Camaradas artificiais

A pergunta óbvia, que Sam Altman não antecipou que se colocasse, quando escreveu no Washignton Post há mais de seis meses, mas que se coloca agora, depois da eleição de Trump, da proximidade das grandes tecnológicas americanas com o novo presidente, do que Elon Musk tem feito, mas também do que outras grandes tecnológicas têm feito, é óbvia e trágica para a América e o Ocidente: entre uma Inteligência Artificial que nos oferece as verdades de Xi Jinping e do Partido Comunista Chinês e outra que não sabemos se um dia não nos oferecerá a verdade de Elon Musk, Trump ou companhia, a escolha democrática é assim tão óbvia? Obviamente que não.

Henrique Burnay, Expresso

Deepfucked

Os chineses criaram o seu próprio ChatGPT. Chama-se Deepseek. A ferramenta é de tal forma eficaz que o sector tecnológico norte-americano caiu desamparado na bolsa de Wall Street e perdeu mais de 600 mil milhões de euros. Afinal, o poder das tecnológicas não é assim tão grande.

O que se passou ontem ajuda a explicar a deriva autoritária do capitalismo, sobretudo nos EUA. É que, para o grande capital, para usar a expressão do PCP, os lucros tendem a sobrepor-se à democracia e aos direitos humanos.

Foi assim quando os grandes empresários alemães se aliaram a Hitler, é assim quando bilionários como Elon Musk atacam sindicatos e políticas sociais, e usam os seus recursos quase infinitos para financiar e promover forças de extrema-direita. [Read more…]

Vladimir Trump e a separação de poderes

Trump mandou despedir os procuradores que o investigaram. A oficialização da natureza autoritária dos EUA segue imparável.

O padrão Musk

Ninguém votou em Elon Musk.

No entanto, il consigliere tem neste momento mais poder e exposição mediática que JD Vance. E ombreia com Trump.

Aliás, a saudação nazi – sim, foi uma saudação nazi, e foi intencional, mas já lá vamos – roubou claramente o protagonismo a Donald Trump. No dia seguinte ao mais importante da vida do outra vez presidente dos EUA, o maior comeback da história da política americana, o tema não foi Trump. Foi a actuação do Adolfo de Pretoria. E Trump, dono do mais pedante ego à face da Terra, não deve ter ficado nada contente. A Soberba é pecado mortal, mas Donald é muito cristão. Enviado por Deus.

Esta é uma das minhas esperanças: que os gigantescos egos de Trump e Musk colidam. Sem retorno. A seguir abasteço-me de pipocas e vou assistir ao combate entre nativistas e broligharcs no octógono, com Joe Rogan a comentar e Trump a tirar selfies com Dana White na fila da frente. Se tivesse que apostar, apostava nos segundos. In America, cash rules. Ou como muito oportunamente o colocaram os Wu-Tang Clan: C.R.E.A.M. Dolla dolla bill, y’all.

Adiante.

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TrumpTok

Trump em 2020: Vamos banir o Tiktok. Esta aplicação é uma ameaça à segurança nacional dos EUA.

Trump em 2025: O Tiktok não pode ser banido. Vou reverter a lei para proteger a segurança nacional dos EUA.

Anschluss?

Parabéns a todos os americanos que elegeram este Adolfo, e também a todos os fascistas por essa Europa fora, que rejubilaram com a sua vitória. Estou em pulgas para ouvir as balelas nacionalistas de Ventura e respectiva entourage, no dia em que vierem pelas Lajes.

Jimmy Carter (1924-2024)

Jimmy Carter foi, de todos os presidentes americanos, aquele que mais vezes esteve do lado certo da história. O mais decente, a meu ver, dos inquilinos da Casa Branca. E se a sua morte era expectável, pelos 100 anos e pelo estado muito debilitado da sua saúde, não deixa de ser significativo que a sua partida coincida com o momento mais frágil da história da democracia americana. Que descanse em paz.

Como converter terroristas em freedom fighters

A queda de Bashar Al-Assad é uma excelente notícia. Como foram boas as notícias da queda de Saddam ou Khadafi.

O problema, derrubados que estavam os ditadores do Iraque e da Líbia, foi não haver um plano para o dia seguinte.

O resultado? Ambos os países conseguiram a proeza de se tornarem ainda mais ingovernáveis e infernais para os seus habitantes.

O Iraque de 2024 é palco de incessantes conflitos entre inúmeras facções e atentados terroristas semanais, quando não diários.

A Líbia vive um caos idêntico, com a agravante de se ter transformado num mercado esclavagista e numa plataforma giratória de tráfico de seres humanos. [Read more…]

Nova Ordem Mundial

Donald Trump, licenciado em conluios, mestre em fraudes fiscais e doutorado em nepotismo, decidiu entregar o recém-criado Departamento de Eficiência Governamental a Elon Musk e Vivek Ramaswamy.

Nota artística: não só se diz que o departamento foi ideia do próprio Musk, como o seu acrónimo – DOGE – é literalmente uma homenagem à Dogecoin, a criptomoeda favorita do principal oligarca e financiador da segunda vinda do trumpismo, versão “on steroids”. Ou então é só uma coincidência muito engraçada.

Adiante.

Nem me vou indignar com o inegável conflito de interesses de ter dois potenciais beneficiários das borlas fiscais de Trump a gerir um departamento cujo principal objectivo é cortar nas gorduras de um Estado que nem SNS tem. Mas que não se inibe de gastar muitos milhares de milhões em armas, para manter aquele que, ano após ano, é o exército com maior orçamento do mundo. E não é expectável que Trump aceite cortes no sector militar. Para não falar nos muitos contratos das empresas de Musk com o estado federal, na Defesa e na NASA, que dificilmente sairão beliscados. [Read more…]

Drain the swamp and fill it with brand new shit. 

Donald Trump, mestre em conluios, fraudes fiscais e nepotismo, decidiu entregar o Departamento de Eficiência Governamental a Elon Musk e Vivek Ramaswamy, dois empresários com interesses na área, seja enquanto fornecedores do governo, seja enquanto beneficiários das borlas fiscais que vão resultar do desinvestimento no sector público.

Há quem garanta que é com tarifas, conflitos de interesses e tachos para esta nova oligarquia que o capitalismo será mais forte. Mas eu ainda sou do tempo em que o capitalismo era feito de mercados livres, livre concorrência e – alegado – mérito. No fundo, o capitalismo é aquilo que quem manda nos EUA quiser que ele seja. O que só reforça ainda mais a farsa em que se transformou.

Drain the swamp and fill it with brand new shit.

América Desigual

Todos achamos isto e aquilo sobre o desfecho das eleições americanas. Há análises para todos os gostos e vamos andar nisto alguns meses. Até porque o que se decide em Washington afecta a humanidade em bloco.
O que eu acho, e já achava antes – e quem comigo conversou e debateu o assunto ao longo dos últimos meses sabe que estive sempre convicto que Trump ganharia fácil a eleição – é que os Democratas e as suas elites se afastaram, há muito, das pessoas comuns.
Não necessariamente por causa do fenómeno woke, em todas as suas muitas dimensões, que há muito ultrapassaram a barreira do absurdo, mas porque os EUA, sendo a maior economia do mundo, são um país profundamente desigual.

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A liberdade que os gurus de André Ventura têm para nos oferecer

Qualquer semelhança com uma distopia inspirada nos regimes nazi ou soviético não é pura coincidência.

11 de Setembro

Passaram 23 anos.

O mundo mudou, para pior, e ainda sentimos as ondas de choque de um atentado terrorista repleto de pontas soltas e muito por explicar.

Explicações que, seguramente, nunca chegaremos a conhecer.

O 11 de Setembro colocou um ponto final num período único de prosperidade ao qual dificilmente voltaremos. Felizes de nós, que fomos miúdos nos anos 90. Desde então tem sido sempre, sempre a descer…

James Earl Jones – “Is his voice”

Por ocasião da cerimónia de homenagem a Sean Connery pelos seus pares, cerimónia do AFI Life Achievement Award ocorrida em 2006, uma das personalidades homenageantes foi James Earl Jones, que começou o seu elogio dizendo “Is his voice”.

Realmente, a voz de Sean Connery, o seu timbre, a sua pronúncia, são distintivos e até objecto de algum gozo (coisa que o próprio, por regra, não achava grande graça).

Recordo este episódio porquanto agora que James Earl Jones já não está fisicamente entre nós, também ele é comummente referido como possuidor de uma voz única. Qualquer interpretação sua frente às câmaras ou num palco, qualquer narração, ganhava uma dimensão de solenidade e de profundidade impossível de não ser notada e identificada.

Do drama à comédia, da ficção científica ao policial, muitos foram os estilos em que interpretou as suas personagens. Mas, para mim, a sua grande interpretação foi a de Douglass Dilman, no filme “O Homem” – uma adaptação cinematográfica da obra literária homónima do grande escritor norte-americano Irving Wallace, levada a cabo com Rod Serling.

A imensidão que representa um só homem – Douglass Dilman, o primeiro negro a tornar-se presidente dos EUA  -, de Senador a Presidente, por todo um calvário de circunstâncias e das suas respectivas forças, tecido pela sua raça, pelas responsabilidades do cargo, pela sua vida privada, por todos aqueles que o rodeiam e pelo acaso, é interpretada de forma absolutamente genuína por James Earl Jones. Tão genuína, quanto a sua voz. Numa clara e perene prova da sua excelência.

A sua voz, as suas interpretações, ficarão para sempre entre nós.

RIP

Harris v Trump

Votar em Harris e lutar politicamente 4 anos, ou votar em Trump e não votar novamente. (Palavras do próprio)

A clareza de Hugo Soares

A dificuldade assumida pelo líder da bancada parlamentar do PSD, sobre escolher entre Donald Trump e Kamala Harris, diz-nos quase tudo o que precisamos de saber sobre as suas convicções ideológicas e sobre o tipo de sociedade que defende. Sobretudo porque a agenda de Kamala assenta essencialmente no modelo social-democrata que surge no nome – e apenas no nome – do PSD.

Mas as palavras de Hugo Soares dizem-nos algo mais alarmante: dizem-nos que um alto dirigente do partido que governa Portugal, e um dos homens mais próximos do primeiro-ministro, considera como opção válida alguém que tentou um golpe de Estado por não aceitar os resultados eleitorais.

Alguém que sugeriu que Putin invadisse aliados da NATO.

Alguém que elogia o estilo de Xi Jinping e se diz amigo de Kim Jong-un.

Obrigado pela clareza, Sr. deputado.

Entrada a pés juntos de Kamala Harris a Donald Trump

Tarde demais, Biden. A menos que…

Biden demorou tempo demais a tomar a decisão inevitável. Travar Trump era já uma missão quase impossível, sobretudo após um atentado que, sendo o resultado directo da sociedade armada que defende, teve o expectável efeito de o transformar num mártir aos olhos do seu eleitorado e de reforçar a propaganda com imagens fortes de punho fechado, sangue na cara e bandeira a esvoaçar atrás.

Agora, parece-me, entramos no território da impossibilidade.

Porque confirma as acusações, até há dias ridicularizadas, de Biden não estar mentalmente apto para disputar a eleição. Ou para governar o país.

Porque faltam apenas 4 meses para as eleições.

Porque as sondagens indicam que Kamala Harris não tem hipótese. [Read more…]

USA, land of inequality

What?

The land of the free?

 

Javier Milei foi a Washington lamber a mão do dono

Já sabia que o tolinho recebe conselhos do cão, mas não contava que começasse o percurso a lamber a mão do establishment.

Next stop: Republic of Gilead

O novo speaker da câmara dos representantes, Mike “MAGA” Johnson, é um nacionalista cristão. Em 2019 afirmou “Não queremos estar em democracia”. Pragmático.

Os homens do Hamas são “guerreiros santos”

O Hamas não é terrorista, mas uma organização patriótica que defende o seu povo e o seu território (…) São guerreiros santos.

Quem terá proferido estas declarações?

Ali Khamenei?

Sayyed Hassan Nasrallah?

Vladimir Putin?

Ismail Haniyeh, o hóspede de luxo do ditador do Qatar que gere o Hamas a 2000km de distância?

Bashar al-Assad?

Nada disso: foi Recep Tayyip Erdogan, o autocrata que lidera a Turquia, membro da NATO que ocupa a posição político e geoestratégica mais influente nos dois conflitos em curso às portas da Europa.

Aquele a quem pagamos milhões para impedir a passagem dos refugiados que tentam entrar na Europa vindos do Médio Oriente.

Mas não se preocupem. Desde que os interesses estratégicos dos EUA estejam devidamente acautelados, tem tudo para correr bem.

Entretanto, no país onde é mais fácil comprar uma semiautomática do que uma cerveja

um terrorista massacrou 22 pessoas e feriu + de 50 em Androscoggin, Maine. A liberdade de todos comprarem armas como quem compra pão tem corrido maravilhosamente nos EUA.

Os meus terroristas são melhores que os teus

Há uns tempos, acerca das declarações de Marcelo Rebelo de Sousa sobre os incêndios de Pedrogão, Ricardo Araújo Pereira notou que o Presidente começou por “Antes de mais, quero dizer que sou um ser humano” e que isso fazia falta. E parece que não era só aí. Os seres falantes que vemos por aí deveriam começar por se identificar para saber se vale a pena continuar a ouvir ou se vamos apenas assistir a uma subversão aos donos. A maioria dá mesmo vontade de ir lá dizer baixinho ao ouvido “diz lá algo de ser humano”.

Mais uma vez, o mundo percebeu que um conflito existe. Tal como aconteceu na Ucrânia, muitos colocam a mão à boca totalmente chocados com algo que não é de hoje. Tal como sempre, o ocidente só acorda para um conflito quando se sente minimamente afetado. Enquanto os conflitos são negócios lucrativos para a restante Europa e para os EUA, tapamos os olhos e beneficiamos disso. O meu lado político tem tendência para lhe chamar mercado livre. Enquanto temos uma direita que ignora atrocidades a troco do bem-estar de uma pequena parte da humanidade da qual fazemos parte, temos uma esquerda que tapa os olhos a atrocidades se estas afetarem a UE e os EUA. Todas estas posições são de um fanatismo atroz. Decidem em escritórios no centro de Lisboa o que declaram sobre situações que tiram vidas a pessoas diariamente. Eu também costumo mandar umas bocas meio-parvas no descanso do meu sofá. No entanto, é a insinuar que até eu marcava o que o Galeno falhou na Supertaça, não é a brincar com vidas de pessoas. [Read more…]

Genocídio à vista no gueto de Gaza?

Conhecendo Israel como qualquer político americano conhece, Joe Biden deixou um recado, após declarar total apoio à ofensiva.

Recordou que a guerra tem regras. Mesmo quando estamos muito zangados.

E não foi o único a dar ênfase ao direito internacional.

E porque o fez?

Porque Israel comete crimes de guerra há décadas, por questões menores, pese embora raramente se lhe aplique qualquer tipo de consequência.

Ter o tio Sam como padrinho tem as suas vantagens. [Read more…]

O muro de Joe Biden

Um dos compromissos eleitorais de Joe Biden, que alegadamente o distinguia de Donald Trump, assentava na total oposição à construção do muro na fronteira sul, para conter a emigração ilegal.

Nem um centímetro de muro, garantia o então candidato democrata.

E o que sucede?

Sucede que, na semana passada, a Casa Branca anunciou a construção de 32km de muro em Starr County, no Texas.

Donald Trump agradece. Vai dar um cartaz muito jeitoso, para campanha que se avizinha.

Obrigado, Navegadoras!

Fizeram história ao apurar-se para o Mundial, sucumbiram ao peso da inexperiência, mas bateram-se como as melhores entre as melhores e mais não se lhes podia exigir. O empate frente aos EUA, uma das selecções mais poderosas em competição, poderia muito bem ter terminado numa surpreendente vitória, não fosse o poste meter-se no caminho. Não obstante, foram enormes. E deixam em aberto um futuro promissor para a modalidade.

Respeito máximo, Navegadoras. Muito obrigado!

Como branquear um oligarca russo

Certificando-o judeu sefardita. Portugal tem produção em série, mas até nos EUA se safam em grande.

Lula da Silva e o Ocidente virtuoso

“É preciso que os Estados Unidos parem de incentivar a guerra e comecem a falar em paz. É preciso que a União Europeia comece a falar em paz. Pa’ gente poder convencer o Putin e o Zelenskyy de que a paz interessa a todo o mundo e a guerra só está interessando por enquanto aos dois.”

Foi esta a declaração de Lula da Silva que causou indignação cirúrgica, sobretudo entre a direita radical. Para a extrema-direita terá seguramente sido indiferente. O grosso dos seus aliados, como Orbán, Salvini ou Le Pen, sempre foram próximos de Putin e até receberam financiamento do Kremlin para a sua actividade política. E o circo já estava a ser montado. Já Montenegro foi cauteloso, e teve, a meu ver, sentido de Estado. Porque sabe, ao contrário dos restantes, que existe uma forte possibilidade de ser o próximo primeiro-ministro de Portugal. E, como tal, percebe a importância das relações diplomáticas com o Brasil. [Read more…]

EUA, China e Taiwan entram numa fábrica de semicondutores…

a ler.