrevo esta frase com desapreço a nós varões, de qualquer orientação sexual. Em tarefas domésticas, somos um desastre. Em relações amorosas, desatinados. Oferecemos uma flor e justamente escolhemos a que a nossa mulher não gosta. Não é por maldade, é por andarmos sempre a pensar no Benfica, no nosso trabalho, ou, ainda, a olharmos para uma mulher bonita que passa, o que me cheira a um quase adultério.

As nossas mulheres tratam de nós e de todos estes dissabores para os quais nunca fomos ensinados. Assim como não há escola de pais, não existem escolas de maridos, amancebados ou amantes. O difícil é demonstrar à nossa mulher o quanto a amamos. Porque nós, homens, vivemos, desde o Concílio de Trento, numa eterna gaiola

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os técnicos informáticos

…para Bruno Sousa, que me assiste todo senhor… como ele é e Ricardo Santos Pinto também

um ténico informática que me assiste

Há apenas duas palavras que definem um técnico informático: são de utilidade pública!

Há muitos saberes, há muito ciência que podem existir na nossa cabeça, incluindo o famoso multiplicador de investimentos, criado pelo meu colega de Cambridge, Sir John Maynard Keynes. Fórmula difícil de entender, apenas ele sabia a chave para o investimento, incluído ao meu amigo, o seu discípulo Lord Kaldor. Quem ao entender: Y C cY I G A = + + + [Read more…]

o trabalho que custa ser académico

Ser académico, é essa luta permanente por saber e ter cargos, especialmente se, comparado com a geografia da sociedade semelhante à da terra, há muitas pessoas para o mesmo cargo. Não há apenas rijas entre camaradas, bem como se fala mal do rival para desprestigiar sua ética, a sua moral, o seu saber e, assim, ganhar o sítio apetecido. Quem concorre a um sítio académico, anda sempre pelas ruas da amargura, seja famoso e sabido, ou apenas um leito de livros, sem pesquisa, que lê para ensinar depois. Lê qualquer autor que lhe parece ser adequado. O escreve um texto para publicar, que dá tristeza.

Bem dizia o meu muito cedo desaparecido amigo Pierre Bourdieu, que desde o dia que escrevera o seu texto Homo Academicus, 1984, Éditions de Minuit, Paris, por ter denunciado estas concorrências, mais ninguém falava com ele. Excepto os membros do seu seminário, onde eu ensinava e ele, no meu, enviado aos seus assistente, que ficavam sempre na minha casa. Perguntava-se Pierre se o sociólogo era capaz de entender objectivamente esse mundo no qual trabalhava e do qual era o seu era o seu prisioneiro. A resposta está no livro e na tese da Doutora Maria Eduarda do Cruzeiro,

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amar uma mulher

…para a mulher que trata de mim… ela sabe quem é

mulher da minha alma, salva-me

Não é simples definir a palavra amor. Ainda mais, se estamos apaixonados por ela.  Ou se andamos a fugir de uma academia que não nos quer nem ver, ouvir ou resolver os nossos simples problemas. É ela a que nos salva…

Por ser um sentimento, é capaz de não precisar definição. Os sentimentos vivem em nós, multiplicam-se em nós, fuzilam-nos sem morrer e fazem de nós seres felizes, especialmente se tratam da nossa saúde, não no sentido calão de ironia, mas na realidade tomam conta de nós e ficam tristes se vêm que nos próprios, aparentemente, não cuidamos estes corpos doentes e envelhecidos, que, não entanto, ainda têm a força de trabalhar com ímpeto e gracejo.

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A soberania e os seus descontentamentos

Voo às cegas.

a soberania é democrática quando o governo é do povo, pelo povo e para o povo. ...

Texto reiterado para arrebitar a memória pelos tempos que correm

O subtítulo tem dois significados. O primeiro, é simples: escrevo este texto no dia 24 de Setembro e a denominada eleição legislativa, é no Domingo a seguir, 27. Mas, o meu texto deve estar entregue ao jornal esta Quinta 25. Não sou bruxo, tenho palpites. Esse palpite diz-me que deve ganhar quem melhor se entenda com a crise financeira que se vive na Europa, essa praga de Portugal. Como no Chile. Em breve começa a corrida para a Presidência da República. Quando havia ditadura, todos os partidos democratas juntaram forças para derrubarem um ditador que faleceu réu de crimes de sangue, mas faleceu réu. Nas mãos da justiça. Com a democracia restabelecida, os partidos deram aos seus candidatos poderes muito pessoais e a Concertação Social começa a desaparecer, após ter elegido quatro excelentes Presidentes da República. Será que esta

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ser académico

insígnias

de ser académico

Bem sei que tenho andado desaparecido. Peço desculpas aos meus leitores, especialmente aos que comentam os meus textos, poucos, mas bons.

Tenho andado desaparecido por boa causa, penso eu. Primeiro, ainda ontem acabei mais um novo livro: Yo, Maria de Botalcura, a psicanálise de uma senhora que viveu todas as tragédias da vida e acabou por sarar. Livro escrito em 2007 e reescrito esta semana. Entreguei a vós em excertos. Essa entrega estava cheia de gralhas e não tive nenhum comentário, como é natural: ou escrevo textos complexos, ou textos que ninguém acaba por entender e aceitam, agradecem, mas nenhuma palavra de apoio a minha escrita aparece. O livro, reescrito, ficou muito melhor e em castelhano, língua que todos os portugueses entendem, por ser castelhano chileno, castiço, que ainda guarda as palavras e formas de se exprimir do Século XVI. Assunto que acontece por ser o Chile um país isolado, uma faixa costeira no fim de mundo, entre o deserto de Atacama ao norte e a Antárctica, ao sul, sítio que tem seis meses de noite e outros seis de luz de dia. Mas, a temática era-me tão interessante, que não parei em detalhar esses doze mil quilómetro de cumprimento, entre a Cordilheira dos Andes e o mar, e esses

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Yo, María del Totoral-Ensayo de etnopsicologia de la infáncia-4

casa de adobe, casa de pobre o casa rural

Prácticamente, yo diría que este es el contexto de la vida de María Cecilia, desde pequeña, hasta huir de casa y ganar la vida por sus propios medios, en casa de parientes, como empleada de profesores antiguos que tuvo, como D. Nolfa, un profesor de Corinto, el Sr. Días, etc. No gustaba de vivir en la casa de sus padres, hasta el cambio que ya mencioné, al comprar el padre una casa en Talca que ella trató de ordenar y limpiar. Como dice claramente en su entrevista y en los textos que escribe, no le gustaban las casas de los papás porque ni muebles había. Sus formas de pensar, actuar, recordar, nos hace pensar que la terapeuta que trató de ella y le ayudó a vivir con alegría, es como el caso de Melanie Klein e su análisis de Richard en 1939. [Read more…]