Acordo bilateral Portugal-EUA sobre a transferência de dados biométricos e genéticos

Foi publicado hoje em DR o aviso (13/2012) da entrada em vigor do acordo.

A razão de existir

Um hospital monovalente não tem razão de existir” , diz ministro da Saúde para justificar encerramento da Maternidade Alfredo da Costa. Vão fechar os institutos de oncologia também? Be afraid…

 Ana Sofia Castanheira Martins

Portugal é a Grécia

Situação na Grécia resultou de ‘legado de anos de políticas irresponsáveis’

Portugal não é a Grécia

Todos sabem que Portugal não é a Grécia.

Portugal Ingrato

     

A 8 de abril de 1976 (há justamente 36 anos), o filósofo português Eduardo Lourenço (a partir de Vence, França) responde à carta que Jorge de Sena (em Santa Barbara, EUA) lhe enviou: ” podia subscrever quase tudo o que nela dizes, pois conheço um similar drama de desfasamento em relação às coisas pátrias , embora atenuado pela menor distância e a possibilidade de poder ir lá mais facilmente «reciclar-me» em barafunda e apreensão”. Ora o que Jorge de Sena- crítico, poeta; exilado no Brasil para fugir à PIDE; e depois nos EUA para escapar à ditadura militar naquele país instalada – havia desabafado, resume-se a isto: “pátria ingrata (…) Há muito que conversar, e , ainda que não houvesse, a gente fica a olhar um para o outro, verificando como o tempo e Portugal nos devoram.” [Read more…]

Valupi, Bicharoco Grunho Passional

Não se pense que não dou razão a Valupi quando assevera que o seu insano Sócrates não é uma figura banal na sua idiossincrasia. Gastei parte das minhas energias de blogger civicamente comprometido com a res publica a escrever precisamente sobre esse fenómeno de MegaLogro, colossal manipulação, gigantesca pefídia, não porque Sócrates fosse um burlão banal, mas porque significou a mais gigantesca golpada de sempre no Estado Português. [Read more…]

O País da Paz

Interessante e arejado o texto de José Vítor Malheiros, hoje no Público. Descortinou um segredo, um sonho, uma ideia política que há tempos circulava na sua cabeça. Escreveu ele que Portugal se devia dedicar à Paz.

Também eu quero que o nosso país continue a ser um país de paz como há poucos, dedicado a ela, especialista nesse domínio, como outros “se dedicam aos relógios”!
J.V.M. aponta mesmo para a ideia da criação de cursos, estudos e missões de paz! Portugal como o país especialista em promover a paz em todo o mundo.
Portugal já é acolhedor, mas seria mais que isso: tornar-se-ia “o país acolhedor por excelência”!
“Especializar-nos na paz, na arte do encontro, da conversa, da descoberta, da negociação, na alegria da diferença. (…) A paz sai mais barata que a guerra”!

E eu acrescento: Portugal seria o país da Paz como o Butão é do FIB (Felicidade Interna Bruta), os EUA da Coca-Cola, a Holanda das tulipas, o Brasil do Samba, etc.

Há coisa melhor que viver em paz?

A paz já é, por si, um cenário, uma música de fundo, um sabor e um perfume.

A Paz em Portugal, como já foi o Fado, a património mundial!! E porque não?

Onde andará Duarte Lima?

O DN anuncia que Duarte Lima é dos homens mais procurados no mundo, por iniciativa da justiça brasileira junto da Interpol. Que intrigante! Segundo julgo saber, o homem está detido pelas autoridades portugueses, por deliberação reiterada pelo Tribunal da Relação no passado dia 27 de Fevereiro, devido à suspeita de crimes de burla qualificada.

Menos de um mês depois, a Interpol lança este apelo, “wanted”, para localizar o Lima:

www.interpol.int_001

Fonte: http://www.interpol.int/Wanted-Persons/(wanted_id)/2012-13800

O sistema de justiça do Brasil, sem peias e os artificiais obstáculos usados na justiça à portuguesa, considera  haver suspeitas sobre o ex-deputado no suicídio de Rosalina Ribeiro, incluindo-se no processo actos de crime organizado e outros referidos pelo DN.

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La Palice

Será que é familiar do sr. Jacques? Jacques de La Palice?

Alargamento é o ovo de colombo

Ufa! Estou mais tranquilo agora. Afinal Portugal e a Grécia se descerem de divisão… Ufa… Está resolvido!

Carta do Canadá: A Sobremesa Americana

Fernanda Leitão 

O prémio Nobel, depois de lhe terem aposto as insígnias doutorais de três universidades, desabafou, entre naif e apardalado, que nunca tinha tido tantas coisas penduradas no pescoço ao mesmo tempo.Ninguém o avisou que Portugal é a pátria do oito ou oitenta. Depois, no silêncio do seu quarto de hotel,  Paul Krugman escreveu para o New York Times uma prosa datada de Lisboa.

Prosa desencantada que começa “por aqui as coisas estão terríveis”, estende a lista do desemprego alarmante, da economia que não cresce, da classe média esmagada e vestindo o estatuto de novos pobres, da recessão garantida, da dívida que não é garantido poder ser paga. E acaba perguntando:”Porque é que a Europa se tornou o doente da economia mundial?”.  Para, de novo, elaborar uma lista de razões e de comparações, acabando por denunciar a “ irresponsabilidade fiscal” e o excesso de austeridade despótica da Alemanha.  Que, no seu parecer, vai provocar situações como a da Grécia nos países do sul da Europa. E não só, já que se mostra sombrio em relação à Irlanda, Bélgica e Holanda. [Read more…]

A TOBIS foi Vendida

Foi Oitenta Anos Portuguesa, Agora é Angolana
Foi criada em 1932 para fomentar o Cinema Português. De uma maneira ou de outra, conseguiu os seus intentos. Agora, cheia de dificuldades financeiras, com toda a gente a lutar dentro da empresa, foi posta à venda e comprada, não por empresas Portuguesas (não as há com capital para comprar seja o que for), não por empresas Europeias (não há nenhuma que acredite em nós), não por empresas Chinesas (para já estão ainda a digerir a EDP), mas, desta vez, por uma empresa Angolana (para irem somando empresas ex-Portuguesas, em competição com a China).
A venda da Tobis é quase um crime de “lesa-magestade” com o património fílmico e imobiliário a permanecer nas mãos do Estado Português, garantia de um responsável, uma garantia que vale o que vale, não tivesse também garantido que foram salvaguardados os direitos dos trabalhadores, quando o acordo prevê o despedimento de metade deles.
Enfim, estamos a preço de saldo, nós todos, e não parece haver quem nos acuda.

O buraco

Como sair do ciclo recessivo? Tivémos o engenheiro a despejar dinheiro na Parque Escolar,  nas estradas, nos moinhos eléctricos,  nas barragens, nas… A lista é considerável. Se o tivessem deixado ainda faria o mesmo num aeroporto e no TGV. Ficámos melhor? Obviamente que não, basta ver que perdemos a independência legislativa! Nem a porcaria de um orçamento de estado agora podemos aprovar sem a bênção de um trio não eleito.

Fala-se muito que se estão a fazer políticas recessivas mas eu gostava é que me dissessem que alternativa há e com que dinheiro se implementaria. Está última parte é particularmente importante.

A partir do momento em que a Europa acabou com as barreiras alfandegárias face às “chinas”, nomeadamente pela possibilidade de se importarem produtos feitos sem as condicionantes salariais, ecológicas e de segurança que os europeus exigem – e bem – às suas empresas, a Europa assinou o seu declínio. Este, associado à negação da sua existência e ainda com uma enorme dose de irresponsabilidade, levou empresas, pessoas, bancos, Estado a gastarem muito para além do que tinham. Mas a factura era real. É real.

Estamos no buraco e dele não sairemos sem uma radical alteração da ordem mundial. E político que prometa algo diferente não passa de vendedor de banha da cobra.

Orquídeas IX: Portuguesas

O Aventar fica por cá!

Orquídeas Silvestres Portuguesas

Orquídeas Silvestres Portuguesas (Manuel Lourenço, V. N. Gaia, Portugal)

Cavaco Silva: o Presidente de todos os Gregos!

Lá como cá!

!

Por cá!

Assim, como assim, em gesto totalmente solidário e uma vez que a coisa por lá não anda famosa, ficavam eles com este e nós com o deles!

Este sim, era um enorme manifesto de apoio ao povo GREGO!

Gregos e Portugueses

(Foto: blog Defender o Quadrado)

Rui Tavares escreveu “somos como os gregos. E nós e os gregos somos tão europeus como os alemães” (PÚBLICO,15/2).
Nos últimos dias a Grécia é notícia: novas vagas de austeridade sem precedentes; violência dos protestos; incêndios (48 edifícios destruídos pelas chamas); noites de destruição; «clima de guerra urbana»; dezenas de feridos;  polícia alvo de cocktails molotov de manifestantes; remodelação do governo; eleições legislativas antecipadas; bancarrota…
 
Um jornalista grego disse hoje, contestando com razão: “Somos pessoas como outras quaisquer, não somos a ovelha negra no rebanho das ovelhas brancas. Os gregos não são os pecadores entre os inocentes alemães, finlandeses, australianos e holandeses. Os mediterrânicos não são os maus, os preguiçosos entre os muito bons”.

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Longe da Grécia, perto da Irlanda

O Senhor Primeiro-Ministro revelou preocupações em relação às negociações da dívida grega. Nesse contexto, na tomada de posse dos membros do Conselho Nacional para a Ciência e Tecnologia, declarou:

Nós não temos uma situação parecida com a da Grécia, temos uma situação muito mais próxima à da Irlanda, que começou o seu programa há mais tempo, o nosso começou há cerca de oito meses.

Esta ideia de aproximação à Irlanda é pura especulação romântica, cuja ficção se sustenta na fé de que os irlandeses, esses sim, estão no bom caminho e nós, perto deles, também seguimos o rumo certo.

A coisa não é bem assim, e até a propósito de afirmações acerca da ‘sensibilidade social do governo’, aqui referidas, sugiro que, se eventualmente necessário, Pedro Passos Coelho se inteire da verdadeira situação social, económica e financeira da Irlanda; país que, é dado como muito provável, vai recorrer a um segundo resgate. Basta ler o que diz a imprensa irlandesa, o ‘Irish Independent’ de hoje por exemplo, do qual destaco a notícia “Relatório adverte para falhas do bem-estar social” e, em especial, o seguinte trecho:

A co-autora do estudo Bernadette acrescentou: “Falha de solidez do salário mínimo nacional e das transferências sociais em medida concreta adequada, tal como definida na presente investigação, significa que a pobreza e a exclusão social continuarão a ser uma realidade na Irlanda“.

Tomar a Irlanda como modelo exemplar, apenas se entende na lógica da obsessão pela política do empobrecimento dos portugueses – custe o que custar!

Portugal falha acordo. Zona Euro já admite bancarrota

Chegaram ao fim, sem acordo, as negociações entre o Governo português e a troika. As negociações vão prosseguir na segunda-feira.

A reunião entre os três partidos da coligação que está no Governo e os representantes da Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) acabou sem acordo quanto às medidas de austeridade e reformas estruturais que o país está disposto a adoptar para continuar a receber a ajuda internacional.

A troika «exige mais austeridade do que aquela que o país é capaz de suportar», afirmou o líder da PSD, Pedro Passos Coelho citado pela AFP, à saída do encontro.

Já o líder do CDS, Paulo Portas, justificou o falhanço das negociações porque «não queria contribuir para a explosão de uma revolução» e aceitar as medidas exigidas pela troika poderia ter esse efeito.

Representantes da banca internacional juntaram-se também este domingo à maratona negocial que envolve o Governo português e a troika para a adopção de novas medidas de ajuda externa àquele país, avançou a agência France Press. [Read more…]

O fascinante mundo dos súbditos alemães

O germanófilo de hoje acorda a sonhar com a ordem como o de ontem, mas travestido de liberal. A culpa da crise foi dos governos despesistas, acha ele enquanto faz mais uma genuflexão aos mercados, do estado social e é claro, dos povos, os verdadeiros suínos no meio disto tudo.

O facto de a Grécia não conseguir cobrar à Alemanha o que esta lhe deve, ter continuado a comprar armamento mesmo depois de entrar em vertigem financeira, a coincidência de tal como Portugal se ter metido num euro feito à medida das potências europeias, as donas da vara que agora nos pretendem meter no curral, não tem importância nenhuma.

A culpa é dos gregos, hoje, como será em meio-ano dos portugueses, esses povos com a mania das grandezas que queriam ter um estado social e outros luxos a que nem os teutónicos terão direito.

Hoje falam da Grécia, amanhã serão os primeiros a aceitar o ultimato a Portugal. Devem esperar alguma recompensa no céu dos mercados. Sucede que Roma não paga a traidores e temos, portugueses e gregos, uns costumes históricos para vendedores de pátrias muito pouco compatíveis com os direitos humanos. É melhor prepararem a vossa emigração que a partir de agora já não é a brincar.

Qual o dia em que a União Europeia não aguentará?

euroSugestionado pelo título de uma série televisiva americana, ‘O Dia em que a Terra não Aguentou’, ocorreu-me formular a pergunta: “Qual o dia em que a União Europeia não aguentará?” E, de seguida, coloco outra questão: “Esse dia está próximo ou nem sequer se deve imaginar como provável?”

Por muito e esmerado esforço mental, sou incapaz de responder convictamente às duas questões. Valho-me da informação avulsa, e tanto quanto possível credível, publicada em diversas fontes de comunicação social e não só, e mais atabalhoado fico. Vejamos então:

A) O “The Guardian” informa:

O FMI adverte a possibilidade de catástrofe, pelo facto da Comissão Europeia contestar a Standard & Poor’s sobre a descida dos “ratings”.

A notícia do jornal inglês é, de resto, bastante extensa e não deixa de fora outros focos da crise: “Alemanha não vê razão para reforçar o fundo de resgate da Zona Euro, apesar da descida da notação da França”; “O incumprimento da Grécia não é impossível”; “Sarkozy pede a Espanha que mantenha o lugar no BCE, apesar da Finlândia e a Holanda o ambicionarem”;”O BCE reforçou o seu programa de compras de dívida na semana passada, mesmo antes da S&P cortar o “rating” a nove países”…

B) Leio o “The Irish Independent” e fico a saber:

Joan Burton está simplesmente a dizer uma verdade óbvia sobre um segundo resgate…porquê silenciá-la?

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União Europeia: A Austeridade Assassina

Hopeless_jpg_470x420_q85Jeff Madrick publicou ontem no NYK blog, “The New York Review of Books”, um texto de severa crítica à política de austeridade europeia. Tem o título “How Austerity is Killing Europe”, sendo ilustrado pela imagem aqui reproduzida de um cidadão grego a passar na frente de um ‘graffiti’ em Atenas.

O artigo, embora de incidência sobre teorias económicas, está redigido e estruturado de forma clara, com análises e ideias consistentes. É transversal em  relação à UE e à Zona Euro, como áreas da geografia de sistemas económico-financeiros agregados; e sobretudo é implacável para governantes e tecnocratas da governação que, convencidos de obter resultados inversos, executam políticas de assassinato da Europa. Os crimes são de diversa natureza, mas o desfecho é, de facto, empobrecer, torturar e destruir a vida de milhões de cidadãos do Velho Continente. Eis um excerto do 1.º parágrafo do artigo em causa:

A União Europeia tornou-se um círculo vicioso de dívida florescente, levando a medidas radicais de austeridade, que por sua vez mais enfraquecem as condições económicas e resultam em novas políticas agravadas do governo com cortes prejudiciais nos gastos públicos e alta de impostos.

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A corrupção no país vizinho e nós, não temos?

Esta imagem foi retirada de NoLesVotes, uma página muito simples, onde de forma dinâmica se vão marcando num mapa casos de corrupção e afins. Excelente iniciativa, denunciando um sistema de alternância perpétua dos mesmos no poder. Escolhi este bocadinho porque tem um imenso espaço vazio, o nosso, e talvez não fosse má ideia fazer o mesmo trabalho aplicado a Portugal. Casos não nos faltam, era só uma dúzia de amigos aparecerem na caixa de comentários deste artigo com vontade de colaborar, referindo casos por localidade se possível com link para uma notícia de jornal e já agora evitando que Lisboa ficasse com as bandeiras todas, o que nem é justo nem é verdade. Vamos a isso?

A dúvida da saída de Portugal do Euro

Portugal e Grécia e a saída do euro

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Determinados comentadores, em especial blasfemos, são permanentes e fiéis seguidores das tradições da doutrina maniqueísta. Usando argumentos simplistas, tudo o que vem das suas hostes políticas é Bom; o proveniente do lado contrário é Mau. Não se libertam deste subjectivismo.

Com o título “A culpa é do euro!…”, este texto mistura a eito, e sem nexo, uma série de conceitos que vão do ‘upgrade’ da cadeia de valor industrial – de um tecido industrial depauperado e limitado à Autoeuropa e pouco mais – até aos ‘empresários de vão de escada’. O arsenal utilizado, sem consistência, vale para visar criticamente o Prof. João Ferreira do Amaral, académico que, faça-se justiça, desde sempre reprovou a adesão de Portugal ao euro.

A certa altura, LR alega:

O que mais impressiona nestas reiteradas declarações de Ferreira do Amaral, é constatar que persistem economistas do 1º Mundo a defender para os seus países o modelo das desvalorizações competitivas.

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Triste fado este!

Rejubilou recentemente a alma da Pátria. O Fado foi considerado património imaterial da humanidade. Ressuscitou Amália Rodrigues em infindáveis momentos televisivos de fervor patriótico. Voltámos a “dar de beber à dor”! Portugal ressurgiu de novo, patrioteiramente, numa hiperbólica liturgia colectiva, só entendível dentro de uma perspectiva secular e mítica da “maneira de ser português”, que se desejaria definitivamente abolida. Devo repetir uma vez mais o que já, por diversas vezes, tenho dito e escrito – gosto muito de fado, mas não gosto do Fado. Entendamo-nos. Gosto de ouvir fado, sobretudo quando cantado por mulheres. Mas não gosto do Fado enquanto símbolo mítico da Pátria, porque dá voz a um Portugal salazarento, pobre, pequenino, resignado, vencido. Não gosto do Fado enquanto mitificação de uma tristeza congénita, de um luto mental, em viagem permanente num “barco negro” existencial de um povo que, desgraçadamente, continua a viver um momento histórico de resignação, de subserviência, de conformismo fatalista, tradutor de um estado de alma tão passivo quão deprimente. Por isso, a atribuição ao Fado de património da humanidade não me aquece nem me arrefece. Não passa de um fait-divers, de uma patetice como outra qualquer. Mas continuo a gostar de fado. Muito. [Read more…]

Vampiros

Mais do que os juros a pagar à troika pelo financiamento externo, é o injusto custo social suportado por todo um povo. Todo? Não. Tal como os habitantes da aldeia de Astérix, há um irredutível pequeno grupo de gente dita trabalhadora que irá ganhar com isto. Como há sempre alguém a ganhar com a miséria alheia.

Nos últimos tempos, tanto se falou que o endividamento privado para consumo pagava taxas de juros incomportáveis. Face ao que Portugal vai agora pagar com pobreza, é caso para perguntar: onde está a diferença?

Não está. Não existe. A agiotagem persiste, multiplica-se e transmuta-se. Não vive só de juros. Vive da riqueza que se obtém com a miséria, com mais trabalho e menos salário, com as demandas de produtividade para acompanhar a China, com menos assistência social e a privatização de recursos e de bens essenciais, com mais impostos. Vive do lucro ganancioso, pago por quem terá de se esfarrapar para ser produtivo. E a subserviência propaga-se. Agora segue rumo a mais economias latinas, que para as latrinas, do capitalismo sem freio nos dentes, serão mandadas.

Os vendilhões já não trabalham no Templo: tomaram conta dele. A alegada influência cristã da Europa Ocidental, apenas servirá para a caridade a uma pobreza cada vez mais alastrada. A caridade tomará o lugar da solidariedade, e os tostões aliviarão algumas consciências, de modo muito mais barato do que custa um Estado Social. [Read more…]

Portugal, o que é isso?

Tenho visto em diversos países como Portugal trata mal (ou simplesmente não trata) a sua afirmação externa.

Em muitos lugares Portugal não existe sequer, ou, se existe, deve-o a fenómenos pontuais como José Mourinho, Cristiano Ronaldo – o futebol, portanto -, a um ou outro escritor como Lobo Antunes ou Saramago, a um ou outro cantor ( lá está o fado), a um ou outro filme – a cultura portanto – e aos emigrantes portugueses – sendo que estes representam um fenómeno menos pontual.

O recente encerramento de parte da rede consular portuguesa e o despedimento de professores de português espalhados pela europa vem agravar este cenário, seja ao nível da afirmação externa, seja na ligação ao país e à língua  dos descendentes da emigração portuguesa, seja nas implicações comerciais futuras (os emigrantes e seus descendentes, além de consumidores de produtos portugueses “lá fora”, são e poderão ser excelentes “colocadores” destes produtos nos mercados em que se encontram).

Dir-me-ão que o país não tem dinheiro para luxos (luxos?), que os sacrifícios tocam a todos, etc e tal. Talvez, mas, de novo, parece-me que não se ponderou bem o deve e o haver. Acho que o que se poupa é inferior ao que se perde, além de malbaratar todo o trabalho anteriormente realizado e, nestes casos, descontinuar é regressar à estaca zero. Isto, admitindo que alguma vez se vai retomar o que agora se destrói.

Como Portugal podia ter conquistado a Península

Contém um documentário muito sério, um exercício de história alternativa  que em rigoroso exclusivo aqui apresentamos antes de ser incluído na próxima obra de Rui Ramos.

Os Controladores do Ar Fazem Greve Geral à Portuguesa

Tenho de começar por dizer que não faço greve, nunca fiz e de certeza que nunca farei.

Não concordo com greves e não acho que resolvam seja o que for, ainda para mais em Portugal e numa altura em que é preciso produzir e gerar riqueza.

A greve, direito inalienável dos trabalhadores, nunca resolveu nada em Portugal, desde que após a revolução, a implementaram.

Tinha prometido a mim mesmo e a alguns dos meus próximos, que sobre este assunto iria escrever nada, mas voltei atrás com o que disse, e isto porque a Ryanair, decidiu cancelar vários voos, entre os quais um de Paris para o Porto, no dia 23 p.f. pelas 22h, hora local, e chegada às 23h50, hora do Porto, com a desculpa da greve dos Controladoresd Aéreos Portugueses.

Mas a greve anunciada é só no dia 24 de Novembro, GREVE GERAL EM PORTUGAL, pensei eu, e o voo efectuar-se -ia no dia 23.
Não entendi e dirigi-me ao Aeroporto de Pedras Rubras, ao balcão da Ryanair.

Aí, a muito simpática, e diga-se em abono da verdade, quase bonita funcionária, informou-me que a Companhia de Aviação, não poderia fazer de outra forma já que, a  

Greve dos Controladores Aéreos Portugueses marcada para o dia 24 de Novembro,

o dia da Greve Geral em Portugal, jornada de luta dos trabalhadores contra este Governo que os oprime,

começa às 22h do dia 23.

E assim se luta pela saída da crise em Portugal.

Auktyon

Já aqui escrevi sobre os AuktYon, a banda indie russa de Leonid Fjodorov.  Hoje descobri que têm um novo álbum, Top de seu nome, o que já era uma boa notícia a que se acrescenta uma ainda melhor: é possível ouvir e descarregar o disco na sua página Facebook.

Este vídeo não é deste álbum, mas de uma actuação ao vivo de Leonid Fedorov interpretando uma cantiguinha chamada Portugal (ou portugueses, os tradutores automáticos não dão para tudo).

Supondo que o homem andou por estas bandas, aposto em como ouviu Pop DellArte.

Porque será que não temos ninguém em Portugal, a falar assim?

Isto só pode acabar mal … Muito mal!

Nigel Farage, deputado Europeu Britânico, fala da inevitabilidade da falência e saída do euro da Grécia, Portugal e da Irlanda; do resgate dos bancos; do plano de criação dos Estados Unidos da Europa e da entrada da Sérvia na Zona Euro.