O que é um bom professor? O que é uma boa escola?

Quem escolheu ser professor, escolheu a mais impossível, mas também a mais necessária de todas as profissões. E sabe que não vale a pena acreditar que podemos tudo, que podemos tudo transformar. Não podemos. Mas podemos alguma coisa. E esta alguma coisa, é muitas vezes, a “coisa decisiva” na vida das nossas crianças e dos nossos jovens“. António Nóvoa

O que é um bom professor?
O que é uma boa escola?

E porque não antes…
Para que serve a escola?

E, nela ou fora dela, para que serve (se é que serve) um professor?
podemos responder às duas primeiras sem pensarmos na resposta às duas últimas?
tudo isto a propósito de um post fantástico da Professora Teresa Pombo e de alguns (muitos) comentários.
depois (ou durante) podemos discutir as tecnologias educativas, a motivação (ou falta dela) de alunos, pais, professores, escola (enquanto instituição) ou até da sociedade…

podemos pensar no modelo actual de formação inicial de professores, na formação nas universidades, institutos politécnicos, na boa e na má formação inicial mas também na boa e na má formação contínua. e má é toda aquela que não provoca melhoria dentro da sala de aula, na biblioteca, no site da escola, no blog do professor. má é toda a formação que não promove reflexão e avaliação sobre a forma como desempenhamos, ou não, o nosso papel. [Read more…]

A Minha Escola Tem Um Site Novo

A minha escola faz serviço público de qualidade há 42 anos e tem agora  um site novo; algumas pessoas neste país ainda acreditam que é competência do Presidente da República vigiar e fazer cumprir a Constituição.

o sucesso do professor

a sabedoria do professor como docente não apenas teórico, o seu sucesso

Tem sido com muita atenção as estatísticas do nosso fundador, Ricardo Santos Pinto, quem me convidara como membro do grupo Aventar a de Carlos Fuentes, a de João José Cardoso, Dário Silva, Fernando Nabais e outras. A lista não é exaustiva, nem todos falam da temática, há outros que a ignoram. Para mim é um facto natural.

Normalmente fala-se do sucesso do estudante, de como dar aulas, a paciência para se confrontar em diálogo pessoas de idades diferentes, o saber explicar matérias abruptas, pesadas, com palavras simples. [Read more…]

A professora que falava de sexo

A professora Josefina Rocha, da Escola EB 2,3 Sá Couto, em Espinho, será julgada, acusada de ter ofendido e humilhado duas alunas. Espero, em primeiro lugar, que a professora seja condenada ou considerada inocente, o que é tão óbvio que merece ser reafirmado. Estranhamente, para o leigo que sou, o juiz terá afirmado que os indícios apontam para “uma provável condenação da arguida.”

Depois, gostaria de vir a perceber a importância que a gravação da aula, realizada à revelia da professora, teve, efectivamente, no processo, sobretudo tendo em conta outras decisões tomadas pela justiça acerca de escutas. Será, também, importante saber que riscos poderá vir a correr qualquer professor cujas aulas possam ser gravadas sem o seu consentimento. Para quem estiver interessado em ouvir, é anunciado que poderá descarregar aqui um ficheiro mp3 com a célebre gravação.

Entretanto, considero absolutamente lamentáveis as escolhas dos títulos do Público (“Professora que falava de sexo nas aulas de História vai a julgamento“) e do Correio da Manhã (“Professora que falava de sexo vai ser julgada“). Não é preciso saber muita gramática para perceber que aquele imperfeito (“falava”) serve para transmitir a ideia de um hábito, de um acontecimento frequente. Ora, tanto quanto sei, a professora está a ser julgada por causa do que aconteceu numa aula e não por ter o hábito de falar de sexo em todas as aulas.

Finalmente, e dentro dos limites éticos da profissão docente, não sei como é possível ensinar História ou Literatura, por exemplo, sem falar de sexo, de política ou de religião, por exemplo. Se o politicamente correcto americanóide vier a impor-se, estou a ver muito professor a ser obrigado a engolir a cicuta.

PISA 2009 vs. GAVE 2010?

 

Relatório 2010. Alunos não sabem raciocinar nem escrever

Aguardam-se as reacções de Sócrates e respectivas corporações à notícia acima referida, cuja base está neste relatório produzido por um departamento do Ministério da Educação.

Já comentei (aqui e aqui) os tão celebrados resultados do PISA. A verdade é que todos os foguetes que se largaram, então, são apenas consequência de um provincianismo estéril, próprio de quem prefere alegrar-se conjunturalmente a agir estruturalmente. Seria igualmente provinciano transformar este relatório do GAVE num momento de depressão. O que, verdadeiramente, interessa é saber com rigor em que patamar estamos – e há muita gente que sabe – e planear a partir daí. O que interessa é que, finalmente, a Educação passe a constar de uma agenda de cidadania e que deixe de ser um departamento ao sabor de delírios financeiros e pseudo-pedagógicos.

lembro ter escrito que…

analfabetismo activo e passivo entre adultos

Para os meus alfabetizados ao longo de uma cumprida cronologia…

Os iletrados do mundo não lêem, mas falam e falam de tragédias. Foi escrito, se bem lembro, com a minha amiga, orientada de tese e antiga discente, Ana Paula Vieira da Silva. O texto foi resultado de uma conversa ao telefone. A seguir a esse texto, escrevi outro sobre as formas de gerir o ensino em Portugal. Carta Aberta, com respeito e firmeza. Meu Deus! (apenas uma exclamação, não sou homem de fé). As mensagens chegaram em toneladas de mega bytes. Não pararam as mensagens de parabéns, os comentários em prol dessa defesa, acréscimos de congratulações por defender o corpo docente deste meu outro país, Portugal. Mas, estou certo, tenho comigo o texto, esta imensidão não esperada, de com comentários, as cartas, os telefonemas, etc. Nenhum falava dos iletrados. Como diz o meu bom amigo, hoje Doutor em Educação Especial, [Read more…]

Os Alunos da Minha Escola

Estes são alunos da minha escola que, como outras de igual natureza, anda a ser atacada. O que têm a dizer os autarcas e os pais destas centenas de alunos? O Governo deste país conhece a Constituição ou está já dispensado de a observar?

Área de Projecto: o que é isso? Acabar ou continuar?

Nos tempos de Guterres em S. Bento, numa altura em que Ana Benavente andava pelo Ministério, o Governo introduziu mudanças no currículo, tornando as escolas espaços menos disciplinares, mas mais curriculares.
Acabou, entre outras coisas, com as aulas de 50 minutos e introduziu as aulas de 90 ou de 45 minutos. Introduziu também três novas áreas curriculares não disciplinares: a Formação Cívica, o Estudo Acompanhado e a Área de Projecto.
Sobre estas duas últimas, importa agora reflectir um pouco na medida em que o Governo, no âmbito da cultura do défice, se prepara para as extinguir.
A Área de Projecto visa, de acordo com a Lei, ” a concepção, realização e avaliação de projectos, através da articulação de saberes de diversas áreas curriculares, em torno de problemas ou temas de pesquisa ou de intervenção, de acordo com as necessidades e os interesses dos alunos.”
Era trabalhada no primeiro ciclo pelo professor titular da turma, no 2º por um par pedagógico de professores da turma e no terceiro apenas por um professor da turma.
Muito se poderá escrever sobre as suas possibilidades, sobre os seus méritos ou até sobre a sua dispensabilidade… Uma coisa é mais ou menos aceite por todos: a área de projecto nunca o chegou a ser, de facto. Começou por ser uma espécie de área escola, nos últimos tempos foi tomada de assalto por todo o tipo de trapalhadas (planos de leitura, educação sexual, educação x ou projecto y…) Área de Projecto? Nem vê-la.
Nas salas de professores era comum dizer-se que não servia para nada e que poderia ser extinta.
Bem, ao que parece, o Governo está de acordo.
Pela minha parte, enquanto professor com experiência na área diria: a generalidade do trabalho em área de projecto é mal feita e por isso o seu fim mereceria o meu acordo.
Mas, acho que a Escola Pública necessita de um espaço deste tipo desenvolvido com qualidade. Sou pela continuação da Área de Projecto.
E porquê? Porque em contexto de área de projecto tem sido possível fugir da dimensão curricular e académica da escola. É onde conseguimos implementar um processo pedagógico com base nos projectos, é onde podemos articular (de facto) aprendizagens diversas, é onde podemos mobilizar competências em torno de uma ideia, de um conceito, de uma dificuldade. É, sem margem para dúvidas, a área escolar que mais aproximava a escola do mundo exterior.
É central e essencial numa escola de qualidade.

a ilusão de sermos pais

 

Acrescentado do meu livro de 2008: A ilusão de sermos pais, texto completo aqui.

 
 1. Sermos pais.

Devo reconhecer que não sei se este deve ser o primeiro ponto da matéria a tratar, esta de se ser autor da vida biológica, emotiva e intelectual de uma nova geração. Preciso reconhecer que o conceito de paternidade, me tem sido impingido pela cultura na qual vivo, a romana ocidental. Bem como, gosto dizer que paternidade, a meu ver, inclui os dois géneros, como hoje em dia se define. Definição criada na luta dos finais do Século XX e estes anos do Século XXI, começada com a luta denominada Sufragista de finais do Século XIX. Épocas, todas elas, para definir uma igualdade entre seres humanos de genitais diferentes: falo e vagina, mamas que oferecem leite e amamentam, bem como mamas estéreis para criar. Talvez, ambas, para exibir de forma erótica e seduzir uma ou outra pessoa – do mesmo sexo ou de sexo diferente.

[Read more…]

a criança abandonada

abandonada não apenas de comida, mas sim de carinho...

 Falar em crianças, é uma tarefa difícil. Pensamos que sabemos tudo sobre elas e tratamo-las como melhor nos parece, ou reparamos nada saber e mimamos um ser que toma vantagem da dor dos pais, que vivem arrependidos desse nada saber. Arrependimento reflectido nas suas caras e nos presentes oferecidos, na simpatia usada para matar a dor da falta de apreço do seu comportamento. Quando nada se sabe sobre criar filhos, a dor bate nos progenitores

O desconhecimento de como tomar conta de uma criança é uma maneira de a abandonar. No lado oposto, há os que pensam tudo saber, mandando nela como se fosse escrava: punem, corrigem, batem, e enviam-na para a solidão do quarto. Em sociedades patriarcais, como a nossa, onde é o elemento masculino do grupo doméstico, quem dá menos carinho, arremete mais sobre os seus filhos e pede-lhes contas, de manhã à noite. Sem nada, devem inventar, como tenho observado no meu trabalho de campo em várias aldeias e diferentes continentes. Especialmente se o dia se passou sem se fazer nada de produtivo aos olhos dos pais, ou se a produtividade desejada, vira jogo de berlindes, da macaca ou na exploração do mato com os seus camaradas.

Tenho narrado noutros textos, a existência de uma diferença entre menino e menina. Esta segunda pessoa tem o seu tempo todo ocupado. As sociedades patriarcais usam e abusam das senhoras desde novas: nos trabalhos na cozinha, no coser e

[Read more…]

amizade, uma relação cultivada

sem amizades cultivadas, podemos endoidecer

Escrever sobre um sentimento, não precisa citações. A amizade é uma   afeição recíproca entre duas pessoas que cultivam boas relações. É a sinceridade entre essas duas pessoas que sabem partilhar sentimentos e calar. Numa palavra, é a confiança mútua entre pessoas de qualquer idade que sabem tomar conta uma da outra, sem entrar pela vida privada do outro. É um sentimento de nunca abandonar a pessoa por quem se sente afectividade. Foi, na Grécia clássica que, pela primeira vez, através de Aristóteles, definido o conceito amizade. Os motivos da Amizade diferem em espécie, como, também, diferem as respectivas formas de afeição e de amizade. Existem três espécies de Amizade, e igual número de motivação do afecto, pois na esfera de cada espécie deve haver afeição mutuamente reconhecida.
Aqueles que têm Amizade desejam o bem do amigo de acordo com o motivo da sua amizade:

1) utilidade, a Amizade existe na medida em que se recebe um bem de outra pessoa. Incluindo, esta categoria, o prazer: isto é, desenvolve-se a Amizade por pessoas de fácil graciosidade, não em virtude do seu carácter, mas porque elas lhes são agradáveis. Assim, aquele cujo motivo da Amizade é a utilidade ama os seus amigos pelo que é bom para si mesmo; aquele cujo motivo é o prazer fá-lo pelo que lhe é prazenteiro; nunca o é em função daquilo que é a pessoa estimada, mas na medida em que ela lhe é útil ou agradável. Essas Amizades são portanto circunstanciais.

[Read more…]

Foi por causa dos vírus

A escola de Lamego que, no ano passado, foi escolhida pela Microsoft para integrar a rede mundial de escolas inovadoras, fechou as portas. Os 32 alunos da EB1 de Várzea de Abrunhais – que dispunham de wireless e em cujas aulas os Magalhães trabalhavam conectados com o quadro interactivo – foram transferidos para um centro escolar onde não há telefone nem Internet.

O Ministério da Educação aderiu ao software livre. Se quer manter a sua escola aberta use Linux. A Secundária de Lagoa, nos Açores, e a EB 2,3 de Nevogilde, em Lousada, fecham já a seguir.

As doenças e a pedofilia

o pedófilo é doente como todos, mas doente social e patológico

Palavra definida pela negativa, como convém quando a substância é a dor. Provém da palavra latina dolentia: falta de saúde, ou dolentiae: dor.

Há vários tipos de doença com os quais lutamos imenso para sarar. Há as que saram e há as que matam, há as que nos acama, há as que, passado um tempo, recuperamos do referido mal. Historicamente, há as que eram incuráveis, como o cólico miserere hoje denominado apendicite ou inflamação do apêndice ileocecal. Doença que, até 1940, matava se não fosse operada ou subtraída do corpo antes de infectar os intestinos ou o peritoneu (membrana serosa que cobre as paredes do abdómen = Peritónio). Doença que, actualmente, é simples de curar e ocorre mais entre crianças que entre adultos. Se acontecer uma inflamação do peritónio, a penicilina G é um antibiótico natural derivado de um fungo, o bolor do pão Penicillium chrysogenum (ou P. notatum). Descoberta em 15 de Setembro de 1928, pelo médico e bacteriologista escocês Alexander Fleming, está disponível como fármaco desde 1941, sendo o primeiro antibiótico a ser utilizado com sucesso. A apendicite não é, hoje em dia, uma doença que mate, excepto se não for tratada atempadamente por falta de recursos da família do doente, ou porque não se acredita na pessoa que diz sofrer essas dores. Há outras doenças, urgentes de tratar, que começaram a aparecer por meados do Século passado, como o Alzheimer e o vírus HIV, transmitido por via sexual ou sanguínea, caracterizada pela destruição ou pelo desaparecimento das reacçõesreações imunitárias do organismo (o agente da sida é o retro vírus HIV). A doença caracteriza-se pela destruição de uma [Read more…]

Arranque do ano lectivo – a confusão continua (ou contínua)…


O dia de hoje (8 de Setembro de 2010) é assinalado pelo Governo com o arranque do ano lectivo.
Ninguém estranha que o Primeiro Ministro apareça num centro escolar novo cheio de MG2 – a versão mais recente do Magalhães. É parte da herança Maria de Lurdes que continua bem presente quer pela presença do Sr. Secretário de Estado, Doutorando em Sociologia no ISCTE, quer pela ausência da Srª Ministra Maria Vilar.
A agenda educativa tem sido muito marcada pelas questões em torno da carreira dos professores e sobre essa será significativo dizer que desde 2004… nunca mais fui objecto de qualquer tipo de avaliação – Sócrates tomou posse em 2005 e até agora… zero! [Read more…]

as crianças, essa pequenada que nos faz rir e manda em nós

as crianças gostam reir e mandam em nós

Excerto da Introdução do meu livro O imaginário das crianças. Os silêncios da cultura oral, 1ª edição, Escher, Lisboa 1997, 2ª edição, Fim de Século, Lisboa. Para alegrar a vida após tanto debate sobre política educativa…

“Olá padrinho!”, diz a pequena quando lhe telefono para saber dela. Uma voz entusiasta que me cumprimenta com um carinho que, certamente, aprendeu dos seus pais e avós. Pais e avós que, por seu lado, aprenderam o entusiasmo pela vida e pelas pessoas dos seus próprios pais, bem como de toda a sua ancestralidade. [Read more…]

a criança, esse valor de câmbio

uma das crianças sujeitas ao que anda na moda: a pedofilia

Para a escola de Belas

Estou empenhado em duas lutas, em duas frentes diferentes. Um, é mostrar aos leitores, como pensavam os fundadores da nossa ciência da Antropologia, especialmente em etnopsicologia da infância; a outra, em desmascarar os adultos abusadores de crianças. Este texto tem por objectivo a luta por crianças sãs e a viverem no seu lar.

O que acontece na faixa de Gaza e quotidianamente no Afeganistão, esses Talibãs que não apenas matam, mas abusam das crianças. Como na Madeira….

Temos hábitos. Hábitos de conceitos. Hábitos de significados. Hábitos emotivos. Os primeiros, são de grande facilidade de definir: um conceito diz o que uma coisa é, uma actividade ou um facto. O significado, diz-nos a abstracção dessa realidade. Como valor, o tempo usado em fabricar uma mercadoria. Como câmbio, a utilidade de trocar um bem que eu faço por um bem que não tenho, intermediado pela abstracção dinheiro ou capital. E fica assim, rapidamente tudo definido e no seu sítio racional. Os emotivos, nem conseguem ser hábitos. Ou, por outra, temos o hábito de ter emoções e sentimentos, como referi no jornal de Julho deste ano. Texto que referia conceitos abstractos de sentimentos. E, como refere a dedicatória, bom para o que eu costumo denominar processo de ensino e aprendizagem.

[Read more…]

Mega agrupamentos / escola mais humana

Afinal na Finlândia e nos Estados Unidos  as escolas estão a percorrer o caminho contrário ao nosso. Escolas com maior autonomia, menos alunos e mais pequenas.

Na Finlândia a pequena dimensão é apontada como uma marca essencial dos resultados de excelência, bem como a proximidade, numa palavra, uma escola mais humana e dirigida à “personalização” Fixar um corpo docente qualificado, uma maior autonomia e a implementação de novos currículos.

Tambem na Inglaterra do conservador David Cameron, se aposta  nas escolas mais pequenas, mais bem qualificadas e com maior autonomia.

A grande dimensão permite poupar em custos directos, como centralizar funções administrativas, mas os custos futuros, com alunos mal preparados, são bem maiores, esta é a conclusão a que chegaram estes países que já passaram pelo caminho que estamos a percorrer agora.

Outra questão curiosa, é que os alunos não deverão andar mais de cinco kms, entre as suas casas e a escola, enquanto a concentração que se quer levar a efeito cá, poderá levar os alunos a deslocarem-se uma distância superior quatro vezes mais!

A verdade é que, quem manda na Educação, o Ministério e os Sindicatos, não está interessado em ter uma escola com estas características, retira “massa crítica” a quem exerce o poder, permite que os êxitos locais ganhem visibilidade.

Mais uma oportunidade perdida para a escola!

Novas oportunidades ou novos oportunismos?

Vejam se é possível alguma vez chegar a um país melhor com esta gente que nos governa, lendo a opinião de dois eminentes pedagogos:

Luis Capucha: A iniciativa Novas Oportunidades criou uma nova paisagem no país. Foi pena não ter havido a capacidade nem a visão  para a implementar décadas antes!…o sucesso e a adesão que concitou. Em quatro anos inscreveram-se nas diversas medidas disponíveis para adultos cerca de 1 200 000 pessoas, das quais mais de 400 000 já obtiveram um diploma…..neste domínio estamos no pelotão da frente da Europa! E é este domínio que nos pode impulsionar como país. (Presidente da Agência nacional para a Qualificação)

Rui Baptista : …que colocaram Portugal em 54º lugar, apenas à frente da Grécia, da Turquia e do México….no programa Novas Oportunidades, destinado a indivíduos maiores de 18 anos que deixaram de frequentar a escola por reprovações sucessivas, os resultados transformaram-se em êxitos estatísticos oficiais de uma desastrada política educativa.

“Estes frequentadores da escola aparecem nas aulas sem trazer uma esferográfica ou uma folha de papel. Trazem o boné, o telemóvel, os headphones e uma vontade íncrivel de não aprender e não deixar aprender.” …continuando a consentir que se formem ignorantes às pazadas a educação portuguesa corre o risco de ruir ao peso das Novas Oportunidades.” Ex- docente da Universidade de Coimbra.

Como se vê , ou não estão a falar da mesma coisa, ou estando, estão ambos a mentir, porque nada pode ser tão mau ou tão bom.Talvez, e é o mais certo, seja tratar-se de exemplos daqueles senhores que à vez nos foram levando para o atoleiro em que estamos e que agora, vão continuando a fazer pela vida, atirando desculpas de mau pagador para cima de tudo e de todos, por maneira a manter os “tachos”  que sempre ocuparam dando-se a “fretes” destes.

A vida é dificil para todos e é bem verdade!

A Frase

“Colégios privados estão a perder clientes”, José Rodrigues dos Santos há um minuto atrás no Telejornal da RTP1.

No meu tempo, as escolas tinham alunos (e professores também); agora têm clientes. Quanto é o tombo?

Estou mesmo a ficar velho.

Educação ou a vão glória de destruir um país

Há muito que o Ministério da Educação (?) trabalha mais para a estatística que para o futuro dos jovens e, claro, o futuro do país. Por entre algumas medidas positivas, aquela que foi a paixão de António Guterres foi desbaratada pelos seus camaradas de partido em nome dos números que surgem nos relatórios internacionais. Mas só mesmo os estrangeiros poderão ficar impressionados. Por cá, já percebemos que é tudo uma mentira.

Desde a contínua e progressiva perda de autoridade dos professores nas salas de aula, passando pela enorme vontade de pais de meninos minados quererem mandar na escola, continuando no facilitismo dos exames (sem falar das provas de aferição) e das avaliações (sem esquecer a celebre questão das faltas), e terminando nas fantásticas Novas Oportunidades que permitem fazer três anos de escolaridade em apenas um (e ganhar um computador portátil de presente, vá lá).

Terminando, não, porque agora o Governo quer dar aos petizes a oportunidade de fazer gazeta ao 9º ano, passando do 8º para o 10º. Diz o jornal i que para evitar a maçada de cumprir o 9º ano, os jovens lusos, graças aos inúmeros conhecimentos, terão de se autopropor às provas nacionais de Português e de Matemática do final do 3º ciclo, em Julho, e fazer os exames a nível de escola em todas as disciplinas do 9º ano. Já se imagina o terror dos adolescentes perante os perigosos exames que poderão enfrentar, atendendo aos exemplos recentes de exames.
[Read more…]

Escola de Fitares continua a discriminar. Não inclui, não educa para a Diversidade

Na Escola Básica do 2.º e 3.º Ciclos de Fitares, a homofobia e  bullling prosseguem, mesmo depois da morte do professor de música Luis do Carmo.
Desta vez , é  um docente da área das Expressões a queixar-se-nos de ser vítima de assédio moral  e  de bullying, pelo que está de baixa psicologica e já pediu mudança de turmas ou de escola, pois deseja trabalhar. Já apresentou queixa ao Provedor do Cidadão.
O clima de hostilidade a que o professor vem sendo sujeito de forma crescente  por parte de alunos contará com a aparente cumplicidade de alguns  pares, mas sobretudo  da Direcção, sob a forma de silêncio e desinteresse  em tomar medidas correctas .
Os alunos agressores recorrem  ao recurso a insultos em crioulo nos corredores, a que se somam insinuações na própria aula e mesmo comentários anónimos, escritos.
Tudo isto decorre no rescaldo das denúncias que levaram à notícia do suicídio de Luís do Carmo, que desagradou à direcção.
A discriminação que atinge o professor  é sintoma revelador de preconceitos sociais que reinam ainda no meio escolar sem haver tentativa de os extirpar. A vítima tem sempre, nestes casos, dificuldade em provar objectivamente que a sua honra e dignidade foram violentadas.
O desgaste psicológico gera  um terreno assaz fértil para que se instale o próprio processo homofóbico.
O professor declarou-nos: “A escola  homofóbica é causa e consequência do fenómeno de desestruturação da sociedade. Resolveu, legitimamente, que não tem de falar de si como pretendem provocatoriamente os alunos.  Os professores não estão na escola para falar de si”, mas para formar cidadãos republicanos, laicos, respeitadores  da Diversidade  e do seu semelhante, por isso solidarizo-me  com este docente que se vê perseguido desta forma insidiosa no seu local de trabalho, como está a ser habito agora. Veja-se o caso da professora de Mirandela.

A Alheira da Playboy ou a Playboy de Mirandela

Os meus cinco minuto de fama estão longe – não troquei o calor das minhas roupas por um salário, ainda por cima a recibos verdes.

A expressão corporal que a chama da Torre nos trouxe mais não é do que o exemplo de alguém que torna visível o absurdo em que se transformou o negócio das AEC’s – negócio, entenda-se, para as C. Municipais.
E além da exploração que é feita a quem trabalha APENAS e SÓ pelo tempo de serviço, temos um serviço de péssima qualidade. Um exemplo:
– O Prof. Mário entra às 15h na escola A, onde trabalha 45 minutos. De acordo com os horários, deveria às 15h45 entrar na segunda aula, assim que a primeira estivesse no fim. Acontece, que a segunda aula é numa escola a 5 km da primeira. Isto é, depois dos primeiros 45 minutos, o Professor tem que ir no seu carro, percorrer a distância entre as escolas e… fazer de conta que dá uma aula de 45 minutos…
E é esta a fantasia em que se tornou a nossa Educação hoje – fazer de conta é o lema!
Mas, ficamos pelo menos com a certeza que as Mães de Mirandela, na vanguarda dos bons costumes, estão atentas!

A alegria voltou a Mirandela

As mulheres de Mirandela encontram uma fogosidade nos seus maridos que as faz muito felizes, não acostumadas a tamanhas provas de dedicação e carinho, as mulheres de Mirandela preparam-se para lançar um “abaixo assinado” no sentido da professora que se despiu nas páginas da PlayBoy não seja desterrada para muito longe.

Afinal, quando uma e outra vez são chamadas à escola para autorizarem os seus filhos a terem aulas de educação sexual, que melhor “material didáctico” para os jovens começarem a conhecer o corpo humano? Não é por aí que se começa?

Restaurantes e tabernas têm tido um movimento inusitado, com uma boa procura interna( sim, que nós tambem ouvimos o Santos…) com amigos de meia idade que guardam para a sobremesa a leitura atenta da revista (há ainda por aqui muito quem não saiba ler) e famílias em franca harmonia.

Os ginásios têm tido um incremento na procura impressionante, com as garotas a trabalharem o “body” para ficarem como a professora, em vez de irem para as noitadas, o fumo e os “shots”. Os adolescentes rapazes andam um bocado com a mão direita caída mas nada de preocupante, faz parte da fisioterapia para quem trabalha muito no computador.

Os únicos que não comungam da alegria parecem ser o Presidente da Câmara e o Director da Escola, um e outro preocupados por as pessoas poderem concluir que serão felizes se pura e simplemente os ignorarem!

Hipócritas ! Deixem a rapariga fazer da vida dela o que bem entende! Faz mal a alguem?

Educação e Mark Twain

“I have never let my schooling interfere with my education”.

(Mark Twain)

Na passada Segunda-feira, dia 19, fui assistir a duas peças de teatro, no âmbito da “2ª Mostra de Teatro Escolar“, em Vila Nova de Famalicão. Estava especialmente motivado (envaidecido, confesso), pois a primeira peça tratava-se de uma adaptação livre do meu livro, pelas mãos de um amigo, o Prof. Fernando Silvestre, que dirige o grupo de teatro “O Andaime”, da escola secundária famalicense Camilo Castelo Branco. E cedo apercebi-me que a grande maioria dos espectadores eram adolescentes, o que fazia todo o sentido, pois tratava-se de teatro escolar.

Da primeira fila, não pude perceber bem o que se passava nas filas mais longínquas, onde se acantonou a maioria da estudantada de várias escolas. Uma vez que a tónica dominante das peças era a comédia, os risos abafavam muita coisa, mas nem tudo, e fui apercebendo-me de alguns estranhos barulhos, num contínuo ruído de fundo que não cessava.

[Read more…]

Prós e Contras – A escola autónoma

Ontem o Pós e Contras foi um programa de enorme importância. A vários títulos. Desde logo porque o assunto era a escola e a sua autonomia, porque participaram pessoas das escolas, que estão no terreno, e porque com grande surpresa minha, estão basicamenet de acordo.

Uma escola com autonomia, capaz de se “individualizar” na medida em que tem que se adaptar ao ambiente  em que se insere, írreptível, e por isso, única.

Uma hierarquia decisória e displinadora, com rosto, democrática, mas sem dúvidas quanto a quem manda e a quem representa a autoridade e a disciplina.

Responsável na medida em que tem que responder pelos meios e pelos objectivos que lhe são consignados.

A possibilidade e a liberdade dos pais escolherem o que consideram melhor para os seus filhos.

Uma escola “local” interagindo com o universo de alunos e de famílias, com os poderes locias e ser capaz de dar resposta apropriada e célere aos problemas, eles tambem únicos, que tem que enfrentar. O que ficou tambem claro, é que não há fatos feitos cozinhados num qualquer gabinetes, entre burocratas, que sirva às milhares de situações com que as escolas se confrontam todos os dias.

No essencial, gente responsável, que trabalha arduamente, está de acordo.

A escola autónoma caminha inexoravelmente para ser uma realidade, contra os que vêm na escola campo de experiências e de luta política. Uma boa notícia!

Bullying

No meu tempo de estudante, havia rufias que se metiam com os mais fracos.

Houve sempre rufias. Houve e continuará a haver.

Parece-me que a diferença nos dias de hoje, é que a comunicação entre pais e filhos não será a melhor. O que os pais dão aos filhos, afasta-os do diálogo: computadores, mp4 com auscultadores, consolas de jogos, telemóveis para mandar mensagens e ouvir música, etc. E como parecem muito dinâmicos a mexer em tudo que é aparelhos e afins, todos dão ares de independência e sagacidade. Esta diferença leva a que os pais estejam convencidos que os filhos estão bem, porque estão lá no mundo deles. E o mundo deles é cada vez mais distante. Esquecendo-se, os pais, que os filhos continuam crianças, com as suas naturais fragilidades e os seus naturais medos e vergonhas.

Há pouco tempo, soube de um comentário de uma miúda de 10 anos que confessando a sua paixoneta por um colega de escola, o caracterizou como bom rapaz, não porque seja bom aluno, mas porque não é daqueles que batem nas raparigas.

Se fosse minha filha, eu trataria, imediatamente, de indagar que coisa é essa de rapazes baterem em raparigas, e cuidaria de responsabilizar não só a direcção da escola como, acima de tudo, os pais das crianças agressoras. E sem rodeios afirmo, que se algo acontecesse com uma filha minha, seria o pai do agressor o primeiro a levar troco. Depois se veria o que acontecia.

Infelizmente este é um país cultural e civilizacionalmente tão inábil, que até precisa de usar expressões estrangeiras como “bullying” para rotular comportamentos rufias, pela simples razão que com tal rótulo estrangeiro transformam tudo num complexo fenómeno sem fronteiras, próprio das sociedades modernas, com o qual temos de lidar com  muito cuidado, sem ofender ninguém, e só depois de se ouvir variados especialistas na matéria.

No meu tempo de criança e adolescente, assuntos de rufias resolvia-se com um pouco de porrada. E confesso que, neste particular, tenho alguma saudade desse tempo.

Escola autónoma tem pés para andar

Há muito, há mais de dois anos que eu atesanava a cabeça ao Ricardo falando-lhe na autonomia para a escola. Sempre tive a convicção que não é possível ter um fato feito que sirva a milhares de escolas todas diferentes, cobrindo todo o país. Que a distância da escola para quem realmente manda, fechados nos seus gabinetes, sejam sindicalistas, sejam burocratas, que não estão no terreno, que não enfrentam os problemas, não permite a tomada de decisão atempada, nem a compreensão dos problemas, todos diferentes e diários.

Os sindicalistas e os burocratas do ministério não tratam da escola, tratam de si mesmos. Se a escola tiver autonomia suficiente e, principalmente, funcionar bem, todos ganham menos os burocratas. Co-governam a educação há 36 anos, parece que andam às turras mas não andam, chegam sempre a uma solução má para quem está no terreno. Passado algum tempo, os desavindos aí estão com novos problemas que ninguém sente a não ser eles. Sem inventar problemas não sobrevivem.

Mas começam a aparecer vozes, aqui e ali, a denunciar esta vergonha e este prejuízo para os país e para as escolas. A descentralização é dado adquirido para termos uma escola capaz, a gestão escolar entregue a Directores e gestores profissionais, a abertura às instituições locais, todas profundas conhecedoras do ambiente local em que está mergulhada a escola, a capacidade de resolver os problemas localmente e no momento .

Violência e indisciplina na escola

Neste fim-de-semana TODOS falaram porque Mário Nogueira e o Conselho Nacional da FENPROF aparecem, obviamente, como a VOZ dos Professores. É apenas a demonstração da importância que TEMOS na sociedade Portuguesa.
A FENPROF sugere que a prevenção deve ser prioritária em relação à punição: acredito, desculpem-me camaradas, que Jacques de la Palice não diria melhor.
Mas, a FENPROF disse mais:
– as condições, nomeadamente ao nível dos recursos humanos tem que ser objecto de um projecto tipo, “Parque Escolar”, porque não são as paredes, nem os computadores que criam boas escolas. A presença de equipas multidisciplinares (psicólogos, educadores sociais, animadores, assistentes sociais, terapeutas) é urgente e o aumento do número de funcionários auxiliares é igualmente prioritária.
– a carga burocrática, absolutamente desnecessária e que nada acrescenta ao acto educativo tem que terminar: o horário dos PROFESSORES TEM que ser usado para aquilo que é a sua função, dar e preparar aulas, trabalhar com os alunos; não somos burocratas, nem técnicos oficiais de contas.
– “conferir ao professor, a exemplo do que acontece já em algumas comunidades espanholas, o estatuto de autoridade pública e a figura jurídica da presunção da verdade;”
E esta última referência tem merecido comentários ao longo do dia, quer por parte da Srª Ministra, quer por parte do Presidente de alguns pais.
A Srª Ministra, no seu habitual registo, “não sei de nada, só vim aqui ver a bola” diz que a proposta da FENPROF é uma possibilidade.
O sr. que não refiro o nome para não sujar o Aventar deseja que as faltas continuem a ser todas iguais, sejam elas justificadas ou injustificadas.
Sem margem para dúvidas: 99% dos problemas de indisciplina nas escolas são CULPA (com as letras todas) dos PAIS dos meninos. Eu, como Pai de dois alunos da Escola Pública, exijo que 99% dos alunos da “minha” escola não se percam por causa de alguns pais que não cumprem o seu papel.
Por mim, Pais de alunos violentos devem ter sanções financeiras.

A (in)diferença entre indisciplina e violência

O espaço mediático continua a ter referências mais ou menos explícitas a questões de indisciplina e / ou violência.
E permitam-me que possa reflectir sobre esta temática procurando ilustrar esta questão sob duas perspectivas: a de Pai e a de Professor.

Num post anterior procurei mostrar o que pode ser o dia-a-dia numa escola. A indisciplina é algo que faz parte das relações entre poderes divergentes – entre pais e filhos, netos e avós, alunos mais velhos e alunos mais novos, jogadores e treinadores…
A formação inicial dos professores não permite uma grande aprendizagem nas metodologias que permitem gerir esta realidade – é a experiência e o contacto real, em contexto de escola, com os alunos que permite ir realizando uma profissionalização que vai ajudando a construir as competências necessárias.
E, boa parte desta realidade surge porque na sociedade a instituição responsável pela Educação, não EDUCA – a família, seja lá o que isso for.
As pressões que hoje TODOS exercem sobre as famílias levam as pessoas a:
a) trabalhar de sol a sol, com tempo para os filhos ao fim-de-semana e apenas no Centro-comercial;
b)viver dos rendimentos sociais e, sendo tudo dado, nada é preciso fazer, só exigem.
Os “putos” chegam-nos às mãos convencidos que podem tudo e não têm regras: ir à casa de banho é quando querem, material, que tragam os profs… Calados, só se estiverem “motivados”… Enfim, como antes escrevi, para onde vais Escola Pública, onde todos nos enganamos? Uns a fazer de conta que ensinam e outros a fazer de conta que aprendem…

"Masturbam homens de aspecto decente em vão de escada"? Corta!

Era eu uma cumpridora aluna do Ensino Secundário quando,  achando suspeito que os poemas de Álvaro de Campos que constavam no nosso manual de Português tivessem tantas reticências, fui procurar os mesmos poemas nas edições completas e descobri que as reticências correspondiam a uma censura. Por exemplo, na “Ode Triunfal”:

“Ah, e a gente ordinária e suja, que parece sempre a mesma,

Que emprega palavrões como palavras usuais,

Cujos filhos roubam às portas das mercearias

E cujas filhas aos oito anos — e eu acho isto belo e amo-o! –

……………………………………………………………

A gentalha que anda pelos andaimes e que vai para casa

Por vielas quase irreais de estreiteza e podridão.”

Ora, onde estava essa longa linha de reticências  deveria estar:

“Masturbam homens de aspecto decente nos vãos de escada.”

[Read more…]