
A culpa, obviamente, é dos cegos gregos. Pedro Correia dixit!
Supõe-se que, na Irlanda, a culpa seja dos bebedores de Guiness e que em Portugal a culpa seja de quem anda a votar há mais de 30 anos no Bloco Central.
O Barclays e os outros Bancos? Não, esses nada têm a ver com o assunto.
Estão descobertos os culpados da crise da dívida soberana e do Euro
Enviou-me Outro Amigo

Tenho amigos com muito bom gosto e discernimento; às vezes enviam-me umas coisas giras e com imensa piada.
Acertar ponteiros
Neste passado Domingo perdeu-se mais uma oportunidade de melhorar a coesão nacional: os Açores foram obrigados a atrasar uma hora tal como Portugal continental e a Madeira. Ou seja continuam atrasados uma hora em relação ao resto do país. Não é justo.
Claro que pode usar-se o argumento dos meridianos e tal e coisa, mas não deixa de ser uma oportunidade perdida.
Como ficará Portugal em 2012? como está agora a Grécia
A mesma política em países com problemas semelhantes (a Grécia talvez tivesse mais corrupção, mas duvido), vai desmentir o que diz o neocon das finanças que deve ter estudado História Económica por correspondência (e não só, também conhece Portugal de binóculos: acreditar num aumento da cobrança do IVA em Portugal numa situação recessiva, só mesmo com um polícia em cada loja). Cada país é um caso, mas a mesma política em casos muito semelhantes dará resultados muito parecidos.
Da propaganda da mentira sempre fez parte diabolizar a Grécia (quantos não se indignaram a seu tempo porque íamos “ajudar” esses malandros). Este é o depoimento de “um jurista de Viena, que tem um apartamento em Atenas”. Sublinhados e comentário entre [] meus:
Há 16 meses que tenho casa em Atenas e vivi in loco esta situação dramática. Ouvem-se queixas de que os planos económicos não vão funcionar porque as receitas fiscais caíram. Põe-se em causa a vontade dos gregos economizarem. Que surpresa! Vejamos alguns factos:
– Redução de salários e de pensões até 30%.
– Redução do salário mínimo para 600 euros. [algo de que estamos safos, deve descer só uns 10%]
– Dramática subida de preços (combustível doméstico + 100; gasolina + 100%, electricidade, aquecimento, gás, transportes públicos + 50%) ao longo dos últimos 15 meses.
Resgate da UE de 97% volta para a UE [Read more…]
Reiniciar
imagem Artigo 21º
Para não mudar de utilizador, que será mais um banqueiro qualquer. Para não terminar a sessão, porque estamos vivos, ainda respiramos. Para não nos deixarmos bloquear mais ainda. Para não suspenderem outra vez a democracia, que continua pouca.
Reiniciar, Reset: Angra do Heroísmo – Praça Velha Braga – Avenida Central Coimbra – Praça da República Évora – Praça do Sertório Faro – Jardim Manuel Bivar Lisboa – Marquês de Pombal Porto – Praça da Batalha.
Hoje às 15h. Em Portugal e no mundo.
Portugal fica fora do Euro?
Para os “Costas e Zés/Salgados” verem
Os netos dos que não foram à Índia:
Não serei a melhor pessoa para avaliar estas coisas. Tirando o Porto Canal, por razões óbvias (profissionais, sentimentais e de proximidade informativa) vejo pouca televisão. Tirando a informação, só cabo (e mesmo assim, pouco).
Nas redes sociais, em especial no facebook, vou-me apercebendo que os programas/concursos de novos talentos musicais existentes em Portugal são idênticos aos que existem noutras paragens. A produção é a mesma, o estilo dos apresentadores não é muito diferente e a qualidade geral não difere muito de cá para lá. Apenas num ponto as coisas são muito diferentes, assustadoramente diferentes e que nos devem obrigar a pensar. [Read more…]
Portugal forte candidato ao Nobel da Física
Depois da descoberta do átomo, do neutrão, do protão e do electrão, acabou de ser descoberto o pelintrão.
E como se caracteriza o pelintrão? O pelintrão é um tuga sem massa e sem energia mas que suporta qualquer carga.
(a partir da versão original, publicada por Einstino) Afinal informam-me que a descoberta já tem barbas, numa versão dedicada a Sócrates. Mantêm-se actual, o que não tem piada nenhuma.
Opções
O não casamento como estratégia de reprodução numa aldeia portuguesa (1862-1983)
Quando em 1971-1973 levei a cabo a minha pesquisa entre o campesinato do Vale do Chile apercebi-me que, apesar das crenças, valores e regras legais, religiosas e políticas, os casais, na ausência de um padre ou de um registo civil, – o que aconteceu com frequência nos grandes latifúndios chilenos – simplesmente juntavam-se quando surgia a necessidade de dividir a casa. Mais tarde, na Galiza, entre 1975 e 1978, observei que, tanto para esse período como para o passado histórico até ao século XVIII, o casamento verificava-se normalmente entre pessoas da mesma condição, baseando-se em negociações em torno da herança, sendo portanto, e uma vez que o património varia através dos tempos tanto nos conteúdos como nas possibilidades económicas, uma instituição historicamente mutável. Apercebi-me de uma série de possibilidades que se haviam desenvolvido para o casamento na Galiza, tais como o casamento combinado pelos pais do principal herdeiro, ou combinado pelos próprios, enquanto herdeiros residuais (Iturra, 1978 e 1980), os quais, uma vez mais, têm uma importância variável, dependendo dos conteúdos patrimoniais das transações matrimoniais. [Read more…]
Moody’s Europe Tour

Moody’s cortou rating da Irlanda para “lixo”
GréciaPortugalIrlanda- Itália
- Espanha
- Talvez ainda dê para mais um país se não faltar o gasóleo
Factores de reprodução social em sistemas rurais: trabalho, produção e pecado em aldeias camponesas
Embora num sistema rural se possa definir pela cultura que nele surge como dominante, seja porque proporciona o sustento ou o dinheiro, seja porque ocupa a maior parte do tempo de trabalho, e por fim, da criação da sociedade e cultura, com ele coexistem outras actividades produtivas que o complementam. No caso das aldeias, que tenho estudado no Chile e em Portugal, produtoras de uvas e de vinho, ou nas aldeias produtoras de leite que estudei na Galiza, o milho, as batatas, as azeitonas, as hortaliças, os animais, as matas, compõem o contexto mais amplo dentro do qual se desenvolve o trabalho principal. A produção de tecnologia e a renovação dos instrumentos são também parte do processo de trabalho. [Read more…]
Uma foto quase desconhecida

A Comissão Oficial do Centenário da República, tem divulgado muitas fotos de exaltação da bandeira do seu amado regime. Aqui está uma imagem praticamente desconhecida, tirada pelo exército alemão na antiga União Soviética, há uns setenta anos. Num momento de ajudas da Alemanha, convém amansar os espíritos dos generosos patronos.
Taxa de desemprego em Portugal chega aos 12.6%

Fonte: Relatório OCDE, Abril 2011, via PÚBLICO
Zona euro (EA17) = Bélgica, Alemanha, Estónia, Irlanda, Grécia, Espanha, França, Itália, Chipre, Luxemburgo, Malta, Holanda, Áustria, Portugal, Eslovénia, Eslováquia e Finlândia.
EU27=Bélgica (BE), Bulgária (BG), República Checa (CZ), Dinamarca (DK), Alemanha (DE), Estónia (EE),Irlanda (IE), Grécia (EL), Espanha (ES), França (FR), Itália (IT), Chipre (CY), Letónia (LV), Lituânia (LT), Luxemburgo (LU),
Hungria (HU), Malta (MT), Holanda (NL), Áustria (AT), Polónia(PL), Portugal (PT), Roménia (RO), Eslovénia (SI),
Eslováquia (SK), Finlândia (FI), Suécia (SE) e Reino Unido (UK).
Portugal está com uma taxa de desemprego de 12.6%. Mas atenção, há pujantes economias como as da Estónia, Eslováquia, Letónia e Lituânia que estão piores do que as nossas! E temos a solidariedade da Espanha (com um histórico de altas taxas de desemprego desde há muito) e da Grécia e da Irlanda (a braços com o FMI).
E no entanto aí temos o campeão da defesa do Estado Social que nos governou 13 dos últimos 15 anos. E que ainda em 2005 usou como argumento para ganhar as eleições a deixa “7,1% de taxa de desemprego são a marca de uma governação falhada e de uma economia mal conduzida”. Será preciso fazer um desenho?
A diminuição do número de feriados
Pedro Passos Coelho tem toda a razão. O número de feriados em Portugal devia diminuir. Como trabalhador, é óbvio que os feriados até são poucos. Mas analisando de forma equidistante o problema, como politólogo (só falta o convite), a verdade é que existem uns quantos feriados a mais que deviam ser simplesmente eliminados:
– Sexta-Feira Santa (feriado móvel, última sexta-feira antes do Dia de Páscoa)
– Corpo de Deus (feriado móvel, quinta-feira da segunda semana após o Pentecostes (60 dias após a Páscoa)
– Assunção de Maria (15 de Agosto, elevação de Maria em corpo e alma à eternidade para junto de Deus)
– Dia de Todos os Santos (1 de Novembro)
– Imaculada Conceição (8 de Dezembro, Padroeira de Portugal)
É que, queiram ou não queiram, Portugal é um Estado laico que deve respeitar de igual modo todas as religiões e não dar privilégios a qualquer uma delas. Não ignoro que a maior parte da população portuguesa se diz católica, mesmo que não saiba distinguir muito bem entre ser católico e ser cristão, mas exactamente por isso é que abro duas excepções, a Páscoa e o Natal, sendo que este, hoje em dia, é mais uma Festa da Família e do Consumo do que uma festa religiosa.
No meio disto tudo, o que me espanta mais é a forma como uma certa Esquerda se sobressalta sempre que este assunto vem à baila. Então não é verdade que Portugal é um país laico, camaradas?
Extra-Post: Não ignoro que Pedro Passos Coelho não tinha em mente exactamente estes feriados quando falou do assunto publicamente…
Também sou Português, Para Além de Portista
Carta do Governo para a Troika – Em Português
AVISO!
No dia 1 de Junho, foi publicado no site do FMI uma tradução do MEPF (carta do governo para a Troika), ao que tudo indica não tem diferenças para a versão que traduzimos aqui no Aventar. Pode consultar esta versão em:
- Versão do site do FMI em 1 de Junho de 2011 (PDF 129kB).
Nestes últimos tempos não se tem falado de outra coisa senão do acordo com a Troika. Os partidos fazem acusações entre si, a comunicação social vai vivendo destes pequenos atritos e os pundits produzem os respectivos sound bites. Depois de analisarmos toda esta barragem de comunicação, conclui-se que a triste verdade é que ninguém parece estar interessado em deixar os portugueses pensarem por eles mesmos. Decidimos por isso avançar com a tradução da Carta do Governo, o Memorando de Política Económica e Financeira.
Para ajudar à navegação, lembrar que dos documentos da Troika, constam três memorandos:
- Memorandum of understanding on specific economic policy conditionality (MoU) – foi o trabalho que traduzimos em primeiro lugar aqui no Aventar – foi enviado ao BCE e à CE;
- Memorandum of Economic and Financial Policies (MEFP) – é o documento que publicamos neste post – foi enviado ao FMI;
- Technical Memorandum of Understanding (TMU) – este documento não está ainda disponível em Português, pode-se consultar em: 20110517-TMU-en.pdf (PDF 129 kB)
Este documento não tem tanto interesse como os dois anteriores dado que o conteúdo é quase todo composto de definições e preceitos usados pela Troika.
O documento MoU é o mais popular dos três e foi escrito pela Troika. O MEFP foi divulgado em simultâneo com o MoU e é a tal “carta” que Louçã citou no debate com Sócrates sobre a TSU (Taxa Social Única) – ver parágrafo 39. É um documento oficial onde o Governo anuncia o que vai fazer a troco do apoio financeiro. Foi entregue à Troika e é referido por diversas vezes no MoU. O MEFP mostra o futuro agreste que nos espera, bem diferente das suaves comunicações que têm sido feitas sobre o “bom acordo” que foi alcançado.
Revisão de: 2011.05.20 00:05
Índice
A. Introdução e perspectivas macro económicas
B. Redução da Dívida Pública e Défice
C. Racionalização do Sector Público
D. Proteger o Sistema Financeiro quanto a desalavancagem
E. Aumentar a competitividade através de reformas estruturais
F. Assuntos programáticos
Créditos
Formatos para download:
Disponibilizamos este documento em formato PDF:
- MEFP-pt_PT.pdf (152.9kB)
NOTAS:
- Este é um trabalho em progresso só estará concluído depois de ter sido devidamente revisto. Assim pedimos aos nossos leitores para nos alertarem sobre quaisquer tipos de erros que possam encontrar. Estamos neste momento a fazer uma revisão de português e a seguir sofrerá uma revisão técnica.Podem deixar comentários, ou então escrever para aventar.blogue@gmail.com (se forem revisões mais longas preferimos que seja por mail);
- Pode consultar uma cópia do original em inglês aqui (PDF – 63.4kB);
- Tentámos seguir as convenções utilizadas no documento original.
Sócrates julga que o Ministério das Finanças traduziu o Memorando
José Sócrates em debate com Jerónimo de Sousa, afirmou com alguma convicção que o memorando teria sido traduzido e disponibilizado aos portugueses. Mas o Minitério das Finanças não fez esse trabalho. Quem o fez foi a equipa do Aventar com a colaboração dos seus leitores. Pode ler, não graças ao governo, nem aos partidos, nem sequer à comunicação social, seguindo este link.
O Público refere que o governo preferiu dar aos portugueses apenas uma versão reduzida. Mas, enfim, nem isso é verdade, o que existe no site do MdF é apenas uma apresentação e um discurso, onde se tomam as liberdades de comunicação normais deste governo.
Um País Amarrado
Agora façam lá um vídeo para os ingleses
O vídeo What The Fins Need To Know About Portugal que o FMS aqui publicou é sem dúvida excelente. Sucede que além da Finlândia estar com pouca vontade de financiar os nossos banqueiros, agora temos a velha “aliada”:
O ministro das Finanças britânico, George Osborne, disse hoje que o Reino Unido está relutante quanto a ajudar financeiramente Portugal in Público
O político conservador afirmou mesmo que se o Reino Unido participar no resgate a Portugal será “a resmungar” já que nunca se comprometeu com essa ajuda. I
Querem um desenho?
Façam lá um vídeo para os ingleses, mas tirem aquela tolice de termos abolido a escravatura no séc. XVIII, na prática só o fizemos no séc. XIX e por pressão da Inglaterra que se tinha deixado dessas coisas.
Temos é uns números muito jeitosos de financiamento da Revolução Industrial britânica, em particular a curiosidade de em todo o séc. XVIII só num ano não ter havido mais navios ingleses do que portugueses nos nossos portos, fora o contrabando.
Mas a pérfida Albion quer lá saber da História. Já agora, àqueles que agora choram pela falta de solidariedade europeia, pergunto o que disseram quando contribuímos para o pacote de financiamento (na prática de enterramento, é certo) à Grécia. Estas coisas googlam-se, e têm por vezes muita piada.
Acordem: o memorando e as autarquias
3.43. Reorganizar a administração do governo local. Existem actualmente cerca de 308 municípios e 4.259 freguesias. Em julho de 2012, o governo vai desenvolver um plano de consolidação para reorganizar e reduzir significativamente o número de tais entidades. O Governo vai implementar esse plano com base em acordo com o pessoal da CE e do FMI. Estas mudanças, que entrarão em vigor no início do próximo ciclo eleitoral local, vão melhorar o serviço, aumentar a eficiência e reduzir custos. Memorando da Troika
Não diria que temos freguesias e concelhos a mais ou a menos: afirmo que o nosso mapa administrativo é do séc. XIX, nada tem que ver com a realidade geográfica actual, e ainda por cima foi desenhado em grande parte às ordens da engenharia eleitoral da época.
Assim de repente e onde vivo, em Coimbra, várias freguesias não têm pés nem cabeça, deviam ser agrupadas, e uma ou outra por sua vez divididas.
Também a correr, no Baixo-Mondego, os concelhos de Soure e Montemor-o-Velho têm fronteiras completamente absurdas, fazendo com que ao caminhar pela margem esquerda saltitemos de um para o outro, sem que tal faça o mínimo sentido.
Estaria então de acordo com esta parte do acordo. E estou, desde que a reorganização administrativa seja feita com consulta às populações, incluindo referendos, única forma de se contornarem bairrismos exacerbados, motivo principal porque nenhum governo teve testículos para se meter nisto.
Agora a minha bola de cristal assegura-me que nada será feito, ou melhor, decorativamente se-lo-á onde encontrarem autarcas sem capacidade negocial. A prova é esta:
O presidente do governo regional disse hoje não ver “razão para reduzir os municípios e freguesias da Madeira”. Ao recusar a medida integrada no acordo com a troika, Alberto João Jardim advertiu que a divisão administrativa “é uma competência da assembleia legislativa regional”. Público
Estamos conversados.
Tradução do memorando do acordo com a troika FMI-BCE-CE concluída
Os nossos aventadores Helder Guerreiro, Jorge Fliscorno e mais alguns meteram as mãos na massa, e fizeram o que a comunicação social não fez: traduzir para português as 34 páginas do memorando do acordo com a troika FMI-BCE-CE.
Concorde-se ou não com o acordo é um documento fundamental e que provavelmente vai reger a nossa vida nos próximos anos. Temos todos direito a lê-lo, e não apenas aos resumos que jornalistas e políticos vão fazendo. Como muitos comentaram foi um verdadeiro serviço público prestado por estes nossos colegas, a quem presto homenagem, em meu nome e no dos restantes aventadores. E uma vergonha para a comunicação social, que não se deu a esse trabalho, que poderia e deveria ter sido feito por profissionais.
Não é uma obra acabada: alguns leitores chamaram a atenção para pequenos erros, naturais num trabalho feito voluntariamente por amadores, mas para já está concluída. Agradecemos, em particular ao Pedro Braz Teixeira que tem feito alguma revisão do texto, e solicitamos que na respectiva caixa de comentários nos indiquem qualquer falha que encontrem. Aguardaremos por essas críticas, passando depois à edição do texto em ficheiros para download. Trabalho partilhado e em rede, pois claro, como se faz no séc. XXI.
Mais uma vez, obrigado.
Memorando da Troika – Em Português
AVISO!
Foi apresentado no dia 3 de Maio um Memorando de Entendimento. Esta versão foi aprovada pelo PSD e pelo CDS-PP e corresponde à tradução feita pelo Aventar que se pode ler mais abaixo.
No entanto, no dia 17 de Maio, o governo assinou outro Memorando de Entendimento, diferente do anterior. Notar que o governo não achou necessário informar os portugueses nem sequer os próprios partidos signatários da versão do dia 3 e que muito provavelmente terão de ser eles a cumprir este “programa de governo”.
Pode consultar a versão do dia 17 em:
- Versão do dia 17 em Inglês (PDF 214.4kB);
- Versão do dia 17 em Português (PDF 426.1kB).
A seguir tem a versão do dia 3. É importante estar atento às diferenças, são muitas e importantes.
Esta é uma leitura obrigatória para qualquer português que se preocupe minimamente com o que o rodeia e com o que vai acontecer nos próximos 3 anos em Portugal.
Se ler este documento vai verificar que as instruções do CE, BCE e FMI são muito mais profundas e abrangentes do que à primeira vista possa parecer.
Para ajudar à navegação, lembrar que dos documentos da Troika, constam três memorandos:
- Memorandum of understanding on specific economic policy conditionality (MoU) – foi o trabalho que traduzimos em primeiro lugar aqui no Aventar e que pode ler neste post – foi enviado ao BCE e à CE;
- Memorandum of Economic and Financial Policies (MEFP) – este memorando foi enviado ao FMI;
- Technical Memorandum of Understanding (TMU) – este documento não está ainda disponível em Português, pode-se consultar em: 20110517-TMU-en.pdf (PDF 129 kB)
Este documento não tem tanto interesse como os dois anteriores dado que o conteúdo é quase todo composto de definições e preceitos usados pela Troika.
Revisão de: 2011-05-21 1:06
Índice:
1. Política orçamental
2. Regulação e supervisão do sector financeiro
3. Medidas Fiscais Estruturais
4. Educação e formação
5. Mercados de bens e serviços
6. Mercado habitacional
7. Condições de enquadramento
8. Concorrência, compras públicas e ambiente de negócios
A. Créditos
Formatos para download:
Disponibilizamos este documento em formato PDF:
- memorando_troika-pt_PT.pdf (277.1kB)
Também temos em formato ePub (este formato é apropriado para os leitores de livros electrónicos e para alguns “smart phones”):
- memorando_troika-pt_PT.epub (73.4kB)
NOTAS:
- Este trabalho foi feito com todo o cuidado e beneficiou das correcções e sugestões de inúmeros leitores, no entanto poderão haver sempre gralhas e erros. Assim pedimos aos nossos leitores para nos alertarem sobre quaisquer tipos de erros que possam encontrar.Podem deixar comentários, ou então escrever para aventar.blogue@gmail.com;
- Pode consultar uma cópia do original em inglês aqui (PDF – 200.4kB);
- Tentámos seguir as convenções utilizadas no documento original, a maior diferença é termos reservado o uso dos parênteses rectos para as notas de tradução;
- O uso de 1T, 2T, etc, é abreviação de primeiro trimestre, segundo trimestre, etc;
- ME é abreviação de milhões de euros.
Memorando da ‘Troika’ FMI-BCE-CE – Medidas acordadas
A imprensa já havia citado de forma parcial algumas das medidas decorrentes da ajuda externa a Portugal. Porém, o verdadeiro e amplo conjunto dessas medidas acaba de se ser divulgado neste ‘Memorando do acordo estabelecido com o FMI-BCE-CE’. Trata-se de um documento extenso, 34 páginas, e que requer cuidada análise, impossível de ser feita de imediato e celeremente.
A sua publicação, no ‘Aventar’, neste momento, tem o objectivo de o levar ao conhecimento de quem esteja interessado em ser informado na hora.
Adenda: Leia também o texto completo Memorando da Troika – Em Português
o 5 de outubro aconteceu no 25 de abril…ou não

A Liberdade guiando ao Povo, de Eugène Delacroix, 1833.
A data do 25 de Abril de 1974, é o dia histórico de Portugal, ou assim parecia ser. Tínhamos a esperança de ter ganho a liberdade das diversas ditaduras que governaram o nosso País, ao longo de mil anos de escravidão de reis, conservadorismo, domínio de Espanha sopre a primeira Monarquia europeia a segui a dos Capeto, que acabaram guilhotinados em 1789, na revolução francesa. O nosso País nunca matara um monarca, mas sim se rebelaram contra eles ao longo de quase quatrocentos anos de domínio dos reis da Espanha que fizeram de Portugal mãos uma colónia Ibérica, recuperando, pensávamos, a liberdade em 1640, Aconteceu no dia 1 de Dezembro de 1640, a revolta que deu origem à Restauração da Independência, lutando contra a tentativa de anulação da independência do Reino de Portugal por parte da Dinastia Filipina de Espanha, e que vem a culminar com a instauração da Dinastia Portuguesa da casa de Bragança.
O itinerário da troika
Depois de Atenas, Dublin. A seguir Lisboa. Independentemente dos problemas de usura , o Sol e os suaves fins de tarde lisboetas são mais aconchegantes do que o ar cinzento de qualquer cidade do norte europeu. Natural, portanto, que os nórdicos da troika prefiram o ambiente amistoso do Sul aos plúmbeos ares nortenhos. Até porque estes problemas sociais, alheios aos interesses financeiros, não os comovem.
O rumo da rota, na lógica de factores climático-sociais, funda-se em outras motivações. Sinteticamente reduzidas pelo libelo países periféricos. Como quem diz suburbanos para, de forma diplomático-hipócrita, não lhe chamar marginais – no sentido puro da definição de marginalidade, i.e., parte do tecido social económica e politicamente excluído. No fundo, os muitos que a sociedade convencionou discriminar em nome de minoritários interesses, em submissa obediência a normas de ganância de poderosos.
Um a um, os tais países periféricos, na lógica referida, são naturalmente delinquentes e marginais. Constituem o grupo visado pela troika (FMI-CE-BCE), que actua em obediência às ordens dos chefes supremos. Mas, em simultâneo, esses países ocupam os espaços mais aprazíveis para se trabalhar em dias soalheiros. De facto, se o critério fosse a dimensão da dívida, então o itinerário seria, por exemplo, aquele que o quadro seguinte, interpretado a rigor, justificaria:
| País da Zona Euro | População | Dívida em USD (biliões) | Dívida em Euros (biliões) | Dívida ‘per capita’ € |
| Bélgica | 10.500.000 | 1.354 | 933 | 88828,53 |
| Espanha | 45.100.000 | 2.313 | 1.593 | 35328,26 |
| França | 63.800.000 | 5.002 | 3.446 | 54006,51 |
| Grécia | 11.100.000 | 504,6 | 348 | 31314,64 |
| Irlanda | 4.200.000 | 2.312 | 1.593 | 379194,18 |
| Portugal | 10.600.000 | 484,7 | 334 | 31498,53 |
Outros países poderíamos acrescentar, mas fiquemos por aqui. Bruxelas e Paris, nesta época, estão longe de oferecer os fins-de-tarde de ‘bocadillos y mirar las golfas’ e, por conseguinte, Madrid poderá ser a próxima anfitriã da troika. Prevalece o valor do Sol e do Sul sobre a dívida e o Norte.
Um país a afundar
Um barco que há muito começou a meter água, a afundar, encalhado, em agonia. Assim é, assim está Portugal! Como a maioria dos portugueses, senão todos, sinto que caminhamos para o abismo.
Os políticos não se entendem, criticam, acusam, e nada fazem para tirar o país desta crise sem fim. A oposição conseguiu finalmente o que queria: derrubar o Governo e obrigar o país a recorrer à ajuda externa, sem pensar nas consequências que isso trará para o país, para os portugueses.
Sinto que, para os políticos de hoje, o que interessa é chegar ao poder, custe o que custar. Nem que isso implique arrastar os portugueses para a miséria, onde muitos já se encontram. O PSD não apoiou o PEC IV, levando à demissão do Governo, o que a meu ver, veio agravar ainda mais a situação económica do país – as principais agências de notação financeira baixaram a classificação da dívida pública e dos bancos portugueses, que por sua vez, “fecharam a torneira” ao Estado, tornando insustentável a governação.
A Avenida do Centrão desemboca no FMI
Percorremos a longa ‘Avenida do Centrão’ desde 1985, com Cavaco, Guterres, Barroso e Sócrates – Santana praticamente não contou. Estafámos tudo o que houve para estafar. De bolsos vazios, andrajosos e descalços, desembocámos no abismo: FMI!.
Falar de abismo é exagero? Não, estou certo. Evitem-se comparações com o passado. O mundo hoje é muito mais complexo. Uns conselhos: leia-se o que escreveu aqui Joseph Stiglitz; tome-se em atenção o lucro do FMI gerado pelas ajudas à Grécia e Irlanda, segundo o blogue ‘Ironia d’Estado’; e ainda mais uma achega, olhe-se para a evolução dos juros de financiamentos a 10 anos aos Estados da Grécia e da Irlanda, após intervenção do FMI:
Grécia
Irlanda
Fonte: Bloomberg, aqui e aqui.
Depois das “ajudas” da UE e FMI – ambas em 2010, em Maio à Grécia e em Novembro à Irlanda – as taxas de juro da dívida pública de um e outro país registaram um movimento ascendente acentuado: ontem, 6 de Abril, a Grécia pagava 12,72%/ano e a Irlanda 9,37%/ano. [Read more…]
Cabra cega
Quando alguém vai ao banco pedir dinheiro emprestado, tem de ser elucidado acerca das condições, taxas, spreads, prazos, das obrigações, das garantias e suas extensões, etc. antes de decidir.
Quando um país é empurrado para se ir financiar num fundo internacional ou de uma Europa dita solidária e unida, que até lhe chamam União Europeia, ninguém diz quais são as condições.
Fala-se que Portugal vai ter de recorrer à ajuda externa. Criou-se, até, um sentimento de inevitabilidade. Mas ninguém diz o que vamos ter de fazer. Há palpites, há teorias, possibilidades, perspectivas e mais um conjunto de coisas que ficam bem ser ditas mas que espremidas não dão nada.
Nenhuma instituição diz o que vamos ter de fazer para pagar, qual vai ser o resgate.
Esta profunda contradição entre um cidadão ou uma empresa e um Estado é exemplificativo daquilo em que os países se tornaram face aos tais histéricos mercados que passam a vida a precisar de tranquilizantes que nos saem do corpo: uns meros capachos. [Read more…]















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